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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Meus chutes geopolíticos - Paulo Roberto de Almeida

Meus chutes geopolíticos

Paulo Roberto de Almeida 

O mundo já era multipolar, sempre foi, mas agora está quase virando bipolar, como na primeira Guerra Fria; só que lá, a parte medíocre — a despeito dos mísseis nucleares — era a URSS, uma nulidade econômica, politica e cultural.

Hoje, a parte medíocre são os EUA, já eram antes de Trump, mas esse idiota acelerou tremendamente o processo. Os EUA não são uma nulidade econômica (ainda), mas já o são na parte diplomática, cultural e na total falta de credibilidade global, ao serem dirigidos por um debil mental, cercado por incompetentes submissos. 

Isso facilita muito a ascensão da China, mas me surpreende muito uma outra incompetência: a de analistas e de jornalistas reputados, que atribuem parte do sucesso da China ao Brics, o que me parece uma idiotice sem tamanho. A China não deve NADA ao Brics em sua tremenda ascensão. O Brics é um monstro metafísico, uma espécie de Frankenstein nouvelle manière, que é mero teatro para enganar ingênuos e desinformados.

Mas tem muita gente na chamada “comunidade epistêmica” dos internacionalistas que acredita piamente no tal de Brics e numa outra entidade diáfana chamada pomposamente de “Sul Global”, outra coisa inexistente.

Os diplomatas profissionais do Itamaraty, extremamente preparados e competentes, são praticamente obrigados a rechear insossos discursos oficiais para os true belivers do Planalto com essas nulidades conceituais do Brics e do Sul Global, como se eles tivessem qualquer importância do ponto de vista de um processo de desenvolvimento econômico racional do Brasil, que poderia, e deveria, dispensar completamente essas nulidades.

Creio que vários diplomatas concordam comigo, mas eles não podem aderir às minha “heresias geopolíticas”, por medo das reprimendas que podem vir do alto.

O que mais me angustia não é exatamente o fato de que o Brasil não perder nenhuma oportunidade de perder oportunidades, como dizia um diplomata “maldito”, Roberto Campos. A perda de tempo pode ser recuperada em algum momento. Mas o que me deixa triste, mesmo, são burrices sendo erigidas em diretrizes diplomáticas. Lamento por meus colegas.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 10/06/2026


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