| O Estado brasileiro contra o Brasil: a liberdade econômica no mundo e o caso do Estado ‘opressor’ do Brasil -I | ||
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![]() Liberdade econômica no mundo: o relatório do Fraser Institute Os brasileiros pagaram mais impostos em 2010 do que eles haviam pago em 2009; mas eles já haviam pago mais impostos em 2009, comparativamente a 2008; aliás, 2008 também já tinha representado um aumento em relação a 2007, assim como 2007 tinha seguido essa mesma tendência, e assim por diante (ou, neste caso, assim para trás), até onde a vista alcança no passado. Desde a promulgação da Constituição de 1988, os brasileiros pagam progressivamente mais impostos a cada ano, quase como a “crônica de uma extorsão anunciada”. Mas não se pense que, antes, o cenário de espoliação fosse mais ameno para os contribuintes brasileiros; eles já vinham sendo espoliados de forma relativamente eficiente um pouco mais a cada ano, desde o início do regime militar. A Constituição de 1988 apenas consolidou esse processo, ao “encomendar” despesas sempre crescentes, a partir de todas as “bondades” prometidas a todos e a cada um. O pagamento de impostos, contudo, é apenas uma das categorias retidas pelo Fraser Institute, de Vancouver (Canadá), em cooperação com o Cato Institute, de Washington, para classificar os países segundo o critério básico das liberdades econômicas noEconomic Freedom of the World: 2011 Annual Report (disponível: http://www.freetheworld.com/2011...; para os outros anos: http://www.freetheworld.com/reports...). A metodologia utiliza mais de quatro dezenas de critérios, organizados em cinco grandes categorias, para atribuir uma pontuação comparativa a quase uma centena e meia de países, indo do mais livre (Hong Kong) até o mais “oprimido” (o Zimbábue, na 141a., e última, posição). As cinco grandes categorias em torno das quais são organizados os 42 critérios de avaliação da pesquisa sobre liberdades econômicas no mundo são as seguintes: tamanho dos governos (despesas, impostos, investimentos); estrutura legal e garantias quanto aos direitos de propriedade; disponibilidade de moeda estável; liberdade de transacionar no plano mundial; regulação do crédito, do trabalho e do ambiente empresarial. Os fundamentos das liberdades econômicas, na tradição dos inspiradores desse estudo – Adam Smith, Alfred Hayek e Milton Friedman –, são a liberdade de escolha, as trocas voluntárias e a existência de mercados abertos. Friedman, como se sabe, era um grande admirador de Hong Kong, não que isso significasse uma adesão da ex-colônia britânica às sua teorias: a ilha simplesmente seguia o pragmatismo britânico, tendo aliás superado a renda per capita da metrópole muito tempo antes de ser “devolvida” à China. Hong Kong, hoje uma região autônoma do gigante asiático, exibe 9.01 pontos de um máximo de 10, posição que ela vem ocupando de forma consistente desde 1980. O Zimbábue, por sua vez, não passa de 4.08 pontos, degradando por pouco o antepenúltimo lugar da Venezuela, que figura na lista com 4.28 pontos. Apenas antecipando a análise mais detalhada que se fará adiante, o Brasil aparece na posição 102o, com 6.19 pontos, sendo o pior dos Brics na categoria das liberdades econômicas, ainda assim superando com folga a vizinha Argentina, que persegue sua própria marcha para a opressão estatal. (a continuar...) 25/9/2011 Fonte: ViaPolítica/O autor Dados completos dos países, disponíveis em Excel, para o relatório anterior, o de 2010, podem ser obtidos neste link: www.freetheworld.com/2010/reports/world/EFWdataset2010 Paulo Roberto de Almeida é diplomata, professor universitário e autor de Globalizando. |
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 27 de setembro de 2011
O Estado brasileiro contra o Brasil: carencia de liberdades economicas
O declínio do Brasil, ops, dos EUA - Arvind Subramanian
O Brasil não é um império, e não está sendo eclipsado por ninguém, a não por si próprio, ou mais precisamente pela incompetência de seus dirigentes, pela corrupção de sua classe política, pelas políticas erradas de seus tecnocratas e de acadêmicos que fazem diagnósticos equivocados e se enganam de políticas.
Vai demorar para consertar, daí essa possibilidade de declínio, ou de ser eclipsado por outros países que crescem mais rápido.Enfim, uma tartaruga, ou um cágado, para ficar na fábula habitual no Brasil. Não vamos tirar o acento...
Paulo Roberto de Almeida
Quem eclipsará os EUA?
Simon Johnson
Valor Econômico, 22/09/2011
Alguns anos atrás, algumas pessoas consideravam que o Japão tinha ultrapassado os EUA. A Europa também estava, supostamente, competindo pelo predomínio econômico mundial. Hoje, quaisquer dessas afirmações parecem absurdas.
Vai demorar para consertar, daí essa possibilidade de declínio, ou de ser eclipsado por outros países que crescem mais rápido.Enfim, uma tartaruga, ou um cágado, para ficar na fábula habitual no Brasil. Não vamos tirar o acento...
Paulo Roberto de Almeida
Quem eclipsará os EUA?
Simon Johnson
Valor Econômico, 22/09/2011
Alguns anos atrás, algumas pessoas consideravam que o Japão tinha ultrapassado os EUA. A Europa também estava, supostamente, competindo pelo predomínio econômico mundial. Hoje, quaisquer dessas afirmações parecem absurdas.
De acordo com Voltaire, o
Império Romano caiu "porque todas as coisas caem". É difícil
argumentar contra isso como declaração geral sobre declínio: nada dura para
sempre. Mas também não é muito útil. Ao considerar, por exemplo, o predomínio
americano no mundo atual, seria bom saber quando a ascendência diminuirá - e se
os EUA podem fazer alguma coisa para adiar o inevitável.
À época, comentaristas
abandonaram todas as esperanças em relação à sobrevivência do Império Romano
por centenas de anos, antes de ele finalmente entrar em colapso. Podem os EUA
encontrar seu caminho para um adiamento similar?
Em termos de proporcionar
uma estrutura essencial para a discussão desse problema, o novo livro de Arvind
Subramanian, "Eclipse: Living in the Shadow of China's Economic
Dominance" (Eclipse: vivendo à sombra da dominação econômica da China) é
uma grande contribuição. (Transparência total: Subramanian e eu somos colegas
no Instituto Peterson de Economia Internacional, e temos trabalhado juntos em
outras questões.)
Individualmente,
Subramanian compila um índice de predomínio econômico que deverá tornar-se um
foco de conversa em qualquer lugar onde as pessoas querem analisar mudanças na
liderança econômica mundial. Não é preciso conhecer nada de economia para ficar
fascinado por esse livro - ele trata pura e simplesmente de poder.
Os fatos básicos são
incontestáveis. O Reino Unido foi a potência econômica dominante no mundo desde
a irrupção da industrialização, no início do século XIX. Mas perdeu sua
predominância e foi gradualmente eclipsado pelos EUA, que pelo menos desde 1945
é o líder incontestado entre as economias de mercado.
Os EUA ultrapassaram o
Reino Unido em termos de produção industrial logo no fim do século XIX, mas
isso não foi suficiente para fazer pender a balança. O predomínio econômico
mudou somente quando o Reino Unido passou a incorrer em grandes déficits em
conta corrente durante a primeira e a segunda guerras mundiais - o país teve
que tomar pesados empréstimos para financiar seus esforços bélicos e as
importações foram significativamente maiores que as exportações. Grande parte
das reservas mundiais de ouro acabaram nas mãos dos EUA.
Isso ajudou a enfraquecer o
papel da libra britânica internacionalmente e catapultou o dólar americano para
o primeiro plano - especialmente depois da conferência de Bretton Woods, em
1944, quando foi acordado que os países passariam a manter suas reservas tanto
em dólares como em ouro.
Mais recentemente, porém,
foi a vez dos americanos de registrar sistematicamente grandes déficits em
conta corrente, comprando mais do resto do mundo do que ganham com a venda de
bens e serviços no exterior. Nessa dimensão, os EUA parecem destinados a
repetir o erro dos britânicos.
Ao mesmo tempo, a renda per
capita dos países de mercados emergentes cresceu - assim como seu papel
internacional. A China, em especial, tem seguido uma estratégia, no decorrer
dos últimos dez anos, que implica incorrer em grandes superávits em conta
corrente e acumular reservas cambiais, hoje reportadas em mais de US$ 3
trilhões. Com efeito, o argumento mais provocante de Subramanian é de que a
China já superou os Estados Unidos em termos de predomínio econômico - mas nós
ainda não despertamos para essa nova realidade.
A história é fascinante e
bem contada, mas ainda há muito sobre o que vale a pena discutir. Por exemplo,
os britânicos declinaram porque os americanos não puderam ser detidos ou devido
a problemas no Império Britânico e no Reino Unido?
Alguns anos atrás, algumas
pessoas consideravam que o Japão tinha ultrapassado os EUA. A Europa também
estava, supostamente, competindo pelo predomínio econômico mundial. Hoje,
quaisquer dessas afirmações parecem absurdas. Em ambos os casos, o sistema de
crédito escapou de controle, com excesso de empréstimos para o setor privado no
Japão dos anos 1980 e com o excessivo endividamento público durante a década de
2000 na zona do euro.
Analogamente, ainda não
está claro se o caminho de desenvolvimento chinês permanecerá tranquilo. Os
investimentos fixos, na China, estão perto de 50% do PIB - o que parece ser um
recorde mundial. O crédito disponibilizado às empresas estatais e às famílias
continua a crescer rapidamente. Não será isso uma versão da causa precisa do
descarrilhamento do crescimento japonês?
Sobre a questão central da
capacidade de emitir uma "moeda de reserva" que investidores e
governos querem manter em carteira, Subramanian tem razão: a China satisfaz
muitos dos requisitos. Mas ainda carece de alguns elementos chave, entre eles,
plenos direitos de propriedade. Se poder tirar seu dinheiro de um país quando
os tempos ficam difíceis é uma preocupação, então a China não é um lugar
atraente para manter suas reservas.
Problemas externos por
vezes fazem Estados ruir. Mais frequentemente, porém, os grandes problemas são
internos - o regime não consegue assegurar crescimento, sua legitimidade
declina e as pessoas começam a buscar as saídas (ou pelo menos tirar seu
dinheiro do país).
Se os EUA forem eclipsados
em curto prazo, será mais provável que isso ocorra devido à sua perda de coesão
social e seu cenário político disfuncional. A China pode muito bem entrar em
cena para preencher esse vácuo, mas isso é bem diferente de ter condições de
desalojar os EUA.
(Tradução Sérgio Blum)
Simon Johnson,
ex-economista chefe do FMI, é cofundador do blog de economia, BaselineScenario.com , professor da Sloan, no MIT, membro sênior do Instituto Peterson de
Economia Internacional e coautor, com James Kwak, de 13 Bankers (13
banqueiros).
Dissenso de Washington - livro de Rubens Antonio Barbosa
Preservar a memória
nacional
O
Estado de S.Paulo, 27/09/2011
A preocupação com a
preservação da memória de fatos e de momentos históricos no Brasil ainda é
incipiente e não merece a atenção dos que militam na vida pública ou mesmo na
atividade privada. Poucos são os relatos existentes de personalidades que
poderiam dar testemunho relevante nesse sentido.
Não há uma contribuição
significativa no gênero de autobiografias ou de relatos de participantes que
tiveram algum papel na política, na economia ou na diplomacia para melhor
entender a ação de personagens ou para conhecer diferentes percepções da
formulação de políticas públicas. E também - porque não? - ficar sabendo de
histórias curiosas e às vezes picantes dos bastidores dos centros de poder.
Durante quase cinco
anos como embaixador em Washington, registrei, de forma sistemática, os
principais acontecimentos em que estive envolvido, direta ou indiretamente, ou
em que acredito ter tido algum tipo de influência. Com esses elementos
informativos, decidi publicar um depoimento sobre o trabalho que transcorreu
num período especialmente movimentado da vida diplomática na capital dos EUA.
O Dissenso de
Washington, que será lançado hoje na Livraria da Vila da Alameda Lorena, em São Paulo, procura retratar o
panorama das relações Brasil-EUA e os principais temas regionais e globais,
vistos daquele posto de observação. O livro busca também sintetizar os
conflitos políticos domésticos na dividida sociedade norte-americana e descreve
os muitos desencontros dos EUA em relação ao Brasil e à América Latina na primeira
metade da década inicial do século 21.
Nem sempre o trabalho de um embaixador,
nos postos de maior visibilidade política e diplomática, coincide com
acontecimentos especialmente marcantes na História do país onde está acreditado
e também de seu próprio. No período em que trabalhei em Washington, de 1999 a 2004, pude presenciar
as eleições presidenciais com vitória do partido oposicionista, tanto nos EUA
quanto no Brasil, os ataques do 11 de Setembro e a eclosão das guerras no
Afeganistão e no Iraque.
Também vivi a
excepcional experiência de acompanhar de perto um longo período do
relacionamento entre o Brasil e os EUA, como embaixador dos presidentes
Fernando Henrique
Cardoso e de Lula, em governos que desenvolveram políticas
externas bem distintas, o que, por vezes, acarretou desencontros no
entendimento entre os dois países.
Apesar das nossas
boas relações com os EUA no tocante aos temas políticos e diplomáticos, o
diálogo com os membros do governo americano tendeu a se limitar quase que
exclusivamente a questões de natureza bilateral, alguns problemas regionais,
poucos assuntos globais e matérias pontuais do interesse de Washington. O
envolvimento do Brasil em temas mais amplos de política internacional existia
na época, mas era reduzido. Na descrição que faço no livro, ficam evidentes as
limitações do nosso país no cenário internacional até 2004, apesar do visível
aumento do nosso peso na América Latina.
Não seria novidade
dizer que o trabalho
diplomático num posto como Washington significa estabelecer uma interlocução
direta e desarmada com as autoridades locais e os formadores de opinião, assim
como buscar novas maneiras de projetar os interesses do Brasil na capital do
país mais poderoso do mundo.
Era muito
gratificante trabalhar com esse objetivo e perceber como gradativamente
aumentava o interesse do governo local em conhecer o pensamento e a posição do
Brasil nos assuntos mundiais de maior relevância. Era frustrante, no entanto,
constatar que o Brasil ainda pouco pesava no processo decisório internacional,
ao contrário dos outros membros do Bric - Rússia, Índia e China -, que, por
circunstâncias históricas e geográficas, são protagonistas em conflitos
regionais, dispõem de arsenais nucleares e ocupam posição de realce na política
externa dos EUA.
No contato quase
diário com colegas embaixadores e nos relatos que ouvia sobre as discussões com
autoridades norte-americanas durante as visitas de chefes de Estado e
ministeriais, ficava claro quão distante ainda se encontrava o Brasil do centro das
decisões globais. Em conversas informais com os embaixadores dos principais países
aliados dos EUA, como Reino Unido, França, Alemanha e Japão, ou mesmo de países
rivais, como a China, podia-se perceber claramente que as questões e os temas
de política internacional tratados por eles com o governo americano eram de um
nível a que o Brasil ainda não tinha acesso.
A maior exposição
externa nos últimos anos já indicava que o Brasil tinha potencial enorme, não
só para se destacar como coadjuvante, mas também para ser atuante em qualquer
questão na América Latina e em outros assuntos econômicos e políticos
internacionais, como ocorre nos dias de hoje.
Em razão do
crescente envolvimento nas questões globais, intensificou-se a participação
brasileira em alguns assuntos de nosso interesse, como comércio, energia, meio
ambiente, mudança de clima, agricultura e integração regional, questões que
estão hoje no topo da agenda internacional. Atualmente, e cada vez mais, a voz
do Brasil faz-se ouvir.
Como resultado de
todas essas experiências, os quase cinco anos passados em Washington reforçaram
minha convicção de que a nossa relação bilateral mais relevante é com os EUA,
apesar das oportunidades perdidas pelo Brasil. A importância dos EUA,
evidentemente, não exclui a necessidade de intensificar a aproximação com
outros países, muito menos deixar de lado nossos interesses maiores. A defesa
do interesse nacional e o respeito mútuo devem dar o tom do relacionamento entre os
dois países.
Com essas notas que
fiz na condição de observador privilegiado, espero deixar minha singela
contribuição para nossa memória diplomática.
(Publicado em O Globo, sob o título "Memória Diplomática")
Timothy Garton Ash e a "decada perdida" dos EUA pos-11/09
"Não foi a maior história da nossa época"
Entrevista
/ Timothy Garton Ash
Renata Summa
O Globo, 12/09/2011
Historiador
britânico destaca a ascensão da Ásia e constata que a maior potência militar
não conseguiu vencer as guerras
Para o historiador britânico Timothy Garton Ash, a década que seguiu o 11 de Setembro marcou um (importante) desvio na História. Mas a estrada principal da história do nosso tempo, por assim dizer, será marcada pelo deslocamento de poder do Ocidente ao Oriente. Isso não significa que os atentados não tenham deixado um legado desafiador, como demonstra em seu novo livro, “Os fatos são subversivos: escritos políticos de uma década sem nome”, lançado pela Companhia das Letras. Em entrevista ao GLOBO por telefone da Califórnia, o professor da Universidade de Oxford diz que o custo da Guerra ao Terror foi alto demais para poucos resultados, e não hesita em afirmar que década foi perdida para os EUA.
O GLOBO: Em 2001, falou-se dos ataques como um novo marco na História, assim como a queda do Muro de Berlim. O senhor ainda concorda com essa visão?
TIMOTHY GARTON ASH: O período que vai entre o 9 de novembro de 1989 (a queda do Muro de Berlim, ou 9/11 no estilo europeu de escrever as datas) e o 11 de setembro de 2011 (ou 9/11 na forma americana), é um momento muito importante. Mas estou convencido de que o primeiro 9/11 foi mais marcante do que o segundo. Apesar de ter sido um evento de importância extraordinária, não acho que o 11 de Setembro represente o início de uma nova grande era. Não acredito que nossa época será marcada pela luta contra o terrorismo. Esta ameaça foi reduzida pelo que já foi feito contra ela, mas também pela Primavera Árabe. A grande história do nosso tempo não será essa, e sim a ascensão da Ásia, além do deslocamento do poder do Ocidente ao Oriente. Esta, sim, é a grande história do nosso tempo, que define a política de hoje.
● Dez anos após o 11 de Setembro, o senhor considera que o mundo é um lugar mais seguro ou mais perigoso?
GARTON ASH: O mundo sempre foi um lugar perigoso, e sempre será. Mas o risco ligado ao terrorismo será reduzido. Há outros, no entanto. Estados nucleares, aquecimento global, superpopulação, falta d’água... Além disso, como falei, estamos num período de deslocamento de poder. Na História, podemos observar que costumam ser períodos de riscos crescentes, e estou certo de que este também será.
● Como você avaliaria os anos de guerra contra o terror?
GARTON ASH: O governo Bush cometeu grandes erros. Acredito que a invasão do Afeganistão tenha sido necessária, mas poderíamos ter saído de lá mais cedo. O Iraque foi um erro. Além do custo humano altíssimo, houve um custo financeiro altíssimo. US$ 4 trilhões... dá para imaginar o que poderia ter sido feito com esse dinheiro?
● O que devemos esperar do Iraque e do Afeganistão?
GARTON ASH: Temos a maior potência militar do mundo nesses dois países, mas em nenhum deles a guerra acabará em vitória. Houve uma incrível perda de vidas humanas, mais de sete milhões de refugiados de Afeganistão, Paquistão e Iraque. E o Iraque, hoje, não é um país livre. Não tenho nenhuma hesitação em dizer que o mundo seria um lugar melhor hoje se EUA e Reino Unido não tivessem ido ao Iraque. Mesmo no Afeganistão, o que teremos conquistado será muito modesto. Além disso, é o Paquistão o maior desafio hoje. Talvez no futuro vamos perceber que Obama deveria ter se concentrado no Paquistão.
● Mas, nesse caso, haveria um fim? Um dia Afeganistão, depois Paquistão...
GARTON ASH: Em geral, os problemas não são resolvidos, eles são ultrapassados por outros problemas. Estou aqui nos EUA, e o Iraque não é mencionado nenhuma vez na TV. Há dois anos, só se falava nisso. Talvez os problemas não sejam resolvidos, mas eles acabam desaparecendo da mídia.
● Diria que foi uma década perdida para os EUA?
GARTON ASH: No meu livro, digo exatamente isso. Foi uma década perdida. Se os EUA soubessem no início da década para onde estávamos indo, talvez tivessem gastado esses trilhões em educação, desenvolvimento, e estariam em situação melhor.
● Ainda não há uma definição internacional do terrorismo...
GARTON ASH: Terrorismo deveria ser usado no plural: terrorismos. Matar civis é errado, mas há uma diferença entre as mortes causadas pelo movimento antiapartheid liderado por Mandela, por exemplo, e o terrorismo internacional. No caso do terrorismo nacional, se você resolver o problema político, o terror pode acabar. No caso de Bin Laden, não há nada a fazer. Você tem que lutar contra ele.
● Você era um crítico da política de George W. Bush para o Oriente Médio. Como avalia Obama nesse quesito?
GARTON ASH: Bom, há um comentário famoso em Washington: “Na Primavera Árabe, Obama tem liderado por trás.” Há uma ponta de verdade nisso. Ele não deu uma grande prioridade à democracia na região, mas as pessoas de lá deram. Com o tempo, ele melhorou, e acho que tem feito um ótimo trabalho em empurrar a solução de dois Estados para Israel e Palestina.
● Para o senhor, a integração de imigrantes muçulmanos nos EUA e na Europa é um dos principais fatores para prevenir ataques terroristas nesses países. Como estão lidando com isso?
GARTON ASH: Esse é um problema muito maior para a Europa, que tem uma população envelhecendo dramaticamente enquanto, do outro lado do Mediterrâneo, há uma população constituída em sua maioria por jovens. Já nos EUA, esse é um problema menor, pois os muçulmanos são mais integrados, educados. Para nós, na Europa, é um grande desafio, e estamos lidando muito mal com isso.
● A Primavera Árabe pode resultar num fortalecimento de islamistas e tornar a região mais radical ou é o contrário?
GARTON ASH: Esse é o episódio mais esperançoso do século. Devemos acolhê-lo sem hesitação. Mesmo se o Islã político subir ao poder, teremos que aceitá-lo. Claro que falo num tipo de islamismo moderado, ao estilo turco. Se radicais começarem a colocar bombas, será diferente.
● Tony Blair chegou a dizer que a Primavera Árabe justificou, a posteriori, a invasão ao Iraque, mostrando que as pessoas queriam mudanças...
GARTON ASH: É completamente diferente. De um lado temos um movimento espontâneo, vindo de baixo. Do outro, o que os neoconservadores viam como democracia no Oriente Médio. O que vemos hoje na Síria, por exemplo, é uma resistência civil impressionante. Essa população que está na rua tem menos de 30 anos. No final, se eles ficaram desapontados após terem arriscado suas vidas, vão deixar o país. E vão aonde? A Europa está tão obcecada com a crise do euro que não está em condições de dar uma resposta à altura. Mas é ela que será afetada se der errado. Como num ciclo vicioso.
Para o historiador britânico Timothy Garton Ash, a década que seguiu o 11 de Setembro marcou um (importante) desvio na História. Mas a estrada principal da história do nosso tempo, por assim dizer, será marcada pelo deslocamento de poder do Ocidente ao Oriente. Isso não significa que os atentados não tenham deixado um legado desafiador, como demonstra em seu novo livro, “Os fatos são subversivos: escritos políticos de uma década sem nome”, lançado pela Companhia das Letras. Em entrevista ao GLOBO por telefone da Califórnia, o professor da Universidade de Oxford diz que o custo da Guerra ao Terror foi alto demais para poucos resultados, e não hesita em afirmar que década foi perdida para os EUA.
O GLOBO: Em 2001, falou-se dos ataques como um novo marco na História, assim como a queda do Muro de Berlim. O senhor ainda concorda com essa visão?
TIMOTHY GARTON ASH: O período que vai entre o 9 de novembro de 1989 (a queda do Muro de Berlim, ou 9/11 no estilo europeu de escrever as datas) e o 11 de setembro de 2011 (ou 9/11 na forma americana), é um momento muito importante. Mas estou convencido de que o primeiro 9/11 foi mais marcante do que o segundo. Apesar de ter sido um evento de importância extraordinária, não acho que o 11 de Setembro represente o início de uma nova grande era. Não acredito que nossa época será marcada pela luta contra o terrorismo. Esta ameaça foi reduzida pelo que já foi feito contra ela, mas também pela Primavera Árabe. A grande história do nosso tempo não será essa, e sim a ascensão da Ásia, além do deslocamento do poder do Ocidente ao Oriente. Esta, sim, é a grande história do nosso tempo, que define a política de hoje.
● Dez anos após o 11 de Setembro, o senhor considera que o mundo é um lugar mais seguro ou mais perigoso?
GARTON ASH: O mundo sempre foi um lugar perigoso, e sempre será. Mas o risco ligado ao terrorismo será reduzido. Há outros, no entanto. Estados nucleares, aquecimento global, superpopulação, falta d’água... Além disso, como falei, estamos num período de deslocamento de poder. Na História, podemos observar que costumam ser períodos de riscos crescentes, e estou certo de que este também será.
● Como você avaliaria os anos de guerra contra o terror?
GARTON ASH: O governo Bush cometeu grandes erros. Acredito que a invasão do Afeganistão tenha sido necessária, mas poderíamos ter saído de lá mais cedo. O Iraque foi um erro. Além do custo humano altíssimo, houve um custo financeiro altíssimo. US$ 4 trilhões... dá para imaginar o que poderia ter sido feito com esse dinheiro?
● O que devemos esperar do Iraque e do Afeganistão?
GARTON ASH: Temos a maior potência militar do mundo nesses dois países, mas em nenhum deles a guerra acabará em vitória. Houve uma incrível perda de vidas humanas, mais de sete milhões de refugiados de Afeganistão, Paquistão e Iraque. E o Iraque, hoje, não é um país livre. Não tenho nenhuma hesitação em dizer que o mundo seria um lugar melhor hoje se EUA e Reino Unido não tivessem ido ao Iraque. Mesmo no Afeganistão, o que teremos conquistado será muito modesto. Além disso, é o Paquistão o maior desafio hoje. Talvez no futuro vamos perceber que Obama deveria ter se concentrado no Paquistão.
● Mas, nesse caso, haveria um fim? Um dia Afeganistão, depois Paquistão...
GARTON ASH: Em geral, os problemas não são resolvidos, eles são ultrapassados por outros problemas. Estou aqui nos EUA, e o Iraque não é mencionado nenhuma vez na TV. Há dois anos, só se falava nisso. Talvez os problemas não sejam resolvidos, mas eles acabam desaparecendo da mídia.
● Diria que foi uma década perdida para os EUA?
GARTON ASH: No meu livro, digo exatamente isso. Foi uma década perdida. Se os EUA soubessem no início da década para onde estávamos indo, talvez tivessem gastado esses trilhões em educação, desenvolvimento, e estariam em situação melhor.
● Ainda não há uma definição internacional do terrorismo...
GARTON ASH: Terrorismo deveria ser usado no plural: terrorismos. Matar civis é errado, mas há uma diferença entre as mortes causadas pelo movimento antiapartheid liderado por Mandela, por exemplo, e o terrorismo internacional. No caso do terrorismo nacional, se você resolver o problema político, o terror pode acabar. No caso de Bin Laden, não há nada a fazer. Você tem que lutar contra ele.
● Você era um crítico da política de George W. Bush para o Oriente Médio. Como avalia Obama nesse quesito?
GARTON ASH: Bom, há um comentário famoso em Washington: “Na Primavera Árabe, Obama tem liderado por trás.” Há uma ponta de verdade nisso. Ele não deu uma grande prioridade à democracia na região, mas as pessoas de lá deram. Com o tempo, ele melhorou, e acho que tem feito um ótimo trabalho em empurrar a solução de dois Estados para Israel e Palestina.
● Para o senhor, a integração de imigrantes muçulmanos nos EUA e na Europa é um dos principais fatores para prevenir ataques terroristas nesses países. Como estão lidando com isso?
GARTON ASH: Esse é um problema muito maior para a Europa, que tem uma população envelhecendo dramaticamente enquanto, do outro lado do Mediterrâneo, há uma população constituída em sua maioria por jovens. Já nos EUA, esse é um problema menor, pois os muçulmanos são mais integrados, educados. Para nós, na Europa, é um grande desafio, e estamos lidando muito mal com isso.
● A Primavera Árabe pode resultar num fortalecimento de islamistas e tornar a região mais radical ou é o contrário?
GARTON ASH: Esse é o episódio mais esperançoso do século. Devemos acolhê-lo sem hesitação. Mesmo se o Islã político subir ao poder, teremos que aceitá-lo. Claro que falo num tipo de islamismo moderado, ao estilo turco. Se radicais começarem a colocar bombas, será diferente.
● Tony Blair chegou a dizer que a Primavera Árabe justificou, a posteriori, a invasão ao Iraque, mostrando que as pessoas queriam mudanças...
GARTON ASH: É completamente diferente. De um lado temos um movimento espontâneo, vindo de baixo. Do outro, o que os neoconservadores viam como democracia no Oriente Médio. O que vemos hoje na Síria, por exemplo, é uma resistência civil impressionante. Essa população que está na rua tem menos de 30 anos. No final, se eles ficaram desapontados após terem arriscado suas vidas, vão deixar o país. E vão aonde? A Europa está tão obcecada com a crise do euro que não está em condições de dar uma resposta à altura. Mas é ela que será afetada se der errado. Como num ciclo vicioso.
Politicas politicamente corretas na Bolivia: vamos parar tudo...
Após distúrbios, Bolívia suspende construção de estrada que tem recursos brasileiros
BBC Brasil, 27 de setembro, 2011
O presidente da Bolívia, Evo Morales, suspendeu a construção de uma rodovia que está sendo construída com recursos brasileiros e que poderia passar por uma reserva florestal.
Indígenas afirma que a estrada vai passar por meio de reserva florestal e prejudicar o ecossistema
Morales já havia anunciado que um referendo sobre a estrada será realizado em duas províncias bolivianas afetadas. Agora, o presidente decidiu também interromper os trabalhos até lá.
O governo boliviano considera a estrada como estratégica para seu desenvolvimento. Ativistas combatem a obra, que seria uma ameaça ao meio-ambiente.
Na segunda-feira, após um fim de semana de tensão entre setores indígenas e o governo, a ministra da Defesa boliviana, Cecília Chacón, renunciou ao cargo.
Neste domingo, cerca de 500 policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar o protesto, que terminou com "vários presos", que, segundo a imprensa local, foram colocados em ônibus para serem levados de volta para suas comunidades.
Chacón justificou sua saída dizendo, por meio de um comunicado, que não concordava com "a intervenção feita pelo governo" na manifestação realizada pelos indígenas no domingo.
Reserva indígena
A marcha dos manifestantes contra a obra começou em 15 de agosto, em Trinidad (Departamento de Beni), com destino a La Paz, capital política do país.
O protesto é contra a construção do segundo trecho da estrada, entre Villa Tunari, no Departamento de Cochabamba (centro) e San Ignácio de Moxos, no Departamento de Beni, próximo à fronteira com o Brasil.
A estrada passaria pela reserva de TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure), ao lado do território brasileiro. Estima-se que 13 mil pessoas, de diferentes comunidades indígenas, morem neste território.
O percurso teria cerca de 300 quilômetros e um custo aproximado de US$ 420 milhões, financiados com recursos brasileiros, segundo o governo Morales.
A administração de Morales argumenta que "ainda não está definido" o percurso da estrada, mas os indígenas afirmam que ela poderá afetar o ecossistema e suas formas de vida – das plantações à pesca, entre outras atividades – e "favorecer" a exportação da folha de coca da região do Chapare, em Cochabamba.
O Chapare é definido como um dos redutos políticos de Evo Morales.
Diplomacia
Enquanto os indígenas afirmam que "Evo não quer ouvi-los", autoridades do governo dizem que são os indígenas "que se recusam ao diálogo" para que "juntos possam definir o trajeto".
O governo afirma que a estrada será importante para o desenvolvimento do país e uma forma de integrar a região ao restante da Bolívia.
Repressão levou a renúncia de ministra da Defesa
Nos últimos dias, a manifestação gerou diferentes focos de tensão entre o governo e outros setores – indígenas e diplomáticos.
Diplomatas da embaixada dos Estados Unidos em La Paz foram acusados pelo presidente de terem apoiado a manifestação, gerando especulações na imprensa local de que os telefones da embaixada teriam sido grampeados. Em um comunicado, a embaixada negou "qualquer forma de apoio ao protesto indígena".
O cardeal da Igreja Católica Julio Terrazas fez um apelo para que houvesse "diálogo" entre indígenas e o governo. Em um artigo publicado no jornal El Deber, de Santa Cruz de la Sierra, o sociólogo José Martínez, escreveu que "o grande beneficiado desta estrada será o Brasil".
Segundo ele, a estrada permitirá o transporte de produtos brasileiros de Mato Grosso e de Rondônia para o território boliviano e dali para o caminho ao Pacífico. "Será uma forma de encurtar esta viagem", disse.
Em nota, o Itamaraty afirmou ter recebido com preocupação a notícia sobre os distúrbios e disse ter confiança no governo e em diferentes setores do país para buscarem diálogo e favorecer a negociação sobre o traçado da rodovia.
O governo também se disse disposto a "cooperar com a Bolívia no contexto da obra", afirmando que "se trata de projeto de grande importância para a integração nacional da Bolívia e que atende aos parâmetros relativos a impacto social e ambiental previstos na legislação boliviana".
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* Com informações de Márcia Carmo, de Buenos Aires
Cesar Maia contra o voto de lista: germe do autoritarismo
Importante artigo do ex-prefeito Cesar Maia sobre os perigos para o sistema democrático brasileiro do modelo político-eleitora privilegiado pelo PT.
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Stimulus and the Depression: The Untold Story - Wall Street Journal
Stimulus and Depression: The Untold Story
By HAROLD L. COLE AND LEE E. OHANIAN
By HAROLD L. COLE AND LEE E. OHANIAN
The Wall Street Journal, September 26, 2011
We need a policy turnaround like the one in the late 1930s
About one-half of President Obama's proposed $447 billion American Jobs Act consists of payroll tax holidays designed to boost spending and increase hiring. But these temporary policies will do little to jump-start the economy, much as earlier temporary economic Band-Aids, such as the 2009 stimulus, did little to improve the economy.The U.S. doesn't need another war to revive the economy.
Proponents justify stimulus spending in part based on the widely held view that government-fueled increases in "aggregate demand" during FDR's New Deal ended the Great Depression and brought recovery. Christina Romer, former chairwoman of Obama's Council of Economic Advisers, has argued in op-eds that government should continue to spend for this reason. And in a 2002 speech as a Federal Reserve governor, current Fed Chairman Ben Bernanke claimed that monetary expansion and the turnaround from the deflation of 1932 to inflation in 1934 was a key reason that output expanded.
But boosting aggregate demand did not end the Great Depression. After the initial stock market crash of 1929 and subsequent economic plunge, a recovery began in the summer of 1932, well before the New Deal. The Federal Reserve Board's Index of Industrial production rose nearly 50% between the Depression's trough of July 1932 and June 1933. This was a period of significant deflation. Inflation began after June 1933, following the demise of the gold standard. Despite higher aggregate demand, industrial production was roughly flat over the following year.
The growth that followed the low point of the Depression was primarily due to productivity. Productivity is considered a supply-side factor by many economists: It is determined by the technology and regulatory structure of the economy and therefore is largely independent of spending policies.
The growth rate of real per capita output is the sum of the growth rate of per capita labor input and productivity growth. Increasing aggregate demand is supposed to increase output growth by increasing labor input. But between 1932 and 1934, the period that Mr. Bernanke cited in his speech, per capita real gross domestic product (GDP) growth was entirely due to productivity growth, as per capita total hours worked—a standard measure of labor input—was actually, according to our research, lower in 1934 than it was in 1932.
One reason that many believe higher aggregate demand brought about by government spending programs and monetary expansion created recovery is because unemployment did decline between 1933 and 1937. But declining unemployment reflected significant work-sharing in New Deal policies that began in 1933 with the President's Reemployment Agreement and continued with the National Industrial Recovery Act of 1933 and the Fair Labor Standards Act of 1938.
Work-sharing increased employment by spreading jobs across more people. Spreading scarce jobs was probably desirable. But the key point is that higher aggregate demand didn't significantly expand the amount of work that was done.
Productivity growth continued to be the major factor for the rest of the 1930s, accounting for about three-quarters of the growth in real per capita output that occurred between 1932 and 1939. But despite rapid productivity growth, the economy remained well below trend because labor input failed to recover. In 1939, labor input as measured by total hours worked per adult was more than 20% below the 1929 level.
Per capita real GDP was about 27% below trend in 1939, with more than three-quarters of this shortfall due to the continuing depression in labor. Our research indicates that New Deal industrial and labor policies, such as the National Industrial Recovery Act and the Wagner Act (the National Labor Relations Act), were the main reasons. The NIRA, for example, fostered monopoly and raised wages well above underlying worker productivity by a quid pro quo arrangement of relaxing antitrust enforcement in exchange for industry paying substantially higher wages.
The Wagner Act substantially increased unionization and union power. This, in conjunction with government's toleration of sit-down strikes, in which union workers forcibly seized factories to stop production, increased wages further.
In the absence of these policies, we estimate that labor input would have been about 20% higher than it was at the end of the 1930s and would have returned the economy to trend by that time.
Productivity growth is overlooked today. But as in the case of the Great Depression, economic growth since the trough of the Great Recession in June 2009 has been largely accounted for by productivity growth rather than the restoration of jobs. Following the recession's June 2009 trough, about 80% of real per capita GDP growth is due to growth in output per hour worked. And GDP growth is slowing now because productivity is no longer growing.
The economy began to recover following the New Deal because policy changed for the better. In a 1938 speech President Roosevelt acknowledged that some administration policies were retarding recovery. Economic policy shifted considerably around this time, and the economy boomed. Antitrust enforcement resumed. The fiercely controversial undistributed profits tax, which was retarding investment, was drastically reduced and then eliminated in 1939. The sit-down strike was declared illegal, and employers could fire sit-down strikers.
The policy changes in the late 1930s benefited the economy by increasing competition, by bringing wages more in line with productivity, and by improving the incentives for investing. Many assume that World War II spending singlehandedly brought the economy out of the Depression, but nearly half of the increase in nonmilitary hours worked between 1939 and the peak of the war already had occurred by 1941, well before the major wartime spending took place.
Policy can also improve today. The bipartisan Joint Select Committee on Deficit Reduction will make a recommendation by Nov. 23 to deal with future deficits. It has an outstanding opportunity to initiate broad-based tax reform that adopts the recommendations of most bipartisan tax reform commissions of the last 20 years: a simpler tax code that improves the incentives to hire and invest, broadens the tax base, lowers the corporate income tax, and also eliminates loopholes to equalize tax treatment of capital income. Sensibly addressing our long-run challenges will do more for the economy than continuing the stop-gap measures that have dominated policy-making for the last three years.
Mr. Cole is professor of economics at the University of Pennsylvania. Mr. Ohanian is professor of Economics at UCLA and a senior fellow at the Hoover Institution. They are authors of "New Deal Policies and the Persistence of the Great Depression: A General Equilibrium Analysis" (Journal of Political Economy, 2004).
Narcotrafico na Bolivia: crescimento sustentado...
La sentencia más incómoda para Evo Morales
Redacción
BBC Mundo, 24/09/2011
El gobierno de Bolivia trató de descalificar la sentencia en las semanas previas.
La sentencia a 14 años de cárcel en Estados Unidos al exzar antidrogas de Bolivia por narcotráfico, aunque esperada, se produce en un momento delicado para el presidente Evo Morales que desde hace casi un mes y medio se ha enfrentado a protestas ambientalistas.
La prensa boliviana ha seguido de cerca en los últimos meses el caso de René Sanabria, que fue detenido en febrero en Panamá y que declaró su culpabilidad ante el tribunal de Miami que lo ha condenado.
Sanabria era considerado un hombre de confianza de Morales y su caso ha dañado en el ámbito internacional la credibilidad de la política antidrogas de Morales.
El efecto en Bolivia ha tratado de ser contenido en las últimas semanas por el gobierno, que calificó la condena de politizada, al provenir de EE.UU., país con el que rompió la colaboración antidrogas en 2008.
Morales advirtió que Sanabria podría estar negociando con las autoridades de EE.UU. "dañar su imagen, para que su pena sea más corta".
Tras conocer la sentencia, el viceministro de Régimen Interior dijo que el gobierno estaba satisfecho porque durante su última intervención en el banquillo no acusó a terceras personas.
Las marchas en Bolivia han resurgido en el último mes.
"La captura de Sanabria fue un golpe para Morales pero sus mayores efectos se produjeron al conocerse la noticia", valora Jaime Cordero, analista de la actualidad boliviana, en conversación con BBC Mundo.
"La sentencia es simplemente la ratificación de que la política antinarcóticos de Morales es de tolerancia", afirma Cordero, politólogo de la Universidad Católica.
El fallo llega, no obstante, en un momento de creciente conflictividad. "El gobierno se enfrenta de nuevo a una espiral de conflictos y su apoyo ha caído en las encuestas por debajo del 40%".
Tras el "gasolinazo" de enero, una fuerte subida de los precios de la gasolina, las protestas habían dado una tregua al gobierno, pero éstas han resurgido contra su intención de construir una autopista de 300 kilómetros en el Amazonas.
El conflicto con las etnias de la Amazonia está deteriorando la imagen de indigenista y ecologista que cultiva Morales.
A pesar de su problema de popularidad, agrega Cordero, en la oposición no ha surgido aún ningún rival que pueda competir contra Morales, quien en 2009 renovó su mandato presidencial por cinco años más.
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"La política antidrogas de Bolivia no solo genera tensión con Estados Unidos, sino también cada vez más con varios países vecinos y de la Unión Europea"
Brceu Bagley, experto en política antidrogas
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Protestas internacionales
Las repercusiones de la condena a Sanabria para Bolivia son profundas, no solo en Estados Unidos, según Bruce Bagley, experto en narcotráfico en la Universidad de Miami, sino también en otros países.
"La política antidrogas de Bolivia no solo genera tensión con Estados Unidos, sino también cada vez más con varios países vecinos y de la Unión Europea", según Bagley.
Bagley sostiene que el malestar en países como Perú, Brasil y Argentina ha crecido porque observan que ha crecido el tráfico de drogas con origen en Bolivia.
"Se han callado porque hay intereses en juego", observa. "Por ejemplo Brasil, que tiene acuerdos gasísticos con Bolivia, ha reforzado su frontera sur con 7.000 soldados"
"Los países europeos, otro mercado de destino de la cocaína, también han espresado en reuniones internacionales su preocupación creciente contra Bolivia".
El gobierno de Evo Morales tomó en los últimos años varias medidas contra el narcotráfico que causaron protestas internacionales.
En 2008, expulsó a la agencia antidroga estadounidense, la DEA, tras acusar a sus agentes de conspirar contra el gobierno.
Y su gobierno, que cuenta con el respaldo de los productores de hoja de coca, amplió la superficie permitida para la siembra de esta planta, que es la sustancia con la que se fabrica la cocaína.
Estados Unidos incluye a Bolivia en su lista negra de los tres países que han roto ostensiblemente sus obligaciones internacionales en materia de tráfico de drogas.
Washington considera que la expulsión de sus 30 agentes ha dejado al narcotráfico fuera de control.
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