Diplomatizzando

Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Cumprimentos ao Diário de Pernambuco, o mais antigo do Brasil, talvez da América Latina, Livro Nordeste, II - Paulo Roberto de Almeida

Cumprimentos ao Diário de Pernambuco, o mais antigo do Brasil, talvez da América Latina.

O Diário de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação no Brasil, acaba de completar 200 anos.
No seu primeiro centenário, em 1925, o jovem sociólogo Gilberto Freyre organizou um livro comemorativo, Livro do Nordeste. Nele, o já maduro historiador Oliveira Lima, então já residente em Washington, onde era professor da Catholic University of America, escreveu um artigo sobre as relações internacionais do Brasil de 1825 (um ano após a Confederação do Equador) a 1925, concentrando-se mais no Império e um pouco na gestão Rio Branco, na segunda década da República. Oliveira Lima, que no Império era republicano, e que ingressou na diplomacia no início da República (aliás, até "empurrado" pelo presidente Floriano Peixoto), tinha se tornado monarquista a partir do Marechal Hermes da Fonseca, uma mula fardada, e saiu da carreira diplomática logo em 1913, entregando sua fabulosa biblioteca para a universidade americana.
Fui convidado pelo já maduro sociólogo e historiador André Heráclio do Rego, que organizou um segundo Livro do Nordeste, no segundo centenário de vida do Diário de Pernambuco, a escrever, como Oliveira Lima, um ensaio sobre os cem últimos anos das relações internacionais do Brasil.
Fiz o encomendado em diversas versões.
Apresento aqui o início da primeira versão, depois cortada da versão definitiva (ainda não publicada), que se limita ao estritamente pedido, isto é, as relações internacionais do Brasil de 1925 a 2025.

Um século de relações internacionais do Brasil, 1925-2025
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Colaboração a livro comemorativo do Bicentenário do Diário de Pernambuco.
Organização: André Heráclio do Rego e Múcio Aguiar.

Sumário:
1. Prolegômeno: a persistência de uma folha de província
2. A primeira política externa republicana: fundamentos da doutrina diplomática
3. A diplomacia da República de 1946: o alinhamento pragmático da Guerra Fria
4. O primeiro exercício de política externa independente: um padrão consistente
5. O ecumenismo responsável da política externa autônoma e orgulhosa de sê-la
6. A diplomacia da redemocratização: sem os tabus do regime militar
7. As relações internacionais do Brasil numa era de fragmentação geopolítica

1. Prolegômeno: a persistência de uma folha de província
O ano em que o Diário de Pernambuco foi fundado, 1825, começou com o fuzilamento – à falta de verdugos que se dispusessem a enforcá-lo – do mais importante revolucionário da Confederação do Equador, Frei Caneca, o autor intelectual das posições ilustradas defendidas por um movimento que já vinha da insurreição independentista de 1817 e que se prolongou na mais consistente tentativa, em 1824, de fundar o novo Estado brasileiro em bases institucionais mais amplamente democráticas, federais, do que a monarquia unitária que se instalou sob a mesma dinastia que vinha explorando a maior colônia portuguesa desde a Restauração do Reino, no século XVII, e que continuava controlando-a desde a instalação da corte no Rio de Janeiro e sob o Reino Unido.
O ano também contemplou, em agosto, o tratado bilateral entre o Império do Brasil e o Reino de Portugal, que consolidou, não exatamente a independência, que já estava assegurada formalmente desde 1822 – na prática desde muito antes, como sugere Barbosa Lima Sobrinho, ao examinar a trajetória do Correio Braziliense, de Hipólito da Costa –, mas o reconhecimento do novo Estado pelas demais monarquias europeias, um processo que já tinha começado nas Américas dois anos antes, e até mesmo por um reino africano, como relatou o embaixador Alberto da Costa e Silva.
O ano também assistiu, em novembro, à fundação do Diário de Pernambuco, que passaria a seguir, a partir de então, os assuntos relevantes da província, do Brasil e do mundo no decorrer dos cem anos seguintes. Segundo os relatos historiográficos, o Diário relatou os episódios mais salientes da Revolução Praieira de 1848 e, na década seguinte, assumiu uma nítida postura abolicionista, anos à frente da resiliência escravagista em outras províncias: obviamente, se congratulou com a Lei Áurea, assim como se alinhou com o novo regime no ano seguinte à abolição. Seu primeiro centenário foi devidamente comemorado com a publicação do Livro do Nordeste, coordenado por um jovem sociólogo pernambucano, Gilberto Freyre, recém retornado ao Brasil depois de vários anos de estudos nos Estados Unidos e na Europa. Ele tinha começado a colaborar com o Diário desde antes da Grande Guerra, e se manteve como articulista até sua morte, em 1986. Pouco mais de dez anos após estrear como colunista, Freyre foi naturalmente escolhido para coordenar as contribuições preparadas para o Livro do Nordeste, e naturalmente convidou quem já era o principal historiador diplomático do país para relatar os feitos internacionais ocorridos até então.
Manuel de Oliveira Lima, então professor na Catholic University of America, em Washington, assinou o capítulo intitulado “Um século de relações internacionais (1825-1925” (p. 9-10), examinando a trajetória exterior do Brasil no decorrer dos primeiros cem anos de vida do jornal. O grande historiador pernambucano destaca os três grandes objetivos do país em sua política externa no século transcorrido desde 1825:
... fixar as fronteiras com as nações herdeiras do domínio espanhol; salvar a economia de um golpe que se julgava de morte, vibrado pela abolição da instituição servil; sustentar a hegemonia no Prata, obstando a formação de outro império na costa oriental da América, para isso zelando um equilíbrio que n’outra face representava um desequilíbrio. (p. 9)

As fronteiras, escreveu ele, foram definitivamente assentadas já na República, “pela erudição e habilidade do Barão do Rio Branco, mas ampararam a sua especial competência a firmeza da diplomacia imperial e a segurança da anterior diplomacia portuguesa” (idem). Ele reconhece a política de intervenção platina – “o que lhe deu uma feição imperialista e provocou as duas guerras externas em que o Brasil se envolveu” –, mas entendia que “o maior erro diplomático do Império foi querer embargar o movimento centrípeto platino”, ou seja, a reconstituição do Vice-Reinado do Rio da Prata, sob o controle de Buenos Aires, ao mesmo tempo em que pretendia exercer sobre a Banda Oriental um “virtual protetorado”. Na questão da escravidão, Oliveira Lima entende que o império não foi muito efetivo na frente externa, “atraindo os raios britânicos do Bill Aberdeen”, mas que soube bem se conduzir na frente interna, levando o doloroso problema “gradualmente a cabo de modo ordeiro, honroso e modelar”, chegando mesmo a afirmar que, na questão abolicionista, “nunca contamos com partidários decididos da escravidão”. Termina por se referir aos principais casos diplomáticos das primeiras três décadas da República, celebrando a cordialidade da relação com os EUA.
(...)
2. A primeira política externa republicana: fundamentos da doutrina diplomática
3. A diplomacia da República de 1946: o alinhamento pragmático da Guerra Fria
4. O primeiro exercício de política externa independente: um padrão consistente
5. O ecumenismo responsável da política externa autônoma e orgulhosa de sê-la
6. A diplomacia da redemocratização: sem os tabus do regime militar
7. As relações internacionais do Brasil numa era de fragmentação geopolítica
(a ser publicado no segundo Livro do Nordeste)

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11 de novembro de 2025

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Sinocism Live: Understanding China's Exam-centric Education System , with Ruixue Jia and Hongbin Li - Bill Bishop

 A China chegou aonde ela chegou atualmente graças a um sistema de educação muito exigente, de alto desempenho e competitivo. Dois especialistas discutem suas caracteríticas:


Sinocism Live: Understanding China's Exam-centric Education System
A recording from Bill Bishop's live video
Bill Bishop
Oct 31, 2025

This is a recording of my October 31, 2025 discussion with Ruixue Jia and Hongbin Li about their excellent and important new book The Highest Exam - How the Gaokao Shapes China.

From a synopsis of the book:

In The Highest Exam, authors Ruixue Jia, Hongbin Li, and Claire Cousineau present a sweeping, data-rich account of China’s exam-centered education system — a “centralized, hierarchical tournament” culminating in the Gaokao, a grueling three-day college entrance exam. Drawing on decades of empirical research and lived experience, Jia and Li — both leading economists who took the Gaokao and later taught at top universities in Beijing, Hong Kong, and the U.S. — reveal how this state-managed system shapes education, labor markets, political legitimacy, and social values.

You can buy the book here: The Highest Exam - How the Gaokao Shapes China. It is well-written and priced like a normal book, not an academic one. You can not understand China without understanding the Gaokao system, so this is an important and very useful book.
https://sinocism.com/p/sinocism-live-understanding-chinas

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Hans Staden, Two journeys to Brazil (1548-1555) - Franz Obermeier (Academia.edu)

 Franz Obermeier just uploaded

"Hans Staden, Warhaftige Historia / Two journeys to Brazil (1548-1555). A new introduction to the work with comments on the iconography and an appendix of sources."

By Franz Obermeier
141 Pages
Published 2025

German Literature, Iconography, Indigenous Studies, Brazilian History, Colonialism

Hans Staden's travel book Warhaftige Historia und Beschreibung einer Landschaft der wilden, nackten, grimmigen Menschfresser Leuten in der neuen Welt Amerika is the very first book on Brazil in print after the country's discovery in 1500. In it, Hans Staden reports on his two journeys to the country in the years 1548-1555. The book by the Homberg an der Efze born author from northern Hesse region was published in 1557 after his return to Marburg in Hesse and became a defining work of early modern travel literature and a classic of ethnography. It consists of two parts, called books in the first edition. In the first part, Staden describes his two journeys. This part became famous above all for the detailed description of his imprisonment by the anthropophagous Tupinambá Indians, which he was only able to escape by behaving as one of their shamans until he was finally being bought free by a French captain. In the second part, probably written as separate part with a title page at the suggestion of the Marburg professor and doctor Johannes Dryander (actually Eichmann, 1500-1560), who wrote the preface to the work and was also the censor of the Marburg University, Staden gives a separate ethnographic report on the way of life of the Tupinambá and some natural history observations. The level of the very simple illustrations, created by unknown artists according to Staden's specifications or sketches, also serves this admirably ingenious structure. These simple but exceptionally influential woodcuts not only show indigenous life, real verifiable coastlines and elements of indigenous culture, but also the witness Staden with morally condemnatory gestures as a prisoner in a Tupinamba village, where he sees cannibalistic scenes. These illustrations of cannibalism in particular made the book a landmark in travel literature and illustration history, thanks to numerous adaptations in the last two centuries, even in a Brazilian children's version and other adaptions in youth literature as well as two films made Staden’s work one of the most influential travel books in Brazilian cultural imaginary. A German, not even trained as author or with any literary pretention, was to write the first book exclusively dedicated to Brazil and one of the founding texts for Brazilian civilization. We provide an extensive commentary on the details of the individual illustrations and publish for the first time in English translation all contemporary sources on Staden's book that have survived outside the work. Two letters by Staden, a document about his economic situation, the letters of the Spanish leader of his second expedition, a document about the captain in this voyage and the judement of a French travellor to Brazil, Jean de Léry, having read Staden's book after having published his own travel account in French in 1578. Furthermore, a bibliography of all later editions and translations is given, and a comparison about the Bry edition, which copied in 1592/1592 Staden's woodcut in engravings.
Published as draft in 2025

https://www.academia.edu/143162049/Hans_Staden_Warhaftige_Historia_Two_journeys_to_Brazil_1548_1555_A_new_introduction_to_the_work_with_comments_on_the_iconography_and_an_appendix_of_sources?email_work_card=abstract-read-more
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When Free Trade First Faltered Marc-William Palen Finance and Development

When Free Trade First Faltered

Marc-William Palen
Finance and Development, November 11, 2025
https://imf.sitecoresend.io/tracking/lc/63c3e958-05ae-4741-8c39-8104f2fb1509/d2d2bda9-4378-4f6d-8876-abae2cfe7de2/080b681c-85e6-dca7-4702-003f2b846574/

The “first age” of globalization was beset by contradictions. In the 60 years or so before World War I, global trade grew rapidly despite the ever-higher tariff walls built by the rising protectionist empires. Geopolitical conflicts and trade wars grew more common even as markets became more integrated.

These contradictions were at the heart of heated debates over free trade and economic nationalism that dominated the industrializing world at the time, Marc-William Palen writes in F&D magazine. “Emerging economic nationalism today eerily echoes the first age of globalization—and is an even bigger bundle of contradictions,” he says.

“Nationalist forces reemerged from the Great Recession of 2008–09 as a potent political and economic force across the globe. And yet ours is a world of extraordinary economic interdependence wrought from technological marvels.”
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Lancamento do livro Diplomatas, escritores, imortais, org. João Almino, ABL, 18/11

 

A FUNAG e a Academia Brasileira de Letras (ABL) têm a honra de convidar para o lançamento do livro Diplomatas, escritores, imortais, organizado pelo Acadêmico e Embaixador João Almino.
O evento será realizado no dia 18 de novembro de 2025 (terça-feira), às 17h30, na sede da ABL (Avenida Presidente Wilson, 203 – Castelo), no Rio de Janeiro. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://www.even3.com.br/lancamento-do-livro-diplomatas-escritores-imortais-651668/
A obra inaugura importante parceria entre a FUNAG e a ABL, no intuito de promover publicações dedicadas à valorização da cultura brasileira e da diplomacia. O livro reúne ensaios inéditos de especialistas sobre diplomatas brasileiros que se destacaram na literatura, incluindo o Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Aluísio Azevedo, Domício da Gama, Oliveira Lima, Graça Aranha, Magalhães de Azeredo, João Neves da Fontoura, Ribeiro Couto, Afonso Arinos de Melo Franco, Guimarães Rosa, Antonio Houaiss, Sérgio Corrêa da Costa, João Cabral, Alberto da Costa e Silva, Sergio Rouanet e José Guilherme Merquior.
A apresentação também será transmitida ao vivo pelo canal da ABL no YouTube pelo link: https://www.youtube.com/live/hWuegjUqcYw?si=zUjKoHhxh2BtqEzB

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Exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais (Gov.br)

Exposição Bancos Indígenas do Brasil – Rituais

Gov.br
Publicado em 03/11/2025 - Atualizado em 10/11/2025
https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/palacio-itamaraty/patrimonio-historico/exposicao-bancos-indigenas-do-brasil-rituais

O Palácio Itamaraty recebe a mostra "Bancos Indígenas do Brasil – Rituais" entre 12 de novembro de 2025 e 22 de fevereiro de 2026. Nesse período, todos os visitantes do edifício sede do Ministério das Relações Exteriores verão obras feitas por artistas de mais de 30 povos indígenas. Além do Itamaraty, a exposição "Bancos Indígenas do Brasil – Rituais" está em cartaz, simultaneamente, no Museu Nacional da República e no Memorial dos Povos Indígenas.

As visitas ao Palácio Itamaraty são gratuitas e mediadas em português, espanhol, francês ou inglês. A visitação ocorre de terça a domingo, com agendamento prévio necessário. Durante o período da exposição, parte do acervo está aberto à visitação espontânea na Biblioteca Azeredo da Silveira, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

O Palácio e seu acervo histórico e artístico auxiliam a diplomacia a representar, divulgar e promover o Brasil e seus interesses no exterior. Dele fazem parte obras criadas, principalmente, por brasileiros, ou estrangeiros com fortes laços com o País. Apesar de sua enorme riqueza, a coleção ainda não contempla toda a diversidade da cultura brasileira. E nessa diversidade, a cultura indígena é fundamental.

A exposição no Palácio Itamaraty, com acervo da Coleção BEĨ, destaca a arte e as tradições dos povos indígenas Asurini, Aeti, Baré, Fulni-ô, Galibi, Guarani, Hixkaryana, Huni Kuin, Kamayurá, Karajá, Karipuna do Amapá, Katuena, Kaxuyana, Kawaiwet, Kisedjê, Kuikuro, Mehinaku, Munduruku, Nahukwá, Rikbaktsa, Saterê Mawê, Taurepang, Tariana, Tikuna, Tiryó, Trumai, Tukano, Umutina, Wajãpi, Waiwai, Wayana e Aparaí, Xipaya, Yudjá, Yawalapiti e Ye’kuana.

A mostra vai, assim, ao encontro da iniciativa do Itamaraty de manifestar o Brasil em seus espaços e acervo, aumentando a representatividade de culturas, tradições e artistas historicamente invisibilizados, enfatizando a contribuição desses grupos à formação do País e de nossa sociedade.

Programação completa
Visitação mediada - Palácio Itamaraty

banco indigena sala helicoidal
Macaco Mehinaku (Xingu). Artista: Kamalurré Mehinaku. Ao fundo, escada helicoidal. Foto: CGPH/MRE.
De 12 de novembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026. As visitas ao Palácio Itamaraty são gratuitas e mediadas em português, espanhol, francês ou inglês. A visitação ocorre de terça a domingo, com agendamento prévio necessário.

Além do Itamaraty, a exposição "Bancos Indígenas do Brasil – Rituais" está em cartaz, simultaneamente, no Museu Nacional da República e no Memorial dos Povos Indígenas.

Visitação espontânea - Biblioteca Azeredo da Silveira

Parte do acervo da Coleção BEĨ que compõe a mostra "Bancos Indígenas do Brasil – Rituais", em cartaz de 12 de novembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026, está em exibição na Biblioteca Azeredo da Silveira, do Ministério das Relações Exteriores.

Ao contrário das visitas ao Palácio Itamaraty, que são mediadas e feitas somente mediante agendamento prévio, a biblioteca está aberta para visitação espontânea do público em geral, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

Na biblioteca do MRE, além de visitar parte da exposição "Bancos Indígenas do Brasil – Rituais" e de assistir a vídeos e documentários sobre as obras e os artistas em exibição, o usuário pode fazer consultas, pesquisas e leituras nas dependências da biblioteca.

A biblioteca funciona no térreo do Anexo II do Itamaraty, edifício apelidado de Bolo de Noiva, desenhado em 1974 pelo arquiteto Oscar Niemeyer.



Debate “Arte e Diálogo no Itamaraty – Bancos Indígenas do Brasil: Rituais”

No dia 13 de novembro, das 16h às 18h, venha conhecer o Palácio Itamaraty e a exposição "Bancos Indígenas do Brasil: Rituais", e dialogar sobre algumas das principais obras do acervo artístico e histórico do MRE e sobre a Coleção BEĨ, no local onde estão instaladas.

A arte indígena em exibição no Ministério das Relações Exteriores será o tema do debate a se realizar na Sala Portinari, com a presença de curadores e artistas da exposição "Bancos Indígenas do Brasil: Rituais".

O debate é parte da programação da exposição Bancos indígenas do Brasil - Rituais, que permanece em cartaz no MRE entre 12/11/2025 e 22/02/2026. A atividade terá lugar na Sala Portinari, no terceiro andar do Palácio e contará com a presença de:

Milton Galibis: artista da etnia Galibi-Marwon e curador da exposição.

Mayawari Mehinaku: artista da etnia Mehinaku e curador da exposição.

Tomas Alvim: curador e diretor da Coleção BEĨ, cofundador do Arq.Futuro, editor e sócio da BEĨ Editora e curador da exposição.

Danilo Garcia: doutor em Artes Visuais, produtor executivo e curador da exposição.

A inscrição no evento é gratuita e haverá emissão de certificados aos participantes interessados. Clique aqui para se inscrever.

Na Sala Portinari encontram-se em os dois únicos itens da exposição que não são bancos, as máscaras Atujuwá (ver foto a seguir).

A iniciativa Arte e diálogo no Itamaraty vem sendo promovida pela Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico desde 2023 e busca contribuir para a reflexão sobre as relações entre arte, cultura, sociedade e diplomacia, a partir de uma perspectiva multidisciplinar.

Confira os vídeos das edições anteriores do Arte e Diálogo no Itamaraty.
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Itaipu gasta e consumidor paga - Rubens Barbosa O Estdo de S. Paulo

IMPORTANTE DENÚNCIA DO EMBAIXADOR RUBENS BARBOSA:


Opinião:

Itaipu gasta e consumidor paga
Com o fim dos pagamentos da dívida externa contraída para a construção da hidrelétrica, as tarifas da energia gerada por Itaipu deveriam ter sido reduzidas
Rubens Barbosa
O Estdo de S. Paulo, 11/11/2025

A binacional Itaipu vem aumentando os gastos socioambientais no Brasil e no Paraguai, com impacto sobre o custo da energia para o consumidor nacional. Os gastos são contabilizados como “outras despesas de exploração” e incluem custos que não têm qualquer relação com a geração de energia, como projetos e obras sociais, infraestrutura, projetos culturais e preservação ambiental.
A Consultoria Legislativa, órgão de assessoramento técnico do Congresso, divulgou relatório em que demonstra que não há sustentação legal para os crescentes gastos paralelos da hidrelétrica binacional, que geraram despesa adicional anual de cerca de US$ 1,5 bilhão na conta de energia dos brasileiros.
A partir de 2023, com o fim dos pagamentos da dívida externa contraída para a construção da hidrelétrica, as tarifas da energia gerada por Itaipu deveriam ter sido reduzidas em benefício do consumidor. Segundo o tratado, a tarifa deveria ser definida por critérios estritamente técnicos e financeiros. Assim, de acordo com o anexo C do Tratado de Itaipu e de outros, não estão previstos gastos socioambientais cobertos por parte da tarifa.
Essas despesas estão fundamentadas em um documento (Nota Reversal entre o Brasil e o Paraguai), contrário ao espírito e à letra do tratado, diante do rompimento do equilíbrio financeiro de Itaipu. A Nota Reversal 228, de 2005, não foi aprovada pelo Congresso e abriu espaço para aumentos bilionários de gastos que pesam na conta de luz dos brasileiros. O Itamaraty informou que “a Nota não foi submetida ao Congresso porque não acarreta encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional”. Itaipu, por seu lado, insistiu que “essas despesas não impactam na composição do cálculo da tarifa”.
A binacional informa que o preço da sua energia está em R$ 232 pelo MWh, abaixo de R$ 307 da média definida para 2025 pela Aneel. O relatório da consultoria indica que, caso seguisse as regras do tratado, no primeiro semestre de 2025, a energia teria custado, do lado brasileiro da fronteira, R$ 114. As 31 distribuidoras que compram a energia de Itaipu pagaram R$ 246 por MWh. Ambos os valores são cerca de 60% mais altos do que o custo médio das hidrelétricas que completaram o pagamento dos empréstimos para sua construção e de porte comparável a Itaipu.
Com isso, os consumidores brasileiros arcam com cerca de 80% dos gastos de Itaipu. “Agrava ainda mais o cenário a constatação de que as tarifas de Itaipu são pagas pelos consumidores cativos das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, especialmente os mais carentes, que não têm condições de migrar para o mercado livre de energia ou implantar sistemas de micro e minigeração distribuída”, segundo a consultoria.
A visão do atual governo é de que as empresas estatais, sobretudo a Itaipu, devem servir ao Estado. Como disse o presidente Lula, “quando temos uma empresa pública, mesmo sendo binacional, que tem volume de rentabilidade, é preciso que você utilize uma parte desse dinheiro dando ao povo melhor qualidade de vida”.
Além de contrariar o disposto no tratado bilateral e desvirtuar o objetivo de fornecer a energia mais barata possível para os consumidores brasileiros, o que está acontecendo permite críticas pela falta de transparência desse tipo de despesa.
A tarifa cobrada deveria refletir apenas o custo da operação de Itaipu. Mais da metade do orçamento de Itaipu é composta de gastos desconhecidos. Algumas informações que vazaram para a imprensa mostram recursos de Itaipu no valor de R$ 55 milhões sendo aplicados para que a Conab possa ampliar armazéns; R$ 752 milhões para ampliar o Câmpus da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) no Paraná; R$ 240 milhões para indenização de indígenas no Paraná; compra de mil hectares de terras para grupos indígenas; R$ 2 milhões para apoio à realização da COP-30, em Belém, além de recursos para 434 prefeituras no Paraná e 35 no Mato Grosso do Sul, certamente do PT, entre outras iniciativas. Nem o Ministério Público nem o Tribunal de Contas questionaram o repasse a órgãos públicos.
A decisão de utilizar recursos de Itaipu para finalidades distintas das previstas no tratado também está sendo utilizada pelo Paraguai, que defendeu o aumento da tarifa de Itaipu para ter mais recursos para o desenvolvimento de projetos em todo o seu território. A tarifa mais elevada contou com a boa vontade do governo brasileiro, visto que renunciou a uma redução significativa da tarifa, depois de 2023, e concordou com uma solução de compromisso com um aumento menor do que o reivindicado pelo Paraguai, mas maior do que seria justificado pela letra do acordo binacional.
A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional, estatal responsável pelo lado brasileiro da hidrelétrica Itaipu Binacional, mantém reservado o termo de compromisso com a estatal Ande, do Paraguai, que define as diretrizes para a contabilização da energia gerada pela usina, inclusive a “energia excedente”.
A utilização irregular dos recursos gerados pela produção de energia por Itaipu, segundo a Consultoria do Congresso, acrescida da falta de transparência, beneficiando interesses partidários, tem um custo para o Tesouro, que é pago pelo consumidor brasileiro.

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004)

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/itaipu-gasta-e-consumidor-paga/
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Ary Quintella e a necessidade imperiosa de escrever

O título acima é meu, mas o texto abaixo é do meu amigo e colega diplomata, Ary Quintella, de uma ilustre família 

Leia no blog ou leitor
Imagem do logo do siteAry Quintella

O casamento em Berdichev

Por aryquintella em novembro 9, 2025

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Minha mãe, Thereza Quintella, durante nove anos morou em São Conrado. Quando eu me hospedava com ela, cada vez que saía ou voltava a casa via uma rua vizinha à sua chamada Gabriel Garcia Moreno. Parecia-me estranho que o Rio de Janeiro homenageasse um dos mais autoritários presidentes do Equador, ultraconservador e ultramontano.

Garcia Moreno morreu assassinado em 1875. Chegava ao palácio presidencial, vindo da missa na catedral, situada na mesma praça, quando foi atacado a tiros e punhaladas. Juan Montalvo, escritor então exilado, opositor do presidente, publicara poucos meses antes um panfleto contra ele, A ditadura perpétua. Ao saber do assassinato, exclamou: “Minha pluma o matou”. Conto essa história em meu livro Geografia do tempo(2024), como exemplo do poder que a palavra escrita já possuiu.

Voltaire foi um precursor nesse gênero de visibilidade. Sua celebridade era de alcance europeu. Seu Tratado sobre a intolerância levou à reabilitação do nome de um condenado à morte, executado por um crime que não cometera. O retorno do escritor a Paris pouco antes de morrer, em 1778, após uma ausência de 28 anos, foi uma apoteose, assim como a transferência, em 1791, de seus restos mortais ao Panteão.

Durante todo o século XIX, os escritores mais famosos exerceram algum tipo de poder, não político — embora Chateaubriand e Lamartine tenham sido ministros das Relações Exteriores da França — mas sobre a mente de seus leitores. A fama de Balzac era tão forte que a condessa polonesa Evelina Hanska, nas suas terras situadas no outro lado da Europa, no que é hoje território ucraniano, ficou apaixonada pelos seus livros. Enviou-lhe cartas e, dezoito anos depois, poucos meses antes da morte de Balzac, casou-se com ele.

A cerimônia realizou-se em 1850, na cidadezinha de Berdichev, na Ucrânia. Tudo isso parece tão fantasioso que Tchekhov, na peça As três irmãs (1900), faz um de seus personagens murmurar, enquanto lê o jornal: “Balzac casou-se em Berdichev” e anotar a informação. Se Balzac, o mais famoso romancista francês da sua geração, se casou no que era então o interior do Império russo, então as coisas mais surpreendentes podem acontecer em uma existência humana. Em 1857, Joseph Conrad nasceria em Berdichev.

Nenhum escritor, hoje, poderia almejar um grau de popularidade semelhante ao usufruído, em vida, por Victor Hugo. Raul do Rio Branco, em suas Reminiscências do barão do Rio Branco (1942), conta como ele e seu pai, o Barão, testemunharam em Paris, em 1885, o velório público do escritor. O catafalco estava exposto sob o Arco do Triunfo e “a multidão a pé e de carro enchia os Champs-Elysées até a Étoile”. Opina o diplomata: “não creio que a nenhum outro homem se tenha feito vigília mortuária tão imponente e grandiosa”.

É o caso de se indagar qual é o sentido ainda de escrever, se o impacto causado por Byron, Balzac, Victor Hugo, Dickens, Tolstói, Castro Alves enquanto eram vivos não pode mais ser replicado. Entre os escritores da atualidade, lembro apenas de Salman Rushdie, com a glória e o pesadelo de ter uma fatwa proclamada contra si, como capaz de despertar paixões. As mais demonstrativas dessas paixões, porém, não podem ser categorizadas como de admiração.

Um dia, perguntei a um amigo como estava sua família. A resposta incluiu a frase: “meu filho deixou de ser artista plástico”. Isso me pareceu estranho. Ninguém “está” artista, ninguém “deixa” de ser artista. A pessoa é artista ou não é. Se a arte não é de qualidade, seu praticante, se tiver bom senso, deixará de expô-la, mas se sente o ímpeto de criar, não deixará de fazê-lo. Da mesma forma, o verdadeiro escritor pode escrever apenas para si mesmo, sem preocupação de ter seus textos divulgados, mas não se obriga a escrever contra a sua vontade — escreve porque precisa escrever.

Mais relevante do que a indagação sobre se vale a pena escrever é analisar se é útil publicar. Entendo que alguém escreva e prefira nunca vir a público. Há muitos motivos para essa decisão, inclusive a crença de que tudo já foi dito, tudo já foi escrito, de que nunca mais haverá um talento como o de Machado de Assis. Faz sentido não querer causar o derrubamento de mais uma árvore para lançar um livro que poucos, se tanto, lerão.

Mas justamente, o importante é não esperar ser um novo Machado de Assis. Machado existiu, escreveu uma obra única, seus livros continuarão a viver. Cada um deve buscar a sua voz própria.

Há um ano, muitos desses pensamentos me ocupavam. Em outubro de 2024, em Kuala Lumpur, decidi abruptamente passar um fim de semana na ilha de Langkawi. Não viajei sozinho. Levei comigo a versão final de Geografia do tempo, que eu precisava corrigir, estando sua publicação prevista, no Rio de Janeiro, para algumas semanas depois. Àquela altura, revisar o meu texto, em um exercício que já durava um ano — o livro deveria ter saído no final de 2023; mas eu mudara de editora, e o processo recomeçara — soava como uma atividade infinita e exaustiva.

Rebelei-me. Isolado em uma praia no Mar de Andaman, rejeitei a vaidade envolvida no ato de publicar. Julguei que a desistência seria uma alternativa legítima. Só persisti por causa das pessoas que mais amo. Percebi que, tendo chegado tão perto da reta final, não devia decepcioná-las. Com o Sol na cabeça, peguei o trem azul.

Passado um ano, Geografia do tempomudou a minha vida, mudou a maneira de eu pensar. Trouxe-me novos amigos. Gerou muitas alegrias, culminadas com a sua seleção, agora em outubro, como finalista do Prêmio Jabuti.

Afinal, Balzac casou-se em Berdichev.

Coluna publicada no Estado de Minas ontem, 8 de novembro

Para ler minhas colunas anteriores no Estado de Minas, clique nos links abaixo:

As pedras do Louvre , 25 de outubro

O Sudeste Asiático e suas verdades, 11 de outubro

Cem anos na Ásia do Leste, 27 de setembro

O delírio do Chimborazo, 13 de setembro

O diplomata robô, 30 de agosto

Botas diplomáticas, 17 de agosto

O embaixador decapitado, 2 de agosto

O espaço do diplomata, 19 de julho

Cenários do poder, 5 de julho

Memória diplomática, 21 de junho

Batuque na cozinha, 7 de junho

Um Brasil consciente e forte, 24 de maio

Retrato de família, 10 de maio

Benção apostólica, 26 de abril

O presente malásio, 12 de abril

Eterna cobiça, 29 de março

Grandes diplomatas, 15 de março

Consternação europeia, 1º de março

Da Pampulha para Kuala Lumpur, 15 de fevereiro

Tempos de incerteza, 1º de fevereiro

O ponto de inflexão nas relações entre Brasil e Malásia, 18 de janeiro  

By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at novembro 11, 2025 Nenhum comentário:
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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A New Report Adds Evidence That Trump Was a Russian Asset - William Saletan (Slate, 2021)

 Mais um artigo de 2021, sobre um famoso Russian asset:


POLITICS
A New Report Adds Evidence That Trump Was a Russian Asset
He helped Putin manipulate the U.S. election in 2020, as he did in 2016.
BY WILLIAM SALETAN
Slate, March 18, 2021
https://slate.com/news-and-politics/2021/03/trump-russian-asset-election-intelligence-community-report.html#
Donald Trump was a tool in a long-running Russian campaign to weaken the United States. That’s been documented in Republican-led investigative reports, and now it has been updated with new evidence, thanks to the U.S. Intelligence Community’s assessment of the 2020 election. The report, drafted by the CIA, the FBI, and several other agencies, was released in unclassified form on Tuesday, but it was presented in classified form on Jan. 7. In other words, it was compiled, written, and edited during Trump’s administration. It destroys his lies about the election, and it exposes him as a Russian asset.
The report debunks conspiracy theories, promoted by Trump and his lawyers, that hackers in other countries robbed him of victory. “We have no indications that any foreign actor attempted to interfere in the 2020 US elections by altering any technical aspect of the voting process,” including “ballot casting, vote tabulation, or reporting results,” says the document. A separate analysis released by the Department of Justice reaches the same conclusion. The IC report adds that evidence of such operations, if they existed, would have shown up in U.S. surveillance or in “post-election audits of electronic results and paper backups.” The report implicitly mocks insinuations from Trump’s lawyers that former Venezuelan dictator Hugo Chavez, who died in 2013, somehow rigged Trump’s defeat. “We have no information,” it notes drily, that “current or former Venezuelan regimes were involved in attempts to compromise US election infrastructure.”
During the campaign, Trump, his national security appointees, and his allies in Congress insisted that China was meddling in the election to help Joe Biden. They even claimed that China’s interference was more dangerous than Russia’s. The report shreds that fiction. China “did not deploy influence efforts intended to change the outcome of the US Presidential election,” says the assessment. It finds no attempt by China to “provide funding to any candidates or parties,” and it challenges the Republican spin that China feared Trump because he was too tough. It argues, to the contrary, that Beijing saw Trump as a weaker adversary because he “would alienate US partners,” whereas Biden “would pose a greater challenge over the long run because he would be more successful in mobilizing a global alliance against China.”
As to Russia, the report leaves no doubt: In 2020, as in 2016, “President Putin authorized, and a range of Russian government organizations conducted, influence operations” to help Trump and hurt his Democratic opponent. For example, “Shortly after the 2018 midterm elections, Russian intelligence cyber actors attempted to hack organizations primarily affiliated with the Democratic Party.” Then, in late 2019, Russia’s military intelligence service, the GRU, “conducted a phishing campaign against subsidiaries of Burisma holdings, likely in an attempt to gather information related to President Biden’s family.” Throughout the 2020 election, agents “connected to the Russian Federal Security Service,” FSB, planted negative stories about Biden. Internet operatives working for the Kremlin, including the troll farm that had boosted Trump in 2016, continued to promote “Trump and his commentary, including repeating his political messaging.”
Attacks on Biden and his son, Hunter, were part of this operation. Through “US officials and prominent US individuals, some of whom were close to former President Trump and his administration,” the report says Russia’s intelligence services “repeatedly spread unsubstantiated or misleading claims about President Biden and his family’s alleged wrongdoing related to Ukraine.” In this way, Trump’s circle “laundered” the Russian-planted stories, which were then recirculated—and promoted by Russia’s online proxies—as American news.
One section of the report zeroes in on two Russian agents, Andriy Derkach and Konstantin Kilimnik, along with their associates. It says they met with and passed materials to people linked to the Trump administration to advocate for government investigations. Derkach peddled audio recordings that were edited to make Biden look corrupt, and he “worked to initiate legal proceedings in Ukraine and the US related to these allegations.” The report doesn’t name the Americans who collaborated with the Russian agents, but it’s easy to identify them from news reports. Trump’s lawyer, Rudy Giuliani, met with Derkach twice. Donald Trump Jr. promoted Derkach’s tapes. Trump’s 2016 campaign manager, Paul Manafort, gave Kilimnik inside information on the campaign. Trump, in a 2019 phone call, pressed Ukraine’s president to open an investigation of Biden, as Derkach proposed. And congressional Republicans, led by Reps. Jim Jordan and Devin Nunes, parroted a Russian-planted narrative “to falsely blame Ukraine for interfering in the 2016 US presidential election.”
Trump also helped Putin discredit American democracy. That was a major goal of Russia’s 2016 and 2020 operations, the report explains: “Throughout the election, Russia’s online influence actors sought to amplify mistrust in the electoral process by denigrating mail-in ballots, highlighting alleged irregularities, and accusing the Democratic Party of voter fraud.” Trump peddled the same fears. After the election, as “Russian online influence actors continued to promote narratives questioning the election results,” Trump duplicated that message. Russia’s agents also hyped “allegations of social media censorship,” as Trump did.
The IC assessment doesn’t address what Trump knew about the Russian influence campaign. But according to former officials who spoke last fall to the Washington Post and the New York Times, he was directly warned. In a December 2019 conversation, then–national security adviser Robert O’Brien told Trump that Giuliani had been “worked by Russian assets in Ukraine.” Trump shrugged and went on promoting the allegations Giuliani was feeding him. That makes Trump more than a Russian asset. It makes him, in technical terms, an agent of a foreign power.

By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at novembro 10, 2025 Nenhum comentário:
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The perfect target’: Russia cultivated Trump as asset for 40 years: ex-KGB spy - David Smith (The Guardian, 2021)

 Donald Trump’s election win in 2016 was welcomed by Moscow. Photograph: Brendan Smialowski/AFP/Getty Images


Donald Trump
This article is more than 4 years old
‘The perfect target’: Russia cultivated Trump as asset for 40 years – ex-KGB spy

The KGB ‘played the game as if they were immensely impressed by his personality’, Yuri Shvets, a key source for a new book, tells the Guardian
David Smith in Washington
Fri 29 Jan 2021 08.00 GMT

Donald Trump was cultivated as a Russian asset over 40 years and proved so willing to parrot anti-western propaganda that there were celebrations in Moscow, a former KGB spy has told the Guardian.
Yuri Shvets, posted to Washington by the Soviet Union in the 1980s, compares the former US president to “the Cambridge five”, the British spy ring that passed secrets to Moscow during the second world war and early cold war.
Now 67, Shvets is a key source for American Kompromat, a new book by journalist Craig Unger, whose previous works include House of Trump, House of Putin. The book also explores the former president’s relationship with the disgraced financier Jeffrey Epstein.
“This is an example where people were recruited when they were just students and then they rose to important positions; something like that was happening with Trump,” Shvets said by phone on Monday from his home in Virginia.
Shvets, a KGB major, had a cover job as a correspondent in Washington for the Russian news agency Tass during the 1980s. He moved to the US permanently in 1993 and gained American citizenship. He works as a corporate security investigator and was a partner of Alexander Litvinenko, who was assassinated in London in 2006.
Unger describes how Trump first appeared on the Russians’ radar in 1977 when he married his first wife, Ivana Zelnickova, a Czech model. Trump became the target of a spying operation overseen by Czechoslovakia’s intelligence service in cooperation with the KGB.
Three years later Trump opened his first big property development, the Grand Hyatt New York hotel near Grand Central station. Trump bought 200 television sets for the hotel from Semyon Kislin, a Soviet émigré who co-owned Joy-Lud electronics on Fifth Avenue.
According to Shvets, Joy-Lud was controlled by the KGB and Kislin worked as a so-called “spotter agent” who identified Trump, a young businessman on the rise, as a potential asset. Kislin denies that he had a relationship with the KGB.
Then, in 1987, Trump and Ivana visited Moscow and St Petersburg for the first time. Shvets said he was fed KGB talking points and flattered by KGB operatives who floated the idea that he should go into politics.
The ex-major recalled: “For the KGB, it was a charm offensive. They had collected a lot of information on his personality so they knew who he was personally. The feeling was that he was extremely vulnerable intellectually, and psychologically, and he was prone to flattery.
“This is what they exploited. They played the game as if they were immensely impressed by his personality and believed this is the guy who should be the president of the United States one day: it is people like him who could change the world. They fed him these so-called active measures soundbites and it happened. So it was a big achievement for the KGB active measures at the time.”
Soon after he returned to the US, Trump began exploring a run for the Republican nomination for president and even held a campaign rally in Portsmouth, New Hampshire. On 1 September, he took out a full-page advert in the New York Times, Washington Post and Boston Globe headlined: “There’s nothing wrong with America’s Foreign Defense Policy that a little backbone can’t cure.”
The ad offered some highly unorthodox opinions in Ronald Reagan’s cold war America, accusing ally Japan of exploiting the US and expressing scepticism about US participation in Nato. It took the form of an open letter to the American people “on why America should stop paying to defend countries that can afford to defend themselves”.
The bizarre intervention was cause for astonishment and jubilation in Russia. A few days later Shvets, who had returned home by now, was at the headquarters of the KGB’s first chief directorate in Yasenevo when he received a cable celebrating the ad as a successful “active measure” executed by a new KGB asset.
“It was unprecedented. I am pretty well familiar with KGB active measures starting in the early 70s and 80s, and then afterwards with Russia active measures, and I haven’t heard anything like that or anything similar – until Trump became the president of this country – because it was just silly. It was hard to believe that somebody would publish it under his name and that it will impress real serious people in the west but it did and, finally, this guy became the president.”
Trump’s election win in 2016 was again welcomed by Moscow. Special counsel Robert Mueller did not establish a conspiracy between members of the Trump campaign and the Russians. But the Moscow Project, an initiative of the Center for American Progress Action Fund, found the Trump campaign and transition team had at least 272 known contacts and at least 38 known meetings with Russia-linked operatives.
Shvets, who has carried out his own investigation, said: “For me, the Mueller report was a big disappointment because people expected that it will be a thorough investigation of all ties between Trump and Moscow, when in fact what we got was an investigation of just crime-related issues. There were no counterintelligence aspects of the relationship between Trump and Moscow.”
He added: “This is what basically we decided to correct. So I did my investigation and then got together with Craig. So we believe that his book will pick up where Mueller left off.”
Unger, the author of seven books and a former contributing editor for Vanity Fair magazine, said of Trump: “He was an asset. It was not this grand, ingenious plan that we’re going to develop this guy and 40 years later he’ll be president. At the time it started, which was around 1980, the Russians were trying to recruit like crazy and going after dozens and dozens of people.”
“Trump was the perfect target in a lot of ways: his vanity, narcissism made him a natural target to recruit. He was cultivated over a 40-year period, right up through his election.”

https://www.theguardian.com/us-news/2021/jan/29/trump-russia-asset-claims-former-kgb-spy-new-book
By Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida at novembro 10, 2025 Nenhum comentário:
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Uma reflexão...

Recomendações aos cientistas, Karl Popper:
Extratos (adaptados) de Ciência: problemas, objetivos e responsabilidades (Popper falando a biólogos, em 1963, em plena Guerra Fria):
"A tarefa mais importante de um cientista é certamente contribuir para o avanço de sua área de conhecimento. A segunda tarefa mais importante é escapar da visão estreita de uma especialização excessiva, interessando-se ativamente por outros campos em busca do aperfeiçoamento pelo saber que é a missão cultural da ciência. A terceira tarefa é estender aos demais a compreensão de seus conhecimentos, reduzindo ao mínimo o jargão científico, do qual muitos de nós temos orgulho. Um orgulho desse tipo é compreensível. Mas ele é um erro. Deveria ser nosso orgulho ensinar a nós mesmos, da melhor forma possível, a sempre falar tão simplesmente, claramente e despretensiosamente quanto possível, evitando como uma praga a sugestão de que estamos de posse de um conhecimento que é muito profundo para ser expresso de maneira clara e simples.
Esta, é, eu acredito, uma das maiores e mais urgentes responsabilidades sociais dos cientistas. Talvez a maior. Porque esta tarefa está intimamente ligada à sobrevivência da sociedade aberta e da democracia.
Uma sociedade aberta (isto é, uma sociedade baseada na idéia de não apenas tolerar opiniões dissidentes mas de respeitá-las) e uma democracia (isto é, uma forma de governo devotado à proteção de uma sociedade aberta) não podem florescer se a ciência torna-se a propriedade exclusiva de um conjunto fechado de cientistas.
Eu acredito que o hábito de sempre declarar tão claramente quanto possível nosso problema, assim como o estado atual de discussão desse problema, faria muito em favor da tarefa importante de fazer a ciência -- isto é, as idéias científicas -- ser melhor e mais amplamente compreendida."

Karl R. Popper: The Myth of the Framework (in defence of science and rationality). Edited by M. A. Notturno. (London: Routledge, 1994), p. 109.

Uma recomendação...

Hayek recomenda aos mais jovens:
“Por favor, não se tornem hayekianos, pois cheguei à conclusão que os keynesianos são muito piores que Keynes e os marxistas bem piores que Marx”.
(Recomendação feita a jovens estudantes de economia, admiradores de sua obra, num jantar em Londres, em 1985)

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