Relação de Publicados nº 865.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 12 de abril de 2026
Monteiro Lobato e a emergência da política do petróleo no Brasil - Paulo Roberto de Almeida
Pequeno registro histórico sobre os percalços de um itinerário civilizatório:- Paulo Roberto de Almeida
A Humanidade melhorou? Certamente. Mas isso ainda não foi suficiente para impedir a ignorância, a burrice e os mais baixos instintos de aflorar nas mentes de certos indivíduos, para prejudicar outros seres humanos e até a si próprios e seus respectivos povos.
Para não ficar apenas em generalidades filosóficas, vou me permitir descer à nominata de alguns desses monstros que já infelicitaram a espécie humana, sendo que alguns ainda estão em ação. Para ficar apenas nos últimos cem anos, vamos nomeá-los: Stalin, Hitler, militaristas japoneses dos anos 1930-40, Mao, Mobutu, Pol Pot, Saddam Hussein, Muammar Kadaffy, Idi Amine Dada, Pinochet, generais argentinos do golpe de 1976, Putin, Milosevič, Netanyahu, generais sudaneses da guerra do Darfur, todos os processados pelo TPI e, coroando um período infeliz da história americana o inacreditavelmente estúpido, bárbaro, narcisista maligno, psicopata e sádico (diagnóstico feito por psiquiatras responsáveis) DJT, o personagem mais sombrio de uma história relativamente benigna (pelo menos para uma parte da nação, excluindo-se os nativos e os africanos escravizados e seus descendentes discriminados) nos últimos 250 anos, agora adentrando numa triste fase de declínio destruidor.
Falta mencionar grandes benfeitores da Humanidade, mas estes são em muito maior número dos que os poucos monstros acima referidos.
Progredimos, a despeito de tudo, como já demonstrou Steven Pinker, mas a passos pequenos e ainda insuficientes. Vamos continuar melhorando os seres humanos, com base no conhecimento, na tolerância, na ausência de fanatismo e no amor ao próximo e na fraternidade universal.
Lula joga o STF aos leões- Editorial Estadão
Lula não pensou duas vezes em colocar Dirceu ou seu filho na fogueira...pq não faria o mesmo com Moraes ou qq outro.
Lula joga o STF aos leões
Ao sugerir suspeição de Alexandre de Moraes no caso Master, Lula tenta se descolar do escândalo que ameaça o STF, expõe sua estratégia de sobrevivência e reafirma que só é leal a si mesmo.
Por Notas & Informações
12/04/2026 | 03h00
Notícia de presente
Nem a militância petista mais ingênua pode ter dúvida de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um incorrigível pregador de si mesmo. Sua lealdade é invariavelmente submetida ao cálculo de dividendos e prejuízos políticos que cada circunstância lhe oferece. Foi assim no mensalão e na Lava Jato, quando o demiurgo petista não hesitou em entregar aos leões a companheirada encalacrada para conter, tanto quanto possível, o risco de contaminação. Essa memória é essencial para compreender a entrevista que ele concedeu recentemente ao canal ICL Notícias, na qual, ao tentar se proteger, Lula revelou mais do que gostaria.
Ao comentar o escândalo do Banco Master, as estripulias do banqueiro Daniel Vorcaro e suas ramificações no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula afirmou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a declarar-se impedido: “Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia”. Acrescentou que desvios devem recair sobre indivíduos, e não sobre o tribunal, e foi além: “Se o cara quer ficar milionário, não pode ser ministro do Supremo”. E, ao tocar no ponto sensível, lembrou: “Mas a sua mulher estava advogando”.
A suspeição é evidente. A mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prestou serviços milionários ao Banco Master, posteriormente liquidado sob suspeita de fraudes. Ainda assim, o ministro segue atuando em temas ligados ao caso, amparado pela complacência de seus pares e pela crença militante de que a autoproclamada “defesa da democracia” autoriza ignorar conflitos evidentes.
A fala de Lula é, no fundo, o reconhecimento de que o desgaste do STF e o avanço do caso Master terão impacto direto na disputa presidencial. Mas não há, aqui, qualquer súbito despertar ético. Lula não mudou. O que mudou foi o risco. Com o instinto de quem atravessou décadas de crises, Lula percebeu que o escândalo deixou de ser periférico e ganhou contornos de crise sistêmica, com potencial de atingir não apenas ministros da Corte, mas o próprio ambiente político que sustenta sua reeleição. Some-se a isso o fato de que, além de Moraes e Dias Toffoli, orbitam o caso lideranças do Centrão, governadores e nomes associados ao próprio PT.
Diante desse cenário, Lula moveu-se com rapidez. Ao aconselhar Moraes a preservar a biografia, não defende a moralidade pública nem propõe depuração institucional. Demarca distância. No limite, envia um recado inequívoco: se houver naufrágio, cada um cuide do seu bote.
O efeito colateral é potencialmente devastador. Ao admitir que ministros do STF podem ter ultrapassado limites éticos, e ao associar a toga à incompatibilidade com o enriquecimento, Lula implode a narrativa construída pelo consórcio político-institucional que orbita o Supremo e o Palácio do Planalto. Durante meses, vendeu-se a ideia de que críticas à Corte eram ataques à democracia. Agora, é o próprio presidente quem sugere o contrário: o problema pode estar em condutas individuais que exigem escrutínio.
A tentativa de separar o tribunal de seus membros é correta em tese, mas nasce viciada. Lula não age para proteger a instituição, mas para proteger-se. Sua preocupação não é a credibilidade do STF nem a reputação de Moraes. É o impacto eleitoral de um escândalo que pode crescer rapidamente. Em síntese, o recado ao ministro é claro: não comprometa a campanha.
Há ainda um elemento adicional. Ao tornar público esse distanciamento, Lula parece antecipar-se a um possível desdobramento mais grave, que é uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro. Habituado a crises, o presidente sabe que escândalos dessa natureza seguem uma lógica própria e que todo tsunami começa com uma onda de uns poucos centímetros. O caso Master reúne todos os ingredientes de uma tempestade política de grandes proporções: fluxos financeiros opacos, proximidade com o poder e potenciais revelações explosivas. Lula percebeu o risco e mudou de posição. Resta saber se a manobra será suficiente ou se apenas confirma a dimensão da crise que se tenta evitar.
O petróleo, produtor de riquezas e das maldições da corrução e das guerras - The Economist, introdução e resenhas de Paulo Roberto de Almeida
O petróleo, produtor de riquezas e das maldições da corrução e das guerras
The Economist, introdução de Paulo Roberto de Almeida
Contrastes entre o “excesso” de riqueza em algumas partes do mundo e a resiliência da miséria e da pobreza em muitas outras partes do nosso planetinha redondo. A discussão da Economist se refere ao caso da Noruega, um país que saiu de uma pobreza “normal” no século XIX, para uma afluência invejável já em meados do século XX, e que depois “mergulhou” numa riqueza extraordinária, graças a uma “dádiva da natureza”, o petróleo, fonte de muita riqueza, mas também de corrupção, exageros geopolíticos e de várias guerras no Oriente Médio, a fonte por excelência do petróleo dos nosso tempo. Vai demorar ainda muito tempo para que esse nauseabundo e precioso produto deixe de produzir riqueza e de atrair a ambição dos poderosos, como sempre foi o caso do ouro no mundo.
Já escrevi um pouco sobre essas questões— e remeto aqui a minhas resenhas dos livros de Daniel Yergin, mas reproduzo abaixo a matéria da Economist sobre a Noruega. PRA
THE ECONOMIST
05 abril 26
É possível um país ficar rico demais?
A Noruega mostra os potenciais perigos de uma prosperidade incomum
A homenagem da Noruega a Edvard Munch, o pintor mais famoso da Escandinávia, é uma impressionante estrutura de 13 andares feita de alumínio e vidro reciclados, construída na orla do porto de Oslo. Concluída em 2021, ao custo de US$ 350 milhões, sua obra foi ainda mais impressionantemente atrasada (em uma década) e com um estouro de orçamento (de US$ 200 milhões). Erguendo-se acima da densa névoa que cobre o mar em uma tardede inverno, o museu encapsula o país que o financiou: sofisticado e tão rico que dinheiro não é problema.
O petróleo norueguês construiu uma economia que é a inveja de outros países ricos, para não mencionar os pobres. O PIB per capita é de impressionantes US$ 90 mil, ficando atrás apenas de cidades-Estado, paraísos fiscais e da Suíça.
Desde 1991, o governo acumulou um fundo soberano no valor de US$
2,2 trilhões, ou US$ 400 mil para cada um dos 5,6 milhões de habitantes da Noruega. Os rendimentos sustentam um dos estados de bem-estar social mais generosos do mundo.
No entanto, nem todos os noruegueses estão satisfeitos com isso. Em 2025, o livro de não ficção mais vendido no país foi "O País que Ficou Rico Demais", uma crítica ao modelo econômico escrita por Martin Bech Holte, economista e ex-consultor da McKinsey.
Bech Holte captou um sentimento emergente. Nas eleições de setembro passado, o partido Progresso, de centro-direita, que argumentou que a Noruega “joga mais dinheiro nos problemas” e precisa parar, foi o partido que mais ganhou terreno. A preocupação é que a riqueza da Noruega esteja distorcendo o comportamento de todos, desde políticos a trabalhadores de escritório e estudantes. Confiantes em receber generosos auxílios, poucos se preocupam o suficiente com o futuro. Será que a riqueza de um país pode comprometer suas perspectivas?
Com os lucros inesperados do petróleo e os retornos dos investimentos, que dobraram o tamanho do fundo soberano na última década, os políticos noruegueses tornaram-se perdulários, acredita Bech Holte. Embora o fundo invista apenas no exterior, para evitar prejudicar o setor privado nacional, ele canaliza dinheiro de volta para o governo, que o utiliza para cobrir a diferença entre gastos e impostos. Em 2008, esse pagamento foi de modestos 36 bilhões de coroas norueguesas (US$ 6,4 bilhões na época), ou menos de 5% das despesas. Em 2025, 414 bilhões de coroas norueguesas (US$ 40 bilhões), um quinto dos gastos, vieram do fundo petrolífero.
Isso está tendo consequências perversas. Os políticos podem adiar decisões difíceis. Os eleitores veem poucos motivos para moderar as demandas por mais gastos. Considere a saúde, a maior despesa do governo. Em média, os serviços médicos custam 30% a mais na Noruega do que na União Europeia.
Mas por que reformar hospitais quando se pode simplesmente investir mais dinheiro no problema? A Dinamarca, que gasta quase o mesmo por pessoa que a Noruega, reduziu o tempo de espera para cirurgias de rotina duas vezes mais rápido que seu vizinho do norte.
Poucos parlamentares se preocupam em avaliar os benefícios e custos econômicos de suas propostas, lamenta um deles. Essa é uma fraqueza em outros lugares, mas a Noruega parece especialmente propensa a ela. Assim como no caso do Museu Munch, as reformas do prédio do parlamento em Oslo levaram quatro anos, em vez de um, e custaram seis vezes mais do que o previsto.
Em 2023, o governo destinou 250 bilhões de coroas norueguesas
(US$ 25,25 bilhões), metade da arrecadação de impostos sobre o trabalho e o capital, para ajuda externa e para instituições de caridade nacionais. Esse é um preço alto a se pagar para conquistar boa vontade no exterior e aliviar a culpa climática interna. No Reino Unido, esse valor é inferior a 10% dos impostos sobre o trabalho e o capital.
Os cidadãos noruegueses não são menos perdulários que seus representantes. A dívida média das famílias é de 250% da renda anual, a mais alta da Europa. Quando se pode contar com a riqueza nacional para socorrer, a necessidade de poupar para tempos difíceis parece menos urgente.
Assim como a necessidade de gerar renda.
Quase um em cada dez noruegueses na faixa dos 20 anos está desempregado,
em comparação com um em cada 20 dinamarqueses. A taxa de evasão escolar no ensino médio e na universidade na Noruega está entre as mais altas da Europa. O sistema de ensino superior oferece quantos diplomas o estudante desejar, gratuitamente, além de generosos empréstimos estudantis. Isso incentiva as pessoas a adiarem seus cursos, mudarem de área e prolongarem seus estudos.
Consequentemente, a população é altamente qualificada: mais de 70% dos trabalhadores não qualificados do setor de serviços (como baristas e atendentes de call center) nascidos na Noruega possuem mestrado. Pessoas de origem imigrante ocupam 100 mil vagas de pesquisa em ciência, tecnologia e engenharia, metade do total. Outras 100 mil vagas precisarão ser preenchidas até 2030.
Esse hedonismo financeiro já está prejudicando a economia. O Banco Central reluta em aumentar as taxas de juros diante do alto endividamento das famílias, o que enfraqueceu a coroa norueguesa e afastou investidores estrangeiros. A produtividade dos trabalhadores parou de crescer. Os salários reais estão começando a cair.
Poderíamos argumentar que nada disso importa, desde que o país consiga prover para a população atual e as gerações futuras. O PIB importa, politicamente falando, porque é uma forma de garantir o bem-estar dos cidadãos: diretamente, por meio do trabalho remunerado, e indiretamente, por meio de auxílios financiados por impostos. Em teoria, esse bem-estar pode ser financiado com rendas, e não com produção. Enquanto a riqueza nacional crescer mais rápido do que os gastos do governo, isso pode continuar indefinidamente.
Esse tem sido o caso na Noruega. Embora o Tesouro tenha extraído dez vezes mais dinheiro de sua principal fonte de renda em 2025 do que em 2008, essa parcela representava uma parcela menor da avaliação total do fundo. Enquanto os retornos anuais (ajustados pela inflação) ultrapassarem 6%, o governo poderá reduzir a arrecadação de impostos e aumentar os gastos no ritmo atual, mesmo depois que seus poços de petróleo se esgotarem, o que poderá acontecer em 50 anos.
Doença norueguesa
Essa visão é complacente por dois motivos. Primeiro, na prática, a menos que a inteligência artificial impulsione drasticamente a produtividade global, retornos de 6% podem se mostrar inatingíveis.
Segundo, e mais importante, uma economia próspera beneficia as sociedades de maneiras que vão além da subsistência. Os políticos são mais responsabilizados se tiverem de pedir dinheiro aos eleitores por meio de impostos. Investidores estrangeiros trazem novos conhecimentos.
Muitas pessoas encontram satisfação no trabalho. Tudo isso contribui para o florescimento humano. Ninguém deveria invejar a riqueza da Noruega - exceto, se forem sábios, os próprios noruegueses.”
==============
PRA: Essa matéria me faz lembrar o livro do historiador inglês Simon Schama sobre a riqueza extraordinária dos Paises Baixos no século XVII, The Embarassment of Riches (O Desconforto da Riqueza). Os neerlandeses se tornaram tão ricos que começaram a ter gastos perdulários e até a especular nos mercados de futuros (que eles inventaram), investindo em tulipas, sim, nessas simpáticas flores importadas originalmente de fora, e que se tornaram símbolos de riqueza, junto com obras de arte, quadros pessoais retratando os ricaços. A especulação sobre as tulipas causou uma febre geral e uma imensa bolha financeira que redundou na primeira crise financeira da história do capitalismo moderno, como estudado pelo historiador americano Charles Kindleberger em Panics, Manias and Crashes (várias edições). Fiz um artigo sobre isso, trazendo a história para os casos de crises no Brasil. Está em um dos meus livros
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 12/04/2026
Nota sobre minhas resenhas:
Nota sobre minhas resenhas:
219. “O ‘Prêmio’ é o Petróleo”, Montevidéu, 24 novembro 1991, 11 p. “Review-article” sobre o livro de Daniel Yergin: The Prize: The epic quest for Oil, Money and Power (Nova York: Simon and Schuster, 1991, 877 + xxxiii p.) e referência a artigo de Edward L. Morse, “The Coming Oil Revolution”, Foreign Affairs (Winter 1990/1991). Publicado, sob o título “O ‘Prêmio’ do poder mundial é o petróleo” no Caderno Internacional do Correio Braziliense (Brasília: 3 agosto 1992, p. 6). Relação de Publicados n. 092.
337. “Odor de Petróleo”, Brasília: 25 abril 1993, 8 p. Resenha do livro de Daniel YERGIN, O Petróleo: Uma História de Ganância, Dinheiro e Poder (São Paulo: Scritta Editorial, 1992, 932 p.), com base em resenha anterior feita a partir da versão original do livro. Publicado na Revista Brasileira de Política Internacional (nova série: Brasília: ano 36, n. 1, 1993, p. 158-163). Relação de Publicados n. 138.
Ambas resenhas consolidadas nesta postagem do Diplomatizzando:
domingo, 9 de janeiro de 2011
Odor de petroleo: sempre malcheiroso, e tendente a corrupcao
Percorrendo uma livraria recentemente, o que faço de modo muito frequente, como já é do conhecimento de quem frequenta este blog, deparei com um livro que eu já tinha lido, e que tenho, em sua primeira edição original:
Daniel Yergin"
The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power
(New York, Simon and Schuster, 1991, 877 pp)
As resenhas que fiz, na ocasião, da edição americana e sua tradução brasileira, vão aqui referidas a partir da minha lista de publicados:
092. “O ‘Prêmio’ do poder mundial é o petróleo”, Correio Braziliense (Brasília: 3 de agosto de 1992, p. 6, Caderno Internacional) [Resenha crítica do livro de Daniel Yergin, The Prize: The Epic Quest for Oil, Money and Power (New York, Simon and Schuster, 1991, 877 pp)]. Relação de Trabalhos nº 219.
138. “[Odor de Petróleo]”, Revista Brasileira de Política Internacional (nova série: Brasília: ano 36, nº 1, 1993, pp. 158-163) [Resenha do livro de Daniel YERGIN, O Petróleo: Uma História de Ganância, Dinheiro e Poder (São Paulo: Scritta Editorial, 1992, 932pp.)]. Relação de Trabalhos nº 337.
Trata-se, provavelmente, da melhor história do petróleo disponível no mercado, embora existam muitos outros livros mais.
Aliás, comprei na minha última passagem pelos Emirados, mais exatamente em Dubai, este livro que também recomendo:
Peter Maass:
Crude World: The Violent Twilight of Oil
(dispenso-me de dar os dados editoriais completos, pois este livro acaba de me ser roubado, quando eu já estava em seu final, o que me impede, temporariamente, de fazer notas e comentários mais elaborados. Voltarei a ele, oportunamente.)
Bem, voltando a livro de Yergin, a edição brasileira, uma nova, é esta aqui:
Daniel Yergin:
O Petróleo: Uma história de conquistas, poder e dinheiro
tradução de Leila Marina U. Di Natale, Maria Cristina Guimarães, Maria Christina L. de Góes; edição Max Altmann
(São Paulo: Paz e Terra, 2010, 1080 p.; copyright Daniel Yergin, 1991, 1992, 2009; ISBN: 978-85-7753-129-5)
Clique em: https://diplomatizzando.blogspot.com/2011/01/odor-de-petroleo-sempre-malcheiroso-e.html
Material completo consolidado nesta postagem de Academia.edu:
https://www.academia.edu/165638797/5277_O_petroleo_produtor_de_riquezas_e_das_maldicoes_da_corrupcao_e_das_guerras_2026_
The Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil and the South Atlantic, finally completed
A project to which I contributed with a paper about the birth of our geopolitical thinking, with an analysis of the “Memorial Organico”, offered in 1849 by Francisco Varnhagen, the “Father” of our historiography, is finally brought to completion by its editors and publishers, as explained here below by the team of organizers. My personal congratulation to Francisco Leandro and the others co-editors for this great accomplishment both in terms of its intellectual quality and its important addition to the knowledge of a very broad geopolitical subject touching Brazil in the world.
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, April 12, 2026
Dear Authors and Colleagues,
This message marks the final communication related to The Palgrave Handbook on the Geopolitics of Brazil and the South Atlantic, published by Palgrave Macmillan in December 2025
(https://link.springer.com/referencework/10.1007/978-981-95-1169-3).
Initiated in 2022 and brought to completion in 2026, this project unfolded over four years of sustained scholarly collaboration. With the recent completion of the handbook’s Scopus indexation - representing the final stage of this long and demanding process - the editorial team is pleased to formally consider the project fully concluded.
This significant milestone reflects not only the successful completion of all editorial and publication processes, but also the scholarly recognition, institutional validation, and international visibility that the volume has now achieved.
The handbook’s early reception further attests to its relevance and reach. In less than 90 days following its publication, the volume recorded more than 10,000 accesses, indicating strong international interest and engagement from the academic and policy communities. This level of visibility underscores both the timeliness of the subject matter and the collective scholarly value of the contributions.
Beyond its academic outputs and impact metrics, this handbook stands as a concrete expression of effective institutional cooperation across universities, research centers, and scholarly communities spanning diverse regional, linguistic, and disciplinary contexts. Over the course of the project, more than 200 scholars were involved- as chapter authors, volume editors, peer reviewers, and academic project advisors - making this one of the most extensive collective undertakings in the field. This breadth of participation underscores the genuinely global and collaborative nature of the endeavor.
For the editorial team, it has been both an honor and a responsibility to serve as editors of a Palgrave Macmillan reference work. Palgrave handbooks occupy a distinct place in the production and dissemination of authoritative scholarship, and contributing to this tradition has been a professionally meaningful experience. This honor was matched by a strong sense of editorial responsibility: to uphold the highest standards of academic rigor, inclusiveness, and scholarly integrity throughout all stages of the project.
The editorial team also wishes to formally acknowledge that this project would not have been possible without the institutional support of the University of Macau (THE world rank 145) and the long term relation with Palgrave Macmillan (Thank you Vishal!). The University provided an enabling academic environment that facilitated sustained coordination, scholarly exchange, and intellectual commitment throughout the 2023–2026 period. Its support was instrumental in allowing the editors to bring together a broad international network of contributors and to maintain the continuity and scholarly standards required of a Palgrave reference work.
Equally important has been the role of personal trust, collegiality, and mutual respect among all those involved throughout the 2022–2026 period. The willingness to engage constructively across different theoretical perspectives and geopolitical viewpoints, to accommodate evolving editorial and publication timelines, and to uphold shared standards of academic excellence was fundamental to navigating the complexities inherent in a large-scale collective volume. The combination of strong institutional cooperation and sustained interpersonal trust formed the backbone of the project’s success.
We would therefore like to express our sincere and profound gratitude to all contributors. This handbook would not have been possible without your intellectual commitment, scholarly rigor, and cooperative spirit. Your patience throughout the various stages of conceptualization, development, peer review, and publication - and above all your trust in the editorial team and the collective vision of this handbook - have been essential to its realization.
It has been a privilege to work with such a large, diverse, and distinguished community of scholars over these four years.
We hope that this handbook will continue to serve as a lasting reference for academic, policy, and strategic debates on Brazil, the South Atlantic, and broader global geopolitics.
With our warmest thanks and best regards,
Francisco José B. S. Leandro (China)
Rodrigo Franklin Frogeri (Brazil)
Yichao Li (China)
Francisco Proença Garcia (Portugal)
António Ruy de Almeida Silva (Brazil)
Leandro, Francisco José (2025). Is China a Global Power? The Three Great Walls of the Middle Kingdom. Singapore, Palgrave Macmillan; https://link.springer.com/book/9789819644513; SCOPUS ID: 10.1007/978-981-96-4451-3
AND
Leandro, F. J. B. S.; Frogeri, R. F.; Yichao Li, Garcia, F. P.; Almeida Silva, A. R. (2025). The Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil and the South Atlantic. Palgrave Major Reference Works. https://link.springer.com/book/9789819511686
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O Seguro Vorcaro, o melhor e mais generoso do mercado (até há pouco)
Não tenho condições de aferir se os números são corretos ou completos, mas suponho que possuam certa confiabilidade, dado o profissionalismo da PF e do jornalismo brasileiro (e respeito a consistência das informações de Julio Benchimol). Eu diria que se trata de um seguro quase universal na política brasileira, tão promiscua quanto eu sempre imaginei que ela fosse. PRA
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Eis a lista dos que comprovadamente apareceram como recebedores de dinheiro de Vorcaro, com valores e vínculos. (Compilação de Julio Benchimol)
Em ordem decrescente:
• Viviane Barci de Moraes - cerca de R$ 80,2 milhões. Advogada, esposa de Alexandre de Moraes.
• Grupo Massa - R$ 24 milhões. Empresas ligadas à família de Ratinho e Ratinho Jr., do PSD.
• Henrique Meirelles - cerca de R$ 18,4 milhões. Ex-presidente do Banco Central de Lula e ex-ministro da Fazenda de Temer.
• Marconi Perillo - R$ 14,5 milhões. PSDB.
• Guido Mantega - R$ 14 milhões. PT.
• Empresa ligada à nora de Jaques Wagner - R$ 12 milhões. Vínculo familiar com um dos principais nomes do PT.
• Michel Temer - cerca de R$ 10 milhões. MDB.
• Antônio Rueda - cerca de R$ 6,4 milhões. Presidente do União Brasil.
• Ronaldo Bento - cerca de R$ 6,2 milhões. Ex-ministro de Bolsonaro.
• Ricardo Lewandowski/escritório ligado à família - cerca de R$ 5,93 milhões. Ex-STF e ex-ministro da Justiça de Lula.
• ACM Neto - cerca de R$ 5,45 milhões. União Brasil.
• André Valadão/Amando Vidas - cerca de R$ 3,9 milhões. Forte trânsito no meio evangélico e bolsonarista.
• Fabio Wajngarten - cerca de R$ 3,8 milhões. Ex-Secom de Bolsonaro e ligado ao PL/bolsonarismo.
Deu para captar?
A lista passeia pelo entorno do STF, PT, PSD, PSDB, MDB, União Brasil e circuito dos grandes operadores de influência de Brasília. Vorcaro não escolheu um campo; escolheu todos os campos úteis.
Minha entrevista sobre o bolsolavismo diplomático, em abril de 2020 - Gustavo Nogy (GP)
Gosto muito desta entrevista que eu dei ao jornalista Gustavo Nogy, em 2020, no máximo do poder do Bolsonarismo diplomático e do chanceler acidental…
Como era bizarro o bolsonarismo diplomático: entrevista com o jornalista Gustavo Nogy (Gazeta do Povo) - Paulo Roberto de Almeida
Saudades daqueles tempos? Certamente não, mas cabe sempre recordar para que o Brasil não venha a cair novamente nessa trampa. Reproduzo abaixo uma entrevista dos anos sombrios da diplomacia brasileira:
sábado, 11 de abril de 2020
A diplomacia brasileira em tempos de olavo-bolsonarismo: um ponto fora da curva: Entrevista com o diplomata Paulo Roberto de Almeida - Gustavo Nogy (Gazeta do Povo)
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A Política Externa do Próximo Governo: o que NÃO fazer? Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor Revista Será?, ano xiv, n. 705, abr 1...



2 comentários:
Como a história do Brasil pode ajudara a entender o atual contexto político do país.
Aula Ao Vivo com o Professor Marco Antônio Villa:
https://www.youtube.com/watch?v=0fnmNnN5gHo&feature=youtu.be
Programado para 22 de abril de 2020.
Fico admirado com o espírito de independência que você tem, Paulo. De fato, são tempos de exceção; mas é inacreditável que tenhamos que nos submeter a indivíduos tão lunáticos e fora de órbita - somos mais fortes, eu não tenho dúvida. Nós temos a inteligência e a militância verdadeiramente democrática do nosso lado, o que explica vermos a destruição escancarada das instituições, entre elas o Itamaraty (o que diria, o que faria o Barão do Rio Branco?) ante nossa letargia?