domingo, 23 de agosto de 2026

O Brasil no momento da partida: um balanço de 1808-1822 (2020) - Paulo Roberto de Almeida

 Um livro ainda a ser escrito;  capítulo inicial já feito em 2020: 

  

O Brasil no momento da partida: um balanço de 1808-1822

 

 

Paulo Roberto de Almeida

. Brasília, 3710: 6 julho 2020, 29 p.

Capítulo inicial de livro sobre as relações econômicas internacionais do Brasil.

 

 

Sumário:

1. Antes do balanço, um pequeno retrospecto

2. O que Portugal nos legou, exatamente?

3. O que um “globalizador esclarecido” do século XVIII falava do Brasil colonial?

4. Comecemos, justamente, pelos impostos: o que havia em 1808?

5. E o “ambiente de negócios”, como ele se apresentava então?

6. Havia respeito aos direitos de propriedade e ao patrimônio?

7. Como estávamos em matéria de empregos públicos?

8. O problema mais crucial: a mão-de-obra escrava e seu terrível legado

9. Como, afinal, se deu a separação?

10. Como foi o nosso desenvolvimento econômico comparado com outros países?

Referências bibliográficas

 

Capítulo inédito, disponível na plataforma Academia.edu:

https://www.academia.edu/172258847/3710_O_Brasil_no_momento_da_partida_um_balan%C3%A7o_de_1808_1822_2020_).   

 

Resumo feito por IA:

 

In our paper, we provide a comprehensive overview of Brazil's economic relations from 1808 to 1822, exploring the legacies of Portuguese rule and the complexities of colonial governance. We invite you to engage with our analysis of key issues such as taxation, property rights, and the impact of slavery on Brazil's development during this pivotal period.

 

Um livro pronto para ser publicado: Economia política das constituições brasileiras: seu impacto nas relações econômicas internacionais do Brasil -- Paulo Roberto de Almeida

 Em revisão, para envio a alguma editora. Divulgo apenas o prefácio:

  Economia política das constituições brasileiras: seu impacto nas relações econômicas internacionais do Brasil

Paulo Roberto de Almeida

Índice

 

 

Apresentação:

As constituições e as relações internacionais do Brasil, 7

 

1. A representação política no Brasil até a Constituição de 1824 , 17

1.1.    Uma longa tradição de representação política

1.2.     O controle da metrópole   

1.3.     A tradição liberal de Cádiz chega no Porto  

1.4.     O nascimento do federalismo  

1.5.     Um parlamentarismo “presidencialista”?   

1.6.     Monarquistas “republicanos”?      

1.7.     Uma divisão de poderes sui generis    

1.8.     O imperador dissolve a primeira Constituinte  

1.9.     A primeira insurreição contra a Constituição outorgada  

 

 

2. Formação do constitucionalismo luso-brasileiro no século XIX , 30

2.1. As grandes datas da evolução constitucional na Europa e nas Américas

2.2. Pré-história da Revolução do Porto de 1820: a Constituição de Cádiz (1812)

2.3. O mundo restaurado e novamente turbulento: ascensão do liberalismo    

2.4. O processo liberal português e suas consequências no Brasil: nova colonização? 

2.5. A constituição liberal portuguesa de 1822 e as consequências para o Brasil  

 

 

3. Da Constituinte de 1823 à Constituição de 1824: aspectos econômicos , 53

3.1. No Brasil, as receitas seguem as despesas, não o contrário

3.2. A Constituinte de 1823 e o seu “pai fundador”: Antonio Carlos Ribeiro de Andrada 

3.3. A economia política do projeto de Constituição de 1823 

3.4. A Constituição Política do Império do Brasil: seus aspectos econômicos 

3.5. Uma economia comandada pelo gasto público, não pela poupança ou investimento 

 

 

4. A economia nas constituições brasileiras, de 1824 a 1946 , 68

4.1. A interpretação econômica das constituições 

4.2. A estrutura constitucional do império liberal escravista

4.3. A República aprofunda a intervenção do Estado na economia   

4.4. A União e os estados na repartição do bolo tributário  

4.5. O estatismo e o nacionalismo nascentes na Constituição de 1891 

4.6. O nacionalismo econômico é constitucionalizado a partir de 1930 

4.7. Intervencionismo econômico constitucionalmente assegurado em 1937 

 

 

5. Uma interpretação econômica das constituições (1986) ,  93

5.1. A constituição como instrumento econômico  

5.2. A representação dos interesses na experiência de 1946  

5.3. A elaboração do processo constituinte de 1987-88 

5.4. A “economia política” da Constituição na perspectiva de 1987  

 

 

6. As relações internacionais na ordem constitucional de 1988 , 119

6.1. Constituição e sociedade no Brasil 

6.2. Relações exteriores e Constituição 

6.3. A Experiência histórica brasileira 

6.4. As relações internacionais na nova Constituição 

6.5. Implicações para a política externa do Brasil 

 

 

7. Análise crítica do conteúdo econômico da Constituição de 1988 ,  147

7.1. Introdução: sobre mudanças de regime econômico

7.2. Mudanças de regime econômico no Brasil contemporâneo

7.3. A Constituição de 1988: um novo contrato social para o Brasil? 

7.4. O que a Constituição promete, e o que ela produz, na realidade?

7.5. A Constituição “cidadã”: distribuindo bondades para todos 

7.6. A Constituição “estatal”: reduzindo o espaço da livre iniciativa

7.7. A Constituição “parlamentar”: muitos privilégios, baixa produtividade 

7.8. A Constituição “econômica”: equívocos em cadeia 

7.9. A Constituição dos “direitos sociais”: sem qualquer análise dos custos 

7.10. Uma Constituição economicamente esquizofrênica 

 

 

8. A Constituição e a integração regional , 189

8.1. Um país voltado para si mesmo 

8.2. Uma vocação integracionista, a despeito de tudo

8.3. Supranacional vs. Intergovernamental   

 

 

9. Brasil: um país de ponta-cabeça? Sobre as propostas de Modesto Carvalhosa , 195

9.1. O Brasil de ponta cabeça?

9.2. Como ficamos de pés para cima?

9.3. Como fazer o Brasil apoiar-se sobre os seus próprios pés? 

9.4. O que nos diz a história sobre o papel dos municípios na administração do Brasil? 

9.5. O diferencial de produtividades como indicador crucial de desenvolvimento

9.6. Um manual para colocar o Brasil sobre os pés 

9.7. Há salvação para o Brasil com seu atual sistema político? A regeneração pela base

 

 

Referências bibliográficas  , 231

Apêndices  ,    241

Nota sobre o autor , 241

Livros de Paulo Roberto de Almeida , 242

 

 

sábado, 22 de agosto de 2026

La vraie situation au Donbas ukrainien, envahit par les russes de Poutine

 ⛔️ STOP AVEC LES "RUSSOPHONES SOI-DISANT MASSACRÉS DANS LE DONBASS !

𝗖̧𝗔 𝗖𝗢𝗠𝗠𝗘𝗡𝗖𝗘 𝗔̀ 𝗕𝗜𝗘𝗡 𝗙𝗔𝗜𝗥𝗘

...... toutes les cinq minutes ce vieux casus belli fabriqué par Vladimir Poutine pour justifier l'intervention russe en Ukraine : "Kiev massacrait les russophones du Donbass".

ℹ️Reprenons les faits, les dates et surtout les chiffres.

🟥 1️⃣ 𝗠𝗘̂𝗠𝗘 𝗦𝗜 𝗖'𝗘́𝗧𝗔𝗜𝗧 𝗩𝗥𝗔𝗜, 𝗢𝗨̀ 𝗘𝗦𝗧 𝗟𝗘 𝗗𝗥𝗢𝗜𝗧 𝗗'𝗜𝗡𝗩𝗔𝗦𝗜𝗢𝗡 ❓️

𝗠𝗲̂𝗺𝗲 𝘀𝗶 𝗹'𝗼𝗻 𝘀𝘂𝗽𝗽𝗼𝘀𝗮𝗶𝘁, pour les besoins du raisonnement, que l'État ukrainien avait commis des crimes contre certains de ses propres citoyens dans le Donbass, 𝗰𝗲𝗹𝗮 𝗻𝗲 𝗱𝗼𝗻𝗻𝗮𝗶𝘁 𝗽𝗮𝘀 𝗮̀ 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗹𝗲 𝗱𝗿𝗼𝗶𝘁 𝗱'𝗲𝗻𝘃𝗮𝗵𝗶𝗿 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲, 𝗱'𝗼𝗰𝗰𝘂𝗽𝗲𝗿 ➡️𝗘𝗧 𝗦𝗨𝗥𝗧𝗢𝗨𝗧 𝗗𝗘 𝗣𝗜𝗟𝗟𝗘𝗥 𝘀𝗼𝗻 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼𝗶𝗿𝗲... 𝗲𝘁 𝗱'𝗲𝗻 𝗮𝗻𝗻𝗲𝘅𝗲𝗿 𝗱𝗲𝘀 𝗺𝗼𝗿𝗰𝗲𝗮𝘂𝘅.

➡️Des violations des droits humains peuvent entraîner des enquêtes internationales, des sanctions, des procédures devant des juridictions internationales, des résolutions de l'ONU, 

Elles ne créent pas un droit pour le pays voisin de franchir la frontière avec son armée.

ℹ️L'Iran réprime et exécute ses propres citoyens.

ℹ️ La Russie emprisonne ses opposants, ses journalistes et ses militants ; Alexeï Navalny est mort empoisonné en détention dans une colonie pénitentiaire russe

 ℹ️La Chine pratique toujours massivement la peine de mort.

❓️𝗘𝘀𝘁-𝗰𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗲𝗹𝗮 𝗱𝗼𝗻𝗻𝗲 𝗮̀ 𝗹𝗲𝘂𝗿𝘀 𝘃𝗼𝗶𝘀𝗶𝗻𝘀 𝗹𝗲 𝗱𝗿𝗼𝗶𝘁 𝗱'𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲𝗿 𝗮𝘃𝗲𝗰 𝗱𝗲𝘀 𝗰𝗵𝗮𝗿𝘀, 𝗱'𝗼𝗰𝗰𝘂𝗽𝗲𝗿 𝗹𝗲𝘂𝗿𝘀 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗶𝗻𝗰𝗲𝘀, 𝗱'𝗼𝗿𝗴𝗮𝗻𝗶𝘀𝗲𝗿 𝗱𝗲𝘀 𝗿𝗲́𝗳𝗲́𝗿𝗲𝗻𝗱𝘂𝗺𝘀 𝘀𝗼𝘂𝘀 𝗼𝗰𝗰𝘂𝗽𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗽𝘂𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗹𝗮𝗺𝗲𝗿 : "𝗠𝗮𝗶𝗻𝘁𝗲𝗻𝗮𝗻𝘁, 𝗰𝗲 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼𝗶𝗿𝗲 𝗲𝘀𝘁 𝗮̀ 𝗻𝗼𝘂𝘀" ❓️

𝗡𝗢𝗡

❓️Alors pourquoi cette règle élémentaire du droit international disparaîtrait-elle soudainement lorsqu'il s'agit de l'Ukraine ?

🟥 2️⃣ 𝗔𝗩𝗔𝗡𝗧 𝗗𝗘 𝗣𝗔𝗥𝗟𝗘𝗥 𝗗𝗨 𝗗𝗢𝗡𝗕𝗔𝗦𝗦, 𝗥𝗔𝗣𝗣𝗘𝗟𝗢𝗡𝗦 𝗔̀ 𝗤𝗨𝗜 𝗔𝗣𝗣𝗔𝗥𝗧𝗜𝗘𝗡𝗧 𝗟𝗘 𝗗𝗢𝗡𝗕𝗔𝗦𝗦

➡️Le 1er décembre 1991, les Ukrainiens votent pour l'indépendance de leur pays : 90,32 % de OUI, avec une participation de 84,18 %.

Contrairement à ce qu'on pourrait croire en écoutant aujourd'hui le récit russe, 𝗹'𝗶𝗻𝗱𝗲́𝗽𝗲𝗻𝗱𝗮𝗻𝗰𝗲 𝗼𝗯𝘁𝗶𝗲𝗻𝘁 𝗲́𝗴𝗮𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝘂𝗻𝗲 𝗺𝗮𝗷𝗼𝗿𝗶𝘁𝗲́ 𝗲́𝗰𝗿𝗮𝘀𝗮𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹'𝗲𝘀𝘁 𝗱𝘂 𝗽𝗮𝘆𝘀 : 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗿𝗼𝗻 𝟴𝟯,𝟵 % 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹'𝗼𝗯𝗹𝗮𝘀𝘁 𝗱𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗲𝘁𝘀𝗸 𝗲𝘁 𝟴𝟯,𝟴𝟲 % 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗰𝗲𝗹𝘂𝗶 𝗱𝗲 𝗟𝗼𝘂𝗵𝗮𝗻𝘀𝗸. 𝗠𝗲̂𝗺𝗲 𝗲𝗻 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲, 𝗼𝘂̀ 𝗹𝗲 𝗿𝗲́𝘀𝘂𝗹𝘁𝗮𝘁 𝗲𝘀𝘁 𝗹𝗲 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝗳𝗮𝗶𝗯𝗹𝗲, 𝗹𝗲 𝗢𝗨𝗜 𝗹'𝗲𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗲 𝗮𝘃𝗲𝗰 𝟱𝟰,𝟭𝟵 %.

➡️ℹ️𝗤𝘂𝗲𝗹𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗷𝗼𝘂𝗿𝘀 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝘁𝗮𝗿𝗱, 𝗹𝗲𝘀 𝗮𝗰𝗰𝗼𝗿𝗱𝘀 𝗱𝗲 𝗕𝗲𝗹𝗼𝘃𝗲𝗷 𝗲𝗻𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗻𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗮 𝗱𝗶𝘀𝗽𝗮𝗿𝗶𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗹'𝗨𝗥𝗦𝗦. 𝗜𝗹𝘀 𝗻𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗲𝗻𝗻𝗲𝗻𝘁 𝗲́𝘃𝗶𝗱𝗲𝗺𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗮𝘂𝗰𝘂𝗻𝗲 𝗰𝗹𝗮𝘂𝘀𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗱𝗶𝘀𝗮𝗻𝘁 𝗮̀ 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗱𝗲 𝘀𝗲 𝗿𝗮𝗽𝗽𝗿𝗼𝗰𝗵𝗲𝗿 𝘂𝗻 𝗷𝗼𝘂𝗿 𝗱𝗲 𝗹'𝗨𝗻𝗶𝗼𝗻 𝗲𝘂𝗿𝗼𝗽𝗲́𝗲𝗻𝗻𝗲 𝗼𝘂 𝗱𝗲 𝗹'𝗢𝗧𝗔𝗡.

ℹ️Et le 5 décembre 1994 arrive 𝗹𝗲 𝗺𝗲́𝗺𝗼𝗿𝗮𝗻𝗱𝘂𝗺 𝗱𝗲 𝗕𝘂𝗱𝗮𝗽𝗲𝘀𝘁.

𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗿𝗲𝗰̧𝗼𝗶𝘁 𝗻𝗼𝘁𝗮𝗺𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲, 𝗱𝗲𝘀 𝗘́𝘁𝗮𝘁𝘀-𝗨𝗻𝗶𝘀 𝗲𝘁 𝗱𝘂 𝗥𝗼𝘆𝗮𝘂𝗺𝗲-𝗨𝗻𝗶 𝗹'𝗲𝗻𝗴𝗮𝗴𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝘀𝗽𝗲𝗰𝘁𝗲𝗿 𝘀𝗼𝗻 𝗶𝗻𝗱𝗲́𝗽𝗲𝗻𝗱𝗮𝗻𝗰𝗲, 𝘀𝗮 𝘀𝗼𝘂𝘃𝗲𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲𝘁𝗲́ 𝗲𝘁 𝘀𝗲𝘀 𝗳𝗿𝗼𝗻𝘁𝗶𝗲̀𝗿𝗲𝘀 𝗲𝘅𝗶𝘀𝘁𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝗮𝗶𝗻𝘀𝗶 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲 𝘀'𝗮𝗯𝘀𝘁𝗲𝗻𝗶𝗿 𝗱𝗲 𝘁𝗼𝘂𝘁𝗲 𝗺𝗲𝗻𝗮𝗰𝗲 𝗼𝘂 𝗲𝗺𝗽𝗹𝗼𝗶 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗲 𝘀𝗼𝗻 𝗶𝗻𝘁𝗲́𝗴𝗿𝗶𝘁𝗲́ 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼𝗿𝗶𝗮𝗹𝗲.

➡️En échange de l'abandon des armes nucléaires présentes sur son territoire, 

𝗟𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗼𝗻𝗰 𝗲𝗹𝗹𝗲-𝗺𝗲̂𝗺𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗻𝘂 𝗹𝗲𝘀 𝗳𝗿𝗼𝗻𝘁𝗶𝗲̀𝗿𝗲𝘀 𝗾𝘂'𝗲𝗹𝗹𝗲 𝗮𝗹𝗹𝗮𝗶𝘁 𝗲𝗻𝘀𝘂𝗶𝘁𝗲 𝘃𝗶𝗼𝗹𝗲𝗿.𝗳𝟱

🟥 3️⃣ 𝗢𝗡 𝗡𝗢𝗨𝗦 𝗣𝗔𝗥𝗟𝗘 𝗦𝗔𝗡𝗦 𝗔𝗥𝗥𝗘̂𝗧 𝗗𝗘 "𝗥𝗨𝗦𝗦𝗢𝗣𝗛𝗢𝗡𝗘𝗦", 𝗥𝗔𝗣𝗣𝗘𝗟𝗢𝗡𝗦 𝗔𝗨𝗦𝗦𝗜 𝗗'𝗢𝗨̀ 𝗩𝗜𝗘𝗡𝗧 𝗖𝗘𝗧𝗧𝗘 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗜𝗙𝗜𝗖𝗔𝗧𝗜𝗢𝗡

➡️La présence importante de populations russes et surtout russophones en Crimée et dans le Donbass a une origine précise l et ne transforme pas davantage ces territoires en territoire russe.

➡️Dans le Donbass, 𝗹'𝗶𝗻𝗱𝘂𝘀𝘁𝗿𝗶𝗮𝗹𝗶𝘀𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗹'𝗲́𝗽𝗼𝗾𝘂𝗲 𝗶𝗺𝗽𝗲́𝗿𝗶𝗮𝗹𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗲́𝗷𝗮̀ 𝗮𝘁𝘁𝗶𝗿𝗲́ 𝗱'𝗶𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗺𝗶𝗴𝗿𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝗲𝗻 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗲𝗻𝗮𝗻𝗰𝗲 𝗱𝗲 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲,puis les politiques soviétiques ont profondément renforcé l'usage du russe dans les villes, l'administration, l'enseignement et la vie professionnelle.

➡️ Des travaux consacrés au système scolaire de la région de Donetsk montrent 𝗾𝘂'𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗹𝗲𝘀 𝗮𝗻𝗻𝗲́𝗲𝘀 𝟭𝟵𝟱𝟬 𝗲𝘁 𝗹𝗮 𝗳𝗶𝗻 𝗱𝗲 𝗹'𝗲́𝗽𝗼𝗾𝘂𝗲 𝗕𝗿𝗲𝗷𝗻𝗲𝘃, 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗺𝗼𝗶𝘁𝗶𝗲́ 𝗱𝗲𝘀 𝗲́𝗰𝗼𝗹𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗻𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻𝗻𝗮𝗶𝗲𝗻𝘁 𝗲𝗻 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲, 𝗲𝘁 𝗹𝗮 𝗱𝗲𝗿𝗻𝗶𝗲̀𝗿𝗲 𝗲́𝗰𝗼𝗹𝗲 𝘂𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗶𝗲𝗻𝗻𝗲 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝘃𝗶𝗹𝗹𝗲 𝗱𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗲𝘁𝘀𝗸 𝗮 𝗺𝗲̂𝗺𝗲 𝗳𝗲𝗿𝗺𝗲́ 𝗲𝗻 𝟭𝟵𝟲𝟰.

En Crimée, le bouleversement démographique est encore plus spectaculaire. 𝗘𝗻 𝟭𝟵𝟰𝟰, 𝗦𝘁𝗮𝗹𝗶𝗻𝗲 𝗳𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗲́𝗽𝗼𝗿𝘁𝗲𝗿 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗶𝘃𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗲𝘀 𝗧𝗮𝘁𝗮𝗿𝘀 𝗱𝗲 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲. 𝗟𝗲𝘀 𝗱𝗲́𝗰𝗲𝗻𝗻𝗶𝗲𝘀 𝘀𝗼𝘃𝗶𝗲́𝘁𝗶𝗾𝘂𝗲𝘀 𝘀𝘂𝗶𝘃𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝘃𝗼𝗶𝗲𝗻𝘁 𝗹'𝗶𝗻𝘀𝘁𝗮𝗹𝗹𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘂𝘃𝗲𝗹𝗹𝗲𝘀 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝗲𝘁, 𝗮𝘂 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗻𝘀𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲 𝟭𝟵𝟱𝟵, 𝗹𝗲𝘀 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗿𝗲𝗽𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗻𝘁𝗲𝗻𝘁 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗿𝗼𝗻 𝟳𝟭 % 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗽𝗲́𝗻𝗶𝗻𝘀𝘂𝗹𝗲, 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗿𝗼𝗻 𝟱𝟬 % 𝗮𝘃𝗮𝗻𝘁-𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲.

➡️Cela explique en partie pourquoi certaines régions étaient très russophones en 1991. ➡️Mais 𝗽𝗮𝗿𝗹𝗲𝗿 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲 𝗻'𝗮 𝗷𝗮𝗺𝗮𝗶𝘀 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗶𝗳𝗶𝗲́ 𝘃𝗼𝘂𝗹𝗼𝗶𝗿 𝗮𝗽𝗽𝗮𝗿𝘁𝗲𝗻𝗶𝗿 𝗮̀ 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 : 𝗗𝗼𝗻𝗲𝘁𝘀𝗸 𝗲𝘁 𝗟𝗼𝘂𝗵𝗮𝗻𝘀𝗸 𝗼𝗻𝘁 𝘃𝗼𝘁𝗲́ 𝗮̀ 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝗱𝗲 𝟴𝟯 % 𝗽𝗼𝘂𝗿 𝗹'𝗶𝗻𝗱𝗲́𝗽𝗲𝗻𝗱𝗮𝗻𝗰𝗲 𝗱𝗲 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲.

Sinon la France pourrait revendiquer ses anciennes colonies.

🟥 4️⃣⛔️𝗟𝗘𝗦 "𝟭𝟰 𝟬𝟬𝟬 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗢𝗣𝗛𝗢𝗡𝗘𝗦 𝗧𝗨𝗘́𝗦 𝗣𝗔𝗥 𝗞𝗬𝗜𝗩 𝗡'𝗢𝗡𝗧 𝗝𝗔𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗘𝗫𝗜𝗦𝗧𝗘́

➡️C'est probablement 𝗹'𝘂𝗻𝗲 𝗱𝗲𝘀 𝗺𝗮𝗻𝗶𝗽𝘂𝗹𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝘀𝘁𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗶𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗹𝗲𝘀 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝗿𝗲́𝗽𝗲́𝘁𝗲́𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗿𝗻𝗮𝗻𝘁 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲.

➡️Selon le Haut-Commissariat des Nations unies aux droits de l'homme, entre le 14 avril 2014 et le 31 décembre 2021, le conflit dans le Donbass a causé environ 14 200 à 14 400 morts au total.

➡️𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗰𝗲𝘀 𝗺𝗼𝗿𝘁𝘀, 𝗹'𝗢𝗡𝗨 𝗰𝗼𝗺𝗽𝘁𝗲 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗿𝗼𝗻 𝟯 𝟰𝟬𝟰 𝗰𝗶𝘃𝗶𝗹𝘀, 𝘆 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗶𝘀 𝗹𝗲𝘀 𝟮𝟵𝟴 𝘃𝗶𝗰𝘁𝗶𝗺𝗲𝘀 𝗱𝘂 𝘃𝗼𝗹 𝗠𝗛𝟭𝟳, 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗿𝗼𝗻 𝟰 𝟰𝟬𝟬 𝗺𝗲𝗺𝗯𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝘂𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗶𝗲𝗻𝗻𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗿𝗼𝗻 𝟲 𝟱𝟬𝟬 𝗺𝗲𝗺𝗯𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗲𝘀 𝗴𝗿𝗼𝘂𝗽𝗲𝘀 𝗮𝗿𝗺𝗲́𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗯𝗮𝘁𝘁𝗮𝗻𝘁 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗞𝗶𝗲𝘃.

➡️𝗖𝗹𝗮𝗶𝗿𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 "𝟭𝟰 𝟬𝟬𝟬 𝗺𝗼𝗿𝘁𝘀 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝘂𝗻𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲" 𝗲𝘁"𝟭𝟰 𝟬𝟬𝟬 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗼𝗽𝗵𝗼𝗻𝗲𝘀 𝗰𝗶𝘃𝗶𝗹𝘀 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗮𝗰𝗿𝗲́𝘀 𝗽𝗮𝗿 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲", 𝗰'𝗲𝘀𝘁 𝘁𝗼𝘂𝘁 𝘀𝗶𝗺𝗽𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗳𝗮𝗹𝘀𝗶𝗳𝗶𝗲𝗿 𝗹𝗮 𝗿𝗲́𝗮𝗹𝗶𝘁𝗲́

Et l'évolution est encore plus révélatrice.

ℹ️Après les terribles années 2014-2015, les pertes civiles avaient considérablement diminué.

ℹ️En 2021, dernière année complète avant l'invasion générale russe, l'ONU n'a recensé que 25 civils tués dans le conflit pendant toute l'année.

Pas des milliers, pas un "génocide", pas une population en cours d'extermination.

🟥 5️⃣ 𝗟𝗔 𝗙𝗔𝗠𝗘𝗨𝗦𝗘 "𝗜𝗡𝗧𝗘𝗥𝗗𝗜𝗖𝗧𝗜𝗢𝗡 𝗗𝗨 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗘" ... 𝗘𝗡𝗖𝗢𝗥𝗘 𝗨𝗡𝗘 𝗛𝗜𝗦𝗧𝗢𝗜𝗥𝗘 𝗗𝗘́𝗙𝗢𝗥𝗠𝗘́𝗘

➡️Une loi adoptée en 2012 permettait l'usage de langues régionales, notamment du russe, dans les régions où elles étaient suffisamment pratiquées.

➡️Le 23 février 2014, dans le chaos suivant la chute de Ianoukovytch, le Parlement ukrainien vote imprudemment son abrogation.

➡️Cette décision est immédiatement exploitée pour faire croire aux russophones qu'on allait leur interdire leur langue.

🟥Seulement voilà ... l'abrogation n'est jamais entrée en vigueur.🟥‼️

➡️Le président par intérim Oleksandr Tourtchynov refuse de la signer et demande la préparation d'une nouvelle loi tenant compte des intérêts de l'est, de l'ouest et des minorités ukrainiennes.

➡️ La Commission européenne a confirmé par la suite qu'elle n'avait connaissance d'aucune interdiction des langues minoritaires en Ukraine.

𝗧𝗼𝘂𝘁𝗲 𝘂𝗻𝗲 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗲 𝗱𝘂 𝗿𝗲́𝗰𝗶𝘁 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗽𝗲𝗿𝘀𝗲́𝗰𝘂𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗼𝗽𝗵𝗼𝗻𝗲𝘀 𝗮 𝗱𝗼𝗻𝗰 𝗲́𝘁𝗲́ 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶𝘁𝗲 𝗮𝘂𝘁𝗼𝘂𝗿 𝗱'𝘂𝗻𝗲 𝗺𝗲𝘀𝘂𝗿𝗲 𝗾𝘂𝗶 𝗻'𝗮 𝗷𝗮𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗲́𝘁𝗲́ 𝗮𝗽𝗽𝗹𝗶𝗾𝘂𝗲́𝗲.

🟥 6️⃣ 𝗟𝗔 𝗖𝗛𝗥𝗢𝗡𝗢𝗟𝗢𝗚𝗜𝗘 𝗗𝗘 𝟮𝟬𝟭𝟯-𝟮𝟬𝟭𝟰 𝗘𝗦𝗧 𝗘𝗦𝗦𝗘𝗡𝗧𝗜𝗘𝗟𝗟𝗘

À partir de 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗲 𝟮𝟬𝟭𝟯, 𝗱𝗲𝘀 𝗺𝗮𝗻𝗶𝗳𝗲𝘀𝘁𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗺𝗲𝗻𝗰𝗲𝗻𝘁 𝗮̀ 𝗞𝘆𝗶𝘃 𝗮𝗽𝗿𝗲̀𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗩𝗶𝗸𝘁𝗼𝗿 𝗜𝗮𝗻𝗼𝘂𝗸𝗼𝘃𝘆𝘁𝗰𝗵 𝗿𝗲𝗻𝗼𝗻𝗰𝗲 𝗮𝘂 𝗱𝗲𝗿𝗻𝗶𝗲𝗿 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗮̀ 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗲𝗿 𝗹'𝗮𝗰𝗰𝗼𝗿𝗱 𝗱'𝗮𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗮𝘃𝗲𝗰 𝗹'𝗨𝗻𝗶𝗼𝗻 𝗲𝘂𝗿𝗼𝗽𝗲́𝗲𝗻𝗻𝗲.

➡️Après plusieurs mois de manifestations et les violences de février 2014, Ianoukovytch quitte Kyiv puis l'Ukraine.

➡️Petro Porochenko sera ensuite élu président lors de l'élection de mai 2014.

𝗗𝗲̀𝘀 𝟮𝟬𝟭𝟯, 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗲𝘀𝘁 𝗷𝘂𝘀𝘁𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗲𝗻 𝘁𝗿𝗮𝗶𝗻 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗻𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝗿 𝗲𝘁 𝗱𝗲 𝗿𝗲́𝗼𝗿𝗴𝗮𝗻𝗶𝘀𝗲𝗿 𝘀𝗲𝘀 𝗰𝗮𝗽𝗮𝗰𝗶𝘁𝗲́𝘀 𝗱'𝗼𝗽𝗲́𝗿𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝘀𝗽𝗲́𝗰𝗶𝗮𝗹𝗲𝘀. 𝗟𝗲 𝟲 𝗺𝗮𝗿𝘀 𝟮𝟬𝟭𝟯, 𝗹𝗲 𝗰𝗵𝗲𝗳 𝗱'𝗲́𝘁𝗮𝘁-𝗺𝗮𝗷𝗼𝗿 𝗩𝗮𝗹𝗲𝗿𝗶 𝗚𝗲𝗿𝗮𝘀𝘀𝗶𝗺𝗼𝘃 𝗮𝗻𝗻𝗼𝗻𝗰𝗲 𝗼𝗳𝗳𝗶𝗰𝗶𝗲𝗹𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗮 𝗰𝗿𝗲́𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲𝘀 𝗙𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗱'𝗼𝗽𝗲́𝗿𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝘀𝗽𝗲́𝗰𝗶𝗮𝗹𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀, 𝗰𝗮𝗽𝗮𝗯𝗹𝗲𝘀 𝗻𝗼𝘁𝗮𝗺𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗱'𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝗶𝗿 𝗮̀ 𝗹'𝗲𝘅𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗲𝘂𝗿 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲. 𝗗𝗲𝘀 𝘂𝗻𝗶𝘁𝗲́𝘀 𝘀𝗼𝗻𝘁 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗶𝘁𝘂𝗲́𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗶̂𝗻𝗲́𝗲𝘀 𝗮𝘂 𝗰𝗼𝘂𝗿𝘀 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗺𝗲̂𝗺𝗲 𝗮𝗻𝗻𝗲́𝗲.

➡️Plus significatif encore, une étude non classifiée du U.S. Army Special Operations Command consacrée à la campagne russe en Ukraine porte explicitement sur la période 2013-2014.

 Elle décrit une méthode combinant organisation de 𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗮𝘂𝘅 𝗽𝗼𝗹𝗶𝘁𝗶𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗼𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀, 𝘀𝗼𝘂𝘁𝗶𝗲𝗻 𝗮̀ 𝗱𝗲𝘀 𝗴𝗿𝗼𝘂𝗽𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝘀, 𝗼𝗽𝗲́𝗿𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝗱'𝗶𝗻𝗳𝗹𝘂𝗲𝗻𝗰𝗲, 𝗿𝗲𝗻𝘀𝗲𝗶𝗴𝗻𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁, 𝗮𝗴𝗲𝗻𝘁𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗻𝗼𝗻 𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗶𝗳𝗶𝗲́𝘀, 𝗿𝗲𝗰𝗿𝘂𝘁𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗹𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝗶𝗻𝘁𝗿𝗼𝗱𝘂𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝘀𝗽𝗲́𝗰𝗶𝗮𝗹𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗶𝗻𝗲́𝗲𝘀 𝗮̀ 𝗱𝗼𝗻𝗻𝗲𝗿 𝗮̀ 𝘂𝗻𝗲 𝗼𝗽𝗲́𝗿𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗽𝗶𝗹𝗼𝘁𝗲́𝗲 𝗱𝗲 𝗹'𝗲𝘅𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗲𝘂𝗿 𝗹'𝗮𝗽𝗽𝗮𝗿𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗱'𝘂𝗻 𝗺𝗼𝘂𝘃𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝘀𝗽𝗼𝗻𝘁𝗮𝗻𝗲́ 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗹.

➡️Autrement dit, quand apparaissent les hommes sans insignes en février 2014, les capacités, les réseaux et les méthodes de guerre non conventionnelle existaient déjà.

Et pendant ce temps, la Russie passe ouvertement à l'action en Crimée.

𝗟𝗲 𝟮𝟳 𝗳𝗲́𝘃𝗿𝗶𝗲𝗿 𝟮𝟬𝟭𝟰, 𝗱𝗲𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗺𝗲𝘀 𝗹𝗼𝘂𝗿𝗱𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗮𝗿𝗺𝗲́𝘀 𝗲𝗻 𝘂𝗻𝗶𝗳𝗼𝗿𝗺𝗲 𝘀𝗮𝗻𝘀 𝗶𝗻𝘀𝗶𝗴𝗻𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗲𝗻𝗻𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗲 𝗣𝗮𝗿𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲 𝗲𝘁 𝗹𝗲 𝘀𝗶𝗲̀𝗴𝗲 𝗱𝘂 𝗴𝗼𝘂𝘃𝗲𝗿𝗻𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗮̀ 𝗦𝗶𝗺𝗳𝗲𝗿𝗼𝗽𝗼𝗹.

➡️Ce sont les fameux "petits hommes verts".

𝗟𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗽𝗿𝗲́𝘁𝗲𝗻𝗱 𝗱'𝗮𝗯𝗼𝗿𝗱 𝗾𝘂'𝗶𝗹 𝘀'𝗮𝗴𝗶𝘁 𝗱𝗲 𝘀𝗶𝗺𝗽𝗹𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗹𝗲𝘀.

ℹ️➡️𝗣𝘂𝗶𝘀 𝗩𝗹𝗮𝗱𝗶𝗺𝗶𝗿 𝗣𝗼𝘂𝘁𝗶𝗻𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗻𝗮𝗶̂𝘁 𝗹𝘂𝗶-𝗺𝗲̂𝗺𝗲, 𝗲𝗻 𝗮𝘃𝗿𝗶𝗹 𝟮𝟬𝟭𝟰, 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲𝘀 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝘀𝗲 𝘁𝗿𝗼𝘂𝘃𝗮𝗶𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲𝗿𝗿𝗶𝗲̀𝗿𝗲 𝗹𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗱𝗶𝘁𝗲𝘀 "𝗱'𝗮𝘂𝘁𝗼𝗱𝗲́𝗳𝗲𝗻𝘀𝗲" 𝗱𝗲 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲.

𝗦𝗼𝘂𝘀 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗽𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲, 𝗹𝗲𝘀 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗶𝘁𝗲́𝘀 𝗱𝗲 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲 𝘀𝗼𝗻𝘁 𝗿𝗲𝗺𝗽𝗹𝗮𝗰𝗲́𝗲𝘀, 𝘂𝗻 "𝗿𝗲́𝗳𝗲́𝗿𝗲𝗻𝗱𝘂𝗺" 𝗲𝘀𝘁 𝗼𝗿𝗴𝗮𝗻𝗶𝘀𝗲́ 𝗲𝘁 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗮𝗻𝗻𝗲𝘅𝗲 𝗹𝗮 𝗽𝗲́𝗻𝗶𝗻𝘀𝘂𝗹𝗲 𝗹𝗲 𝟭𝟴 𝗺𝗮𝗿𝘀 𝟮𝟬𝟭𝟰.

⛔️⛔️𝗗𝗼𝗻𝗰 𝗮𝘃𝗮𝗻𝘁 𝗺𝗲̂𝗺𝗲 𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘂𝘀 𝗿𝗮𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗠𝗼𝘀𝗰𝗼𝘂 𝗮𝘂𝗿𝗮𝗶𝘁 𝘀𝗲𝘂𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗲́𝘁𝗲́ 𝗼𝗯𝗹𝗶𝗴𝗲́ 𝗱𝗲 "𝘃𝗲𝗻𝗶𝗿 𝘀𝗮𝘂𝘃𝗲𝗿 𝗹𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗯𝗮𝘀𝘀", 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗲́𝗷𝗮̀ 𝗽𝗿𝗶𝘀 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝘂𝗻𝗲 𝗮𝘂𝘁𝗿𝗲 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗲 𝗱𝘂 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼𝗶𝗿𝗲 𝘂𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗶𝗲𝗻.

🟥 7️⃣ 𝗤𝗨𝗜 𝗔 𝗠𝗜𝗦 𝗟𝗘 𝗙𝗘𝗨 𝗔𝗨 𝗗𝗢𝗡𝗕𝗔𝗦𝗦 ?

𝗤𝘂𝗲𝗹𝗾𝘂𝗲𝘀 𝘀𝗲𝗺𝗮𝗶𝗻𝗲𝘀 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝘁𝗮𝗿𝗱, 𝗱𝗲𝘀 𝗴𝗿𝗼𝘂𝗽𝗲𝘀 𝗮𝗿𝗺𝗲́𝘀 𝗽𝗿𝗼𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗺𝗲𝗻𝗰𝗲𝗻𝘁 𝗮̀ 𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱𝗿𝗲 𝗽𝗮𝗿 𝗹𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲 𝗱𝗲𝘀 𝗯𝗮̂𝘁𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝘀 𝗼𝗳𝗳𝗶𝗰𝗶𝗲𝗹𝘀 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹𝗲𝘀 𝗼𝗯𝗹𝗮𝘀𝘁𝘀 𝗱𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗲𝘁𝘀𝗸 𝗲𝘁 𝗱𝗲 𝗟𝗼𝘂𝗵𝗮𝗻𝘀𝗸.

➡️Et là, il existe un témoin particulièrement intéressant.

𝗜𝗴𝗼𝗿 𝗚𝗶𝗿𝗸𝗶𝗻, 𝗱𝗶𝘁 𝗦𝘁𝗿𝗲𝗹𝗸𝗼𝘃.

Pas un Ukrainien, pas un responsable de l'OTAN, pas un journaliste occidental

➡️ un 𝗮𝗻𝗰𝗶𝗲𝗻 𝗼𝗳𝗳𝗶𝗰𝗶𝗲𝗿 𝗱𝘂 𝗙𝗦𝗕 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲, 𝗱𝗲𝘃𝗲𝗻𝘂 𝗹'𝘂𝗻 𝗱𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗶𝗻𝗰𝗶𝗽𝗮𝘂𝘅 𝗰𝗼𝗺𝗺𝗮𝗻𝗱𝗮𝗻𝘁𝘀 𝗱𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗯𝗮𝘀𝘀.

➡️𝗔𝗽𝗿𝗲̀𝘀 𝘀𝗼𝗻 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗮𝗴𝗲 𝗲𝗻 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲, 𝗚𝗶𝗿𝗸𝗶𝗻 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗲𝗻 𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗮𝘃𝗲𝗰 𝘂𝗻 𝗴𝗿𝗼𝘂𝗽𝗲 𝗮𝗿𝗺𝗲́ 𝗲𝘁 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗰𝗶𝗽𝗲 𝗮̀ 𝗹𝗮 𝗽𝗿𝗶𝘀𝗲 𝗱𝗲 𝗦𝗹𝗼𝘃𝗶𝗮𝗻𝘀𝗸 𝗲𝗻 𝗮𝘃𝗿𝗶𝗹 𝟮𝟬𝟭𝟰.

➡️𝗘𝘁 𝗲𝗻 𝗻𝗼𝘃𝗲𝗺𝗯𝗿𝗲 𝟮𝟬𝟭𝟰, 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼𝗴𝗲́ 𝗽𝗮𝗿 𝗹𝗲 𝗷𝗼𝘂𝗿𝗻𝗮𝗹 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲 𝗭𝗮𝘃𝘁𝗿𝗮, 𝗶𝗹 𝗱𝗲́𝗰𝗹𝗮𝗿𝗲 𝗹𝘂𝗶-𝗺𝗲̂𝗺𝗲 :

➡️"𝗖'𝗲𝘀𝘁 𝗺𝗼𝗶 𝗾𝘂𝗶 𝗮𝗶 𝗮𝗽𝗽𝘂𝘆𝗲́ 𝘀𝘂𝗿 𝗹𝗮 𝗴𝗮̂𝗰𝗵𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲."

➡️𝗘𝘁 𝗶𝗹 𝗮𝗷𝗼𝘂𝘁𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗶 𝘀𝗼𝗻 𝘂𝗻𝗶𝘁𝗲́ 𝗻'𝗮𝘃𝗮𝗶𝘁 𝗽𝗮𝘀 𝗳𝗿𝗮𝗻𝗰𝗵𝗶 𝗹𝗮 𝗳𝗿𝗼𝗻𝘁𝗶𝗲̀𝗿𝗲, 𝘁𝗼𝘂𝘁 𝘀𝗲 𝘀𝗲𝗿𝗮𝗶𝘁 𝗲́𝘁𝗲𝗶𝗻𝘁 𝗰𝗼𝗺𝗺𝗲 𝗮̀ 𝗞𝗵𝗮𝗿𝗸𝗶𝘃 𝗼𝘂 𝗢𝗱𝗲𝘀𝘀𝗮.

𝗜𝗹 𝗲𝘅𝗽𝗹𝗶𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲̂𝗺𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗼𝗻 𝘂𝗻𝗶𝘁𝗲́ 𝗮 𝗺𝗶𝘀 𝗲𝗻 𝗺𝗼𝘂𝘃𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 "𝗹'𝗲𝗻𝗴𝗿𝗲𝗻𝗮𝗴𝗲 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲".

➡️Alors posons nous une question 

❓️𝗦𝗶 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲 𝗲́𝘁𝗮𝗶𝘁 𝘀𝗲𝘂𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗲 𝘀𝗼𝘂𝗹𝗲̀𝘃𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝘀𝗽𝗼𝗻𝘁𝗮𝗻𝗲́ 𝗱𝗲 𝗽𝗮𝘂𝘃𝗿𝗲𝘀 𝗵𝗮𝗯𝗶𝘁𝗮𝗻𝘁𝘀 𝗱𝘂 𝗗𝗼𝗻𝗯𝗮𝘀𝘀 𝗺𝗮𝗿𝘁𝘆𝗿𝗶𝘀𝗲́𝘀 𝗽𝗮𝗿 𝗞𝗬𝗜𝗩 𝗽𝗼𝘂𝗿𝗾𝘂𝗼𝗶 𝘂𝗻 𝗮𝗻𝗰𝗶𝗲𝗻 𝗼𝗳𝗳𝗶𝗰𝗶𝗲𝗿 𝗱𝘂 𝗙𝗦𝗕 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗻𝗮𝗶̂𝘁-𝗶𝗹 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗮𝗻𝘀 𝗹'𝗮𝗿𝗿𝗶𝘃𝗲́𝗲 𝗱𝗲 𝘀𝗼𝗻 𝘂𝗻𝗶𝘁𝗲́, 𝗹𝗮 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲 𝗻𝗲 𝘀𝗲𝗿𝗮𝗶𝘁 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗮𝗯𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗽𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗲 ❓️

🟥 8️⃣  𝗟𝗔 𝗣𝗥𝗘́𝗦𝗘𝗡𝗖𝗘 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗘 𝗗𝗔𝗡𝗦 𝗟𝗘 𝗗𝗢𝗡𝗕𝗔𝗦𝗦 𝗡'𝗘𝗦𝗧 𝗣𝗟𝗨𝗦 𝗨𝗡𝗘 𝗤𝗨𝗘𝗦𝗧𝗜𝗢𝗡 𝗗'𝗢𝗣𝗜𝗡𝗜𝗢𝗡

➡️La Cour européenne des droits de l'homme a examiné une quantité considérable d'éléments concernant l'est de l'Ukraine.

➡️Sa 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗹𝘂𝘀𝗶𝗼𝗻 𝗲𝘀𝘁 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗰𝘂𝗹𝗶𝗲̀𝗿𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗴𝗲̂𝗻𝗮𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗼𝘂𝗿 𝗹𝗲 𝗿𝗲́𝗰𝗶𝘁 𝗱'𝘂𝗻𝗲 𝘀𝗶𝗺𝗽𝗹𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲 𝗰𝗶𝘃𝗶𝗹𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗲𝘂𝗿𝗲.

Elle constate 𝗹𝗮 𝗽𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗱𝗲 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹'𝗲𝘀𝘁 𝗱𝗲 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗱𝗲̀𝘀 𝗮𝘃𝗿𝗶𝗹 𝟮𝟬𝟭𝟰, 𝘂𝗻 𝗱𝗲́𝗽𝗹𝗼𝗶𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗶𝗳 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗼𝘂𝗽𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗮𝘂 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝘁𝗮𝗿𝗱 𝗮̀ 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗿 𝗱'𝗮𝗼𝘂̂𝘁 𝟮𝟬𝟭𝟰, 𝗹𝗮 𝗳𝗼𝘂𝗿𝗻𝗶𝘁𝘂𝗿𝗲 𝗮̀ 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲 𝗲́𝗰𝗵𝗲𝗹𝗹𝗲 𝗱'𝗮𝗿𝗺𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗲𝗹 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲 𝗮𝘂𝘅 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲̀𝘀 𝗹𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗲𝗺𝗶𝗲𝗿𝘀 𝗺𝗼𝗶𝘀, 𝗱𝗲𝘀 𝘁𝗶𝗿𝘀 𝗱'𝗮𝗿𝘁𝗶𝗹𝗹𝗲𝗿𝗶𝗲 𝗲𝗳𝗳𝗲𝗰𝘁𝘂𝗲́𝘀 𝗽𝗮𝗿 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲, 𝘂𝗻 𝘀𝗼𝘂𝘁𝗶𝗲𝗻 𝗽𝗼𝗹𝗶𝘁𝗶𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘁 𝗲́𝗰𝗼𝗻𝗼𝗺𝗶𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘁 𝘂𝗻𝗲 𝗶𝗻𝗳𝗹𝘂𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗱𝗲́𝘁𝗲𝗿𝗺𝗶𝗻𝗮𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗠𝗼𝘀𝗰𝗼𝘂 𝘀𝘂𝗿 𝗹𝗮 𝘀𝘁𝗿𝗮𝘁𝗲́𝗴𝗶𝗲 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲.

On𝗟𝗮 𝗖𝗘𝗗𝗛 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗶𝗱𝗲̀𝗿𝗲 𝗮𝗶𝗻𝘀𝗶 𝗾𝘂𝗲 𝗹𝗲𝘀 𝘇𝗼𝗻𝗲𝘀 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗹'𝗲𝘀𝘁 𝘂𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗶𝗲𝗻 𝘀𝗲 𝘁𝗿𝗼𝘂𝘃𝗮𝗶𝗲𝗻𝘁 𝘀𝗼𝘂𝘀 𝗹𝗮 𝗷𝘂𝗿𝗶𝗱𝗶𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗹𝗮 𝗙𝗲́𝗱𝗲́𝗿𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗮̀ 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗿 𝗱𝘂 𝟭𝟭 𝗺𝗮𝗶 𝟮𝟬𝟭𝟰, 𝗲𝗻 𝗿𝗮𝗶𝘀𝗼𝗻 𝗱𝘂 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼̂𝗹𝗲 𝗲𝗳𝗳𝗲𝗰𝘁𝗶𝗳 𝗲𝘅𝗲𝗿𝗰𝗲́ 𝗽𝗮𝗿 𝗠𝗼𝘀𝗰𝗼𝘂.

🟥Alors encore une question ....

❓️𝗤𝗨𝗘 𝗙𝗔𝗜𝗦𝗔𝗜𝗘𝗡𝗧 𝗗𝗘𝗦 𝗠𝗜𝗟𝗜𝗧𝗔𝗜𝗥𝗘𝗦 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗘𝗦, 𝗗𝗘𝗦 𝗔𝗥𝗠𝗘𝗦 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗘𝗦 𝗘𝗧 𝗗𝗘𝗦 𝗦𝗧𝗥𝗨𝗖𝗧𝗨𝗥𝗘𝗦 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗘𝗦 𝗦𝗨𝗥 𝗟𝗘 𝗧𝗘𝗥𝗥𝗜𝗧𝗢𝗜𝗥𝗘 𝗨𝗞𝗥𝗔𝗜𝗡𝗜𝗘𝗡 𝗘𝗡 𝟮𝟬𝟭𝟰 𝗦𝗜 𝗠𝗢𝗦𝗖𝗢𝗨 𝗡'𝗘́𝗧𝗔𝗜𝗧 𝗤𝗨'𝗨𝗡 𝗣𝗔𝗨𝗩𝗥𝗘 𝗦𝗣𝗘𝗖𝗧𝗔𝗧𝗘𝗨𝗥 𝗩𝗘𝗡𝗨 "𝗦𝗔𝗨𝗩𝗘𝗥 𝗟𝗘𝗦 𝗥𝗨𝗦𝗦𝗢𝗣𝗛𝗢𝗡𝗘𝗦" ❓️

🟥 9️⃣ 𝗟𝗘𝗦 𝗔𝗖𝗖𝗢𝗥𝗗𝗦 𝗗𝗘 𝗠𝗜𝗡𝗦𝗞

⚠️𝗠𝗶𝗻𝘀𝗸 𝗜 𝗲𝘀𝘁 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗲́ 𝗹𝗲 𝟱 𝘀𝗲𝗽𝘁𝗲𝗺𝗯𝗿𝗲 𝟮𝟬𝟭𝟰 entre les représentants de l'Ukraine, de la Russie et de l'OSCE, avec des représentants des zones séparatistes de Donetsk et Louhansk.

➡️𝗟𝗲 𝗰𝗲𝘀𝘀𝗲𝘇-𝗹𝗲-𝗳𝗲𝘂 𝗲𝘀𝘁 𝗿𝗮𝗽𝗶𝗱𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝘃𝗶𝗼𝗹𝗲́ 𝗽𝗮𝗿 𝗹𝗲𝘀 𝗱𝗲𝘂𝘅 𝗰𝗮𝗺𝗽𝘀

⚠️𝗨𝗻 𝗺𝗲́𝗺𝗼𝗿𝗮𝗻𝗱𝘂𝗺 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗲́ 𝗾𝘂𝗲𝗹𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗷𝗼𝘂𝗿𝘀 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝘁𝗮𝗿𝗱 𝗽𝗿𝗲́𝘃𝗼𝗶𝘁 𝗻𝗼𝘁𝗮𝗺𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗲 𝗿𝗲𝘁𝗿𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻𝘀 𝗮𝗿𝗺𝗲́𝗲𝘀 𝗲́𝘁𝗿𝗮𝗻𝗴𝗲̀𝗿𝗲𝘀, du matériel militaire, des combattants et des mercenaires du territoire ukrainien.

➡️𝗢𝗿 𝗹𝗮 𝗽𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗲𝘁 𝗹𝗲 𝘀𝗼𝘂𝘁𝗶𝗲𝗻 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗻𝗲 𝗱𝗶𝘀𝗽𝗮𝗿𝗮𝗶𝘀𝘀𝗲𝗻𝘁 𝗽𝗮𝘀 𝗮𝗽𝗿𝗲̀𝘀 𝗠𝗶𝗻𝘀𝗸 𝗜, 𝗰𝗲 𝗾𝘂𝗶 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝗲𝗿𝗮 𝗮̀ 𝗹𝗮 𝗽𝗼𝘂𝗿𝘀𝘂𝗶𝘁𝗲 𝗱𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗯𝗮𝘁𝘀 𝗲𝘁 𝗰𝗼𝗻𝗱𝘂𝗶𝗿𝗮 𝗾𝘂𝗲𝗹𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗺𝗼𝗶𝘀 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝘁𝗮𝗿𝗱 𝗮̀ 𝗠𝗶𝗻𝘀𝗸 𝗜𝗜.

Après la reprise massive des combats, notamment autour de Debaltsev

 𝗠𝗶𝗻𝘀𝗸 𝗜𝗜 𝗲𝘀𝘁 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗲́ 𝗹𝗲 𝟭𝟮 𝗳𝗲́𝘃𝗿𝗶𝗲𝗿 𝟮𝟬𝟭𝟱.

ℹ️Et là encore, il faut rappeler une évidence à ceux qui réécrivent aujourd'hui ces textes 

 ➡️𝗹𝗲𝘀 𝗮𝗰𝗰𝗼𝗿𝗱𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗶𝗻𝘀𝗸 𝗻𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗲𝗻𝗻𝗲𝗻𝘁 𝗮𝘂𝗰𝘂𝗻𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗱𝗶𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗳𝗮𝗶𝘁𝗲 𝗮̀ 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗱'𝗮𝗱𝗵𝗲́𝗿𝗲𝗿 𝗮̀ 𝗹'𝗢𝗧𝗔𝗡 𝗼𝘂 𝗮̀ 𝗹'𝗨𝗻𝗶𝗼𝗻 𝗲𝘂𝗿𝗼𝗽𝗲́𝗲𝗻𝗻𝗲.

➡️Ils concernent le cessez-le-feu, le retrait des armes lourdes, le contrôle de la frontière, les élections locales, le statut de certaines zones et le règlement politique du conflit du Donbass, pas une prétendue interdiction faite à l'Ukraine de choisir ses alliances.

🟥 🔟 𝗖𝗘 𝗡'𝗘́𝗧𝗔𝗜𝗧 𝗣𝗔𝗦 𝗟𝗔 𝗣𝗥𝗘𝗠𝗜𝗘̀𝗥𝗘 𝗙𝗢𝗜𝗦

ℹ️Regardons le procédé russe au-delà de l'Ukraine.

➡️Moldavie / Transnistrie 

➡️ 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗶𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹𝗲 𝗰𝗼𝗻𝗳𝗹𝗶𝘁 𝗮𝘂 𝗱𝗲́𝗯𝘂𝘁 𝗱𝗲𝘀 𝗮𝗻𝗻𝗲́𝗲𝘀 𝟭𝟵𝟵𝟬 𝗲𝘁 𝘂𝗻𝗲 𝗽𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗱𝘂𝗿𝗲 𝗲𝗻𝘀𝘂𝗶𝘁𝗲 𝗲𝗻 𝗧𝗿𝗮𝗻𝘀𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗶𝗲.

❓️Où étaient Zelensky, le Donbass et la prétendue nécessité de "dénazifier" l'Ukraine ❓️

➡️Géorgie, 2008 : 

➡️𝗹𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲𝗻𝘁 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗶𝘃𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗲𝗻 𝗚𝗲́𝗼𝗿𝗴𝗶𝗲 𝗽𝗲𝗻𝗱𝗮𝗻𝘁 𝗹𝗮 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲 𝗱'𝗮𝗼𝘂̂𝘁 𝟮𝟬𝟬𝟴, 𝗠𝗼𝘀𝗰𝗼𝘂 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗻𝗮𝗶̂𝘁 𝗲𝗻𝘀𝘂𝗶𝘁𝗲 𝘂𝗻𝗶𝗹𝗮𝘁𝗲́𝗿𝗮𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗹'𝗔𝗯𝗸𝗵𝗮𝘇𝗶𝗲 𝗲𝘁 𝗹'𝗢𝘀𝘀𝗲́𝘁𝗶𝗲 𝗱𝘂 𝗦𝘂𝗱 et maintient des forces dans ces territoires. 

❓️rapport avec le Donbass, avec Zelensky ou avec la prétendue dénazification de l'Ukraine ❓️

➡️Tchétchénie.

➡️𝗚𝗿𝗼𝘇𝗻𝘆 𝗮 𝗲́𝘁𝗲́ 𝗱𝗲́𝘃𝗮𝘀𝘁𝗲́𝗲 𝗽𝗲𝗻𝗱𝗮𝗻𝘁 𝗹𝗲𝘀 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲𝘀 𝗺𝗲𝗻𝗲́𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗲𝗹𝗹𝗲-𝗺𝗲̂𝗺𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗲 𝘂𝗻𝗲 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝘀𝗶𝘁𝘂𝗲́𝗲 𝗮̀ 𝗹'𝗶𝗻𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗲𝘂𝗿 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗿𝗲𝘀 𝗳𝗿𝗼𝗻𝘁𝗶𝗲̀𝗿𝗲𝘀.

𝗔𝗹𝗼𝗿𝘀 𝘀𝗶 𝗹𝗲 𝗽𝗿𝗶𝗻𝗰𝗶𝗽𝗲 𝗲𝘀𝘁 𝗿𝗲́𝗲𝗹 : "𝗨𝗻 𝗘́𝘁𝗮𝘁 𝗺𝗮𝗹𝘁𝗿𝗮𝗶𝘁𝗲 𝘂𝗻𝗲 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗲 𝗱𝗲 𝘀𝗮 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻, 𝗱𝗼𝗻𝗰 𝘀𝗼𝗻 𝘃𝗼𝗶𝘀𝗶𝗻 𝗽𝗲𝘂𝘁 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲𝗿 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗰𝗵𝗲𝘇 𝗹𝘂𝗶", 𝗾𝘂𝗲𝗹 𝗽𝗮𝘆𝘀 𝗮𝘃𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗼𝗻𝗰 𝗹𝗲 𝗱𝗿𝗼𝗶𝘁 𝗱'𝗲𝗻𝘃𝗮𝗵𝗶𝗿 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗽𝗼𝘂𝗿 𝘀𝗮𝘂𝘃𝗲𝗿 𝗹𝗲𝘀 𝗧𝗰𝗵𝗲́𝘁𝗰𝗵𝗲̀𝗻𝗲𝘀 ?

ℹ️Parce que ce prétendu principe n'existe pas.

🟥 1️⃣1️⃣ LE PROBLÈME EST DONC BEAUCOUP PLUS SIMPLE

𝗟𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗺𝗲𝗻𝗰𝗲 𝗽𝗮𝗿 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝗶𝗿 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝘂𝗻 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼𝗶𝗿𝗲 𝘃𝗼𝗶𝘀𝗶𝗻, 𝗲𝗹𝗹𝗲 𝘀𝗼𝘂𝘁𝗶𝗲𝗻𝘁 𝗱𝗲𝘀 𝘀𝘁𝗿𝘂𝗰𝘁𝘂𝗿𝗲𝘀 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲𝘀, 𝗲𝗹𝗹𝗲 𝗱𝗶𝘀𝗽𝗼𝘀𝗲 𝗱𝗲́𝗷𝗮̀ 𝗱𝗲 𝗿𝗲́𝘀𝗲𝗮𝘂𝘅 𝗽𝗼𝗹𝗶𝘁𝗶𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝘀 𝗽𝗿𝗼𝗿𝘂𝘀𝘀𝗲𝘀, 𝗲𝗹𝗹𝗲 𝘂𝘁𝗶𝗹𝗶𝘀𝗲 𝗱𝗲𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗺𝗲𝘀 𝘀𝗮𝗻𝘀 𝗶𝗻𝘀𝗶𝗴𝗻𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝗱𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝗰𝗲𝘀 𝘀𝗽𝗲́𝗰𝗶𝗮𝗹𝗲𝘀, 𝗲𝗹𝗹𝗲 𝗳𝗼𝘂𝗿𝗻𝗶𝘁 𝗱𝗲𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗺𝗲𝘀, 𝗱𝗲𝘀 𝗮𝗿𝗺𝗲𝘀, 𝗱𝘂 𝗺𝗮𝘁𝗲́𝗿𝗶𝗲𝗹 𝗲𝘁 𝗱𝘂 𝘀𝗼𝘂𝘁𝗶𝗲𝗻 𝗽𝗼𝗹𝗶𝘁𝗶𝗾𝘂𝗲.

➡️La guerre provoque ensuite des morts des deux côtés.

Puis Moscou prend ces morts provoquées par cette guerre et les présente comme la preuve qu'elle devait intervenir.

𝗖'𝗲𝘀𝘁 𝘂𝗻 𝗿𝗮𝗶𝘀𝗼𝗻𝗻𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗰𝗶𝗿𝗰𝘂𝗹𝗮𝗶𝗿𝗲 𝗲𝘅𝘁𝗿𝗮𝗼𝗿𝗱𝗶𝗻𝗮𝗶𝗿𝗲 :

𝗷𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝗲 𝗮̀ 𝗰𝗿𝗲́𝗲𝗿 𝗹𝗮 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲, 𝗽𝘂𝗶𝘀 𝗷'𝘂𝘁𝗶𝗹𝗶𝘀𝗲 𝗹𝗲𝘀 𝘃𝗶𝗰𝘁𝗶𝗺𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲 𝗽𝗼𝘂𝗿 𝗷𝘂𝘀𝘁𝗶𝗳𝗶𝗲𝗿 𝗺𝗼𝗻 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝘁𝗶𝗼𝗻.‼️

➡️𝗘𝘁 𝗵𝘂𝗶𝘁 𝗮𝗻𝘀 𝗽𝗹𝘂𝘀 𝘁𝗮𝗿𝗱, 𝗩𝗹𝗮𝗱𝗶𝗺𝗶𝗿 𝗣𝗼𝘂𝘁𝗶𝗻𝗲 𝗿𝗲𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼𝗶𝗿𝗲, 𝗹𝘂𝗶 𝗮𝗷𝗼𝘂𝘁𝗲 𝗹𝗮 "𝗱𝗲́𝗻𝗮𝘇𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻", 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗻𝗮𝗶̂𝘁 𝗹𝗲𝘀 𝗽𝘀𝗲𝘂𝗱𝗼-𝗿𝗲́𝗽𝘂𝗯𝗹𝗶𝗾𝘂𝗲𝘀 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲𝘀 𝗽𝘂𝗶𝘀 𝗹𝗮𝗻𝗰𝗲 𝗹𝗲 𝟮𝟰 𝗳𝗲́𝘃𝗿𝗶𝗲𝗿 𝟮𝟬𝟮𝟮 𝘂𝗻𝗲 𝗶𝗻𝘃𝗮𝘀𝗶𝗼𝗻 𝗴𝗲́𝗻𝗲́𝗿𝗮𝗹𝗲 𝗱𝗲 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲.

Alors 𝗹𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗵𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗳𝗼𝗶𝘀 𝗾𝘂'𝗼𝗻 𝘃𝗼𝘂𝘀 𝗲𝘅𝗽𝗹𝗶𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗻𝗾𝘂𝗶𝗹𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗾𝘂𝗲 "𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗮 𝗱𝘂̂ 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝗶𝗿 𝗽𝗮𝗿𝗰𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗹'𝗨𝗸𝗿𝗮𝗶𝗻𝗲 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗮𝗰𝗿𝗮𝗶𝘁 𝟭𝟰 𝟬𝟬𝟬 𝗿𝘂𝘀𝘀𝗼𝗽𝗵𝗼𝗻𝗲𝘀 𝗱𝗮𝗻𝘀 𝗹𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗯𝗮𝘀𝘀", 𝗱𝗲𝗺𝗮𝗻𝗱𝗲𝘇 𝘀𝗶𝗺𝗽𝗹𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 :

❓️𝗢𝘂̀ 𝘀𝗼𝗻𝘁 𝗹𝗲𝘀 𝟭𝟰 𝟬𝟬𝟬 𝗰𝗶𝘃𝗶𝗹𝘀 𝗺𝗮𝘀𝘀𝗮𝗰𝗿𝗲́𝘀 ? 𝗟'𝗢𝗡𝗨 𝗻'𝗲𝗻 𝘁𝗿𝗼𝘂𝘃𝗲 𝗽𝗮𝘀 𝟭𝟰 𝟬𝟬𝟬.❓️

❓️𝗤𝘂𝗶 𝗮 𝗳𝗮𝗶𝘁 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲𝗿 𝘂𝗻 𝗴𝗿𝗼𝘂𝗽𝗲 𝗮𝗿𝗺𝗲́ 𝗱𝗲𝗽𝘂𝗶𝘀 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲 𝗲𝗻 𝗮𝘃𝗿𝗶𝗹 𝟮𝟬𝟭𝟰❓️

❓️𝗤𝘂𝗶 𝗳𝗼𝘂𝗿𝗻𝗶𝘀𝘀𝗮𝗶𝘁 𝗮𝗿𝗺𝗲𝘀 𝗲𝘁 𝘀𝗼𝘂𝘁𝗶𝗲𝗻 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲 𝗮𝘂𝘅 𝘀𝗲́𝗽𝗮𝗿𝗮𝘁𝗶𝘀𝘁𝗲𝘀 ? 𝗟𝗮 𝗖𝗘𝗗𝗛 𝗿𝗲́𝗽𝗼𝗻𝗱 : 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲.

𝗤𝘂𝗶 𝗮𝘃𝗮𝗶𝘁 𝗱𝗲́𝗷𝗮̀ 𝗽𝗿𝗶𝘀 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗶𝗿𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗹𝗮 𝗖𝗿𝗶𝗺𝗲́𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗻𝘁 𝗾𝘂𝗲 𝗹𝗮 𝗴𝘂𝗲𝗿𝗿𝗲 𝗱𝘂 𝗗𝗼𝗻𝗯𝗮𝘀𝘀 𝗮𝘁𝘁𝗲𝗶𝗴𝗻𝗲 𝗰𝗲𝘁𝘁𝗲 𝗮𝗺𝗽𝗹𝗲𝘂𝗿 ? 𝗘𝗻𝗰𝗼𝗿𝗲 𝗹𝗮 𝗥𝘂𝘀𝘀𝗶𝗲.

Marc Bloch no Panthéon - Daniel Afonso da Silva (Jornal da USP)

Marc Bloch (1886-1944) no Panthéon

Por Daniel Afonso da Silva, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP

  Publicado: 21/08/2026 às 17:34

In memoriam de Carlos Guilherme Mota (1941-2026), Fernando Antonio Novais (1933-2026) e João Adolfo Hansen (1942-2026). Historiadores maiores, professores totais e mestres inesquecíveis de todos nós.

Amanheceu ameno aquele 16 de junho de 1944 em Lyon. Céu límpido, vento fresco, 13ºC, brisa ao longe, apreensão ambiente e humor desconexo. Jornais clandestinos noticiavam os sucessos crescentes dos aliados. A Overlord alcançava em triunfos em todas as partes. A Supreme Allied Commander mobilizara 156 mil soldados diretos, 195 mil soldados em retaguarda, 11 mil aviões, 7 mil navios e milhares de marinheiros e aviadores no desembarque na Normandia. O Dia D, Jour JD-Day, fora um acontecimento esplendoroso. O presidente Franklin Delano Roosevelt excedia-se em regozijo em Washington. O primeiro-ministro Winston Churchill, desde Londres, acreditava, enfim, ser o início do fim. O seu “Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning” [Agora, este não é o fim. Não é sequer o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo] de 1943 era coisa do passado. O camarada Joseph Stalin delirava em êxtase em Moscou. O general Charles de Gaulle conseguira, enfim, inspiração para respirar esperançado.

Hitler e o Reich iam cercados em todos os fronts. Toda a embarcação nazista fazia água. Com vazantes imensas e abundantes e capacidade diminuta e cada vez menor de contenção.

Wehrmacht tinha sido quase integralmente evacuada do Norte da África, do Mediterrâneo e parte do Sul da Europa. Mussolini e seus fascistas prosseguiam seus desvarios na República de Saló ao Norte da Itália após Hitler, em pessoa, tê-lo mandado buscar em Roma. Mas a libertação de Roma e do resto do país era questão de dias, meses e detalhes. Italianos espalhados por todos os continentes começavam a avistar dias bons.

O calvário diabólico do front germano-soviético a Leste era assunto pessoal de Hitler e Stalin, que, na impressão do grande historiador britânico Norman Davies, não passavam de “bandits” [bandidos], criminals[criminosos], “outlaws” [foras da lei], “robbers”[assaltantes], “thugs” [marginais], gangsters, “crooks” [vigaristas].

A inclemência das 144 bombas V-1 – Vergeltungswaffen 1 – sobre o Reino Unido, sendo 73 descarregadas sobre a área metropolitana de Londres, naqueles dias 15 e 16 de junho de 1944, fizeram, sim, muito mal à gente de Buckingham Palace e de Westminster. Mas a resiliência e altivez dos ingleses e de seu British Bulldog, Winston Churchill, seguiam largamente inquebrantáveis.

Do outro lado do mundo, as investidas do general Douglas MacArthur também arpejavam frescor. O Comitê Francês de Libertação Nacional – dito Comitê De Gaulle – transbordava por todos os continentes, fazendo da reação ante o Reich um movimento, um sentimento e uma sensação verdadeiramente mundiais.

A gente de Lyon transitava quase – ou perto de quase – aliviada. O racionamento seguia severo. Escassez e fome ainda tomavam conta. Insumos básicos para primeiras necessidades faltavam endemicamente. Café, manteiga, açúcar e combustível eram distribuídos em porções minoradas. Sem o Black Market, excedências eram impossíveis. Bondes e trens funcionavam com limitações. Cafés, cinemas e teatros eram mantidos abertos, mas sob rigorosa censura, repressão, indução e constrangimentos.

Klaus Barbie (1913-1991) era o plenipotenciário de Hitler na região. Seu codinome, malgré lui, era o odioso “Carniceiro de Lyon”.

Ele chefiava a polícia secreta nazista na cidade desde 1942 e agia indisfarçadamente como um sádico ardiloso e contumaz. Coordenava, observava e executava pessoalmente prisões, interrogatórios, torturas e deportações. Seu maior trunfo tinha sido a interceptação, seguida do assassinato, de Jean Moulin (1899-1943), líder da resistência francesa na região.

Carl Oberg (1897-1965) e Helmut Knochen (1910-2003) – respectivamente alto comandante da SS e coordenador de segurança do Reich na França – supervisionavam com acuidade essas ações inomináveis de Barbie em Lyon.

Com o bloqueio integral de Paris, Lyon era o símbolo e a capital da resistência francesa. Todos os olhos, aliados e do eixo, moviam-se, naturalmente, para lá.

A liberação de Paris, naquele 16 de junho de 1944, era questão de dias ou semanas. O general Dwight D. Eisenhower (1890-1969) seguia seguro disso. O marechal Arthur Tedder (1890-1967) não tinha dúvidas sobre isso. O general Bernard Montgomery (1877-1976) queria e agia intensamente para isso. O marechal Trafford Leigh-Mallory (1892-1944) desdobrava-se diuturnamente nesse propósito. Enquanto o almirante Bertram Ramsay (1883-1945) dava retaguarda a todos esses avanços.

O que afligia Hitler. Constrangia Oberg e Knochen. Enfurecia Barbie. Martirizava mentalmente a cúpula do Reich. E avariava as bússolas, relógios e mapas do eixo.

Nada estava definido.

Nada ganho nem perdido.

Mas alguma desesperação tomava conta dos ocupantes nazistas na França, em Paris e em Lyon.

O Rhône e o Saône fluíam insones na área central lionesa. Como insones também seguiam os prisioneiros encarcerados na École de Santé Militaire e no Forte Montluc. Entre eles, Marc Bloch (1886-1944).

Interceptado no 8 de março anterior pelos agentes da Gestapo, Marc Bloch previa seu desfecho humano rondando as casas. Brutal e vastamente torturado por horas, dias e semanas a fio, a sua condição de resistente e judeu – não necessariamente nessa ordem – dava-lhe a certeza de seu fim. Fim de tudo e fim da partida.

Naquela sucessão de avanços dos aliados, Hitler caíra em desespero e Barbie, mais e mais sedento por sangue. Marc Bloch sentia as virações dessa mistura de ira e alucinação de maneira palpável.

Os responsáveis pela repressão marchavam mais nervosos e impacientes no Forte Montluc. Fumavam e bebiam descontroladamente. Falavam alto, desesperados e sem discrição. Hesitavam diante das novas de Washington, Londres, Moscou e Berlim. Conseguintemente, no cárcere, com outros vinte e sete prisioneiros, todos judeus e resistentes ou resistentes e judeus, Marc Bloch impunha-se como reserva moral e pacificador de infortúnios. Seu cotidiano envolvia lições de vida e de história aos companheiros de masmorra. Seu mantra era o civismo e a altivez sem falha. Sua meta, deixar claro que nada mais honorífico a um resistente que morrer por sua pátria, morrer pela França, morrer por uma certa ideia de civilização humana.

Herói da Grande Guerra e detentor da Legião de Honra da França, ele trazia na postura, na alma, nos gestos e no semblante a significância integral e espiritual da expressão patriotismo. Capitão nas fileiras do marechal Philippe Pétain (1856-1951), sob as ordens do presidente Raymond Poincaré (1860-1934) e do primeiro-ministro Georges Clemenceau (1841-1929), ele mantinha vivas nas retinas as barbaridades desumanas das carnificinas de Verdun, La Marne e La Somme. Batalhas inesquecíveis. Guernica à francesa.

Não lhe mancava, contudo, a tenência. Ele tinha visto ao morte face-à-face e saíra vivo na Grande Guerra. Sobrevivera ao Armagedon. Fizera um banquete diante dos inimigos. Superara o vale de sombras e morte. Conhecia, portanto, bem de perto o Apocalipse. Não era mais noviço nessa experiência-limite. Tinha intimidade com o impensável. E, por tudo, trazia no corpo as cicatrizes da honra e na mente o espírito de gratidão de ser francês, ter lutado pela França e ter vencido o combate da Primeira Guerra.

Mas, agora, na Segunda, a sua mensagem aos mais jovens, naquela balsa da morte, sem destino nem futuro, no Forte Montluc, era de tranquilidade. “N’aie pas peur. Ils vont nous fusiller. Ils ne vont pas nous faire de mal” [Não tenha medo. Eles vão nos fuzilar. Não vão nos fazer sofrer].

Não se sabe terem sido estas as suas últimas palavras. Mas fora seguramente o seu gesto final. Como última ceia. Última mirada. Última intenção. Esmerada na conduta mais digna de “tomber debout” [cair em pé] e “tomber sereinement” [cair sereno]. Sempre de cabeça erguida e consciência mansa.

Nada mais nobre, sentia ele como soldado, que morrer pela pátria, sua França. Nada mais digno, sabia ele como pensador, que estar a priori no bom lado da história. Nada mais redentor, unindo o soldado ao pensador, que cumprir o ofício, completar a carreira e manter a fé.

Filho de pais alsacianos que trocaram a Alemanha pela França após a debacle de 1871, Marc Bloch nasceu em Lyon em 1886. Seguiu a formação e a profissão, historiador e professor de História. Frequentou e transitou pela excelência da École Normale Supérieuredos seus tempos mais áureos da Terceira República Francesa. Tornou-se medievalista e, conseguintemente, ascendeu a professor. Primeiro em Strasbourg. Depois em Paris, à Sorbonne.

O seu artigo Réflexions d’un historien sur les fausses nouvelles de la guerre, de 1921, escrito quando os combatentes ainda retornavam do chão de ruínas da Grande Guerra, teve impacto abrangente e impactante sobre toda a reflexão militar posterior. Virou leitura obrigatória na Escola de Preparação de Oficiais, na Escola de Guerra, na Escola Especial Militar de Saint-Cyr e na Escola Naval. O professor Charles de Gaulle conhecia-o bem e ensina história aos aspirantes a militares baseado nesse texto.

Seu Les Rois thaumaturges: Étude sur le caractère supernaturel attribué à la puissance royale particulièrement en France et en Angleterre representou inquestionáveis turning points no fazer histórico e historiográfico francês, europeu e mundial desde a sua publicação em 1924. Adicionado, depois, a Les caractères originaux de l’histoire rurale française de 1931 e a La société féodale: la formation des liens de dépendancede 1939. Todos clássicos desde a nascença.

A fundação – de braço com Lucien Febvre (1878-1956) – da revista Annales, em 1928-1929, e, depois, da Escola com o mesmo emblema, marcou à vida a operação historiográfica no mundo inteiro. Conferindo dignidade, dinâmica e organicidade ao estudo da História. Firmando-a, definitivamente, como campo. Não necessariamente como Ciência. Mas como algo diferente. Nem superior nem inferior às Ciências tampouco àquelas disciplinas sem musa, emergidas recentemente, a partir do século 18, e nominadas universitariamente de Economia, Ciência Política, Sociologia, Antropologia, Psicologia etc.

Com Annales volta-se a perceber que História, antes de tudo, é um saber muito antigo. Tão antigo quanto a Filosofia, as Letras, as Artes. Quem sabe, até um pouco de cada uma delas. Fruto da sapiência infinita de gente da qualidade de Heródoto, Plotino, Quintiliano, Aristóteles, Plutarco, que pretendiam o saber total.

Se Annales e Marc Bloch forjaram uma mensagem inquebrantável para a razão da História foi essa: campo do saber total. Indisponível, porquanto, a meras Ciências. Por mais sofisticadas que sejam. Com Annales, Febvre e Bloch sobressaiu o método e a cientificidade. Desfazendo-se o mal-entendido perpétuo – que, lastimavelmente, ainda hoje perpetua-se em rodas de “entendidos” – de acreditar-se que uma não necessariamente Ciência, no caso, a História, não tenha uma verdadeira e rigorosa cientificidade – leia-se racionalidade.

Teria dito Lucien Febvre em vários lugares: a cientificidade da História é fundamental, mas a inteligência e o talento do historiador são essenciais. Uma mensagem que dizia tudo e superava todo mal-estar das querelas entre Ciências Humanas e Humanidades, Ciências e História.

Foram eles, Bloch-Febvre, que, ao fim das contas, conseguiram demarcar questões nada triviais de ontologia, epistemologia, metodologia e deontologia. Foram eles que promoveram e incentivaram conexões profundas da História com praticamente todos os campos do saber. Almejando nada menos que o mínimo que a História pode aspirar: apreender, compreender e explicar a totalidade da complexidade do fluxo da vida. Algo, por certo, inalcançável. Mas desejado, como ambição, projeto e síntese do ofício do historiador, onde Marc Bloch aglutinou a condição de spalla e chefe de orquestra.

Fora desse ofício apaixonante, Marc Bloch também tinha vida. E vida agitada.

Tomou Simone Vidal (1894-1944), enfermeira francesa voluntária na Grande Guerra, por esposa, amor e confidente. Acompanhou ao seu lado, com realismo e contrição, a ascensão dos extremos dos anos de 1920 e 1930. Anteviu sobre a pertinácia de Hitler. Denunciou, em segredo e em plateia, a ingenuidade do idealismo dos demais europeus e norte-americanos. Esteve bem mais próximo de realistas da qualidade de seu colega inglês Edward H. Carr que dos idealistas que se reuniram em Munique naqueles dias funestos de 1938.

Com o mesmo espírito sereno e sagaz, acompanhou a erosão de uma certa ideia de Modernidade. Afrontou a fúria dos totalitários ante o Ocidente. Condenou a impunidade diante dessa fúria. Previu as investidas ignóbeis ante os judeus e à própria civilização humana. Abraçou-se aos melhores de seu tempo. Obrigou-se a seguir a consagração do Reich, a voracidade da blitzkrieg e a queda da França em 1940. Foi-lhe horrível. Mas, também, déjà vu.

Amputado de seu próprio país, foi alcançado instantaneamente pelas listas do estatuto dos judeus logo nos primeiros passos ignominiosos do governo de Vichy. Obrigou-se a amaldiçoar o marechal Pétain, seu comandante e herói com ele da Grande Guerra. Foi cassado de seu posto de professor na Sorbonne. Teve confiscados o seu apartamento e a sua biblioteca com milhares de livros em Paris. Assistiu desassombrado a marcha dos nazistas pela capital. Sentiu o desolo de viúva na presença tranquila de Hitler diante da Torre Eiffel e dos nazistas ocupando tudo por Paris. Soterrou-se em desgosto ao notar a sua cidade-luz germanizando-se. Enojou-se ao ouvir homens, mulheres e crianças sendo violentados em sua dignidade, decência e nacionalidade. Sentiu-se, pela primeira vez na vida, estar diante de um muito que era demais.

Pai de seis filhos e eterno marido de Simone Vidal, buscou amparo em Montpellier, zona ainda livre de ocupação. Conseguiu aí algum respiro e alguma ocupação. Voltou a lecionar. Vivia-se a transição de 1940 para 1941. Tudo eram sombras. Seus mundos desapareciam sob seus olhos e sob seus pés. Não sabia onde mirar nem caminhar. Única solução, digna ao seu turno, foi guerrear.

Inicialmente pela História. Foi quando escreveu e legou o seu memorável Apologie pour l’histoire ou métier d’historien, publicado postumamente, em 1949, com aquela nota inesquecível de Lucien Febvre, de 1941, que traduz tudo ao dizer:

“Combatemos longamente, em conjunto, por uma história maior e mais humana. A tarefa comum, no momento que escrevo, decerto sofre ameaças. Não por nossa culpa. Somos os vencidos provisórios de um injusto destino. Tempo virá, estou certo, em que nossa colaboração poderá verdadeiramente ser retomada: pública, como no passado, e, como no passado, livre. Por ora, é nestas páginas, todas repletas de sua presença, que, de minha parte, ela prosseguirá. Manterá com isso o ritmo, que foi sempre seu, de um acordo fundamental, vivificado, na superfície, pelo proveitoso jogo de nossas afetuosas discussões”.

Essa nota foi um recado privado a Bloch. Quando Febvre o fez, Bloch já tinha ingressado na Resistência. Oficial de reserva, Bloch seguiu o seu dever. Caiu clandestino e, por codinome, escolheu Narbonne.

Às rápidas, tornou-se chefe do movimento de franco-atiradores na região de Lyon, sua terra natal. Não menos rapidamente, documentou o seu diagnóstico de tudo, também publicado postumamente, como Étrange Défaite aquela queda da França. Onde, em sua convicção, “nous chefs n’ont pas su penser cette guerre. En d’autres termes, le triomphe des Allemands fut, essentiellement, une victoire intellectuelle et c’est peut-être ce qu’il y a là de plus grave” [Os nossos líderes não souberam pensar esta guerra. Em outros termos, o triunfo dos alemães foi, essencialmente, uma vitória intelectual e é talvez nisso resida o mais grave].

Vivia-se 1943 quando ele entrou em fase com Jean Moulin em Lyon e com o general Charles de Gaulle em Londres. Por sua excelência, nessa sinergia, tornou-se rápido integrante do diretório regional dos movimentos unidos pela resistência. Uma entidade importante, decisiva e fundamental para a resistência interna contra o Reich.

Fernand Braudel (1902-1985), retornado do Brasil e da Universidade de São Paulo, feito oficial do exército francês pela resistência, capturado pelos nazistas e recolhido ao isolamento de campos de concentração, diria, sem parcimônia, que “Bloch est celui qui organise. Un peu le chef d’état-major” [Bloch é quem organiza. Ele é meio que o chefe do estado-maior]. Lucien Febvre acentuaria que “Car nous aurons eu de drôles de vies, à tout prendre: en un certain sens du mot drôle…” [No fim das contas, nós tivemos vidas engraçadas: num certo sentido da palavra engraçado]. Eles previam que o fim de Bloch ia próximo.

Capturado pela Gestapo no 8 de março de 1944 após delação de falsos companheiros, Marc Bloch foi conduzido à temida École de Santé Militaire de Lyon. Nessa lúgubre habitação, ele foi longa, bruta e barbaramente interrogado e torturado. Em seguida, foi transladado para o austero, mas não menos soturno, Forte Montluc.

Na manhã do 16 de junho de 1944, com seus companheiros de martírio, foi levado para Saint-Didier-de-Formans, departamento de Ain, 30 quilômetros ao Norte de Lyon, onde foi fuzilado.

Tombava um homem. Erguia-se uma moldura.

François Furet (1927-1997) grafaria, apropriadamente, em vários de seus escritos formidáveis, quase todos inspirados na bravura de Marc Bloch, que “Faire de l’histoire, c’est raconter une histoire” [Escrever história é antes de tudo contar uma história].

Vendo em perspectiva, a esfinge da vida e da obra do fundador da École des Annales talvez adorne esse adágio com bemóis mais eloquentes que, numa lançante, podem recomendar que, mais que contar, escrever História – e História que vai ficar – supõe também e sobretudo vivê-la. Coisa que ele fez até o seu último suspiro.

Quem sabe a sua maior desilusão em vida foi que a sua geração não conseguir soterrar a assombração da guerra. A Grande Guerra era para ser a última. Mas não foi. Veio a outra. A drôle de guerre. Como perdoar as elites francesas e europeias por permitir aquele novo Armagedon, perguntava-se em Étrange Défaite.

Cidadão, portanto, patriota, em tudo, historiador total: Marc Bloch. Que, por tanto e por tudo, vem de receber a maior honraria que um cidadão francês pode receber: o ingresso no Panthéon – Aux Grands Hommes la Patrie Reconnaissante [Aos grandes homens, a pátria agradecida].

Quando Pierre Nora (1931-2025) começou a republicar a sua obra pela editora Gallimard, ao longo dos anos de 1980, o público caiu em êxtase. Mesmo historiadores profissionais e acadêmicos eruditos, na França e fora, ignoravam a existência de Marc Bloch. Foi o início da reabilitação dessa personagem incontornável da intelligentsia mundial.

A republicação de Étrange défaite, na viragem para 1990, ultrapassou fronteiras universitárias, alcançou o público em geral e causou sensação. A clarividência de suas análises ombreava e superava o que de melhor havia-se escrito e dito sobre a guerra, a ocupação e a resistência – assuntos permanentemente vivos no imaginário francês que jamais se recompôs da humilhação de 1940.

Alguns anos depois, em inícios do século 21, René Remond (1918-2007), Jacques Le Goff (1924-2014) e o próprio Pierre Nora reivindicaram publicamente a entronização de Marc Bloch no Panthéon. Reconheceram-no o maioral da área de História, por sua história, por seu talento, por sua coragem. Erigiram-no ao melhor entre todos. O único historiador verdadeiramente total. Em teoria, conteúdo e prática. O único a fazer História em seus múltiplos significados.

Passados muitos anos, o presidente Emmanuel Macron atendeu à demanda dos historiadores ilustres e anunciou a concessão da honraria ao casal Bloch, Marc e Simone.

O cerimonial do Élysée justificou a decisão pelo fato de que “Marc Bloch fait écho à l’héritage des Lumières, une façon de concevoir l’homme centré non pas sur le repli identitaire mais sur l’ouverture à l’autre, sur l’altérité” [Marc Bloch faz eco ao legado do Iluminismo, uma maneira de conceber o ser humano centrada não no fechamento identitário, mas na abertura ao outro, à alteridade].

Patrick Boucheron acentuou, apropriadamente, que não existe panteonização inocente. Não existe mesmo. O presidente Macron tem lá seus interesses. Que são complexos. Mas eles, aqui, não importam. Importa que Marc Bloch, vulto da França, da Europa e de uma certa ideia de decência e dignidade humana, ingressou no santuário dos grandes naquela terça-feira ensolarada do 23 de junho de 2026 em Paris. Tornando-se o primeiro professor de História e primeiro historiador profissional a receber essa distinção. Passando, assim, a integrar um lugar que, a rigor, sempre foi seu e muito seu: a História.

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PS: versão preliminar deste texto saiu em A Terra é redonda do dia 22/06/2026, às vésperas da recepção oficial de Marc Bloch (1886-1944) no Panthéon em Paris, e, adiante, foi enriquecido pelos comentários, reações e correções, que sensivelmente agradeço, de Alya Aglan, Paola Giacomoni, Patrick Boucheron e Paulo Roberto de Almeida.

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