sábado, 6 de março de 2010

1753) Le Mensuel, o resumo mensal do Le Monde

Bem, agora já sei o que vou buscar nas bancas da próxima vez que passar por Paris, mesmo no aeroporto:

LE MENSUEL

O que o Monde publicou de melhor
Por Leneide Duarte-Plon, de Paris
Observatório da Imprensa, 2/3/2010

Após seis meses de estudos e testes, o jornal Le Monde lançou em fevereiro um novo produto, como diriam os especialistas de marketing. Nós, os antigos jornalistas, diremos que ele lançou uma revista mensal, destinada a ocupar um lugar privilegiado na paisagem midiática francesa. Otto Lara Rezende falava do choque que teve quando ouviu pela primeira vez falar do jornal como "produto". Era na década de 1970.

Uma das diversas publicidades de página inteira anunciando a nova revista mensal, chamada simplesmente Le Mensuel, apresentava um pequeno pote de cosmético com o nome "La crème du Monde". A revista é exatamente isso: o que o jornal publicou de melhor no mês anterior, la crème de la crème.

"Muitas pessoas se interessam pelo conteúdo do Monde e pela expertise dos nossos jornalistas, mas não têm tempo ou possibilidade de comprá-lo todos os dias. Propomos agora essa seleção mensal de nossos melhores artigos. Além do mais, é um belo objeto, parece um livro, com belas fotos, uma nova forma de leitura diferente do cotidiano, da internet ou de um semanário. Nunca se deve parar de inventar e inovar", ressalta a nova diretora de redação do Le Monde, Sylvie Kauffmann.

As palavras e as fotos

As cartas de leitores, comentadas pela mediadora do jornal Véronique Maurus, mostram que o mesário veio ocupar um espaço que existia para ele. O formato pequeno (23,5cm x 18,5cm) foi muito elogiado, a beleza, mas, principalmente, a proposta: as melhores reportagens, os melhores perfis e os melhores artigos do mês anterior, embrulhados para presente, isto é, ilustrados com muitas fotos coloridas e em preto e branco. Très chic, mas sobretudo très intelligent esse Mensuel.

"Um pequeno formato para uma grande ambição" foi como o diretor do Monde, Eric Fottorino, apresentou a revista que vai ser útil em especial ao público que não compra o jornal todos os dias, seja por que motivo for, e com 5,90 euros (cerca de 16 reais) vai ter 120 páginas para se informar sobre o que se passou na França e no mundo, com análises pertinentes e o famoso conteúdo do "diário de referência". Os incondicionais do jornal poderão fazer uma coleção fácil de guardar.

Le Mensuel oferece todas as qualidades do diário. "Ele é a quintessência do trabalho de uma redação de 300 jornalistas com seus correspondentes nos quatro cantos do mundo: Nova York, Washington, Moscou, Pequim, Xangai, Johanesburgo, Rio de Janeiro etc. Ele é um sinal dirigido a todos os que amam a escolha das palavras e o peso das fotos", escreveu Fottorino no editorial do número 1.

Sensação de alívio

A informação do Mensuel é veiculada por um texto reconhecidamente de qualidade, mas o leitor ganha ainda como adicional uma ampla informação visual que o jornal não pode dar por problema de espaço: a fotografia tem um lugar privilegiado, pois a revista optou por valorizar a imagem fotográfica em quantidade e qualidade. Quanto aos textos selecionados, eles são publicados na íntegra com a data em que saíram no jornal.

"Queremos oferecer um objeto atraente, mais fácil de colecionar e menos intimidante para os jovens leitores. Dessa forma, damos uma segunda vida aos artigos oferecendo um condensado do mês, como um digest", explicou o responsável editorial da revista, Jérôme Gautheret.

Le Mensuel foi saudado por um dos inúmeros leitores que escreveram ao jornal como uma excelente idéia para quem perde o cotidiano por motivo de viagem. Pude experimentar a mesma sensação de alívio. Os inveterados leitores, como eu, que lamentam perder a leitura do jornal quando estão no estrangeiro – falo da versão em papel, um vício da nossa geração – terão o consolo de saber que em Paris Le Mensuel nos aguarda nas bancas com la crème du Monde.

1752) Balanco economico da era Lula: preparando os materiais

Para fazer o que diz o título deste post, vou precisar retomar alguns trabalhos meus, de poucos anos atrás, e também considerar o balanço que os próprios promotores do "modelo Lula" de crescimento e desenvolvimento expuseram em seus trabalhos, com destaque para este economista do governo, abaixo citado.

Paulo Roberto de Almeida:
1) 719. “Uma verdade inconveniente (será que o Brasil consegue crescer 5% ao ano?)”
Via Política (Porto Alegre, 12 nov. 2006). Versão completa. Relação de Trabalhos n. 1684.

2) 786. “Duro de crescer: obstáculos políticos ao crescimento econômico do Brasil”
Revista de Gestão Pública-DF (Brasilia: Escola de Governo do GDF; vol. I, nr. 1, jul.-dez. 2007, p. 29-36). Republicado em Espaço Acadêmico (ano 7, nr. 76, setembro 2007).
Revisto e adaptado, em três partes, para o boletim Via Política (1a. parte, 9.09.2007; 2a. parte: 16.09.2007; 3a. parte: 23.09.2007). Relação de Trabalhos n. 1794.

Ver este artigo para um sumário das políticas do governo, com consulta necessária aos originais:

331) Debate economico: a rationale do PT esclarecida
Não tanto do PT, quanto de alguns expoentes do governo Lula, como o Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.
Abaixo uma exposição sintética de suas teses principais.
PRA

A superação de dogmas
Claudia Safatle
Valor Econômico, 5.03.2010

(...)
A proposta neoliberal de novos ajustes recessivos acabou fortalecendo a visão desenvolvimentista sobre a política econômica ao fim de 2005, conta Nelson Barbosa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, no livro Brasil entre o Passado e o Futuro. Barbosa escreveu, com José Antônio Pereira de Souza, economista do BNDES hoje na Fazenda, o texto A Inflexão do Governo Lula: Política Econômica, Crescimento e Distribuição de Renda, publicado no livro organizado pelo PT para a convenção que consagrou Dilma candidata à Presidência da República.
Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ex-funcionário do Banco Central, Barbosa trabalhou com Guido Mantega no BNDES. Mudou-se para Brasília quando Mantega foi designado para substituir Palocci e é, hoje, o mais influente economista não ortodoxo do governo. Participou intensamente da campanha pela reeleição de Lula, ganhou a confiança de Dilma e a simpatia do presidente.

O texto de 42 páginas é uma descrição do legado de Lula até agora, colocada em uma perspectiva teórica, de escolhas que foram feitas ainda que sem formulação sistemática. Até porque os desenvolvimentistas presentes no governo não dispunham de caráter teórico e ideológico coeso como os neoliberais, explica. Esse trabalho se complementa, porém, com outro documento: Uma Nova Política Macroeconômica e Uma Nova Política Social, resultado de seminário realizado na Fundação Perseu Abramo.
(...)
Os dois textos citados foram escritos no fim de 2009. O livro traz, ainda, uma entrevista com a candidata à Presidência da República pelo PT e artigos de expoentes do PT, como Marco Aurélio Garcia, Emir Sader e Márcio Pochman, entre outros. Um elemento comum a todos é a necessária recomposição do Estado.
(...)

À suivre, donc...

sexta-feira, 5 de março de 2010

1751) A suposta desindustrializacao brasileira

Não creio que seja o caso, mas os especialistas não se cansam de apontar para a commoditização das exportações brasileiras e as importações de bens manufaturados, insistindo, grande parte deles, no problema cambial.
Curioso que poucos falam que os empresários industriais brasileiros, como os de outros setores, são esmagados por uma carga brutal de impostos, o que torna seus produtos pouco competitivos lá fora e aqui dentro também.
Quando vão acordar para o óbvio?

Distorção na indústria do Brasil
Alberto Tamer*
O Estado de S. Paulo, 4.03.2010

Há algo estranho no comércio exterior brasileiro. Sabemos que estamos nos transformando cada vez mais em exportador de commodities - as exportações representam 36,4% da nossa balança -, mas não sabíamos ainda que a indústria está importando cada vez mais matérias-primas e bens duráveis. Isto é, estamos importando produtos de consumo que também produzimos no País.

Em outras palavras, lembra editorial no caderno de Economia do Estado de ontem, isso parece indicar que nossa indústria está se transformando cada vez numa atividade de montagem, importando mais bens e insumos para vender no País, sem chegar a ter uma produção competitiva nos bens de alta tecnologia.

Estamos em parte abastecendo o mercado interno não mais com produtos fabricados, mas montados com itens importados. Leia-se, produtos da China, entre outros.

Não é uma desindustrialização, como se poderia dizer, mas um empobrecimento relativo da indústria nacional. É o que revelam os números da balança comercial no primeiro bimestre do ano anunciados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior.

COMMODITIZAÇÃO
Há explicações para isso, mas não convincentes. Afirma-se que é um processo decorrente do excepcional aumento dos preços das commodities nos anos dourados da economia mundial que antecederam à crise. Houve um crescimento extraordinário nas exportações de produtos agrícolas e minerais, que desde então passaram a dominar a pauta do comércio exterior. As vendas industriais também cresceram, mas em ritmo bem menor. O setor de commodities era mais bem estruturado que o setor industrial.

Outro motivo: a crise atingiu mais duramente a demanda de produtos industriais do que o agrícolas.

São argumentos válidos, mas não explicam totalmente esse aumento das importações (vejam bem, importações e não exportações de bens industriais, neste momento em que a economia mundial começa a se recuperar).

CAMBIO, ETC.
Há ainda o argumento da desvalorização do dólar que favorece as importações, e até ajuda no controle da inflação. Mas esse é um fenômeno que afeta toda a pauta comercial, desde produtos como commodities a produtos industriais. Sei que é mais difícil exportar bens acabados, com alto valor agregado, que produtos primários, principalmente num mercado mundial ainda em recuperação. Isso, porém, não explica nem justifica o aumento das importações de bens intermediários do setor industrial.

No fundo, tudo indica estar havendo uma falta de política industrial integrada, difícil de se obter quando os ministérios não se entendem.

A manter esse clima, a tendência é de que não só a agricultura continuará superando a indústria na área do comércio exterior, como a própria indústria caminha para o que poderíamos chamar de terceirização. É um processo ainda incipiente, mas perigoso por ser indolor.

1 BILHÃO DE FAMINTOS
Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra, está lançando hoje, no Shopping Higienópolis, a partir das 19h30, o seu livro O Mundo não é Plano. A tragédia silenciosa de 1 bilhão da Famintos. Um livro-análise-reportagem bem documentado sobre o drama da fome no mundo. Destaque especial para suas viagens à África e à Itália, onde viu de perto o desespero dos imigrantes ilegais que tentam fugir da fome.

*Email: at@attglobal.net

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Corrigindo o que disse ao início. Sim, tem que preste atenção aos fatores reais de desindustrialização, como abaixo:

Reflexões sobre a desindustrialização
Editorial
O Estado de S. Paulo, Quinta-feira, 4 de março de 2010

Na entrevista concedida ao Estado, o ex-ministro colombiano Mauricio Cárdenas, da Brookings Institution, não hesitou em afirmar que o Brasil já se está desindustrializando e se commoditizando, enquanto países como Índia e China apresentam melhor equilíbrio entre a produção de manufaturados e de matérias-primas.

A opinião merece melhor exame, ainda que os industriais brasileiros reconheçam que é fundamentada. Para eles, três fatores levaram a essa situação: o excesso de carga tributária, a péssima infraestrutura do País e uma taxa cambial valorizada.

São fatores que realmente contribuem para inibir o desenvolvimento da indústria brasileira, embora pelo menos um seja irremediável. Mas existem outros freando o crescimento de nossa economia.

Sem dúvida, a carga tributária excessiva é um obstáculo a um maior crescimento. Caberia aos empresários comprovar que uma redução de impostos levaria a uma melhoria da situação. A desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros e produtos da linha branca permitiu o aumento das vendas domésticas de produtos com grande conteúdo de bens importados, porém não das exportações. Nem favoreceu uma melhoria da inovação desses bens.

Na realidade, falta à nossa indústria investimentos em pesquisa para oferecer inovações que reduzam o custo da produção e atraiam os consumidores estrangeiros, objetivos alcançáveis com melhoria da produtividade e do processo de produção, além dos gastos em pesquisa.

Não se pode negar que as empresas encontram, interna e externamente, sério obstáculo no custo do transporte terrestre e portuário. Mauricio Cárdenas reconhece essa dificuldade e sugere que o Brasil dê mais atenção aos mercados dos EUA e da Europa. Neste caso, caberia à iniciativa privada dar sua colaboração.

A valorização do real parece resultar da melhor situação do Brasil, e à indústria cabe conviver com ela, compensando-a com melhora da produtividade.

A comparação com a China e a Índia é oportuna: em 2009, pelas últimas previsões, o PIB brasileiro deve ficar em -0,8%, ante +7,8% na China e +5% na Índia. Os dados disponíveis do 1º trimestre de 2009 são de -14,8% na produção de manufaturados, ante +28,6% e +6,4%, respectivamente, nos dois outros países. E o conteúdo de manufaturados nas exportações, em 2008, foi, respectivamente, de 5,9%, 7,5% e 8,1%. São números que dão o que pensar.

1750) Obama Nuclear Policy

Obama's Nuclear Posture Review will set tone for U.S. weapons policy
By Mary Beth Sheridan and Walter Pincus
Washington Post Staff Writer
Friday, March 5, 2010; 1:30 PM

President Obama's top national security advisers within days will present him with an agonizing choice on how to guide U.S. nuclear weapons policy for the rest of his presidency.

Does he substantially advance his bold pledge to seek a world free of nuclear weapons by declaring that the "sole purpose" of the U.S. arsenal is to deter other nations from using them? Or does he embrace a more modest option, supported by some senior military officials, that deterrence is the "primary purpose"?

The difference may seem semantic, but such words, which will be contained in a document known as the Nuclear Posture Review, have deep meanings and could dramatically shift nuclear policy in the United States and around the world. The first option would scale back the arsenal's war-fighting role, potentially leading to a smaller U.S. stockpile and taking weapons off alert. The second option would be less of a change, holding out the nuclear threat but still permitting a reduction in weapons. The president was briefed on the document this week and requested additional intermediate options, officials say.

Senior administration officials have already indicated the review is likely to roll back some Bush policies, such as threatening the use of nuclear weapons to preempt or respond to chemical or biological attacks. The review will also point to new ways to cut the Pentagon's stockpile of roughly 5,000 active nuclear warheads, they say.

But, officials say, after lengthy debate, Obama's aides have rejected some of the boldest ideas on the table, such as forswearing the option to use nuclear arms first in a conflict, or dropping one leg of the "triad" of bombers, submarines and land-based missiles that carry the deadly weapons.

Obama's decision on the sensitive issue of U.S. "declaratory policy," U.S. officials and outside experts say, will help determine whether the document is regarded as a far-reaching shift from the Bush administration's version released in 2001. Lower-level officials trying to craft the language engaged in fierce discussions about how far and fast the administration could alter course without alarming allies.

The Nuclear Posture Review is done at the start of each administration, and influences budgets, treaties and weapons deployments and retirements for five to 10 years. Expectations for this one have been raised because of Obama's pledge last year to "put an end to Cold War thinking" and move toward global disarmament -- a vision that helped win him a Nobel Peace Prize.

The review, more than a month overdue, reflects the tension in seeking to advance the president's sweeping agenda without unnerving allies who depend on the U.S. nuclear "umbrella." The Pentagon is also wary of losing options in a world with emerging nuclear threats from North Korea and Iran, officials say.

Until recently, Obama generally has not intervened in the Pentagon-led process, which also involves officials from the State Department, the Energy Department and other agencies. That has raised concerns among arms-control advocates that the final product will be a cautious bureaucratic compromise.

"This NPR will be sort of the bell toll," said Stephen Young of the Union of Concerned Scientists. "It will signal the direction. Will the president try to push that agenda?"

U.S. diplomats hope the final document will establish the Obama administration's credibility before a nuclear security summit in April and a crucial meeting in May on the fraying global nuclear Non-Proliferation Treaty. That treaty is at the heart of Obama's strategy to combat the most urgent threat today: the spread of nuclear weapons to unstable states and to terrorists. The last such session in 2005 ended in failure, with many countries accusing the Bush administration of trying to scotch their nuclear programs while maintaining one of the world's most massive stockpiles.

"The United States can't go around and ask others to give up their nuclear weapons while we maintain a list of official purposes for our nuclear weapons" that necessitates a large arsenal, said Jan Lodal, a senior Defense Department official in the Clinton administration.

The review comes as the U.S. military's precision-guided, conventional weapons have gained such accuracy that they can handle many threats assigned to nuclear weapons in the past.

But U.S. allies are divided about Obama's vision. New governments in Germany and Japan have embraced it, but some nations are more skeptical. "A country like ours, with a very special experience with its own history, we are maybe more cautious than some other countries," said Petr Kolar, the Czech ambassador, referring to past Soviet domination.

Kolar said big policy changes -- like promising not to use nuclear weapons first in a crisis -- could embolden other nuclear-armed powers. "My personal perspective is . . . we shouldn't actually lose the instruments we so far have," he said. "What's the change that would be gained by that?"

Another European ambassador said the nuclear review broke ground in even contemplating such a pledge. But he said it was unlikely while NATO was engaged in a major study of its strategy, due out this fall.

Pentagon officials worry that allies like Japan or Turkey could decide to develop their own nuclear weapons if they believed U.S. protection wasn't assured. Skeptics -- both Democrats and Republicans -- also question whether pledges to limit the U.S. nuclear role would have the impact claimed by proponents , since foes probably wouldn't believe such assertions. "We're better off when we communicate that all options are on the table," said Thomas Mahnken, a senior Defense Department official in the Bush administration. "As a practical matter, they are."

More than two dozen Democrats, led by Sen. Dianne Feinstein (Calif.), chairwoman of the Intelligence Committee, have pressed Obama to adopt language saying the "sole" or "only" purpose of U.S. nuclear weapons is deterrence. It would not prevent the U.S. government from using a weapon first but would de-emphasize that option in planning.

The Bush administration's 2001 Nuclear Posture Review pledged to reduce the Cold War role of nuclear weapons. But it discussed planning to build new types of "bunker-buster" warheads. It also proposed developing the U.S. nuclear stockpile based not on potential enemies' actual threat but their future capability to carry out nuclear, chemical or biological attacks.

As part of his "declaratory policy," Obama will have to consider whether to break with the Bush and Clinton administrations' studied ambiguity about whether the United States would use nuclear weapons to respond to chemical or biological attacks planned by non-nuclear countries.

The president is expected to adopt that change, but with an important caveat, officials said. The new policy would drop that threat only for countries in compliance with the Non-Proliferation Treaty, and thus not working on their own bomb.

The immediate effect of such a policy would be limited, since the potential aggressors that most concern the United States are nuclear powers or accused treaty violators like Iran. But the move could encourage other countries to stick to the rules of that pact, officials said.

"It would be a significant pulling back of the reach of the nuclear sword," said Hans Kristensen of the Federation of American Scientists.

One senior official said the review will "point to dramatic reductions in the stockpile" in coming years.

In particular, the review will push for beefing up America's deteriorating weapons complex and nuclear labs so that the Pentagon can be more certain of its weapons' effectiveness, officials said. That shift will allow the Defense Department to get rid of some of the roughly 2,000 nuclear warheads it keeps as backups, in addition to its nearly 3,000 deployed weapons, officials said. There are also more than 4,000 older, inactive warheads in the queue for dismantlement.

It is not yet clear whether such reductions would be part of a formal treaty with Russia, one official said, speaking on the condition of anonymity.

1749) Brazil and Iran at the UNSC - Matias Spektor

How to Read Brazil's Stance on Iran
Matias Spektor, Visiting Fellow
First Take, Council of Foreign Relations, March 4, 2010

The obstacles to U.S. efforts to tighten UN sanctions against Iran were apparent in Secretary of State Hillary Clinton's March 3 meetings in Brasilia. President Luiz Inacio Lula da Silva said, "It is not prudent to push Iran against the wall," and Foreign Minister Celso Amorim called sanctions potentially "counterproductive."
While Brazil is not a permanent member of the UN Security Council and cannot veto resolutions, as a holder of a temporary seat, it can either facilitate or complicate consensus. Equally important, Brazil will play a role in ensuring that sanctions, if passed, get implemented successfully due to its activism inside the UN, the International Atomic Energy Agency (IAEA), and in various informal groups.
There are three major factors behind Brazil's posture on Iran today. First, in the eyes of Brazilians, sanctions may well be a prelude to intervention. Amorim in the past few days has warned that the last time the Security Council voted on the basis of inconclusive evidence, the world ended up with a major illegitimate intervention in Iraq that undermined the principle of collective security.
Second, Brazil believes sanctions will only toughen the Iranian stance. Pressure and isolation, the argument has it, will create a major incentive for Tehran to seek a deterrent. Brazil is well acquainted with the rationale: in the face of U.S. opposition to its own civilian nuclear program back in the 1970s, Brazil set up secret nuclear activities that eventually succeeded in developing indigenous enrichment capacity. It took Brazil over a decade after that to sign up to the Nulcear Nonproliferation Treaty. As a high-ranking official in Brasilia recently said, "When Brazil looks at Iran it doesn't only see Iran, it sees Brazil too."
Third, Brazil sees debates over Iran's nuclear program as an opportunity to make a broader argument about the nonproliferation regime. In Brazilian eyes, the regime has become a politically driven tool in the hands of the United States to selectively "lay down the law" on weaker states. Why, Brazil argues, the fuss over Iran when Israel remains in a state of nuclear denial? And why does a member of the NPT like Iran get punished for allegedly seeking civilian enrichment technology, when India, which has chosen to remain outside the regime and challenge it overtly, gets a big reward from Washington instead? Furthermore, why expect compliance with Western preferences in the NPT if the major nuclear powers have been unable to honor their part of the deal and move decisively toward disarmament?
But while Brazil may try to blunt the sharper edges of what its officials see as U.S. hegemony, it will not undercut broader U.S. nonproliferation interests. On the contrary, it may well help advance them in consequential ways, such as helping build support in the developing world for a more efficient and legitimate regime.
And Brazil's attitude shouldn't be seen as a bout of anti-Americanism either. As a major beneficiary of collective security as we know it since 1945, Brazil is not a challenger of the American worldview. But as an emerging country with a long history of frailty and dependence, it seeks protection and hedging against great-power use of international norms to impose their will on weaker nations.
What can we expect then? Brazil's attitude is to wait for hard proof of a weapons programs underway in Iran--from a Brazilian perspective, existing evidence is not sufficient. If such fears were to be confirmed, though, there is no doubt that Brazil would move fast to condemn Iran.
Also, and significantly, officials in Brasilia on March 3 signaled their voting behavior in the Security Council is far from preordained. The door is open to negotiation, and it would be a mistake for Washington to dismiss Brazil's support at this stage.

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