sábado, 5 de novembro de 2011

Mon sejour en France (2): explicando fracasso de Cannes

Postando aqui um artigo analítico sobre o fracasso da cúpula de Cannes e a liderança de Sarkozy: faltou falar das primeiras tentativas reformistas de Sarkozy, não só "reformar Bretton Woods", o que por si só já seria impossível, como, ainda mais lunático, controlar os mercados de commodities de par le monde, o que, além de impossível, já seria altamente prejudicial ao Brasil.
Mas, enfim, o mundo é assim mesmo: difícil de reformar.
A França, então, não é difícil: simplesmente impossível. Melhor desistir...
Paulo Roberto de Almeida 


Rescuing Cannes from failure
November 3, 2011

After George Papandreou’s surprise decision to ask the Greek people if they would prefer five years of austerity or five years of austerity with a side order of chaos, Nicolas Sarkozy’s best-laid plans for Cannes have had to be, well, canned. He launched his presidency of the Group of 20 leading nations with calls for a new Bretton Woods – a wholesale reconstruction of the international monetary system – and a global plan for renewed growth. Even though the referendum has now been scraped, these grand French aims, some of which were unrealistic anyway, will inevitably take second place to the eurozone’s worsening agonies. Cue the visiting Americans and Chinese calling on the Old Continent to get its act together.
That is unfortunate, and Mr Sarkozy should try to wrest at least part of the agenda back on to the longer-term issues. Behind the scenes, on the lower slopes below the summit, a group of ‘sherpas’ have been working hard. There has been little appetite for fundamental reform a la française. The so-called mutual assessment process, which was supposed to lead to a set of indicators to measure global imbalances, and promote action to correct them, has run into predictable opposition from China, in particular.
But something could be rescued from the wreckage. Of course there will have to be a general commitment to sustaining economic growth. It will only be of value, however, if it is buttressed by specific commitments to strengthen the resources of the International Monetary Fund (and the European financial stability facility) to provide help to the walking wounded, whose problems threaten to derail the summit and, more importantly, the global economy. There is a clear common global interest there, and sometimes peering into the abyss, as the summiteers are now doing, can shift entrenched positions.
A British-led group has been working on unglamorous issues surrounding the Financial Stability Board, proposing that it be given a legal identity and added teeth. That would be a step forward. There are clear signs that the early enthusiasm for global regulatory agreements has dissipated, with many countries going their own way, creating damaging uncertainty in financial markets. That is partly because, between summits, there is no sustained global leadership.
Another group has been working on infrastructure finance. There is a huge need today for investment in transport networks and energy generation in particular. When long-term interest rates are so low there must be some positives from reconnecting finance with investment needs.
We cannot expect an earth-shattering headline deal from Cannes. But often the Palme d’Or winner at the film festival is a disappointment, while some of the second rank offerings can be rewarding, and longer-lasting. That may be the best we can expect this weekend. Ce n’est pas magnifique, but it’s the nature of the economic war we’re in.

The writer is professor of practice at Sciences Po in Paris, and former chairman of the Financial Services Authority, former deputy governor of the Bank of England and former director of London School of Economics.

O fardo do mulato inzoneiro...(estamos precisando de um Kipling tropical...)

A propósito deste meu post: 

O Brasil no NYTimes: imperialismo regional?




um leitor habitual relembrou-me o famoso poema de Rudyard Kipling, sobre as agruras do homem branco, tentando trazer um pouco de civilização aos bárbaros que os imperialistas britânicos colonizavam nos cafundós da África e nos buracos sujos da Ásia.
Nada de errado em postar aqui o poema completo, nem que fosse pelas virtudes propriamente literárias, esquecendo completamente suas perversões colonialistas e imperialistas, suas ilusões civilizatórias e sua carga de horrores tropicais para almas sensíveis europeias.
Mas a carga do "mulato inzoneiro", como diz meu correspondente, nem de perto passará pelas "savage wars of peace", que os nossos bravos soldados não estão aí para isso, mas podem sim enfrentar "The blame of those ye better" e "The hate of those ye guard", que para isso servem os ressentimentos de todos os coitadinhos em face dos mais bem sucedidos.
Pode-se relembrar, também, que o título do poema de Kipling também foi usado por William Easterly em seu livro - The White Man's Burden -- sobre a inanidade da ajuda ocidental aos povos ditos subdesenvolvidos, com o dinheiro da assistência indo parar em bancos ocidentais e toda a corrupção pervertendo o processo de cooperação ao desenvolvimento.
Eu até diria que o Brasil segue o caminho, e o fardo, do Homem Branco, ao tentar fazer bondades no Terceiro Mundo, colocando dinheiro em diversos projetos de desenvolvimento que, na verdade, representam uma gota d'agua no oceano das necessidades, fazendo em certos países o que por vezes se deixa de fazer aqui dentro.
Paulo Roberto de Almeida 


Rudyard Kipling:
The White Man's Burden
(ca.1899).



"Take up the White Man's burden--
Send forth the best ye breed--
Go bind your sons to exile
To serve your captives' need;
To wait in heavy harness,
On fluttered folk and wild--
Your new-caught, sullen peoples,
Half-devil and half child.

"Take up the White Man's burden--
In patience to abide,
To veil the threat of terror
And check the show of pride;
By open speech and simple,
An hundred times made plain
To seek another's gain.

"Take up the White man's burden--
The savage wars of peace--
Fill full the mouth of Famine
And bid the sickness cease;
And when your goal is nearest
The end for others sought,
Watch sloth and heathen Folly
Bring all your hopes to nought.

"Take up the White man's burden--
No tawdry rule of kings,
But toil of serf and sweeper--
The tale of common things.
The ports ye shall not enter,
The road ye shall no tread,
Go mark then with your living,
And mark them with your dead.

"Take up the White Man's burden--
And reap his old reward:
The blame of those ye better,
The hate of those ye guard--
The cry of hosts ye humour
(Ah, slowly!) toward the light:--
'Why brought he us from bondage,
Our loved Egyptian night?'.

"Take up the White Man's burden--
Ye dare not stoop to less--
Nor call too loud on Freedom
To cloke your weariness;
By all ye cry or whisper,
By all ye leave or do,
The silent, sullen peoples
Shall weigh your gods and you.

"Take up the White Man's burden--
Have done with childish days--
The lightly proferred laurel,
The easy, ungrudged praise.
Comes now, to search your manhood
Through all thankless years
Cold, edged with dear-bought wisdom,
The judgment of your peers!"

Occupy Wall Street? Que tal ocupar a mente primeiro, com algumas ideias, por exemplo?

Pedem-me para falar sobre o movimento Occupy Wall Street.
Sim, eu sei, são alunos querendo saber o que eu penso de um movimento, ou de pessoas saindo às ruas para protestar contra tudo isso que "está aí", ou seja, a crise, e o desemprego, e o aumento de impostos, e a inoperância dos governos, e todas essas injustiças do capitalismo financeiro, etc e tal...
São os tais de 99% da humanidade, protestando, supostamente, contra o 1% dos especuladores, os privilegiados de Wall Street e dos mercados financeiros, que ganham milhões de dólares, enquanto a maioria apenas paga e não recebe nada.


Sinto muito, mas eu não consigo, sinceramente.
Sim, como falar de algo que não existe no plano da lógica, das propostas coerentes, da racionalidade elementar de políticas que funcionam e de outras que simplesmente não funcionam, como falar do nada?
Estão me pedindo muito.
Este blog se dedica a ideias inteligentes, como escrito acima.
Então, esse simples critério já exclui ab initio, como se dizia antigamente, esse tal de movimento, no qual não vejo nenhuma, absolutamente nenhuma ideia inteligente, pois mais que eu me esforce para encontrar alguma.


Desculpem, mas eu preciso de um mínimo de consistência nas ideias para poder escrever algo em volta.
Li, por exemplo, o discurso daquele idiota supremo desse tipo de bobagem, Slavoj Zizek, espremi, espremi, e não consegui achar uma frase, uma ideia que fizesse sentido, para eu poder criticar. Rendo-me à inutilidade de certas coisas. Deixemos que percam tempo com bobagens. Eu vou "perder" o meu tempo com leituras mais agradáveis.


De resto, já me permiti reproduzir aqui um artigo sobre essas manifestações ruidosas que não levam a literalmente nada, a não ser em um pouco de sujeira extra nas ruas e nos parques:

Ocupem Wall Street! Mas tirem os idiotas, por favor...




Para não dizer que não escrevo nada sobre esse tipo de coisa, permito-me reproduzir aqui as consignas que eu bolei para esse tipo de pessoal:

QUINTA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO DE 2011

Pronto, vou ajudar os gregos: vou protestar a favor...

Confesso que começo a cansar de todos esses protestos de indignados, de tantos ocupantes de Wall Street, esses milhares de alternativos, de antiglobalizadores, franceses, gregos, troianos e tutti quanti fazem manifestações ruidosas nas ruas e nas praças, atrapalhando o trânsito, gastando à toa o gás lacrimogenio da polícia, entortando escudos e bastões dos ditos cujos, fazendo buracos nas calçadas com todos esses paralepípedos arrancados, enfim (enfins, diria uma professorinha da UnB), estou começando a cansar com toda essa bagunça monumental, essas passeatas ruidosas, apenas e tão somente para protestar contra tudo isso que está aí (e não é pouca coisa, não é mesmo?).
Por isso mesmo vou me colocar a favor de todo esse pessoalzinho miúdo -- e alguns nem tão miúdos assim, já que bem alimentados e barrigudinhos, como aquele filósofo esloveno confuso e idiota -- e vou sugerir alguns novos slogans, para que eles possam desfilar pacificamente, sem precisar brigar com a polícia, sem sequer precisar atirar um único pedregulho, sem se cansar -- afinal de contas, os gregos são os baianos da Europa -- e sobretudo sem precisar ser do contra (como eu mesmo sou, invariavelmente).
Meus slogans são de manifestações A FAVOR, sempre propondo coisas sensatas e razoáveis.
Vamos lá:

CHEGA de embromação: queremos o direito de não ir ao trabalho uma vez por semana.
STOP agora, a repressão material capitalista: pela elevação espiritual socialista.
QUEREMOS receber sem trabalhar: temos os mesmos direitos dos políticos.
PRECISAMOS de mais políticas setoriais, em todos os setores, mesmo redundantes.
ADORAMOS a política agrícola comum (vulgo "loucura agrícola europeia").
PEDIMOS mais gastança estatal, mais estímulo ao crescimento.
AMAMOS os Estados, sobretudo os soberanos, os mais ativos e onipresentes.
CONTRA a privatização das necessidades; pela socialização das capacidades.
NÃO MAIS manifestações sem distribuição de sorvete e água gelada.
BASTA DE GREVES, queremos ficar dormindo em casa.
MANIFESTANTES E POLICIAIS: unidos, jamais serão vencidos!
MENOS PASSEATAS, mais amor.
POR ASSEMBLEIAS com ar condicionado.
QUEREMOS DESEMPREGO, com seguro em dobro...
CHINESES: comprem nossas ilhas, nossos vignobles, nossos chateaux, fiquem com tudo.
AMERICANOS: despejem vossos dólares, eles são bem vindos.
BRASILEIROS: mandem-nos seus corruptos, eles são os melhores do mundo...

Pronto, acho que já está bem assim: gregos, helênicos, macedônicos, troianos, 300 de Esparta e outros Ulisses perdidos em tantas manifestações simultâneas, agradecem.
Por nada...
Paulo Roberto de Almeida 

Mon sejour en France (1): preparando o terreno (economico)...

Muita gente já sabe, mas para quem não sabe anuncio agora: vou passar o primeiro semestre de 2012 na França, dando aulas de mestrado e doutorado na Universidade de Paris 3, Sorbonne (Institut de Hautes Etudes de l'Amérique Latine), no segundo semestre do ano acadêmico 2011-2012, que vai de Fevereiro a Maio. Serão dois cursos simultâneos, um comparando as políticas externas de FHC e Lula, o outro tratando da inserção do Brasil na globalização. Já estão prontos, estou apenas separando o material de leituras, para não dar virtudes dormitivas aos alunos...
Nada mau ficar quatro meses em Paris, com uma eleição presidencial no meio de tudo, e a crise econômica subjacente a todos os movimentos políticos e econômicos. Tudo o que eu gosto de fazer: ler, dar aulas, escrever, passear, descansar, viajar, enfim, flâneries à Paris, en France, ailleurs.
Por isso pretendo iniciar uma série especial, dentro deste blog, exclusivamente dedicada a esse séjour francês (não exclusivamente, pois pretendo viajar, cada vez que puder). Aqui colocarei material de imprensa e textos próprios, de cunho informativo, analítico ou simplesmente de interesse acadêmico ou turístico, até gastronômico (pois ninguém é de ferro).
Começo com as notícias do momento: crise econômica e medidas de política econômica do governo francês, o que também vai servir de reflexão, para saber o que se pode, se deve, ou não, fazer, em termos de ajustes ao quadro de crise econômica e financeira internacional, especificamente europeia, e um pouco francesa também (já que o país é impossível a reformar, e não consegue deixar de amar o Estado, um pouco como no Brasil).
Veremos como a conjuntura evolui, aqui e lá, com destaque para as ações e iniciativas dos governantes, que, aqui como lá, fazem demagogia política e só tomam medidas quando pressionados pelos eventos.
Paulo Roberto de Almeida

Plan de rigueur : une deuxième journée de solidarité serait à l'étude

LEMONDE.FR avec AFP et Reuters | 04.11.11 | 18h05   •  Mis à jour le 05.11.11 | 15h20
François Fillon à l'Elysée le 28 octobre.
François Fillon à l'Elysée le 28 octobre. AFP/LIONEL BONAVENTURE
Selon une source parlementaire, le premier ministre tiendra lundi une conférence de presse à l'issue du conseil des ministres, prévu à 10 heures. Ce conseil des ministres remplace celui de mercredi, annulé pour préparer le G20, a confirmé vendredi Nicolas Sarkozy à Cannes.
François Fillon avait déjà annoncé un plan d'économies le 24 août. La prévision de croissance pour 2012 ayant été abaissée la semaine dernière de 1,75 % à 1 %, les pouvoirs publics ont dû trouver six à huit milliards d'euros pour permettre à Paris derespecter ses objectifs de réduction de déficits. "Le budget 2012 sera l'un des budgets les plus rigoureux que la France ait connu depuis 1945. Grâce à ces efforts, nous restons l'un des dix pays au monde avec la meilleure crédibilité financière", a déclaré le premier ministre à l'occasion de l'assemblée générale des maires de Haute-Savoie, à Morzine.
UNE DEUXIÈME JOURNÉE DE SOLIDARITÉ ENVISAGÉE
Bercy a laissé entendre à plusieurs reprises qu'un relèvement de la TVA dans certains secteurs qui bénéficient d'un taux réduit à 5,5 %, comme la restauration, la construction ou les services à la personne notamment, était à l'étude.
Selon les informations du Journal du dimanche, confirmées de sources gouvernementales à l'AFP, une nouvelle journée de solidarité serait à l'étude. Elle s'ajouterait à celle mise en place en 2004 après la canicule de l'été 2003. Cette journée consiste en un jour de travail non rémunéré, dont les fruits financent la prise en charge des personnes âgées et handicapées. Initialement fixée au lundi de Pentecôte, la journée de solidarité, qui a rapporté 2,4 milliards d'euros en 2010, est depuis 2008 organisée "à la carte".
La ministre du budget, Valérie Pécresse, a toutefois récemment souligné que le gouvernement privilégierait les économies de dépenses. Le ministre des affaires étrangères, Alain Juppé, a laissé entendre pour sa part que les personnes aux revenus les plus modestes seraient épargnées. 

"Temos que nos proteger. Não é protecionismo..." -- ???? Confesso que nao entendi

A presidente, sempre clara em suas preleções, disse duas coisas dignas de nota: 
1) "Temos que nos proteger. Não é protecionismo, mas cada um faz o que pode."
2) "Nós temos uma taxa, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Nós não somos contra a taxação global. Se todos os países adotarem uma taxa, o Brasil não é contra. Se tiver uma taxa global, o Brasil adota também. Tem países que são contra, porque fazem das finanças seu melhor negócio."
Primeiro transcrevo a matéria, depois faço meus comentários: 



Dilma reclama do câmbio chinês e não dará dinheiro a fundo europeu
Deborah Berlinck
O Globo, 5/11/2011


CANNES (França). A presidente Dilma Rousseff queixou-se ontem que passa “o tempo todo” reclamando do câmbio desvalorizado da China, mas que não tem como obter garantias dos chineses nem “de ninguém” que esta situação vá mudar. O yuan desvalorizado criou uma vantagem competitiva extra para os produtos chineses, que estão chegando de forma crescente ao mercado brasileiro, sob protestos da indústria nacional. O país asiático já é o maior parceiro comercial do Brasil.
— Passamos o tempo inteiro dizendo isso, que não pode ser assim, que tem que mudar. Não somos só nós a falar isso — disse a presidente.
Dilma, que se encontrou com o presidente chinês Hu Jintao em um reunião privada, paralela à cúpula do G-20 (maiores economias do mundo), disse que é por causa do câmbio chinês que o Brasil tem insistido na Organização Mundial do Comércio (OMC) que as discussões sobre livre comércio “passam pela questão do câmbio”.
— Temos que nos proteger. Não é protecionismo, mas cada um faz o que pode — disse Dilma ontem. No encontro com Hu Jintao, ela teria pedido que a relação comercial seja baseada na agregação de valor também para os produtos comprados do Brasil.
Ajuda pelo FMI é mais garantida, diz presidente
A presidente Dilma descartou ontem qualquer possibilidade de o Brasil participar do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) — criado para ajudar os países europeus em crise. Ela reafirmou que o país só vai ajudar por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI). E explicou o motivo, sem rodeios:
— Eu não tenho nenhuma intenção de fazer uma contribuição direta para o Fundo de Estabilização Europeu. Por que? Nem eles (os europeus) têm… por que eu teria? — indagou.
Dilma disse que a opção do Brasil pela ajuda via FMI é simples: o Fundo Monetário, ao contrário do fundo europeu (que é privado), dá garantia total. E como a ajuda é feita com reservas brasileiras — ou seja, dinheiro do contribuinte — não se pode arriscar.
A respeito da taxação sobre operações financeiras — uma das bandeiras do governo francês na presidência do G-20 — Dilma explicou porque o Brasil retirou sua oposição à proposta:
— Nós temos uma taxa, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Nós não somos contra a taxação global. Se todos os países adotarem uma taxa, o Brasil não é contra. Se tiver uma taxa global, o Brasil adota também. Tem países que são contra, porque fazem das finanças seu melhor negócio.
A taxa global sobre operações financeiras, entretanto, está longe de ser aprovada pelo G-20. A proposta, contudo, tem ganhado mais adesões, como o Brasil.
Dilma pede adiamento de 16 dias para início da Rio+20
O governo brasileiro pediu ontem o adiamento da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, dos dias 4 a 6 de junho para 20 a 22 do mesmo mês, no ano que vem. A presidente Dilma Rousseff afirmou que a mudança tem por objetivo garantir a presença de chefes de Estado e de governo no Rio de Janeiro.
— Nos dias em que estávamos prevendo a Rio+20, haverá a comemoração dos 60 anos da coroação da rainha Elizabeth II. Qual é o problema que isso acarreta? Os países da área do Commonwealth não iriam à Rio+20 — disse a presidente. — Além disso, os países da Ásia pediram para que a gente fizesse aproximar (a Rio+20) do próximo G-20, que será no México, nos dias 18 e 19 de junho.
Com o adiamento da Rio+20, Dilma espera que as lideranças dos países do G-20 possam sair do México e vir para o Brasil participar da conferência.
— A proposta foi um consenso entre o Brasil e a ONU, entre mim e o (secretário geral da ONU) Ban Ki-moon — disse Dilma.



Agora vamos examinar esta duas frases da presidente:
1) "Temos que nos proteger. Não é protecionismo, mas cada um faz o que pode."
Confesso que não entendi. Tampouco entendo como, falando nisso (ou seja, desequilíbrio comercial entre o Brasil e a China) o tempo todo, a situação venha a mudar, apenas por "influência" das palavras.
Pode ser que as palavras, nesse mundo bizarro da política, tenham um poder muito maior do que ações concretas, tomadas no plano das atividades industriais e comerciais, mas acho que não vai adiantar muito só falar.
Quem sabe diminuindo o custo Brasil e expondo as empresas à competição a situação melhore um pouco?


2) "Nós temos uma taxa, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Nós não somos contra a taxação global. Se todos os países adotarem uma taxa, o Brasil não é contra. Se tiver uma taxa global, o Brasil adota também. Tem países que são contra, porque fazem das finanças seu melhor negócio."
Confesso que essa eu também tampouco entendi. Acho que a presidente tem um raciocínio econômico um pouco falho, para não dizer completamente maluco. Senão vejamos.
Temos o IOF, claro, mas ele é feito para evitar o excesso de fluxos exclusivamente financeiros entrando no Brasil, que podem multiplicar o meio circulante, causar inflação e "aproveitar" nossas taxas de juros excessivamente altas (mas aqui os culpados somos nós mesmos, certo?; se oferecemos taxas generosas de juros aos emprestadores de capital, depois não podemos reclamar que eles chegam justamente para aproveitar isso).
Mas o assunto agora é adotar não mais um imposto interno (que isso podemos e sabemos fazer como ninguém), e sim uma regra multilateral, não determinada por nós, de taxação sobre capitais financeiros sabe-se lá com quais alíquotas, para quais tipos de capital, e com qual destinação, exatamente. Ou seja, IOF somos nós que aplicamos, quanto e quando assim o decidirmos. Taxa Tobin, ou qualquer outro nome, seria uma baliza comum, ao qual o Brasil aderiria. Mas por que, e com quais objetivos?
A mim, me parece completamente estapafúrdia a ideia. Se nos abrimos a capitais financeiros, é porque, supostamente, precisamos acolher capitais, de todos os tipos: IED, aplicações em bolsa, ou emissões globais, ou seja, empréstimos soberanos.
Que diabos teríamos como vantagem taxar esse capital que queremos atrair?
Confesso que não entendi.
Se os países europeus pretendem taxar esses fluxos porque os governos irresponsáveis gastaram muito dinheiro do contribuinte, já não conseguem arrecadar mais por meio de impostos sobre a população, e decidem então tirar uma casquinha do sistema bancário (que será paga pelos contribuintes e usuários do sistema, não tenham dúvida disso), que diabos teríamos nós como interesse seguir a mesma política de taxação?
Por que deveríamos dar um tiro no pé apenas por que outros o estão fazendo?
Política maluca essa...
Me parece que certos dirigentes não pensam antes de falar...
Mas isso é o próprio de políticos...
Paulo Roberto de Almeida 

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