domingo, 27 de novembro de 2011

Commanding Heights - Daniel Yergin, Joseph Stanislaw

Meu correspondente benévolo, sempre interessado em melhorar o meu conhecimento e o dos meus leitores, me envia os links para uma série televisiva que eu já utilizo, em DVD, em minhas aulas.
Mas, seguem as recomendações para a série"


Commanding Heights:The Battle for the World Economy


-EPISODE ONE:"THE BATTLE OF IDEAS"(19 Chapters)

-EPISODE TWO:"THE AGONY OF REFORM"(21 Chapters)

-EPISODE THREE:"THE NEW RULES OF THE GAME"(23 Chapters) 

Podem assistir, eu recomendo...
Paulo Roberto de Almeida 

Ah, bom! Entao nao eram os mercados, mas os governos, os responsaveis pela bagunca??!!...

Nos últimos três ou quatro anos, desde o agravamento da crise imobiliária nos EUA, e a contaminação europeia no seguimento, dezenas de "entendidos" nos bombardearam os ouvidos, entre eles um dirigente que acha que pode dar lições de economia a todos e a cada um, com a conversa de que os culpados (quem mais poderia ser?) eram os mercados, os especuladores de Wall Street, os loiros de olhos azuis, enfim, os suspeitos de sempre.
Agora, ao que leio na imprensa -- não em artigos de opinião, mas em simples matérias de fato, objetivas -- é que vão criar novas regras mais estritas para os governos: 

Euro terá regras orçamentárias mais duras, diz ministra francesa

PARIS - As principais potências da zona do euro devem implementar um novo pacto de governança que impõe regulações orçamentárias mais estritas e sanções reais para países que ferirem o acordo. Os governos esperam que a proposta ajude a restaurar a confiança dos mercados financeiros no bloco.

Então, eu concluo, os governos tem algo a ver com a crise, e não são só os mercados...
Aliás, os governos esperam que essas medidas possam restaurar a confiança dos mercados nos governos.
Mas que malandros: eles só estão fazendo isso para enganar os mercados. Quando estes estiverem calmos outra vez, eles vão aproveitar para continuar a gastar mais do que devem...
Espertinhos esses governos. Mas acho que os mercados são mais espertos. Afinal de contas, eles sempre vencem.
E não importa se alguns políticos se referem depreciativamente à "ditadura dos mercados".
Pois é: os mercados sempre se vingam.
E mais uma coisa: os mercados NUNCA se enganam, pela simples razão de que ninguém dirige os mercados. São as pessoas que fazem os mercados se moverem, e os mercados simplesmente seguem as pessoas.
Quando lhe disserem que os mercados são incapazes de se corrigirem a si mesmos, responda ao espertinho: "Engano seu, meu caro. Os mercados SEMPRE corrigem a realidade, já que eles se colam à realidade. São os políticos que vivem num mundo de ilusões...".
Vivendo e aprendendo...
Paulo Roberto de Almeida 

Socialismos do seculo XX: as mistificacoes (algumas continuam)

Como demonstra, sintética e magistralmente Leôncio Martins Rodrigues, todos os socialismos, sem exceção, TODOS, foram operações montadas por minorias, que engabelaram as massas e os próprios intelectuais que pretendiam apoiar causas nobres (justiça social, igualdade, etc...).
Todos eles, sem exceção, TODOS, foram ditaduras sanguinárias, que só se sustentaram durante tanto tempo na base da censura, da repressão, algumas vezes do terror.
Quando é que os socialistas sinceros (existem muitos, mais ainda os do gênero ingênuos) vão aprender que eles fazem parte de uma obra de mistificação?
Aqui também, usada para enriquecer alguns, os mafiosos, a custa dos muitos, em especial dos capitalistas...



Um caminho diferente?
Leôncio Martins Rodrigues. 
O Estado de S.Paulo, 27 de novembro de 2011

Com a transferência do poder para o irmão mais moço, Raúl, Fidel Castro deu aparência de sobrevida ao socialismo cubano. Mas o que acontecerá quando o comandante supremo morrer? A resposta é fácil: desaparecerá, como aconteceu com todos os regimes socialistas que foram implantados no século 20 (a exceção está sendo a Coreia do Norte, talvez porque o herdeiro continue vivo).
Marx profetizara que regimes socialistas seriam resultado do próprio desenvolvimento das forças produtivas e da ação revolucionária da classe operária. O próprio jogo do mercado levaria à crise do capitalismo e à revolução proletária. Mas o socialismo nunca foi uma fatalidade econômica. Resultou sempre de um ato de vontade política de chefes, comandantes ou guias que visavam o poder total.
É claro - para reservar algum espaço para o materialismo histórico - que certas "condições objetivas e subjetivas" são necessárias para o êxito de ações revolucionárias. Uma delas é a hegemonia, na sociedade, de sistemas de valores que deixam pouco espaço para uma cultura cívica, para o individualismo, para o empreendimento e para a cidadania. Junto vêm a adoração do Estado e a crença de que as sociedades mudam por decreto.
Examinemos, a voo de pássaro, o aparecimento dos regimes socialistas mais importantes do século passado.
O primeiro, naturalmente, é o da Revolução de Outubro, na Rússia. A mistificação comunista transformou em revolução operária e camponesa o levante armado bolchevista de 1917. A decisão do assalto ao poder, com data marcada de antemão, foi decidida por dez pessoas na famosa reunião do Comitê Central de 10 de outubro (calendário russo). No dia 24, o Governo Provisório foi derrubado por um golpe militar dirigido pelo partido bolchevique. Não houve nenhuma participação popular, apenas uma gigantesca bebedeira em Petrogrado (então capital russa, atual São Petersburgo): a adega do czar caíra em poder dos soldados.
O segundo caso de socialismo que cumpre mencionar é o da China Popular. Também nesse caso a classe operária esteve ausente. Foi o exército revolucionário dirigido pelo Partido Comunista chinês que, em 1948, implantou o novo regime, sob a chefia do "grande timoneiro" Mao Tsé-tung.
No caso das democracias populares da Europa Oriental, o socialismo foi imposto de fora, pela União Soviética (URSS). A exceção foi a Iugoslávia. Mas não surgiu de uma revolução operária ou sublevação popular, mas da guerrilha liderada pelo general Josip Tito. No Vietnã o socialismo veio também pela via guerrilheira de Ho Chi Minh.
O caminho que levou ao socialismo cubano não diferiu essencialmente dos seus congêneres europeu e asiático. Em 1953, com apenas 113 combatentes, Fidel Castro organizou a sua primeira tentativa de chegar ao poder. O assalto aos quartéis de Moncada e Bayamo malogrou. Mas Fidel não desanimou. Em dezembro de 1956, com 81 homens, tentou novamente.
Explicitamente pelo menos, a meta castrista não era eliminar o capitalismo, mas derrubar a ditadura do ex-sargento Fulgencio Batista, que não era visto com simpatia pela elite cubana. Por isso os democratas cubanos, boa parte da classe alta (de onde provinha o próprio Fidel), e até mesmo a opinião pública dos Estados Unidos apoiaram a luta anti-Batista. O socialismo foi implantado pelas costas do povo. À noite, na residência de Che Guevara, um pequeno grupo preparou secretamente os decretos de estatização da economia e de transformação de Cuba num país socialista. Quando o trabalho terminou, todo o poder fora transferido para Fidel.
Deixando de lado a mistificação ideológica, o modo de implantação do socialismo é o mesmo em toda parte. Primeiro, sob a chefia de um líder supremo, um pequeno grupo de aventureiros (intelectuais revolucionários, na maioria) dirige o assalto do poder. Depois, constrói-se o socialismo. Nunca o novo regime resultou da chamada "ação das massas". Manifestações populares de apoio vêm posteriormente, sob a farsa da democracia direta.
A esquerda vê em mobilizações feitas de cima, depois da tomada do poder, a prova do apoio ao regime e de seu lado popular. Acontece que na época da política de massas, para dar alguma legitimidade a ditadores que se levantam contra as elites tradicionais, grandes mobilizações devem ser realizadas. Benito Mussolini foi um dos primeiros a usá-las. Getúlio Vargas e outros souberam imitá-lo. Naturalmente, certa distribuição paternalista de benefícios coletivos aos assalariados se deve seguir.
Sem dúvida, há diferenças entre o caso do socialismo cubano e os europeus e asiáticos. Na ilha, o Partido Comunista não teve nenhuma importância, os comandantes guerrilheiros sempre estiveram acima dos apparatchiks comunistas que não lutaram na Sierra Maestra. Na ausência dos intelectuais ou subintelectuais marxistas, as intermináveis discussões ideológicas, como as que existiram na URSS, não ocuparam o mesmo espaço na edificação do socialismo cubano. A mística da revolução substituiu a da classe operária. Por fim, a situação de subdesenvolvimento e a presença próxima dos Estados Unidos propiciavam sentimentos nacionalistas, que não foram fortes nos outros casos.
Trotsky declarou certa vez que sem Lenin não haveria Revolução Russa. Poderíamos dizer também, com muito menos possibilidade de errar, que sem Fidel não haveria socialismo em Cuba. Mas poderá haver após sua morte? Sem o comandante máximo, quanto tempo levará para chegar ao fim o regime que ele criou?
O retorno ao capitalismo, na verdade, começou depois do fim da URSS. Mas, como mostra o exemplo de outros países ex-socialistas, o retorno à democracia é bem mais complicado.

Quem deve a quem, na Europa?- uma teia de devedores e credores

Eurozone debt web: who owes what to whom?
BBC, 18/11/2011


The circle below shows the gross external, or foreign, debt of some of the main players in the eurozone as well as other big world economies. The arrows show how much money is owed by each country to banks in other nations. The arrows point from the debtor to the creditor and are proportional to the money owed as of the end of June 2011. The colours attributed to countries are a rough guide to how much trouble each economy is in.





ABOUT

Click on a country name to see who they owe
Europe is struggling to find a way out of the eurozone crisis amid mounting debts, stalling growth and widespread market jitters. After Greece, Ireland, and Portugal were forced to seek bail-outs, Italy - approaching an unaffordable cost of borrowing - has been the latest focus of concern.
But, with global financial systems so interconnected, this is not just a eurozone problem and the repercussions extend beyond its borders.
While lending between nations presents little problem during boom years, when a country can no longer handle its debts, those overseas banks and financial institutions that lent it money are exposed to losses. This could not only unsettle the home country of those banks, but could, in turn, spread the troubles across the world.
So, in the tangled web of inter-country lending, who owes what to whom? Click on a country in the circle to find out what they owe to banks in other countries, as well to find out their total foreign debt, including that owed by governments, monetary authorities, banks and companies.
Notes on the data: The Bank for International Settlements data, represented by the proportional arrows, shows what banks in one country are owed by debtors - both government and private - in another country. It does not include non-bank debts. Only key eurozone debtors and their top creditors are shown. Although China is known to hold European debt, no comprehensive figures are available.
GDP figures are the latest complete 2010 figures from the IMF. The percentage of gross government debt to GDP is also the latest IMF calculation.
Overall gross external (or foreign) debt is taken from the latest 2011 World Bank/IMF figures and includes all debt owed overseas, including that owed by governments, monetary authorities, banks and companies. Gross external debt per head of population is calculated using the latest medium variant population figures from the UN Population Division.
Read the answers to frequently asked questions here.
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US

GDP: €10.8 tnForeign debt: €10.9 tn
€35,156Foreign debt per person
101%Foreign debt to GDP
100%Govt debt to GDP
Risk Status:LOW
Although the US's overseas debt almost equates to its annual GDP, it is still regarded as a safe bet. However, its credit rating has been downgraded. Although Asia - primarily China and Japan - holds the majority of US debt, Europe has the second largest percentage. This means whatever happens in the eurozone will have a deep impact on the US banking system. Within Europe, the UK, Switzerland and France hold the largest amount of US debt, amounting to hundreds of billions of dollars.

FRANCE

GDP: €1.8 tnForeign debt: €4.2 tn
€66,508Foreign debt per person
235%Foreign debt to GDP
87%Govt debt to GDP
Risk Status:MEDIUM
Europe's second biggest economy is greatly exposed to the eurozone's troubled debtors. Its banks hold large amounts of Greek, Italian and Spanish debt. This is causing market turbulence, especially against a backdrop of faltering French growth and low consumer spending.















Brasil aprende pequenas licoes de imperialismo economico...

Ser imperialista é justamente isso: deter a tecnologia e explorar os outros.
Os chineses já chegaram lá.
Vamos ver quando os brasileiros aprenderão a fazer o mesmo...
Paulo Roberto de Almeida 



China investe somente metade do que diz
Dos projetos do país asiático no Brasil, 25% não saíram do papel e 29% são financiados por grupos de outra nacionalidade
Montadora da JAC Motors na Bahia terá investimento de R$ 900 milhões, 80% bancados pelo sócio brasileiro
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
GUSTAVO HENNEMANN
FOLHA DE SÃO PAULO, Domingo, 27 de Novembro de 2011

A China investe no Brasil só metade do que anuncia. Segundo levantamento da Folha, dos principais projetos de investimento chineses no país, anunciados em 2009 e 2010, 25% não saíram do papel e 29% são, na realidade, investimentos brasileiros ou de empresários de outras nacionalidades.
Tal como a taiwanesa Foxconn, que teve investimentos de US$ 12 bilhões anunciados e recentemente indicou que quer contribuir apenas com a tecnologia, muitos projetos tidos como chineses serão financiados por brasileiros.
Um exemplo é a fábrica da montadora chinesa JAC na Bahia. Do investimento anunciado de R$ 900 milhões, 80% virão do sócio local.
A XCMG-Êxito é outro caso: a brasileira Êxito e a chinesa XCMG assinaram acordo de joint venture em 2010 para construir uma fábrica de retroescavadeiras e escavadeiras hidráulicas em Suape (PE). O projeto está no prazo e a produção deve começar no segundo semestre de 2012.
Mas os US$ 25 milhões de investimentos sairão totalmente do bolso dos sócios brasileiros. "Os chineses por enquanto estão apenas repassando tecnologia", diz José Lacy de Freitas, diretor-presidente da Êxito.
"Apesar do grande alarde, o investimento chinês observado no país efetivamente é muito baixo", afirma Luís Afonso Lima, da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização).
"É uma grande promessa que não se concretizou ainda", diz Lima.
Dos investimentos anunciados e mapeados pela Folha, seis não saíram do papel. A East China Mineral Exploration and Development Bureau assinou uma carta de intenções em março de 2010 para comprar a Itaminas Mineração, do empresário Bernardo Paz, por US$ 1,2 bilhão.
Os chineses vieram ao Brasil fazer o processo de checagem, mas depois foram sumindo aos poucos. "O processo chinês de compra é muito moroso, talvez por passar por estatais", diz Sebastião Ricardo Maciel, assessor de comunicação da Itaminas. "Hoje estamos avaliando outras opções de compradores."
No caso da Guangdong Yuandong, a Prefeitura de Santa Maria (RS) diz que a empresa assinou um protocolo de intenções em 2009 para construção de fábrica de equipamentos de envase e embalagens, um investimento de US$ 10 milhões.
BANHO-MARIA
"Nada foi concretizado, está tudo em banho-maria", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico de Santa Maria, Cezar Augusto Gehm.
Outro negócio anunciado que não saiu do papel foi a compra da Passagem Mineração pela Wisco, negócio de US$ 5 bilhões anunciado em maio de 2010. Dessa vez, não foram os chineses que deram para trás -a família dona da mineradora não chegou a um acordo sobre a venda.
Segundo Alexandre Comin, diretor do departamento de competitividade industrial do Ministério do Desenvolvimento, os asiáticos têm um ritmo mais lento que os ocidentais, são bem mais cautelosos que investidores americanos e europeus.
"Nós já vimos esse filme antes. Quando os japoneses vieram investir aqui, nos anos 80, eles também começavam se associando a brasileiros e resistiam a investir. Depois ficaram mais confortáveis."
Folha analisou 24 investimentos chineses anunciados e compilados nos levantamentos do Conselho Empresarial Brasil-China, do Ministério do Desenvolvimento, do Banco Bradesco, da Sobeet e da Heritage Foundation para checar os projetos em andamento. Há ainda outros cinco projetos relatados, mas que não foram localizados pela reportagem.
Está numa situação ambígua o investimento estimado em US$ 3,5 bilhões da chinesa Wisco na EBX, para construir uma siderúrgica no porto de Açu. As duas empresas assinaram um acordo em abril de 2010.
De acordo com a EBX, o acordo é para "a realização de estudos de viabilidade". A empresa não confirma o valor de investimento.

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