sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Pausa para... poesia - Sá de Miranda, quinhentista

Por acaso participando de um debate, em outro espaço, retruquei uma frase pouco apropriada de um interlocutor. Ele tornou a desviar o foco do debate, atirando no mensageiro -- eu mesmo --, em lugar de se ater aos termos do debate (que estava em torno das famosas reformas de base do Jango).
Qual não foi minha supresa, logo em seguida, ao constatar que o interlocutor apagou todos os seus rastros, suas pegadas, suas frases mal concebidas e mal dirigidas.
Parece que eu fiquei falando comigo mesmo...
Além de me lembrar das famosas fotos com personagens apagados da era Stalin, lembrei-me de um poema famoso, que devo ter lido aos 12 ou 13 anos e do qual nunca me esqueci, pelo menos as quatro estrofes iniciais.
Pois bem, hoje resolvi buscar novamente esse poema, de um poeta quinhentista português, e para isso me dirigi ao Sapo.pt, o buscador lusitano, que para isso foi impecável.
Aqui vai, portanto, o poema inteiro, do qual só me lembrava da parte inicial.
Paulo Roberto de Almeida 

http://www.citador.pt/poemas/comigo-me-desavim-sa-de-miranda

Comigo me DesavimComigo me desavim, 
Sou posto em todo perigo; 
Não posso viver comigo 
Nem posso fugir de mim. 

Com dor da gente fugia, 
Antes que esta assi crecesse: 
Agora já fugiria 
De mim, se de mim pudesse. 
Que meo espero ou que fim 
Do vão trabalho que sigo, 
Pois que trago a mim comigo 
Tamanho inimigo de mim? 

Sá de Miranda, in 'Antologia Poética'
Tema(s): Auto-conhecimento Sá MirandaLer outros poemas de Sá de Miranda
Sá de MirandaPortugal
[Wikipedia]
28 Ago 1481 // 15 Mar 1558Poeta
 

Corrupcao: um empresario contra os empresarios... corruptos - Ricardo Semler

Capitalistas não são santos, nem liberais. São o que são, ou seja, precisam ganhar dinheiro, pois seus ganhos dependem do sucesso, nas condições ambientais que existem. Se um país é perfeitamente isento de corrupção, em ambiente competitivo, ele tem de ganhar dinheiro nessas condições. Um país corrupto até a medula, como parece ser o caso do Brasil, obriga o capitalista a também recorrer a expedientes escusos para sobreviver.
Não creio que ele tenha razão, pois capitalistas não fazem as regras, não escrevem as leis, e dificilmente terão convergência suficiente para aprovar determinadas leis que permitam fazer corrupção. Quem faz isso são os políticos, pressionados ou não por capitalistas, mas a palavra final é a da maioria dos políticos. Se estes se inclinam para a corrupção, assim será.
No caso do Brasil, é o caso, e com o PT é o caso exacerbado. O PT é inerentemente corrupto. Ponto.
Paulo Roberto de Almeida

Nunca se roubou tão pouco
Ricardo Semler
Folha de São Paulo:21/11/14

Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país
Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.
Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.
Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos "cochons des dix pour cent", os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.
Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão --cem vezes mais do que o caso Petrobras-- pelos empresários?
Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?
Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.
Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.
É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.
Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.
Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.
A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.
O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.
É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.
A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.
Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.
Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?
Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.
O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)

Selfie na internet: do Google ao eBay, passando pelo Baidu - Paulo Roberto de Almeida

Ao acionar distraidamente a janela de busca do Firefox -- no Chrome não tem, pois se busca direto na janela de navegação -- descobri que o mundo tem algo mais além do Google, se desdobrando em vários outros instrumentos de busca.
Claro, isso eu já sabia, desde os velhos tempos do Alta Vista e do Lycos, mas agora tem vários outras ferramentas, com o surgimento do Bing da Microsoft, e antes mesmo, do Google Scholar, que simplificou um bocado minhas buscas acadêmicas por artigos específicos.
Quando eu estava na China, ficava irritado pois cada vez que eu procurava algo no Google, era invariavelmente direcionado para o Baidu, em chinês, claro, mas com muita publicidade em inglues de coisas chinesas, algo frustrante, mas compreensível naquele universo orwelliano.
Agora resolvi verificar os mais ativos, e fui obviamente à Wikipedia. Descobri que o irritante Baidu é o segundo mais usado no mundo, mas isso não tem nenhuma importância para nós. A despeito disso, coloquei o meu nome em vários instrumentos de busca, inclusive no Baidu, com algumas variantes, como especificado abaixo: apenas o meu nome, o nome seguido de "diplomata", ou "diplomat", para buscas exclusivamente em inglês, e outras variantes que podem ser verificadas abaixo.
Obviamente deve ter muita repetição, e outros PRAs indevidos, juntos ou separados, a despeito que eu sempre usei aspas, para isolar o nome devidamente (mas esses instrumentos de busca nem sempre obedecem aos requerimentos de busca. E nem sempre estou associado a essa antiga profissão, podendo, ao contrário, estar associado a uma menos antiga, a de professor.
Acabei encontrando inclusive um famoso criminoso homônimno, que abre o Ask.com, mas depois as remissões pareceram corretas. Muitas delas não especificamente o número total de "achamentos", embora isso não seja muito representativo, em virtude, justamente, das repetições ou das falsas atribuições e homonimias.
Termino pelo eBay, onde estou sendo vendido por 33 dólares, ou mais exatamente um livro meu em Francês.
Oh, esqueci de buscar em Francês, ou em espanhol, ou em lusitano (tem o Sapo.pt), mas ficamos só com estas, que já são o bastante.
O melhor instrumento, para mim ao menos, é o Google Scholar, que leva a artigos meus e a artigos onde sou citado, mas não aprofundei as buscas...
Se eu tivesse um instrumento para verificar plágio de meus textos por alunos preguiçosos, certamente teria uma farta colheita, mas tampouco faz alguma diferença...
Selfie, donc...
Paulo Roberto de Almeida


Estatísticas de acesso ao nome "PRA" em instrumentos de busca na Internet
 efetuada em 20/11/2014

“Paulo Roberto de Almeida”, em vários tipos de busca:

Google.com, “PRA”: Aproximadamente 101.000 resultados


Google Scholar em Português, “PRA, diplomata”: About 6,340 results

Google Scholar, English results only, “PRA”: About 240 results

Yahoo, “PRA”: 191,000 results

Yahoo, “PRA, diplomata”: 30,500 results

Bing, “PRA”: 191,000 results

Bing, “PRA, diplomata”: 30,500 results

Baidu.com: 百度为您找到相关结果约212,000
            去掉""获得更多 Paulo Roberto de Almeida 的搜索结果(关于双引号)

Excite, “PRA”: sem resultados consolidados, mas com várias páginas

AOL, “PRA”: About 101,000 results, but: Enhanced by Google.

AOL, “PRA”, diplomat: About 17,900 results

Ask.com: sem resultados consolidados, mas com várias páginas.
            Curiosamente, omeça com: Paulo David (criminoso) – Wikipédia, a enciclopédia livre
Paulo Roberto de Almeida David, conhecido como o Padre, foi um criminoso brasileiro famoso na década de 1970 no Rio de Janeiro, que atualmente atua como advogado.
            Mas depois segue com referências a este que aqui escreve…

eBay: 1 item found from eBay international sellers

Petrobras: perdas patrimoniais, preco das acoes, consequencias economicas sistemicas

Um economista, Aluizio Gomes, formula, em seu blog, as seguintes considerações sobre o escândalo Petrobrás, que está longe de ser esclarecido, e provavelmente o governo não tem interesse em esclarecer o assunto.
Transcrevo suas observações, seguidas de alguns comentários recebidos nessa postagem.
Paulo Roberto de Almeida  

Petrobras: observações econômicas
Aluizio Gomes, 19/11/2014

O banco americano Morgan Stanley foi um dos primeiros a divulgar a investidores uma estimativa das eventuais perdas com os desvios citados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Para o Morgan, as perdas podem chegar a R$ 21 bilhões, o que comprometeria todo o lucro de 2014 da estatal.

O Morgan Stanley fez suas estimativas com base na informação dada pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa de que as propinas representaram 3% do que foi investido pela empresa nos últimos anos. Levando em conta uma margem de erro, o banco considerou perdas de 1% a 5%, o que significariam baixas contábeis entre R$ 5 bilhões e R$ 21 bilhões.

Neste último caso, se o registro das perdas na contabilidade for feito todo neste ano, não haverá pagamento de dividendos para os detentores das chamadas ações ordinárias (com direito a voto nas principais decisões das empresas). Os bancos estão fazendo as contas depois que a própria Petrobras admitiu que terá de reduzir o valor de seus ativos caso sejam confirmadas as denúncias de corrupção. Além disso, vários analistas financeiros alertam os investidores para a redução no pagamento de dividendos este ano e retiram a recomendação para a compra das ações da Petrobrás.

Os analistas do banco Safra que até ontem acreditavam que as ações da Petrobras teriam desempenho melhor do que outras ações, sugerindo oportunidade de compra, rebaixaram a ação para "neutro", ou seja, nem comprar, nem vender. O Itaú BBA disse em relatório assinado por seus analistas que a cada R$ 1 bilhão de registro de baixa contábil que a Petrobras tenha de fazer, os detentores de ações com direito a voto, que deveriam receber R$ 0,37 por ação, vão receber R$ 0,02 menos. Na prática, se o rombo for de R$ 10 bilhões, o dividendo a ser pago cairá pela metade.

Contas públicas
Um dos maiores prejudicados seria o próprio governo federal que é dono de mais de 50% dessas ações e espera fechar as contas com esses dividendos. O BNDES tem outros 10%. Já os investidores estrangeiros, que possuem a ação negociada em Nova York, têm quase 20%. Os investidores que têm ações preferenciais serão menos afetados porque, pela lei, a Petrobras é obrigada a pagar dividendo mínimo, mesmo que tenha prejuízo.

Os relatórios dos analistas se mostram cautelosos, mas alertam para o potencial de a situação da Petrobras se agravar caso permaneça por um longo período sob investigação a ponto de impedir que os auditores avalizem seu balanço até meados do próximo ano. Se o balanço anual não for auditado e publicado até lá, a empresa não terá como refinanciar sua dívida que vence em 2015 e poderá ser forçada a pagar antecipadamente, de uma só vez US$ 57 bilhões em empréstimos, segundo dados do Morgan.

Quando a empresa faz um empréstimo, ela se compromete a manter margens financeiras do seu negócio, que servem como garantia de solvência, e também prestar informações atualizadas. Entre essas informações, estão os balanços auditados por empresas independentes. Na semana passada, a PricewaterhouseCoopers se negou a assinar o balanço trimestral antes do fim da investigação que está sendo feita para apurar as perdas com os desvios nas refinarias Abreu e Lima e Comperj.




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 Por Gil Vasco, 19/11/2014

Cosme, a quebra da Petrobras e do País é fruto do "jeito petista de governar". É provável que o STF seja "compreensivo" com as malfeitorias petistas. Os agentes econômicos, porém, não perdoam: a Dilma terá de adotar as medidas ditas "neoliberais" pelos petistas, para decepção/frustração destes ... O perfil do ministro da Fazenda terá que passar pelo crivo do mercado. A Dilma está agora consciente de que governar é mais do que distribuir bolsa família.

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Por cosme,19/11/2014

Caro Osíres Costa. A eleição acabou mas não sou nem cego e muito menos insano. Estou achando que você é do PT. Como falei e falo sempre o PT representa o câncer do Brasil. Sou consciente que corrupção sempre existiu e existirá, mas igual a corja do PT ainda está para nascer na face deste planeta. Obs: meu amigo Osíres eu sou Cosme e Tenho um irmão que é Damião. O pior cego é aquele que não quer enxergar. Se você acredita em : Papai Noel. Tudo bem. Respeito.

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Por heraldo,19/11/2014

Como foi dito em comentário anterior. : A eleição ja acabou. De fato, acabou, o Brasil perdeu e os bandidos, ladrões e corruPTos ganharam e vão continuar saqueando o Brasil.

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Por heraldo,19/11/2014

E a Sra Dilma Yousseff , no comando da Petrobrás como presidente do Conselho de Administração durante os anos da roubalheira não " sabia de nada". Só existem duas hipóteses, ou ela era conivente com tudo, ou era uma figura meramente decorativa a quem ninguem prestava satisfações. E o papel de bobos fazemos todos nós.

Petrobras: Mensalao foi um caso para juizado de pequenas causas perto do Petrolao - Ministro Gilmar Mendes

O Ministro Gilmar Mendes, sem querer ofendê-lo, é um ingênuo.
Ele parece pensar que a corrupção petista se resume a esse caso conhecido...
Claro, a Petrobras é uma SENHORA vaca petrolífera.
Mas quem disse que os companheiros só roubaram nessa vaca?
Tem muitas outras tetas espalhadas por toda a administração, dezenas de estatais e de agências, centenas de transferências efetuadas a prefeituras, governos ou outros entes oficiais dominados por petistas, milhares de ONGs e de compras governamentais que permitem superfaturamento tranquilo, quase indectável.
Quem disse que os companheiros só roubaram alguns bilhões?
Quem disse que eles se contentam com pouco?
Paulo Roberto de Almeida 

Mendes: Mensalão é 'pequenas causas' frente à Lava Jato
A Tarde, 20/11/2014

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou nesta quinta-feira, 2 as investigações na Operação Lava Jato ao processo do mensalão. Citando os valores envolvidos nos dois casos, o ministro afirmou que "agora, a ação penal 470 (mensalão) teria de ser julgada em juizado de pequenas causas, pelo volume que está sendo revelado" na Operação Lava Jato, que está revelando um esquema de corrupção na Petrobras.

"Nós falávamos que estávamos a julgar o maior caso, pelo menos de corrupção investigado, identificado. Mas nós falávamos de R$ 170 milhões", disse Gilmar, sobre o mensalão. Ao falar da Lava Jato, o ministro alertou que é um caso de proporções bem maiores. "Estamos a ver que esse dinheiro está sendo patrimonializado. Quando vemos uma figura secundária que se propõe a devolver US$ 100 milhões, já estamos em um outro universo, em outra galáxia", disse, em referência às notícias de que o ex-gerente-executivo da diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, fechou acordo de delação premiada em que se compromete a devolver o valor e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal.

O ministro avaliou como "lamentável" que o esquema revelado pela Lava Jato já estivesse em operação durante o julgamento do mensalão. "Nem o julgamento do mensalão e nem as penas que foram aplicadas tiveram qualquer efeito inibitório. Mostra que é uma práxis que compõe a forma de atuar, de gerir, administrar."

Tempo
Questionado se o processo que derivar da Operação Lava Jato pode se estender por anos no Supremo, como foi o caso do mensalão, Gilmar Mendes disse que hoje há "uma tecnologia processual mais moderna, com o trabalho das turmas". Desde junho, as ações penais são remetidas às turmas do STF e não ao plenário, como forma de agilizar o julgamento. "Mas certamente pode ser um caso trabalhoso. E também já se faz previamente a divisão dos processos. Haverá distribuição, definição de competência", disse Gilmar Mendes.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Petrobras/PTbras: fazendo as contas da corrupcao (um bocado de dinheiro)

Quaisquer que sejam os números, é um bocado de dinheiro.
Prestem atenção: não acredito na miséria dos 3%.
Acho que é bem mais.
Paulo Roberto de Almeida

Ricardo Britto

O Estado de S.Paulo, 19/11/2014


Brasília – O secretário de Fiscalização de Obras para a Área de Energia do Tribunal de Contas da União (TCU), Rafael Jardim Cavalcante, afirmou nesta tarde que a estatal petrolífera realizou a maior parte das contratações diretas de bens entre os anos de 2011 e 2014 sem licitação. A CPI mista da Petrobrás realiza nesta quarta uma audiência pública em que discute o regime de contratações feitas pela estatal. “Não temos ainda números definitivos, mas nos últimos quatro anos eventualmente em bens a Petrobrás talvez tenha contratado entre R$ 60 e R$ 70 bilhões. Levantamentos preliminares, e peço a paciência e a compreensão sobre a higidez desse número, apontam que de 60% a mais de 70%, dessas contratações de bens são feitas sem licitação. Para avaliar, antes do certo e errado, qual é o risco em termos de boa governança corporativo dessa prática e dessa previsão legal?”, questionou.

Os dados apurados, segundo o representante da Corte, constam de auditoria do TCU que ainda está em apuração na Corte. Cavalcante afirmou que a Petrobrás se vale do decreto que regulamenta o procedimento simplificado da estatal para realizar suas contratações. Ele citou que tal instrumento legal é alvo de 19 mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal contra decisões do TCU. Até o momento, não houve um julgamento de mérito sobre a legalidade ou não desse mecanismo. O decreto, de número 2.745/1998 foi editado no governo Fernando Henrique Cardoso.

O secretário do TCU afirmou ainda que, em razão do decreto, a Corte de Contas só tem acesso às informações sobre licitações na Petrobrás após a realização delas. Destacou ainda que esse instrumento permite a elevação dos preços contratados acima dos 25%, porcentual de reajuste previsto na Lei de Licitações convencional (8.666/93). Cavalcante disse ainda que a estatal também adota a prática de se utilizar orçamentos sigilosos, com restrição de acesso aos órgãos de controle como o TCU. Para ele, o uso da licitação faz parte de um conjunto do sistema de governança que visa a defender o interesse público.
(…)


Why Nations Fail, a book by Daron Acemoglu & James Robinson - a review by Sergei Soares



No site da Amazon que anuncia e vende o livro já aqui referido. O resenhista era diretor do Ipea.

 

Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty 

 

Daron Acemoglu , 
 James Robinson 

Format:Kindle Edition
To an economist like me, reading Why Nations Fail, by Daron Acemoglu and James Robinson, is akin to being set free from shackles worn since I began studying. However, first let me say that the book has many and serious shortcomings. Let me talk about these before I get into why this book set me free. Since I am going to strongly criticize aspects of the book, let me make clear that this is one of the best books on economics I have read in a long time.

Several criticisms have been leveled in other reviews against this book: it is simplistic and perhaps overly ambitious, the history is bad, it explains away competing explanations. They are all true.

The book is undoubtedly simplistic. Basically, the authors state that the institutions of a nation or society can be placed on a one dimensional continuum running from "extractive" to "inclusive" and this explains the history of humanity from the neolithic to the present day. A second leitmotif is that the economic and political institutions complement each other and that economically inclusive but politically extractive institutions cannot last for long (as well as the opposite). Finally, since political and economic institutions reinforce each other, they are quite difficult to change, leading to what the authors call "the iron law of oligarchy." Needless to say, this really oversimplifies the analysis of institutions and history. While Acemoglu and Robinson give many, many historical examples to illustrate their thesis, some are more convincing than others. They use a huge mallet to hammer all the facts into their mold, either ignoring or re-interpreting contrary evidence.

I am no historian, but I do know the history of the region in which I live, Latin America, reasonably well. When Latin American examples were used in the book, they were shallow and even wrong. For example, the authors talk quite a bit about the establishment of indigenous "serfdom", with terrible extractive institutions such as the encomienda and repartimiento, in much of Hispanic America. I agree the story they tell is quite important but they do not get it quite right. Acemoglu and Robinson tell the tale of these institutions as if they were simply set in place by colonizing Spaniards when the truth was much more complex, involving conflicts and constant negotiation between the Spanish colonizers, the Spanish Crown, and the conquered peoples themselves. The colonizers wanted to set up slavery instead of serfdom but were impeded from doing so by the Crown through the Leyes Nuevas. The story is told marvelously well in La Patria del Criollo by Severo Martinez Pelaez. The funny thing is that the correct narrative would fit well into the inclusive-extractive framework with a richness that comes from putting in two groups of elite actors with divergent interests, but Acemoglu and Robinson tell it so simplistically so as to miss out.

Likewise, the authors analyze, in different points of the book, Colombia and Brazil, with exceptional praise for Brazilian institutions while they heap abuse upon the Colombian ones. Brazil at the present time has, evidently, better institutions than a Colombia only (we hope) beginning to emerge from decades of civil war. But these two countries are much more alike than different. If you believe the tale told by Acemoglu and Robinson, they could have been comparing Japan and Burma, and not two nations with similar history, GDP, and institutions. While Colombia has seen many horrors and has a long road to travel, recent progress in reigning in lawlessness and chaos is undeniable. While Brazil has seen amazing institutional progress in the last fez decades, many of its cities suffer with murder rates higher than those of Colombian cities, de facto slave labor can be still found in some areas, and its income and especially property distributions are still among the most unequal in Latin America. Especially jarring is that, in other parts of the book, the authors place great emphasis on when institutions limit executive power, giving as an example the American system's unwillingness to allow FDR to pack the Supreme Court to get his way. The same happened in Colombia when Alvaro Uribe passed legislation allowing him to run for a third term and the Supreme Court shot it down with the broad support of Colombian society, including Uribe's allies.

The same can be said of their analysis of Mexico and Argentina: maybe not wrong, but terribly shallow. I know little of the Glorious Revolution, the Roman Empire, the Meiji Restoration, the history of Botswana, or much else of what the book is based upon. But if the standard is the same as the their Latin American examples, then much of the book based upon is poor history. In defense of the authors, it is difficult to draw the details with finesse when painting with a broad brush and the history of humanity from the neolithic to present day is about as broad as you can get in the social sciences.

A final criticism is that Acemoglu and Robinson do not give competing explanations for the backwardness of nations the credit they deserve. They explain away rather than seek dialogue. They classify competing explanations into the Geography Hypothesis, the Culture Hypothesis, and the Ignorance Hypothesis. One problem is that they ignore other competing explanations that go from scientific knowledge (see Margaret Jacob's Scientific Culture and the Making of the Industrial West) to various Marxist explanations based upon capital accumulation. While Acemoglu and Robinson obviously admire Jared Diamond's Guns, Germs, and Steel - which is very well-argued "geography is destiny" book - they ignore other important proponents of the Geography Hypothesis such as Kenneth Pommeranz. I feel their case would be made stronger if they argued that the two approaches were complementary and not adversarial. A relation between geography, technology, political institutions, and economic institutions would be a much stronger theory than institutions alone.

With regards to the Culture Hypothesis, they are (I believe) correct in criticizing it for being so fluid as to be virtually without content. But here my take is not entirely neutral as I particularly loathe the Culture Hypothesis.

But it is on the Ignorance Hypothesis that Acemoglu and Robinson fire their cannon with relish. Being intelligent economists in contact with the intellectual world of "development" I am sure they are very frustrated at the arrogance of policy advisors from the likes of the World Bank, United Nations, or IMF who believe they have the solution to all the developing world's problems "if only policymakers would listen to them." I am not unsympathetic to their disgust at these people but I think Acemoglu and Robinson throw the baby away with the dirty bath water. History is just too full of examples of disastrous policies (disastrous for those who implemented them, not only for the poor souls who inhabit their countries) for the Ignorance Hypothesis to be dismissed out of hand. The authors blame almost all, if not all, bad policies on the material interests of the elite whose position would be endangered by good policy.

A more subtle, and, in my opinion, much more serious, problem is that knowledge and interests are not independent. It is one thing for the elite to choose bad (bad for the many) policy if that policy can be dressed up in plausible and attractive intellectual robes and quite another if that policy is seen as nothing more than plundering of the many by the few (see Antonio Gramsci on role of the intellectual in allowing policy agendas to go forward or not). The "economic nationalism" that has destroyed so many African, Latin American, and Middle Eastern economies is not just pure extraction of wealth of the many by the few; it also dressed in a coherent economic theory espoused by a host of intelligent sociologists and economists (for a popular, if somewhat limited exposition, see The Open Veins of Latin America by Eduardo Galeano). This is why dismissal of the Ignorance Hypothesis is so dangerous: not only is knowledge power, but economic theories that are on your side are also power.

So the book has quite a few shortcomings. Why did I like it so much?

Because as economists we are taught from course one that you cannot have your cake and eat it too. The trade-off between efficiency and equity has been fed to us since before we were weaned. The result to an economist very interested in equality such as myself are intellectual shackles that hobble and cripple our thinking.

Acemoglu and Robinson show us that in the real world, not some paretian maximum efficiency world, but the real one full of monopolies and other horrendous extractive institutions, there is no such trade-off. Equity is efficiency. Only egalitarian institutions allow for the full creative potential of people to be unleashed and thus only egalitarian institutions allow for boundless, unlimited growth based upon technology and productivity. There may be an equity-efficiency trade-off in Sweden or Norway, but certainly not in Mexico, Brazil, Haiti, Zimbabwe, or Pakistan. Much of this has been around in different guises since Schumpeter (who the authors cite extensively) and, more recently, in the endogenous growth literature, but nowhere has it been as clearly stated as in Why Nations Fail.

Why Nations Fail not only states this as its official position but, in spite of all its shortcomings, argues the point so well so as to be entirely convincing (at least to me). The fact that the authors get much of the history not quite right and that they fight rather than incorporate "competing" explanations does not reduce importance of the book and its central message. The sheer optimism of its viewpoint is as liberating as the Emancipation Proclamation.
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Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...