Desde o início do governo Lula, o governo vem insistindo no comércio Sul-Sul, ou o que passa por tal, capaz, segundo se disse, de criar uma "nova geografia do comércio internacional". Para isso, sabotou a Alca (supondo, equivocadamente, que a UE continuaria a negociar de boa fé), apostou todas as fichas nas negociações comerciais multilaterais da Rodada Doha e consagrou esforços à negociação de acordos de liberalização comercial no âmbito do Mercosul (com as dificuldades que se conhecem do lado argentino).
Parece que não deu certo, e mesmo esses acordos mencionados abaixo, Israel e Índia, são propriamente irrelevantes (para não dizer medíocres, do ponto de vista da criação de novos fluxos dinâmicos de comércio).
Ou seja, a diplomacia comercial Sul-Sul não apenas falhou miseravelmente em mostrar resultados, como se coloca contrariamente aos desejos e demandas do empresariado.
Não se sabe bem por que os esforços de promoção comercial e os de negociações de acordos comerciais não se dirigiram aos mercados mais dinâmicos. Deve ser por miopia ideológica...
A nova geografia do comércio internacional, para retomar o mote proclamado, vem atrasada e está deslocada no mapa: ela já existe há muito tempo e se compõe dos países asiáticos (e outros emergentes) exportando para os mercados dos países ricos. Se o Brasil quiser se juntar, ainda há tempo, basta seguir o que os outros estão fazendo e parar de ficar catando pulga em pelo de camelo. Afinal de contas, fazer as coisas certas não deve ser difícil: basta abrir os olhos e fazer o que tem de ser feito. É tudo tão simples...
Paulo Roberto de Almeida
Acordos comerciais fracassam durante o governo Lula
Agência Estado, 14.06.2010
Menos de 1% das exportações brasileiras vão ser beneficiadas pelos acordos comerciais fechados no governo Lula. Na última década, dez novas frentes de negociação foram iniciadas para abrir mercados aos produtos brasileiros, mas até agora apenas duas se transformaram em acordos efetivamente em vigor: Israel e Índia.
O acordo com Israel é de livre comércio e inclui quase todos os produtos. O problema é que o mercado israelense é pequeno e representou 0,18% das exportações brasileiras em 2009. A Índia absorveu 2,2% das vendas externas, mas o acordo é de preferências tarifárias e abrange 450 produtos de um total de 9 mil. Os itens incluídos somam cerca de 0,2% das exportações do Brasil.
Para os empresários, a razão pela qual os novos acordos assinados pelo Brasil representam volumes insignificantes das exportações é a escolha dos parceiros. Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que os esforços do governo estão distantes das prioridades das empresas.
O Itamaraty mobilizou seus quadros para negociar com Egito, Marrocos, Paquistão, Turquia ou países do Golfo. Pesquisa feita em janeiro deste ano com 72 associações empresariais, empresas e sindicatos, representando 24 setores, apontam que as prioridades são Estados Unidos, União Europeia, América do Sul e México.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida
Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
-
O Brasil e a geopolítica da brutalidade Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. As tribulações da política externa brasileira em fac...
-
As potências médias podem sustentar uma ordem global funcional? Por Paulo Roberto de Almeida | fev 20, 2026 | Artigos | 0 | ...
-
" Volto a esse tema porque ele é central para o futuro do Brasil. Indicadores de produtividade por país - Reginaldo Nogueira (Linkedin...
-
Continuando as "brincadeiras" com Madame IA, via Airton Dirceu Lemmertz - A postagem https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/0...
-
Países de origem dos acessos a meus trabalhos Academia.edu (apenas acima de 10 acessos em um mês) Paulo Roberto de Almeida (19 de janeiro...
-
José Guilherme Merquior aos 80 anos: homenagem do Livres ao grande intelectual, em seminário de 2021José Guilherme Merquior aos 80 anos: homenagem do Livres ao grande intelectual, em seminário organizado pelo Livres em abril de 2021. Refaze...
Nenhum comentário:
Postar um comentário