Conheci vários embaixadores no Itamaraty. Nenhum me deu tanto prazer intelectual, ao ler seus telegramas saborosíssimos, quanto o Sampaio, assim como seus artigos no Estadão. Poucos, pouquíssimos embaixadores do Itamaraty, e eu quero dizer menos de cinco, conseguiam escrever de forma tão brilhante quanto ele.
Minha homenagem a uma grande cabeça e um grande diplomata.
Paulo Roberto de Almeida
Morre em São Paulo o ex-embaixador Amaral de Sampaio
Roldão Arruda
O Estado de S.Paulo, 25 de junho de 2010
Morreu ontem, em São Paulo, aos 80 anos, o embaixador Antonio Amaral de Sampaio. Ele havia sido internado no Hospital Albert Einstein, com um quadro de pneumonia, e faleceu após sofrer parada cardíaca, segundo o boletim médico.
Formado em direito, geografia e história pela Universidade de São Paul0 (USP), Sampaio teve uma carreira bem-sucedida no Ministério das Relações Exteriores. Entre os anos 80 e 90 atuou como embaixador na Síria, Sérvia (ex-Iugoslávia) e África do Sul. Antes disso servira como primeiro secretário no Irã e em Genebra. Foi ainda conselheiro nas embaixadas do Brasil no México e em Portugal, onde recebeu a condecoração da Ordem do Infante Dom Henrique.
Em decorrência de sua atuação no Oriente Médio e do seu interesse pelos assuntos da região, o diplomata acabou chefiando o Departamento do Oriente Próximo, no Itamaraty. Ele se aposentou no ano 2000.
Sampaio também foi colaborador do jornal O Estado de S. Paulo. Na opinião do embaixador Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores, tratava-se de um analista acurado das relações internacionais, tanto nos artigos que escrevia quanto nos telegramas que enviava do exterior para o Itamaraty. "Na minha primeira gestão como ministro, ele ainda estava na ativa", lembrou Lafer. "Era um prazer ler os telegramas que enviava, nos quais combinava qualidade de análise e precisão de estilo."
Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington e atual presidente do conselho de comércio exterior da Fiesp, observou que, além da competência e das opiniões claras que sempre manifestava sobre temas que analisava, Sampaio era um homem afável e ótimo contador de histórias. "Foi muito querido pelos seus colegas", comentou.
O enterro foi realizado ontem, no final da tarde, no Cemitério do Araçá, no bairro do Sumaré.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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Um comentário:
Paulo,
Quem eram os outros menos de cinco que conseguiram escrever de forma tão brilhante quanto ele? Tentei procurar seus textos, porém minha procura esbarrou nas dezenas de páginas relatando sua morte. Ele tinha algum livro publicado? O que indicarias de Amaral de Sampaio como leitura?
Abraços!
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