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quinta-feira, 24 de maio de 2012

O supremo idiota da educacao brasileira: Paulo Freire

Muitos leitores deste blog, embora eu não possa precisar quantos exatamente, devem ficar chocados quando eu me refiro a certas pessoas como idiotas. Seria um insulto, um exagero meu, um despeito contra quem supostamente ficou famoso, e contra quem eu teria sérias restrições, representando, portanto, alguma inveja minha ou crítica indevida.
Várias vezes referi-me a Paulo Freire, como o supremo idiota da educação brasileira (pior, acho que falei em calamidade educacional que exportamos para o resto do mundo), e tive comentários discordantes, alguns até raivosos. Enfim, todo mundo tem o direito de discordar dos meus posts e, desde que as críticas sejam fundamentadas, não tenho nenhuma objeção a publicar aqui.
E eu tenho o direito de chamar idiotas de idiotas, mas reconheço que também preciso fundamentar minhas "acusações" de idiotice. O problema, eterno, terrível, é que leio muito, mas nem sempre tenho tempo de resumir, sintetizar, explicar tudo o que leio, justificando, portanto, meus julgamentos, geralmente sérios, mas embasados em leituras não reveladas. Concordo, também, em que chamar alguém de idiota, simplesmente, não é muito eficiente, em termos práticos, pois muita gente acha o idiota em questão um grande intelectual, e o interlocutor pode ficar chocado pela minha expressão de desprezo pelo "intelequitual".
Enfim, existem muitos idiotas, no Brasil e no mundo, que mereceriam ser desmascarados, mas eles são muitos, efetivamente, e como o mundo também tem muitos idiotas, sempre tem público para certas idiotices.
O Brasil, como sempre digo, não é tão atrasado materialmente -- já que o progresso é uma fatalidade, como já disse alguém -- como ele é atrasado mentalmente, e nos últimos tempos, os responsáveis políticos e econômicos -- e sobretudo os "educacionais" e pedagógicos -- têm se esforçado para atrasá-lo ainda mais, retrocedendo o Brasil meio século para trás. Talvez até mais, mas isso veremos mais adiante...
Por isso que a atribuição a Paulo Freire do título de patrono da educação brasileira combina com esse atraso. Só atrasados mentais seriam capazes desse crime contra a educação brasileira. Mas existem várias outras idiotices sendo cometidas em outros setores.
Paulo Freire permanece, no entanto, um caso exemplar, e para mim dramático. Ele já influenciou 5o anos de formação de professores e pedagogos, e vai continuar influenciando pelo menos uma geração mais (estou sendo otimista, claro) nos anos à frente. Por isso mesmo sou, como já disse, absolutamente e relativamente pessimista quanto ao futuro da educação brasileira: acho que vamos continuar recuando, mentalmente, do pré-primário à pós-graduação, sem possibilidade de recuperação.
Agradeço à Juliana por esta matéria que retiro de seu blog sobre Paulo Freire, de um "filósofo" que classificam como conservador, e que eu chamaria apenas de polêmico.
Ele tem razão na maior parte do que afirma, só errando quanto à produção científica brasileira que vem sendo citada: ela tem aumentado, não sei se em qualidade, mas pelo menos em quantidade. E conviria também distinguir entre a boa qualidade dos papers que são publicados nas áreas de biológicas, e hard sciences em geral, do lixo que caracteriza, provavelmente, mais da metade do que sai nas chamadas humanidades.
Com essa ressalva, fica o texto de Olavo de Carvalho, que remete a outros autores que poderiam ser pesquisados pelos interessados.
Paulo Roberto de Almeida 
De Olavo de Carvalho:

Viva Paulo Freire!

Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido. As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma. Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta. Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. 

Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire: “Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.) “Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.) 

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.) “A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.) “Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.) “A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Associationem Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.) “Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.) 

“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.) Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I). Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia. Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. 

Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

9 comentários:

Gilrikardo-Blog disse...

"Vivemos em um mundo onde existem mais professores que alunos."
(gilrikardo)

Anônimo disse...

Homens como Olavo de Carvalho nascem a cada 200 anos. Crítico, de uma personalidade incrivelmente atraente academicamente.
Até quando chama alguém de idiota, consegue embasar cientificamente.
Mas ele consegue ser tão extraordinário que nem precisa baixar o nível do discurso, visto que sua eloquência substitui a impureza do palavreado inapropriado de alguns.
Olavo de Carvalho é brilhante! Alguns até tentam chegar perto da forma crítica dele, mas não conseguem...Então, apenas copiam e colam...Mas copiar e colar é bom, significa que as pessoas pelo menos tem bom gosto para a boa leitura dos escritos de Olavo de Carvalho.Eu sou uma admiradora fervorosa dele.Acompanho tudo que ele escreve e publica em vídeo. Quando eu crescer, pretensiosamente, quero ser igual a ele...

Juliana disse...

Sr Paulo Roberto, boa noite.

Suas colocações acerca de Paulo Freire só confirmam minhas convicções acerca da grande marmelada que consistiu na entronização desse ator no grande circo das mentiras que assombram nosso povo desinformado e sem contraprovas. Concordo também que pensar na desmitificação e na desmistificação desse blefe em uma geração é exagerar no otimismo. Felicidades e vida longa ao seu espaço de profundas reflexões cívicas.

Anônimo disse...

Eu acho o Olavão um gênio, um sujeito de uma erudição absurda. E maluco demais! Anarquista (é a categoria onde eu consigo colocá-lo) sempre é meio maluco, e eu tenho um respeito enorme por esse pessoal. Mas não concordo com algumas posições políticas que ele assume. Acho que o problema é que ele ainda vive numa atmosfera de Guerra Fria, mesmo porque viveu boa parte da vida adulta no período, e não deve ser muito simples abandonar as visões daquela época, vide os próprios comunas. O Olavo é tão anti-comunista, e foi anti-comunista quando quase ninguém era, que a identidade dele é toda construída em cima disso. A paranoia é tão grande que ele sempre vê revolucionário armando uma por debaixo do pano. Ele vê comunismo no Obama, no Hollande, no FHC, no Blair, enfim...

Enquanto ele colocar comunista, social-democrata e a centro-direita no mesmo pacote, fica difícil clarear as coisas.

Zamba

Gustavo disse...

O pensamento no Brasil e o predominante no mundo é de esquerda mesmo. O Percival Puggina escreveu um artigo recentemente mostrando que, no Brasil, não importa o Estado ou cidade, na escola/universidade você vai aprender a fazer crítica marxista sobre política, economia, filosofia, cultura, religião e o diabo a quatro (literalmente...).

Não só o prof. Olavo diz isso, como também Reinaldo Azevedo.

Na faculdade fui quase execrado por defender o pensamento liberal na economia. Tentavam ofender-me do nome mais odioso que se pode conceber em terras tupiniquins: "seu neoliberal!"

Anônimo disse...

Sr. Paulo Roberto, achei que encontraria aqui críticas a Paulo Freire.
Por favor, publique suas idéias sobre o "gênio", patrono da educação nacional - e talvez por isso esteja tão ruim. Existem tão poucas pessoas que se opõem a esse idiota que precisamos debater sobre o tema.
De curiosidade, sabia que existe em Estocolmo uma escultura enorme em que se homenageia Paulo Freire? E nela, o picareta está sentado do lado de Mao-tse Tung. É, estão no mesmo nível.

Frederico Rochaferreira disse...

A intuição parece ser própria do filósofo!

Anônimo disse...

Eu acho difícil fazer crítica, mas, o que mais vejo (leio?) são críticas, o que eu gostoria mesmo de ver são soluções, tudo bem, nem tanto, talvez uma proposta de solução? Creio que anda não tenho esta capacidade, mas parece que muitos teem, alguém se habilita?

Unknown disse...

Amei. Que alívio encontrar uma forma de pensar como penso. Me incomodava tanta 'endeusação' para tão pouco resultado. O comunismo é a explicação dos aliados do 'educador'. Que esclarecedor é o seu posicionamento.