Mini-reflexão sobre a natureza caótica de certas “decisões” dessa coisa que passa por governo:
Como sabem muitos colegas e observadores, não tenho qualquer cargo no Itamaraty atual, muito menos do governo, o que aliás me envergonharia muito, tanto um quanto outro. Vou ser claro sobre o assunto do título desta micro-nota: o governo carece, nunca teve, e talvez jamais venha a ter, essa coisa simples que se chama processo decisório, que existe em qualquer governo digno desse nome.
Quem está no poder, ou pelo menos responde por ele, age por instintos, em geral os mais primitivos e toscos, certamente cercado de aspones ineptos e totalmente despreparados para lidar com a política internacional.
A propósito, o Itamaraty não conta para nada em certas “decisões” e a mídia precisa parar de falar coisas do gênero: “o Brasil fez isso”, “o Itamaraty disse aquilo”.
Nem o Brasil, nem muito menos o Itamaraty, aqueles de verdade, têm qualquer coisa a ver com as “decisões” alopradas que saem como se fossem suas.
Não são, e nunca seriam num governo normal, o que manifestamente não temos.
Certas coisas precisam ser ditas e chamadas pelos nomes corretos: quem decidiu certas coisas, geralmente as mais malucas, não foi nem “o Brasil” e muito menos “o Itamaraty”.
A mídia, brasileira e estrangeira, precisa referir-se aos termos exatos: o governo Bolsonaro, os que formulam sua diplomacia.
A execução pode até estar, formalmente, a cargo do Itamaraty. Mas tenham certeza de uma coisa: não foi, não é, nunca seria do Itamaraty. A instituição nunca seria deformada a esse ponto.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 30/01/2020
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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