Mini-reflexão sobre uma “data histórica”: a saida do Reino Unido da União Europeia
Paulo Roberto de Almeida
Ingleses comemorando o Brexit?
Ele ainda não está de todo consumado, pois cabe ainda regular dezenas de milhares de regras que presidem às múltiplas interações criadas em 47 anos. Não vai ser fácil.
Na realidade, dentro da UE, o Reino Unido podia, e não só teoricamente, influenciar as políticas desse mastodonte supranacional.
Agora pode ser que nem mais exista algo “unido” e o que sobrar desse processo traumático para as quatro partes que integram o RU terá de negociar duramente para preservar metade de sua efetiva interface externa, que ocorre na UE. As consequências econômicas podem ser decepcionantes.
De toda forma, desejo boa sorte aos ingleses, muito realismo aos escoceses, sorte aos irlandeses do norte, e um pouco de ânimo a todos: eles já passaram por quase 4 anos de virtual paralisia dos negócios públicos, por causa da imensa bobagem do plebiscito — que não representou a “vontade do povo”, e sim a capacidade de mobilização da minoria de brexiters, ante a indiferença da maioria —, e ainda vão gastar mais alguns anos, a serem literalmente desperdiçados em novas e desgastantes negociações burocráticas.
E tudo isso para o quê, exatamente?
Para dizer que estão livres da “catedral gótica” comunitária de Bruxelas?
Podem acabar numa modesta town house puramente inglesa, sem todas as comodidades do imenso espaço econômica e social unificado da UE.
Por mais que a UE fosse um paquiderme institucional, creio que a retirada vai deixar a GB, ou talvez a Inglaterra, bastante diminuída no mundo.
Sinceramente, não creio que tenha sido uma boa escolha.
Brasília, 1/02/2020
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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