A Casa Stefan Zweig de Petrópolis lança a segunda edição de uma palestra essencial do grande escritor austríaco:
A Unidade Espiritual do Mundo
Apelo à paz feito por Stefan Zweig há 90 anos tem nova edição e debate na Casa Stefan Zweig
Sábado, 22 de agosto, às 15h, entrada franca
Num momento em que conflitos e tensões globais se intensificam em meio às crescentes ameaças do terrorismo e do populismo, à proliferação de guerras localizadas e ao maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, a relevância contínua da conferência feita por Stefan Zweig no Rio de Janeiro em agosto de 1936 ganha nova edição e será discutida neste sábado, 22 de agosto, por Israel Beloch, historiador e vice-presidente da Casa Stefan Zweig e o Geovane Souza Melo Jr., professor da Universidade de Uberlândia, com mediação do professor de Literatura Leandro Garcia (UFMG).
Durante sua primeira viagem ao Brasil, Stefan Zweig proferiu a conferência intitulada A Unidade Espiritual da Europa no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro. Nela defendeu o pacifismo, o humanismo e a tolerância, quando os contornos da Segunda Guerra Mundial já se delineavam no horizonte. Aqui no Brasil, substituiu as palavras “da Europa” por “do mundo”. Quatro anos depois, em meio ao conflito, voltou a proferiu a palestra em Buenos Aires.
O manuscrito original da palestra, entregue por Zweig ao então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Macedo Soares, foi adquirido em 2015 por Renato Bromfman, que o doou à Casa Stefan Zweig em 2022. A primeira edição, produzida pela Memória Brasil/Casa Stefan Zweig e editada por Israel Beloch, apresenta o fac-símile do manuscrito e o texto em cinco idiomas (alemão, português, espanhol, inglês e francês), além de contribuições de Alberto Dines (autor da biografia Morte no Paraíso: A Tragédia de Stefan Zweig), Celso Lafer (jurista e ex-Ministro das Relações Exteriores, diretor da CSZ), Klemens Renoldner (germanista, diretor do Centro Stefan Zweig em Salzburgo) e Jacques Le Rider (germanista, professor da École Pratique des Hautes Études em Paris). A nova edição traz o texto apenas em português, com excertos do fac-símile, e poderá ser adquirida por R$ 30.
O público que visitará o museu neste sábado terá a oportunidade de ver a exposição 1936, o ano em que Zweig conheceu o Brasil. Em 21 de agosto daquele ano, o vapor Alcantara aportou no Rio de Janeiro trazendo a bordo o célebre autor austríaco Stefan Zweig. A escala de 10 dias no Brasil mudaria a vida do escritor, que se exilou em Petrópolis cinco anos depois. Com a conferência Unidade espiritual do mundo e o livro Brasil, um país do futuro, por sua vez, Zweig também marcou de forma indelével o país que o acolheu.
A Casa Stefan Zweig tem o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet)
Nota PRA: Só faltou dizer que, quando diretor do IPRI-Funag, eu patrocinei o lançåmento em Brasilia da 1a edição dessa obra, em 2017.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
A Unidade Espiritual do Mundo - Stefan Zweig (2a edição) - Casa Stefan Zweig
sábado, 7 de março de 2026
84 anos sem Stefan Zweig - Casa Stefan Zweig (Petrópolis)
84 anos sem Stefan Zweig
Nota da Casa Stefan Zweig de Petrópolis
Em 22 de fevereiro de 1942, o escritor austríaco se despediu do mundo por meio da carta acima. Ao lado de sua esposa Lotte Zweig, foi encontrado sem vida em sua residência em Petrópolis. Esse mesmo espaço abriga, desde 2012, a Casa Stefan Zweig.
Neste aniversário de sua morte, reafirmamos a importância de manter viva sua mensagem de empatia, compreensão entre os povos e a defesa incansável da paz, sempre contra guerras e genocídios.
Tradução da carta:
“Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com minha mente lúcida, imponho-me última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e a meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir minha vida, agora que o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta ereta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado ver a aurora desta longa noite.
Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes.”
segunda-feira, 21 de abril de 2025
Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro - Paulo Roberto de Almeida (blog São João del-Rei)
Divulgando o que acabo de receber, aproveitando também para convidar todos os cariocas, fluminenses, assemelhados, passantes ao acaso, navegantes, turistas, curiosos, zweiguianos fanáticos, a prestigiarem o simpósio que se realizará na Biblioteca Nacional, em cooperação com a Embaixada da Áustria no Brasil, a ABL e a própria Casa Stefan Zweig de Petrópolis, na próxima sexta-feira 25/04, sobre o maior escritor austríaco (e um dos maiores do mundo), a propósito do livro que lhe é dedicado e com o qual colaborei.
A colaboração abaixo foi divulgada pelo blog São João del-Rei, por iniciativa do colega blogueiro, o intelectual Francisco Braga:
“Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro
Prezad@,
Tenho o prazer de apresentar ao leitor (à leitora) do Blog de São João del-Rei seu novo colaborador, Dr. PAULO ROBERTO DE ALMEIDA, diplomata e professor, entre outras especializações, que estreia com o artigo sobre o último livro de STEFAN ZWEIG, Brasil, um país do futuro.
O autor é um dos colaboradores de um livro lançado neste ano, intitulado Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo. Aproveito a oportunidade para convidá-lo(la) para participar de um simpósio na Biblioteca Nacional na sexta-feira, dia 25/04/2025, em que será debatido o conteúdo do livro.
Link: https://saojoaodel-rei.blogspot.com/2025/04/stefan-zweig-e-o-pais-que-nao-chegou-ao.html
Cordial abraço,
Francisco Braga
Gerente do Blog de São João del-Rei”
domingo, 13 de abril de 2025
Livro: Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo; objeto de um simpósio na Biblioteca Nacional
Um debate a que eu gostaria de assistir, por ter participado do livro que será objeto do encontro:
Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Reflexões sobre o autor de Brasil, um país do futuroKristina Michahelles, Geovane Souza Melo Junior e Kenia Maria de Almeida Pereira (orgs.)
(Rio de Janeiro: Passaredo Edições, 2024).Apresentação divulgada no blog Diplomatizzando (19/06/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/06/stefan-zweig-e-o-pais-que-nao-chegou-ao.html).
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro in: Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo - Paulo Roberto de Almeida
Mais recente capítulo de livro publicado, este ensaio sobre Stefan Zweig e sua obra sobre o Brasil, de 1941, que eu havia escrito um ano e meio atrás:
4294. “Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro”, Brasília, 22 dezembro 2022, 10 p. Colaboração a livro sob a coordenação da Casa Stefan Zweig e do Laboratório de Estudos Judaicos da Universidade Federal de Uberlândia. Publicado in: Kristina Michahelles, Geovane Souza Melo Junior e Kenia Maria de Almeida Pereira (orgs.), Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Reflexões sobre o autor de Brasil, um país do futuro (Rio de Janeiro: Passaredo Edições, 2024, 294 p.; ISBN: 978-65-983721-0-1; p. 131-146). Relação de Publicados n. 1561
Trecho inicial de minha contribuição:
Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro
Paulo Roberto de Almeidaa
Diplomata, professor.
"Antes que, por livre vontade e na plena possessão de meus sentidos, eu abandone a vida, me sinto obrigado a cumprir um último dever: agradecer, desde o meu mais íntimo, a este maravilhoso país, Brasil, que nos ofereceu a mim e a minha obra um lugar tão magnífico e acolhedor. Cada dia passado aqui contribuiu a querer ainda mais a este país, em nenhum outro lugar teria desejado reconstruir a vida novamente, depois que o mundo de meu próprio idioma se derrubou e que o meu lar espiritual, a Europa, se autodestruiu. Mas, depois de cumprir sessenta anos fazem falta forças para começar totalmente de novo. E as minhas estão esgotadas, depois de tantos anos a errar sem pátria. Por isso considero melhor cerrar em seu devido tempo e com uma alta atitude uma vida que o trabalho intelectual e a liberdade pessoal me deram as maiores alegrias e me parecem o mais elevado bem desta terra. Saúdo a todos os meus amigos. Oxalá cheguem a ver a aurora depois desta larga noite. Eu, excessivamente impaciente, me adianto a todos eles."
“Declaração”, Stefan Zweig (Petrópolis, 22/02/1942)
Como nasceu a ideia de escrever sobre o “país do futuro”?
Nas memórias que começou a conceber desde sua saída apressada da Áustria, após que Hitler alcançou o poder na Alemanha, mas que só foram terminadas por ocasião de sua vinda definitiva para o Brasil, Stefan Zweig descreve seus sentimentos ao atravessar o Atlântico em 1936, a partir da Inglaterra, onde se encontrava exilado desde 1934:
Era apenas com o meu corpo, e não com toda a minha alma, que eu vivia na Inglaterra naqueles anos. E foi justamente a preocupação que me causava a Europa, essa angústia que pesava dolorosamente sobre os nervos, que me fez viajar bastante, e mesmo atravessar duas vezes o oceano, durante os anos que se estendem da tomada do poder por Hitler e o começo da Segunda Guerra Mundial. Eu estava impulsionado talvez pelo pressentimento de que era necessário me abastecer de impressões e de experiências, tantas quanto o coração poderia conter, enquanto o mundo permanecia aberto e que ainda era permitido aos barcos navegar tranquilamente pelos mares, talvez mesmo pela suspeita ainda muito vaga de que o nosso futuro, o meu em especial, estava além dos limites da Europa. Uma sequência de conferências nos Estados Unidos me ofereceu a oportunidade desejada de ver, de leste a oeste, de norte a sul, esse grande país em toda a sua diversidade, combinada, entretanto, a uma profunda unidade. Mas, talvez ainda mais forte foi a impressão que me deu a América do Sul, na qual aceitei de boa vontade participar de um congresso convidado pelo PEN-Club Internacional: nunca antes me pareceu tão importante quanto esse momento de fortificar o sentimento da solidariedade espiritual acima das fronteiras dos países e das línguas. (1993, p. 461)
Sua primeira estada na América do Sul, com uma curta passagem pelo Rio de Janeiro, entre o final de agosto e o início de setembro, foi relatada numa coleção de impressões de viagem que o próprio Stefan Zweig publicou separadamente ao retornar à Inglaterra no outono de 1936. Zweig concebeu escrever um livro sobre o Brasil logo depois dessa primeira passagem pelo país, a caminho de Buenos Aires. Eles foram reunidos em 1937 e publicados numa editora vienense com vários outros textos do autor: Begegnungen mit Menschen, Büchern, Städten (Encontros com homens, livros, cidades). Em 1981, foram novamente reunidos na coletânea Länder, Städte, Landschaften (Países, cidades, paisagens).
Zweig já estava, então, planejando escrever um livro mais alentado sobre o Brasil e por isso recusou, no final de 1937, uma proposta de seu editor brasileiro, Abraão Kogan, para publicar uma edição traduzida, o que não se realizou de imediato. Ainda assim, Kogan juntou os relatos a outros textos do livro Begegnungen e publicou-a em 1938, numa edição uniforme de sua obra, sob um título similar: Encontros com homens, livros e países. Apenas oitenta anos depois de sua primeira viagem ao Brasil, os textos foram novamente publicados sob o título de Kleine reise nach Brasilien, traduzido e publicado como Pequena Viagem ao Brasil (2016). Vários trechos da Pequena Viagem foram de fato incorporados ao País do Futuro, que se beneficiou, assim, daquele projeto inicial necessariamente sintético, dada a brevidade de sua passagem em 1936, numa travessia atlântica durante a qual ele também começou a escrever a biografia de Fernão de Magalhães, na epopeia da primeira volta ao mundo (obra terminada e publicada em 1937).
A primeira estada de Zweig no Brasil se dá, portanto, sob o governo constitucional de Getúlio Vargas – eleito em 1934 pela Assembleia Constituinte –, mas já depois da Intentona Comunista de novembro de 1935, sob a vigência da Lei de Segurança Nacional, e dois anos antes das eleições previstas para 1938, quando deveria ser eleito, por voto direto e secreto (pela primeira vez), o próximo presidente. Zweig certamente tomou conhecimento do golpe do Estado Novo, em novembro de 1937, por acaso o mesmo nome já adotado pela ditadura portuguesa quase dez anos antes, na esteira de diversos outros regimes autoritários, geralmente de direita, que estavam se multiplicando na Europa e na América Latina. Já estabelecido na Inglaterra desde 1934, quando fugiu apressadamente de Salzburg, Zweig teve o “privilégio” de ver os seus livros queimados pelos nazifascistas duas vezes: em 1933, em Berlim, e novamente na Áustria em 1938, depois do Anchluss, a anexação ao Terceiro Reich.
(...)
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O livro pode ser adquirido junto à Casa Stefan Zweig:
Contato: casastefanzweig@gmail.com
https://casastefanzweig.org.br/
sábado, 17 de agosto de 2024
Desafios no combate ao antissemitismo - Sofia Débora Levy (Casa Stefan Zweig, Petrópolis, RJ)
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Diretora Educacional do Memorial às Vítimas do Holocausto do Rio de Janeiro, Sofia Débora Levy é psicóloga clínica, bacharel e licenciada em Psicologia e em Letras Português-Hebraico, professora, consultora, mestre em Psicologia (UFRJ), doutora em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia (UFRJ) com pós-doutorado em Memória Social (Unirio). Localizado no Morro do Pasmado em Botafogo, no Rio de Janeiro, o Memorial às Vítimas do Holocausto tem por objetivo preservar e tornar conhecidas as histórias das vítimas da perseguição e do genocídio cometidos pelo regime nazista que atingiu judeus, negros, pessoas com deficiência física e mental, comunidade LGBTQIAP+, Testemunhas de Jeová, maçons e outros grupos. No subsolo do monumento de 20 metros que representa os Dez Mandamentos abriga uma exposição permanente com memórias e relatos de vítimas e sobreviventes do Holocausto.
Em setembro, o tema será "Combate ao racismo", e o palestrante é Filipe Graciano, do Museu da História Negra de Petrópolis.
Venham participar. A participação dá direito a certificado, para quem precisar. |
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro in: Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo - Paulo Roberto de Almeida
Mais recente capítulo de livro publicado, este ensaio sobre Stefan Zweig e sua obra sobre o Brasil, de 1941, que eu havia escrito um ano e meio atrás:
4294. “Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro”, Brasília, 22 dezembro 2022, 10 p. Colaboração a livro sob a coordenação da Casa Stefan Zweig e do Laboratório de Estudos Judaicos da Universidade Federal de Uberlândia. Publicado in: Kristina Michahelles, Geovane Souza Melo Junior e Kenia Maria de Almeida Pereira (orgs.), Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Reflexões sobre o autor de Brasil, um país do futuro (Rio de Janeiro: Passaredo Edições, 2024, 294 p.; ISBN: 978-65-983721-0-1; p. 131-146). Relação de Publicados n. 1561
Trecho inicial de minha contribuição:
Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro
Paulo Roberto de Almeidaa
Diplomata, professor.
"Antes que, por livre vontade e na plena possessão de meus sentidos, eu abandone a vida, me sinto obrigado a cumprir um último dever: agradecer, desde o meu mais íntimo, a este maravilhoso país, Brasil, que nos ofereceu a mim e a minha obra um lugar tão magnífico e acolhedor. Cada dia passado aqui contribuiu a querer ainda mais a este país, em nenhum outro lugar teria desejado reconstruir a vida novamente, depois que o mundo de meu próprio idioma se derrubou e que o meu lar espiritual, a Europa, se autodestruiu. Mas, depois de cumprir sessenta anos fazem falta forças para começar totalmente de novo. E as minhas estão esgotadas, depois de tantos anos a errar sem pátria. Por isso considero melhor cerrar em seu devido tempo e com uma alta atitude uma vida que o trabalho intelectual e a liberdade pessoal me deram as maiores alegrias e me parecem o mais elevado bem desta terra. Saúdo a todos os meus amigos. Oxalá cheguem a ver a aurora depois desta larga noite. Eu, excessivamente impaciente, me adianto a todos eles."
“Declaração”, Stefan Zweig (Petrópolis, 22/02/1942)
Como nasceu a ideia de escrever sobre o “país do futuro”?
Nas memórias que começou a conceber desde sua saída apressada da Áustria, após que Hitler alcançou o poder na Alemanha, mas que só foram terminadas por ocasião de sua vinda definitiva para o Brasil, Stefan Zweig descreve seus sentimentos ao atravessar o Atlântico em 1936, a partir da Inglaterra, onde se encontrava exilado desde 1934:
Era apenas com o meu corpo, e não com toda a minha alma, que eu vivia na Inglaterra naqueles anos. E foi justamente a preocupação que me causava a Europa, essa angústia que pesava dolorosamente sobre os nervos, que me fez viajar bastante, e mesmo atravessar duas vezes o oceano, durante os anos que se estendem da tomada do poder por Hitler e o começo da Segunda Guerra Mundial. Eu estava impulsionado talvez pelo pressentimento de que era necessário me abastecer de impressões e de experiências, tantas quanto o coração poderia conter, enquanto o mundo permanecia aberto e que ainda era permitido aos barcos navegar tranquilamente pelos mares, talvez mesmo pela suspeita ainda muito vaga de que o nosso futuro, o meu em especial, estava além dos limites da Europa. Uma sequência de conferências nos Estados Unidos me ofereceu a oportunidade desejada de ver, de leste a oeste, de norte a sul, esse grande país em toda a sua diversidade, combinada, entretanto, a uma profunda unidade. Mas, talvez ainda mais forte foi a impressão que me deu a América do Sul, na qual aceitei de boa vontade participar de um congresso convidado pelo PEN-Club Internacional: nunca antes me pareceu tão importante quanto esse momento de fortificar o sentimento da solidariedade espiritual acima das fronteiras dos países e das línguas. (1993, p. 461)
Sua primeira estada na América do Sul, com uma curta passagem pelo Rio de Janeiro, entre o final de agosto e o início de setembro, foi relatada numa coleção de impressões de viagem que o próprio Stefan Zweig publicou separadamente ao retornar à Inglaterra no outono de 1936. Zweig concebeu escrever um livro sobre o Brasil logo depois dessa primeira passagem pelo país, a caminho de Buenos Aires. Eles foram reunidos em 1937 e publicados numa editora vienense com vários outros textos do autor: Begegnungen mit Menschen, Büchern, Städten (Encontros com homens, livros, cidades). Em 1981, foram novamente reunidos na coletânea Länder, Städte, Landschaften (Países, cidades, paisagens).
Zweig já estava, então, planejando escrever um livro mais alentado sobre o Brasil e por isso recusou, no final de 1937, uma proposta de seu editor brasileiro, Abraão Kogan, para publicar uma edição traduzida, o que não se realizou de imediato. Ainda assim, Kogan juntou os relatos a outros textos do livro Begegnungen e publicou-a em 1938, numa edição uniforme de sua obra, sob um título similar: Encontros com homens, livros e países. Apenas oitenta anos depois de sua primeira viagem ao Brasil, os textos foram novamente publicados sob o título de Kleine reise nach Brasilien, traduzido e publicado como Pequena Viagem ao Brasil (2016). Vários trechos da Pequena Viagem foram de fato incorporados ao País do Futuro, que se beneficiou, assim, daquele projeto inicial necessariamente sintético, dada a brevidade de sua passagem em 1936, numa travessia atlântica durante a qual ele também começou a escrever a biografia de Fernão de Magalhães, na epopeia da primeira volta ao mundo (obra terminada e publicada em 1937).
A primeira estada de Zweig no Brasil se dá, portanto, sob o governo constitucional de Getúlio Vargas – eleito em 1934 pela Assembleia Constituinte –, mas já depois da Intentona Comunista de novembro de 1935, sob a vigência da Lei de Segurança Nacional, e dois anos antes das eleições previstas para 1938, quando deveria ser eleito, por voto direto e secreto (pela primeira vez), o próximo presidente. Zweig certamente tomou conhecimento do golpe do Estado Novo, em novembro de 1937, por acaso o mesmo nome já adotado pela ditadura portuguesa quase dez anos antes, na esteira de diversos outros regimes autoritários, geralmente de direita, que estavam se multiplicando na Europa e na América Latina. Já estabelecido na Inglaterra desde 1934, quando fugiu apressadamente de Salzburg, Zweig teve o “privilégio” de ver os seus livros queimados pelos nazifascistas duas vezes: em 1933, em Berlim, e novamente na Áustria em 1938, depois do Anchluss, a anexação ao Terceiro Reich.
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O livro pode ser adquirido junto à Casa Stefan Zweig:
Contato: casastefanzweig@gmail.com
sexta-feira, 14 de junho de 2024
Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Reflexões sobre o autor de Brasil, um país do futuro - Lançamento do Livro Casa Stefan Zweig, Petrópolis, 22/06/2024
Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Reflexões sobre o autor de Brasil, um país do futuro
Este é o livro que será lançado sábado dia 22/06, na Casa Stefan Zweig de Petrópolis.
Tenho um capítulo no livro: “Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro”, in: Kenia Maria de Almeida Pereira; Kristina Michahelles e Geovane S. M. Junior (orgs.), Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo: Reflexões sobre o autor de Brasil, um país do futuro (Editora Passaredo, 2024)
quarta-feira, 13 de março de 2024
Simon Wiesenthal Prize 2023 - Casa Stefan Zweig
Nominations for the Simon Wiesenthal Prize 2023
We are pleased to announce the nominees for the 2023 award:
The following entries have been nominated by the jury for the Main Prize for Civic Engagement to Combat Antisemitism and Educate the Public about the Holocaust (listed in alphabetical order):
- AMCHA (Israel)
- CASA STEFAN ZWEIG (Brazil)
- JAN GRABOWSKI (Canada)
- LIKRAT - LET'S TALK! (Austria & Switzerland)
The following entries have been nominated by the jury for the Prize for Civic Engagement to Combat Antisemitism (listed in alphabetical order):
- ASOCIACIÓN CULTURAL MOTA DE JUDÍOS (Spain)
- ELNET (Germany)
- SOS MITMENSCH (Austria)
The following applications have been nominated by the jury for the Prize for Civic Engagement to Educate the Public about the Holocaust (listed in alphabetical order):
- ALOIS AND ERNA WILL (Austria)
- CENTROPA (Austria)
- HEIDEMARIE UHL, deceased 2023 (Austria)
The jury was particularly keen to pay tribute to the contemporary witnesses nominated for the award. By talking about their experiences, these survivors provide the most compelling and valuable testimonies of all in the efforts to come to terms with the Holocaust and take a stand against antisemitism. Their work and dedication should and must be an example to us all.
The following contemporary witnesses will receive special recognition and be honoured at the event:
- HELGA FELDNER-BUSZTIN (Austria)
- JENO FRIEDMANN (USA)
- OCTAVIAN FÜLÖP (Romania)
- NAFTALI FÜRST (Israel)
- MARIA GABRIELSEN (Norway)
- VIKTOR KLEIN (Austria)
- OTTO NAGLER (Israel)
- KATHARINA SASSO (Austria)
- LIESE SCHEIDERBAUER (Austria)
- MARIAN TURSKI (Poland)
The Board of Trustees of the National Fund chose the winners of the Simon Wiesenthal Prize 2023 from the jury shortlist at the beginning of December. One winner will be announced in each of the three categories.
The winners will be announced in a ceremony held at the Parliament on 12 March 2024.
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Casa Stefan Zweig de Petropolis comemora seus primeiros dez anos - Alberto Dines, Kristina Michahelles, Israel Beloch
Querid@s amig@s da Casa Stefan Zweig,
Íntegra do discurso inaugural de Alberto Dines em 28/7/2012: https://casastefanzweig.org.br/sec_texto_view.php?id=118
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
Livros sobre refugiados do nazismo no Brasil - Casa Stefan Zweig e embaixadas do Brasil
Embaixada do Brasil em Washington:
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terça-feira, 30 de novembro de 2021
Casa Stefan Zweig: 140 anos do nascimento do autor de "Brasil, um país do futuro" - Webinar (5/05/2021)
140 anos do nascimento do autor de "Brasil, um país do futuro".
quarta-feira, 24 de novembro de 2021
Fernão de Magalhães e Stefan Zweig: o navegante e o biógrafo - Casa Stefan Zweig (30/11/2021, 17hs)
quarta-feira, 9 de junho de 2021
Casa Stefan Zweig lança o “Dicionário dos Refugiados do Nazifascismo no Brasil” - Euler de França Belém
Euler de França Belém
Casa Stefan Zweig lança o “Dicionário dos Refugiados do Nazifascismo no Brasil”
Livro cita Ziembinski, Edoardo de Guarnieri, Georges Bernanos, Otto Maria Carpeaux, Frans Krajcberg, Ida Gomes, Berta Loran, Fayga Ostrower, Fritz Oliven, Stefan Zweig

Leitores brasileiros “escalaram” o romance “A Montanha Mágica”, do escritor alemão Thomas Mann (filho de uma brasileira), aprenderam a pensar sobre os tempos modernos com “Massa e Poder”, do filósofo e escritor búlgaro (de expressão alemã) Elias Canetti graças à perícia do tradutor alemão Herbert Moritz Caro e ficaram bem-informados sobre a literatura transnacional devido a competência e ao enciclopedismo do austríaco Otto Maria Carpeaux. O húngaro Paulo Rónai trouxe para o deleite patropi a literatura da Hungria, de outros países e, inclusive, a obra completa do escritor francês Honoré de Balzac. O alemão Anatol Rosenfeld se tornou um crítico notável e um guia cultural seguro, dada sua formação filosófica e literária rigorosa. Stefan Zweig, ao se mudar para o Brasil, notou que se tratava do “país do futuro”. Ante o temer da expansão nazista, se matou no país do fascista Plínio Salgado, em 1942, aos 60 anos. Vários judeus contribuíram para robustecer as artes e a ciência no Brasil.

Stefan Zweig e Lotte, sua mulher: ambos se mataram no Brasil | Foto: Reprodução
Há um livro valioso que conta a história dos que fugiram da serpente nazista para o Brasil, a partir de 1933, quando Adolf Hitler, um austríaco, assumiu o comando da Alemanha, e, surpreendentemente, pela via legal. Trata-se de “Exílio e Literatura — Escritores de Fala Alemã Durante a Época do Nazismo” (Edusp, 291 páginas, tradução de Karola Zimber), de Izabela Maria Furtado Kestler.

Otto Maria Carpeaux: uma ponte da cultura universal que muito beneficiou o leitor brasileiro | Foto: Reprodução
Agora surge um livro que, aparentemente, será igualmente valioso (e mais amplo): “Dicionário dos Refugiados do Nazifascismo no Brasil” (Casa Stefan Zweig, 832 páginas), edição de Israel Beloch, com o apoio de Fábio Koifman, Kristina Michaelis e mais de dez pesquisadores.

Paulo Rónai: judeu, perseguido pelo nazismo, veio para o Brasil | Foto: Reprodução
O livro conta a história de 300 pessoas que, para escapar do nazifascismo, fugiram para o Brasil e aqui se destacaram em vários setores.

Ida Gomes: atriz
A obra lista, entre outros, Fayga Ostrower, Fritz Oliven, Stefan Zweig, Nydia Lícia (atriz), Ida Gomes (Ida Szafran, atriz), Berta Loran (atriz), Edoardo de Guarnieri (músico, pai de Gianfrancesco Guarnieri — este chegou ao Brasil com 2 anos de idade e se tornou ator e diretor), Louis Jouvet, Ziembinski (Zbigniew Marian), Georges Bernanos, Otto Maria Carpeaux, Anatol Rosenfeld, Herbert Caro, Frans Krajcberg, Paulo Rónai.

Herbert Caro: tradutor de Thomas Mann e Elias Canetti | Foto: Reprodução
A obra nasce como referência incontornável. Porque, se havia informação dispersa, agora há informações concentradas sobre os refugiados.

Berta Loran: atriz | Foto: Reprodução
O livro, que já está à venda nas livrarias — por 118 reais —, pode abrir as portas para outras obras sobre o tema. Porque, a rigor, muito mais de 300 judeus — e não judeus — fugiram para o Brasil para escapar do totalitarismo nazista.
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
Stefan Zweig e o Brasil: exílio e integração, Kristina Michahelles - livro da Casa Stefan Zweig, 2020
Stefan Zweig e o Brasil: exílio e integração
Livro da Casa Stefan Zweig, 2020
A Casa Stefan Zweig recebe o apoio da KAS para publicar a cartilha Stefan Zweig e o Brasil: exílio e integração. A publicação apresenta e estimula o debate sobre várias das questões mais em evidência na atualidade, como migração, refúgio e exílio. A obra é dedicada a um amplo público, incluindo jovens, alunos de nível médio e estudantes universitários.
Coordenação editorial:
Kristina Michahelles
Projeto gráfico: Ruth Freihof, Passaredo Design
Sumário:
Apresentação, 6
O viajante, de Luiz Aquila, 8
Artigo: Exílios - Renato Lessa, 11
Exposição | Legado do exílio, 15
Livro: Dicionário dos refugiados do nazifascismo no Brasil, 28
Perfil: Lore Koch, única discípula de Volpi, 35
Grupo de Estudos: Stefan Zweig no país do futuro, 40
Download:
Grupo de estudos
Stefan Zweig no país do futuro
O Grupo de Estudos Stefan Zweig foi criado em junho de 2020 com o objetivo de ampliar a rede de especialistas na obra e a vida do autor austríaco nas universidades brasileiras. Coordenado por Kristina Michahelles, o encontro inicial contou com a presença de Larissa Fumis, Marina de Brito e Carlos Eduardo do Prado.
Mariana Holms acaba de se juntar ao grupo.
Larissa Fumis é de São José do Rio Preto, SP. Fez mestrado em Literatura com uma tese dissertação sobre Stefan Zweig e seu livro Brasil, um país do futuro. No doutorado, fará uma análise contrapondo o mesmo livro ao Romanceiro Brasileiro, do também exilado Ulrich Becher.
Marina Brito mora em Viena. Em sua tese de mestrado, fez um estudo comparativo das traduções para o português - em um intervalo de sete décadas - das duas obras icônicas de Zweig, Brasil, um país do futuro e a autobiografia O mundo de ontem.
Carlos Eduardo do Prado é professor de francês da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e se doutorou em Estudos de Literatura – Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense com um estudo comparativo entre as biografias de Balzac e Zweig, com base na obra Balzac, eine Biographie, de Zweig.
Mariana Holms é doutoranda em Língua e Literatura Alemã pela Universidade de São Paulo. Depois de focar em Stefan Zweig no mestrado, atualmente concentra sua atenção na vida e obra da escritora e pintora austríaca Paula Ludwig, exilada no Brasil entre 1940 e 1953.
As reuniões serão trimestrais. O site da CSZ (www.casastefanzweig.org) criou uma nova seção para abrigar trabalhos acadêmicos sobre Stefan Zweig no Brasil.
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