Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 19 de março de 2026
A triste realidade dos “soldados” de Putin, enviados para morrer nas frentes ucranianas (Descrição real de um soldado sobrevivente)
XIII Encontro de Pós-Graduação em História Econômica & 11ª Conferência Internacional de História Econômica (UFF, setembro-outubro)
Está disponível a 2ª Circular do XIII Encontro de Pós-Graduação em História Econômica & 11ª Conferência Internacional de História Econômica.
Nela divulgamos o lançamento do site do evento, as normas de submissão de textos completos e banners com cronograma, além da nova data para envio de propostas para minicursos.
Não deixem de acessar o site: https://www.abphe.org.br/congresso/xiii-encontro-de-pos-graduacao-em-historia-economica-and-11-conferencia-internacional-de-historia-economica/sede-do-congresso
Permanecemos disponíveis por e-mail para quaisquer dúvidas.
Atenciosamente,
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Comissão Organizadora
XIII Encontro de Pós-Graduação em História Econômica & 11ª Conferência Internacional de História Econômica
A queda do V-Dem - Augusto De Franco (Revista ID)
O V-Dem vai virando um bunker da esquerda acadêmica, de raiz classista (marxista) ou identitarista, no universo dos institutos que monitoram os regimes políticos no mundo
O V-Dem (Varieties of Democracy), da Universidade Gotemburgo, tão admirado por todos nós, democratas, entrou numa trajetória decadente de perda de credibilidade.
Agora acabou de lançar seu relatório de 2026, intitulado “Unraveling The Democratic Era?”. Felizmente corrigiu, nesse relatório, o erro crasso (cometido no ano passado) de classificar a África do Sul como democracia liberal. Agora ela voltou para seu lugar: de democracia (apenas) eleitoral (quer dizer, não-liberal).
No relatório de 2006, o V-Dem desclassificou os EUA como democracia liberal (o que parece estar correto, considerados os ataques do MAGA e de Donald Trump à democracia americana e às democracias liberais do mundo inteiro - embora a classificação do V-Dem seja de regimes políticos, não de governos). A The Economist Intelligence Unit, mais coerente, já há muitos anos, classifica dos EUA como flawed democracy (quer dizer, não como full democracy).
Há vários problemas com o V-Dem. O principal deles é ter montado uma rede de consultores acadêmicos, espalhados por diversos países, predominantemente simpáticos a uma faixa do espectro político. Isso introduz um viés nas análises e distorce as avaliações. Por exemplo, eles sustentam que a democracia no Brasil está melhorando num ritmo mais acelerado do que o de todos os demais países, talvez porque Bolsonaro, que não era democrata, saiu do governo e está preso - o que é verdade; mas, novamente, regime não é governo.
De fato a democracia brasileira se recuperou de uma tentativa desastrada (e mal-articulada) de golpe, promovida pelo governo anterior, mas pelos próprios critérios metodológicos do V-Dem ela não continuou melhorando depois disso, pelo contrário. Basta ver a crise institucional que se instalou a partir da aliança do governo com a suprema corte para compensar o fato de ser minoria no parlamento.
Considere-se que, de acordo com a pesquisa “Brasil no espelho”, a confiança no Brasil (mais do que uma medida, a própria definição de capital social) anda baixíssima. O brasileiro não confia nem mesmo em seus vizinhos. Apenas 6% dos entrevistados concordaram com a frase segundo a qual se pode confiar na maioria das pessoas, o que colocou o país à frente apenas à frente do Zimbábue em um ranking sobre esse tema. Na Noruega, esse índice era de 72%. Felipe Nunes, coordenador da pesquisa, conclui que esse déficit de confiança não é um mero estado de ânimo conjuntural. Ele interpreta isso como uma manifestação da “infraestrutura invisível da sociedade”. Ele não disse, mas está falando do capital social. Pois bem, com esse nível de capital social como é que o Brasil pode estar melhorando seus índices de democratização (mais intensa e rapidamente do que qualquer outro país do mundo) como se aventura a sustentar o V-Dem)? Entendam que há um erro grave aí.
Por último, para classificar um regime político - como democracia liberal, democracia eleitoral, autocracia eleitoral ou autocracia fechada - o V-Dem não leva em conta a orientação do país em política externa, o que é absurdo. E ainda há aqui uma grave deformação. Se um governo implanta uma política externa de apoio à ditaduras anti-imperialismo norte-americano - como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Angola, Rússia, China, Irã - isso não afeta em nada sua classificação como democracia. Mas se um governo apoia Trump, Bukele, Modi, Orbán, Erdogan, Netanyahu, aí, sim, significa: esse governo passa a ser encarado como parte da "internacional fascista" e isso conta, subjetivamente, para fazer decair o regime político do país nos rankings mundiais de democracia.
O alinhamento do V-Dem é tão escandaloso que ele chegou a escrever no seu relatório em tela:
“A autocratização do Brasil começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e acelerou após a eleição do populista de direita Jair Bolsonaro em 2018. Ataques à mídia, tentativas de minar as eleições, o legislativo e o judiciário se seguiram. A reviravolta ocorreu quando Luís Inácio “Lula” da Silva, apoiado por uma coalizão de nove partidos, venceu as eleições de 2022. Contudo, a sociedade brasileira permanece profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro”.
Essa é uma narrativa típica da esquerda populista (lulopetista). O V-Dem está insinuando que se Lula não for reeleito mais uma vez (a quarta) o Brasil entrará novamente em processo de autocratização? Vamos falar sério: o Brasil não se autocratizou após o impeachment de Dilma, que foi legítimo - dado o desarranjo que seu governo populista de esquerda instalou no país - e perfeitamente legal.
Os consultores acadêmicos, sempre eles: puxando, retorcendo, distorcendo. Fizemos, com a ajuda da IA, um levantamento dos acadêmicos com vínculos com o V-Dem no Brasil. Não vamos divulgar a lista com os vinte e dois nomes encontrados, é claro. Alguns são bem conhecidos como intelectuais militantes do PT. Vale apenas dizer que se fizermos uma pesquisa de intenção de voto nesse universo, Lula vencerá com um resultado que será muito parecido com o daquelas eleições na Coreia do Norte.
Ainda vamos nos debruçar mais longamente sobre o relatório do V-Dem que colocou Canadá e Reino Unido como democracias apenas eleitorais com tendência de democratização inferior a do Brasil. E que também não incluiu Grécia, Portugal e Suriname como democracias liberais.
Segundo o relatório do V-Dem 2026, temos 31 democracias liberais no mundo atual (1), um número semelhante ao dos seus relatórios anteriores. O problema são as inclusões e exclusões especiosas (e abruptas, como o foi o caso da África do Sul) da lista. Será que alguém disse que a África do Sul deveria entrar porque era do BRICS (pelo menos um dos consultores brasileiros do V-Dem se dedica ao BRICS) e depois outros técnicos viram que manter isso era insustentável? Será que o V-Dem está se preparando para promover o Brasil à condição de democracia liberal no próximo relatório? É o que tudo indica. Se Lula vencer a próxima eleição, é óbvio.
Assim o V-Dem (Varieties of Democracy, da Universidade de Gotemburgo) vai se afastando das mais reconhecidas instituições que monitoram os regimes políticos no mundo, como a Freedom House e a The Economist Intelligence Unit. Vai virando um bunker da esquerda acadêmica, de raiz classista (marxista) ou identitarista, no universo desses institutos.
Nota
(1) Democracias Liberais V-Dem 2026 (note-se que o Reino Unido foi retirado da lista):
1. Australia
2. Belgium
3. Costa Rica
4. Czechia
5. Denmark
6. Estonia
7. Finland
8. Germany
9. Iceland
10. Ireland
11. Japan
12. Latvia
13. Luxembourg
14. Netherlands
15. New Zealand
16. Norway
17. Seychelles
18. South Korea
19. Spain
20. Sweden
21. Switzerland
22. Taiwan
23. Austria
24. Barbados
25. Chile
26. Cyprus
27. France
28. Italy
29. Lithuania
30. Trinidad and Tobago
31. Uruguay
Revista ID é uma publicação apoiada pelos leitores.
quarta-feira, 18 de março de 2026
O maior desestrategista de todos os tempos, desde Sun Tzu...
Vamos reconhecer uma coisa: o POTUS é um grande desestrategista. Ele conseguiu prejudicar o mundo inteiro, tudo ao mesmo tempo, com a sua guerra de mudança de regime, que já mudou de objetivo.
Se existisse, ele mereceria um Prêmio AntiNobel da Guerra, com louvor!O VERDADEIRO FAVORITISMO ESTÁ FORA DA POLARIZAÇÃO (Eduardo Leite)
O VERDADEIRO FAVORITISMO ESTÁ FORA DA POLARIZAÇÃO
a parte do jogo que não está nos pólos
Tem uma coisa que muita gente ainda não se ligou: o favoritismo hoje tá fora da polarização.
E não é opinião, é número.
As pesquisas já mostram que entre 36% e 37% dos brasileiros dizem abertamente que estão cansados dessa briga. E quando você olha melhor, fica ainda mais claro: os nomes dos dois lados têm rejeição lá em cima, entre 45% e 55%. Ou seja, não é só cansaço — é saco cheio mesmo.
E tem mais.
Quando entra nos indecisos, o negócio escancara. O Datafolha de março aponta cerca de 44% de gente que simplesmente não sabe em quem votar. Quase metade do país.
Ou seja: o maior grupo hoje não é nem lulista nem bolsonarista. É o cara que tá cansado, indeciso ou simplesmente não compra mais essa disputa.
E isso muda o jogo.
Eleição não se decide só com quem já tem lado. Decide justamente nesse espaço aberto — que vai de 36% (cansaço declarado) até uns 44% (indecisos). É esse povo que vai decidir o jogo.
É aí que tá o verdadeiro favoritismo.
Quem conseguir canalizar esse sentimento vai pro segundo turno.
É exatamente por isso que existe tanto esforço pra sufocar o debate antipolarização. Porque, se esse eleitor se organiza, ele quebra o roteiro.
Eduardo Leite entra justamente neste ponto.
Ele ocupa um espaço que ninguém preenche de verdade: o de quem rejeita os extremos e quer virar a página. Enquanto Ratinho, Caiado e Zema orbitam o mesmo campo do bolsonarismo — sem romper de fato — acabam não dialogando com esse eleitor que já cansou disso tudo.
Leite não. Ele conversa com esse Brasil que tá no meio.
E tem um detalhe importante: muita gente que ainda aparece como “indecisa” nas pesquisas, na prática já decidiu uma coisa — não quer nem um lado nem o outro. Falta só encontrar quem represente isso.
Se nada mudar, a gente pode chegar numa situação absurda: quase 40% do eleitorado ficando num limbo político, sem representação real.
E isso não acontece por acaso.
O sistema se protege. Existe um interesse claro em manter o jogo travado entre os mesmos polos, evitando que uma alternativa real ganhe força.
O favoritismo não tá nos extremos. Tá em quem consegue representar quem já cansou deles.
E quem representar isso… leva.
#BoraLeite #Eleições2026 #PSD #ForaPolarização #ContraOsExtremos #NemLulaNemBolsonaro #CentroDemocrático #EleitorModerado #ChegaDeÓdio #NovaPolítica #AlternativaReal #BrasilSemExtremos #VotoConsciente #TerceiraViaJá
A submissão ao império: da envergonhada à declarada – Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)
A submissão ao império: da envergonhada à declarada
Paulo Roberto de Almeida*
*Revista Será? ANOXIV, 13/03/2026
Neste ensaio provocador, o diplomata Paulo Roberto de Almeida revisita episódios históricos e recentes para examinar as ambiguidades da relação entre Brasil e Estados Unidos. Do alinhamento do período militar à submissão ideológica observada no bolsonarismo, o autor alerta para os riscos de uma política externa capturada por interesses alheios e por lideranças personalistas. Em tempos de turbulência global e pressões geopolíticas renovadas, o texto convida a refletir sobre soberania, dignidade diplomática e o lugar do Brasil no mundo.
Segue o link para o artigo.
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Madame IA ainda vai pirar!
O que eu gosto do meu amigo Airton Dirceu Lemmertz é o fato dele deixar Madame IA doidinha com minhas provocações, tentando encontrar explicações racionais para o besteirol inteiramente resultante das loucuras trumpistas. Ainda quero ver Madame IA esquentar os miolos, não comigo, mas com o danadinho do Trump. Eis a mais recente provocação:
=============
"Então vamos seguir a trilha: depois do Canadá, Panamá, Groenlândia, ameaças ao México, à Colômbia, sequestro na Venezuela, bombardeios no Irã, já, já Cuba, vai ser o quê da próxima vez? Yemen, Coreia do Norte, o que mais? Nenhum país africano, sul-americano? O Partido Democrata, o governador da California, o prefeito de New York? Quem vai ajudar El New Libertador?".
Eis a ordem dada a Madame IA coitada:
FAÇA UMA ANÁLISE DETALHADA E CRÍTICA AO CONJUNTO DE INFORMAÇÕES ACIMA, ENTRE ASPAS; ALÉM DE DECODIFICAR EVENTUAIS CÓDIGOS.
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/quem-mais-esta-na-mira-de-el-new.html
Agora entra a coitada:
Esta análise aborda o texto fornecido sob uma perspectiva geopolítica e de comunicação política, considerando o cenário global em março de 2026.
1. Decodificação de "El New Libertador":
O termo "El New Libertador" (O Novo Libertador) é um código satírico ou crítico direcionado a Donald Trump.
- Origem do Código: Refere-se à postura expansionista e intervencionista adotada por Trump em seu segundo mandato, iniciada em janeiro de 2025. O título ironiza a ideia de "libertar" nações através de ameaças de anexação ou uso de força militar.
- Conexão Ideológica: O termo também ecoa o movimento "libertário" de extrema direita que ascendeu na América Latina, frequentemente associado a figuras como Elon Musk, que ocupava cargo de relevância no governo Trump e defende uma "liberdade absoluta" alinhada aos interesses do grupo.
2. Análise da "Trilha" de Eventos (Fatos e Contexto):
O conjunto de informações lista uma sequência de ações de política externa que refletem a doutrina de "paz através da força" de Trump:
- Canadá, Groenlândia e Panamá: Trump manifestou intenções de anexar o Canadá (como o 51º estado), tomar o controle total da Groenlândia e intervir no Canal do Panamá para reafirmar a hegemonia regional contra a influência chinesa.
- México e Colômbia: As ameaças ao México envolvem pressões comerciais e de segurança (fronteiras), enquanto a tensão com a Colômbia escalou devido a operações antidrogas e o uso do país como base para ações regionais.
- Venezuela ("Sequestro"): Refere-se à captura de Nicolás Maduro pelo exército dos EUA no início de 2026, evento que o governo Trump utiliza como prova de sucesso para validar ameaças contra outros países.
- Irã e Cuba: O Irã enfrenta bombardeios e uma escalada militar direta em 2026, enquanto Cuba é apontada como o próximo alvo da retórica de "mudança de regime".
- Yemen e Coreia do Norte: Citados como os prováveis próximos destinos da projeção de força militar americana, seguindo a lógica de atacar o "Eixo de Resistência" e regimes adversários.
3. Análise Crítica dos Atores Políticos Internos:
O texto questiona quem poderá conter ou ajudar "El New Libertador", citando a oposição interna nos EUA:
- Partido Democrata: Enfrenta uma crise de identidade, dividido entre a ala moderada e a ascensão de figuras radicais como Zohran Mamdani, o novo prefeito socialista e muçulmano de Nova York.
- Governador da Califórnia (Gavin Newsom): Representa o principal bastião de resistência estadual, chegando a processar Trump pelo envio da Guarda Nacional a Los Angeles sem autorização.
- Prefeito de New York (Zohran Mamdani): Eleito em novembro de 2025 com uma plataforma abertamente anti-Trump, prometeu que a cidade seria a vanguarda da oposição, embora tenha mantido reuniões pragmáticas com o presidente para garantir recursos.
* Conclusão da Análise:
O texto é um desabafo crítico sobre a transformação da ordem mundial multilateral em um sistema determinado pela força bruta e unilateralismo dos EUA sob Trump. Ele aponta uma contradição: enquanto o governo se vende como "libertador", suas ações são percebidas como ameaças à soberania de países aliados (Canadá) e vizinhos (México/Colômbia). A pergunta final sugere um isolamento da resistência progressista, que agora se resume a "ilhas" de oposição dentro do próprio território americano.
Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/Agk9s0lPXKtd0UK1q
terça-feira, 17 de março de 2026
A riqueza da “Riqueza das Nações” - Ronald Hillbrecht
A riqueza da “Riqueza das Nações”
Ronald Hillbrecht
(Postado por Gerhard Erich Boehme)
Em março de 1776, foi publicada A Riqueza das Nações, de Adam Smith, professor escocês de filosofia moral que viria a ser reconhecido como o pai da economia moderna. À época, a pobreza era a regra no mundo. A maioria das pessoas vivia no limite da subsistência, e acreditava-se que isso era inevitável. Smith desafiou essa visão. Antecipou, décadas antes, as transformações da Revolução Industrial e apresentou uma explicação poderosa para algo até então raro na história: o crescimento sustentado da riqueza e a superação da pobreza.
Passados 250 anos, sua principal pergunta continua atual: por que algumas sociedades prosperam enquanto outras permanecem estagnadas?
A resposta encontrada por Smith é simples, porém profunda. Sociedades prosperam quando permitem que indivíduos sejam livres para trabalhar, produzir, empreender e realizar trocas, dentro de um ambiente de regras claras, previsíveis e justas. Ele chamou isso de “sistema de liberdade natural”, sustentado por três pilares: liberdade econômica, Estado de direito e mercados competitivos.
Liberdade econômica: o motor da prosperidade
Smith observou que, quando as pessoas têm liberdade para tomar decisões econômicas, buscam naturalmente melhorar de vida. Esse impulso individual, longe de ser um problema, é parte da solução. Ao competir por clientes, empresas inovam, aumentam a produção, reduzem custos e melhoram a qualidade dos produtos.
Esse processo ficou conhecido pela metáfora da “mão invisível”: mesmo agindo por interesse próprio, indivíduos acabam gerando benefícios coletivos. Não por altruísmo, mas porque, em mercados competitivos, atender bem aos outros é a melhor forma de prosperar.
A divisão do trabalho — a especialização produtiva — também foi destacada por Smith como fator essencial para o aumento da eficiência. No entanto, ela depende de mercados amplos e abertos. Sem liberdade para comerciar, seus ganhos desaparecem.
Estado de direito: as regras do jogo
Para que a liberdade econômica funcione, é fundamental a existência de regras confiáveis. Smith defendia um sistema baseado na proteção das pessoas, da propriedade privada e dos contratos. Criticava privilégios, monopólios e barreiras artificiais ao comércio, que beneficiam poucos à custa de muitos.
Sua visão de governo era pragmática: não substituir o mercado, mas garantir condições básicas para seu funcionamento — paz, impostos moderados e um sistema de justiça confiável.
Competição e inovação
Smith também alertava para os riscos da concentração de poder econômico. Empresas, sempre que possível, tendem a evitar a concorrência. Por isso, defendia mercados abertos.
A concorrência protege consumidores, estimula a inovação e impede abusos. É esse processo contínuo de adaptação que sustenta o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida.
O que mostram os dados
A experiência dos últimos dois séculos confirma essas ideias. Países com maior liberdade econômica — como Cingapura, Suíça, Irlanda e Austrália — apresentam altos níveis de renda e qualidade de vida. Já economias com baixa liberdade — como Venezuela, Cuba e Coreia do Norte — permanecem com baixo desenvolvimento.
A diferença entre esses grupos é clara: onde há mais liberdade econômica, há mais crescimento, inovação e prosperidade.
Lições para o presente
O legado de Adam Smith não está em fórmulas complexas, mas em uma intuição poderosa: quando indivíduos são livres para agir dentro de regras justas, a cooperação social emerge de forma espontânea.
Duzentos e cinquenta anos depois, sua mensagem permanece atual: a prosperidade não nasce do controle centralizado, mas de instituições que garantem liberdade, competição e segurança jurídica.
Para o Brasil, essa reflexão é especialmente relevante. O país ainda convive com burocracia excessiva, insegurança jurídica e baixa liberdade econômica. Avançar em direção a instituições mais simples, previsíveis e abertas não é uma questão ideológica, mas um caminho pragmático para o desenvolvimento.
Como mostrou Adam Smith, o caminho para a prosperidade está menos no controle da economia e mais no seu funcionamento livre, descentralizado e orientado por incentivos corretos.
Fonte:
HILLBRECHT, Ronald. A riqueza da “Riqueza das Nações”. Portal iMulher, 17 mar. 2026. Disponível em: https://portalimulher.com.br/a-riqueza-da-riqueza-das-nacoes/
Sobre o colunista
O autor tem graduação em Economia pela FURJ (Joinville – SC), mestrado em Economia pela USP e Ph.D. pela University of Illinois (EUA). Atua como professor titular na Faculdade de Ciências Econômicas (FCE) da UFRGS e membro fundador e ex-presidente do IDERS, Instituto de Direito e Economia do RS.
Contato: ronald.hillbrecht@gmail.com
Recomendo que leia também:
SORMAN, Guy. A nova riqueza das nações. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.
Obra que revisita os fundamentos do desenvolvimento econômico à luz do final do século XX, destacando o papel das instituições, da liberdade econômica e da inovação. O autor contrapõe modelos estatistas a experiências bem-sucedidas de economias abertas, defendendo que a prosperidade decorre da capacidade de adaptação e do ambiente favorável ao empreendedorismo.
MEIRA PENNA, José Osvaldo de. Opção preferencial pela riqueza. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1994.
O autor propõe uma inversão conceitual provocativa: ao invés de políticas centradas na pobreza, defende a criação de riqueza como caminho real para sua superação. A obra critica o intervencionismo estatal e sustenta que liberdade econômica, educação e responsabilidade institucional são os verdadeiros motores do desenvolvimento.
LANDES, David S. A riqueza e a pobreza das nações: por que algumas são tão ricas e outras tão pobres. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
Clássico da história econômica comparada, analisa fatores culturais, institucionais e tecnológicos que explicam as diferenças de desenvolvimento entre países. O autor destaca o papel da cultura do trabalho, da inovação e das instituições na formação da prosperidade de longo prazo.
ASMUS, Barry; GRUDEM, Wayne. A pobreza das nações: uma abordagem sustentável. São Paulo: Vida Nova, 2016.
A obra integra economia e fundamentos morais, defendendo que prosperidade sustentável depende de princípios como propriedade privada, livre mercado, Estado limitado e valores éticos. Apresenta uma visão normativa, associando desenvolvimento econômico a fundamentos culturais e religiosos.
ACEMOGLU, Daron; ROBINSON, James A. Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
Os autores defendem que o sucesso ou fracasso das nações está diretamente ligado à qualidade de suas instituições. Instituições inclusivas promovem crescimento e inovação; instituições extrativistas concentram poder e limitam o desenvolvimento. A obra se tornou referência contemporânea no debate institucional.
PAZOS, Luiz. Desigualdade e distribuição da riqueza. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.
O autor analisa a desigualdade sob a ótica da liberdade econômica, argumentando que a geração de riqueza precede sua distribuição. Critica políticas redistributivas ineficientes e defende mercados livres como mecanismo mais eficaz para elevar o padrão de vida geral.
HAYEK, Friedrich A. O caminho da servidão. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.
Clássico da teoria política e econômica, alerta para os riscos do planejamento central e da expansão do Estado sobre as liberdades individuais. Hayek demonstra como intervenções graduais podem levar à perda de liberdade e ao autoritarismo, mesmo em sociedades democráticas.
WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Obra fundamental da sociologia econômica, investiga a relação entre valores religiosos e o desenvolvimento do capitalismo moderno. Weber argumenta que a ética protestante contribuiu para a formação de uma mentalidade orientada ao trabalho, disciplina e acumulação racional.
O conjunto dessas obras converge para um eixo comum: prosperidade não é fruto do acaso, mas de instituições, cultura, liberdade econômica e responsabilidade individual.
Apesar de abordagens distintas — históricas, econômicas, morais e sociológicas — todas apontam que:
(1) riqueza se constrói antes de ser distribuída,
(2) instituições importam mais que discursos,
e
(3) liberdade, quando bem estruturada, gera desenvolvimento sustentável.
Quem mais está na mira de El New Libertador?
China: Viagens de uma Historiadora no País do Dragão - livro de Carmen Lícia Palazzo
Novo livro de Carmen Lícia Palazzo:
China: Viagens de uma Historiadora no País do Dragão
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