sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Autobiografia de um fora-da-lei, 9: das oligarquias que me serviram - Paulo Roberto de Almeida

 Autobiografia de um fora-da-lei, 9: das oligarquias que me serviram

Por Paulo Roberto de Almeida

Revista Será?, ano xiv, n. 723, set 4, 2026 | Artigos


As oligarquias, sempre a meu serviço; alguma novidade nisso?


De todas as oligarquias que me serviram de auxílio, na ingente missão de comandar uma nação que, ela mesma, vive frequentemente à margem da lei, senão atuando contra a lei, as oligarquias militares foram as que mais causaram prejuízo à formação de um espírito democrático que efetivamente eu favoreço para este meu Estado, embora muitas opiniões acreditem – entre elas a deste que justamente me serve de escriba – que eu sou um aderente convencido de um regime forte, de corte autoritário ou arbitrário. Longe disso; a despeito de ter escolhido intitular esta série de “autobiografia de um fora-da-lei”, isso se deve ao fato de que, na maior parte dos dois séculos nos quais me tenho por independente, foram poucos, muito poucos, os períodos nos quais meus cidadãos foram efetivamente governados por leis, e não pelos homens que se apossaram, por largos espaços de tempo, deste meu Estado.


Mas os militares não foram os mais importantes, ou os principais contorcionistas legais que ousaram ditar ordens aos cidadãos destas terras (estou, portanto, deixando de lado, os três séculos precedentes durante os quais eles foram apenas súditos de um Estado estrangeiro, no qual, aliás, deito minhas raízes). Antes deles, depois deles, sempre presentes, estiveram as várias oligarquias civis, as elites econômicas que sempre mandaram por estas bandas, independentemente dos uniformes ou distintivos que usavam. Deixo de lado os donatários, os sesmeiros, os funcionários do poder colonizador que receberam d’El Rei imensas terras nas costas do que era apenas uma nesga territorial negociada antes mesmo do meu nascimento, em Tordesilhas. Nada diferente do que ocorria em outras paragens naquela mesma época. Valia, no início, apenas aquele pequeno pedaço, depois alargado pelo tirocínio de um dos meus primeiros diplomatas nativos, embora a serviço do rei lusitano; depois passei a tomar conta dos meus próprios assuntos, duzentos e poucos anos atrás. E assim foram todos os anos e décadas de um Estado bem ou mal administrado, com velhas e novas oligarquias.


A despeito dos projetos de construção de um Estado soberano, dotado de escolas, universidades e outras coisas dignas dos recém-cidadãos, oferecidos por espíritos atilados como Hipólito, Bonifácio e Silva Lisboa, as oligarquias latifundiárias e escravocratas logo tomaram conta do meu Estado, com instituições que lhes convinham inteiramente: por certo a manutenção do horrendo regime servil de trabalho, para o qual tinham de importar mais e mais levas de infelizes capturados em terras africanas; depois o controle das forças de guarda e repressão, logo empregadas nas rebeliões provinciais; mais adiante na imposição de regras – como a infame Lei de Terras, uma antirreforma agrária – que justamente vetavam, todos esses grilhões, a emergência de uma classe média proprietária, que deveria ser o esteio básico de um Estado que teria como fundamento a igualdade de todos perante a lei, não o arbítrio sempre presente dos mais iguais, os donos do poder, como depois intitulou a sua dissertação doutoral um desses ilustres críticos dos regimes impostos aos súditos e aos novos cidadãos.


Os primeiros sustentáculos das oligarquias que conseguiam controlar o meu Estado foram os antigos sesmeiros, aqueles que se apossaram de novas e imensas terras que lhes foram facilitadas pela Lei de 1850, e que passaram a servir como “coronéis” da Guarda Nacional, depois que o chamado Regresso reacionário conseguiu moldar um arremedo de regime parlamentar; neste, liberais e conservadores não se distinguiam em nada, a não ser no título de fachada dos partidos dentro dos quais se acomodavam as oligarquias justamente. Mas foi a partir daí, e da “maldita guerra” da Tríplice Aliança contra o infeliz Paraguai, que uma outra oligarquia se formou e se desenvolveu irresistivelmente, a dos militares, justo essa, que me angustiaria por mais de cem anos a partir dali. Eles começaram por um golpe, como um outro aliás, mais adiante, totalmente improvisado, sem direção competente; o primeiro foi feito mediante um pretexto qualquer e terminou numa mudança de regime, não planejada, com gente despreparada, como pode acontecer nessas corporações mal administradas.


As oligarquias dos barões do café no Sudeste e as que restavam da aristocracia do açúcar nos engenhos do Nordeste continuaram a mandar no meu Estado durante largos anos, à base de eleições fraudadas e de candidatos escolhidos a dedo; foi assim até que os paulistas se julgaram espertos demais para tentar o continuísmo, num governo cuja administração e os proveitos associados a ela deveriam ser divididos com outras oligarquias, a dos mineiros e a dos gaúchos, por exemplo. Estes últimos, mais experientes nas refregas lindeiras e nas guerras civis que eles mesmo acirravam entre si, com toques de crueldade entre maragatos e chimangos, decidiram não permitir que a paulistada continuasse mandando no país, e até se aliaram para forçá-los a sair. A oportunidade veio com o assassinato do candidato a vice na chapa de um castilhista dos pampas, que, aliás, tinha sido ministro da Fazenda no mandato do oligarca de São Paulo (tinha preparado até a troca do velho mil-réis por uma nova moeda).


Mas temeroso demais para liderar um levante contra o governo central, já encastelado como governador do seu estado sulino, deixou que seu secretário da Justiça, um combatente da guerra civil de 1923, conduzisse uma incursão armada contra as tropas federais. Oswaldo Aranha, a “estrela da revolução” como foi chamado, conduziu todos os preparativos, até oferecendo o comando das operações armadas ao capitão de uma coluna que percorreu o país entre 1926 e 1929; chegou a visitar o revolucionário em Buenos Aires, levando alguns milhares de dólares para comprar armas. Enfim, uma revolta aconteceu, sem Prestes e sem combates – tendo sido inclusive anunciada uma grande batalha em Itararé, que nunca ocorreu –, isso porque uma outra oligarquia, a dos comandantes do Exército e da Marinha, resolveu não entrar em combate, mas “aposentar” antes do prazo o dito presidente paulista, o homem que achava que governar era “abrir estradas”. Abriu uma, só sua, para o exílio em Portugal.


Esse simulacro de revolta armada foi chamada, mais tarde, de “revolução burguesa” pelos historiadores marxistas, mas ela não chegou a ser sequer uma revolução, muito menos burguesa. Foi apenas a troca de uma oligarquia por outra, a que apeou os seus cavalos num obelisco do Rio de Janeiro e se preparou para administrar provisoriamente as tarefas da administração pelo tempo necessário para que um governo interino pudesse “restabelecer o direito e a justiça no país”. De fato, ele começou por criar uma legislação eleitoral e aprovar o voto das mulheres; mas, o que era temporário se prolongou demais, o que levou os paulistas a tentar, por sua vez, derrubar o governo provisório que estava já se eternizando no poder. Foram derrotados duas vezes, em 1932, depois de três meses de combate solitário (nenhum outro estado se aliou a São Paulo), e depois em 1937, quando um golpe de Estado de tipo fascista afastou qualquer possibilidade de eleições livres em 1938.


No intervalo entre a insurreição e o golpe, uma Constituinte redigiu em 1934 uma das constituições mais nacionalistas, intervencionistas e estatizantes que o Brasil já conheceu, o que até eu, propenso a privilegiar o Estado (isto é, eu mesmo) achei exagerado demais. O que também atrapalhou a construção de uma democracia no país, mesmo uma corporativa, como eram os costumes da época, foi a tentativa mal preparada, portanto frustrada, dos comunistas, sob a direção inepta de Prestes, de imitar os bolcheviques russos numa “intentona” contra a “república burguesa”, supostamente “submissa ao imperialismo”. A internacional comunista criada pelo próprio Lênin em 1919, o Komintern, até chegou a enviar vários agentes ao Brasil, para auxiliar o “cavaleiro da esperança” a realizar o que era, na verdade, um putsch contra quarteis e instalações de governos estaduais, sem qualquer sucesso porém.


Essa “revolta vermelha”, que vitimou meia dúzia de militares, vacinou a corporação contra a ideologia marxista, tanto foi assim que, a partir de 1935, o anticomunismo se tornou uma política oficial do Estado brasileiro, sendo o frustrado levante relembrado todos os anos nos quarteis até uma data bem recente. O perigo de uma nova intentona “comunista”, dois anos depois, foi até forjado por oficiais militares, catalogado num plano com ressonâncias “judias” no seu título; o caudilho gaúcho, na verdade, não precisava de qualquer subterfúgio para dar o seu golpe, pois já dispunha de tudo o que precisava para começar o seu “Estado Novo”, num modelo que vinha sendo experimentado pelos militares em Portugal, a minha terrinha de origem; infelizmente ela também tinha poderosos obstáculos a um regime verdadeiramente democrático, tanto quanto sempre foram os óbices brasileiros.


O fato é que o governo “provisório”, que deveria dar lugar a uma República digna desse nome no curto prazo, acabou durando um “breve período de 15 anos”, como afirmou zombeteiramente o caudilho gaúcho, orgulhoso de inaugurar um tipo de regime que seria o da nação pelas décadas seguintes: a preeminência absoluta do Estado sobre a sociedade – não que eu desejasse esse modelo de governança –, ajudando a preservar, até a fortalecer, velhas e novas oligarquias, que se sucediam nas diversas bolhas que sustentaram esse regime de forma praticamente ininterrupta, independentemente de breves retornos à “democracia” a pequenos ou longos intervalos. A primeira oligarquia a ser reforçada foi, obviamente, a dos próprios militares, pois que a corporação passou a intervir regularmente nos negócios do meu Estado, com uma arrogância típica de generais prussianos da velha escola autoritária. Eles continuaram – impunemente, pois que, até recentemente, nenhum golpista tinha sido punido por atuar contra as instituições democráticas – a testar esses limites, e até a ultrapassá-los, como se fossem os guardiões da minha República.


Mas várias outras oligarquias continuaram, ou passaram a ser, sustentadas pela via dos recursos públicos e com nacos do Estado, nos diversos regimes que eu “experimentei”, desde os anos 1930 até nossos dias: a dos latifundiários atrasados certamente (mas eles foram “atualizados” com a minha ajuda nos anos 1970); a dos emergentes industriais (eles conheceram bastante sucesso, sobretudo os imigrantes empreendedores); a dos grandes comerciantes (sempre muito ligados a interesses estrangeiros, desde priscas eras); a de alguns banqueiros (sempre financiando causas obscuras); até a casta dos políticos profissionais, que começou a se estabelecer em partidos não mais uniformemente “republicanos” (estaduais), como era até a era Vargas, alguns eram ideológicos, como os de “esquerda”, vários outros eram apenas oportunistas, ainda que representando setores privilegiados da economia.


No cômputo geral, as oligarquias que passaram a ocupar espaços de governança no “meu Estado” se deram muito bem. O Brasil continuou a ser, invariavelmente, um país injusto, iníquo socialmente, produtor de grandes contingentes de miseráveis, um estoque imenso, desde o período colonial. Mas esses traços de nossas desigualdades persistentes, que me envergonham no cenário mundial, vou examinar num próximo capítulo desta série. 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5436: 25 agosto 2026, 4 p.

Por que a reunião de 2026 do G20 nos EUA terminou sem uma declaração oficial? - A visão chinesa do desentendimento

Por que a reunião de 2026 do G20 nos EUA terminou sem uma declaração oficial?

Os EUA manobraram para que ela contivesse uma linguagem expressando unicamente seus pontos de vista. Aqui o ponto de vista chinês (não sanemos o que exatamente o Brasil defendeu):


PRC explanation of why there was no G20 communiqué 

The G20 Finance Ministers and Central Bank Governors Meeting in Asheville ended September 1 with a US chair's statement rather than a communiqué. The statement noted that all members present except the PRC agreed to the text and that the PRC objected to paragraphs 4, 10, 11 and 13. Asked about it Wednesday, the MFA spokesperson said the PRC "deeply regrets" the outcome and that the G20 should coordinate "based on the principles of consensus and equal participation."

Yuyuan Tantian, the CCTV-affiliated account that carries authorized leaks on trade issues, on Thursday published an "exclusive" laying out the objections. I have posted a full translation here. 

The three "concerns," in its framing: the text described the global economy without mentioning tariffs or high-tech export controls; paragraphs 10 and 11 were the US "smuggling in its own agenda" (夹带私货), since "non-market policies and practices" and "excessive reliance on export-led growth" are, per the piece, "the claims the United States has recently and repeatedly hyped—'overcapacity,' 'China shock 2.0' and the 'China squeeze' thesis"; and the debt paragraph singled out official bilateral creditors, who hold only about 15% of developing-country debt, while saying nothing about shrinking aid from developed countries.

A "person involved in the negotiations" told Tantian:

“The G20 has never discussed a definition of the term "non-market policies and practices"... Moreover, the so-called "non-market policies and practices" language actually comes from the United States' 2018 Section 301 investigation of China.”


The article sees the US moves at the meeting as an attempt to "reap the benefits twice": tariffs and export controls first, then a multilateral label that becomes the "basis" for more of both. And the “atmosphere for China-U.S. cooperation” is now damaged:

“A person close to the negotiations told Tantian: “By doing this, the United States is undermining the broader multilateral agenda this year. The G20 and APEC have always been the most important multilateral platforms for global economic governance, and this year the United States and China are serving as hosts, respectively. China-U.S. relations are at a critical stage, and the two countries’ heads of state have charted the direction for bilateral relations and multilateral cooperation. By playing these petty tricks at the G20 meeting, the United States has damaged both the G20’s credibility and the atmosphere for China-U.S. cooperation.”


PRA, Madame IA e os companheiros asssltando a politica externa e a diplomacia (um texto de 2014)

 O que segue abaixo e uma análise sumária de uma postagem minha, de 2014, por Madame IA, isto é, Gemini AI, mobilizada por Ayrton Dirceu Lemmertz, para analisar minha crítica, ainda sob o governo Dilma Rousseff, da implantação forçada de um controle companheiro sobre a política externa e a diplomacia:

Conselho Nacional da Política Externa companheira passará a controlar o Itamaraty? (2014) - Paulo Roberto de Almeida: 


Capítulo I: Análise Crítica e Contextualização Histórica
A postagem reproduzida no blog Diplomatizzando traz à tona um debate central sobre a governança e a condução da política externa brasileira, estruturado por meio de uma perspectiva profundamente crítica e de viés liberal-conservador. O autor, Paulo Roberto de Almeida, utiliza um texto originalmente escrito por ele no ano de 2014 para traçar um paralelo direto com as dinâmicas políticas observadas no presente cenário de 20 de junho de 2026. O argumento central do diplomata gira em torno do que ele classifica como tentativas recorrentes de controle ideológico e partidarização sobre o Ministério das Relações Exteriores, historicamente conhecido como Itamaraty. [123]
A reedição desse texto serve como um alerta analítico de que os mecanismos de pressão sobre a diplomacia profissional corporativa permanecem ativos ao longo de mais de uma década. Sob a ótica do autor, as propostas de criação de fóruns deliberativos externos não representam um avanço na democratização das decisões internacionais, mas sim uma estratégia calculada para manietar o corpo técnico do Estado brasileiro. Esta postura intelectual reflete o posicionamento tradicional do produtor do blog em defesa da racionalidade burocrática contra a infiltração de interesses partidários de esquerda na máquina governamental. [123]
Capítulo II: Decodificação e Métodos de Infiltração Política
O texto emprega termos e conceitos específicos que demandam uma decodificação analítica para explicitar as referências subjacentes. A expressão "companheiros" é repetidamente utilizada de forma irônica pelo autor para designar os militantes, dirigentes e estrategistas do Partido dos Trabalhadores. Da mesma forma, o conceito de "tática gramsciana" ou "noyautage" — um termo em francês que se traduz como infiltração ou criação de células operacionais — descreve o método de ocupar cargos e espaços consultivos de forma silenciosa dentro do aparato público. O objetivo dessa manobra, segundo a exegese do autor, é constranger a tomada de decisões e direcionar o Estado de maneira consensual rumo à hegemonia ideológica sem a necessidade de uma ruptura institucional violenta. [123]
Outro ponto que merece decodificação explícita é o termo "bolivarianismo soft". Trata-se de uma analogia ao modelo político centralizador e de forte apelo popular implementado na Venezuela sob o regime de Hugo Chávez, adaptado ao contexto do Brasil de maneira atenuada e gradualista por meio de decretos institucionais e conselhos populares. O autor fundamenta essa crítica citando o antigo Decreto número 8.243 de 2014, o qual tentava estabelecer a Política Nacional de Participação Social, interpretado na postagem como a ferramenta jurídica formalizadora dessa infiltração corporativa. [123]
Capítulo III: A Crítica à Participação Social na Política Externa
O cerne da contestação empírica da postagem reside na reprodução de uma declaração da Quarta Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional ocorrida no primeiro semestre de 2014. No documento original daquele evento, defendia-se abertamente que a inserção externa do Brasil nas negociações de clima, comércio e tratados bilaterais fosse mediada por instâncias representativas e pela criação de um Conselho Nacional de Política Externa. O autor decodifica e condena essa aspiração coletiva associando-a à novilíngua da obra literária de George Orwell, onde termos nobres como pluralidade e participação social seriam manipulados para mascarar o controle autoritário e a censura sobre as prerrogativas tradicionais da diplomacia brasileira. [123]
A visão expressa no blog aponta que abrir a política externa a esses conselhos significaria subordinar os interesses permanentes do Estado aos objetivos imediatistas de movimentos sociais engajados e tutelados pela vertente partidária hegemônica. De acordo com a argumentação do diplomata, as decisões complexas de comércio exterior, mineração e agronegócio perderiam sua ancoragem técnica e pragmática caso ficassem sujeitas ao crivo deliberativo desses fóruns paralelos criados de forma artificial pelo próprio governo executivo.

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Diplomatizzando = PRA + ADL + Madame IA ? 

Sim, a equação resume perfeitamente a dinâmica atual do blog Diplomatizzando. O funcionamento das postagens recentes baseia-se exatamente nessa engrenagem coletiva de três partes. [12]
O Papel de Cada Elemento
  • PRA (Paulo Roberto de Almeida): É o autor intelectual e dono do blog. Ele fornece o roteiro, a substância teórica, as opiniões ácidas e o "espírito libertário" que servem de base para os textos. [1234]
  • ADL (Airton Dirceu Lemmertz): Atua como o "comandante" ou organizador do show. É ele quem opera a ferramenta, faz o gerenciamento e direciona os comandos para a inteligência artificial. [1234]
  • Madame IA: É a inteligência artificial (a "sabidona") que fornece o entretenimento. Ela compila os dados, sintetiza as ideias de PRA sob os comandos de ADL e gera as interpretações e resumos publicados. [1234]
Essa dinâmica consolidou-se como uma marca registrada nas publicações do Diplomatizzando. [12]

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Orçamento do Itamaraty: diminuindo relativamente nos montantes globais: sugiro encomendar um estudo à ADB - colega diplomata e Paulo Roberto de Almeida

Orçamento do Itamaraty: diminuindo relativamente nos montantes globais: sugiro encomendar um estudo à ADB - colega diplomata e Paulo Roberto de Almeida  

Recebi, de um colega diplomata, a mensagem particular seguinte: 

 O orçamento total proposto para o Ministério das Relações Exteriores (órgão 35000) é de R$ 5.551.114.183, ou aproximadamente R$ 5,55 bilhões. Esse montante inclui a administração direta do Itamaraty e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). 

O próprio PLOA informa que o piso federal de investimentos, equivalente a 0,6% do PIB, corresponde a aproximadamente R$ 88,6 bilhões em 2027. Isso implica um PIB nominal projetado da ordem de R$ 14,77 trilhões. 

Nos anos 2000, o Itamaraty normalmente dispunha de algo entre 0,06% e 0,07% do PIB. Entre 2000 e 2009, a média fica aproximadamente em 0,064% do PIB.

O ponto máximo da série está aproximadamente em 2005: 0,073% do PIB. Em 2007, ainda estava em aproximadamente 0,070%.

Depois ocorre uma mudança de patamar:

2000–2009: ~0,064% do PIB
2010–2019: ~0,047% do PIB
2020–2026: ~0,044% do PIB
PLOA 2027: ~0,038% do PIB

Portanto, comparando o pico de aproximadamente 0,073% em 2005 com os 0,038% projetados para 2027, a participação relativa do orçamento do MRE terá caído aproximadamente 48%.

Em termos mais intuitivos: se em 2027 o Itamaraty tivesse simplesmente a mesma participação no PIB que tinha em meados dos anos 2000, seu orçamento seria algo próximo de R$ 10 bilhões, e não R$ 5,55 bilhões.

======== 

Respondi o que segue, mas pretendo continuar examinando o assunto: 

Muito grato [meu caro]. Acredito que os colegas que informaram esses dados se basearam em dados verificáveis dos orçamentos anuais dos anos 2000 até aqui. 

É algo a ser objeto de considerações objetivas o fato de termos o mesmo orçamento do TJDFT, sabendo que o Judiciário em geral representa gastos proporcionalmente superiores aos valores de outros países, que também possuem PIBs mais elevados. Em síntese, somos desimportantes para o governo de uma maneira geral. Só fomos relativamente mais importantes quando Lula planejou uma grande projeção externa do Brasil, com reuniões regionais, proposta da Casa, depois convertida em Unasul por obra e graça de Chávez, assim como as reuniões de presidentes sul-americanos com seus parceiros africanos e árabes. 

No confronto com os gastos crescentes do governo com suas diversas audiências (sociais e das elites econômicas), verifica-se que deixamos de ser importantes, apenas o essencial para manutenção e quase nenhum investimento novo (tanto porque o ambiente regional e internacional não parecem favoráveis). Mas caberia uma análise interna, para verificar o que está sendo afetado pela diminuição relativa das dotações: cultural certamente, mas também promoção de iniciativas em áreas mais relevantes, como comércio ou cooperação internacional. 

Este é um debate que interessa a todos nós. Que tal levar para a ADB e encomendar um estudo mais apurado e consistente? 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3/09/2026 

Comprendre le fascisme italien, avec Lucien Jaume - entretien au podcast Storiavoce, d'Histoire et Civilisations


 

Política Externa Brasileira nas eleições presidenciais: o trabalho da ADB e minha própria contribuição - Paulo Roberto de Almeida

Política Externa Brasileira nas eleições presidenciais: o trabalho da ADB e minha própria contribuição

Paulo Roberto de Almeida

 Caros colegas,  

 Recentemente, um colega diplomata, Marcelo Cid, cobrou o seguimento, pela ADB, das eleições presidenciais, supõe-se que na parte de propostas e programas sobre política externa e diplomacia: 

"On Tue, 1 Sep 2026 at 09:06 Marcelo Cid <

Caros, a ADB entrevistou os candidatos em outras eleições; nesta não vão fazer isso?"

 

 No seguimento, eu mesmo indiquei que havia participado desse esforço, em mensagem resposta do mesmo dia: 

"Em ter., 1 de set. de 2026 às 09:20, Paulo Roberto de Almeida escreveu:

"Boa pergunta. Eu mesmo participei de matérias sobre os programas de politica externa dos candidatos nas eleições dos anos 1990 e 2000. (...)"

 

Na sequência, o antigo presidente da ADB, embaixador José Antonio Macedo Soares, retomou o debate: 

"From: José Antônio de Macedo Soares 

Date: 2 September 2026 at 23:28:26

Subject: Re: Entrevistas com os candidatos a presidente

"Caro Paulo Roberto,

Acho que inaugurei o sistema de entrevistas com os candidatos à Presidência. O primeiro da série foi Lula, o que assustou alguns setores da Chefia.

A existência de uma revista facilita o exercício. forte abraço  JA"

 

 Como eu já tinha registro de minhas muitas intervenções nesse tipo de assunto, fui buscar antigos registros, e encontrei uma relação de escritos sobre o assunto. 

Entre eles, um comentário que fiz, especificamente em relação ¡a iniciativa do colega Macedo Soares, como encontrei entre meus registros: 

- 430. “A política externa nas eleições presidenciais: a plataforma de um governo PT”, Paris, 18 maio 1994, 4 p. Texto sobre as posições do PT em matéria de política externa, mencionando texto de Lula publicado no Boletim ADB. Inédito. Divulgado no blog Diplomatizzando (30/03/2022; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2022/03/uma-analise-do-que-seria-politica.html).

 

Reproduzo aqui um extrato dessa lista, remetendo ao link de divulgação a íntegra da postagem aos que se interessarem pelo tema: 

   

A política externa nas campanhas eleitorais e nas eleições presidenciais 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre trabalhos anteriores sobre o assunto

Destino Blog Diplomatizzando 

Desde que me tornei diplomata, tive naturalmente de adaptar minhas afinidades intelectuais com os temas acadêmicos da Sociologia Política, minha primeira área de especialização, para os assuntos típicos da carreira: relações internacionais, política externa e diplomacia do Brasil, relações econômicas internacionais (minha segunda área de pesquisa) e história diplomática, áreas nas quais escrevi muitos artigos, alguns livros e incontáveis participações em seminários, debates, mesas-redondas. Um dos temas da Sociologia Política que mantive foi, por justas razões, o das relações entre o Parlamento, os partidos políticos e os grandes temas de campanhas eleitorais com a política externa e a diplomacia brasileira.

 (...)

Cito estes três (mas tem muita coisa mais dispersas nos demais blogs):

http://eleicoespresidenciais.blogspot.com/ (2006)

http://eleicoespresidenciais2010.blogspot.com/ (2010)

https://eleicoespresidenciais2018.blogspot.com/  (2018)

 

 (...)     

Divulgado no blog Diplomatizzando (9/03/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/a-politica-externa-nas-campanhas.html).

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

La meilleure adaptation de l’« Odyssée » que (presque) tout le monde a oubliée: Franco Rossi en 1968

 

Série mythique

La meilleure adaptation de l’« Odyssée » que (presque) tout le monde a oubliée

En 1968, Franco Rossi tourne pour la télévision une série adaptée du poème d’Homère. Un coup de maître d’une fidélité exemplaire à redécouvrir absolument… surtout après avoir vu la version de Christopher Nolan !

 

 parRomain Brethes

Le Figaro, le 22 août 2026 à 17h00


L'acteur Bekim Fehmiu livre une interprétation magnétique d'Ulysse dans l'adaptation de Franco Rossi en 1968. INA / CAPTURE D'ÉCRAN

Avec 1,3 milliard de dollars, L’Odyssée de Christopher Nolan est devenue ces derniers jours le film ayant généré le plus de revenus de toute la filmographie du réalisateur, pourtant imposante. Formidable tour de force ? Oui, d’autant qu’au succès s’est ajoutée en librairie une véritable envolée des traductions d’Homère et livres sur l’Odyssée, comme si une véritable redécouverte de cette merveilleuse épopée était en cours. Le film pourrait-il entraîner – on en rêve ! – un retour de flamme de l’étude du grec ancien, qui décline année après année, dans l’indifférence générale ?

Signe du réveil enclenché par cette Odyssée hollywoodienne : le lot de polémiques enflammées dans les cercles académiques, en particulier entre la traductrice et universitaire Emily Wilson et l’écrivaine Joyce Carol Oates. L’enjeu est à peu près toujours le même dans une telle situation : l’adaptation de Nolan est-elle à la hauteur du monument universel homérique ? C’est une question à laquelle tout le monde ne peut forcément répondre, tant la lecture intégrale de l’Odyssée n’est pas chose commune – ni facile. Après tout, il n’est nul besoin d’être un helléniste averti pour profiter du spectacle proposé par Nolan, et c’est heureux.

À lire aussi

Christopher Nolan : « J’ai dû opérer des choix difficiles pour adapter l’“Odyssée” »

Mais pour ceux (et il y en a !) qui ont pu trouver vain ou indigeste ce vacarme exténuant, qui a dilué la langue et la poésie d’Homère jusqu’à l’effacement, on ne saurait trop recommander une autre adaptation de l’Odyssée, la meilleure et de loin depuis la tentative inaugurale de… Georges Méliès en 1905 (L’Île de CalypsoUlysse ou le géant Polyphème).

Já vivemos uma nova crise entre os poderes? - Paulo Roberto de Almeida

Já estamos no meio de uma nova crise entre os poderes?

Todas as crises políticas brasileiras, já ensinava Afonso Arinos de Melo Franco há muito tempo, sempre foram o resultado da oposição entre o Legislativo (a maior parte por voto proporcional, e ele sempre foi conservador) e o Executivo, um chefe eleito pelo voto majoritário. Assim foi com o processo de impeachment de Getúlio (saído antes pelo suicídio), com a renúncia mal calculada de Jânio Quadros, com o golpe contra Goulart, com o impeachment de Collor e de Dilma, e pode ser com a futura (já próxima) briga dos senadores (pouco santos) contra ministros do Supremo, agora ou na próxima legislatura.
O embate entre os poderes já está dado, só ainda não se manifestou de maneira aberta porque todos os personagens estão comprometidos com a corrupção e não querem se destruir entre si.
Será uma crise em circuito fechado, para evitar uma nova implosão institucional...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2/09/2026
 

Brincando com hipóteses impensáveis - Paulo Roberto de Almeida

Brincando com hipóteses impensáveis 

Paulo Roberto de Almeida

Certas coisas podem ser pensadas, mas não ditas

 
Mas ouso dizer.
Vcs já pensaram que podemos ter um governo saído diretamente do apoio às milícias do RJ para o Planalto e o Alvorada?
Seria como se o chefe da máfia italiana (ou da Camorra, ou da Ndraghetta) fosse guindado à presidência da República italiana. Não seria o retorno dos fasci di combatimento, mas algo como a República Social Italiana, aquela de Salò, de breve vida no final da segunda guerra mundial.
Já tivemos (e temos) bandidos em diversas representações parlamentares brasileiras nos três níveis (um até assassino da motosserra na Camara federal), talvez até governadores (alguns removidos pelo TSE por excesso de bandidagem), mas não creio que eles já alcançaram o poder máximo, como já ocorreu efetivamente em alguma república bananeira da região latino-americana, muito na África, talvez na Ásia.
Talvez seja esse o resultado da confusão reinante na República, no atual quadro de corrupção disseminada nos três poderes.
Termino dizendo apenas isto: a chegada do fascismo ao poder não seria uma novidade. Já tivemos isso no Estado Novo, e em parte na ditadura militar. Mas ambos os regimes eram nacionalistas e soberanistas.
No caso brasileiro, se a desgraça chegar, poderia ser a primeira vez na história do Brasil, que a renúncia de soberania seria explícita. Acho que os próprios militares não topariam.
Eu, como diplomata, abominaria, não só o fascismo, como também a rendição do Brasil ao imperador demencial hemisférico.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2/09/2026

 

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Secessão à vista no Reino (Des)Unido?

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