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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Orçamento do Itamaraty: diminuindo relativamente nos montantes globais: sugiro encomendar um estudo à ADB - colega diplomata e Paulo Roberto de Almeida

Orçamento do Itamaraty: diminuindo relativamente nos montantes globais: sugiro encomendar um estudo à ADB - colega diplomata e Paulo Roberto de Almeida  

Recebi, de um colega diplomata, a mensagem particular seguinte: 

 O orçamento total proposto para o Ministério das Relações Exteriores (órgão 35000) é de R$ 5.551.114.183, ou aproximadamente R$ 5,55 bilhões. Esse montante inclui a administração direta do Itamaraty e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). 

O próprio PLOA informa que o piso federal de investimentos, equivalente a 0,6% do PIB, corresponde a aproximadamente R$ 88,6 bilhões em 2027. Isso implica um PIB nominal projetado da ordem de R$ 14,77 trilhões. 

Nos anos 2000, o Itamaraty normalmente dispunha de algo entre 0,06% e 0,07% do PIB. Entre 2000 e 2009, a média fica aproximadamente em 0,064% do PIB.

O ponto máximo da série está aproximadamente em 2005: 0,073% do PIB. Em 2007, ainda estava em aproximadamente 0,070%.

Depois ocorre uma mudança de patamar:

2000–2009: ~0,064% do PIB
2010–2019: ~0,047% do PIB
2020–2026: ~0,044% do PIB
PLOA 2027: ~0,038% do PIB

Portanto, comparando o pico de aproximadamente 0,073% em 2005 com os 0,038% projetados para 2027, a participação relativa do orçamento do MRE terá caído aproximadamente 48%.

Em termos mais intuitivos: se em 2027 o Itamaraty tivesse simplesmente a mesma participação no PIB que tinha em meados dos anos 2000, seu orçamento seria algo próximo de R$ 10 bilhões, e não R$ 5,55 bilhões.

======== 

Respondi o que segue, mas pretendo continuar examinando o assunto: 

Muito grato [meu caro]. Acredito que os colegas que informaram esses dados se basearam em dados verificáveis dos orçamentos anuais dos anos 2000 até aqui. 

É algo a ser objeto de considerações objetivas o fato de termos o mesmo orçamento do TJDFT, sabendo que o Judiciário em geral representa gastos proporcionalmente superiores aos valores de outros países, que também possuem PIBs mais elevados. Em síntese, somos desimportantes para o governo de uma maneira geral. Só fomos relativamente mais importantes quando Lula planejou uma grande projeção externa do Brasil, com reuniões regionais, proposta da Casa, depois convertida em Unasul por obra e graça de Chávez, assim como as reuniões de presidentes sul-americanos com seus parceiros africanos e árabes. 

No confronto com os gastos crescentes do governo com suas diversas audiências (sociais e das elites econômicas), verifica-se que deixamos de ser importantes, apenas o essencial para manutenção e quase nenhum investimento novo (tanto porque o ambiente regional e internacional não parecem favoráveis). Mas caberia uma análise interna, para verificar o que está sendo afetado pela diminuição relativa das dotações: cultural certamente, mas também promoção de iniciativas em áreas mais relevantes, como comércio ou cooperação internacional. 

Este é um debate que interessa a todos nós. Que tal levar para a ADB e encomendar um estudo mais apurado e consistente? 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3/09/2026 

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