sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Soros e a tragedia europeia: rico e ingenuo?

Eu não sei se existe uma correlação entre inteligência e riqueza.
Geralmente as pessoas mais inteligentes ficam mais ricas.
Mas nem sempre o processo é unívoco, linear, unidirecional. Por vezes ocorre alguma recaída...
No caso de Soros, acho que ele está apenas tentando socializar as perdas e prejuízos. Como faz, sempre, todo banqueiro, aliás...
Paulo Roberto de Almeida


Pensar o impensável na Europa
Por George Soros
Valor Econômico, 16/09/2011

Para resolver uma crise em que o impossível tornou-se possível, é necessário pensar o impensável. Assim, para resolver a crise da dívida soberana na Europa, é agora imperativo uma preparação para a possibilidade de inadimplência e de saída da Grécia, Portugal e, talvez, da Irlanda da zona do euro.
Em tal cenário, medidas terão de ser tomadas para evitar um colapso financeiro da zona do euro como um todo. Primeiro, os depósitos bancários precisam ser protegidos. Se um euro depositado num banco grego fosse perdido devido a um calote e saída da zona, um euro depositado num banco italiano passaria imediatamente a valer menos do que um euro em um banco alemão ou holandês, resultando em uma corrida aos bancos dos países deficitários.
Além disso, alguns bancos nos países inadimplentes teriam de ser mantidos em funcionamento para evitar um colapso econômico. Ao mesmo tempo, o sistema bancário europeu teria de ser recapitalizado e colocado sob supervisão europeia, em vez de fiscalização nacional. Finalmente, os títulos governamentais emitidos por outros países deficitários na zona do euro teriam de ser protegidos de contágio. (Os dois últimos requisitos seriam aplicáveis mesmo que nenhum país resultasse inadimplente).
É preciso criar o componente que falta: um Tesouro europeu com poder de tributar e, portanto, de captar empréstimos. Isso exigiria um novo tratado, transformando o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira em um Tesouro propriamente dito.
Tudo isso custaria dinheiro, mas, nos termos do regime existente acordado pelos líderes nacionais da zona do euro, não há mais dinheiro mobilizável. Portanto, não há alternativa: é preciso criar o componente que falta: um Tesouro europeu com poder de tributar e, portanto, de captar empréstimos. Isso exigiria um novo tratado, transformando o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, em inglês) em um Tesouro propriamente dito.
Mas isso pressupõe uma admissão de que circunstâncias radicalmente distintas exigem mudanças de posicionamento, particularmente na Alemanha. A opinião pública alemã continua acreditando que pode optar por dar ou não seu apoio ao euro. Esse é um erro grave. O euro existe, e os ativos e passivos do sistema financeiro mundial estão tão mesclados em função da moeda comum que seu colapso poderia causar uma implosão além da capacidade das autoridades alemãs - ou de qualquer outra - de contê-la. Quanto mais tempo levar para que os alemães percebam esse fato nu e cru, maior o preço que eles, e o resto do mundo, terão que pagar.
A questão é se o público alemão pode ser convencido desse argumento. A chanceler Angela Merkel pode não ser capaz de persuadir sua coalizão inteira dos méritos do argumento, mas poderia apoiar-se na oposição para construir uma nova maioria que defenda o que é necessário para preservar o euro. Tendo resolvido a crise do euro, ela teria menos a temer da próxima eleição.
Preparar-se para o possível calote ou a deserção de três pequenos países do euro não significa que esses países seriam, necessariamente, abandonados. Ao contrário, a possibilidade de um default coordenado - financiado pelos países da zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional - proporcionaria à Grécia e Portugal opções de política de governo. Adicionalmente, isso poria fim ao ciclo vicioso - que agora ameaça todos os países deficitários na zona do euro - em que a austeridade enfraquece suas perspectivas de crescimento, levando investidores a cobrar taxas de juros proibitivas e, portanto, obrigando seus governos a reduzir ainda mais seus gastos.
Sair da zona do euro facilitaria, para os países em dificuldades mais graves, recuperar sua competitividade. Mas, caso se disponham a assumir os sacrifícios necessários, poderiam também permanecer: o EFSF protegeria os depósitos em seus bancos domésticos e o FMI ajudaria a recapitalizar seus sistemas bancários, o que ajudaria esses países a escapar da armadilha atual. Seja qual for o caso, não é de interesse da União Europeia permitir que esses países entrem em colapso e arrastem consigo todo o sistema bancário mundial.
Os países membros da UE, e não apenas os pertencentes à zona do euro, precisam aceitar que é necessário um novo tratado para salvar o euro. Essa lógica é clara. Assim, as discussões sobre o que incluir em tal novo tratado deveria começar imediatamente, porque mesmo com os líderes europeus sob extrema pressão para chegarem rapidamente a um consenso, as negociações serão, necessariamente, um processo prolongado. Depois que houver um acordo em torno do princípio fundamental, porém, o Conselho Europeu poderia autorizar o BCE a preencher o vácuo, protegendo-o preventivametne contra riscos de solvência.
A perspectiva de uma solução para a crise da dívida soberana na zona do euro seria uma fonte de alívio para os mercados financeiros. Mesmo assim, uma vez que os termos de um novo tratado seriam, inevitavelmente, ditados pela Alemanha, seria quase certa uma grave desaceleração da atividade económica. Isso poderia induzir uma mudança de atitude adicional na Alemanha, o que, por sua vez, permitiria a adoção de políticas anticíclicas. Nesse ponto, o crescimento em grande parte da zona do euro poderia recomeçar.

George Soros é presidente da Soros Fund Management. Copyright: Project Syndicate, 2011.
www.project-syndicate.org

E por falar em inteligencia... vamos enfrentar a burrice da OMC...

Existe uma chance -- que nunca deve ser desprezada -- de que aqueles estúpidos burocratas que ficam na sede da OMC em Genebra, assim como de que estúpidos promotores dos mesquinhos interesses nacionais de montadoras estrangeiras de veículos, que estavam alegremente exportando para o Brasil passem a contestar as medidas ontem adotadas pelo inteligentíssimo governo brasileiro, sob a alegação de que essas inteligentes medidas -- que como sabemos distinguem empresas que se abasteçam localmente  das traidoras que vulgarmente importam peças e veículos inteiros -- infringem o chamado Acordo TRIMS, os aspectos comerciais de medidas de investimentos (que como se sabe proíbe medidas restritivas relacionadas a conteúdo nacional).
O inteligente governo brasileiro acha estúpida, por exemplo, a chamada cláusula do tratamento nacional, a que equipara produtos estrangeiros e nacionais, uma vez que os estrangeiros tenham ultrapassado a barreira dos portos, feitos todos os pagamentos de tarifas e outros direitos de importação, etc e tal.
O governo acha que qualquer montadora ou vendedora de automóveis no Brasil tem de ter pelo menos 65% por cento de conteúdo local, sem o que os infratores serão taxados com IPI mais altos.
Será que aqueles estúpidos da OMC vão contestar nossas inteligentes medidas de defesa da indústria nacional de automóveis? Eles teriam coragem de desafiar a argúcia nacional?
Será que seremos obrigados a provar que nossas medidas são, não apenas inteligentes, mas absolutamente necessárias para nos defender da cobiça -- eles querem o nosso mercado, já disse a presidente --, da desfaçatez -- eles fazem concorrência predatória, disse o ministro da Fazenda --, da petulância -- seus carros, ainda  por cima, custam mais barato do que os nossos, disse o tal de MDIC -- de todos esses concorrentes estrangeiros que nos assediam incansavelmente?
Algo precisa ser feito, para deixar a burrice estrangeira, e internacional, fora de nossas fronteiras e bem longe da inteligência nacional...
Paulo Roberto de Almeida 

Balanço do blog: trafico em alta (eu disse trafico de postagens...)

Sexta-feira é o dia do balanço da semana, e sou contemplado com esta estatística de visualizações do meu blog. Atenção, a inflexão da curva de hoje se deve a que meus visitantes são um pouco preguiçosos , demoram para acordar, e ainda não se dedicaram, realmente, a enriquecer seu conhecimento, argúcia e sensibilidade, abrindo logo de madrugada ou pela manhão seus computadores.
Esperemos a sesta da tarde e depois, aí sim, vocês vão ver com quantos posts, e visitas, se faz um blog...
Bom dia a todos...
Paulo Roberto de Almeida

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Curvando-me a inteligencia governamental: sempre previdente...

Mais uma vez, ou mais três vezes, três ufas! Viva o Governo. Ele protege o desprotegido carro nacional e os empregos nacionais, e os lucros (bem, internacionais) das montadoras nacionais, que assim poderão remeter lucros extraordinários para suas matrizes estrangeiras, graças à magnanimidade do Governo nacional (ou não seria nacional?).
Never mind que o governo, em lugar de aumentar o IPI poderia, se ele fosse estúpido, diminuir os impostos sobre os carros brasileiros, que assim ficariam mais baratos do que os importados (e de quebra, mas apenas de quebra, beneficiar um pouquinho os consumidores nacionais). Mas isso não seria uma medida inteligente, pois o governo deixaria de aproveitar a oportunidade para aumentar a arrecadação de impostos. E para que diminuir a arrecadação e beneficiar os compradores locais com preços menores quando o Governo (ou governo?) tem tanto a fazer para a Copa, as Olimpíadas, os ministros (de todos os partidos), os parlamentares e suas emendas maravilhosas, tanta coisa de bom a ser feito e o governo, coitado, com poucos recursos para tudo isso? Ah, sim, não esqueçamos, a nossa saúde tão pobrezinha, necessitando apenas de alguns bilhões a mais para ficar realmente excelente (ela já é boa, não esqueçamos). Tudo isso não poderia ser feito, se o governo abaixasse impostos.
Mais uma vez tenho de reconhecer que o o governo agiu de forma extremamente inteligente, ao proteger não só o carro nacional, mas nossa soberania, nosso bem estar, nossa dignidade...
Palmas ao governo que ele merece...
Paulo Roberto de Almeida 





Governo eleva IPI para proteger carro nacional

Por João Villaverde | De Brasília
Ruy Baron/Valor/Ruy Baron/ValorMantega, Pimentel e Mercadante: medidas para evitar a "exportação de empregos" com aumento de importações
O governo elevou em 30 pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos (automóveis e caminhões) fabricados no Brasil ou importados. O IPI elevado valerá até dezembro de 2012, mas só será pago pelos fabricantes nacionais que não cumprirem 6 de 11 exigências. As mais importantes são: contar com no mínimo 65% de conteúdo nacional ou regional em 80% dos veículos produzidos no Brasil, e investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D) o equivalente a 0,5% da receita bruta descontada dos impostos. O novo regime do setor automotivo foi divulgado ontem à noite pelo governo.
Todas as alíquotas de IPI cobradas das montadoras terão elevação de 30 pontos percentuais a partir de hoje. Isso quer dizer que os fabricantes de veículos populares, de mil cilindradas, passarão a recolher IPI de 37%, e não mais de 7%, como ocorria até ontem. Aqueles que estão na maior faixa de IPI, os veículos com mais de 2 mil cilindradas, passarão a ter alíquota de 55% de IPI.
Ao adotar o princípio de conteúdo nacional ou regional, o governo garantiu que os veículos importados da Argentina (onde as grandes montadoras instaladas no Brasil também possuem fábricas) possam ser beneficiados pelo "desconto" de 30 pontos na alíquota.

Segundo estimativas da equipe econômica, caso o reajuste na tabela do IPI seja integralmente repassado ao preço final, os veículos ficarão 25% a 28% mais caros. No entanto, esse preço não deve ser sentido pelo consumidor dos veículos produzidos no Brasil porque, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, num primeiro momento, "todas as empresas estão enquadradas" no novo regime. Ou seja, terão direito ao desconto de 30 pontos. O aumento será mesmo sentido nos carros importados por montadoras sem fábricas no país, como as chinesas, ou que apenas montam veículos no Brasil, com forte importação de peças.
Valor apurou que as empresas do setor têm a partir de hoje 30 dias (e não 60 dias, como afirmou Mantega ontem), para se habilitar junto aos técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Ou seja, as companhias apresentarão ao governo as informações quanto ao grau de conteúdo nacional embutido no veículo, o patamar de seus gastos em P&D como proporção da receita bruta descontada dos impostos e outras nove exigências. O recolhimento do IPI elevado passará a ocorrer em 30 dias, mas ele terá efeito retroativo, ou seja, as empresas que não cumprirem as metas deverão pagar o IPI devido nos 30 dias anteriores a 16 de outubro.
Das 11 exigências definidas entre o governo, empresários do setor e centrais sindicais, 3 são específicas para os fabricantes de caminhões. Isso significa que para os fabricantes de automóveis basta cumprir cinco de oito premissas para evitar o IPI elevado.
O novo regime automotivo tem o claro intuito de reduzir o ímpeto de ingresso de veículos importados, que, segundo uma fonte do alto escalão da equipe econômica, tem sido "crescentemente massacrante". Segundo essa fonte, o incremento das importações gera entusiasmo, num primeiro momento, por reduzir os preços praticados internamente. "Mas já passamos dessa fase há muito tempo, o que ocorre hoje é a desarticulação de uma cadeia crucial ao desenvolvimento tecnológico e ao emprego do país."
Ao anunciar as medidas ontem, Mantega foi enfático: "O mercado brasileiro está sofrendo um forte assédio do exterior. Nosso consumo vem crescendo e vem sendo preenchido fundamentalmente por importações". Na apresentação das medidas, ao lado dos ministros do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, Mantega fez uma sinalização aos sindicalistas. "Corremos um sério risco de estar exportando empregos para outros países [com o atual ritmo de crescimento do volume importado]".
O auditório da Fazenda estava lotado com a presença de sindicalistas de três centrais (CUT, Força Sindical e CTB), e empresários da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos (Abeiva). Se agradou sindicalistas e parte do empresariado, o governo contrariou os importadores.
José Luiz Gandini, presidente da Abeiva e da Kia Motors, interrompeu a apresentação dos ministros para dizer, com voz elevada, "que nós [os importadores] representamos apenas 6% da indústria brasileira, vocês estão exagerando". Gandini foi acalmado por empresários.
Segundo Mercadante, as medidas não representam um ataque aos importadores. "Esse país tem espaço para a importação, mas não pode comprometer o estímulo a inovação e ao emprego nacional", disse o ministro, "por isso, para aquele que investir em P&D [pesquisa e desenvolvimento] e apostar no conteúdo nacional, o imposto será menor".
Valor Econômico, 16/09/2011

E por falar em inteligencia... tem gente querendo extingui-la, aqui mesmo...

Eu sempre me pergunto em que escola estudaram, que livros leram, que tipo de raciocínio econômico aprenderam certas pessoas que assumem responsabilidades políticas para guiar o país em direção a um futuro melhor do que o que temos hoje.
Por vezes eu penso que esse pessoal quer nos levar de volta ao passado...
Senão vejamos:


O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), enalteceu a atuação do ministério e a mudança de rumos na política de ciência e tecnologia.
“Desde o governo Lula o Brasil começou a reverter a sua trajetória histórica de depender fortemente do setor agrário e agora passamos a investir fortemente na produção de conhecimento, de inovação tecnológica. (...)
A exemplo do líder Paulo Teixeira, o deputado Sibá Machado (PT-AC) entende que o Brasil deve diminuir o peso do agronegócio na economia e fortalecer os setores que produzem tecnologia e conhecimento. “O Brasil não pode se acostumar a ter um PIB cuja composição tem um percentual altíssimo de commodities e de produtos com baixíssimo valor agregado”.
(Boletim da Liderança do PT na Câmara dos Deputados, 16/09/2011)

Essas pessoas não devem ter ouvido falar em vantagens comparativas, não sabem que o agronegócio tem tanto conteúdo industrial quanto alimentos industrializados e que uma semente de soja é pura tecnologia e conhecimento.
Onde eles estão com a cabeça? Vão querer diminuir o peso do agronegócio na economia?
Precisariam ser tão malvados assim?
Ou apenas um tantinho estúpidos...
Paulo Roberto de Almeida 

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