terça-feira, 4 de outubro de 2011

O mundo pos-americano e o declinio do Imperio - Fareed Zakaria

Neste programa da Globo News, Milênio, o jornalista americano de origem indiana Fareed Zakaria, desmente as previsões declinistas sobre o fim do império americano, mas confirma, no "release 2.0" de seu famoso livro "Post-American World", a emergência de outros países, inclusive o Brasil. Ainda assim, acredita que os EUA dispõem da melhor economia do mundo, a mais flexível, a mais inovativa, e o melhor sistema financeiro do mundo, com problemas conjunturais, mas capacidade de superar e se regenerar...
http://g1.globo.com/videos/globo-news/milenio/v/jornalista-americano-reescreve-seu-livro-depois-das-crises/1650728/

Curiosamente, participei, recentemente, de um livro que pretende discutir as teses de Zakaria sobre o post-American world, com este artigo:
Attraction and Repulsion: Brazil and the American world
In: Clark, Sean and Sabrina Hoque (eds.):  
Debating a Post-American World: What Lies Ahead? 
 (London: Routledge, 2011, 288 p.; ISBN-10: 0415690552; ISBN-13: 978-0415690553, p. 135-141).
Em janeiro de 2012 vai estar disponível...

Dois presidentes no Banco Central?

Parece que é o caso:

Dilma Rousseff, no comando do BC

Editorial O Estado de S.Paulo, 4 de outubro de 2011
A presidente Dilma Rousseff assumiu oficialmente o comando do Banco Central (BC) e a política de juros é agora decidida no Palácio do Planalto. O plano do governo para 2012 é baixar a taxa básica para 9%, porque "ainda há margem de manobra" para novos cortes, segundo informou ao Estado o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. A conversa, com participação de dois outros membros do primeiro escalão do Executivo, foi bastante clara para eliminar qualquer dúvida: há um plano traçado no Palácio do Planalto e a decisão final caberá à presidente. Ressalvas quanto ao ritmo dos cortes - determinado com "prudência", segundo o secretário - em nada alteram o dado principal. A autonomia de fato do BC, adotada nos anos 90 e mantida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma experiência encerrada, embora ninguém, na administração federal, o admita de forma explícita. Não há outra forma de entender as declarações do secretário-geral nem os pronunciamentos da presidente Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, desde a última semana de agosto.
Esses pronunciamentos foram logo seguidos pelo anúncio da redução dos juros, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A aparente dissidência - a decisão foi tomada por 5 votos contra 2 - até poderia ser interpretada como sinal de permanência da autonomia de fato. Em pouco tempo as palavras do ministro e da presidente confirmaram a interpretação oposta. Eles continuaram falando sobre os cortes de juros como se apontassem o caminho ao BC. E, na sexta-feira, a presidente foi absolutamente explícita - mais do que pretendia, provavelmente - ao defender a redução da taxa básica como resposta ao agravamento da crise internacional. "Desta vez", disse ela, "o Brasil não pode errar na avaliação do quadro externo." Não seria "admissível", acrescentou, deixar de levar em conta o risco de recessão e de deflação no resto do mundo. Não é o tom de quem apenas manifesta um desejo, mas de quem transformou o Banco Central em mais um instrumento da política econômica do governo.
Ontem, o ministro da Fazenda voltou a falar sobre as medidas possíveis diante de uma piora do cenário global e mencionou novos cortes de juros e redução do depósito compulsório dos bancos. Usou o pronome "nós", ignorando qualquer separação relevante entre o BC e o comando do Executivo.
Além de comandar a redução dos juros, a presidente da República decidiu também, segundo todas as evidências, afrouxar o regime de metas de inflação. Sem usar essas palavras, o BC admite o fato num relatório trimestral divulgado na semana passada. Pelas projeções publicadas, a inflação acumulada em 12 meses só voltará ao centro do alvo (4,5%) no terceiro trimestre de 2013 - mas essa hipótese, a mais otimista, só aparece num dos três cenários apresentados.
O afrouxamento do combate à inflação será adotado num período de eleições municipais, com salários em alta e sem garantia, além de meras promessas, de efetiva austeridade fiscal. Ao mesmo tempo, o Executivo embarca em políticas protecionistas muito mal disfarçadas, com o pretexto de tornar mais competitivos certos setores da indústria nacional. Medidas efetivas para promover esse aumento de competitividade permanecem na esfera das promessas e de planos muito mal esboçados.
Bons argumentos a favor de uma política monetária mais branda poderiam surgir em breve, com o provável agravamento da crise no mundo rico. O primeiro passo poderia ser a redução do depósito compulsório, para ampliação do crédito. Vendas de dólares, como em 2008, poderiam ser um complemento, em caso de escassez de financiamentos em moeda estrangeira. O BC tomou medidas como essas no início da grande crise, há três anos, e foi muito mais eficiente, na ação imediata, do que o Ministério da Fazenda - ao contrário da versão cultivada no Palácio do Planalto. Mas o governo preferiu agir às pressas, impondo ao BC uma ação arriscada, alimentando a expectativa de inflação e desmontando a credibilidade do regime de metas e da autoridade monetária. Esse retrocesso pode sair muito caro para o País.

A história do "Brasil nação": livros Objetiva-Fundacion Mapfre


Série de livros procura rever a história do "Brasil nação"
Sábado, dia 01 de Outubro de 2011 às 09:40hs
Ao desembarcar no Brasil com a corte portuguesa, em 1808, o príncipe d. João 6º encontrou um mercado interno dinâmico, com taxas expressivas de crescimento de produtos como farinha e charque.
A ideia de autonomia econômica na colônia, decorrente de estudos recentes, contraria a tradicional interpretação de um mercado que só despejava riquezas no exterior.
Ela é defendida pelo sociólogo Jorge Caldeira no ensaio que lhe cabe no primeiro dos seis volumes da série "História do Brasil Nação", que a Objetiva lança de hoje a 2013, dentro de um trabalho continental da Fundación Mapfre.
Sob o nome "América Latina na História Contemporânea", o projeto da instituição espanhola ambiciona traçar de forma acessível e inovadora a trajetória do continente desde as independências locais. Por ora, com o Brasil, dez países já têm suas edições.
"A meta é que seja referência na academia e para o público geral", diz Pablo Jiménez Burillo, idealizador da série.
A direção aqui ficou com Lilia Mortiz Schwarcz, que coordena um dos volumes. Alberto da Costa e Silva, José Murilo de Carvalho, Angela de Castro Gomes, Daniel Aarão Reis, Boris Kossoy e Vladimir Sacchetta dividem-se nas coordenações dos outros volumes, incluindo um iconográfico.
Cada livro abrange algumas décadas e inclui textos de cinco especialistas, divididos entre sociedade, política, internacional, economia e cultura.
Sem notas de rodapé, para não restringir o público. "Temos rica tradição em obras sobre o Brasil escritas por historiadores para público leigo e interessado", destaca Roberto Feith, editor da Objetiva.
Está certo que, nos últimos anos, o interesse maior coube a obras de jornalistas como Laurentino Gomes, que vendeu 1,2 milhão de cópias de seus "1808" e "1822". "Ele mesmo diz que o que faz não é pesquisa, é compilação", diz Lilia, que ressalta o fator coletivo e olhares inovadores entre os diferenciais da coleção.
Inovador até para historiadores da série. Coordenador do volume 1, Alberto da Costa e Silva, por exemplo, não entende como pode o quinto volume, coordenado por Daniel Aarão Reis, chegar até 2010.
"A história começa quando a geração se acaba", argumenta, ao que o colega rebate: "Muitos colegas acham que a história termina no fim do século 18, então toda nossa coleção está sob crítica."

Alemanha ocidental tentou comprar da Russia reunificacao das duas Alemanhas

Bem, parece que ela fez o mesmo em 1991: pagou uma soma milionária à URSS para ela retirar os seus soldados (antes que a própria URSS se dissolvesse, e o dinheiro se dissolvesse em cofres jamais identificados), e depois pagou aos próprios alemães de leste, aliás continua pagando até hoje...
Paulo Roberto de Almeida


Posted: 02 Oct 2011 06:32 PM PDT
Documentos recém-disponibilizados nos Estados Unidos indicam que, na década de 1960, o então chefe de governo da Alemanha Ocidental, Ludwig Erhard, pensou seriamente em oferecer uma soma bilionária à União Soviética em troca da reunificação dos dois Estados alemães.

India: o emergente atrasado (superatrasado...)

A China todo mundo sabe o que é: um dragão alado, avançando à velocidade da luz em direção à modernidade capitalista, mas com um sistema político que não difere muito daquele modelo de Estado caracterizado pelo "despotismo asiático" de que falava Karl Wittfogel meio século atrás, e que já era -- sempre foi -- o padrão político na China imperial desde séculos, desde sempre na verdade.
OK, para a China, que avança rápido.
E a India, como se compara à China?
É justamente o que tenta fazer este infograma da Economist.
Todos sabem que a Índia é um país um pouco caótico há mais ou menos 4 mil anos (enfim, quase isso). Parece que ela vai continuar caótica pelos próximos 4 mil anos.
Mas, a despeito de todo o caos de suas 2.500 castas, 250 dialetos e infinitas religiões, a Índia segue a teoria do Galileu: eppur si muove: a despeito de tudo, ela avança. Mas vai demorar um pouquinho para ela alcançar a China.
Ou como diria o nosso Mário de Andrade, no famoso texto "O Poeta Come Amendoim" (1924):
"Progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso também é uma fatalidade..."
Paulo Roberto de Almeida

Comparing India and China

Chasing the dragon

Oct 3rd 2011, 15:26 by The Economist online
How the Asian superpowers compare on various measures of development
IN THE recent Singapore Grand Prix, a car belonging to the Force India team reached the finish line just 111 seconds after the leader. Today’s chart uses a stopwatch to compare India’s progress in development against another pace-setter, China. The chart shows the number of years that have elapsed since China passed the development milestones that India has now reached. India’s income per head, for example, was about $3,200 in 2009 (holding purchasing power constant across time and between countries). China reached that level of development nine years ago. The lag in social progress is much longer. A child’s odds of surviving past their fifth birthday are as bad in India today as they were in China in the 1970s. Moreover, the chart does not necessarily imply that India in nine years’ time will be as rich as China is today. That is because China grew faster in the last nine years than India is likely to grow over the next nine. We stopped the clock at $3200 per head. But China did not stop racing ahead.

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