terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

1361) Um Forum pela Liberdade de Expressao

Parece incrível: vivemos em democracia, num sistema passavelmente capitalista, ninguém mais -- salvo alguns malucos de partidecos totalmente inexpressivos -- pensa em construir o socialismo, e no entanto, os inimigos da liberdade existem e ainda proliferam em nosso país. De fato, um bando de malucos, inimigos da liberdade, autoritários em espírito e totalitários em intenção ainda pretende caminhar para um sistema de censura à imprensa, de controle dos meios de comunicação, de seletividade no conteúdo da informação, enfim, de controle repressivo sobre o que nos cabe ler, escrever, expressar.
Gente desprezível continua existindo, e no próprio seio do Governo, que abriga alguns órfãos do socialismo, várias viuvas do comunismo e amigos, em geral, das ditaduras abjetas que reprimem povos e consciências em algumas partes do mundo. Eles pretendem atuar também no Brasil, e devemos estar atento a suas manobras.
Por isso, um Forum como o abaixo descrito é muito bem vindo.
Paulo Roberto de Almeida (16.02.2010)

1º Fórum “Democracia & Liberdade de Expressão”
01/03/2009- Hotel Golden Tulip Paulista Plaza - São Paulo, SP

PROGRAMAÇÃO
8h30: Recepção
9h: Abertura Oficial
Saudações: Roberto Civita

9h30: Painel de Abertura: Liberdade de Expressão: Cenários, Tendências e Práticas na América Latina
Exposições: Adrián Ventura (Argentina); Carlos Vera (Equador); Marcel Granier (Venezuela)
10h30 1º Painel - Ameaças à Democracia no Brasil e na América Latina
Exposições: Antonio Carlos Pereira; Demétrio Magnoli; Denis Rosenfield
Mediador: Tonico Ferreira

12h: Intervalo para o Almoço
13h30: Recepção

14h: 2º Painel - Restrições à Liberdade de Expressão
Exposições: Arnaldo Jabor, Carlos Alberto Di Franco, Sidnei Basile
Mediador: Luis Erlanger

15h30: Intervalo

16h: 3º Painel - Liberdade de Expressão e Estado Democrático de Direito
Exposições: Marcelo Madureira, Reinaldo Azevedo, Roberto Romano
Mediador: William Waack

17h30: Painel Especial de Encerramento: Democracia & Liberdade de Expressão
Exposições: Dep. Fernando Gabeira, Dep. Miro Teixeira, Otávio Frias Filho

19h: Conclusões Finais

Questões da Palestra de Abertura: Liberdade de Expressão: Cenários, Tendências e Práticas na América Latina
1 – A Venezuela tem liberdade de expressão? Pode ser considerada uma democracia e, portanto, ingressar no Mercosul? E nos outros países da América Latina, existe liberdade de expressão? Como estão a Argentina e o Equador?
2 - O governo da Venezuela é um exemplo manifesto de autoritarismo e desrespeito à democracia. Os países do continente estão compromissados com a defesa da democracia. Aliás, foi o argumento apresentado para justificar a postura brasileira no caso de Honduras. Como explicar a intolerância com Roberto Micheletti e a tolerância com Hugo Chávez?
3 – As reformas que foram realizadas na Venezuela, Equador e Argentina, restringindo a liberdade de expressão e de imprensa, abalam o regime democrático?

Questões do 1º Painel – Ameaças à Democracia no Brasil:
1 – O "politicamente correto" ameaça a liberdade de expressão? E a democracia?
2 - A liberdade econômica é necessária para existir liberdade de expressão? A ausência de liberdade econômica pode enfraquecer o regime democrático?
3 - O que acham das propostas de democracia direta embutidas no PNDH-3?
Há uma tentativa de limitar a atuação do Judiciário na questão fundiária? Ao inibir a possibilidade de reintegração de posse não se está agredindo diretamente o direito de propriedade?
4 – A restrição à liberdade de expressão pode ser considerada uma forma de ditar os rumos da democracia?
5 - Os filtros existentes (ex: como o Congresso Nacional e a imprensa estabelecida) são necessários para aprimorar a democracia ou devemos procurar meios diretos de exercício desse direito (ex: democracia direta, blogs de comunicação direta, manifestação direta do presidente, TV pública, etc), sem a existência desses filtros

Questões do 2º Painel – Restrições à Liberdade de Expressão:
1 – O “controle social” dos veículos de comunicação proposto pelo Governo é legítimo? Ou o verdadeiro controle social é realizado diariamente pelos leitores, ouvintes e telespectadores, sem necessidade de interferência do governo?
2 – Embora o ordenamento constitucional garanta a liberdade de expressão, como o Estado pode tentar intimidar os veículos? Existem perseguições fiscais, ambientais, comerciais, civis, artísticas, etc., para restringir, indiretamente, a liberdade de expressão?
3 – A tentativa de aprovar o Conselho Federal de Jornalismo e as recomendações da Confecom não representam claras ações de limitação à liberdade de imprensa? O governo assinou a Declaração de Chapultepec e está compromissado com os valores defendidos no documento. As recentes tentativas de controle da informação não representam um desrespeito a um documento internacional?
4 – Deveria haver uma limitação legal para a publicidade governamental ou os excessos devem ser punidos pelo Poder Judiciário? Como impedir a politização da distribuição das verbas publicitárias governamentais? Qual o tipo de publicidade governamental que pode ser realizada?
5 - As limitações à liberdade de expressão comercial trazem mais benefícios ou prejuízos para o Brasil? As propostas de restrições à publicidade (ex: bebidas alcoólicas, brinquedos, alimentos com elevada quantidade de açúcar e/ou gordura saturada, etc.) podem ser consideradas formas de restrição à liberdade de expressão?

Perguntas do 3º Painel – Liberdade de Expressão e o Estado Democrático de Direito:
1 - A legislação eleitoral censura a imprensa? E os debates políticos? Essa legislação é constitucional?
2 – A dependência do setor cultural de leis de incentivo à cultura pode prejudicar a liberdade de expressão e distorcer o processo democrático?
3 - Ao impedir que os humoristas que trabalham na TV abordem questões relacionadas aos candidatos políticos, o poder público está limitando a liberdade de expressão? Isso pode ser uma forma de impedir a popularização de determinados escândalos envolvendo políticos?
4 – É preferível que os veículos tomem partido em relação aos candidatos, exercendo sua liberdade de expressão, ou eles devem omitir suas preferências?
5 – Existe um processo de “estatização” das ONGs? Esse processo pode servir para restringir a liberdade de expressão e fortalecer a hegemonia política de determinada corrente de pensamento?

REALIZAÇÃO: Instituto Millenium | PATROCÍNIO: Instituto Mises Brasil - IMB | APOIO: Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP | Instituto Friedrich Naumann – IFN - COLABORAÇÃO INSTITUCIONAL: A Voz do Cidadão | Academia Brasileira de Filosofia - ABF | Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão – ABERT | Associação Comercial e Industrial de Contagem – ACIC | Associação Comercial de São Paulo – ACSP | Associação da Classe Media - ACLAME | Air e IAB | Associação Nacional dos Jornais – ANJ | Associação Brasileira de Agências de Publicidade – ABAP | Centro Brasileiro de Relações Internacionais – CEBRI | Comitê de Jovens Empreendedores da Federação da Industria do Estado de São Paulo – CJE/FIESP | Confederação Nacional dos Jovens Empresários – CONAJE | Espírito Santo em Ação | Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor | Havard Club of Brazil | Instituto de Estudos Empresariais – IEE | Instituto Endeavor | Instituto Liberal – IL/RJ | Instituto Liberdade - IL/RS | Movimento Endireita Brasil – MEB | Novos Líderes | Rede Liberal da America Latina – RELIAL | União das Organizações Democráticas da América – UnoAmérica

1360) Economia Politica da Nao-Discriminacao Racial - Gary Becker

O Premio Nobel de Economia Gary Becker (1992) comprova economicamente que o mercado é color-blind e premia a não-discriminação. Ou seja, aqueles que a praticam se tornam menos competitivos do que sistemas abertos.
Apenas esta constatação já serviria para desmantelar todo o arsenal de medidas racialistas que vem sendo armado pelos militantes do novo Apartheid que são os promotores da suposta igualdade racial, na verdade, um bando de racistas reversos.
Cabe ler o artigo em sua totalidade.

The Economist as Detective: Reflections on Gary Becker's Nobel Prize
by Walter Block
[Austrian Economics Newsletter, Fall 1993]
Mises Daily, February 16, 2010

Professor Gary S. Becker, the winner of the 1992 Nobel Prize in Economic Sciences, is like Professor Moriarty of Sherlock Holmes fame. Holmes said of Moriarty, "Again and again in cases of the most varying sorts — forgery cases, robberies, murders — I have felt the presence of this force."

In like manner, Dr. Becker has cast his hand into virtually every nook and cranny of not only economics, but also social science in its broadest definition. And just as the fictional victims in Arthur Conan Doyle's novels trembled when Professor Moriarty was about town, almost no scholar is safe in the fields of history, law, sociology, psychology, criminology, political science, or philosophy while Gary Becker's word processor is turned on.

Becker's career of blazing new paths for the "dismal science" began with his 1957 book, The Economics of Discrimination. Before this work, the study of prejudice and discrimination had been the exclusive domain of sociologists and psychologists. Becker showed that demand and supply, cost and benefit, and profit and loss could shed profound light on the subject.

Thanks to his efforts, we know that people pay a price for discrimination, whether on the basis of race, sex, or any other criterion. Those who indulge in such preferences tend to lose out in the competitive struggle of the marketplace, as they must pay more for equally able factors of production. The market rewards people who are color blind. Capitalism, then, far from being the racist, sexist enterprise Marxists believe it to be, is actually a rather humane endeavor.

When the state takes over large parts of the economy, the liberating process of the market — that of penalizing bigots — is confined in scope. It cannot work in the public sector, due to the absence of profit and loss.

Nor will Becker's work on the family give aid or comfort to those who attempt to denigrate that traditional institution. He has applied the insights garnered from the study of international trade to marital relations.

Take absolute advantage, for example. This is the doctrine that shows how countries can benefit from worldwide specialization and the division of labor, as some can produce one item more cheaply, while others are more productive with another. This is why bananas are not produced in Canada, nor maple syrup in Costa Rica: each nation specializes in what it does best, and trades for the specialty of another.

But this is part and parcel of the economic explanation of marriage. The husband typically earns a living specializing in market activities, while he is often "all thumbs" when it comes to the kitchen, child rearing, and the like. The wife, due to job interruption and perhaps different interests, may be less productive than her spouse outside the home. As a result, her earnings tend to be less than his. Instead, she complements his efforts with her own. Together, they are stronger economically, precisely as in the case of a business partnership where one member charms the customers while another takes care of manufacturing and bookkeeping.

Becker's "economic imperialism" (applying microeconomic theory to problems traditionally monopolized by other social sciences) knows few bounds, if any. He has applied microeconomics to life-cycle patterns, criminal activity, politics, voting behavior, immigration, education, divorce, and allocation of time. The list goes on and on.

By choosing Becker, the Stockholm committee has continued a fine tradition of awarding the Nobel Prize to free-market economists who, whether by accident or design, have studied or taught at the University of Chicago. The list up to now includes Milton Friedman, F.A. Hayek, Theodore Schultz, George Stigler, and James Buchanan. Gary Becker is a worthy addition to this all-star cast. The wonder was not that he won the Nobel Prize but that the event took so long in coming. Indeed, I was not the only former student of his who lost money over the past several years by betting that he would receive the award.

I first met Gary Becker when I was a graduate student at Columbia University in 1965. Already enjoying a reputation as an enfant terrible, his courses were well known in the local scholarly community. He was a member of my orals committee, and he later honored me by agreeing to serve as my dissertation advisor. Halfway through my graduate studies, however, he left Columbia to join the faculty at the University of Chicago. For years I have joked that Columbia wasn't big enough for the both of us.

In subsequent years, I have been fortunate enough to be able to interact with him at several Mont Pelerin Society meetings and Liberty Fund conferences. Very loyal to all his colleagues and former students, he has been a warm supporter of mine through the years. I was personally delighted at the recognition he received from the Nobel Prize committee.

What are the implications of this award for Austrian economics? There will be some positive benefit, but not much. This recognition of him will enhance the Austrian tradition no more than that of Friedman, Stigler, or Coase. The beneficial effects on praxeology will be indirect — not direct, as they were to a small degree in the case of Buchanan, and to a large degree in that of Hayek.

Some benefits will accrue because the Chicago and Austrian Schools are the only two free-enterprise-oriented schools of economic thought. Consider, first, normative economics. What helps one school is bound to help the other, insofar as they share this commonality.

"The 1992 Nobel Laureate is a neoclassical micro theorist through and through. He is fully immersed in the positivist tradition."
The direction of influence is mainly one-way, of course, from the Chicago School to the Austrian School, and not the other way around. As the joke about the elephant and mouse indicates (said the mouse, perched on the shoulder of an elephant crossing a bridge, "Boy, we sure made that bridge shake!"), this is because the one is so much larger and more visible than the other.

To the extent that Becker opposes minimum-wage laws, rent control, tariffs, socialism, nationalization of industry, licensing, and the like, and to the extent that he favors markets, privatization, and property rights, this cannot but help the Austrians in their quest for a freer society.

In contrast, with regard to positive economics, there will be no spillover whatsoever; if anything, the impact will be negative. This is because the Chicago methodological approach is so close to (indeed, is indistinguishable from) that of the rest of the profession. This is in sharp contrast to Hayek, whose receipt of the prize has correctly been given credit for a large part of the Austrian revival. I know Gary Becker; Gary Becker is a friend of mine; and believe me, he's no Friedrich Hayek. Nor is he even a James Buchanan, who took a position on the subjectivism of costs compatible with that of the praxeological school.

As far as Becker is concerned, the Austrian School might as well not exist. In none of his writings is there even the slightest hint or evidence of any familiarity or interest in the subject. The names of Menger, Böhm-Bawerk, Mises, and Hayek never passed his lips in the several years of his courses I attended.

No, the 1992 Nobel Laureate is a neoclassical micro theorist through and through. He is fully immersed in the positivist tradition: mathematical economics, indifference curves, hypothesis testing, falsifiability, econometrics, and so on. The only remarkable thing about him — what makes him stand out from virtually all others plying this particular trade — is the brilliance and imagination with which he utilizes these traditional tools of analysis.

But that does not make him an Austrian. It does not make him one whit more receptive to the Austrian tradition than any other, perhaps less talented, mainstream economist. Further, he has taken numerous positions that sharply diverge from those held by Austrian economists. Consider the following:

He holds that rationality and purpose are not required to understand economic activity in general, nor downward-sloping demand curves in particular. (See his interchange with Israel Kirzner on the subject.)[1]

He takes the typical Chicago view that monopoly (defined as highly concentrated industry) is a violation of economic freedom and should be proscribed through antitrust law. He would perhaps radically reform, but not repeal, such legislation.

He maintains that politics is just as amenable to economic analysis as any other type of activity. By this he means that political parties are akin to business firms, ballot-box votes are like dollar votes, and being elected is analogous to earning profits. In short, the government is just one more institutional arrangement, alongside the church, the family, social clubs, the Boy Scouts, and the like. As part and parcel of this view, he advocated in one of his most recent Business Week columns the auctioning of US citizenship rights.

All economists must give three enthusiastic cheers for this richly deserved Nobel Prize. In areas of normative economics, this event will give a sharp boost to many of the free-market views held by Austrians. But, as far as positive economic analysis is concerned, there is no help here for the praxeological school.

Walter Block is Harold E. Wirth Eminent Scholar, Endowed Chair of Economics Loyola University, senior fellow of the Mises Institute, and regular columnist for LewRockwell.com. Send him mail. See Walter Block's article archives.

This article originally appeared in the Austrian Economics Newsletter, Fall 1993.

Notes
[1] Gary S. Becker, "Irrational Behavior and Economic Theory," Journal of Political Economy 70 (February 1962): pp. 1–13; Israel M. Kirzner, "Rational Action and Economic Theory," ibid. 70 (August 1962): pp. 380–85; Becker, "A Reply to I. Kirzner," ibid. 71 (February 1963): pp. 82–83; Kirzner, "Rejoinder," ibid. 71 (February 1963): pp. 84–85.

1359) Noticias do DESAQUECIMENTO global...

Last news from the front, trazidas por meu amigo e visiting scholar na Inglaterra Pedro Erik Carneiro:

Entrevista de Paul Jones na BBC:
Não há aquecimento significante e não é possível determinar se o homem é culpado; nem se fala em CO2.

No site: http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/8511670.stm

Também recomenda a crítica de Anthony Watts para a entrevista em: http://wattsupwiththat.com/2010/02/14/phil-jones-momentous-qa-with-bbc-reopens-the-science-is-settled-issues/

Nada como um aquecimentozinho para nos livrar de toda essa queima de combustiveis fosseis usados nos sistemas de aquecimento...

1358) Cronica do racismo ordinario

Sexta-feira última, dia 12 de fevereiro de 2010, estava eu como de hábito pesquisando na Biblioteca do Itamaraty-Brasília, quando fui surpreendido com a consulta de um senhor, visivelmente mulato (mas isso só veio a ter importância depois, como constatei), que me perguntou sobre a existência de estudos sobre a preparação e a formação do diplomata.
Tentei alinhar a bibliografia que eu conhecia de cabeça e responder às muitas indagações do "pesquisador", quando descobri que se tratava de um funcionário da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República (aquela mesma do PNDH-3, de funesta existência), e que ele estava ali tentando visualizar meios e procedimentos para acelerar, ou facilitar, segundo seus argumentos, o acesso de negros à carreira diplomática.

Mencionei então o "programa de ação afirmativa", consistente no fornecimento de bolsas a candidatos afrodescendentes, o que ele conhecia amplamente, embora não tenha sido, aparentemente, o sucesso esperado. Informei inclusive que eu tinha participado voluntariamente do programa, enquanto tutor de um grupo de bolsistas afrodescendentes de Brasilia, nos anos de 2004 e 2005, mas que depois não tinha mais sido procurado.

Como a conversa enveredou para os méritos do programa, fui absolutamente sincero ao dizer que eu era contra aquele programa, pois ele discriminava contra brancos pobres, ou contra índios ou outros candidatos merecedores que não se enquadrassem no critério racialista do programa, que inclusive acabava premiando "negros" de classe média, que eram os que aparentemente dispunham de maiores chances de ingresso na carreira. Portanto, o programa não se destinava apenas e tão somente a corrigir uma injustiça social, mas a "colorir" o Itamaraty, o que para o meu interlocutor representava a "reparação de uma injustiça social".

Discordei imediatamente, posto que programas desse tipo corriam o risco de criar um novo racismo no Brasil, ou um Apartheid racial, já que separando absoltuamente negros (ou assimilados a tal) dos brancos ou outros.
Meu argumento é que o racismo devia ser combatido pela mestiçagem generalizada e pela educação de qualidade nos estratos mais pobres da população, se preciso com bolsas e outros apoios aos necessitados, o que fatalmente recolheria uma vasta proporção de negros e mulatos.

Esta não era a intenção de meu intelocutor, que contra toda evidência, pretendia se classificar como negro, quando ele era manifestamente um mestiço, um mulato, um pardo, ou seja lá o que for, isto é, um brasileiro típico, misturado.
Ele pretendia me fazer acreditar que os problemas dos negros eram de racismo e discriminação, no que eu concordava apenas em parte.

Reconheço racismo no Brasil, posto que algumas pessoas são racistas, mas considero que não se deve criar leis racialistas, pois isto introduziria justamente as sementes do racismo oficial no Brasil.

Foi conversa perdida: meu intelocutor insistia em se declarar negro, e como todos os negros ele achava que havia racismo no Brasil, e que por causa disso, não havia diplomatas negros.

Terminei a conversa por ali, convencido de que se está criando um monstro no Brasil, que se chama racismo oficial, que são todas essas politicas de promoção de "negros", estimuladas por militantes, que não pretendem se misturar com os brancos, e por isso são racistas declarados.

Acho que estamos enveredando por um caminho muito ruim para o nosso país...

Paulo Roberto de Almeida (16.02.2010)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

1357) PT e politica externa: uma relacao bizarra...

Artigo
Só Lula para brecar os desatinos do PT
Mary Zaidan
Blog do Noblat, 15 de fevereiro de 2010

Criticada por diplomatas, parlamentares e até mesmo por petistas históricos como o senador Eduardo Suplicy (SP), a proposta de criação de um Conselho Nacional de Política Externa está longe de ser o único desatino do documento A política internacional do PT.

As 25 páginas que chegam ao plenário do 4º Congresso Nacional do PT no pós-carnaval, entre os dias 18 e 20, têm conteúdo explosivo.

E podem fazer tanta marola ou mais que o documento A grande transformação, base do programa para a pré-candidata Dilma Rousseff, que, por ordem do presidente Lula, deverá perder o tom estatizante.

Apresentada em sete capítulos, a proposta da Secretaria de Relações Internacionais do PT tenta fazer o impossível: diferenciar a política externa do governo Lula da preconizada pelo partido.

Mas chega, no máximo, a expor dois ou três pontos de divergência: o entendimento de que o governo brasileiro deve se relacionar com a Colômbia – “Cavalo de Tróia dos Estados Unidos na América do Sul” -, com o México e com outros países de “direita”.

Antiamericanista até a medula - como dita o figurino do esquerdismo juvenil –, o documento elogia a competição que a política externa do governo Lula estabeleceu com os norte-americanos.

E vai mais longe: exalta a possibilidade de o Brasil, em médio prazo, “constituir-se em uma ameaça aos Estados Unidos”.

Além de vincular a polêmica compra dos caças franceses e do submarino de propulsão nuclear à necessidade de se enfrentar o poderio militar norte-americano.

Nem o presidente da Venezuela Hugo Chávez, nos seus usuais arroubos contra o imperialismo ianque, faria melhor.

Com pesos e medidas ditados pela conveniência, o texto chega a ser quase divertido (se não fosse trágico) pelo volume de palavras de ordem e contradições. Condena “toda forma de terrorismo, inclusive o terrorismo de Estado”.

Mas é condescendente - na verdade mudo - em relação às atrocidades de ditaduras comunistas, seja na China ou em Cuba. Repudia o embargo à ilha, mas nada fala dos presos políticos e das milhares de mortes ordenadas por Fidel.

Ao mesmo tempo em que se diz comprometido com os direitos humanos, mantém o apoio incondicional a chefes de Estado que se seguram no poder à custa do cerceamento da liberdade de seus povos.

Chama de “nova ordem mundial” receitas obsoletas que só sobrevivem em regimes que usam o constrangimento, a perseguição, a prisão ou o paredão para se manter.

Apóia movimentos revolucionários nos quatro cantos do mundo: Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Frente de Libertação Nacional da Argélia (FLN), entre outras.

Mas cala-se sobre as FARCs, a narcoguerrilha colombiana com a qual o partido tem relação estreita.

Como não gozam mais de qualquer simpatia, as mesmas FARCs que chegaram a ser convidadas de honra no nascedouro do Fórum Social Mundial, um dos eixos da articulação internacional do PT, hoje parecem constranger a sigla.

Nas políticas para América Latina, América do Sul e Caribe, por desconhecimento ou má-fé, o PT apaga o passado – como é de costume - ao colocar o partido como pioneiro na integração do Cone Sul.

Para arrepio de defensores ferrenhos dos povos latinos como o ex-governador Franco Montoro e dos idealizadores do Mercosul.

É verdade que o Caribe nem em sonho imaginava ser tão aquinhoado pela política externa brasileira.

Hoje, com a expansão de embaixadas feitas pelo governo Lula – 39 novas até 2009 e outras cinco criadas este ano –, o Brasil é recordista absoluto naquelas ilhas: temos embaixadas em 12 das 13 nações caribenhas.

Um orgulho danado para ilhas minúsculas como São Cristóvão e Névis, com menos de 40 mil habitantes.

Sobre Honduras, o texto limita-se a condenar o que chama de golpe. Omite-se sobre o desconforto de a embaixada brasileira em Tegucigalpa ter virado hospedaria para Manuel Zelaya.

E nada diz quanto ao reconhecimento ou não da eleição de Porfírio Lobo. Seria mesmo temerário, já que sequer o governo Lula sabe direito o que fazer.

Como não poderia deixar de ser, o documento reitera a obsessão do PT por conselhos e comissões.

Para formar o Conselho Nacional de Política Externa, propõe a realização de uma conferência de âmbito nacional, a exemplo das mais de seis dezenas que já realizou sob os auspícios do governo Lula.

Todas pagas pelo contribuinte, resultando em nenhuma real contribuição ao país.

Assim como freou o galope estatizante do pré-programa do PT para a sua candidata, possivelmente o presidente Lula vetará as sandices desse outro panfleto.

Mesmo que seja só para evitar uma nova marola para sua Dilma.

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'.

1356) Soviet no Itamaraty

Ou quase...

Da newsletter diária do ex-prefeito Cesar Maia:

"CONSELHO DE POLÍTICA EXTERNA DO PT : UM MONSTRENGO!

(RRM-13) Tomei conhecimento do último monstrengo do imaginário petista: a criação de um Conselho de Política Externa que busca instituir o assembleísmo em área de expressa delegação de competência ao Executivo. Algo como promover um encontro do MST, Pastoral da Terra e Comando Vermelho, ao invés de uma junta médica, para determinar o curso de um tratamento cardíaco. Finalmente, me parece evidente que, com a medida, buscam, desde já, amarrar a diplomacia brasileira no pós-lulismo (just in case, ou seja, na eventualidade de perderem as eleições presidenciais do corrente ano)."

De fato, trata-se de um monstrengo, só passível de existir na cabeca de neobolcheviques e amantes do "centralismo democrático", à maneira leninista.
Como o Itamaraty sempre solta alguma nota à imprensa, cada vez que um assunto relevante interessando à política externa aparece nas telas de radar da chamada "mídia", espera-se que, desta vez também, tenha algo a dizer a respeito do que poderia ser chamado de "conselho de tutela externa" (e o que é pior: por amadores).

1355) Crescimento economico na AL: Brasil tem fraco desempenho

CRESCIMENTO DO PIB NA AMÉRICA LATINA ENTRE 2003 e 2008 - PERÍODO LULA:

1 - Argentina 63,58%
2 - Panamá 57,19%
3 - Uruguai 51,87%
4 - Venezuela 50,89%
5 - Peru 49,23%
6 - Costa Rica 41,31%
7 - Colômbia 38,71%
8 - República Dominicana 38,55%
9 - Honduras 38,37%
10- Equador 34,02%
11- Chile 32,59 %
12- Paraguai 30,67%
13- Bolívia 29,33%
14- Brasil 26,44%
15- Guatemala 26,24%
16- Nicarágua 23,84%
17- El Salvador 21,00%
18- México 19,35%.
(Fonte: ex-coluna de Cesar Maia, que deve ter recolhido em algum relatório da Cepal).

Comentários Paulo Roberto de Almeida:
Como o Brasil se situa em 14. lugar entre 18 países, não se pode dizer que seu desempenho tenha sido satisfatório, mas algumas observações podem ser feitas.
Tanto a Argentina quanto a Venezuela, e também o Uruguai, conheceram enormes recessões antes do período em exame, assim que suas taxas excepcionais de crescimente refletem, em grande medida, apenas recuperação do PIB "perdido".
O Peru, a Costa Rica, a Colômbia e a República Dominicana, conheceram, sim, taxas muito positivas de crescimento no período, que refletiram taxas de investimento satisfatórias, em função de reformas econômicas e abertura da economia aos intercâmbios internacionais.
O Chile teve uma taxa e crescimento menor, mas foi a mais constante e regular de todos, consequência de uma política econômica sólida e basicamente estável.
O Brasil, por sua vez, é um país de taxas erráticas, ou seja, crescendo muito em alguns anos e pouco em outros, o que reflete uma estabilização ainda incompleta em alguns setores (como no plano fiscal, por exemplo).
O México, finalmente, foi vítima da ausência de reformas internas (difíceis num sistema político passavelmente esquizofrênico) e da recessão que alcançou os Estados Unidos. Pior, ao não fazer reformas, viu a China tomar-lhe muitos mercados na região e fora dela.
Ausência de reformas, num mundo dinâmico como o da globalização capitalista, significa, na verdade, andar para trás, pois outros paises vão passar na frente dos que ficam parados.
O Brasil deveria aprender essas simples lições...

(15.02.2010)

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...