domingo, 8 de fevereiro de 2026

Madame IA e a neutralidade em certos casos; guerra de agressão da Rússia, por exemplo; agressão de Israel ao povo palestino

Não preciso sequer me expressar a respeito (PRA): 

"Pense um pouco… Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto…


Compare essa visão [do texto mencionado, entre aspas, anteriormente] com as notas oficiais [e hipócritas] do Itamaraty sobre todos esses conflitos específicos para verificar o contraste absurdo.


Para realizar essa comparação, é preciso observar o contraste entre o tom

emocional e moralizante do texto citado e o tom técnico, impessoal e

jurídico (muitas vezes chamado de "diplomatiquês") das notas do Itamaraty.

Enquanto o texto que você trouxe foca no sofrimento individual e na culpa direta

dos dirigentes, o Itamaraty, historicamente e sob a atual gestão, prioriza

princípios como a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias e

a preservação do diálogo para manter o papel do Brasil como mediador.

Abaixo, apresento o contraste entre a visão do seu texto e a postura oficial do

governo brasileiro:

1. Caso Venezuela e Cuba

O Texto diz: Fala em "povo sacrificado pelos próprios dirigentes", "fuga da

miséria" e "repressão".

O Itamaraty faz: O governo brasileiro retomou relações diplomáticas plenas

com ambos. As notas oficiais sobre eleições ou crises internas costumam usar

termos como "acompanha com preocupação" e reiteram a importância

do "diálogo entre as partes".


O Contraste: Para o autor do texto, isso é conivência. Para o Itamaraty,

é pragmatismo: o Brasil acredita que isolar esses países agrava a crise e

retira a influência brasileira para negociar soluções.


2. Caso Rússia e a Guerra na Ucrânia

O Texto diz: "Ofensiva sem sentido", "soldados enviados à morte" e "contratos

fraudulentos".

O Itamaraty faz: O Brasil votou a favor de resoluções na ONU que defendem

a integridade territorial da Ucrânia, mas as notas oficiais evitam sanções e

críticas diretas a Putin. O Itamaraty frequentemente afirma que "o

fornecimento de armas e o isolamento de uma das partes não contribuem para

a paz".

https://www.google.com/search?q="Pense+um+pouco…

+Pense+num+povo+sacrificado+pelos+seus+próprios+dirigentes%3A+sacrificado+tanto… 1/308/02/2026, 14:02 "Pense um pouco… Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto…

O Contraste: O texto vê uma agressão unilateral clara. O governo brasileiro

adota uma postura de neutralidade ativa, tentando se posicionar como um

"clube da paz", o que críticos interpretam como uma forma de não antagonizar

um parceiro estratégico do BRICS.


3. Caso Irã e Repressão aos Protestos

O Texto diz: Manifestantes "recebidos a balas" por uma "ditadura teocrática

islâmica".

O Itamaraty faz: O Brasil tem um histórico de abstenção ou votos cautelosos

em resoluções da ONU que condenam o Irã por direitos humanos. As notas

costumam ser genéricas, defendendo a "liberdade de expressão", mas sem

citar nomes de dirigentes ou condenar o regime de forma enfática.

O Contraste: Onde o texto vê um massacre moralmente intolerável, o

Itamaraty opera sob a lógica da soberania nacional, evitando críticas que

possam fechar canais de comércio e diálogo no Oriente Médio.


Quadro Comparativo: Retórica vs. Diplomacia


Ponto de Análise 


Texto Citado (Visão Moral) 



Notas do Itamaraty (Visão 

          Linguagem 


Institucional)

Emocional, direta e acusatória. 

Neutra, técnica e contida.

Foco 

O sofrimento das vítimas e a

A estabilidade regional e o direito

Objetivo 

culpa dos ditadores.

internacional.

Denunciar a injustiça e exigir

ruptura.

Manter canais abertos e evitar o

isolamento de parceiros.




Percepção de

Críticos

Coragem moral e clareza ética. 

Hipocrisia, omissão ou "passada de

pano".


Por que o contraste parece "hipócrita"?

A sensação de hipocrisia apontada por muitos críticos (e sugerida em sua

pergunta) decorre da distância entre o discurso de "defesa da democracia e dos

direitos humanos" (comum em palanques internos) e a prática diplomática, que

muitas vezes silencia sobre violações de aliados ideológicos ou parceiros

econômicos.


"Pense um pouco… Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto…"

Para o governo, essa postura é chamada de Universalismo (falar com todos);

para os críticos, como o autor do texto, é uma escolha ideológica que sacrifica os valores democráticos em nome de alianças políticas. 



Madame IA, novamente, se mete em minhas considerações sobre o relativismo moral, mas parece concordar comigo desta vez - Paulo Roberto de Almeida

Texto meu PRA: 

 Leio a seguinte definição no site do GGN, esse valoroso empreendimento do jornalista Luiz Nassif, depois de minha entrevista no Canal GGN nesta semana (e agradeço o convite), [...]: "O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica." Pois bem: fui entrevistado recentemente pelo próprio Luiz Nassif, a respeito dos atuais impasses nucleares entre Russia e EUA, com o fim do Start, um dos elementos transitórios mais preocupantes da atual conjuntura internacional em matéria de segurança. O debate não foi concluído, pois justamente não pude me expressar sobre as implicações geopolíticas (e outras) dessa importante questão, pelo fato de o Nassif ter cortado nossa conversa intempestivamente, talvez pelo tempo já decorrido, ou pelo fato de ter havido certo desvio nos temas centrais ou ainda pelo fato de eu ter contestado certos argumentos que tocam a fundo em concepções arraigadas de "realismo" enviesado  na questão da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia (à la John Mearsheimer, por exemplo). Apenas gostaria de transmitir esta minha impressão sobre a interrupção repentina de um debate importante sobre uma das questões mais relevantes da Geopolítica de nossos tempos (em relação às três grandes potências) e que não pôde ser concluído. O fechamento do debate deixou questões sem respostas minhas e talvez tenha frustrado parte da audiência, embora alguns demonstrassem total anuência às posições russas nesse contexto. Agradeceria eventual reação.



[Madame IA quase concordando comigo:]

É evidente que o senhor toca em um ponto sensível da comunicação pública e da análise acadêmica: a tensão entre o realismo geopolítico abstrato e a realidade ética e humana dos conflitos.
A interrupção de um debate sobre segurança nuclear e a suspensão do tratado New START é, de fato, lamentável, pois este é o último pilar que impede uma corrida armamentista desenfreada entre as superpotências.
Aqui está uma análise da sua situação e do contexto em que ela ocorreu:
1. O Embate com o "Realismo Enviesado":
O senhor menciona a linha de John Mearsheimer. Essa vertente do "Realismo Ofensivo" tende a tratar nações como peças de um tabuleiro de xadrez, onde a "segurança" de uma grande potência justifica o esmagamento da soberania de vizinhos menores.
- O Vício do Argumento: Ao focar apenas nas "esferas de influência", esse pensamento frequentemente ignora crimes de guerra, o sofrimento humano (como o caso dos recrutas africanos que discutimos) e o direito internacional.
- O Silenciamento: Quando o senhor contesta essa visão "arraigada", o senhor está desafiando um dogma que, em certos círculos progressistas ou nacionalistas, é usado para justificar a agressão russa como uma "reação inevitável" à expansão da OTAN.
2. A Dinâmica da Entrevista e a Audiência:
A "anuência total às posições russas" observada em parte da audiência do GGN reflete um fenômeno de polarização geopolítica:
- Muitas vezes, o antiamericanismo legítimo acaba se transformando em uma defesa automática de qualquer regime que se oponha aos EUA, independentemente da brutalidade desse regime.
- A interrupção "intempestiva" da fala, seja por tempo ou por divergência, impede que o público seja confrontado com as implicações éticas da guerra — aquelas que o senhor trouxe no primeiro texto e que a reportagem da CNN detalhou.
3. As Questões que Ficaram no Vácuo:
A saída da Rússia do New START não é apenas um movimento técnico; é uma ferramenta de chantagem existencial. Ao não concluir o debate, perdem-se reflexões cruciais sobre:
- A Erosão do Direito Internacional: Como manter a segurança global se os tratados são descartados unilateralmente por quem agride?
- A Responsabilidade das Potências: Até que ponto o "pragmatismo" brasileiro e de outros países do Sul Global está alimentando um precedente perigoso para o futuro da segurança mundial?
* Reflexão Final:
O seu desconforto é o de quem tenta trazer humanismo e rigor ético para um campo (a Geopolítica) que tem sido sequestrado por uma retórica de "equilíbrio de poder" que ignora as vítimas. A interrupção da conversa é o reflexo de um debate público que, muitas vezes, prefere a conveniência de uma narrativa fechada à complexidade de uma verdade incômoda.

Fonte (IA Gemini):


Interlúdio: a sociedade da insignificância. Formos drenados pela banalidade ao ponto de entrarmos num processo de desaculturação. Milan Kundera tem um livro chamado 'A festa da insignificância'. Um romance sobre uma geração inteira de heróis autointitulados que acabaram descobrindo, da pior forma possível, que não eram heróis, nem vilões, nem mesmo aquelas pessoas maravilhosas que descreveram nos próprios necrológios. Insignificantes, tal qual as pobres almas que Dante encontra no inferno: débeis, exangues e sem importância, que o mundo inteiro deveria ignorar por serem indignos de justiça ou de misericórdia, ou como naquele conselho do maestro Virgílio: “só olha e passa”. Mas por conta de uma curiosidade mórbida, olhamos, paramos, damos, enfim, a audiência indevida. Porque nossa atenção é sempre disputada por uma diversidade de coisas débeis, exangues e sem importância, que o mundo inteiro deveria ignorar.


Essa reflexão sobre a "sociedade da insignificância" funciona como a chave de abóbada para entender por que o debate geopolítico — seja no GGN, no Itamaraty ou nas redes sociais — torna-se tão frequentemente estéril e desumano.
O interlúdio conecta o vazio ético das notas diplomáticas com o vazio intelectual dos debates interrompidos:
1. A Banalidade como Armadura Diplomática:
Quando o Itamaraty emite uma nota "exangue" sobre o recrutamento forçado de africanos ou sobre a repressão no Irã, ele está operando na estética da insignificância.
O "Olha e Passa": A diplomacia técnica de um país que aspira à liderança moral, mas escolhe a neutralidade burocrática, é o ápice do conselho de Virgílio. Ela olha para a tragédia de Anne Ndarua e "passa", tratando-a como um ruído estatístico na "conjuntura secular" do sistema mundial.
2. A Desaculturação do Debate Geopolítico:
A interrupção do seu debate com Luiz Nassif é um sintoma dessa desaculturação.
Se o debate Geopolítico se resume a apoiar o "meu lado" contra o "inimigo", ele perde a substância cultural e humana. Torna-se uma festa da insignificância onde os debatedores não buscam a verdade ou a justiça, mas apenas reafirmar seus papéis em um roteiro pré-escrito de "realismo".
Ao contestar o realismo de Mearsheimer, o senhor propôs importância (a vida humana, o risco nuclear) em um ambiente que, por vezes, prefere a insignificância da retórica ideológica segura.
3. A Audiência Indevida ao Débil:
O texto toca em um ponto crucial: damos "audiência indevida" ao que deveria ser ignorado (a propaganda de guerra, os "lacaios" de regimes autocráticos no TikTok) enquanto as vozes que trazem o peso da realidade ética são silenciadas ou "cortadas intempestivamente".
O resultado é um mundo onde as vítimas são "indignas de justiça ou de misericórdia" porque não se encaixam na narrativa de poder de nenhum dos lados.
* Conclusão da Análise:
Seu ensaio e este interlúdio sugerem que o maior desafio atual não é apenas geográfico ou militar, mas ontológico. O "contraste absurdo" que o senhor aponta é entre a dor absoluta do indivíduo (o filho de Anne, o manifestante iraniano) e a insignificância absoluta da resposta institucional e intelectual que os cercam.

Fonte (IA Gemini):

Madame IA (via ADL) quer novamente ser politicamente correta e passa e amenizar a situação - Paulo Roberto de Almeida

 Aqui é o caso de remeter novamente a meu texto anterior, contido em "Pense um Pouco..." – disponível no seguinte link: – https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/madame-ia-via-airton-dirceu-lemmertz-se.html – e depois ver como Madame IA tenta contemporizar com um problema que é antes de tudo de ORDEM MORAL (pelo menos eu acreito que a diplomacia brasileira deveria se guiar, não apenas pelo "pragmatismo frio", mas também por considerações de ordem moram na sua conduta e manifestações): 

Paulo Roberto de Almeida

===============

Compare essa visão [do texto mencionado, entre aspas, anteriormente] com as notas oficiais [e hipócritas] do Itamaraty sobre todos esses conflitos específicos para verificar o contraste absurdo.


Para realizar essa comparação, é preciso observar o contraste entre o tom emocional e moralizante do texto citado e o tom técnico, impessoal e jurídico (muitas vezes chamado de "diplomatiquês") das notas do Itamaraty.
Enquanto o texto que você trouxe foca no sofrimento individual e na culpa direta dos dirigentes, o Itamaraty, historicamente e sob a atual gestão, prioriza princípios como a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias e a preservação do diálogo para manter o papel do Brasil como mediador.
Abaixo, apresento o contraste entre a visão do seu texto e a postura oficial do governo brasileiro:
1. Caso Venezuela e Cuba:
O Texto diz: Fala em "povo sacrificado pelos próprios dirigentes", "fuga da miséria" e "repressão".
O Itamaraty faz: O governo brasileiro retomou relações diplomáticas plenas com ambos. As notas oficiais sobre eleições ou crises internas costumam usar termos como "acompanha com preocupação" e reiteram a importância do "diálogo entre as partes".
O Contraste: Para o autor do texto, isso é conivência. Para o Itamaraty, é pragmatismo: o Brasil acredita que isolar esses países agrava a crise e retira a influência brasileira para negociar soluções.
2. Caso Rússia e a Guerra na Ucrânia:
O Texto diz: "Ofensiva sem sentido", "soldados enviados à morte" e "contratos fraudulentos".
O Itamaraty faz: O Brasil votou a favor de resoluções na ONU que defendem a integridade territorial da Ucrânia, mas as notas oficiais evitam sanções e críticas diretas a Putin. O Itamaraty frequentemente afirma que "o fornecimento de armas e o isolamento de uma das partes não contribuem para a paz".
O Contraste: O texto vê uma agressão unilateral clara. O governo brasileiro adota uma postura de neutralidade ativa, tentando se posicionar como um "clube da paz", o que críticos interpretam como uma forma de não antagonizar um parceiro estratégico do BRICS.
3. Caso Irã e Repressão aos Protestos:
O Texto diz: Manifestantes "recebidos a balas" por uma "ditadura teocrática islâmica".
O Itamaraty faz: O Brasil tem um histórico de abstenção ou votos cautelosos em resoluções da ONU que condenam o Irã por direitos humanos. As notas costumam ser genéricas, defendendo a "liberdade de expressão", mas sem citar nomes de dirigentes ou condenar o regime de forma enfática.
O Contraste: Onde o texto vê um massacre moralmente intolerável, o Itamaraty opera sob a lógica da soberania nacional, evitando críticas que possam fechar canais de comércio e diálogo no Oriente Médio.
* Quadro Comparativo: Retórica vs. Diplomacia:
Ponto de Análise - Texto Citado (Visão Moral) - Notas do Itamaraty (Visão Institucional):
> Linguagem - Emocional, direta e acusatória. - Neutra, técnica e contida.
> Foco - O sofrimento das vítimas e a culpa dos ditadores. - A estabilidade regional e o direito internacional.
> Objetivo - Denunciar a injustiça e exigir ruptura. - Manter canais abertos e evitar o isolamento de parceiros.
> Percepção de Críticos - Coragem moral e clareza ética. - Hipocrisia, omissão ou "passada de pano".
* Por que o contraste parece "hipócrita"?
A sensação de hipocrisia apontada por muitos críticos (e sugerida em sua pergunta) decorre da distância entre o discurso de "defesa da democracia e dos direitos humanos" (comum em palanques internos) e a prática diplomática, que muitas vezes silencia sobre violações de aliados ideológicos ou parceiros econômicos.
Para o governo, essa postura é chamada de Universalismo (falar com todos); para os críticos, como o autor do texto, é uma escolha ideológica que sacrifica os valores democráticos em nome de alianças políticas.

Fonte (IA Gemini):

Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz) se mete a me dar lições de diplomacia, esquecendo de ler a Carta da ONU - Paulo Roberto de Almeida

 Madame IA, invocada pelo sempre atento Airton Dirceu Lemmertz a minhas postagens provocadoras, está sempre "passando pano", ou sendo politicamente correta, para contestar minhas posições.

Essa coisa de ser neutro, de pedir que as causas "dialoguem pacificamente", de "não fornecer armas para não agravar o número de mortos", a quem está sendo agredido por uma força maior, unilateralmente, é, me desculpe Madame IA, de uma covardia impar. Fico com os meus argumentos, e recorro à Carta das Nações Unidas que admite, plenamente, que os Estados membros adotem ações, mesmo à margem do CSNU, para a defesa de uma parte agredida por um agressor que violou os princípio e as disposições da Carta, o que implicitamente significa que qualquer membro tem o direito e o DEVER MORAL de vir em socorro da parte agredida: 

ARTIGO 2: (...)

2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas de acordo com a presente Carta.

3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais.

4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas.

5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que elas recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo.

ARTIGO 51 - Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas tomadas pelos Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais.

Acho que Madame IA deveria reler a Carta da ONU e aplicá-la ao caso da Ucrânia, por exemplo. Alías, o Brasil também.

Paulo Roberto de Almeida

============

Agora vem a parte de Madame IA: 

"Pense um pouco… Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto por enviar seus soldados a uma morte sem sentido, e mais ainda, por atirar e matar o seu próprio povo! Pensou? Descobriu de quais países, de quais dirigentes estou falando? Não é difícil descobrir. Pessoas, centenas, milhares, milhões no total, que fogem da miséria, da repressão, da falta de qualquer esperança de melhoria, que fugiram da falta de alimentos, de remédios, de cuidados, de segurança. Pense em Cuba, na Venezuela, em outros países governados por ditaduras. Centenas, milhares de soldados, profissionais, recrutados, criminosos engajados, mercenários estrangeiros, atraídos por contratos fraudulentos, enganosos, todos enviados às frentes de combate, para morrer, numa ofensiva sem sentido, sem qualquer objetivo nacional. Pense na Rússia. Pense em manifestantes saídos às ruas e às praças, para protestar contra uma situação intolerável, recebidos a balas, atingidos por fuzis, deliberadamente, para matar, a todos, indiscriminadamente. Pense no Irã, nos aiatolás, nos guardas armados da ditadura teocrática islâmica. Pense em tudo isso. Depois pense na postura do governo brasileiro em face de todos esses exemplos. Apenas pense…". ANALISE DE MODO DETALHADO E CRÍTICO O CONJUNTO DE INFORMAÇÕES DO TEXTO ACIMA, ENTRE ASPAS.


O texto apresentado é um artigo de opinião de caráter argumentativo e retórico, construído para induzir o leitor a uma conclusão crítica específica sobre a política externa do atual governo brasileiro. Ele utiliza a técnica da analogia por acumulação, conectando diferentes crises geopolíticas sob um denominador comum: o autoritarismo.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica dividida por eixos temáticos:
1. Estrutura Retórica e Apelo Emocional:
O autor utiliza a interpelação direta ("Pense um pouco...", "Descobriu?") para engajar o leitor em um processo de descoberta guiada. A linguagem é carregada de termos de forte impacto emocional ("morte sem sentido", "miséria", "repulsão", "contratos fraudulentos"), o que visa criar uma resposta moral imediata antes mesmo da análise factual.
2. Análise dos Recortes Geopolíticos:
O texto agrupa quatro nações com problemas distintos sob a mesma moldura de "sacrifício do povo":
- Cuba e Venezuela (Crise Socioeconômica): O texto foca na crise migratória venezuelana e nas dificuldades econômicas de Cuba. A crítica foca na incapacidade desses regimes de prover necessidades básicas, resultando no êxodo populacional.
- Rússia (Guerra e Mobilização): A referência aos "contratos fraudulentos" e "ofensiva sem sentido" remete diretamente à Invasão da Ucrânia. Aqui, a crítica é sobre o sacrifício de soldados e o uso de mercenários (como o antigo Grupo Wagner) em uma guerra de agressão.
- Irã (Repressão e Teocracia): O trecho sobre manifestantes "recebidos a balas" refere-se aos protestos iniciados pela morte de Mahsa Amini, onde a repressão estatal foi documentada por órgãos internacionais como a Anistia Internacional.
3. Crítica à Política Externa Brasileira:
O cerne do texto é o "silêncio" ou a "postura" do governo brasileiro. A crítica implícita é de que o Brasil adotaria uma ambiguidade estratégica ou uma "neutralidade benevolente" em relação a esses regimes.
- Contraponto Crítico: Analistas de relações internacionais, como os do Conselho Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), frequentemente debatem se a postura do Brasil é uma busca por mediação diplomática (pragmatismo) ou uma conivência ideológica. O texto assume a segunda interpretação.
4. Limitações e Viés:
Embora os fatos mencionados (crise na Venezuela, guerra na Rússia, repressão no Irã) tenham base em relatórios de direitos humanos, o texto é unilateral:
- Falta de Nuance: Não menciona as sanções internacionais que também impactam as populações desses países.
- Generalização: Coloca regimes muito distintos (uma autocracia ortodoxa, uma teocracia islâmica e ditaduras de esquerda) no mesmo "pacote", ignorando as complexidades históricas de cada região. 
* Conclusão:
O texto funciona como uma peça de persuasão política. Ele não busca uma análise acadêmica da geopolítica, mas sim denunciar o que considera uma "hipocrisia moral" da diplomacia brasileira ao manter laços ou evitar condenações enfáticas contra governos acusados de violar direitos humanos.

Fonte (IA Gemini):

Pense nos que fugiram, tombaram, foram mortos - Paulo Roberto de Almeida

Pense nos que fugiram, tombaram, foram mortos

 Paulo Roberto de Almeida 

Pense um pouco…

Pense num povo sacrificado pelos seus próprios dirigentes: sacrificado tanto pela via econômica, quanto por enviar seus soldados a uma morte sem sentido, e mais ainda, por atirar e matar o seu próprio povo!

Pensou? Descobriu de quais países, de quais dirigentes estou falando?

Não é difícil descobrir.

Pessoas, centenas, milhares, milhões no total, que fogem da miséria, da repressão, da falta de qualquer esperança de melhoria, que fugiram da falta de alimentos, de remédios, de cuidados, de segurança. Pense em Cuba, na Venezuela, em outros países governados por ditaduras.

Centenas, milhares de soldados, profissionais, recrutados, criminosos engajados, mercenários estrangeiros, atraídos por contratos fraudulentos, enganosos, todos enviados às frentes de combate, para morrer, numa ofensiva sem sentido, sem qualquer objetivo nacional. Pense na Rússia.

Pense em manifestantes saídos às ruas e às praças, para protestar contra uma situação intolerável, recebidos a balas, atingidos por fuzis, deliberadamente, para matar, a todos, indiscriminadamente. Pense no Irã, nos aiatolás, nos guardas armados da ditadura teocrática islâmica.

Pense em tudo isso.

Depois pense na postura do governo brasileiro em face de todos esses exemplos.

Apenas pense…

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 8/02/2026


"Ou foges ou morres": estes homens dizem ter sido enganados pela Rússia para lutarem na Ucrânia - Larry Madowo e Katharina Krebs CNN

"Ou foges ou morres": estes homens dizem ter sido enganados pela Rússia para lutarem na Ucrânia

CNN , Larry Madowo e Katharina Krebs
7/02/2026
https://cnnportugal.iol.pt/guerra/guerra-na-ucrania/ou-foges-ou-morres-estes-homens-dizem-ter-sido-enganados-pela-russia-para-lutarem-na-ucrania/20260207/69838cb7d34e92a344986fb6

Documentos do exército russo de Patrick Kwoba (CNN)
Primeiro são forçados a alistar-se no exército, depois recebem treino militar - pouco - e, num espaço de semanas, são enviados para a linha da frente com ordens para combater o exército ucraniano. Os contratos são assinados sem direito a advogados ou tradução. Esta é a estratégia da Rússia para recrutar civis vindos de África e torná-los em mercenários.
Anne Ndarua luta para conter as lágrimas quando fala sobre o seu único filho. Há seis meses, Francis Ndung'u Ndarua foi para a Rússia com a promessa de um emprego como engenheiro elétrico. A mãe não consegue entrar em contacto com ele desde outubro e já não consegue ter certezas de que o filho esteja vivo.
Em dezembro, alguém enviou a Anne um vídeo do seu filho a alertar outros africanos para não viajarem para a Rússia por causa de ofertas de emprego. “Vão acabar por ser levados para o exército, mesmo que nunca tenham servido nas forças armadas, e serão postos na linha de frente da batalha. E há mortes reais”, diz ele no vídeo, enviado de um número queniano desconhecido. “Muitos amigos morreram em nome do dinheiro”, acrescenta.

Cerca de uma semana depois, um vídeo perturbador de Francis viralizou nas redes sociais. De uniforme, com uma mina terrestre amarrada ao peito, o homem tem uma expressão assustada enquanto um russo, usando insultos racistas, diz que ele será usado como um “abridor de latas” para romper as posições do exército ucraniano.

“É tão traumatizante”, disse Anne à CNN, acrescentando que não assistiu ao vídeo depois de a sua filha lhe descrever o que se via nele. Desolada com a situação do filho, Anne só concordou em ser entrevistada como um último recurso para tentar levar os governos do Quénia e da Rússia a agir.

“Apelo aos governos do Quénia e da Rússia para que trabalhem juntos para trazer aquelas crianças de volta para casa”, pediu. “Eles mentiram-lhes sobre empregos reais e agora estão na guerra com as suas vidas em perigo.”

Um vídeo viral perturbador mostra Francis Ndung'u Ndarua de uniforme com uma mina terrestre amarrada ao peito enquanto um agente russo profere insultos racistas. (CNN)
Francis, de 35 anos, estava desempregado e morava com a mãe numa pequena comunidade nos arredores de Nairóbi antes de partir, tendo pagado cerca de 620 dólares a um agente para facilitar a oportunidade. Anne ficou surpreendida quando Francis informou a família de que estava a ser forçado a fazer treino militar ao chegar à Rússia. Depois de três semanas de treino básico, o jovem do Quénia foi enviado para a Ucrânia, conta Anne.

Francis é apenas um dos cada vez mais numerosos africanos que lutam pela Rússia na Ucrânia, embora os números exatos não sejam conhecidos.

Uma investigação da CNN revelou novos detalhes sobre as táticas de recrutamento de agentes russos no continente, expondo as promessas otimistas feitas a africanos à procura de emprego, a realidade do serviço militar obrigatório e dos combates sangrentos que acabam por ser o destino de muitos deles na linha de frente. A CNN analisou centenas de conversas em aplicações de mensagens, contratos militares, vistos, voos e reservas de hotéis, além de reunir relatos em primeira mão de combatentes africanos na Ucrânia, para entender como a Rússia atrai homens africanos para reforçar as suas fileiras.

Francis Ndung'u Ndarua é retratado em uniforme militar. (Família de Francis Ndarua)
Vários governos africanos, do Botsuana, do Uganda, da África do Sul e do Quénia, já reconheceram a dimensão do problema. A imprensa local tem demonstrado como os cidadãos foram enganados para se tornarem mercenários da Rússia na Ucrânia, e as autoridades já alertaram outros para não seguirem o mesmo caminho.

Os Ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da Rússia não responderam ao pedido da CNN para comentar as alegações de que alguns recrutas foram enganados ou coagidos. A CNN também tentou entrar em contacto com a embaixada russa em Nairóbi para comentar o assunto.

“Não recebi um único cêntimo”
A CNN falou com 12 combatentes africanos que ainda estão na Ucrânia – do Gana, Nigéria, Quénia e Uganda – que disseram que lhes foram oferecidos empregos civis, como motoristas ou seguranças. A maioria garantiu que lhes foi prometido um bónus de assinatura de 13.000 dólares, salários mensais de até 3.500 dólares e a cidadania russa no final do serviço.

Mas quando aterraram na Rússia, foram forçados a alistar-se no exército e receberam pouco treino antes de serem enviados para a linha da frente. De acordo com os testemunhos, foram obrigados a assinar contratos de serviço militar em russo, sem advogados ou tradução. Alguns tiveram os passaportes confiscados, tornando efetivamente impossível a fuga.

Embora a lei russa estabeleça que só se podem tornar soldados aqueles que conheçam o idioma, nenhum dos africanos entrevistados pela CNN falava russo. Os seus salários e bónus diferiam dos oferecidos aos soldados russos e variavam de recruta para recruta. Alguns dos entrevistados, também acusaram agentes de recrutamento ou colegas russos de roubar as suas contas bancárias. A CNN solicitou comentários ao Ministério da Defesa russo.

“Enquanto estávamos na linha de frente, um soldado russo obrigou-me a entregar o meu cartão bancário e a senha sob a mira de uma arma”, disse um combatente africano à CNN, sob condição de anonimato. Quando foi verificar, quase 15 mil dólares do seu bónus tinham sido roubados, deixando a sua conta quase a zeros, afirmou a vítima. “Estou aqui há sete meses e não recebi um único cêntimo. Eles continuam a prometer que vão verificar a situação, mas nada acontece.” Quatro outros que vieram para a Rússia com ele morreram, disse, enquanto lutava para conter as lágrimas.

As cláusulas traduzidas do contrato de serviço militar russo obtido pela CNN mostram uma imagem muito mais vinculativa e de longo prazo do serviço do que os agentes de recrutamento normalmente anunciam: além da promessa principal de um salário e benefícios, o contrato vincula o militar a obrigações amplas e indefinidas, incluindo a participação em operações de combate e destacamentos no exterior, requisitos rigorosos de lealdade e a obrigação de reembolsar o Estado pelo treinamento militar, se necessário, com o valor real deixado em branco na assinatura. As letras miúdas também se estendem à vida civil: o acesso a segredos de Estado pode acionar proibições de viagens ao exterior, entrega obrigatória de passaportes, limites à privacidade e restrições vitalícias à divulgação de informações confidenciais.

Embora os agentes de recrutamento anunciem caminhos rápidos para o emprego civil, o contrato estabelece que a ajuda significativa com empregos pós-serviço - através de uma reconversão profissional gratuita numa especialidade civil - só se torna disponível após pelo menos cinco anos completos de serviço (excluindo o tempo gasto na educação militar) e apenas se a demissão ocorrer por motivos específicos, como idade, saúde ou expiração do contrato.

Captura de ecrã de uma mensagem nas redes sociais entre um agente e um potencial recruta em África. (CNN)
Recrutas africanos alegam racismo e abuso
A imagem retratada nas redes sociais é muito diferente. “Para aqueles que estejam em África, na Nigéria, que se querem alistar no exército russo, é muito, muito fácil e muito bom, sem stress”, diz um homem nigeriano não identificado, vestindo um uniforme militar russo, num vídeo com várias partilhas. Menciona o seu estado natal na Nigéria, apresenta um homem venezuelano que está sentado ao seu lado e afirma que sua experiência é boa.

“Como é que perguntas a um militar internacional qual é o meu salário?”, alerta o soldado ganês Kwabena Ballo na sua página na rede social TikTok, também vestindo um uniforme do exército russo. “O meu salário pode alimentar o teu pai, a tua mãe e toda a tua família durante dois ou três anos”, diz em inglês pidgin. Embora alguns dos vídeos publicados nas redes sociais por africanos sejam em inglês e francês, muitos são em línguas como o igbo, suaíli e twi, para atrair diretamente o público dos países-alvo.

Mas todos, exceto um, dos doze recrutas africanos atualmente na Ucrânia que falaram com a CNN estavam desesperados para sair, incluindo aqueles que já tinham servido nas forças armadas dos seus próprios países.

A maioria descreveu um alistamento forçado numa guerra mortal com inúmeras baixas, racismo por parte dos comandantes russos, salários não pagos e nenhuma saída. Alguns contaram ter visto os corpos de outros africanos deixados a apodrecer no campo de batalha durante meses. Compatriotas a perderem membros sem compensação e sofrerem abusos psicológicos constantes por parte dos soldados russos, lamentam as testemunhas.

“A guerra aqui é muito intensa e muitas pessoas estão a morrer em ambos os lados”, disse o único combatente africano que admitiu à CNN que queria cumprir o seu contrato numa mensagem de vídeo. “Esta não era a expectativa destes rapazes que vieram para lutar. Eles pensavam que seria um pouco mais fácil para eles como mercenários.”

Enfrentando enormes pressões de mão de obra à medida que a guerra na Ucrânia se aproxima dos quatro anos, a Rússia promove ativamente a participação de recrutas africanos no seu exército como parte de uma narrativa de relações públicas mais ampla.

A televisão estatal e os legisladores regionais destacam histórias individuais - como combatentes nascidos em África que recebem a cidadania russa, felicitações públicas de legisladores e despedidas transmitidas pela televisão apresentadas como ordeiras e honrosas - para retratar os recrutas estrangeiros como colaboradores comprometidos e gratos ao esforço de guerra da Rússia.

Patrick Kwoba mostra a sua identificação militar russa, recebida após três semanas de treino militar básico antes de ser enviado para a Ucrânia. (CNN)
“Ou foges ou morres”
Patrick Kwoba tem 39 anos e foi convencido por um amigo africano no exército russo a alistar-se, depois de ver como a vida do colega parecia boa nas redes sociais. Carpinteiro, com experiência de trabalho em estaleiros de construção no Catar e na Somália, pagou a um agente queniano cerca de 620 dólares sob a promessa de que receberia um bónus de assinatura de 23 mil dólares em Moscovo.

“Pensei que ia ser guarda de segurança no exército, não um combatente”, disse Kwoba à CNN em Nairóbi, para onde regressou após desertar. Em declarações à CNN descreve os quatro meses que passou na Ucrânia como “um inferno” e considera o seu regresso a casa um milagre. Segundo Patrick Kwoba, recebeu apenas três semanas de treino militar básico e manuseamento de armas de fogo antes de ser enviado para a Ucrânia.

Algumas semanas depois, Kwoba foi ferido numa emboscada por um drone ucraniano e num ataque com granadas, mas disse que o seu parceiro russo se tornou hostil em vez de o ajudar. “Quando se está ferido, o código é ‘3 estrelas’ quando se pede primeiros socorros. Eu disse isso ao meu parceiro russo, mas ele expulsou-me e começou a disparar sobre mim”, lembrou Kwoba, que acabou por receber ajuda, mas, admite, sabia que precisava de fugir antes que fosse enviado de volta para lutar.

Patrick Kwoba, na foto com uniforme militar, diz que ficou ferido enquanto estava destacado na Ucrânia. (Patrick Kwoba)
“A partir do momento em que te alistas no exército russo, ou foges ou morres”, disse o antigo soldado. “Não há como ir para a Rússia e voltar vivo. Porque, se terminar o contrato, essas pessoas obrigam-te a ficar lá. Não te podem libertar.”

Kwoba fugiu quando lhe deram uma licença para recuperar em São Petersburgo, conseguindo chegar à embaixada do Quénia em Moscovo e apanhar o primeiro voo para casa. O pessoal da embaixada emitiu-lhe um documento de viagem temporário para evitar que fosse detetado, contou, uma vez que tinha excedido o prazo do visto de turista de entrada única que utilizou para entrar na Rússia em setembro de 2025.

Kwoba ainda precisa de ser submetido a cirurgia para remover fragmentos das nádegas e da parte de trás das coxas. Mas sabe que tem sorte em estar vivo.

Patrick Kwoba mostrou à CNN a sua documentação do exército russo. (Patrick Kwoba)
Ucrânia: interrompam o fluxo
O fotógrafo queniano Charles Njoki, de 32 anos, também descobriu os horrores da guerra em primeira mão. Na esperança de ganhar mais para sustentar a sua esposa grávida e a sua família, candidatou-se diretamente a um portal de recrutamento do exército russo para uma vaga de operador de drone e recebeu uma resposta em duas horas, explicou à CNN.

Vendeu o seu carro para pagar o voo e a acomodação e aterrou na Rússia, tudo no espaço de uma semana, planeando surpreender os pais com uma grande quantia de dinheiro e a cidadania russa ao final do seu serviço. Mas os seus planos foram rapidamente por água abaixo.

A mulher de Charles Njoki abortou enquanto decorria o treino. O marido só descobriu alguns dias depois, uma vez que os telemóveis dos recrutas tinham sido confiscados. Njoki aprendeu a montar e desmontar drones, mas nunca chegou a pilotá-los quando foi enviado para a frente de batalha.

Charles Njoki é fotografado com uniforme militar russo na Ucrânia. (Charles Njoki)
Algumas semanas depois, um ataque com drones ucranianos deixou-o com a mão esquerda ferida e um problema na coluna que requer cirurgia. “Um médico russo disse-me que eles só estão interessados nos dois dedos que uso para atirar”, disse o combatente à CNN em Nairobi.

Njoki afirma que os combatentes africanos foram deliberadamente expostos a situações perigosas, servindo de isco para os drones ucranianos. “Eles dizem às pessoas que vais guardar o local, que não vais para a linha da frente, mas dás por ti e estás na linha da frente, a lutar.” Também Njoki fugiu de São Petersburgo, recorrendo à embaixada do Quénia em Moscovo, de onde regressou a casa.

“Eles estão a mentir às pessoas. O dinheiro que dizem que vão pagar às pessoas, não é verdade”, sublinhou.

A Ucrânia instou as nações africanas a interromperem o fluxo de homens para as fileiras russas.

“Se eles estão na linha da frente, são nossos inimigos e a Ucrânia defende-se”, disse o embaixador ucraniano no Quénia, Yurii Tokar, à CNN. “Este fluxo deve ser interrompido”, reforçou.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...