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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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segunda-feira, 20 de março de 2017

sexta-feira, 10 de março de 2017

Percursos Diplomaticos: Rubens Ricupero - Instituto Rio Branco, 17/03, 15hs


Convite para palestra-debate

Encontros IRBr-IPRI

 Percursos Diplomáticos: Rubens Ricupero

Auditório Embaixador João Augusto de Araújo Castro - IRBr

17/03/2017 – 15h.


A Fundação Alexandre de Gusmão – FUNAG, o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais – IPRI – e o Instituto Rio Branco – IRBr –  têm o prazer de convidar para a palestra-debate “Percursos Diplomáticos: Rubens Ricupero”, a ser proferida pelo Embaixador Rubens Ricupero.
A palestra acontecerá no Auditório Embaixador João Augusto de Araújo Castro, no Instituto Rio Branco, no dia 17 de março às 15h00. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Palestra sobre General Abreu e Lima e a independencia do Peru, IRBr, 23/09, 10:45hs

A Embaixada do Peru no Brasil, o Instituto Rio Branco e a Fundação Alexandre de Gusmão convidam para o painel acadêmico "General José Inácio Abreu e Lima e sua participação nas batalhas pela independência do Peru", a realizar-se na sexta-feira 23 de setembro de 2016, no Auditório do IRBr, às 10:45hs, com palestras do Embaixador José Jesus G. Betancourt Rivera e dos professores Vamireh Chacon e José Carlos Brandi Aleixo.

terça-feira, 29 de março de 2016

Varnhagen: 200 anos do nascimento - Seminario no Instituto Rio Branco, 1/04/2016

Seminário "Varnhagen (1816-2016): diplomacia e pensamento estratégico"
A Fundação Alexandre de Gusmão realizará o seminário “Varnhagen (1816-2016): diplomacia e pensamento estratégico”, no Instituto Rio Branco, em Brasília, em 1º de abril de 2016, a partir das 15 horas.

O seminário homenageia o bicentenário de nascimento do diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen, considerado um dos patronos da historiografia brasileira. O evento é fruto de parceria com o Instituto Rio Branco (IRBr), Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), Universidade de Brasília (UnB) e Instituto Martius-Staden.

Para mais informações: http://goo.gl/JHNxay

sexta-feira, 25 de março de 2016

O pensamento estrategico de Varnhagen: contexto e atualidade - Paulo Roberto de Almeida

Meu texto para o seminário do próximo dia 1o. de abril, no Instituto Rio Branco, a ser disponibilizado por inteiro assim que terminar a revisão.
Paulo Roberto de Almeida

O pensamento estratégico de Varnhagen: contexto e atualidade

Paulo Roberto de Almeida

Sumário:
Questões introdutórias e de organização do ensaio1
1. Varnhagen possuía um pensamento estratégico? , 4
2. Quais tipos de pensamento estratégico existiam na época de Varnhagen?, 8
3. Quais os componentes centrais do pensamento estratégico de Varnhagen?, 10
4. Como o pensamento de Varnhagen se refletiu no Estado imperial?, 20
5. Qual o legado desse pensamento na construção do Estado brasileiro moderno?, 25
6. Existe uma modernidade em Varnhagen?, 33
Bibliografia, 43

Questões introdutórias e de organização do ensaio
Este é um ensaio de aproximação intelectual ao pensamento estratégico de Francisco Adolfo de Varnhagen, que pode ser enquadrado na categoria da história das ideias políticas no Brasil. A temática principal, desdobrável em duas perguntas vinculadas entre si, poderia ser apresentada da seguinte maneira:
(1) Varnhagen, seja enquanto historiador, seja como diplomata, ou mesmo como “estadista improvisado”, possuía, ou era dotado de, “um” pensamento estratégico? Em outros termos, em que medida aderia ele a conceitos basilares das doutrinas estratégicas do seu tempo, e como tais conceitos, se presentes efetivamente em seu pensamento, se refletiram em sua vasta obra, tanto a de cunho historiográfico – como a História Geral do Brasil (1854-57) – quanto a de natureza mais política – como, por exemplo, o Memorial Orgânico (1849-1850) –, tal como se tentará aqui discutir?
Uma questão adicional ao tema principal acima enunciado poderia ser a da especulação sobre a existência, reconhecida ou não, de discípulos, explícitos ou implícitos, em sua própria época, ou nas décadas e no século que se seguiram ao ativismo intelectual e diplomático do patrono da historiografia brasileira. Não existem evidências nesse sentido, embora a obra principal de Varnhagen tenha dominado o pensamento histórico no Brasil durante quase um século, até praticamente o pós-guerra.
Várias outras perguntas secundárias – que servirão de guias para o itinerário argumentativo deste ensaio – podem ser formuladas no contexto do quadro conceitual delimitado pela suposição inerente ao título deste ensaio, suposição que parte, portanto, de uma resposta positiva à primeira pergunta formulada, a de que Varnhagen possuía, de fato, um pensamento estratégico. Tais questões adicionais são as seguintes:
(2) Existiam doutrinas estratégicas, ou de natureza geopolítica, propriamente formalizadas, no período formativo do pensamento de Varnhagen, e de que tipo seriam essas estratégias, ou “geopolíticas”, em construção na primeira metade do século XIX, que se desenvolveram mais para o final do século e que passaram a conhecer notável florescimento na primeira metade do século XX?
(3) Quais os componentes principais do pensamento estratégico de Varnhagen – se admitirmos que ele possuiu um – e como este se apresentou em sua obra?
(4) Que consequências ou efeitos teve esse tipo de pensamento no ideário, ou na ideologia, das elites dirigentes brasileiras, em especial as militares e as diplomáticas, nas décadas que se seguiram?
(5) Que legado produziu no pensamento estratégico brasileiro do século XX, quais foram os seus porta-vozes e qual o impacto desse tipo de pensamento na definição de políticas públicas nas áreas da segurança nacional, do desenvolvimento econômico e do papel do Estado na organização nacional? Como a vertente do pensamento propriamente “estratégico” de Varnhagen se incorporou à, ou recebeu continuidade na, obra de “geopolíticos” do século XX?
(6) Existe uma modernidade em Varnhagen? Dito de outra forma, suas reflexões e propostas para os problemas brasileiros de meados do século XIX poderiam ser transpostas, com as adaptações de praxe, aos desafios brasileiros do início do século XXI? Qual seria o pensamento estratégico, de inspiração varnhageana, que poderia impulsionar um esforço similar, ou funcionalmente equivalente, para “civilizar” o Brasil, quase 170 anos depois das propostas originais?

Não se espera, ao início deste ensaio, que todas essas questões possam ser respondidas completamente, ou sequer tratadas a contento – ou seja, de forma sistemática ou mais ou menos minuciosa –, mas existe pelo menos a intenção do autor de abordar cada uma delas de maneira abrangente – um conceito que se traduz pela palavra comprehensive, em inglês –, um empreendimento que traduz um esforço de interpretação do pensamento de Varnhagen, à luz dos teóricos de sua época e da  possível influência ou impacto que ele deixou não apenas nos intelectuais que absorveram os principais conceitos de sua obra, mas também no ideário nacional incorporado ao ensino da história e de outras disciplinas das humanidades nas instituições públicas de educação, do médio ao superior.
Caberia ressalvar, neste ponto inicial, que o autor deste ensaio não é historiador, não possuindo, portanto, o instrumental metodológico da disciplina, e sequer pretende ser especialista no pensamento de Varnhagen, sendo apenas um praticante da sociologia histórica, e que aprecia trabalhar com os fundamentos históricos e econômicos da diplomacia brasileira. Muito do que vai aqui sintetizado já foi objeto de tratamento pormenorizado nos trabalhos de eminentes especialistas, em especial do professor Arno Wehling, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, autor de diversas obras a respeito do pensamento político e diplomático de Varnhagen (1999, 2002, 2013a), com destaque para os seus ensaios de estrategista, e de estadista, em torno do Memorial Orgânico (2013b, 2013c), o texto mais diretamente relacionado à temática deste ensaio, o pensamento estratégico do historiador. Cabe aliás destacar que, ademais de seus outros trabalhos sobre Varnhagen, a “retomada” do Memorial, sua atualização vocabular e sua disponibilização mais ampla são diretamente imputáveis ao tino histórico exemplar e à dedicação desse estudioso da obra do historiador sorocabano.
Cabe mencionar igualmente o já falecido professor Nilo Odália, autor de uma análise interpretativa da obra historiador-diplomático, situando-a no plano da formação da historiografia brasileira, inclusive em perspectiva comparada com Oliveira Vianna (1979; 1997). Nilo Odália procura estabelecer uma “relação de continuidade” entre ambos, que seria “característica de uma parte significativa da historiografia brasileira do século XIX e do início deste [XX] século, até o final da década de 1920, em que a preocupação fundamental do historiador era a de, ao partir de uma análise fundante de nossa história, buscar soluções para a realização do sonho de uma Nação unitária e integrada” (1997: 119-120). Essa Nação, como ainda destaca Odália, deveria ser socialmente “solidária”, na expressão usada por Oliveira Vianna, ao passo que o próprio Varnhagen falava de uma “Nação compacta”, como destacado na tese de Janke (2009).
Entre outros autores “varnhageanos”, entre eles Américo Jacobina Lacombe, autor de um estudo sobre o pensamento político do historiador (1967), Nilo Odália destacou a importância crucial do Estado, em Varnhagen, como “força tuteladora e instrumento de formação da Nação” (1997: 63-87), assim como chamou a atenção e sintetizou com clareza, usando as próprias palavras do historiador (no início da História Geral), os objetivos autofixados para sua missão enquanto funcionário do Estado, mas especializado na “arqueologia” da nação:
[E]m primeiro lugar, colaborar na Administração do Estado, por meio do levantamento histórico de dados que lhe possam ser úteis; em segundo, favorecer a unidade nacional; e, em terceiro, complementando o segundo, fomentar e “exaltar” o patriotismo, enobrecendo o espírito público. (1997: 38).

Ao estudar o passado do Brasil, mais exatamente, ao “construir” ele mesmo esse passado, que nunca tinha sido escrito tão completamente quanto ele quis fazer, mediante pesquisas em arquivos primários, Varnhagen pretendia, na verdade, “moldar o futuro da nação”, como destaca Odália. Tal tarefa, assumida como missão pessoal por Varnhagen, constitui, justamente, a própria essência do planejamento estratégico, que é a de examinar tendências fortes existentes no passado e no presente, para poder projetar, e provavelmente influenciar, uma rota preferencial dentre os itinerários futuros.

1. Varnhagen possuía um pensamento estratégico?
(...)
 =============

Vou disponibilizar este texto, assim que terminar a revisão...
Um resumo do que foi o Memorial Orgânico de Varnhagen: 

Ele pensou que iria "civilizar" o Brasil: não conseguiu, mas deixou o roteiro (em 1849) do que precisaria ser feito, em seis grandes tarefas: 
1) Negociar tratados bilaterais de limites (já feito pelo Barão do Rio Branco, meio século depois); 
2) Transferir a capital para o interior (feito por JK, cem anos depois); 
3) resolver problemas de infraestrutura: transportes e comunicações (feito parcialmente pelos militares, mas ainda muita coisa inconclusa, que não vai ser feita pelo Estado, inepto e sem recursos; tem de passar para a iniciativa privada, como aliás fazia o Império); 
4) resolver os problemas da federação, de organização administrativa, de desequilíbrios regionais, etc (a União só se reforçou desde a monarquia unitária, e a despeito de uma República supostamente federativa); 
5) Fragilidade da defesa nacional, por falta de uma doutrina de segurança e de meios adequados (continua a mesma coisa); 
6) heterogeneidade da população, com escravismo extensivo, índios não aculturados (mudaram os problemas, mas a heterogeneidade continua, sobretudo por causa de uma educação deplorável). 
Ou seja, mais da metade da tarefa "civilizatória" de Varnhagen continua sem ter sido concluída...

Varnhagen (1816-2016): diplomacia e pensamento estrategico - seminario no IRBr, 1/04/2016

Estou indo, aliás, estou participando:


INSCRIÇÕES ABERTAS: "Varnhagen (1816-2016): Diplomacia e Pensamento Estratégico"


A Fundação Alexandre de Gusmão, em parceria com o Instituto Rio Branco (IRBr), o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e o Instituto de Relações Internacionais (IRel) da Universidade de Brasília (UnB), realizará, no próximo dia 1º de abril, às 15h, o seminário “Varnhagen (1816-2016): diplomacia e pensamento estratégico”, em Brasília, na sede do IRBr. Para participar, acesse a página de inscrições do Seminário. As inscrições estão abertas até 24 de março de 2016.  
O seminário será realizado no contexto das comemorações do bicentenário de nascimento do diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen, considerado um dos patronos da historiografia brasileira.
Sua pioneira missão ao Planalto Central, realizada com 61 anos, em 1877, depois de um Memorial precursor, de 1849, já sugerindo a confluência das três grandes bacias hidrográficas brasileiras como a melhor localização para a futura capital, foi crucial no processo decisório ulterior de transferência e construção da nova sede do Governo brasileiro, naquele exato local. Seu roteiro de viagem serviu de base à Missão Cruls, em 1892. O barômetro de Varnhagen se encontra atualmente no Memorial Juscelino Kubitschek, em Brasília.
Serviço
“Varnhagen (1816-2016): diplomacia e pensamento estratégico”
Inscrições abertas até 24 de março de 2016. 
Vagas limitadas.
Data: Dia 1 de abril de 2016, às 15h
Local: Instituto Rio Branco, Brasília
Endereço: Setor de Administração Federal Sul, Quadra 5 - Lotes 2/3

Programa:
Varnhagen (1816-2016): diplomacia e pensamento estratégico
Seminário em homenagem ao historiador-diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen
Data: 1 de abril de 2016, das 15 às 19hs.
Local: Instituto Rio Branco, Brasília, DF - SAFS Q.05 – Lotes 2 e 3
Organizadores: FUNAG, IRBr, IHGB, IRel-UnB, Instituto Martius Staden

15:00: Abertura: Embaixador Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Mourão, Diretor do IRBr; Professor Jarbas Silva Marques, Coordenador Cultural da Academia de Letras e Artes do Planalto; Embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, Presidente da FUNAG
15:10: Integridade e integração nacional: duas ideias-força de Varnhagen
Professor Arno Wehling, Presidente do IHGB
15:50: Varnhagen: A formação do Brasil vista de fora e de dentro
Embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa
16:30: Intervalo para café
16:40: A geração de Varnhagen e a definição do espaço brasileiro
Embaixador Synesio Sampaio Goes Filho
17:10: A transferência da capital
Embaixador Carlos Henrique Cardim
17:40: O pensamento estratégico de Varnhagen: contexto e atualidade
Ministro Paulo Roberto de Almeida
18:10: Varnhagen e a América do Sul
Ministro Luis Cláudio Villafañe Gomes Santos
18:40: Debates, conclusão
19:00: Encerramento

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Itamaraty: concurso do Rio Branco, e a indigencia intelectual

Exemplo de questão de Geografia que caiu na prova do Instituto Rio Branco, neste infeliz domingo (para os que ainda pensam), dia 2 de agosto de 2015.
Parece que a indigência mental continua a predominar nas questões relativas a problemas econômicos e sociais que devem pautar o pensamento daqueles que ousam se candidatar à carreira diplomática no reino dos companheiros, não por culpa do Itamaraty, diretamente, mas da parte de quem formula as questões e de quem deixa que esse tipo de lixo subinteliquitual predomine...
Nem tenho comentários a fazer, ou talvez apenas um.
Só um militante do MST escreveria pior (talvez seja o caso)...
Paulo Roberto de Almeida 


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Concurso de ingresso na carreira diplomatica: cada vez mais arbitrario? - BBC Brasil

Ou cada vez mais alucinado?
Ou cada vez mais aloprado?
Acredito que não, mas algumas perguntas são impossíveis de serem respondidas por pessoas normais.
Eu, pelo menos, se dependesse dessas perguntas para ser admitido, provavelmente seria reprovado, a menos de "chutar" algumas respostas e ter sorte com isso...
Paulo Roberto de Almeida

Prova de seleção para diplomata revolta candidatos
João Fellet, da BBC Brasil em Brasília
BBC Brasil,  8 de maio, 2014

Em que ano a Indonésia e o Suriname se tornaram independentes? O que dizia a Lei Agamenon Magalhães, de 1945, que tratou do registro de partidos políticos no país? Quais os critérios para a classificação de exportações brasileiras por fator agregado?
Para que acertassem três questões da seleção em curso para a carreira diplomática, os candidatos deveriam saber responder as perguntas acima. Os critérios para a formulação da prova revoltaram postulantes ao cargo e trouxeram à tona um debate sobre a seleção de diplomatas no Brasil.
Tradicionalmente um dos mais difíceis do país, o concurso para o Instituto Rio Branco - que forma os diplomatas brasileiros – está especialmente concorrido neste ano.
Cerca de 4 mil inscritos disputam apenas 18 vagas, com salário inicial de R$ 14.290,72. A seleção, que teve a primeira etapa no início de abril, entrou na segunda fase neste sábado e se encerra em 17 de maio.
Candidatos descontentes com os atuais critérios de seleção criaram no Facebook o grupo "Por um CACD (Concurso de Admissão à Carreira Diplomática) mais objetivo". Na sexta, o grupo contava 199 membros.
Eles querem que os formuladores da prova comentem os gabaritos e que as questões sejam elaboradas a partir de uma bibliografia, para evitar interpretações divergentes sobre os temas cobrados. Defendem ainda que, se os candidatos tiverem negados pedidos de revisão da prova, os examinadores justifiquem suas decisões.
Uma candidata que concorria ao exame pelo quarto ano seguido e não se classificou para a segunda fase diz ter desistido da carreira porque "a prova se tornou muito subjetiva".
Ela afirma ainda que boa parte dos conteúdos cobrados nos últimos concursos dificilmente será aplicada na carreira. A candidata cita a prova de inglês em 2013, em que se exigia a tradução do inglês para o português de um texto que mencionava diversos tipos de sons emitidos por pássaros.
O candidato deveria saber as palavras em português correspondentes aos termos "cackle", "croak", "whistle" e "squawk" – segundo o dicionário Michaelis, as traduções mais próximas são, respectivamente, "cacarejar", "coaxar", "assobiar" e "grasnar".
Também pesaram - em sua decisão de desistir - os gastos que teria com mais um ano de preparação. Hoje, por causa da dificuldade da prova, grande parte dos aprovados no Instituto Rio Branco recorre a cursos preparatórios para o exame.
O curso mais popular, o Clio, cobra cerca de R$ 30 mil por cinco meses de aulas para todas as disciplinas exigidas no exame. A prova requer conhecimentos de geografia, história, português, política internacional, direito, economia, inglês, espanhol e francês.
Alguns candidatos concorrem ao exame quatro ou cinco vezes até serem aprovados. A maioria, porém, desiste de tentar a vaga após alguma reprovação.
O Ministério de Relações Exteriores disse que o rigor da seleção se deve ao grande número de candidatos. Segundo a pasta, outros concursos públicos para carreiras concorridas têm grau de dificuldade equivalente.
O ministério afirmou que a elaboração das provas é responsabilidade do Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos), da Universidade de Brasília (UnB).
Em nota, o Cespe afirmou que a prova "é estabelecida com base na complexidade e nas características do cargo público para o qual a seleção está destinada".
"A explicitação da referida estrutura é feita no edital de abertura do certame, ao qual o candidato adere ao efetuar a sua inscrição. O Cespe/UnB esclarece, ainda, que os editais de abertura de todos os concursos, que contêm as regras que regem os certames, são definidos em comum acordo entre as instituições contratante e contratada."
Menos vagas
Nos últimos anos, outro fator tem desencorajado aspirantes a diplomata. Após contratar cem diplomatas ao ano entre 2006 e 2010, em movimento concomitante à abertura de embaixadas brasileiras no exterior, o Itamaraty vem reduzindo o número de admissões anuais.
O número de postos oferecidos neste ano, 18, é o menor desde que o Instituto Rio Branco passou a registrá-los, em 1996, quando 30 diplomatas foram contratados.
O Itamaraty disse à BBC Brasil que o número de vagas obedece a decisão do Ministério do Planejamento e reflete os esforços de contenção de gastos em todo o governo.
Porém, para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, as vagas ofertadas neste ano são insuficientes para atender às necessidades da política externa brasileira.
"O número, que é historicamente baixo, mostra que o governo atual não tem um compromisso muito sério com o projeto da política externa e não se importa muito com questões globais", ele diz à BBC Brasil.
Corpos diplomáticos
Segundo Stuenkel, mesmo com a expansão de postos nos anos Lula, o Brasil segue com um dos menores corpos diplomáticos entre todos os países emergentes.
"A decisão de não continuar com a expansão tem consequências importantes, porque o Brasil não terá capacidade de analisar a situação em vários países e dependerá de análises de outros países, feitas conforme interesses diferentes dos seus".
Stuenkel elogia, contudo, o caráter meritocrático da seleção de diplomatas. Segundo ele, "o Itamaraty é o único ministério do governo brasileiro que um novo presidente não consegue encher com seus aliados".
A imunidade do órgão a apadrinhamentos e indicações políticas, diz ele, fez com que os diplomatas ganhassem boa reputação no país.
Por outro lado, afirma Stuenkel, num país desigual como o Brasil, a meritocracia acaba por privilegiar "um grupo bastante elitizado".
"O Itamaraty já mudou bastante, já tem uma composição étnica diferente, diplomatas de origem mais humilde. Mas, como todas as instituições de elite no Brasil, ainda não conseguiu refletir a diversidade da sociedade brasileira".
O Itamaraty diz que tem se esforçado para ampliar a diversidade étnica e social dos seus quadros. Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão citou seu programa de ação afirmativa, iniciado em 2002.
O programa concede bolsas para que candidatos negros se preparem para o concurso para o Instituto Rio Branco. Uma reportagem da BBC Brasil em 2012 revelou, porém, que apenas 2,6% dos candidatos aprovados desde o início do programa eram negros que se beneficiaram das bolsas
O professor Oliver Stuenkel questiona, ainda, o grande peso que se dá ao conhecimento acadêmico na seleção e formação de diplomatas no país.
Segundo ele, o trabalho do diplomata brasileiro se distancia cada vez mais da "diplomacia clássica" e se aproxima de áreas técnicas do governo, como agricultura e educação.
"Isso requer pessoas com interesses diversificados e que idealmente tenham experiência de trabalho, e não só jovens academicamente brilhantes".
Já para o diplomata e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, o concurso para diplomatas já atrai candidatos com formações e competências variadas.
"Há muita gente brilhante e que se destacou nas várias áreas de que o Itamaraty cuida, como comércio, meio ambiente e direitos humanos."
Ele defende que a formação de diplomatas continue privilegiando uma "abordagem de cultura humanística geral".
"Embora tenda a exigir uma especialização, a diplomacia é em grande parte uma atividade política, que exige uma personalidade dotada de cultura ampla para compreender outros povos e mentalidades".
Quanto à diminuição de vagas nos últimos concursos, Ricupero diz se tratar de processo natural após o forte crescimento do ministério na gestão do então chanceler Celso Amorim (2003-2011).

"O Brasil já tem uma das maiores redes (diplomáticas) do mundo, não dá para continuar expandindo muito mais".

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Carreira diplomatica: Portaria abre o concurso de 2014: 18 vagas apenas

Atenção, interessados em seguir a carreira diplomática: foi publicada no Diário Oficial da União a portaria que estabelece as normas para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2014.

PORTARIA N° 77, DE 13 DE FEVEREIRO DE 2014

O MINISTRO DE ESTADO, INTERINO, DAS RELAÇÕES EXTERIORES, no uso de suas atribuições, de acordo com o estabelecido no Decreto nº 6.944, de 21 de agosto de 2009 e tendo em vista o disposto nos artigos 1º e 5º do Regulamento do Instituto Rio Branco, aprovado pela Portaria de 20 de novembro de 1998, publicada no Diário Oficial da União de 25 de novembro de 1998, resolve:

Art. 1º. Ficam estabelecidas as normas que se seguem para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2014.

Art. 2º. O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2014 constará, na Primeira Fase, de prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, constituída de questões de Português, de História do Brasil, de História Mundial, de Geografia, de Política Internacional, de Inglês, de Noções de Economia e de Noções de Direito e Direito Internacional Público.
Parágrafo Único. Será estabelecida reserva de vagas na Primeira Fase para candidatos afrodescendentes.

Art. 3º. A Segunda Fase constará de prova discursiva eliminatória e classificatória de Português.
Parágrafo Único. Será estabelecida nota mínima para a prova de Português.

Art. 4º. A Terceira Fase constará de provas discursivas de: a) História do Brasil; b) Geografia e Política Internacional; c) Língua Inglesa; d) Noções de Economia; e) Noções de Direito e Direito Internacional Público; f) Língua Espanhola e Língua Francesa.
Parágrafo 1º. As seis provas da Terceira Fase terão peso equivalente.
Parágrafo 2º. Será estabelecida nota mínima para o conjunto das provas da Terceira Fase.

Art. 5º. Serão oferecidas, no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata de 2014, 18 (dezoito) vagas para a classe inicial da Carreira de Diplomata.

Art. 6º. O Diretor-Geral do Instituto Rio Branco fará publicar o Edital do Concurso.

Art. 7º. O prazo de realização da primeira prova, com relação à data de publicação do Edital do Concurso, será reduzido para 48 (quarenta e oito) dias, nos termos do Art. 18, §2º. do Decreto nº 6.944, de 21 de agosto de 2009.

EDUARDO DOS SANTOS

http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=14%2F02%2F2014&jornal=1&pagina=39&totalArquivos=176

terça-feira, 11 de junho de 2013

Instituto Rio Branco: concurso 2013; deu chabu?

O Instituto Rio Branco poderia, quem sabe?, colocar uma nota explicativa aos milhares de candidatos ao concurso para a carreira diplomática?
O que existe, no momento, é uma nota burocrática, só lisível para quem adentrar nos arcanos deste link:

http://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/IRBr/pt-br/file/concurso/2013/crono_site_cacd.pdf

E tem também uma Portaria convocando o concurso para o dia de São Nunca...


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A (des)educacao dos jovens diplomatas, IRBr - Matias Spektor

Em geral, diplomatas não gostam de críticas, sobretudo externas (mas internas também). Em particular, eles tendem a concordar com os críticos, mas apenas em particular...
Paulo Roberto de Almeida

Educação de diplomatas

Matias Spektor

Folha de S.Paulo,  28/11/2012

O Instituto Rio Branco, a academia onde são treinados os diplomatas brasileiros, é um dos principais celeiros de talento jovem no país.
Em dois anos de curso, os recém-ingressados assistem a aulas e palestras, estudam idiomas e criam redes de relacionamento. Aprendem a se vestir, falar e pensar de acordo com o cânone diplomático nacional.
No passado, a escola facilitou a coesão e a disciplina que caracterizam nossa política externa.
Mas agora o modelo educacional do Instituto Rio Branco está obsoleto e corre risco de ficar irrelevante. O problema, que não é deste governo, arrasta-se há anos, apesar do bom trabalho da atual direção.
Com exceção dos excelentes cursos de idiomas, a proposta didática é talhada para um mundo que não existe mais.
Os alunos assistem a um maçante ciclo de palestras avulsas que raramente leva a uma reflexão sobre a condução da política externa.
Nos cursos regulares, não há coordenação de conteúdos. Muitas vezes repetem-se temas vistos à exaustão para o concurso de ingresso.
Em encontros com diplomatas antigos, os jovens ouvem casos inspiradores do passado e são iniciados no mundo da diplomacia. Mas o tom é de celebração dos supostos sucessos de outrora, sem reflexão crítica a respeito dos erros e percalços mais comuns.
O modelo é problemático porque os diplomatas brasileiros de hoje requerem habilidades que seus colegas mais antigos podiam ignorar.
Enquanto as gerações mais antigas defenderam um país fraco com uma diplomacia de pequenos passos, os mais jovens trabalham para um país relativamente influente que paga custos altos quando se omite.
Enquanto os mais antigos foram porta-vozes de uma sociedade autoritária e injusta, a nova geração representa uma democracia de massas que se reorienta em direção à classe média.
As novas coordenadas do Brasil contemporâneo têm impacto sobre o perfil da educação de diplomatas.
Se o Instituto Rio Branco aspira a ser uma escola de formação profissional, precisará se adaptar.
Treinará seus quadros para lidar com a imprensa, as novas mídias e o público em geral. Deverá qualificá-los em métodos de análise de conjuntura e cenários prospectivos, técnicas de oratória e negociação, novos processos de gestão financeira do setor público e cerimonial.
Para além de novas técnicas, o instituto precisará combater o provincianismo.
Não há nada de errado em aprender a recitar as tradicionais teses de defesa do comportamento brasileiro no mundo.
Mas é cada vez mais urgente dar insumos para que os jovens diplomatas possam lidar com argumentos contrários, com fatos que subvertem as convicções mais arraigadas e com as ambiguidades inerentes à política internacional.
Como se trata de profissionais inteligentes e talentosos, é possível para eles ter ideias contraditórias na cabeça e, mesmo assim, tomar posição.
Em Brasília, quase todos sabem que é necessário mudar. Resta saber quem terá coragem de fazê-lo.
Matias Spektor Matias Spektor é professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nas Nações Unidas antes de completar seu doutorado na Universidade de Oxford.

sábado, 10 de setembro de 2011

Como NAO se deve fazer a prova do Rio Branco (ou escrever a Historia)...

Algum tempo atrás, ao ser "apresentado" às -- enfim, considerem "tomar conhecimento" das --  provas deste ano da graça de 2011 do Instituto Rio Branco -- que na verdade não tem muita culpa no "negócio", pois as provas são geralmente feitas pelo CESPE, ou seja professores da UnB -- eu escrevi um pequeno post com este título (e o link vai junto):



SEXTA-FEIRA, 8 DE JULHO DE 2011


Após breves considerações sobre o autor da frase -- o alemão Von Martius -- eu transcrevia algumas questões das provas deste ano como exemplos do título, ou seja, de como NÃO se deve fazer provas do Rio Branco.
Enfim, tenho minhas muitas críticas aos professores da UnB e seus famosos livros -- que evito de veicular em público para não causar constrangimentos em nenhuma das partes -- e tenho também muitas outras críticas às provas do Rio Branco -- que evito... etc., etc., etc... -- mas, de vez em quando sou consultado por alunos, candidatos, aspirantes, curiosos em geral, sobre a natureza das minhas críticas, o que geralmente vem associado a pedidos de "dicas" ou recomendações de estudo para essas provas.
Assim, por exemplo, recebi a seguinte mensagem de um "interessado":


Impressão minha ou algumas questões nao dão espaço para o sujeito dissertar contrariamente as posições tomadas pelo itamaraty?
Ex: questao 2 de politica internacional.



Evito comentar  ou de fazer esse tipo de "coisa" -- ou seja, recomendações do que eu mesmo consideraria mais "correto", ou mais apropriado --, pois acho que faria mais mal do que bem aos candidatos em geral. Como não sou eu quem formulo questões, como não dou aulas no Rio Branco, nem na UnB, aliás, como não vou ser convidado para qualquer dessas coisas justamente porque minhas posições e opiniões não estão conformes ao "canon" oficial, digamos assim, não adianta nada eu levantar problemas onde isso só representaria problemas, justamente, e não soluções para os que buscam, por vezes desesperadamente, soluções aos seus problemas.
Ou seja, os candidatos se deparam com questões "debilóides", politicamente enviesadas, ou torcidas para a única posição possível -- a oficial, obviamente -- o que mais uma vez confirma que, em determinadas circunstâncias, a versão é mais importante do que o fato.
Por exemplo, se você se depara com uma questão sobre a "relação estratégica Brasil-Argentina", ou sobre "a importância do Mercosul" na, e para a, política externa do Basil, o que é que você vai fazer? Vai contestar a versão oficial, apontando problemas e incongruências, ressaltando os percalços e as ilusões?
Acho que é uma dead issue, e portanto prefiro ficar quieto.
Vou continuar escrevendo meus trabalhos e livros, respondendo em toda honestidade intelectual, apenas ao que coleto e seleciono em minhas leituras, pesquisas históricas, reflexões comparativas, dados empíricos, etc. Como sempre fiz, aliás.
Deixo a ideologia de lado, ou talvez eu tenha as minhas próprias ideologias, mas não pretendo confrontar instituições "respeitáveis", como podem ser o CESPE, a UnB, o IRBr, o MRE, com minhas próprias posições, que também podem ser o resultado de outros tantos equívocos ou erros de compreensão.
Em todo caso, não deixo de constatar equívocos e desvios em todas essas provas, que são reais, do contrário tantos candidatos não me consultariam, depois, para tentar elucidar algo que eles próprios acharam equivocado, ambíguo, contrastante com a realidade, etc.


Pois bem, acho que não ajudei ninguém, que seja candidato, quero dizer, eu ainda "coloquei minhocas" nas cabeças de alguns, que apenas querem estudar segundo os padrões politicamente corretos, para passar nas provas politicamente corretas do IRBr. Como eu não sou um sujeito politicamente correto, eu fico perturbando o cenário com os meus questionamentos. Mas a intenção, sincera, não é atrapalhar ninguém, é apenas a de corresponder ao meu habitual compromisso com a verdade dos fatos e com a minha proverbial honestidade intelectual. Quando eu vejo um equívoco não consigo deixar de apontar o equívoco. Quando eu vejo má-fé, sinto-me tentado a denunciar o fato. Tem gente que não gosta, e muitos não gostarão. Mas, eu faço apenas o que me dita minha consciência livre...
Paulo Roberto de Almeida 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Portaria do Instituto Rio Branco - Mestrado em Diplomacia

GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA No -660, DE 3 DE NOVEMBRO DE 2010

Revoga a Portaria nº 336, de 30 de maio de 2003, que regulamenta o Curso de Formação do Instituto Rio Branco, e institui novo regulamento para incorporar modificações decorrentes do Mestrado em Diplomacia do Instituto Rio Branco no processo de formação dos diplomatas.

O MINISTRO DE ESTADO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, tendo em vista o disposto no Decreto-Lei 8.461, de 26 de dezembro de 1945, nas Leis 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e 11.440, de 29 de dezembro de 2006, nos Decretos 5.707, de 23 de fevereiro de 2006 e 7.304, de 22 de setembro de 2010, e na Portaria Ministerial de 20 de novembro de 1998, alterada pela Portaria nº 11, de 17 de abril de 2001, que institui o Regulamento do Instituto Rio Branco, resolve revogar a Portaria nº 336, de 30 de maio de 2003 e estabelecer o seguinte Regulamento do Curso de Formação do Instituto Rio Branco, anteriormente denominado Programa de Formação e Aperfeiçoamento - Primeira Fase (PROFA-I): Regulamento do Curso de Formação do Instituto Rio Branco

CAPÍTULO I
DAS FINALIDADES, DA DURAÇÃO E DAS ATIVIDADES

Art. 1º O Curso de Formação do Instituto Rio Branco tem por finalidade a capacitação profissional e a avaliação das aptidões e da capacidade do funcionário nomeado ao cargo inicial da carreira de diplomata do Serviço Exterior, durante o estágio probatório de que trata o artigo 8º da Lei nº 11.440, de 29 de dezembro de 2006.

Parágrafo único.
Terão matrícula automática no Curso de Formação do Instituto Rio Branco os candidatos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata que tiverem sido nomeados para o cargo inicial da Carreira e nele tomado posse.

Art. 2º O Curso de Formação do Instituto Rio Branco compreende atividades de formação e de desempenho funcional, ambas coordenadas pelo Instituto Rio Branco.

Art. 3º Considerando a natureza da carreira diplomática, poderão ser utilizados como instrumentos de formação e aperfeiçoamento trabalhos práticos, exercícios, preleções, exames, debates em seminários, monografias, treinamentos, viagens de estudo e demais atividades que programe o Diretor-Geral do Instituto Rio Branco.

Art. 4º O Curso de Formação do Instituto Rio Branco terá a duração de três períodos semestrais consecutivos, os dois primeiros em regime de dedicação integral às atividades propostas pelo Instituto e o terceiro dividindo-se entre estas, na parte da manhã, e estágios profissionalizantes na Secretaria de Estado das Relações Exteriores (SERE) na parte da tarde.

Art. 5º O Curso de Formação do Instituto Rio Branco poderá englobar disciplinas obrigatórias, de línguas e de conteúdo, disciplinas eletivas, de línguas e de conteúdo, e módulos profissionalizantes.

Art. 6º O servidor não poderá recusar-se a tomar parte ou submeter-se a quaisquer dos instrumentos e atividades de formação e aperfeiçoamento acima mencionados.

Parágrafo único.
Fica fixado em 25 por cento do total de aulas por disciplina oferecida ou do programa de módulos como um todo o número máximo de faltas admissíveis. Ultrapassado este total, o aluno será considerado reprovado por faltas independentemente da nota obtida em avaliação.

Art. 7º Os alunos matriculados no Curso de Formação do Instituto Rio Branco poderão candidatar-se ao Curso de Mestrado em Diplomacia do Instituto Rio Branco, reconhecido pelo Despacho do Ministro de Estado da Educação, de 30 de dezembro de 2002, publicado no Diário Oficial da União de 31 de dezembro de 2002, e regido por Regimento e Regulamento próprios.

§ 1º O número de vagas disponíveis no Curso de Mestrado em Diplomacia oferecidas por turma do Curso de Formação do Instituto Rio Branco será determinado por ato do Diretor-Geral do Instituto Rio Branco, a partir de recomendação do Colegiado do Mestrado, conforme os termos do Regulamento do mesmo;
§ 2º A inscrição no Curso de Mestrado em Diplomacia do Instituto Rio Branco dependerá de aprovação de projeto de dissertação apresentado como trabalho final da cadeira de Metodologia
Científica, que deverá ser cursada por todos os candidatos ao mesmo;
§ 3º A inscrição no Curso de Mestrado em Diplomacia será formalizada em ato do Diretor-Geral do Instituto Rio Branco, com a indicação do nome do mestrando e do título de sua dissertação.

CAPÍTULO II
DA AVALIAÇÃO E DA APROVAÇÃO

Art. 8º A aprovação no Curso de Formação do Instituto Rio Branco é condição essencial para a confirmação no Serviço Exterior, observada a legislação pertinente.

Art. 9º A avaliação das atividades do Curso de Formação do Instituto Rio Branco aferirá o desempenho acadêmico e a assiduidade do aluno.

Art. 10. A avaliação reunirá notas conferidas pelos professores das disciplinas obrigatórias e eletivas do Curso de Formação e a aferição de freqüência nestas e no programa de módulos no terceiro semestre.

§ 1º As notas das disciplinas serão graduadas de 0 (zero) a 100 (cem);
§ 2º A média das notas do período será considerada suficiente se igualar ou superar 60 (sessenta) em cada disciplina;
§ 3º No caso de obtenção de nota inferior a 60 (sessenta) em uma ou mais disciplinas o aluno será considerado reprovado por média na(s) disciplina(s) em tela;
§ 4º O aluno reprovado por média ou por faltas, conforme os termos do artigo 6º, Parágrafo único, em uma dada disciplina deverá voltar a cursá-la quando novamente oferecida. No caso de disciplinas eletivas que não voltarem a ser propostas, o Diretor-Geral poderá autorizar a inscrição em disciplina eletiva de temática similar como equivalente à repetição daquela em que o aluno não obteve aprovação;
§ 5º O aluno reprovado por faltas no Programa de Módulos do terceiro semestre terá de repeti-lo como um todo, quando voltar a ser oferecido.

Art. 11. A avaliação terá periodicidade semestral.
§ 1º O conjunto da avaliação determinará a ordem de classificação dos alunos do Curso de Formação, que deverá determinar a prioridade na escolha do estágio profissionalizante no terceiro semestre letivo, conforme os termos do artigo 4º, bem como na escolha da lotação na SERE, uma vez concluído o Curso;
§ 2º A reprovação em qualquer disciplina acarretará a perda do lugar de classificação no Curso de Formação independentemente das notas obtidas nas demais, que somente serão consideradas com relação a outros alunos em caso análogo, quando houver.

Art. 12. Será concedido o "Prêmio Rio Branco" ao primeiro e segundo lugares do Curso de Formação, sob a forma de medalha de vermeil e de prata, respectivamente.

CAPÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 13. Os casos omissos neste Regulamento serão decididos pelo Diretor-Geral do Instituto Rio Branco e, quando couber, pelo Secretário-Geral das Relações Exteriores.

Art. 14. Esta Portaria entra em vigência na data de sua publicação.

CELSO AMORIM

Carreira Diplomatica: respondendo a questoes (todas juntas...)

[Nota preliminar: as perguntas e respostas abaixo transcritas também podem ser lidas neste arquivo unificado, aqui.]

Desde quando mantenho um site (e isso começou no século passado), mas sobretudo desde que comecei a brincar com essas coisas de blogs (e tive vários, ainda tenho, ao longo do período mais recente), tenho recebido, por meios diversos -- formulário de contato no site, demandas diretas por e-mail e, com enorme intensidade na breve era dos blogs, dezenas, centenas de perguntas na seção de comentários deste blog -- questões dos mais diversos tipos, todas ligadas à carreira diplomática, à preparação para o concurso, dicas de estudos, whatever, enfim, dezenas, centenas de consultas para atender às dúvidas, angústias e questionamentos de jovens (alguns nem tanto), sobre esses aspectos por vezes cruciais da preparação para uma vocação (embora muitos estejam mesmo buscando uma profissão, de preferência com estabilidade, ganhando bem e sem precisar trabalhar muito...). (Maldade deste escrevinhador!)

Tenho a impressão de que seu cobrasse por consulta, digamos 5 míseros reais, talvez eu não estivesse milionário, mas certamente teria aumentado a minha biblioteca em mais algumas centenas de livros, o que já seria um outro problema, mas bem mais fácil de resolver.
Acho que vou abrir um consultório diplomático, com divã, água com gás, uma máquina de expresso, e uma rede para mim, para ficar lendo enquanto as pessoas destilam suas angústias...

Sans blague! O post que reproduzo abaixo refere-se, possivelmente, ao mais consultado por gregos e goianos em busca de aconselhamento virtual com quem os consultantes acham que poderá resolver pequenas e grandes dúvidas. Mas este é apenas um entre muitos outros, que estão por aí, ou já se perderam nas camadas geológicas de meus vários blogs e nas respostas diretas aos angustiados.
Por vezes tento consolidar no meu site -- sim, tem uma seção de "psicodiplomacia" neste link -- ou neste blog, mas é difícil, por falta de tempo e porque as perguntas vão pingando, muitas vezes repetitivas.

Justamente por acreditar que minhas respostas a determinadas perguntas podem ajudar outros em situação semelhante ou similar, que tomei a liberdade de postar novamente aqui est post que me teria feito ficar rico (pelo menos em livros), se eu tivesse "cobrado ingresso de entrada".
Estou postando novamente e desde já me desculpo com todos aqueles, identificados por nomes e locais, que não gostariam de ter suas perguntas, por vezes bizarras, novamente reproduzidas aqui, e aos olhos de todos, e não como simples "notas de rodapé", como são os comentários.
Mas, se a pessoa escreve num blog aberto, preferindo esta via à consulta direta, então é porque não tem problemas com a chamada "privacy".
Creio que esta reprodução, embora longa, poderá ajudar novos consulentes.
Vou pensar em abrir um consultório...
Paulo Roberto de Almeida


Respondendo a questões de Diplomacia:

quinta-feira, 21 de maio de 2009

1112) Carreira Diplomatica: respondendo a um questionario

Carreira Diplomática: respondendo a um questionário
Paulo Roberto de Almeida (www.pralmeida.org)
Respostas a questões colocadas por graduanda em administração na UFSC.
1. Como você se sente por ter escolhido essa profissão (área de atuação)?
PRA: Bastante bem: de certa forma, a profissão me escolheu, posto que desde muito cedo comecei a viajar, primeiro pelo Brasil, depois pela América do Sul e, finalmente, ao completar 21 anos, decidi estudar na Europa, por meus próprios meios e obtendo meus próprios recursos. Foi uma escolha que me preparou para uma vida nômade e aventureira e nunca me arrependi de ter-me lançado ao mundo em fase ainda precoce e sem sequer ter terminado o segundo ano da graduação. Como minha intenção era estudar fora do Brasil, pode-se dizer que realizei meu intento. Quando regressei ao Brasil, depois de quase sete anos na Europa, eu já estava preparado, digamos assim, para tornar-me diplomata. Mas, antes, não tinha pensado: “tropecei” com a carreira, se ouso dizer. Até então, eu só queria derrubar o governo militar.
2. Como você descreveria a sua profissão?
PRA: Uma burocracia de alto nível de qualificação técnica com ampla abertura para as humanidades e o conhecimento especializado. Trata-se, simplesmente, da mais intelectualizada carreira na burocracia federal, combinando aspectos da carreira acadêmica, da pesquisa aplicada e da elaboração de decisões em ambiente altamente competitivo, tanto interna, quanto externamente. Uma elite, como se costuma dizer.
3. Qual sua formação acadêmica? Você considera que ela foi fundamental para o sucesso profissional?
PRA: Ciências Sociais, ou humanidades, no sentido lato, e acredito que ela foi fundamental no ingresso e sucesso na carreira escolhida. Desde muito cedo inclinei-me para os estudos sociais, com forte ênfase na história, na política e na economia, complementados por uma dedicação similar a geografia, antropologia, línguas e cultura refinada, de uma maneira geral. Sou basicamente um autodidata e creio que isso facilitou-me enormemente o ingresso na carreira, pois quase não necessitei de muito estudo para os exames de ingresso. Aliás, entre a decisão de fazer o concurso (direto, no meu caso) e o ingresso efetivo, decorreram pouquíssimos meses (três).
4. Quais as principais dificuldades enfrentadas para conseguir passar no concurso?
PRA: Direito e Inglês, posto que eu havia estudado amplamente todas as demais matérias, mas não Direito, e todos os meus estudos foram feitos em Francês, que eu dominava amplamente. Mas, meu Inglês era muito elementar, servindo tão somente para leituras. Acho que passei raspando nessas duas matérias, nas outras fui bem.
5. Quando você iniciou sua carreira você tinha definido alguns objetivos e metas de onde queria chegar?
PRA: Não especialmente: nunca fui carreirista, no sentido tradicional do termo, e não me preocupava em ser embaixador ou ocupar qualquer posto de distinção. O que me seduzia era a profissão em si, a mobilidade geográfica, o conhecimento de novos países, a possibilidade de estar sempre aprendendo, estudando, viajando. Sou basicamente um estudioso, um observador da realidade, um “compilador” de informações e análises e um escritor improvisado. Todo o resto me é secundário.
6. Como você integra as diversas esferas de sua vida (trabalho, família, lazer, esporte, cursos, etc.)? Está satisfeito?
PRA: Imenso sacrifício para consegui fazer tudo aquilo que tenho vontade, pela simples razão que eu tenho vontade de ler tudo, o tempo todo, em qualquer circunstância, assim como tenho vontade de viajar, de participar de atividades acadêmicas e intelectuais, tendo ao mesmo tempo de me desempenhar em funções atribuídas pela burocracia no meio de tudo isso. Ora, é praticamente impossível conciliar tantas vontades, e ainda ser um marido perfeito, um pai de família perfeito e outras coisas da vida social e relacional. Em síntese, esses outros aspectos foram de certa forma sacrificados no empenho pessoal em ler, estudar e escrever. Reconheço essas imperfeições, mas não se pode ter tudo na vida: escolhas são inevitáveis, e as minhas estão do lado da leitura, do saber e da escrita. São atividades nas quais eu me realizo plenamente. Em outros termos, ninguém consegue integrar todos os seus interesses perfeitamente, e algum aspecto (ou vários) acaba sempre sendo sacrificado; no meu caso, são horas de sono, de lazer, de simples far niente, e também certa negligência familiar, reconheço. Não pratico esportes, a não ser caminhadas moderadas, já em idade madura. Pratico leituras, com alguma intensidade, eu diria intensíssima, e sobretudo o gosto da escrita. No mais, sou um pouco eremita...
7. Quais os períodos de sua carreira que você mais gostou?
PRA: Todos, pois em todos e em cada um eu fiz aquilo que mais gosto: viajar, muito, intensamente, ler, também intensamente, escrever, observar, aprender, em toda e qualquer circunstância, mesmo em situações difíceis de abastecimento, conforto, restrições monetárias ou outras. Toda a minha carreira me trouxe algo de bom, mesmo em situações temporariamente de sacrifício. Nunca deixei de fazer aquilo que mais gosto, e que já foi descrito anteriormente.
8. Quais os períodos de sua carreira que você menos gostou?
PRA: Numa ou noutra situação, alguns postos apresentam dificuldades materiais, desconfortos psicológicos, desafios razoáveis: por pequenos momentos, chega-se a desejar voltar ao Brasil e retornar à rotina burocrática do cerrado central, onde os atrativos são menores, mas também as surpresas. De toda forma, sempre aproveitei os momentos de dificuldade para refletir e escrever, como sempre, aliás.
9. Dentro da perspectiva de sua carreira tem alguma coisa que você gostaria especialmente de evitar?
PRA: Sim, talvez eu devesse ter dedicado menos atenção aos livros e mais às pessoas, mas essas são escolhas que fazemos deliberadamente, por opções próprias, pensadas ou não. Quem tem a compulsão pela leitura e pela escrita, não consegue acalmar-se a menos de satisfazer o seu “vicio”, daí o sacrifício de outros aspectos da vida social que muita gente valoriza em primeiro lugar. Por outro lado, nunca, na carreira, fui obrigado a assumir obrigações que eu mesmo não desejasse assumir, como por exemplo trabalhar em áreas para as quais eu não me sinto talhado nem tenho a mínima vontade de experimentar: administração, por exemplo, ou cerimonial, ou talvez ainda consular. São áreas nas quais eu provavelmente me sentiria infeliz, pois o meu terreno natural são os estudos, de qualquer tipo: geográfico, político, econômico, cultura, antropológico, no sentido amplo. Todas as áreas funcionais de caráter geográfico, político ou sobretudo econômico me servem perfeitamente. Aliás, nunca me pediram para trabalhar em áreas nas quais eu não gosto, e se me pedissem eu não teria nenhuma hesitação em recusar, mesmo podendo incorrer em alguma falta funcional ou ser sancionado por isto. Sou um pouco anarquista, e não gosto de fazer o que me mandam e sim o que eu decido e gosto de fazer.
Por outro lado, jamais me pediram para escrever ou dizer algo que violentasse minha consciência, e eu não hesitaria um segundo em recusar-me terminantemente, como algumas vezes me recusei a defender determinados pontos de vista, que não eram os meus. Por outro lado, jamais enfrentei a obrigação de escrever naquele estilo clássico, ou chatérrimo, que é o diplomatês habitual, cheio de adjetivos hipócritas e de pura formalidade vazia: não tenho espírito, paciência nem disposição para esse tipo de enrolação. Costumo escrever o que penso, sem qualquer concessão a formalismos. Sobretudo, não costumo produzir bullshits, muito freqüentes nesta profissão...
10. Você tem objetivo em longo prazo na sua carreira? Você tem uma visão de futuro profissional?
PRA: Acredito que o diplomata deve servir antes à Nação do que a governos, deve defender valores, e não se subordinar a teses momentaneamente vitoriosas que por alguma eventualidade confrontem esses valores. Já escrevi algo a esse respeito, e remeto a meu trabalho: “Dez Regras Modernas de Diplomacia” (Chicago, 22 jul. 2001; São Paulo-Miami-Washington 12 ago. 2001, 6 p., n. 800; ensaio breve sobre novas regras da diplomacia; revista eletrônica Espaço Acadêmico, a. 1, n. 4, setembro de 2001; link: http://www.espacoacademico.com.br/004/04almeida.htm).
11. Você se considera realmente bom em quê? Quais são seus pontos fortes? E como você aproveita seus pontos fortes no seu trabalho?
PRA: Creio que sou capaz de fazer análises contextuais que envolvam conhecimento histórico, embasamento econômico e situação política, ou seja, tenho instrumentos analíticos e amplos conhecimentos que me permitem situar qualquer problema (ou quase) em um contexto mais amplo, e daí extrair alguns elementos de informação para a instrução de um processo decisório que tenha em conta o interesse nacional. Toda a minha vida eu estudei o Brasil e o mundo, visando tornar o primeiro melhor, num mundo que nem sempre é cooperativo. Registre-se que eu não pretendo tornar o Brasil melhor para si mesmo, ou seja, uma grande potência ou qualquer pretensão desse gênero, que encontro simplesmente ridícula. Eu pretendo tornar o Brasil melhor para os brasileiros, ponto. Contento-me apenas com isso. Minha perspectiva, a despeito de ser um funcionário de Estado, não é a do Estado. Não pretendo trabalhar no Estado, para o Estado, com o Estado: minha perspectiva é a dos indivíduos concretos, e meus objetivos são promover os indivíduos, se preciso for contra o Estado. Não tenho nenhum culto ao Estado e nem pretendo torná-lo maior ou mais poderoso, apenas mais eficiente para servir aos indivíduos, não a si mesmo. Desespera-me essas pretensões nacionalistas estatizantes, pois elas se fazem, em geral, em detrimento do bem-estar individual da maior parte dos cidadãos.
Por outro lado, não me considero patriota, no sentido corriqueiro do termo. Sou brasileiro por puro acidente geográfico, pois poderia ter nascido em qualquer outro país ou em qualquer outra época, por puro acaso. Gostaria de reiterar esse ponto, com toda a ênfase que me é permitida. Não sou dado a patriotismos, nem a chauvinismos ultrapassados e ridículos. A nacionalidade, repito, é um acidente geográfico, ou talvez seja a naturalidade, da qual decorre a primeira. Parto do pressuposto da unidade fundamental e universal da espécie humana. Sou brasileiro, como poderia ter sido esquimó, hotentote ou pigmeu, e ninguém seria responsável por esses acasos demográficos, nem mesmo meus pais, posto que ninguém “fabrica” uma pessoa com base em especificações pré-determinadas. Somos em parte o resultado da herança genética (em grande medida, talvez mais do que o indicado ou desejável, mas talvez não a parte mais decisiva de nossas personalidades); em parte o resultado do meio social e cultural no qual crescemos, e das influências que experimentamos involuntariamente em diversas etapas formativas de nosso caráter; e em parte ainda (o que espero mais substancial ou importante), somos o produto de nossa própria formação ativa, dos estudos empreendidos e dos esforços que fazemos nós mesmos para moldar nossas vidas, nosso estilo de comportamento e nossa maneira de pensar, com base em escolhas e preferências que adotamos ao longo da vida. Devemos sempre assumir responsabilidade pelo que somos, e jamais atribuir ao meio ou a qualquer herança genética determinados traços que podem eventualmente revelar-se menos funcionais para nosso desempenho profissional ou intelectual.
Meus pontos fortes, portanto, são minha capacidade analítica, meus conhecimentos acumulados e meu devotamento à causa dos indivíduos, não dos Estados, e sempre tento passar esses pontos à frente de qualquer outra consideração. Não hesito em defender meus pontos de vista, mesmo contra meus interesses imediatos, que poderiam recomendar uma acomodação com a situação presente – a lei da inércia é uma das mais disseminadas na humanidade – ou com autoridades de qualquer tipo. Não costumo fazer concessões a autoridades apenas para obter vantagens pessoais, e acho essa atitude basicamente correta (ainda que a um custo por vezes enorme no plano pessoal). Talvez seja teimosia de minha parte, mas considero isso antes uma virtude, do que um defeito. Enfim, tendo concepções fortes sobre determinados temas, me é muito mais fácil preparar e expor posições do interesse do Brasil, com base em conhecimentos previamente acumulados, o que me dispensa de longas pesquisas ou buscas em arquivos.
12. Quais são seus pontos fracos?
PRA: Devo ter (e tenho) vários, sendo os mais evidentes essa introversão habitual, essa preferência ao convívio com os livros, mais do que a convivência com pessoas, uma certa arrogância intelectual (que reconheço plenamente), derivada de leituras intensas e de uma imensa acumulação de conhecimentos e informações – que em excesso podem ser prejudiciais, dizem alguns – essa pretensão a saber mais do que os outros (o que em parte é verdade, pela simples intensidade de leituras, mas os outros não gostam que se lhes confronte os argumentos, obviamente). Por outro lado, não tenho nenhum respeito pela hierarquia ou pela autoridade, o que muitos consideram um defeito (mas não eu, dado meu anarquismo particular). Não sou de respeitar o argumento da autoridade, mas apenas a autoridade do argumento, a lógica impecável, e a decisão bem formulada, posto que empiricamente embasada, tecnicamente sólida, com menor custo-oportunidade ou a melhor relação custo-benefício. Enfim, sou um racionalista, e detesto impressionismos e subjetivismos, o que é muito fácil de encontrar em quaisquer meios. Daí choques inevitáveis com determinadas pessoas que pretendem mandar a partir de sua vontade exclusiva, não de um estudo aprofundado de situação. Enfim, ser rebelde assim deve ser um defeito...
13. O que você mais deseja na sua carreira?
PRA: Todos somos egocêntricos ou narcisistas em certa medida. Todos queremos reconhecimento e prestígio, por mais que se diga o contrário. Todos queremos ser elogiados e premiados (no meu caso não monetariamente ou em qualquer aspecto material). Assim, desejo ser reconhecido não necessariamente como um bom diplomata, mas simplesmente como um bom cidadão, alguém que cumpre seus deveres e atua conscienciosamente em benefício da maioria (que calha de ser o povo brasileiro, mas poderia ser qualquer outro, pois como disse, eu me coloco do ponto de vista dos indivíduos, não do Estado). Gostaria de ser reconhecido como estudioso, como esforçado e, sobretudo, como alguém comprometido com o bem comum. Pode ser vaidade, mas é assim que vejo minha carreira, que para mim não é uma simples carreira de Estado, mas sim uma atividade que me coloca no centro (ou pelo menos numa das agências) do Estado, ali colocado para servir a pessoas, não a instituições abstratas.
Gostaria que se dissesse de mim, em algum momento futuro: foi um funcionário dedicado, foi um homem bom, esforçado, devotado ao bem comum, sobretudo foi correto consigo mesmo e com todas as instâncias de interação social ou profissional. Praticou a honestidade intelectual e se esforçou para fazer do Brasil e do mundo lugares melhores do que aqueles que encontrou em sua etapa inicial de vida.
14. O que você pensa que acontecerá à sua carreira nos próximos dez anos?
PRA: Nada de muito relevante, posto que não sou carreirista e não faço da carreira o centro de minhas preocupações intelectuais ou sequer materiais. Estou na carreira diplomática, como poderia estar na academia ou em alguma outra atividade que tenha a ver com o estudo, o esforço intelectual, a análise e a elaboração de propostas. Sou basicamente um intelectual e a carreira para mim é secundária. Provavelmente vou me aposentar nos próximos dez anos, e aí dispor de todo o meu tempo livre para me dedicar àquilo de que mais gosto: leitura, redação, um pouco de aulas e palestras, viagens, alguns prazeres materiais (como a gastronomia, ou a gourmandise, por exemplo) e espero ter condições físicas de continuar escrevendo, ensinando e colaborando com a elevação intelectual da sociedade pelo maior tempo possível. Se me sobrar tempo gostaria de consertar algumas coisas que encontro muito erradas no Brasil, como por exemplo: a corrupção (generalizada em todas as esferas), a desonestidade intelectual nas academias, a miséria material de grande parte da população (que decorre, em minha opinião, de políticas erradas e do excesso de poderes conferidos ao Estado), enfim, tudo aquilo que sabemos errado em nosso País.
15. O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?
PRA: Seja estudioso, dedicado, honesto intelectualmente, esforçado no trabalho, um pouco (mas apenas um pouco) obediente, inovador, curioso, questionador – mas ostentando um ceticismo sadio, não uma desconfiança doentia –, tente aprender com as adversidades, trate todo mundo bem (e, para mim, da mesma forma, um porteiro e um presidente), não seja preguiçoso (embora dormir seja sumamente agradável), cultive as pessoas, mais do que os livros (o que eu mesmo não faço), seja amado e ame alguém, ou mais de um... Enfim, seja um pouco rebelde, também, pois a humanidade só avança com aqueles que contestam as situações estabelecidas, desafiam o status quo, tomam novos caminhos, propõem novas soluções a velhos problemas (alguns novos também). No meio de tudo isso, não se leve muito a sério, pois a vida é uma só – sim, sou absolutamente irreligioso – e vale a pena se divertir um pouco. Tudo o que eu falei ou escrevi acima, parece sério demais. Não se leve muito a sério, tenha tempo de se divertir, de contentar a si mesmo e os que o cercam.
Brasília, 21 de maio de 2009.
Paulo R. de Almeida

84 comentários:

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André disse...
Realmente muito instrutivas as dicas... e perigosas, sobretudo a quem deseja que sua vontade seja obedecida somente em função da autoridade de que é ocasionalmente revestida, e não em função do conhecimento objetivo de causa em que se baseia.
Bety Bückér disse...
achei este blog por acaso,no meio de uma pesquisa se sirvo para o serviço diplomático, sou meio autodidata e me peguei estudando história do Brasil em pleno sábado a tarde quando a maioria das mulheres brasileiras estão no cabelereiro,e como você disse meu maior defeito é - não tenho nenhum respeito pela hierarquia ou pela autoridade - não gosto muito desta estória de chefe,sub-chefe e todos os chefes acima e abaixo, isto pode ser um empecilho real, e como voce não tenho pretensões de carreira visto já estar na casa dos 50 anos, mas estou interessada em prestar concurso para a diplomacia, voce acha meu perfil por demais anarquista ?
Dalto Filho disse...
Muito bom seu blog.
Acho que minha real vocação é o serviço diplomático, apesar de cursar Medicina.
Se não for pedir muito. você poderia me informar em que pontos a carreira médica se aproxima da diplomática?!
Pretendo terminar o curso que estou fazendo diecionar meus estudos mais para área da Saúde Pública.
Parabéns pela seu percurso profissional. Há muito na sua história daquilo que almejo alançar no futuro.
Dalto,
Medicina e diplomacia possuem poucos pontos em comum. Nos exames de ingresso possivelmente nenhum, a nao ser o conhecimento de Portugues e de Ingles. Na profissao, apenas a analogia de se usar o bisturi para dissecar problemas complicados, que necessitam uma abordagem anatomica, digamos assim, mas não deve ter muito terreno comum.
Saude pública é importante eestá na agenda internacional, mas nem sempre se pode trabalhar onde se deseja. Diplomata é um generalista, nao um especialista, mas acho importante que tenhamos um perfil diversificado, incorporando engenheiros, médicos, matematicos, etc.
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Janaina disse...
Tenho 18 anos, faço direito e desde sempre sou encantada pela carreira diplomatica. Lendo o post , então, me deu mais vontade ainda. Faltam alguns anos pra eu tomar uma decisão efetiva de carreira, mas a diplomatica ganha pouco a pouco o meu coração. Vou começar a visualiza-la mais como um objetivo a seguir. Já que tenho muito caminho a trilhar.
Acho que fiquei devendo algumas respostas ou comentários aos comentários, aqui postados.
A Betty eu diria que o problema não esá em ser anarquista, pois isto não vai ser objeto de questionamento no ingresso, nem depois. A questão está em que você teria de estudar muito, agora, para poder aspirar algum sucesso nos exames de ingresso, e depois não terá nenhuma possibilidade de carreira, por causa da idade. Se trata de um fato, não de uma opinião.
Para a Janaina, eu diria que se você pretende entrar, o tempo de decisão é agora mesmo, sem esperar mais nada. A preparação é muito exigente, e você tem de comecar agora lendo todos os livros, do contrpário, se for começar a estudar apenas no final do curso de graduação, poucas chances terá, a menos que estude exatamente as matérias exigidas no concurso...
talesosorio disse...
Oi. Eu tenho 36 anos e meu sonho é ser diplomata. Pergunto se há alguma possibilidade promissora na carreira, estando eu com essa idade? Eu tenho possibilidade de chegar ao ultimo posto? Muito obrigado.
Tales Osorio,
Acredito que 36 anos seja um pouco tarde para uma carreira satisfatoria, pois voce poderia ter problemas de promocao e acabar tendo se de aposentar como Primeiro Secretario ou Conselheiro. Em todo caso, nao se trata de um impedimento absoluto, voce pode sempre tentar entrar e comecar a carreira, sabendo que poderá sofrer algum constrangimento por ter, provavelmente, chefes mais jovens do que voce.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida
Fernanda Gauss disse...
Olá, a todos que se interessam um dia se tornar um diplomata com eu também almejo,
Achei bem interessante saber um pouco mais sobre a carreira que me facina a muitos anos,minha ligação com a carreira se deu através de minha vivência na Europa aos 19 anos,antes disso aos 16 anos, já havia estabelecido convivência nos EUA, onde minha aventura pelo mundo começava.
O caso é que eu sempre fui mulher de mudanças , me acostumei com diversas culturas e conviver com instabilidades, diversas vezes na adolescência tive que conviver com a instabilidade da relação de meus pais,que me fizeram começar do zero as relações sociais em lugares diferentes.
A vivência na Europa CH, se deu por meio de uma oportunidade onde durante 2 anos, aprendi a me diciplinar, e a seguir objetivos na vida,como também a oportunidade de aprender outros idiomas,regressei de volta para o Brasil,onde atualmente passo a passo me preparo para o teste do Barro Branco, em alguns meses estarei formada em Comércio exterior, onde durante o período de ensino obtive a respostas que eu sempre procurei em minha vida, sim eu sim tenho tudo haver com relações internacionais.Espero que como eu todos tenham essa mesma certeza,isso dá um significado a vida,isso é um caminho imenso para realização de um sonho, não importa idade, classe social, credo nem cor,essa é a razão de viver.
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MarK Santto disse...
Excelente blog.
Paulo R. de Almeida,
Junto-me à turma das idades avançadas para a carreira – 29 anos. Tive o privilégio de dedicar somente aos estudos. Graduei-me Matemática e Administração. Obtive o título de mestre em Estatística e Economia. Neste momento, defendo tese de doutorado. A carreira diplomática é um atalho...
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Rafael disse...
Dr. Paulo,
Sou formado em Ciências Sociais e desde o início da faculdade venho sonhando na carreira diplomática não só por causa da prática profissional mas também pelo formação generalista e a proximidade com áreas acadêmicas. Acontece que eu nunca comecei a estudar de fato para o concurso porque me angustia a idéia de não poder dar a mim e aos meus furutos filhos a satisfação de serem criados próximos da família aqui no Rio. Por isso te pergunto sobre algo que descobri há pouco tempo: qual a possibilidade e em quanto tempo mais ou menos, o diplomata, depois do curso de formação, pode ir trabalhar num escritório de representação regional? Existe um limite de tempo para esses locais de trabalho? E qual a diferença de trabalho nesses locais para Brasília?
Muito obrigado.
Rafael,
Acho melhor voce desistir de ser diplomata. A carreira significa passar praticamente dois terços do periodo no exterior e apenas um terco no Brasil, em Brasilia. Se voce pretende ficar com a familia no Rio, melhor nem começar, pois sua carreira seria prejudicada, para nao dizer impossivel, pois precisamos ter tempo de exterior para ser promovidos.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Dr, Paulo
Belo blog e grande pessoa você mostra ser,Parabéns
Não perguntarei se tenho o perfil ou não para ser um diplomata,pois serei um.Sei que a preparação é muito exigente
tenho 23 anos.E vou começar a estudar agora, ler todos os livros que é preciso, para ter uma boa preparação. Isso durante quatro anos, que também será o tempo para me formar. Mas queria saber se nesse tempo as matérias mudam ou existe uma tradição nos livros ,ou algo do tipo, tendo risco de estudar matéria já ultapassada devido o tempo que vou me preparar.
O que esta no guia do estudante seria muito parecido nos próximos anos? ou muda muita coisa. Estudarei todos os dias, mas o que gostaria de saber é como começar , ou melhor com quais livros?
Depois de me prepara entrarei em uma escola preparatória aqui em São Paulo, para reforçar todo o aprendizado. Eum planejamento que vai levar tempo e muito esforço, Agora só preciso de uma direção rapida. O sr. poderia me aconselhar algo?
Cordialmente,
Renato Nery de Melo Oliveira
Renato,
Os exames de ingresso seguem um mesmo padrao basico, com mudancas pontuais a cada ano, com enfases diversas, dependendo dos professores e diplomatas que preparam as questoes. Mas se requer sempre o mesmo tratamento amplo das materias fundamentais que estao na base da selecao? Portugues (que precisa ser perfeito), Ingles excelente, e muito bom conhecimento de Historia Mundial e do Brasil, Economia, Geografia, Direito e bastante coisa sobre a diplomacia brasileira e suas posicoes dentro da materia relacoes internacionais.
Comece lendo os grandes classicos das ciencias sociais no Brasil e a boa literatura.
Depois faca um cursinho preparatorio, pois parece que eles se tornaram obrigatorios.
Paulo Roberto de Almeida
O QUE FAÇO COM A MINHA CABEÇA?
Caro Paulo, já que você fez o blog então vamos conversar.
Sou Ademir, Geógrafo, 28 anos, portador de deficiência física, técnico do DNIT e interessado na diplomacia.
Não sou bom de português, estudei o básico de inglês e espanhol, tenho facilidade nas demais diciplinas, menos na economia, mas posso estudar.
Sou esforçado, mesmo tendo estudado na escola pública e tendo lido o primeiro ( de capa a capa) livro as 18 anos.
Uma dúvida cruél me incomoda, seria velho demais? O fato de ter estudado pouco e na escola pública não me da base para postular uma vaga? Vou perder tempo e dinheiro?
Tenho medo de fazer uso das cotas para PNE e ser discriminado.
Tenho medo de investir, medo.... a diplomacia me parece grande, enorme para um filho de pais analfabetos.
Diga me caro Paulo, fale de suas impressões sobre mim. Diga me o que faço com a minha cabeça quando penso na diplomacia. Ajude-me a aceitar a impossibilidade dessa realização ou investir nela com toda a inteligência que tenho.
Você é um homem importante, muita gente o ler e o ouve, tem boa formação e logo tem boa carreira, diga se posso ser um aluno seu, um colega seu....
Aguardo suas decisivas considerações.
Ademir
Ademir,
Vou ser muito sincero e franco -- o que é uma redundância -- com você. Pelo que você me descreve, você não está preparado para passar no concurso. Não digo para ser diplomata, e sequer pela deficiência física, que pode representar uma dificuldade adicional, mas não representa um impedimento absoluto às vontades muito fortes.
Se você realmente sente que tem vocação para a diplomacia, se voce quer, pretende, deseja, aspira a ser diplomata, eu diria que você deveria se preparar. Sua idade -- 28, mas supondo que você só consiga entrar em dois ou três anos -- não constitui tampouco um impedimento fundamental.
Ninguém, nunca, perdeu tempo, ou se prejudicou por estudar e por perseguir os seus sonhos, desde que os procedimentos adotados sejam razoáveis em termos de dedicação aos estudos, em tempo e dinheiro.
Mas devo também registrar, pela descrição que você me faz do seu estado de despreparo, que suas chances são mínimas num concurso notoriamente muito exigente (mesmo levando-se em conta a cota para deficientes físicos, que se traduz, ao que parece, em facilidades relativas).
Pessoalmente, eu diria que você deveria estudar e se preparar, ainda que eu reconheça que você tem enormes lacunas de formação, e que pelo background familiar você se atrasou em seus estudos.
Eu também venho de uma família muito modesta, com avós analfabetos, mas tive a chance de residir ao lado de uma biblioteca infantil, onde passei toda a minha infância e primeira adolescencia lendo e estudando. Eu estava preparado, portanto, o que sinto não é o seu caso.
Mas, estude, tente uma vez, e talvez outra, para você não dizer que não tentou.
Meus melhores votos.
Paulo Roberto de Almeida
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Thiago Hansen disse...
Dr Paulo,
Tudo bem com o sr.?
Estou acompanhando seu blog e gostaria de parabeniza-lo pela iniciativa.
Gostaria da opinião do senhor sobre a possibilidade do meu ingresso na diplomacia.
Tenho 20 anos, estudo Direito e História na Universidade Estadual do Norte do Paraná. Morei alguns meses nos Estados Unidos, e de certa maneira, domino o inglês.
Estudo firme, e pelo que li no Guia de Estudos do Instituto Rio Branco, já li uma boa parte da bibliografia sugerida para História.
Entretanto, não tenho leituras profundas em economia (mais especificamente em microeconomia).
Penso em fazer mestrado na área de Direitos Humanos na USP, e somente após o término deste, ou quiçá de um doutorado, prestar a prova da Diplomacia.
O sr. considera besteira fazer pós-graduação antes do ingresso na carreira ou uma atitude correta?
Obrigado desde então,
Thiago Hansen
Thiago,
Minha opiniao é a de que voce deve tentar o exame de ingresso no Itamaraty ainda antes de concluir o curso de graduacao, para conhecer, treinar, saber onde estao seus pontos fortes e fracos. Depois, nao espere a pos para tentar novamente. Continue estudando e tentando, e faca o mestrado paralelamente.
Paulo Roberto de Almeida
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Daniel disse...
Exmº. Dr.Paulo Roberto de Almeida,
Primeiramente gostaria de prestar congratulações e respeito por vossa biografia, de fato inspiradora, acredito que para todos nós aspirantes à carreira diplomática.
Tenho 31 anos, sou odontólogo, professor auxiliar de uma Universidade pública no Rio de Janeiro e dou início, no atual momento, ao doutorado em minha área.
Entretanto, a carreira diplomática sempre me foi no mínimo instigante e exatamente pela curiosidade e pela compulsão literária, sinto-me impelido a enveredar-me por este caminho de evolução intelectual, profissional e humano. Acerca deste
último campo, me chamou muito à atenção o lado humanista da profissão, o de servir aos brasileiros, não somente ao Estado.
Tendo-se em vista as desigualdades sociais de nosso país, como a carreira diplomática pode ajudar a aliviar as claras deficiências de desenvolvimento humano em nosso país? Pelo que devemos primar em nossas carreiras para transformar crescimento do Estado, muitas vezes fomentado pela atividade diplomática, em consequente desenvolvimento humano?
Cordialmente,
Daniel G. Moscoso
Excelentes perguntas, Daniel, que eu mesmo gostaria de responder agora, se tivesse tempo e capacidade (acho que tenho alguma).
Respondendo rapidamente de forma sintética, eu diria que o papel do diplomata no desenvolvimento brasileiro é claramente acessório, pois nenhum, REPITO NENHUM, dos grandes problemas brasileiros tem a ver com o cenário internacional, ou muito superficialmente.
Todos os nossos problemas -- falta de educação de qualidade, corrupção, políticas públicas inadequadas, baixo investimento em C&T, instituições governamentais deficientes, déficit previdenciário, baixo investimento, baixa poupança, pequena abertura a comércio internacional e investimentos diretos estrangeiros -- todas essas deficiências são "made in Brazil", nossos próprios pecados, e tem de ser resolvidos aqui mesmo. Mas acredito que isso vai demorar um pouco.
O diplomata, como cidadão, pode ajudar um pouco, expondo o que fizeram de certo (e de errado) outros países, e porque alguns deram certo e outros deram errado.
Nós fizemos meio certo em muitas coisas, e muito errado em outras, como em educação, por exemplo.
Mas, isso não é algo que o diplomata possa resolver, não é mesmo?
Paulo Roberto de Almeida
PS.: Vou me dedicar a responder a esse seu questionamento em algum trabalho futuro.
Obrigado por formular a questão.
João disse...
Olá Sr. Paulo.
Tenho 23 anos, sou formado em Administração Hoteleira e pretendo iniciar meus estudos para ingressar na carreira diplomática o início de 2010. Neste princípio, sinto-me um tanto confuso no que diz respeito ao que fazer, por onde começar. Como pretendo dedicar, no mínimo, os próximos dois anos de minha vida apenas aos estudos, estou a procura de um curso preparatório que responda a todas as questões as quais hoje desconheço. O Sr. poderia indicar-me algum?
Buscando informações encontrei seu blog e gostaria muito de ter a sua opinião. Dois anos, "integrais", são o suficiente? Como já disse, pretendo dedicar-me apenas a isso.
Acho que o sonho e a força de vontade são o princípio, mas infelizmente não bastam.
Aguardo suas colocações com ansiedade.
Grato.
Atenciosamente.
João Dornelles
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Anônimo disse...
Boa tarde, Sr. Paulo Almeida
Bem, tenho 17 anos. Sempre tive muita facilidade com as matérias de humanas como História,Geografia e Português. Aprendo línguas estrangeiras com extrema facilidade, sou fluente em Inglês e Francês.
Por causa dessa paixão pelo estudo das línguas e culturas, decidi prestar Letras na USP. Porém, a carreira diplomática muito tem me cativado - assim como a muitos outros.
Gostaria de saber qual curso de graduação seria o mais apropriado para obter êxito nessa carreira. Relações Internacionais, Ciências Sociais, ou até mesmo a combinação de uma dessas com Letras?
Muito obrigada pela atenção,
Caroline Gonsalves
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Caroline Gonsalves disse...
Boa tarde, Sr. Paulo Almeida.
Bem, tenho 17 anos. Sempre tive muita facilidade e gosto pelas matérias de humanas, tais como Português, História e Geografia. Línguas estrangeiras são meu grande hobby, falo francês e inglês fluentemente.
Exatamente por esse apreço pelas línguas e culturas estrangeiras, optei pelo curso de Letras na Usp no vestibular desse ano. Porém, a carreira diplomática muito tem me atraído - assim como a muitos outros.
Gostaria de saber qual o curso de graduação é o mais adequado para seguir a carreira diplomática. Seria interessante, além de ter tal graduação, ser letrada?
Muito obrigada!
Caroline Gonsalves,
Nao sei bem o qeu voce quis dizer com letrada. A unica coisa de que voce precisa para se tornar diplomata é um diploma de QUALQUER curso superior reconhecido pelo MEC. O resto é com voce, ou seja, o estudo de todas as materias que constam do edital de concurso, o que já é um imenso esforço de leitura.
Mas, voce tem tempo. Comece agora a ler e quando voce terminar a Faculdade voce ja estará pronta para ingressar na carreira.
Agora eu hesito em lhe indicar um curso. Pode ser que o de RI seja o mais adaptado para os exames de entrada, mas nao tenho certeza, pois voce precisa pensar em ter uma profissao normal, antes de se tornar diplomata, pois pode demorar o seu ingresso, tendo em vista que o concurso é muito concorrido.
Voce pode fazer direito, economia, administracao, letras, enfim, aquilo que lhe der mais prazer e oportunidades no mercado, ao mesmo tempo em que estuda as materias do concurso. Pode ser que na sua cidade exista um bom curso de RI, numa boa Faculdade, mas nao sei.
Bons estudos.
PRA
Kênia Pinheiro disse...
Boa Tarde, Sr. Paulo Almeida.
Bom, Tenho 17 anos. Sempre gostei de matérias como, História, Geografia (Geopolítica) e Português.
Línguas estrangeiras, conhecimento sobre outras culturas, assuntos políticos e econômicos é de grande atração para mim.
Eu gostaria de saber o que um profissional formado em Comércio Exterior faria como diplomata?
Não se tem tempo para cursos (fora os de aperfeiçoamento da carreira),
Esportes ou Dança?
Obrigada!
Kenia,
O profissional formado em Comércio Exterior, como qualquer outro profissional formado em qualquer outro curso de graducao reconhecido pelo MEC, faria como diplomata o que qualquer outro diplomata faz: trabalhar no MRE e nos postos no exterior, segundo funções e atribuições típicas da carreira. Ou seja, trata-se de um servidor do Estado, do serviço público federal, como vários outros, um burocrata federal, mas que tem essa particularidade de trabalhar no exterior por periodos determinados, geralmente 3 + 3 anos (em dois postos no exterior) e um periodo variável, de 2 a 3 anos, em Brasília.
Dentro da carreira existem dois cursos de aperfeiçoamento, para promoção, mas você pode fazer qualquer curso extra, fora da carreira, desde que não atrapalhe as funções profissionais: dança, pintura, linguas, mestrado e doutorado, não fazer nada...
PRA
JoãoP disse...
Caro Professor Paulo,
Escrevo-lhe porque pressinto que, com sua ajuda, eu possa obter resposta a uma pergunta sobre a carreira diplomática que me deixa, já há algum tempo, apreensivo. Vamos lá.
Para que o senhor possa compreender melhor o motivo de minha preocupação, apresento minha situação. Tenho 25 anos, nível superior completo e um forte desejo - para muitos injustificável - de ingressar no Itamaraty. Minha lucidez me indica, no entanto, que, iniciando minha preparação para o concurso neste momento, serei aprovado dentro de dois ou três anos. E tenho receio de que o ingresso na carreira com cerca de 28 anos me comprometa no que diz respeito ao meu futuro profissional.
Isto porque percebo que há, de certo modo, um limite de idade implícito para aprovação no concurso de admissão, tendo em conta que o candidato aprovado pretenda ascender de maneira satisfatória e plena na carreira. Suponho, por exemplo, que um sujeito de 35 anos que seja aprovado no concurso dificilmente alcance o ápice da carreira, em termos hierárquicos.
A questão que me atormenta é, então e por fim, a seguinte: qual idade - ou faixa etária - poderia ser apontada como tal limite?
Ademais, bajulações à parte, comento que seu espaço na rede muito me impressionou, tanto por conta da qualidade dos textos e das opinões quanto por conta da nobreza da iniciativa de divulgar aos interessados dados sobre a carreira.
Muito agradeço pela ajuda e pela atenção.
Até.
Joao P,
Acredito que se possa entrar no Itamaraty ate 32 ou 33 anos, embora a progressao possa tornar-se mais lenta a partir de agora, com tantos novos entrantes.
Eu mesmo ingresse cim 28 anos completos e tive uma trajetoria normal ate ministro de segunda classe, e poderia ter sido embaixador 5 ou 6 anos atras, embora por razoes basicamente politicas eu nao tenha sido promovido, pelas mesmas razoes que voce vê em meus escritos.
Você se comportando bem, conserva intactas as suas chances...
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Vitória S. Moreira disse...
Dr Paulo,
Tenho 17 anos e estou cursando o ensino médio. Ainda não me decidi completamente pela carreira diplomática, mas já tenho certeza de que quero fazer um curso de Relações Internacionais, por isso, tenho feito o PAS (Programa de Avaliação Seriada) da UnB, para, no futuro, poder cursar essa universidade. Tenho, porém, uma imensa vontade de estudar nos Estados Unidos e já até entrei em contato com agências que possam intermediar e me auxiliar durante o processo, inclusive já até vi uma universidade do meu agrado (University of Washington). Porém, tenho duas dúvidas: a primeira é se, por acaso, eu me decidir pela carreira diplomática, será vantajoso ter estudado fora? A segunda é a mesma dúvida, só que numa situação mais genérica: o Sr. acha que é realmente vantajoso estudar nos EUA em relação às universidades brasileiras (no curso de Relações Internacionais)?
Desde já agradeço a resposta.
Vitoria,
Sempre é bom estudar fora do Brasil, sobretudo em ingles, para voce ficar com a lingua totalmente dominada, mas eu nao recomendaria fazer todo o curso superior fora, pois voce vai precisar estudar muito mais coisas do Brasil, se pretende ingressar na carreira diplomatica. Assim, recomendo que voce estude um periodo fora, seis meses ou um ano, mas faça o essencial de seus estudos de graduação aqui no Brasil, para poder se preparar de maneira adequada, inclusive fazendo algum cursinho preparatorio.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Olá. Eu estudei na Escola Americana de Brasília e tenho o diploma técnico de tradutora intérprete. Sempre foi uma profissão que eu admirei. Sou formada em pedagogia, sou funcionária pública e tenho interesse em ser diplomata. Gostaria de saber como é o horário de trabalho dos diplomatas. Vocês trabalham no horário comercial de 8:00 às 18:00? E o horário é maleável? Vocês podem entrar às 10:00 e sair às 20:00 se quiserem? Os jantares e reuniões informais nos finais de semana para tratar de negócios são computados como horas trabalhadas ou não? Fico feliz que o senhor responda as perguntas de pessoas interessadas na carreira diplomática. Obrigada pela ajuda e consideração. Um abraço da Daniela.
Daniela,
Suas perguntas s'ao fora do comum, mas vamos lá.
1) Horario oficial de trabalho na Secretaria de Estado: de 9hs a 13hs, e de 15hs a 19hs, mas dependendo da área de trabalho, pode se sair mais tarde (e entrar mais tarde também): geralmente nos Gabinetes isso ocorre.
Temos muito trabalho (e viagens) em fins de semana, assim que a carga total de trabalho pode ser bem mais pesada do que o de um funcionário de outros setores (acabo de voltar da China, para onde viajei num sábado, 28.11.2009, demorei para me recompor com a diferença de 11hs; e voltei ontem, cansadíssimo).
Não existe NENHUMA hora extra computada por jantares, recepções ou viagens em fins de semana: só ganhamos o salário, ponto, todo o resto não é pago.
Ou seja, trabalhamos muito mais que funcionários "normais" e ganhamos proporcionalmente menos, posto que simplesmente não existe esse conceito de horas extras ou compensações por viagens e tempo gasto em atividades diplomáticas extra-horário de trabalho. Existe certa tolerância, por isso mesmo, quando se chega as 10hs ou 11hs na manha seguinte a uma dada atividade extra na noite anterior.
Espero ter satisfeito sua curiosidade.
Paulo Roberto de Almeida
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margareth morais disse...
Dr.Paulo, sua informações me são muito oportunas. Tenho interesse na carreira diplomática e gostaria de saber quais seriam exatamente as atribuições de um 3° secretário (primeiro nível de carreira). Se puder esclarecer, agradeço.
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Anônimo disse...
Olá. Primeiramente eu gostaria de agradecer por você ter respondido a minha pergunta. Eu tenho mais algumas dúvidas.
Você havia me dito que os diplomatas têm muito trabalho (e viagens) nos finais da semana. E quantos finais de semana por mês você têm que trabalhar? Quantas vezes por mês você viaja para fora do Brasil?
As remoções são direcionadas para postos separados entre as categorias A, B e C e D. O diplomata pode escolher o local para onde deseja ir morar? Se o diplomata quiser trabalhar em Sydney, na Australia, ele pode fazer essa escolha?
Imagino que você esteja na Conferência de Copenhague em inúmeras reuniões com autoridades estrangeiras. Sei que seu tempo é precioso, mas quando tiver um tempinho agradeço se responder minhas perguntas. Admiro a sua carreira diplomática e tenho curiosidade sobre o dia a dia dos diplomatas. Atenciosamente Daniela.
Daniela,
Sinto muito. Estou com minha central de respostas temporariamente desativada, por excesso de trabalho, e excesso de perguntas.
Tente de novo em janeiro. Pode ser que eu tenha conseguido terminar minhas obrigacoes...
Paulo Roberto de Almeida
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Dionathan disse...
Prazer!!!
Moro em Santa Cruz do Sul uma cidades de porte médio do interior do Rio Grande do Sul, tenho 15 anos.
Estou interessado em fazer a graduação em Relações Internacionais em uma universidade federal possilvelmente a UFRGS ou UFSM, contudo, sou proveniente de escola pública e de certo modo noto que grande parte das admissões nesses concursos os alunos são provenintes de escolas particulares como por exemplo o Itamaraty...
O fato de eu provir de escola pública é algum tipo de impencilho?
Há também tenho outra dúvida, o serviço militar(não me refiro ao alistamento) é obrigatório para passar no concurso? Quanto tempo?
E apenas mais uma dúvida que condições físicas de saúde são essas que o Itamaraty exige?
Certo de vosa compreensão aguardo as respotas...
Obrigado
Obs.: Adorei seeu blog
Dionathan disse...
Prazer!!!
Sou de Santa Cruz do Sul uma cidade de médio porte do interior do Rio Grande do Sul, vou fazer 16 anos em abril.
Tenho interesse na área diplomática e pretendo cursar Relações Internacionais numa universidade federal...
Tenho algumas dúvidas que se não pedir demais gostaria que o senhor respondesse:
* O fato de eu provir de escola pública me prejudica de alguma forma?
* Tenho ter serviço militar obrigatoriamente (não me refiro ao alistamento ao serviço propriamente dito)?
* Que condições de saúde são essas que o Itamaraty se refere?
Certo de vossa compreensão aguardo as respostas.
Obigado
Obs.: Adorei seu blog
Domingo, Janeiro 03, 2010 1:25:00 PM
Dionathan,
Nenhuma escola publica representa um impedimento absoluto ao que você pretende ser mais tarde na vida, em termos de carreira acadêmica ou trajetória profissional nos mercados.
Mas, claro, você precisa ter perfeita consciência de que o ensino numa escola pública apresenta deficiências enormes, que você terá de suprir por seus próprios meios estudando de forma autodidata.
Aliás, você pode ter certeza também que o ensino numa escola privada não é de muito melhor qualidade. Os professores, com muito poucas exceções (que são as escolas privadas de altíssimo nivel, e portanto muito caras, e situadas apenas nas grandes capitais) não são muito melhores do que aqueles que ensinam nas escolas públicas, pois a mediocrização do ensino no Brasil é geral, atingindo inclusive as universidades.
Você pode escolher um curso de RI para se preparar depois para o concurso da carreira diplomática, mas sinceramente eu não recomendo. Acho esses cursos muito fracos e não preparam para uma profissão "normal", o que quer dizer tradicionais no mercado (direito, administração, economia, etc).
Recomendaria a você, em qualquer hipótese, fazendo ou não curso de RI ou outro, se preparar por conta própria, lendo e estudando todas as matérias do concurso do Rio Branco de maneira autônoma e individual.
Estude muito, pois você vai precisar ter um excelente nível de conhecimentos se pretende se tornar um diplomata.
Boa sorte nos estudos, felicidades em sua vida pessoal.
Paulo Roberto de Almeida
Louise disse...
Chegamos ao ano de 2010 e acredito que o futuro da diplomacia e das relações internacionais no Brasil se modificou desde o texto ''As relações internacionais como oportunidade profissional'' onde o senhor responde a todas as duvidas dos jovens que pretendem cursar RI.
Pois bem, tenho 17 anos e esse ano pretendo prestar para uma faculdade pública (USP ou UNB) em busca da formação em RI, mas focada para a diplomacia. É o que tomo como ambição para o meu futuro desde os 15 anos. Sempre fui auto ditada e não tenho dificuldades em relação a estudo e leitura, muito pelo contrário, tomo isso como um hobbie. Minha principal preocupação é na verdade o tempo médio que levaria para a minha formação intelectual a nivel de concorrer a uma vaga no Itamaraty ( e o tempo que eventualmente não haveria ''mercado'' para mim ) e se esse ramo, o da diplomacia, tras ainda algum tipo de preconceito em relação a mulher em papeis de poder.
Se puder tirar minhas duvidas, agradeço desde já.
Louise.
Louise,
Você já tem um nome, por assim dizer, internacional, e talvez isso facilite o seu ingresso na diplomacia. Meus cumprimentos por manter esse objetivo desde os 15 anos, ou seja, há dois anos, e se percebo bem, você vai continuar se preparando de forma intensa durante todo o seu curso de graduação em RI. Meus parabéns e eu diria que você deve fazer isso mesmo. Não confie em seus professores, que muitas vezes são preguiçosos, e continue autodidata. Faça um programa de leitura e de estudos dirigidos, calcado no Guia de Estudos e leia três vezes mais do que a lista ali recomendada, pois você vai precisar de toda leitura para ingressar logo na primeira vez.
Pelo que eu vejo de seu Português ainda falho, você vai precisar se aperfeiçoar seriamente em várias matérias. O tempo médio não existe, pois algumas pessoas passam o tempo vendo bobagens na TV e outras aproveitam para estudar: você escolhe o tempo de formação, mas se quiser ter sucesso comece a ler desde já, e treine muita redação também, pois é necessário.
Quando você entrar, já estará em tempo de uma mulher ser chanceler, ou seja, ser ministra das relações exteriores. Aliás, já estaria em tempo, mas a política brasileira ainda é muito machista... Creio que o Itamaraty já não tem muito preconceito nesse terreno, embora possa haver alguma condescendência e talvez mesmo um pouco de demagogia a esse respeito.
Boa sorte nos estudos.
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Olá!
Sou Matheus, tenho 22 anos, terminarei a faculdade de Ciências Contábeis em 2011. Por enquanto não falo outro idioma além do português, mas pretendo iniciar curso de inglês e francês depois de concluir a faculdade e, mais adiante, aprender espanhol(por motivos pessoais não posso fazê-los ao mesmo tempo). Gostaria de parabenizá-lo pela sua trajetória e pelo seu blog. Minha dúvida: é necessário falar, compreender, escrever e ler os três idiomas em nível avançado para ingressar na carreira diplomática?
Codialmente,
Matheus F.
Matheus,
É preciso saber Ingles muito bem, mas muuuuiiito bem, e uma outra lingua, Frnces, Espanhol (ou outras, veja os editais) razoavelmente bem...
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Boa tarde,
Primeiramente gostaria de dar parabéns pelo seu ótimo e esclarecedor blog.
Gostaria de lhe perguntar se eu teria condições de concorrer a uma vaga no IRB com estas qualificações: tenho 30 anos, sou bacharel em ciência política, morei 4 anos no exterior mas não possuo qualquer certificado de proeficiência apesar de falar e escrever em inglês e alemâo. Tenho alguma chance?
Desde já lhe sou grato pela atenção.
Chiarel
jose disse...
Prezado Paulo Roberto de Almeida
Meu nome é José ,sou servidor público(RFB) e professor de História da rede pública de ensino.Cursei Ciências Sociais na UFAM,mas não concluí a graduação.Atualmente, sou estudante de Filosofia(UNISUL),francês e inglês,e,desde os 14 anos(isso já faz algum tempo), aspirava seguir a carreira diplomática.Por diversas razões tive que adiar tal objetivo.
Porém,de uns tempos para cá,o desejo voltou,e de forma intensa,quase que vocacional;um sentimento forte,ardente,uma convicção de que "é isso!".Logo deparei-me com uma concreta realidade:o desafio.O problema é que o tempo passou.Hoje tenho 35 anos,considerado velho para os padrões de admissão.Confesso que o fator TEMPO é o que menos importa para mim,pois o que me move não é um desejo de promoção,reconhecimento ou escalada dentro da estrutura da carreira,mas a experiência e a satisfação da realização de uma meta,um objetivo e algo que realmente me dá prazer:o diálogo,o debate,a reflexão crítica e aprofundada dos temas de relevância para o país,respirar o mesmo ar e beber na mesma fonte de tantos intelectuais e que ,pela simples razão de estarmos juntos,seria tremendamente satisfatório para mim.Reconheço a longa estrada e peço algumas orientações acerca da melhor estratégia para atravessá-la.Estou me programando para o concurso de 2015,estudando como autodidata,fazendo cursos das matérias específicas e guardando recursos para um período de estudos no exterior.Confesso que ao ler alguns comentários sobre a questão da idade fiquei um pouco apreensivo.Gostaria de saber sua opinião sobre esta questão (Idade-vou estar com 40 anos em 2015) e sugestões sobre estratégias para admissão no concurso.
Reitero minha admiração pelo homem e pensador Paulo Roberto de Almeida.
Com perdao da expressao, dois coelhos de uma vez so (estou viajando no exterior e sem tempo ou conexoes para responder adequadamente),
Primeiro o Chiarel,
Nao é preciso ter certificado nenhum de nenhuma língua, apenas o diploma universitario. As linguas se precisa apenas saber, ingles muito bem, uma outra razoavelmente bem. Voce tem chance, desde que saiba muito bem o resto do programa, o que não é facil.
Boa sorte nos estudos.
Agora o José.
Nao entendo porque apenas em 2015: isso é falta de confiança em si mesmo. Acho que você deveria estudar intensamente para tentar entrar antes, se possivel no ano que vem, fazendo cursinho e se preparando adequadamente, a menos que voce nao tenha diploma de graduacao.
Acho que 40 anos inviabiliza uma carreira "normal", mas se seu objetivo é apenas entrar, então vá em frente, entre e seja feliz.
Paulo Roberto de Almeida
Prezado José,
eu peço desculpas pela minha intervenção em sua conversa com o mestre Paulo Roberto, contudo, foi impossível não me comover com seus comentários. Eu gostaria de lhe dar algumas sugestões:
1) - pegue o edital do concurso no site do MRE o link é este http://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/IRBr/pt-br/file/Edital_abertura_CACD_2010_publicado_no_DOU(1).pdf
2 ) - faça um cronograma com metas de leitura diária, semanal, mensal e semestral.
2 ) - Faça o fichamento dos livros (pode ser em fichas cartonadas ou no computador mesmo, não importa)
3 ) - Tire uma hora diariamente para reler os fichamentos.
4 ) - Não sei o tempo que dispõe, mas seja obssessivo, leia compulsivamente.
5 ) - Não veja mais televisão.
6 ) - Largue a família e amigos (durante um tempo apenas)
7) - E não tenha medo daqueles que tem doutoramento ou pós-doutoramento. Por um único motivo: eles tem doutoramento em um assunto específico e não em todos que caem na prova, portanto, as chances são quase isonômicas.
Por exemplo, você pode concorrer com pessoas com doutoramento em linguística; que estudou na Sorbonne; que estudou inglês nos EUA e assim por diante. Se esta mesma pessoa não dominar Direito e Economia, ela não passa.
Isto significa, que as chances são iguais para todos, pois ninguém tem domínio absoluto de todas as disciplinas que caem nesta prova.
8) - Valorize o seu conhecimento e não se importe com a idade, até por que a atual gestão do Itamaraty nos mostra que muita coisa pode mudar no futuro em relação à carreira. [Só não sei se digo felizmente ou infelizmente]
Comece a estudar "ontem", pois se sente que tem vocação verá que valerá a pena.
9 ) - Só faça um preparatório como o curso Clio e outros quando tiver lido bastante, pois do contrário, apenas jogará dinheiro fora.
Um conselho: Só não se iluda achando que na carreira todos são intelectuais como o mestre Paulo Roberto.
Quem derá que fosse assim !
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Marília C. Ferreira disse...
Sr. Paulo R. de Almeida,
Muito oportuno este blog. Admiro sua dedicação e destreza em responder a cada uma das dúvidas aqui apresentadas.
Divido duas paixões: a pesquisa e a diplomacia. É possível conciliar os dois?
Eis a minha atual situação: ingressei no curso de RI, mas me transferi para História. Não me arrependo de ter "nadado contra a corrente" de expectativas a meu respeito, a História me permite uma visão abrangente não apenas da formação da nossa Nação, como também do mundo. Além do mais, foi ali que descobri a paixão pela pesquisa: tenho dois projetos, um a ser submetido esse ano ao Probic, que já possui aprovação da coordenação do curso (aprovação em expectativas, devo dizer) e outro que pretendo desenvolver após o retorno às RI. Além das pesquisas, me propus a escrever e publicar artigos acadêmicos; um já foi submetido, inclusive, ao Congresso Acadêmico da Defesa Nacional. Admito: sou aprendiz ainda, mas com capacidade de progredir sem maiores dificuldades. Tais planos de desenvolvimento de pesquisas e publicações de artigos são o resultado daquilo que sinto prazer em fazer: estudar, ler, pesquisar e escrever. E não tenho o intuito de dedicar minha vida à algo que não me traria tal satisfação. Como o Sr. é o primeiro diplomata com quem tenho contato, é possível, pois, desenvolver pesquisas e estudos na área diplomática e da política externa em geral, paralelamente ao ingresso à carreira em si?
E, como tantos, também me preocupei com o fator 'idade'. Finalizarei a graduação em História com 24 anos e RI com 25, no mais tardar, 26 anos. Porém devo dizer que no momento me dedico a acentuar meus pontos fortes na área de humanas, enquanto que, noções de Economia e Direito, deixarei para que o curso de RI me complemente.
Obrigada.
Atenciosamente,
Marília C. Ferreira
Marilia,
É possível, sim, conciliar, diplomacia e pesquisa e o exemplo mais evidente disso é o historiado Evaldo Cabral de Mello, possivelmente o maior historiador ativo do Brasil, que, aliás, nunca foi acadêmico, mas sempre fez pesquisa, enquanto diplomata. Eu mesmo faço a mesma coisa e não me arrependo, mas sempre há certo stress pessoal e funcional, talvez familiar, pois a carreira é muito exigente em termos de trabalhos, recepções, etc.
Por outro lado, você está na idade perfeita para se preparar e entrar...
Vá em frente.
Paulo Roberto de Almeida
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Wilson disse...
Muito obrigado por fazer um blog excelente como esse, que me fez refletir sobre a carreira diplomática (a qual pretendo seguir).
Meu nome é Wilson, tenho 15 anos e, há pouco mais de um ano, tenho interesse em cursar direito e, ao fim deste, diplomacia. Tenho procurado dicas em inúmeros sites sobre como tornar-se um diplomata, porém nenhum foi tão satisfatório como este. Gostaria, se não for muito abuso, que o senhor pudesse me passar algumas dicas sobre o curso, como estudar etc.
Agradeço desde já.
Henrique disse...
Sr. Paulo R. de Almeida,
Me identifiquei muito com o Sr. Sempre disponível para responder todas as perguntas.
Estou me preparando para prestar o concurso. Já fiz muitas pesquisas sobre a carreira, entretanto, ainda não encontrei ninguém que me esclarecesse sobre a frequencia das mudanças de residência. Quais os critérios utilizados para decidir quem irá para qual posto? O diplomata tem algum controle sobre isso? É possível ele não ir? Qual o nível de estabilidade que ele pode obter em cada cidade? Pergunto isso pois possuo dependentes e não seria interessante pra eles viver cada ano em uma parte do mundo, mas manter uma certa "permanência" em cada local.
Desde já agradeço, um forte abraço.
Henrique,
Não vou responder a suas questões, por duas razões muito simples.
1) Se você deseja ser diplomata, deveria saber que não é para ficar parado no mesmo lugar muito tempo. Ou você aceita o fato de ser nômade, ou nunca será um bom diplomata.
2) Concentre-se primeiro na tarefa de entrar na carreira, depois você se preocupa com o que vem depois.
Paulo R. de Almeida
Luana disse...
Há tempos leio tanto o seu blog como a página oficial,para mim é referência obrigatória,já fiz em 2006 uma prova do CACD,da bibliografia básica muitos livros principalmente na área de história já tinha lido, a verdade que só eu fiz para analisar o meu desempenho,não tinha muito tempo nem dinheiro para pagar um curso preparatório,enfim depois do resultado,começei a me convencer que necessitava de um mestrado,mas como eu queria estudar na Inglaterra só havia um jeito, bolsas de estudos,acabei sendo convencida de ir na França e visitar as universidades,ganhei a passagem fui nas férias, confesso que queria Inglaterra,pesquisei sobre universidades francesas na área de mestrado em turismo Sorbonne, Poitiers e Avignon, chegando na França fui convencida pelo departamento internacional da universidade de Avignon de fazer mestrado em desenvolvimento cultural por se adequar mais ao meu perfil (embora eu seja formada em turismo),eu realmente gostei da grade curricular do curso e tive uma péssima impressão da Université Paris I (Sorbonne)...Depois dessa viagem fiquei mais seis meses no Brasil e arquitetando um plano: ou conseguir bolsa ou trabalhar em um navio de cruzeiros para então pagar o curso de francês e depois o mestrado,a verdade é que passei dois anos viajando pelo mundo,voltei para o Brasil julho passado, a experiência que mais influenciou para almejar uma carreira diplomática (e ainda influencia) foi em 2004 ter sido escolhida como líder juvenil pela Unesco Chair Institute da Universidade de Connecticut em um programa para líderes juvenis na área de direitos humanos, com direito a conferência na universidade e visita a ONU.O que me passa na cabeça é que creio que tenho capacidade de passar no exame do CACD ( mas por comodismo não dei o melhor de mim),mas agora estou com 27 anos me mudando para a europa,com planos de realmente fazer meu mestrado e voltar e tentar o Itamaraty,creio que possa desenvolver uma técnica de estudo que me possibilite este efeito estudando lá e só vindo para o Brasil para fazer o exame (espero que ...bom que no atual governo os números de vagas não diminua), sinceramente a minha dúvida é mais pela idade ,digamos que se houver exames ano que vem vou ingressar com 28,29 anos...neste caso não deveria olhar também com bons olhos as agências da Onu como possibilidade? (Sim eu estou confusa não quero mais trabalhar em nada direcionado ao turismo estou saturada).
Agradeço todas as informações passadas!
Luana,
Vá para a Europa, faça seu mestrado e ao mesmo tempo estude para o concurso e prepare-se adequadamente para o ingresso na carreira. Eu ingressei na carreira com 28 anos completos, e acho que ate os 32 ou 33 ainda é aceitável em termos de carreira.
Não pense que você vai conseguir uma excelente posição em agências da ONU logo de início: aquilo é um dinossauro burocrático, com todas as deformações do apadrinhamento e da proteção.
Você pode, inclusive, tentar fazer o concurso no meio do mestrado, e se passar, abandona o mestrado e continua no Brasil.
Estude e divirta-se na Europa...
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Ola Dr. Paulo,
Tenho 27 anos, inglês fluente - morei 3 anos no Canadá, espanhol avançado, estou estudando francês e sou bacharel em Geografia. Começei a minha preparação para o CACD e gostaria de saber até que idade eu poderia tentar ingressar tendo plenas condições de sucesso carreira. Obrigada,
Camille
Camille,
Creio que voce pode ter uma carreira normal entrando até os 35 anos, mas isso vai depender muito do fluxo da carreira nos proximos anos, ou duas decadas, pois as regras podem sempre variar um pouco, como expulsorias, etc.
Paulo R Almeida
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Marcela disse...
Dr. Paulo,
há alguns anos venho acompanhando o seu blog(ou melhor, os seus blogs), pois o desejo de seguir a carreira diplomática volta e meia aparece.
Tenho 22 anos e estou terminando meus estudos na Faculdade de Direito, mas acredito que minha paixão por "ajudar as pessoas e o mundo" só será suprimida se eu me tornar diplomata.
No entanto, minha única e maior angústia é apenas uma: como conciliar a carreira diplomática com a vida familiar? É possível manter um casamento sem que o outro cônjuge tenha que abdicar da carreira dele para seguir comigo nas missões internacionais?No meu caso, meu namorado é advogado e almeja fazer um concurso público futuramente.Acredito que isso facilite, estou correta?
E a criação dos filhos?
Por fim, pela experiência do senhor, como é a vida de uma mulher nessa profissão?
Obrigado, desde já, pela paciência e gentileza em responder meus questionamentos.
Marcela
Marcela disse...
Dr. Paulo,
há alguns anos venho acompanhando o seu blog(ou melhor, os seus blogs), pois o desejo de seguir a carreira diplomática volta e meia aparece.
Tenho 22 anos e estou terminando meus estudos na Faculdade de Direito, mas acredito que minha paixão por "ajudar as pessoas e o mundo" só será suprimida se eu me tornar diplomata.
No entanto, minha única e maior angústia é apenas uma: como conciliar a carreira diplomática com a vida familiar? É possível manter um casamento sem que o outro cônjuge tenha que abdicar da carreira dele para seguir comigo nas missões internacionais?No meu caso, meu namorado é advogado e almeja fazer um concurso público futuramente.Acredito que isso facilite, estou correta?
E a criação dos filhos?
Por fim, pela experiência do senhor, como é a vida de uma mulher nessa profissão?
Obrigado, desde já, pela paciência e gentileza em responder meus questionamentos.
Marcela
Marcela,
Grato pelo contato. Eu sempre recebo os comentarios nos blogs ou no site, mas nem sempre tenho tempo de responder. Agora, por exemplo, estou em viagem pela China.
Mas vejamos se posso ajuda-la.
Comeco dizendo que voce nao deve "suprimir" a sua paixao, pelo menos esse tipo de paixao, e sim promove-la em quaisquer circunstancias, sendo diplomata ou nao...
No plano da familia, a carreira impoe, sim, alguns constrangimentos, a menos que ambos sejam diplomatas e possam conciliar obrigacoes de carreira com os deveres familiares.
Veja o meu caso: minha mulher, antes de ser minha mulher, era economista, trabalhando no Itamaraty, em projeto temporario. Nos casamos e logo fui removido para o exterior, ela ainda gravida. É evidente que ela teve de abandonar sua carreira de economista, pois que acabamos ficando seis anos no exterior, filho pequeno etc. Torno-se historiadora, mas tambem teve a carreira interrompida todas as vezes em que fui removido e partimos ao exterior. Dependendo do conjuge, pode ser stressante ou mesmo frustrante, mas tem alguns que aproveitam para fazer aquilo que realmente desejam fazer: hobbies artisticos, literarios, simples turismo cultural, etc.
Quanto aos filhos, nao se preocupe, eles sao muito mais fortes e flexiveis do que se imagina. Meu filho fala sete linguas, com as constantes mudancas de escola que teve de fazer. Creio que os filhos se beneficiam enormemente desse nomadismo.
Em qualquer coisa, alias, tudo depende do espirito das pessoas, como elas organizam sua vida, como recebem as mudancas, como se adaptam aos lugares, as pessoas, as linguas.
No nosso caso, sempre foi tudo muito bem, a despeito de postos de sacrificio e de problemas eventuais.
Acredito que seus temores nao sao justificados, mas se voce se tornar diplomata, seu marido seria obrigado a pedir licenca para acompanha-la. Estando no servico publico federal, isso nao é problema: é concedido automaticamente, ainda que sem vencimentos. Mas o salario no exterior dá amplamente para viver bem, desde que não se cometam loucuras residenciais ou de mordomias...
Cordialmente.
----------------
Paulo Roberto Almeida
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Anônimo disse...
Paulo, tirando a parte do incentivo,no sentido puro da palavra, o que você teria a dizer para alguém que,pelo que se ouve, se acha ligeiramente incapaz de passar num concurso como esse.
Amo geografia,história línguas mas eu ainda acho que me falta algo.
Ultimo Anônimo,
Se a pessoa se sente incapaz, mas tem vontade, tempo e condicoes (digamos, menos de 30 anos) para tentar, entao eu diria que, se a vontade é efetiva, ela deveria tentar se tornar capaz, o que se consegue simplesmente estudando.
O concurso é reconhecidamente difícil, mas não se trata de algo impossível ou sobrehumano. Nada que muito estudo não consiga resolver.
Portanto, eu recomendaria estudo, pois isso serve para qualquer coisa na vida.
Pode até não resultar em um diplomata, mas certamente vai resultar em uma pessoa melhor preparada para muita coisa na vida.
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Paulo Roberto, venho já há algum tempo seguindo seu site e blog, com respectivas publicações e comentários dos leitores.
Confesso que fico admirado com suas dicas acerca da carreira diplomática, tirando quase todas as dúvidas de quem tem algum interesse em seguir a carreira.
Vamos ao meu caso em específico: Fiquei muitos anos sem estudar, pois acabei dedicando minha vida ao serviço público, deixando de lado meu crescimento pessoal.
Embora tardiamente, dei início a um curso de inglês (já estou no nível avançado). Tenho 33 anos, e darei início ao curso de Administração na UFRGS agora em agosto. Ao longo destes cinco anos, pretendo concluir o inglês, reforçar meu espanhol, e dar início a um curso de francês.
Meus planos são de prestar o concurso para diplomacia, tão logo termine a faculdade. Sei que serei um pouco velho aos 38 anos, mas estou pronto para enfrentar esse desafio.
Tenho algumas dúvidas:
1) Gostaria de saber até que nível de ascenção funcional tenho condições de chegar, começando com a idade de 38 anos.
2) Outra dúvida é em relação ao subsídio inicial, de aproximadamente R$12.400,00, se há mais algum valor a ser adicionado como auxílio moradia, etc...
3) Durante o Mestrado no Instituto Rio Branco, o servidor tem direito a todas as vantagens do cargo, ou é tratado como um estudante?
Minha dúvida, é pelo fato de que sou casado e tenho uma filha, mas minha esposa apoia meus planos de dedicar grande parte do meu tempo no aprendizado de idiomas, na graduação, na leitura prévia de todas as obras indicadas e do que for preciso para isso.
Nos encontramos daqui a cinco anos no Itamaraty. Pode ter certeza disso.
Grande abraço!
Mendes
Mendes,
1) Gostaria de saber até que nível de ascenção funcional tenho condições de chegar, começando com a idade de 38 anos.
Ascensao é com s, não com ç. Acho que voce entrando com 38 nao passaria de Primeiro Secretario antes de entrar no Quadro Especial, e provavelmente se aposentaria nessa condição. Acho muito tarde para fazer uma carreira satisfatoria.
2) Outra dúvida é em relação ao subsídio inicial, de aproximadamente R$12.400,00, se há mais algum valor a ser adicionado como auxílio moradia, etc...
Nao tem outro subsido a nao ser o familiar e transporte, talvez alimentacao, pequenos. Moradia nao creio que se consiga, pois existem muitos diplomatas para os imoveis disponiveis agora. Voce teria de alugar no mercado, o que em Brasilia significa precos mais altos. Se sua esposa trabalhar sria mais facil, do contrario vai viver apertado, porque escolas privadas tambem sao caras em Brasilia.
3) Durante o Mestrado no Instituto Rio Branco, o servidor tem direito a todas as vantagens do cargo, ou é tratado como um estudante?
Ja entra como Terceiro Secretario, mas hierarquia existe e a disciplina tambem. Vai ser tratado como Terceiro Secretario, com algum paternalismo associado.
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Anônimo disse...
Bom dia Paulo Roberto.
Continuando, talvez seria tarde para uma carreira satisfatória, mas melhor do que uma carreira medíocre em uma estatal que não valoriza seus funcionários, que é minha situação atual.
Desculpe, mas tenho mais duas dúvidas:
Então o funcionário pode trabalhar até que idade sem pensar em aposentadoria, para que possa usufruir de toda a ascensão na carreira?
O que significa "entrar no Quadro Especial? Depois de entrar, não há mais crescimento na carreira?
Atenciosamente
Mendes
Mendes,
O Quadro Especial, vulgarmente chamado canil, é o "encosto" para onde vão os diplomatas que ultrapassaram certa idade em sua categoria. Nao me interessei nunca por questoes administrativas, mas creio que deve ser 45 para Terceiro, 48 para Segundo e 50 para Primeiro Secretario, depois 55 para Conselheiro, 60 para Ministro de Segunda e 65 para Ministro de Primeira (Embaixador), ainda que a aposentadoria compulsoria seja aos 70 anos, conforme a Constituição.
Depois de entrar no QE pode haver progressao, mas muito lenta e depende de vagas.
Enfim, acho que voce nao deve se preocupar com essas coisas e sim em estudar para entrar.
Mas nao pense que o Itamaraty seja muito diferente de uma estatal. Se trata de uma espécie de Vaticano, uma Santa Casa, se voce quiser...com todos os atributos do genero...
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Paulo Roberto,
Realmente, o que me incomoda de verdade nas estatais é a progressão não por merecimento, mas sim exclusivamente por questões políticas. Pessoas completamente despreparadas e sem formação alguma acabam sendo chefes de administradores.
Isso acontece nos Correios, na Petrobrás, no Banco do Brasil, entre inúmeras fundações, autarquias, Sociedades Anônimas, etc.
Ao menos, parece que na carreira diplomática há menos política envolvida.
Agradeço pelo esclarecimento às minhas dúvidas.
Darei continuidade aos meus estudos...
Grande abraço!
Mendes
Ilusao achar que na carreira diplomatica decisoes quanto a promocao, remocao, designação para funções são isentas de vieses politicos e até pessoais.
Pessoas são humanas, ao que parece, em qualquer lugar, época e circunstância...
Paulo Roberto de Almeida
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Anônimo disse...
Boa noite Paulo.
Sempre me interessei pela carreira diplomática.
No entanto, após formar-me em direito, talvez por uma necessidade imediata, estudei para as carreiras jurídicas. Desde 2004 sou procurador federal.
Embora estável no serviço público e com uma boa remuneração, sinto que falta algo para minha realização profissional , talvez porque gosto muito de línguas, política, história e economia.
Vendo o seu blog, pensei em tentar novamente realizar esse sonho. Porém, embora com inglês avançado e já tendo lido alguns livros da bibliografia básica do concurso por prazer (como história e os livros obrigatórios de português) estou com 34 anos.
Acha que ainda há tempo de tentar e ter uma carreira completa?
Obrigado pela atenção.
Alexandre.
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Anônimo disse...
Prezado Paulo,
Sou analista judiciário há cinco anos, tempo esse suficiente para que eu percebesse que não me realizaria profissionalmente na área jurídica.
Diante disso, passei a buscar informações sobre outras carreiras e me deparei com o seu blog.
Desde então, cresce em mim o interesse pela carreira diplomática.
Meu inglês é básico e acabei de completar 31 anos de idade; entretanto, tenho um bom conhecimento da língua portuguesa, facilidade na redação e interpretação de textos, aproximadamente quatro horas de tempo livre para estudo por dia, possibilidade de arcar com os custos de um bom cursinho e viagens ao exterior para aprimoramento de línguas estrangeiras.
Ainda há tempo de perseguir essa carreira? Se sim, qual deveria ser o primeiro passo nos meus estudos?
Desde já muito agradecida.
Valéria
Valeria, Alexandre,
31 anos ainda está bem, mas 34 já está quase no limite para uma carreira bem sucedida, pois a progressão é lenta e não se pode esperar cumprir todas as etapas intermediarias ate o pico da carreira, ministro de primeira ou embaixador.
Deve-se comecar pelo habitual: ver o Guia de Estudos, mapear as fortalezas e fraquezas e comecar a estudar seriamente, eventualmente investindo em cursinho, mas os colegas sempre serao bem mais jovens...
Paulo Roberto de Almeida
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Maura disse...
Então, quem já passou dos 50, melhor não aspirar à diplomacia? Um 3º secretário faz exatamente o quê? Obrigada.
Maura,
Quem ja passou dos cinquenta não tem nenhuma chance de progredir na carreira diplomatica por imposicao de limites de idade em cada classe. Nem vale a pena tentar.
Quanto ao que faz um terceiro, um segundo ou qualquer outro diplomata, voce leia o que ja escrevi em meu site: www.pralmeida.org
Paulo Roberto de Almeida
=Nathany Miguel disse...
Primeiramente, tenho 19 anos e irei agora para o 4º semestre de Relações Internacionais numa universidade particular com bolsa integral do Prouni – estudei Fundamental em escola pública e o Médio em particular com bolsa integral. Considero muito fraco o ensino, e é gritante a necessidade de uma graduação clássica para ingressar em RI, de qualquer forma devo concluir o curso. Meu inglês está razoável e já planejei viajar nas férias de julho do ano que vem para Liverpool pela universidade para aperfeiçoa-lo.
Aos 16 anos ganhei uma viagem à Brasilia no Concurso de pesquisa cientifica promovido pelo IBECC/UNESCO/CNPq na área de História, sou apaixonada por pesquisa, mas infelizmente não posso me dedicar totalmente, já que não posso deixar de trabalhar (trabalho desde os 15, tempo integral).
O fato é que estou em dúvida se após a graduação me dedico no Concurso ou inicio um mestrado, ou até mesmo viajo para fora. Sei das minhas limitações quanto ao tempo de dedicação de estudo posto que trabalho em período integral, mas sou extremamente dedica, autodidata, leio muito (não só por necessidade acadêmica, mas por prazer, literatura me consome), professores já me indicaram tentar uma graduação tradicional numa universidade pública (CS, Economia, etc.), outros me incentivam terminar RI e decidir depois.
Se puder, gostaria de dicas para o meu caso.
*seu currículo é de provocar suspiros em nós, aspirantes.
Nathany,
Meu curriculo, com 19 anos, nao devia ser muito diferente do seu, talvez até pior, pois nunca tive bolsa, e trabalhei desde muito cedo na vida, desde muuuiiiito cedo.
Pelo menos, em minha epoca, a escola publica ainda era risonha e franca, ou seja, de boa qualidade. Infelizmente, sei que NINGUEM, que estude apenas em escola publica, hoje, tem qualquer chance, provavelmente nenhuma, de ter alguma chance na vida, justamente, a não ser que a pessoa seja como eu sempre fui: um rato de biblioteca. Aprendi a ler na tardia idade de 7 anos, mas nunca parei de ler, em toda a minha vida, assim que pude ingressar na carreira de modo relativamente tranquilo, mas isso um pouco mais tarde, apenas com 27 anos. So comecei a construir curriculo depois disso.
Entendo que voce vai ter muitas dificuldades, mas se voce acredita e tem vontade, vá em frente: durma pouco, leia no onibus (se der), leia o tempo todo e tenha uma formação autodidata, como eu tive. Hoje em dia se pode formar na internet, uma chance que eu nao tive, por simplesmente nao existir.
Nao tenho dicas especiais para voce, a nao ser ler o tempo tido, e anotar, se possivel, o que ler, mas se nao der, apenas leia.
Você conseguirá, pois ainda tem dois ou tres anos pela frente...
Boa sorte nos estudos.
Paulo Roberto de Almeida
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paulo disse...
Olá, meu nome é Paulo e moro em Natal/RN. Tenho umas dúvidas acerca do concurso para MRE / terceiro - secretario. Tomo remédios controlados( antipsicóticos) mas mesmo assim gostaria de fazer o concurso para Diplomacia. Há algum impedimento? Ou posso participar do concurso sem nehuma preocupação? Tenho que me inscrever como deficiente na hora da inscrição do concurso?
Paulo,
Nao existe nenhum impedimento a que voce faça o concurso tomando remédios, inclusive porque ninguém sabe disso no momento da inscrição.
Nao sei se o que você tem pode ser classificado como deficiência, caso no qual você teria essa inscrição especial e talvez alguma facilidade que eu tampouco sei dizer qual seria.
Acredito que voce deva consultar o proprio Instituto Rio Branco sobre isso. Creio que deficiência é mais de tipo motora, ou física, do que algum disfunção de comportamento que não afete o raciocínio e a intelegibilidade.
Paulo Roberto de Almeida
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Danielli disse...
Olá doutor Paulo Roberto, como vai?
Sou advogada, tenho 27 anos, pós graduada em direito civil. Apesar de atuar na área em que me especializei, há algum tempo venho acalentando a idéia de tentar o concurso da diplomacia. Venho de uma família pobre do interior, mas sempre tive interesse em estudar. Cresci frequentando a biblioteca municipal, lendo os clássicos, amando a história mundial e do Brasil, a geografia, a gramática, a literatura. Interesso-me profundamente pelos assuntos ligados à política internacional, e sempre me atualizo com jornais e revistas. Meu tema de monografia na graduação, inclusive, foi uma análise sobre o protocolo de Quioto e o aquecimento global, pois sempre gostei de direito internacional, especialmente os debates ligados ao ramo ambiental.
Penso ter alguma condição de, ao menos, pensar em fazer a prova da diplomacia. Contudo, possuo um inglês elementar, consigo ler alguns textos mas escrevo pouco. O mesmo com o italiano. Mas confesso não saber espanhol e francês.
Com toda a sua experiência, especialmente como professor, o senhor acha que tenho condições de fazer essa prova futuramente?
Desculpe tomar seu tempo, sei que é precioso. Mas é que seu comentário tem para mim grande valia. Será através dele que decidirei o caminho a traçar. Obrigada.
Danielli,
Não tenho certeza de ter respondido a esta sua mensagem pessoal, pois estava viajando e terminando trabalhos. Se não fiz, faço-o agora.
Se você tem muitas e boas leituras, a despeito de não ter tido um ambiente familiar dos mais favoráveis a uma boa formação, como a maior parte dos candidatos (que são, presumivelmente, de classe média e alta), você já tem um bom começo, pois a carga de leituras, as referências culturais acumuladas ao longo da vida são importantes numa prova de redação.
Mas, você antes precisa passar no teste inicial, que é uma coleção enfadonha de interpretações subjetivas e outros tantos dados objetivos, que só se adquire lendo os textos "certos", aqueles selecionados na bibliografia oficial (antigamente era diferente, a criatividade pessoal, a capacidade de raciocínio eram mais valorizados, agora virou uma coisa mecânica). Você precisaria aperfeiçoar tremendamente o seu inglês, o que não é difícil, basta dedicação, algumas horas por semana, se possível 1h por dia. Teria de ter outra língua, de preferência espanhol, o que tampouco é dificil.
Fazendo isso, voce tem e deve fazer a prova ja no ano que vem, para testar seus conhecimentos. Talvez não entre imediatamente, mas saberá o que tem de aperfeiçoar.
Paulo R Almeida
Deíse disse...
Olá, estudo Direito em uma universidade estadual. Apesar de sempre gostar do curso de Relações Internacionais, por ter passado imediatamente no curso de Direito resolvi cursá-lo.
Porém, tendo em vista não desistir de um 'sonho' antigo, agora, no meio do ano, prestei Relações Internacionais e passei, em uma faculdade federal(de outro estado)que está iniciando o curso agora(eles estão no segundo ano de curso, quarta turma).
Gostaria de saber qual seria uma melhor opção pra mim no momento, para que no futuro eu tenha mais chances de iniciar a carreira diplomática.
Agradeço desde já a ajuda.
Deise,
Os cursos de relações internacionais costumam ser fraquinhos e não levar a grandes perspectivas no mercado de trabalho, pela indefinição geral de curriculos e especializações. Você não pode partir do pressuposto de que se tornará diplomata em seguida. Muitos diplomatas tem as formações as mais diversas.
Eu recomendaria que você fique em Direito, como profissão, e se dedique paralelamente e seriamente aos estudos para ingressar na diplomacia.
Paulo Roberto de Almeida
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Bruna disse...
Olá. Como vai? Tenho 22 anos e estou no último semestre do curso de Direito. Tenho muito interesse na área diplomática. Adoro Direito Internacional. Sempre fui apaixonada por inglês e sempre tive muita facilidade com o português. Porém, quanto a história e geografia, só tenho o background do que estudei no Ensino Médio, que foi muito bem feito. Estudei numa escola exigente e dei o meu melhor. Quanto a Economia e Ciências Políticas, tenho uma base muito superficial. Quanto a francês e espanhol, nunca estudei essas matérias. Pretendo passar em outro concurso antes de estudar para o Instituto Rio Branco,pois devido especialmente à minha falta de conhecimento nessas últimas matérias, penso que levará algum tempo até a minha aprovação no concurso para admissão à carreira diplomática.
O que o senhor acha ?
Bruna,
Eu acho que se voce tem intencao de passar no concurso do Itamaraty, independentemente de se sentir ou nao preparada para ingressar agora, você deveria se inscrever e fazer as provas, as que passar, e até onde der. Será uma maneira de já ir se familiarizando com o estilo de questoes demandadas em provas desse tipo, experiencia para saber administrar o tempo, constatar quais suas fortalezas e fraquezas, alem dessas agora percebidas ou intuidas, ou seja, eu acho que voce nao perde nada em ir tentando sempre quando puder. Estude muito agora para o proximo concurso, que abre no comeco de 2011, e tente sua chance.
Boa sorte nos estudos.
Paulo R. Almeida
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Gabriela disse...
Olá, estou no 2º ano do Ensino Médio e já me decidi por seguir a carreira diplomática. Faço cursos de inglês, espanhol e francês e sempre tive maior facilidade para a área de humanas. Porém estou em dúvida entre os cursos de RI ou Direito, ambos na USP. Qual seria o mais recomendado para o CACD?
Obrigada, e parabéns pelo seu trabalho!
Gabriela,
O mais indicado, com certeza, é o curso de RI, o que não quer dizer que seja o melhor, seja intrinsecamente, em termos de qualidades e méritos próprios, seja em termos de mercados e oportunidades de trabalho.
Um curso mais tradicional como o de Direito talvez ofereça maiores oportunidades de trabalho, até que você consiga entrar no MRE. O concurso do Itamaraty é muito exigente.
Claro, se voce comecar a estudar desde já, e estudar por sua própria conta, sem esperar nada de faculdades e cursinhos, você já estará bem mais preparada para esse concurso.
Boa sorte nos estudos.
Paulo R Almeida
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Bruno disse...
Dr. Paulo Roberto,
Tenho algumas dúvidas sobre a carreira da diplomacia, entretanto gostaria antes de descrever um pouco o meu perfil para o senhor.
Tenho 21 anos e estou entrando no 4º ano de Direito da Universidade Federal da Paraíba. Não obstante faltarem apenas 4 semestres para eu me formar, a cada dia que passa acho o Direito mais e mais entediante. Por mais que à época de prestar o vestibular a idéia de ser advogado parecesse muito empolgante, hoje em dia não consigo me imaginar passando o resto da vida meramente decorando artigos de códigos e repetindo mecanicamente conceitos doutrinários arbitrários e puramente retóricos. Exceto por Filosofia do Direito (a única disciplina jurídica que realmente desperta algum interesse em mim), desde que entrei na universidade meu grande prazer acadêmico tem sido unicamente estudar Economia por conta própria – tenho uma grande base de micro e teoria dos jogos, sendo o meu maior foco atualmente em institutional economics.
Acredito que tenho uma forte vocação acadêmica: além de teoria econômica, leio muito lógica, fenomenologia, filosofia da ciência em geral e epistemologia das ciências sociais; e sempre gostei de estudar novas línguas estrangeiras, sobretudo para ter acesso a bibliografias mais diversificadas (leio em inglês, alemão e holandês). Contudo, o ambiente universitário da minha cidade e adjacências não é nada propício para se fazer pesquisa nas áreas que me atraem (aqui só tem desconstrucionistas, adeptos da hermenêutica filosófica e sociólogos no estilo frankfurtiano, pessoas perto das quais considero exercer a advocacia um mal menor).
Levando em consideração os posts que pude ler do senhor neste blog acerca de sua carreira, sinto-me tentado a acreditar que a diplomacia seria uma boa alternativa para mim na medida em que não apenas me permitiria seguir meu lado acadêmico sem instabilidades econômicas como também me estimularia ao máximo a desenvolvê-lo e ainda aplicá-lo cotidianamente no exercício da profissão.
Tendo explicado esse meu background, pergunto ao senhor:
- O CACD é realmente tão inacessível quanto parece e todos dizem que ele é?
- É utópico acreditar que, se eu me concentrar na matéria do concurso pelos próximos 2 anos, passarei no exame tão logo eu termine a faculdade?
Embora eu acredite que seja possível passar em qualquer concurso com a quantidade certa de tempo e dedicação, não gostaria de ser um estorvo para meus pais por anos a fio para conseguir realizar esse objetivo, somente vivendo de mesadas e produzindo apenas sonhos.
É quase um dilema do prisioneiro: se eu priorizar os estudos diplomáticos e não for aprovado no concurso, dificilmente terei condições técnicas de advogar em área alguma após a graduação; se eu priorizar os estudos jurídicos, aí é que dificilmente serei aprovado mesmo. Por conta disso, acabo ficando nesse “chove, não molha” e não me motivo para investir a sério em nenhuma das duas coisas.
Por último, tenho ainda mais uma dúvida, a qual não tenho certeza se o senhor poderá me esclarecer. Em um eventual Mestrado em Diplomacia, alguma coisa do meu conhecimento em teoria dos jogos (que é basicamente matemática pura combinada com axiomas de Economia para modelar escolhas e comportamento estratégico) poderia ser aproveitada? Ou a carreira no Itamaraty só permitiria abordagens mais "clássicas"?
Muito obrigado desde já.

Paulo R. de Almeida deixou um novo comentário sobre a sua postagem "1112) Carreira Diplomatica: respondendo a um quest...":

Bruno,
O CACD é difícil, mas não inacessível, tanto que TODAS as vagas abertas tem sido preenchidas nos últimos anos, o que nem sempre era o caso nos concursos passados, com vagas sobrando (pois os exames de entrada eram mais rigorosos e a seleção pessoal de uma banca impiedosa cortava muita gente boa, por achar que não tinham vocação para a diplomacia).
Hoje ficou muito mecanico, com aquelas perguntas previsiveis que as pessoas que fizeram os cursinhos preparatorios acertam quase todas. Sobra o conhecimento perfeito de Português, literatura inclusive, o domínio do Ingles, e uma boa redação em algumas areas setoriais, como fatores decisivos.
Se voce se concentrar na MECANICA do concurso nos proximos dois anos e tiver uma boa cultura geral, como voce tem, voce passa, mas tem de ter os macetes do concurso, que geralmente um cursinho dá.
Acho que você deveria estudar para a advocacia, que é o que lhe vai dar dinheiro enquanto voce nao passar, e se preparar ao mesmo tempo para o concurso do IRBr.
Esqueça por enquanto o curso do Rio branco, esqueça a carreira e o que vai fazer nos dois, e se concentre unicamente no concurso. Depois você se preocupa com o que é secundário por enquanto.
Nem no Rio Branco, nem na carreira você vai precisar, infelizmente, de teoria dos jogos: eles estão muito aquém disso.
Repito: forme-se advogado, estude para o concurso. Você ainda é muito jovem, e pode entrar tranquilamente com 24 ou 28 anos.
Paulo Roberto de Almeida

Postado por Paulo R. de Almeida no blog Diplomatizzando... em Sexta-feira, Novembro 05, 2010 3:44:00 AM