Tomei conhecimento de que os antiglobalizadores possibilistas -- eles estão sempre dizendo que "um outro mundo é possível", um "outro Brasil", etc. -- estão propondo uma outra cidade de São Paulo, através de um self-proclaimed "Fórum Social São Paulo".
Eu, pessoalmente -- o que já é uma redundância --, acho que SP está bastante bem, como está, e proponho que os "possibilistas" antiglobalizadores se concentrem lá onde isso vai de fato fazer diferença, nesses lugares dominados por velhas ou novas oligarquias, onde a qualidade de vida é muito inferior a de SP.
Não acho que uma outra SP é necessária ou urgente, mas sem querer desviar os paulistanos antiglobalizadores de suas tarefas, eu só queria que eles me explicassem o que significa, exatamente, construir "uma nova cultura política baseada na horizontalidade das relações, na união e no respeito à diversidade das pessoas e organizações"?
Essa "horizontalidade das relações" não lhes parece um convite meio pornográfico, uma coisa a ser feita entre quatro paredes, sem todos esses voyeurs que pululam em SP?
Eis a carta de princípios deles, muito parecida com a do Fórum Social Mundial, cujos"fundamentos" -- se é que os têm -- eu já desmantelei em meu mais recente livro: Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização (ver no meu site pessoal, seção livros pessoais).
E esse "fortalecimento e a articulação da sociedade civil como ator político autônomo"? Estão querendo botar todo mundo na praça para discutir? Quantos milhões exatamente?
Sei não, está me cheirando coisa de derrotados eleitorais...
Paulo Roberto de Almeida
Aqui os princípios surrealistas...
1 - O Fórum Social São Paulo é uma iniciativa política de organizações da sociedade civil que atuam nessa região metropolitana e acreditam que “outra cidade é possível, necessária e urgente”. (…)
2 - O Fórum Social São Paulo é parte do processo do Fórum Social Mundial, lançado em Porto Alegre em 2001, reivindicando-se de sua Carta de Princípios.
Nela destacam-se, entre outros pontos:
- a construção de uma nova cultura política baseada na horizontalidade das relações, na união e no respeito à diversidade das pessoas e organizações;
- o fortalecimento e a articulação da sociedade civil como ator político autônomo;
- o estímulo a ações que visem o atendimento das necessidades humanas, na perspectiva de superação do atual paradigma econômico e social.
Necessitamos uma civilização que, contra a desigualdade, promova a justiça social; que contra a lógica da competição e do individualismo, afirme a vida cívica, a participação política e uma lógica de inclusão e solidariedade; e que, frente à devastação do planeta, defenda sua integridade para todas as gerações futuras.
3- O Fórum Social São Paulo não se vincula a partidos, governos, instituições religiosas ou organizações sociais.
Pelo menos no que concerne o item 3, posso dizer com todas as letras que é mentira...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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