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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A vergonhosa posição dos governos brasileiros em relação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia Paulo Roberto de Almeida

 

A vergonhosa posição dos governos brasileiros em relação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Nota sobre a inaceitável postura dos governos brasileiros (Bolsonaro e Lula 3) de apoio objetivo a Putin nos seus crimes de guerra e contra a humanidade no caso da Ucrânia. 

 

A Rússia de Putin comete atrocidades contra a população ucraniana todos os dias, na mais completa indiferença dos governos brasileiros desde o início da guerra de agressão.

O apoio objetivo do Brasil à Rússia não começou em 24 de fevereiro de 2022, quando dezenas de milhares de soldados russos marcharam em diversas frentes a partir da Rússia e da Belarus, com intenção de decapitar o seu governo, conquistar a capital Kiyv e submeter todo o território ucraniano à dominação do imperialismo russo. Essa postura complacente com a violação da soberania ucraniana começou em fevereiro de 2014, quando o governo petista de Dilma Rousseff se recusou a considerar a invasão e a anexação ilegais da península ucraniana da Crimeia como uma violação da Carta da ONU e uma flagrante infração ao Direito Internacional, sob a equivocada justificativa de que se tratava de “uma questão interna da Ucrânia”, como declarou a presidente.

Seja o governo Dilma, seja o governo Temer continuaram mantendo relações normais com a Rússia, eximindo-se de introduzir sanções contra o Estado agressor, como o fizeram todos os Estados que seguiram a letra e o espírito da Carta da ONU, cujos artigos mais relevantes comandam não apenas a condenação do ato ilegal, mas também a solidariedade com o Estado agredido, o que implica justamente a introdução de sanções políticas e econômicas contra o Estado agressor.

O governo de Jair Bolsonaro, que tomou posse em 2019, reincidiu no apoio objetivo e reiterado à agressão russa, e fez pior: intensificou as importações de combustíveis e fertilizantes, por razões eleitoreiras e o chefe de Estado ainda tomou a iniciativa de visitar pessoalmente o ditador russo uma semana antes do início da invasão total da Ucrânia, em fevereiro de 2022, contra as recomendações da diplomacia profissional para que essa viagem fosse feita. Bolsonaro não só viajou à Rússia, como ainda declarou seu apoio ao tirano de Moscou. Na própria invasão, a representação brasileira em Nova York seguiu as instruções da SERE em Brasília no sentido de conceder uma aprovação formal da Assembleia Geral — uma vez que o CSNU estava paralisado pelo veto russo —, condenando a ação russa, mas evitando distinguir entre agressor e agredido e recomendando que as partes envidassem esforços diplomáticos para a cessação do conflito, como se as partes fossem equivalentes. Bolsonaro continuou importando combustível e fertilizantes e seu governo não seguiu nenhuma das medidas sancionadoras adotadas pelos países que respeitam a Carta da ONU e o Direito Internacional.

Lula, desde a candidatura à presidência em 2022, já declarava seu apoio ao ditador de Moscou e recomendava, em 2023, que a Ucrânia cedesse terreno em troca da paz. Em diversas outras ocasiões o presidente e seu assessor internacional reproduziram o apoio político do Brasil, inclusive em termos práticos, ao aumentar de forma exponencial as importações brasileiras de produtos russos, de óleo e fertilizantes. Ao longo dos últimos cinco anos do conflito, a despeito de um oferecimento para mediar, junto com a China, negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, o governo Lula tem, ostensivamente, denegado sancionar a Rússia pela sua violação da Carta da ONU. Nesse intervalo de tempo, o projeto do Brics também aumentou exponencialmente, com a inclusão de novos membros, geralmente Estados autoritários. Lula visitou pessoalmente Putin, convidou-o a vir ao Brasil, ignorando completamente o mandado de prisão contra o ditador russo pelo TPI, pelo sequestro de crianças.

Em todo o período, não existe uma única nota do Itamaraty condenando os ataques russos contra alvos civis ucranianos, sequer como solidariedade pela perda de vidas e destruição de sites culturais. Desde 2014, a postura brasileira tem sido de apoio objetivo à causa russa, o que é propriamente vergonhoso.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5426: 10 agosto 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/a-vergonhosa-posicao-dos-governos.html)

 

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