O Brasil, como queriam os companheiros, se descobre dividido. Sempre existiram desigualdades regionais e iniquiucanosdades sociais, o Brasil rico e o Brasil pobre, não com essa nitidez, mas num continuum, como ocorre em qualquer sociedade.
O que os companheiros fizeram foi acenturar as diferenças: nos e eles, as elites e o povo, os pobres e os ricos, os negros e os brancos, os progressistas e os conservadores, nós e os tucanos, enfim, sempre dividindo o país, e insistindo nessas divisões.
Pois eles conseguiram.
Agora vai ser preciso unir o país outra vez.
Paulo Roberto de Almeida
Um olhar atento para o mapa eleitoral
Luiz Carlos Azedo
É grande a ressaca no alto comando petista, que pela segunda vez precisa mudar de tática na campanha eleitoral: a primeira, após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, quando Marina passou Aécio; a segunda, agora, com o desfecho do primeiro turno, no qual o tucano se recuperou e ameaça abalar o favoritismo de Dilma Rousseff, tomando-lhe o lugar de liderança no segundo turno. À beira de um ataque de nervos, a petista aguarda as primeiras pesquisas dessa semana para saber se Aécio parou de crescer ou não.
Ontem, estrategistas das duas campanhas se reuniram com os candidatos para fazer um balanço do resultado das urnas e decidir o que fazer. Uma análise prospectiva leva à conclusão óbvia: o resultado das urnas foi melhor para Aécio do que se esperava. Dilma trabalhou na reta final para ganhar a eleição no primeiro turno, mas não atingiu o objetivo porque aconteceu o que parecia impossível: perdeu votos para o tucano. Para quem estava perdendo em Minas Gerais e enfrentou dificuldades para consolidar sua candidatura em São Paulo, Aécio Neves saiu no lucro. E que lucro!
Em São Paulo, estado no qual o tucano Geraldo Alckmin foi eleito com folga no primeiro turno (57,31% do total de votos) e José Serra teve uma votação consagradora para o Senado (58,49%), Aécio Neves teve 43, 7% dos votos; Dilma, 26,1%; e Marina 23,9%. Dificilmente os votos de Marina migrarão para a petista, sobretudo por causa dos duros ataques que sofreu durante a campanha. A captura desses votos por Aécio pode decidir a eleição a seu favor, caso consiga também reverter a situação eleitoral em Minas Gerais e abrir a porteira do Nordeste, com o apoio do clã Arraes em Pernambuco. Essa é a grande encruzilhada da eleição.
Dilma venceu em 15 estados, três a menos do que na eleição do ano passado, com destaque para o Piauí, Maranhão e Ceará, onde obteve mais de 70% dos votos. Aécio venceu em nove estados, sendo São Paulo, com 44% dos votos, o determinante para sua ida ao segundo turno. A maior vantagem de Dilma foi na Bahia, com 3 milhões de votos a mais do que Aécio. Em termos político, sua vitória mais expressiva foi a eleição de Fernando Pimentel (PT) em Minas Gerais, terra de Aécio Neves, mas eleitoralmente essa vantagem é muito relativa, por causa da votação apertada em relação ao tucano (43% a 39%), que pode reverter o resultado porque foi para o segundo turno. A mesma situação se repete do Rio Grande do Sul, onde Dilma venceu também por estreita margem: 43% a 41%, com Marina recebendo 12% dos votos.
Dois Brasis
Mais uma vez o resultado das urnas mostra um país dividido: o governo tem sua principal base de sustentação nos estados do Norte e Nordeste, com exceção de Roraima e Rondônia, onde Aécio venceu, Acre e Pernambuco, territórios de Marina. Aécio foi vitorioso no Centro-Oeste, com exceção de Tocantins; no Sudeste, graça a São Paulo e Espírito Santo; e no Sul, com exceção do Rio Grande do Sul. Grosso modo, do ponto de vista das alianças, Dilma sustenta a reeleição na aliança com as oligarquias dos estados de menor dinamismo econômico, enquanto Aécio alavanca sua candidatura na classe média dos estados economicamente mais desenvolvidos.
A política de transferência de renda para as populações mais pobres, que é feita pelas prefeituras municipais, cimenta essa aliança com forte base popular. Do ponto de vista do discurso eleitoral, logo após a apuração dos votos, a presidente Dilma Rousseff ensaiou o discurso do segundo turno, com duros ataques ao governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e a reedição da estratégia do medo (do desemprego, do arrocho salarial, da perda dos direitos trabalhistas e a reversão dos programas sociais do governo). Essa é a velha cartilha petista contra o PSDB, a polarização ideológica direita versus esquerda e dos pobres contra os ricos, que costuma ser a marca registrada da retórica eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Um olhar atento para o mapa eleitoral do país mostra, porém, que o eixo da disputa eleitoral pode ser o moderno contra o atrasado, a social-democracia contra o populismo, a sociedade contra o Estado, a democracia contra o autoritarismo, a Federação contra a centralização, que tende a ser a lógica do discurso de Aécio contra Dilma. Aquele que estiver em mais sintonia com os sentimentos do eleitor levará a melhor.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Geopolitica: A Nova Desordem Mundial - Victor Pou
Um importante artigo, realista e ao mesmo tempo acadêmico. Ops, será que os acadêmicos não conseguem ser realistas? Talvez, para sim, e para o não...
Paulo Roberto de Almeida
A nova desordem mundial
Víctor Pou
Valor Econômico, 6/0\10/2014
Víctor Pou é professor do IESE Business School
Recentemente, completou-se o centenário do começo da Primeira Guerra Mundial, uma tragédia para o mundo e especialmente para a Europa. Embora hoje se argumente sobre a improbabilidade da repetição de uma hecatombe similar, comprova-se com preocupação uma rápida e perigosa deterioração da situação geopolítica mundial. O centro da deterioração não está na Europa, como em 1914, mas em sua vizinhança. Analistas prestigiados veem ecos inquietantes do verão europeu de 1914, diante da magnitude dos conflitos atuais na Ucrânia, Mediterrâneo e Oriente Médio, as áreas geográficas limítrofes com a Europa no leste e no sul.
O grande paradoxo é que a economia e a política do mundo avançam por caminhos opostos: enquanto a primeira é global há décadas, a segunda retrocede para o tribalismo. O mundo vem se convertendo em um tabuleiro de grande complexidade e o jogo das relações internacionais remete ao equilíbrio de poderes do século XIX e princípios do XX que resultou na Primeira Guerra Mundial.
De acordo com o presidente do centro de estudos Brookings Institution, de Washington, Strobe Talbott, existe perigo real de conflito entre grandes países. Na sua avaliação, os paralelos entre 1914 e 2014 são preocupantes. Talbott considera que hoje há três fenômentos perigosos: descontentamento mundial com os diferentes sistemas de governança; crescimento de novos nacionalismos radicais e acúmulo de conflitos concretos que ameaçam a estabilidade mundial.
O veterano diplomata Henry Kissinger acaba de publicar o livro "World Order" (ordem mundial, em inglês), no qual explica a decomposição progressiva da velha ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial e avisa sobre as enormes dificuldades para tentar construir uma nova, que deveria estar baseada tanto em força quanto em legitimidade. O estrangulamento da velha ordem poderia conduzir a um novo período de anarquia e confrontação.
É um estrangulamento que acredito já estar em curso, pela ação de quatro forças. A primeira consiste no declínio progressivo dos Estados Unidos (agravado pelos sucessivos erros do presidente Barack Obama na política exterior) e na persistente incapacidade da Europa em assumir um verdadeiro papel global. A segunda é a determinação do islamismo fanático e radical em impor seu totalitarismo em grande escala. A terceira é a estratégia da Rússia de Putin para recuperar espaços territoriais perdidos após o desmoronamento da antiga União Soviética. A quarta é o avanço da China em direção à liderança do mundo, primeiro de caráter econômico e, depois, global. A essas quatro forças, poderíamos adicionar os esforços do Irã para transformar-se em potência militar atômica e líder regional.
Na avaliação de outros analistas de destaque, como José Ignacio Torreblanca, representante em Madri do centro de estudos European Council on Foreign Relations, as dificuldades que a velha ordem vêm enfrentando têm como foco principal o fator estatal. Por um lado, temos Estados que se desordenam e, por outro, temos Estados que negam a ordem internacional e suas normas, ou seja, que desordenam os demais.
O primeiro problema, a desestabilização, é o padrão dominante nos conflitos no Oriente Médio. Por trás do denominado Estado Islâmico da Síria e do Iraque esconde-se uma verdade de consequências muito incômodas: na zona em que pretende edificar um califato islâmico, o Estado deixou de existir como forma de organização política e administrativa, dando lugar a uma violência sectária e religiosa de raízes tão profundas quanto difíceis de lidar. Além da Síria e do Iraque, outros Estados ficaram reduzidos a nada, como a Líbia, ou ainda querem nascer, como a Palestina. O segundo tipo de instabilidade provém dos Estados que desordenam ou pretendem desordenar, como Rússia, Irã e China.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente fixou as regras da nova ordem mundial e, agora, sequer parece disposto a adaptar essas normas, além de não ter capacidade para impô-las, nem saber como persuadir os demais a aceitá-las, convertendo-se em espectador passivo de seu próprio declínio.
A capacidade de impacto mundial da União Europeia continua centrada no campo econômico, mas pesa muito menos no político, no militar e no demográfico. Uma Europa ensimesmada, que não consiga assumir um verdadeiro papel global no curto prazo, está condenada à irrelevância no século XXI.
Na UE abriu-se um novo ciclo, depois das eleições de maio para o Parlamento Europeu, presidido pelo alemão Martin Schulz, e da designação de uma nova Comissão Europeia, presidida pelo luxemburguês Jean-Claude Juncker. Também foram nomeados o novo presidente do Conselho Europeu, o polonês Donald Tusk, e a alta representante de Política Exterior e Segurança Comum, a italiana Federica Mogherini.
Os principais desafios que se apresentam para os próximos cinco anos certamente são importantes. No plano interno, consistem em recuperar a confiança da cidadania, colocar em ordem a nova arquitetura do euro e evitar tendências centrífugas, como a possível saída do Reino Unido. Em termos internacionais, enfrentar a agressividade da Rússia, desenvolver uma nova política para o Mediterrâneo e Oriente Médio e afirmar-se como parte imprescindível na administração de assuntos globais.
Os próximos cinco anos serão decisivos na vida da UE. Poderão ser testemunhas de uma reação necessária aos desafios mencionados ou testemunhas da continuidade da marcha rumo a sua própria irrelevância em um mundo cada vez mais desordenado. (Tradução de Sabino Ahumada)
Paulo Roberto de Almeida
A nova desordem mundial
Víctor Pou
Valor Econômico, 6/0\10/2014
Víctor Pou é professor do IESE Business School
Recentemente, completou-se o centenário do começo da Primeira Guerra Mundial, uma tragédia para o mundo e especialmente para a Europa. Embora hoje se argumente sobre a improbabilidade da repetição de uma hecatombe similar, comprova-se com preocupação uma rápida e perigosa deterioração da situação geopolítica mundial. O centro da deterioração não está na Europa, como em 1914, mas em sua vizinhança. Analistas prestigiados veem ecos inquietantes do verão europeu de 1914, diante da magnitude dos conflitos atuais na Ucrânia, Mediterrâneo e Oriente Médio, as áreas geográficas limítrofes com a Europa no leste e no sul.
O grande paradoxo é que a economia e a política do mundo avançam por caminhos opostos: enquanto a primeira é global há décadas, a segunda retrocede para o tribalismo. O mundo vem se convertendo em um tabuleiro de grande complexidade e o jogo das relações internacionais remete ao equilíbrio de poderes do século XIX e princípios do XX que resultou na Primeira Guerra Mundial.
De acordo com o presidente do centro de estudos Brookings Institution, de Washington, Strobe Talbott, existe perigo real de conflito entre grandes países. Na sua avaliação, os paralelos entre 1914 e 2014 são preocupantes. Talbott considera que hoje há três fenômentos perigosos: descontentamento mundial com os diferentes sistemas de governança; crescimento de novos nacionalismos radicais e acúmulo de conflitos concretos que ameaçam a estabilidade mundial.
O veterano diplomata Henry Kissinger acaba de publicar o livro "World Order" (ordem mundial, em inglês), no qual explica a decomposição progressiva da velha ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial e avisa sobre as enormes dificuldades para tentar construir uma nova, que deveria estar baseada tanto em força quanto em legitimidade. O estrangulamento da velha ordem poderia conduzir a um novo período de anarquia e confrontação.
É um estrangulamento que acredito já estar em curso, pela ação de quatro forças. A primeira consiste no declínio progressivo dos Estados Unidos (agravado pelos sucessivos erros do presidente Barack Obama na política exterior) e na persistente incapacidade da Europa em assumir um verdadeiro papel global. A segunda é a determinação do islamismo fanático e radical em impor seu totalitarismo em grande escala. A terceira é a estratégia da Rússia de Putin para recuperar espaços territoriais perdidos após o desmoronamento da antiga União Soviética. A quarta é o avanço da China em direção à liderança do mundo, primeiro de caráter econômico e, depois, global. A essas quatro forças, poderíamos adicionar os esforços do Irã para transformar-se em potência militar atômica e líder regional.
Na avaliação de outros analistas de destaque, como José Ignacio Torreblanca, representante em Madri do centro de estudos European Council on Foreign Relations, as dificuldades que a velha ordem vêm enfrentando têm como foco principal o fator estatal. Por um lado, temos Estados que se desordenam e, por outro, temos Estados que negam a ordem internacional e suas normas, ou seja, que desordenam os demais.
O primeiro problema, a desestabilização, é o padrão dominante nos conflitos no Oriente Médio. Por trás do denominado Estado Islâmico da Síria e do Iraque esconde-se uma verdade de consequências muito incômodas: na zona em que pretende edificar um califato islâmico, o Estado deixou de existir como forma de organização política e administrativa, dando lugar a uma violência sectária e religiosa de raízes tão profundas quanto difíceis de lidar. Além da Síria e do Iraque, outros Estados ficaram reduzidos a nada, como a Líbia, ou ainda querem nascer, como a Palestina. O segundo tipo de instabilidade provém dos Estados que desordenam ou pretendem desordenar, como Rússia, Irã e China.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente fixou as regras da nova ordem mundial e, agora, sequer parece disposto a adaptar essas normas, além de não ter capacidade para impô-las, nem saber como persuadir os demais a aceitá-las, convertendo-se em espectador passivo de seu próprio declínio.
A capacidade de impacto mundial da União Europeia continua centrada no campo econômico, mas pesa muito menos no político, no militar e no demográfico. Uma Europa ensimesmada, que não consiga assumir um verdadeiro papel global no curto prazo, está condenada à irrelevância no século XXI.
Na UE abriu-se um novo ciclo, depois das eleições de maio para o Parlamento Europeu, presidido pelo alemão Martin Schulz, e da designação de uma nova Comissão Europeia, presidida pelo luxemburguês Jean-Claude Juncker. Também foram nomeados o novo presidente do Conselho Europeu, o polonês Donald Tusk, e a alta representante de Política Exterior e Segurança Comum, a italiana Federica Mogherini.
Os principais desafios que se apresentam para os próximos cinco anos certamente são importantes. No plano interno, consistem em recuperar a confiança da cidadania, colocar em ordem a nova arquitetura do euro e evitar tendências centrífugas, como a possível saída do Reino Unido. Em termos internacionais, enfrentar a agressividade da Rússia, desenvolver uma nova política para o Mediterrâneo e Oriente Médio e afirmar-se como parte imprescindível na administração de assuntos globais.
Os próximos cinco anos serão decisivos na vida da UE. Poderão ser testemunhas de uma reação necessária aos desafios mencionados ou testemunhas da continuidade da marcha rumo a sua própria irrelevância em um mundo cada vez mais desordenado. (Tradução de Sabino Ahumada)
Projetos de pesquisa em Defesa Nacional: oportunidades para grupos de pesquisa na area de defesa
Chamada CNPq/Pandiá Calógeras
Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional
N º 29/2014
O Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa e o CNPq lançaram conjuntamente, no dia 06 de outubro de 2014, o Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional. A chamada pública tem por objetivo fomentar a pesquisa sobre Segurança Internacional e Defesa Nacional por meio da seleção de propostas para apoio financeiro a projetos de pesquisa sobre temas relevantes para a inserção internacional do Brasil e a gestão da defesa nacional, no campo das ciências humanas e sociais aplicadas, em duas linhas de pesquisa: Entorno Estratégico e Economia da Defesa.
As duas linhas de pesquisa incluem os seguintes temas prioritários:
Entorno Estratégico
• A defesa nas fronteiras terrestres da América do Sul: o processo de integração regional sul-americana e sua relação com iniciativas de cooperação na área de defesa e segurança.
• Novas e velhas ameaças: a identificação de novas ameaças e os meios de combatê-las, em articulação com o enfrentamento das ameaças tradicionais, no marco do arcabouço legal vigente.
• Segurança marítima no Atlântico Sul: a promoção da consciência situacional nos mares do Atlântico Sul; o combate à pirataria e a outros ilícitos no mar e a cooperação com países africanos sul-atlânticos para defesa e segurança marítima no marco da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
• Inserção internacional do Entorno Estratégico brasileiro: diálogos nos fóruns multilaterais; interesses de potências extrarregionais no Entorno Estratégico brasileiro; influência de atores não governamentais; ameaças cibernéticas e possíveis estratégias de cooperação para seu enfrentamento; áreas de fricção entre os países do Entorno Estratégico;
• Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED): a adequação dos projetos estratégicos definidos pelo PAED aos possíveis cenários de sua aplicação.
Economia da Defesa
• Recursos humanos e defesa nacional: a formação de recursos humanos para gerir a defesa nacional, inclusive no campo da cooperação internacional.
• Inovação e Defesa nacional: o Sistema de Inovação nacional brasileiro e as estratégias para fomentar a inovação e a revitalização da Base Industrial de Defesa brasileira - linhas de financiamento, garantias e peculiaridades do mercado de defesa.
• PAED: adequação dos programas de equipamento das Forças Armadas às capacidades previstas pela END e demais documentos do setor; a formulação de projetos de Força e sua articulação com o PAED no longo prazo; efetividade dos instrumentos governamentais de fomento à Base Industrial de Defesa; credenciamento das Empresas Estratégicas de Defesa (EED), homologação dos Produtos Estratégicos de Defesa e o mapeamento das cadeias produtivas do setor.
• Orçamento de defesa: estabilidade e projeções do fluxo orçamentário do MD e sua adequação às necessidades das Forças Armadas; a viabilidade política e econômica de se ampliar o percentual do PIB destinado ao orçamento de defesa; estratégias de reequilíbrio das contas orçamentárias visando diminuir ajustar dispêndios com pessoal, investimentos e custeio a projetos de força no longo prazo; critérios para vinculação do orçamento a segmentos estratégicos no País, inclusive via fundos setoriais, e sua aplicação ao campo da defesa; possibilidade de incremento orçamentário das Forças Armadas por meio de “royalties” oriundos de atividades relacionadas ou protegidas pelas Forças; adequação das infraestruturas críticas às necessidades de Defesa.
• Cooperação internacional: possibilidades de integração das bases industriais de defesa no âmbito da UNASUL, no marco da integração produtiva de cadeias globais de valor e de políticas de offset; diversificação de fontes de recursos para as Forças Armadas.
O programa disponibilizará o total de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) para a elaboração de pesquisas sobre Segurança Internacional e Defesa Nacional, sendo que cada projeto poderá contar com, no máximo, R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para o desenvolvimento das pesquisas durante 24 meses. O valor pode incluir a concessão de bolsas, a realização de viagens e eventos e, ainda, a aquisição de equipamentos, material permanente e material bibliográfico. Caberá ao proponente definir em seu projeto sobre a melhor forma de utilizar o recurso.
O prazo para a apresentação de propostas é 05/11/2014.
Mais informações e a chamada completa podem ser obtidos pelo link: http://www.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&filtro=abertas&detalha=chamadaDivulgada&idDivulgacao=5363
Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional
N º 29/2014
O Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa e o CNPq lançaram conjuntamente, no dia 06 de outubro de 2014, o Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional. A chamada pública tem por objetivo fomentar a pesquisa sobre Segurança Internacional e Defesa Nacional por meio da seleção de propostas para apoio financeiro a projetos de pesquisa sobre temas relevantes para a inserção internacional do Brasil e a gestão da defesa nacional, no campo das ciências humanas e sociais aplicadas, em duas linhas de pesquisa: Entorno Estratégico e Economia da Defesa.
As duas linhas de pesquisa incluem os seguintes temas prioritários:
Entorno Estratégico
• A defesa nas fronteiras terrestres da América do Sul: o processo de integração regional sul-americana e sua relação com iniciativas de cooperação na área de defesa e segurança.
• Novas e velhas ameaças: a identificação de novas ameaças e os meios de combatê-las, em articulação com o enfrentamento das ameaças tradicionais, no marco do arcabouço legal vigente.
• Segurança marítima no Atlântico Sul: a promoção da consciência situacional nos mares do Atlântico Sul; o combate à pirataria e a outros ilícitos no mar e a cooperação com países africanos sul-atlânticos para defesa e segurança marítima no marco da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
• Inserção internacional do Entorno Estratégico brasileiro: diálogos nos fóruns multilaterais; interesses de potências extrarregionais no Entorno Estratégico brasileiro; influência de atores não governamentais; ameaças cibernéticas e possíveis estratégias de cooperação para seu enfrentamento; áreas de fricção entre os países do Entorno Estratégico;
• Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED): a adequação dos projetos estratégicos definidos pelo PAED aos possíveis cenários de sua aplicação.
Economia da Defesa
• Recursos humanos e defesa nacional: a formação de recursos humanos para gerir a defesa nacional, inclusive no campo da cooperação internacional.
• Inovação e Defesa nacional: o Sistema de Inovação nacional brasileiro e as estratégias para fomentar a inovação e a revitalização da Base Industrial de Defesa brasileira - linhas de financiamento, garantias e peculiaridades do mercado de defesa.
• PAED: adequação dos programas de equipamento das Forças Armadas às capacidades previstas pela END e demais documentos do setor; a formulação de projetos de Força e sua articulação com o PAED no longo prazo; efetividade dos instrumentos governamentais de fomento à Base Industrial de Defesa; credenciamento das Empresas Estratégicas de Defesa (EED), homologação dos Produtos Estratégicos de Defesa e o mapeamento das cadeias produtivas do setor.
• Orçamento de defesa: estabilidade e projeções do fluxo orçamentário do MD e sua adequação às necessidades das Forças Armadas; a viabilidade política e econômica de se ampliar o percentual do PIB destinado ao orçamento de defesa; estratégias de reequilíbrio das contas orçamentárias visando diminuir ajustar dispêndios com pessoal, investimentos e custeio a projetos de força no longo prazo; critérios para vinculação do orçamento a segmentos estratégicos no País, inclusive via fundos setoriais, e sua aplicação ao campo da defesa; possibilidade de incremento orçamentário das Forças Armadas por meio de “royalties” oriundos de atividades relacionadas ou protegidas pelas Forças; adequação das infraestruturas críticas às necessidades de Defesa.
• Cooperação internacional: possibilidades de integração das bases industriais de defesa no âmbito da UNASUL, no marco da integração produtiva de cadeias globais de valor e de políticas de offset; diversificação de fontes de recursos para as Forças Armadas.
O programa disponibilizará o total de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) para a elaboração de pesquisas sobre Segurança Internacional e Defesa Nacional, sendo que cada projeto poderá contar com, no máximo, R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para o desenvolvimento das pesquisas durante 24 meses. O valor pode incluir a concessão de bolsas, a realização de viagens e eventos e, ainda, a aquisição de equipamentos, material permanente e material bibliográfico. Caberá ao proponente definir em seu projeto sobre a melhor forma de utilizar o recurso.
O prazo para a apresentação de propostas é 05/11/2014.
Mais informações e a chamada completa podem ser obtidos pelo link: http://www.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&filtro=abertas&detalha=chamadaDivulgada&idDivulgacao=5363
Um exercício de "despikettyzacao" do mundo: minha contribuicao - Paulo Roberto de Almeida
Recebo, do grupo de estudos liberais com quem me correspondo no cerrado central, a seguinte mensagem:
On Oct 7, 2014, at 16:18, Pedro Magalhães Batista <notification+zj4ot_90fj46@facebookmail.com> wrote:
Pedro Magalhães Batista posted in Grupo de Estudos Lobos da Capital
4:18pm Oct 7
Lobos, nesta sexta-feira, o professor Thomas Piketty estará na minha universidade para falar um pouco sobre o seu livro "O Capital no Século XXI".
Gostaria de saber se há algo que vocês têm interesse de perguntar para ele? Estou separando alguns questionamento para levar ao seminário e acho que posso incluir mais algumas perguntas.
=============
Em resposta, mandei as seguintes perguntas e questões ao homem que pretende tornar o mundo mais igual, e mais pobre:
A primeira grande pergunta é este: por que ele agrupou todas as demais formas de ativos, tangíveis e intangíveis, que não são remuneração do trabalho, sob a bandeira do "capital", o que é uma categoria muito ampla, vaga e genérica para acolher as diferentes formas de riqueza que foram sendo criadas, acumuladas, aumentadas ao longo do tempo?
Pessoalmente, considero esse tipo de prática inapropriada e muito pouco consistente, uma vez que não existe uma única categoria, o capital, capaz de abarcar, integrar, corporificar, todas as formas de riqueza possíveis. Acho isso metodologicamente questionável e somente aceitável para aqueles, marxistas, marxianos e marcianos, que consideram ser possível transformar esse monstro metafísico que se chama "capital", esse superlativo conceitual - que cai muito bem entre os acadêmicos, mas que não tem maior significado econômico, pelo menos do ponto de vista microeconômico - em uma única entidade, como se fosse a Santíssima Trindade.
O segundo grande problema que eu vejo com a anályse "pikettyana" é que ele considera esse monstro metafísico do capital algo como um ente planando sobre a superfície das sociedades, como se ele fosse imanente a certas classes abastadas, independentemente de mudanças geracionais, partição, repartição, adjunção de riquezas de fontes diversas e de diversas naturezas, ou seja, ele considera que o capital gruda como cola nos estratos mais altos e que ele sempre estará ali, do contrário não daria para falar em concentração, ou seja, aumento do Gini.
O terceiro grande problema, mas aqui não tem nada a ver com a análise econômica, e sim totalmente com um projeto político, é que ele acha que é preciso um imposto para taxar as grandes fortunas, com vistas à redistribuição do "excedente" -- o que só poderia ser feito pelo Estado obviamente -- para diminuir o Gini, e portanto tornar a sociedade mais igualitária. Ele acha que a sociedade ficaria melhor com isso, o que eu acho uma grande bobagem socialista, uma mesquinharia à la Robin Hood, que não resolve nenhum problema de produtividade social, e tampouco tornará melhor a situação dos mais pobres (que são infinitamente em maior número do que o 1% de megabilionários). A riqueza se esvairia rapidamente, sem criar novas riquezas para a sociedade.
Essa vontade de querer reduzir a riqueza dos superricos, em lugar de reduzir modestamente a pobreza dos superpobres é um projeto que só pode diminuir a dinâmica de crescimento e criar um gigantesco movimento de evasão fiscal que tornará ainda mais problemática a cooperação internacional nesse terrenos.
Esses engenheiros sociais -- sempre com a riqueza dos outros -- acabam produzindo mais problemas novos do que resolvendo os problemas velhos.
Para mim não existe NENHUM problema em que o mundo tenha meia dúzia de super-mega-hiper-trilionários, isso é muito bom, pois incita centenas de outros a também tentarem chegar lá. O problema é o grande número de pobres.
Deveria um cérebro como o dele estar empenhado em fazer os pobres criar riquezas, não em redistribuir a riqueza dos ricos.
Estas são as mensagens que eu teria para ele.
-----------------------------------
Paulo Roberto de Almeida
On Oct 7, 2014, at 16:18, Pedro Magalhães Batista <notification+zj4ot_90fj46@facebookmail.com> wrote:
Pedro Magalhães Batista posted in Grupo de Estudos Lobos da Capital
4:18pm Oct 7
Lobos, nesta sexta-feira, o professor Thomas Piketty estará na minha universidade para falar um pouco sobre o seu livro "O Capital no Século XXI".
Gostaria de saber se há algo que vocês têm interesse de perguntar para ele? Estou separando alguns questionamento para levar ao seminário e acho que posso incluir mais algumas perguntas.
=============
Em resposta, mandei as seguintes perguntas e questões ao homem que pretende tornar o mundo mais igual, e mais pobre:
A primeira grande pergunta é este: por que ele agrupou todas as demais formas de ativos, tangíveis e intangíveis, que não são remuneração do trabalho, sob a bandeira do "capital", o que é uma categoria muito ampla, vaga e genérica para acolher as diferentes formas de riqueza que foram sendo criadas, acumuladas, aumentadas ao longo do tempo?
Pessoalmente, considero esse tipo de prática inapropriada e muito pouco consistente, uma vez que não existe uma única categoria, o capital, capaz de abarcar, integrar, corporificar, todas as formas de riqueza possíveis. Acho isso metodologicamente questionável e somente aceitável para aqueles, marxistas, marxianos e marcianos, que consideram ser possível transformar esse monstro metafísico que se chama "capital", esse superlativo conceitual - que cai muito bem entre os acadêmicos, mas que não tem maior significado econômico, pelo menos do ponto de vista microeconômico - em uma única entidade, como se fosse a Santíssima Trindade.
O segundo grande problema que eu vejo com a anályse "pikettyana" é que ele considera esse monstro metafísico do capital algo como um ente planando sobre a superfície das sociedades, como se ele fosse imanente a certas classes abastadas, independentemente de mudanças geracionais, partição, repartição, adjunção de riquezas de fontes diversas e de diversas naturezas, ou seja, ele considera que o capital gruda como cola nos estratos mais altos e que ele sempre estará ali, do contrário não daria para falar em concentração, ou seja, aumento do Gini.
O terceiro grande problema, mas aqui não tem nada a ver com a análise econômica, e sim totalmente com um projeto político, é que ele acha que é preciso um imposto para taxar as grandes fortunas, com vistas à redistribuição do "excedente" -- o que só poderia ser feito pelo Estado obviamente -- para diminuir o Gini, e portanto tornar a sociedade mais igualitária. Ele acha que a sociedade ficaria melhor com isso, o que eu acho uma grande bobagem socialista, uma mesquinharia à la Robin Hood, que não resolve nenhum problema de produtividade social, e tampouco tornará melhor a situação dos mais pobres (que são infinitamente em maior número do que o 1% de megabilionários). A riqueza se esvairia rapidamente, sem criar novas riquezas para a sociedade.
Essa vontade de querer reduzir a riqueza dos superricos, em lugar de reduzir modestamente a pobreza dos superpobres é um projeto que só pode diminuir a dinâmica de crescimento e criar um gigantesco movimento de evasão fiscal que tornará ainda mais problemática a cooperação internacional nesse terrenos.
Esses engenheiros sociais -- sempre com a riqueza dos outros -- acabam produzindo mais problemas novos do que resolvendo os problemas velhos.
Para mim não existe NENHUM problema em que o mundo tenha meia dúzia de super-mega-hiper-trilionários, isso é muito bom, pois incita centenas de outros a também tentarem chegar lá. O problema é o grande número de pobres.
Deveria um cérebro como o dele estar empenhado em fazer os pobres criar riquezas, não em redistribuir a riqueza dos ricos.
Estas são as mensagens que eu teria para ele.
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Paulo Roberto de Almeida
Eleicoes 2014: o quadro partidario no Congresso - Reinaldo Azevedo
O Congresso que sai das urnas. Ou: Dilma ou Aécio fariam maiorias folgadas na Câmara e no Senado; a questão é saber para quê
Reinaldo Azevedo, 7/10/2014
Os partidos que disputaram a eleição coligados a Dilma Rousseff têm hoje 339 deputados e passarão a contar com apenas 304. Os que apoiaram o tucano Aécio Neves contam com 119 e passarão a ter 128. Os que apoiaram Marina Silva saltaram de 30 para 49. Nesse caso, o PSB passa de 24 para 34; o PPS, de 6 para 10, e o PHS, de nenhum para cinco. Vejam quadro geral.

Isso é sinal de que Aécio Neves, se eleito, enfrentará dificuldades severas na Câmara? É claro que não! À base de 128 deputados, que pode ser considerada certa, há uma chance grande de se agregarem os 53 eleitos por partidos que apoiaram Marina, o que elevaria esse número, então, para 181. Não me parece que, caso o tucano se eleja, o PMDB ficaria na oposição. Ao contrário: Aécio já estabeleceu entendimento com a legenda em vários Estados. Certamente levaria para a base de apoio uma boa parcela dos 66 parlamentares da legenda — estamos falando de um potencial de 247 parlamentares.O PP, com 36 deputados, chegou a flertar com a candidatura do PSDB, mas acabou vítima de um golpe da sua direção. Poderia perfeitamente migrar para a base de apoio. O potencial, então, já chega a 283. Certamente seria possível dialogar com os 8 do PV, os 12 do PSC, os 2 do PSDC e 1 do PRTB. Eis aí uma possibilidade clara de 306 deputados. E me digam uma boa razão para PSD, PR e PRB integrarem a oposição sistemática. Já estamos falando de um universo de 409 deputados. Não será impossível dialogar com o PDT — e se salta para 428. A oposição sistemática a um eventual presidente tucano viria mesmo dos 70 deputados do PT, dos 5 do PSOL e, talvez, mas não com tanta certeza, dos 10 do PCdoB.
Mas que se note: não acho que Aécio, se eleito, deva repetir o erro da presidente Dilma de criar a maior base congressual da história do Ocidente. Isso não é necessário. É possível fazer negociações pontuais com os partidos a partir de propostas programáticas, sim. Afinal vocês sabem que a arte de vender e de se vender sempre depende da disposição de quem quer comprar. O que estou demonstrando aqui é que é bobagem a história de que, se eleito, Aécio poderia ter problemas no Congresso. Não teria.
Senado
Os partidos que apoiaram Dilma têm hoje 52 senadores e passarão a ter 53; os que apoiaram Aécio tem 22 e ficarão com 19. O PSB, no entanto, que esteve com Marina, saltou de 4 para 7. O PMDB e o PT perderam um senador cada um, passando, respetivamente, para 18 e 12 parlamentares. O PSDB caiu de 12 para 10, e o PTB, de 6 para 3. O PCdoB também murchou: tinha 2 e contará com apenas 1. Além do PSB, ganharam parlamentares o PDT, de 6 para 8; o PSD, de 1 para 3, e o DEM, de 4 para 5. Vejam quadro.

Dilma, se eleita, continua com uma base sólida. Mas Aécio também não teria grandes dificuldades para negociar. PT, PC do B e PSOL (14 parlamentares) certamente ficariam na oposição. Sobrariam 67 senadores para dialogar.
O que estou dizendo, meus caros, é que tanto Dilma como Aécio conseguiriam fazer maiorias folgadas no Congresso, inclusive para encaminhar reformar constitucionais. Boas reformas se o governo for bom; más reformas se o governo for mau.
Sobre certo partido: uma velha frase, mas ainda nova...
José Marti, patriota cubano, que viria a morrer lutando pela independência de seu país até então colônia da Espanha, escrevendo a um amigo, em 1895:
"Vivi en el monstruo y le conozco las entrañas "
Pois é, acho que também se aplica atualmente, em outras circunstâncias e a outro tipo de animal...
Paulo Roberto de Almeida
"Vivi en el monstruo y le conozco las entrañas "
Pois é, acho que também se aplica atualmente, em outras circunstâncias e a outro tipo de animal...
Paulo Roberto de Almeida
Sobre a diplomacia: velhas e novas frases
Apenas recolhendo frases ao vento...
(na verdade me obrigou a consultar diversos livros, o que sempre faço com prazer...)
Paulo Roberto de Almeida
Diplomatie.
Gustave Flaubert, Le Dictionnaire des Idées Reçues (1850)
Diplomacy. The art of lying on behalf of his country.
Ambrose Bierce, The devil's dictionary (1911)
in The devil’s dictionary, with an introduction by Roy Morris, Jr.
(New York: Oxford University Press, 1999)
Diplomates. Un bon diplomate à l’ancienne: cynique, tortueux, lâche, hypocrite mais exquis.
Alain Schifres, Le nouveau dictionnaire des idées reçues, des propos convenus et des tics de langage ou Le dîner sans peine
(Paris: Jean-Claude Lattès, 1998), p. 87
(na verdade me obrigou a consultar diversos livros, o que sempre faço com prazer...)
Paulo Roberto de Almeida
Vieux:
Diplomatie.
- Belle carrière (mais hérissée de difficultés, pleine de mystères). – Ne convient qu’aux gens nobles.
– Métier d’une vague signification, mais au-dessus du commun.
– Un diplomate est toujours fin et pénétrant.
– Métier d’une vague signification, mais au-dessus du commun.
– Un diplomate est toujours fin et pénétrant.
Gustave Flaubert, Le Dictionnaire des Idées Reçues (1850)
in Oeuvres Complètes, tome deux (Paris: Editions du Seuil, 1964),
p. 307.
Nouveau:
Diplomacy. The art of lying on behalf of his country.
Ambrose Bierce, The devil's dictionary (1911)
in The devil’s dictionary, with an introduction by Roy Morris, Jr.
(New York: Oxford University Press, 1999)
Post-moderne:
Diplomates. Un bon diplomate à l’ancienne: cynique, tortueux, lâche, hypocrite mais exquis.
Alain Schifres, Le nouveau dictionnaire des idées reçues, des propos convenus et des tics de langage ou Le dîner sans peine
(Paris: Jean-Claude Lattès, 1998), p. 87
Banco Central independente e empulhacao companheira - Gustavo Loyola
Mais um crime econômico do lulo-petismo, desta feita de caráter ideológico, nem por isso menos criminoso. Tentaram vender a mistificação que isso tiraria a comuda do prato dos brasileiros.
Canalhas morais!
Paulo Roberto de Almeida
Um debate necessário
- Autor: Comunicação Millenium
- em Artigos, Economia
- 07/10/2014
- 0 comentários.
Por Gustavo Loyola
A campanha eleitoral colocou na berlinda a questão da independência do Banco Central. Lamentavelmente, graças à empulhação perpetrada por um marketing político da pior espécie, o debate sobre esse importante tema descambou para o terreno do deboche e da sordidez.
A independência (ou autonomia) do Banco Central é característica dos países democráticos e institucionalmente avançados. Ao contrário do que o marqueteiro oficial quer fazer crer, a independência do BC protege a instituição de pressões espúrias e permite o exercício mais efetivo e transparente de suas funções de preservação do poder de compra da moeda e da estabilidade financeira. Aliás, a ideia de que a independência do BC é contrária aos princípios democráticos é apenas um dos muitos equívocos que permeiam a discussão do assunto no Brasil nas últimas décadas.
A necessidade da independência dos bancos centrais tem sido colocada no contexto da própria natureza da política monetária, cujos resultados ocorrem somente depois de decorrido um prazo razoável de tempo da sua execução. A influência benéfica da política monetária sobre os preços e o produto aflora com certa demora, havendo um período de tempo em que seus efeitos não são perceptíveis, embora seus custos já estejam sendo plenamente sentidos pela sociedade. Por causa disso, os bancos centrais ficam sujeitos a pressões das lideranças políticas e da opinião pública para utilizar indevidamente seus instrumentos de política monetária, abandonando objetivos de longo prazo em favor de ganhos passageiros e ilusórios de curto prazo.
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Além disso, a independência do BC protege a política monetária de pressões naturais relacionadas aos ciclos eleitorais, já que há sempre a tentação de utilizá-la para gerar episódios efêmeros de crescimento, com vistas à coleta de benefícios políticos imediatos. Vale ressaltar que a independência formal não impede de forma absoluta que o BC seja utilizado com fins eleitorais, mas torna transparente qualquer tentativa de fazê-lo.
A independência dos bancos centrais viria como resposta a esses riscos. Isoladas das pressões políticas por resultados de curto prazo, essas instituições podem se dedicar a seus objetivos de forma mais eficiente e eficaz, sendo esta a razão pela qual se atribui mandatos estáveis e relativamente longos aos dirigentes dos bancos centrais.
Uma crítica frequente à independência dos bancos centrais costuma compará-la ao estabelecimento de um “quarto poder”, que se tornaria fonte de dificuldades para a condução das políticas públicas, mormente da política econômica. Trata-se, obviamente, de uma leitura equivocada. A autonomia do BC é sempre outorgada em caráter precário pelo Congresso Nacional, que é a verdadeira fonte do poder. O estatuto de independência do BC pode ser revogado a qualquer momento e sua autonomia é exercida sobre um terreno extremamente restrito e sujeito a fortes restrições, inclusive no que concerne à prestação de contas e a responsabilização perante o Executivo e o Legislativo.
Desse modo, do ponto de vista político, a independência do Banco Central aumenta o controle da sociedade sobre a instituição, na medida em que suas ações se tornam mais transparentes e seus dirigentes passam a prestar contas regularmente à sociedade por meio do Poder Legislativo. Dar mandatos a seus dirigentes não os desobriga da prestação de contas à sociedade e nem lhes confere estabilidade absoluta em seus cargos.
No Brasil, sob o ponto de vista institucional, resta pouco para que seja conferida a independência legal ao Banco Central. Os avanços das últimas décadas formaram um quadro em que é possível a existência de uma autoridade monetária formalmente independente. A Constituição de 1988 proíbe expressamente o financiamento do Tesouro pelo Banco Central e veda sua atuação como banco de fomento, assim como impõe a necessidade de aprovação prévia dos nomes de seus dirigentes pelo Senado Federal. Por outro lado, a Lei de Responsabilidade Fiscal e outras normas legais estabeleceram uma moldura adequada disciplinando o relacionamento entre o Tesouro e o Banco Central.
Dessa maneira, o que falta basicamente para a independência do BC é a atribuição de mandatos para seus dirigentes e a formalização de mecanismos de coordenação e de solução de conflitos entre a instituição e o Tesouro, especialmente nos campos da política cambial e de reservas internacionais.
Vale ressaltar que o próprio regime de metas de inflação já explicita que o BC teria independência “de instrumentos” e não a “de objetivos”, pois a meta de inflação não seria fixada pela instituição, mas sim por outra instância de governo. Por outro lado, como órgão regulador e supervisor bancário, a questão da autonomia do BC não seria estranha ao ambiente legal brasileiro, uma vez que outros reguladores – como é o caso da CVM – já adquiriram esse status.
Fonte: Valor Econômico, 06/10/2014.
Duro de aprender; o Brasil feito para os companheiros - Deirdre McCloskey, Diogo Costa
Lições não aprendidas do século XX que continuam sendo tentadas no Brasil
- Autor: Diogo Costa
- em Artigos
- 07/10/2014
- 0 comentários.
Nos séculos XIX e XX, a vida do europeu comum foi prejudicada, não beneficiada, pelos seus impérios coloniais. O crescimento econômico da Rússia foi freado, não acelerado, pelo planejamento central soviético. As regulamentações progressistas americanas e suas antecipações européias serviram para proteger monopólios no setor de transportes — como as ferrovias —, no setor de varejo — como comércios de luxo —, e também monopólios profissionais, como o dos médicos. As regulamentações progressistas não ajudaram consumidores.
A legislação “protetora” nos Estados Unidos e o “salário família” na Europa inferiorizaram as mulheres. Psiquiatras armados pelo estado prenderam homossexuais nos Estados Unidos e democratas na Rússia. O New Deal impediu, em vez de ajudar, a recuperação americana após a Grande Depressão.
O Brasil, que terminou o século XIX com vocação para Estados Unidos, entrou no século XXI tentando alcançar a renda per capita do México
Os sindicatos elevaram os salários de metalúrgicos e operários do setor automotivo, mas reduziram os salários dos trabalhadores não sindicalizados. Os salários mínimos protegeram empregos sindicais, mas fizeram com que os pobres permanecessem desempregados. Os códigos de construção civil por vezes impediram desabamentos e incêndios, mas sempre garantiram a estabilidade de construtoras bem conectadas deixando a moradia mais cara para os pobres. Permissões de zoneamento e planejamento protegeram os proprietários ricos em vez dos moradores pobres. Controles de aluguel deixaram os pobres e os doentes mentais desabrigados, porque ninguém irá fazer casas baratas quando a lei encarece as construções a força. Os ricos ficam com os apartamentos com controle de aluguel e com as casas históricas nas vizinhanças antes pobres.
A regulamentação elétrica elevou o custo da eletricidade, assim também fizeram as proibições de energia nuclear. As regulamentações financeiras não ajudaram os pequenos investidores. Seguros federais de depósito permitiram que os bancos tratassem seus correntistas de modo irresponsável. O movimento de conservação do oeste americano enriqueceu fazendeiros que utilizaram terras públicas para o gado e enriqueceu empresas madeireiras que utilizaram terras públicas para o corte de árvores. As proibições no comércio de drogas recreativas resultaram no aumento do consumo de drogas, na destruição de bairros pobres e no encarceramento de milhões de jovens. Governos proibiram comércios de agulhas e publicidade de preservativos, e negaram a existência da AIDS.
O Espaço Vital econômico da Alemanha foi finalmente conquistado pela arte privada da paz, não pela arte pública da guerra. A duradoura Esfera de Co-prosperidade da Grande Ásia Oriental foi construída por japoneses de terno e gravata, não por bombardeiros de mergulho. A Europa se recuperou depois das suas duas guerras civis do século XX principalmente pelo seu próprio esforço de trabalho e investimento, e não principalmente por causa da caridade de-governo-para-governo como a Comissão Hoover ou o Plano de George Marshall. A ajuda externa de-governo-para-governo enriqueceu ditadores tiranos sem beneficiar os pobres.
A importação do socialismo para o terceiro mundo, mesmo sob as formas relativamente não violentas de gandhismo-fabiano sufocou o crescimento, enriqueceu grandes industrialistas e manteve o povo na pobreza. As teorias malthusianas concebidas no Ocidente foram colocadas em prática na Índia e especialmente na China, resultando em milhões de meninas desaparecidas. A revolução verde, patrocinada por capitalistas, foi atacada por políticos ambientalistas ao redor do mundo, mas permitiu que lugares como a Índia se tornassem auto-suficientes em cereais.
O poder estatal em diversas partes da África subsaariana foi usado para tributar uma maioria de agricultores em benefício dos primos do presidente e de uma minoria de burocratas urbanos. O poder estatal em diversas partes da América Latina impediu reformas agrárias de acontecerem e patrocinou o desaparecimento de pessoas. A propriedade estatal do petróleo na Nigéria, no México e no Iraque foi utilizada para apoiar o partido no poder, sem causar benefício algum para a população.
Os homens árabes continuaram empobrecidos ao utilizar do poder estatal para negar educação e o direito de dirigir às mulheres árabes. A captura de governos pelo clero corrompeu religiões e destruiu economias. A captura do governo pelos militares corrompeu exércitos e destruiu economias.
Políticas industriais, do Japão à França, serviram de apoio para indústrias falidas, como na agricultura e no varejo, em vez de escolher vencedores. A regulamentação de demissões elevou o nível do desemprego na Alemanha e na Dinamarca, e especialmente na Espanha e na África do Sul. Nos anos 1960, os edifícios ocidentais de moradia inspirados por Le Courbusier condenaram os pobres em Roma, Paris e Chicago a viverem em cortiços.
Nos anos 1970, o socialismo oriental de larga escala destruiu o meio ambiente. Nos anos 2000, os “coletivistas da geração do milênio,” vermelhos, verdes ou comunitários, se opuseram a uma globalização que ajuda os pobres, mas que ameaça dirigentes sindicais, capitalistas ligados ao estado e a carreira de pessoas nas ONGs ocidentais.
Assim a historiadora econômica Deirdre McCloskey convida seus interlocutores, oponentes do capitalismo liberal, a reconsiderarem suas propostas políticas futuras à luz dos acontecimentos políticos passados.
Fica irresistível adicionar nossas experiências nacionais ao catálogo de fatos de McCloskey:
O controle estatal sobre o valor do café não revigorou a produtividade nacional, mas acelerou o declínio das exportações brasileiras. Políticas trabalhistas copiadas de Mussolini não deixaram os trabalhadores brasileiros mais independentes, apenas menos competitivos. Os projetos das universidades federais não criaram centros globais de excelência acadêmica, mas fizeram com que o suor da família pobre financiasse o curso de antropologia do filho da família rica.
A proibição dos cassinos não deixou o povo mais virtuoso, mas deixou seu vício mais clandestino. Barreiras à importação não estimularam o comércio interno, mas causaram a exclusão comercial dos mais pobres. O planejamento urbano modernista da nossa capital não ergueu a cidade do futuro, mas criou uma ilha de monumentos excêntricos cercada de satélites de pobreza por todos os lados.
A tomada de poder pelos militares não serviu para a restauração de instituições republicanas, mas serviu para a imposição de suas próprias instituições autocráticas. Os desembolsos de um banco de desenvolvimento não popularizaram o empreendedorismo, mas premiaram empresários ligados ao governo. Políticas desenvolvimentistas dos anos 1970 não culminaram em grandes conquistas econômicas, mas na década perdida dos anos 1980.
Gastos públicos financiados por inflação não criaram uma infraestrutura de verdade, mas projetaram uma prosperidade de mentira. A militarização da polícia não diminuiu o número anual de homicídios violentos, mas aumentou o número de execuções sem o devido processo legal. Congelamentos de preços não foram capazes de impedir que a inflação se avolumasse, mas foram capazes de impedir que bens de consumo chegassem às prateleiras.
Substituições de importação não criaram indústrias competitivas, mas financiaram o atraso tecnológico com os impostos dos pobres. Políticas de incentivo à cultura não criaram obras primas, mas fizeram com que a produção cultural respeitasse menos o público e mais a aprovação do financiamento público. Confisco de poupança não serviu para derrubar a inflação, mas serviu para derrubar a confiança no estado de direito.
A expansão do funcionalismo burocrático não fez do país um modelo de administração pública, mas fez com que o Brasil tivesse mais cursos de direito do que todo o resto do mundo. Uma tributação de nível escandinavo não transformou o Brasil numa Suécia, mas transformou Brasília numa Disneylândia.
E assim o Brasil, que terminou o século XIX com vocação para Estados Unidos, entrou no século XXI tentando alcançar a renda per capita do México.
Podemos concluir com McCloskey:
Qualquer um que, depois do século XX, ainda acredita que socialismo, nacionalismo, imperialismo, mobilização, planejamento central, regulamentação, zoneamento, controle de preços, política tributária, sindicatos trabalhistas, cartéis de empresas, gastos públicos, policiamento intrusivo, fé na união entre religião e política, ou que a maioria das propostas de ação governamental totalizante do século XIX ainda são ideias puras e inofensivas para melhorar nossas vidas não está prestando atenção.
Fonte: Instituto Mises Brasil, 06/10/2014.
Eleicoes 2014: companheiros subterraneos chegam 'a delinquencia politica
Capturado nas chamadas MC -- meios de comunicação social -- esta imagem, abaixo reproduzida, que supostamente pretende transmitir o que pensam supostos apoiadores da candidatura de oposição sobre certas categorias sociais.
A montagem tem todo o jeito de ter sido feita pelos mesmos mercenários que invadem os diversos instrumentos de comunicação social para atacar, difamar, espalhar mentiras, xingar, enfim, aquilo que eles são ordenados fazer, contra pagamento, obviamente.
Não é imprópio dizer que a mesma delinquência que alcança os mais altos escalões do partido companheiro, e que já conduziu diversos chefes de quadrilha à Papuda, converteu-se igualmente em arma política preferencial do exército de mercenarios que serve a seus objetivos eleitorais.
Eles pensam que vão ganhar novos eleitores dessa forma, ajudando a denegrir os eleitores da outra candidatura.
Estão tentando chamar os brasileiros de idiotas, mais uma vez...
Paulo Roberto de Almeida
A montagem tem todo o jeito de ter sido feita pelos mesmos mercenários que invadem os diversos instrumentos de comunicação social para atacar, difamar, espalhar mentiras, xingar, enfim, aquilo que eles são ordenados fazer, contra pagamento, obviamente.
Não é imprópio dizer que a mesma delinquência que alcança os mais altos escalões do partido companheiro, e que já conduziu diversos chefes de quadrilha à Papuda, converteu-se igualmente em arma política preferencial do exército de mercenarios que serve a seus objetivos eleitorais.
Eles pensam que vão ganhar novos eleitores dessa forma, ajudando a denegrir os eleitores da outra candidatura.
Estão tentando chamar os brasileiros de idiotas, mais uma vez...
Paulo Roberto de Almeida
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