segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleicoes 2014: A Grande Fratura criada pelo lulo-petismo, a divisao do pais

Eleições 2014

Mapa do IDHM expõe divisão entre Dilma e Aécio

Presidente reeleita tem vantagem no interior do Norte e Nordeste e em cidades mais violentas do país. Tucano vai melhor em centros urbanos ricos

Felipe Frazão
Eleição apertada expõe divisões no mapa eleitoral do Brasil a favor de Dilma e de Aécio

Eleição apertada expõe divisões no mapa eleitoral do Brasil a favor de Dilma e de Aécio (Antônio Milena )

VEJA.com, 27/10/2014

A divisão do eleitorado brasileiro entre PT e PSDB, reforçada nas urnas neste domingo, fica ainda mais evidente no mapa do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). A presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) saiu vitoriosa nas dez cidades com pior desenvolvimento humano do Brasil, enquanto o tucano Aécio Neves a superou nas dez cidades mais desenvolvidas do país.

Os mapas elaborados pelo site de VEJA permitem, a partir do cruzamento dos resultados das urnas e dos IDHMs, mapear onde Dilma e Aécio obtiveram os melhores (e piores) desempenhos. Eleitores de cidades como São Caetano do Sul (SP), Niterói (RJ) e Florianópolis (SC), localizadas em zonas urbanas de Estados das regiões Sul e Sudeste, além do Distrito Federal, preferiram o tucano. Aécio venceu nas cidades cujo IDHM é considerado "muito alto", próximo ao de países ricos europeus. Dilma tem hegemonia interioranas do Norte e Nordestes como Melgaço (PA), Fernando Falcão (MA) e Marajá do Sena (MA).

Também é possível checar nos mapas de apuração interativos como votaram os moradores das cidades mais violentas do Brasil e aqueles que moram nos municípios que participam do programa Mais Médicos. Nos municípios com maior índice de criminalidade, com taxa de homicídios acima de 120 pessoas por 100.000 habitantes, Aécio só venceu em Campo de Julio (MT), enquanto Dilma liderou a votação em Diorama (GO), Doverlândia (GO), Ibirapitanga (BA), Simões Filho (BA), Mata de São João (BA), Pilar (AL), Terezinha (PE), Frutuoso Gomes (RN), Ananindeua (PA) e Caracaraí (RR).

Entre os beneficiários do Bolsa Família, fica clara a preferência por Dilma nas cidades em que metade ou mais das famílias recebe dinheiro do programa. Aécio só obteve mais de 50% dos votos em treze municípios, oito deles na região de Flexeiras, Alagoas. Em todos as demais cidades do Norte e Nordeste com tal índice de participação no Bolsa Família Dilma foi vitoriosa.

Leia também: Com 7 Estados e comando do Congresso, PMDB sai fortalecido
Minas impõe derrota a Aécio​

Eleicoes 2014: o Brasil que emerge das urnas - Paulo Roberto de Almeida

O Brasil votou, as escolhas estão feitas

Paulo Roberto de Almeida

Nos dias 5 e 26 de outubro de 2014, o Brasil foi às urnas, e a população escolheu os seus dirigentes estaduais, os seus representantes no Congresso e, mais importante, o novo chefe de Estado, que, de acordo com suas atribuições constitucionais, possui mais poderes do que em outros regimes republicanos presidencialistas. O novo chefe de Estado é o mesmo que já vinha exercendo suas funções desde 1o. de janeiro de 2011, e deverá permanecer no cargo, salvo acidente de percurso, até 31 de dezembro de 2018.
Pela primeira vez em nossa história política, um mesmo partido exercerá o comando do país durante quatro gestões sucessivas, ainda que em coalizão com outros partidos. Mas, as eleições também denotaram, por um lado, uma grande divisão no eleitorado – dada a pequena margem de diferença entre os resultados dos dois concorrentes no segundo turno – e, por outro lado, o grande número de abstenções ou de votos nulos e brancos. Com efeito, sobre um eleitorado total de quase 143 milhões de eleitores, a atual presidente foi reeleita com 54,5 milhões de votos, ao passo que os abstencionistas somaram mais de 30 milhões; se somarmos aos ausentes os que votaram nulo ou branco (mais de 3 milhões), o número dos que se abstiveram de escolher um ou outro dos dois candidatos parece extremamente elevado, 26%, sendo que a votação efetiva na vencedora alcança apenas 38% do eleitorado.
Trata-se, portanto, de uma eleição que parece revelar uma fratura no país, como já indicaram vários analistas políticos, com efeitos sobre a composição do futuro gabinete ministerial e sobre a formulação e a implementação de políticas públicas. Cabe, nesse sentido, registrar a nítida regionalização do mapa eleitoral, com a predominância do voto na candidata da continuidade no Norte e Nordeste, em estados claramente dependentes do programa Bolsa Família.

Assim, no Maranhão, 79% dos votantes se pronunciaram pela candidatura oficial, no Piauí, 78%, no Ceará 77% e 70% em Pernambuco. Ora, no Maranhão, exatamente 50% dos habitantes, ou 3,4 milhões de pessoas, sobre uma população total de 6,6 milhões, são beneficiários do Bolsa Família. No caso do Piauí, essa proporção alcança 48% da população, 43% no Ceará e 40% em Pernambuco. Os demais estados do Nordeste se distribuem entre 36 e 45% de dependência do programa governamental, proporção que tem o seu menor índice em Santa Catarina, com apenas 8%, e em São Paulo, com 10%. Tem-se aí um retrato perfeito do mapa eleitoral que emergiu dessas eleições, e que parece que será confirmado no futuro previsível. 

O exercício da democracia consiste exatamente na expressão da vontade popular quanto às políticas que a população espera ver implementadas pelos seus representantes e dirigentes. O Brasil parece encaminhar-se para um mapa eleitoral que indica claramente a divisão entre estados contribuintes líquidos para a riqueza nacional (em proporção superior a 65% do PIB) e estados recebedores de transferências federais, a diversos títulos. A correlação entre o voto na candidatura oficial e a dependência em proporção superior a 25% das famílias está nitidamente expressa no resultado das urnas.

Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 27 de outubro de  2014

Brasil dos companheiros: A Grande Fratura

A divisão entre o Brasil patrimonialista e o Brasil moderno


O mapa, que surrupiei do Corona, fala por si. Não é preciso desenhar. Metade do país vive do Estado, isto é, dos impostos pagos por todos os cidadãos, e isto se reflete nas urnas. Já foi o curral eleitoral das oligarquias no passado, hoje é curral do petismo. 

Toda a Gália está ocupada! Toda? Não! Uma pequena aldeia resiste ainda... - Paulo Roberto de Almeida

Uma reflexão do momento, uma confirmação do compromisso com um projeto de vida.


Toda a Gália está ocupada! Toda?
Não! Uma pequena aldeia resiste ainda...

Paulo Roberto de Almeida

Nous sommes en 50 avant Jésus-Christ ; toute la Gaule est occupée par les Romains… Toute ? Non ! Car un village peuplé d’irréductibles Gaulois résiste encore et toujours à l’envahisseur. Et la vie n’est pas facile pour les garnisons de légionnaires romains…

No Prefácio com o qual ele distinguiu meu livro Nunca Antes na Diplomacia...: a política externa brasileira em tempos não convencionais, o embaixador Rubens Barbosa começa exatamente por essas palavras: “Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma pequena aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste bravamente ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos...”. Ele continua dizendo que eu não sou exatamente um “asterisco” na bibliografia brasileira de relações internacionais e de política externa, dado o acúmulo de obras já produzidas nessas áreas, e que tampouco me pareço com Obelix, embora eu costume arremessar menires intelectuais contra os acadêmicos ingênuos que interpretam o mundo através de seus livros.
Com efeito, creio poder orgulhar-me de uma boa contribuição para a literatura especializada nesses campos que constituem minha especialidade de pesquisa e de produção de trabalhos acadêmicos, ademais de participar do debate intelectual nessas e em outras áreas de relevante interesse público para o Brasil. Mas o fato é que, nos últimos dois meses, pelo menos, eu tinha deixado de lado essa produção voltada para estudos mais estruturais, ou de natureza mais analítica, passando a ocupar-me de pequenos textos de intervenção na realidade política do país, em compasso com a conjuntura eleitoral. Até cheguei a inverter uma antiga resistência a certas ferramentas de comunicação social, como o Facebook, por exemplo – que considero, acertadamente, como um grande “perdedor de tempo”, o precioso e extremamente exíguo tempo de que disponho para ler e escrever – para participar mais ativamente do debate político que incendiou o país em torno de dois projetos de nação.
A questão agora não é tanto pessoal – embora eu tenha que confirmar um novo retraimento nos estudos de maior profundidade, em lugar da dispersão em textos curtos de intervenção no debate político – quanto ela é, justamente, de natureza social, mais especificamente, no caso presente, de ordem intelectual grupal. Aparentemente, o Brasil se encontra dividido em quase duas metades simétricas, não exatamente opostas no plano das políticas públicas – uma vez que ambos tendem a confirmar o papel bastante preponderante do Estado no encaminhamento dos principais problemas nacionais – quanto elas o são no que respeita as filosofias que subjazem aos programas de governo das duas coligações que se digladiaram nas eleições presidenciais de 2014. As pessoas, como eu, mais identificadas com a preeminência do indivíduo sobre o Estado, com os terrenos das liberdades individuais e das iniciativas privadas, como forma de superar os graves problemas de desenvolvimento econômico e social do país, podem estar se sentido órfãs no momento presente, quando triunfam – não de maneira acachapante, mas ainda assim de modo incisivo – os elementos mais negativos da institucionalidade política e da mobilização social, o que pode dar uma impressão de desesperança, ou de inutilidade, quanto à mensagem que elas gostariam que fosse, finalmente, incorporada ao ideário brasileiro do desenvolvimento nacional: o das liberdades econômicas, o da redução do papel do Estado e da promoção concomitante do papel da iniciativa privada, da concorrência sadia, da abertura econômica e da liberalização comercial, como as formas mais adequadas para justamente fazer o país avançar.
Uma sombra de desesperança, quando não de desespero, perpassa as mentes e as vontades mais engajadas nos combates dos dois ou três últimos meses: alguma intenção de abandonar o combate intelectual, projetos de abandonar o país, retraimento em áreas de exclusivo interesse pessoal, enfim, retirada do campo de batalha e abandono do terreno de lutas que sempre foi o nosso: não necessariamente a liça eleitoral, mas o esforço didático de educação política, de esclarecimento econômico, de defesa da lógica e da promoção do raciocínio inteligente na exposição, análise e divulgação de pontos de vista que se identificam com uma visão liberal, libertária, em todo caso de democracia avançada e de regimes de mercados como os mais consentâneos com a construção de um país progressista, avançado no plano das liberdades individuais e comprometido, tanto quanto outras correntes, com a redução de iniquidades sociais e de falta de oportunidades para os menos contemplados com riqueza pessoal ou familiar.
Não somos poucos, mas certamente somos minoria, pelos tempos que correm. Mas, se tivermos certeza da validade de nossas ideias, do acertado de nossas propostas, da adequação de nossos projetos aos ideais de um mundo livre e de um Brasil mais próspero, não podemos recuar no combate intelectual. Constituímos, no presente, uma espécie de quilombo de resistência intelectual contra ideias e propostas aparentemente dominantes, mas que sabemos contraditórias ou mesmo retrógradas em relação aos valores e princípios de organização social, econômica e do trabalho produtivo, que caberia imprimir a setores mais vastos da sociedade brasileira para retomar um curso mais virtuoso de desenvolvimento com plena defesa das liberdades individuais e coletivas no Brasil contemporâneo.
Não vamos nos desmobilizar: combateremos à sombra – no duplo sentido analógico e metafórico – mas combateremos, reorganizando nossas forças, examinando o panorama após a batalha, e traçando novas estratégias e novos princípios táticos para melhor posicionar nossas ideias – como diria um especialista em publicidade – com vistas a conquistar mais terreno nos espaços que são os nossos: estes são, basicamente, de inteligência, de trabalho analítico, de esforço didático e de continuidade no nosso próprio esforço de aprofundamento do estudo das questões teóricas, dos problemas do Brasil e da região, da discussão em torno de propostas factíveis de melhorias gradativas num país que escolheu, temporariamente pelo menos, mais distribuir do que produzir.
Esse esforço não é em vão, e não será inútil, pois ele corresponde exatamente às nossas vantagens comparativas, às nossas qualidades de pesquisadores, aos nossos projetos de vida e ao nosso engajamento no terreno do debate de ideias em prol de um país mais avançado. Momentaneamente, estamos submergidos pelas hordas de hunos e de visigodos, que destruirão um pouco mais dos valores acadêmicos que tanto prezamos e que tanto procuramos defender, contra o culto da ignorância e da crua prepotência antiliberal, mas a escuridão não é completa, nem está ela destinada a durar para sempre. Persistiremos em nosso quilombo, que aos poucos vai se alargar à medida em que consigamos propagar nossas luzes, com base unicamente na razão prática e na lógica bem fundamentada.
Este é justamente o momento de se fazer um balanço completo das razões e das causas do triunfo das nulidades, e da nossa própria derrota, para traçar um programa de trabalho, de estudos e de discussões, que focalize as questões mais relevantes da atualidade brasileira e internacional. Dispomos de ferramentas analíticas para tanto e de instrumentos operacionais para persistir nessa missão intelectual. Vou me dedicar a estudos de maior profundidade, a trabalhos de maior consistência empírica, mas não pretendo abandonar a arena do debate público e da apresentação de propostas, sempre quando minhas vantagens comparativas se revelarem úteis nesse tipo de trabalho. Não esmorecer é a palavra do momento; redobrar os esforços é um projeto decidido.
Allons, enfants, a aldeia continua resistindo...

Hartford, 26 de outubro de 2014.

domingo, 26 de outubro de 2014

Eleicoes 2014: o que vale mesmo e' o sentimento das pessoas: depoimento de uma juiza

Independentemente das pesquisas e do ardor militante, para ambas as candidaturas, o que vale mesmo é o sentimento das pessoas, pessoas simples, mas também formadores de opinião, como esta juíza corajosa.
Muito diferente de certo presidente do TSE, antigo (talvez ainda) menino de recados do PT, que diz que não sabe quando vamos ter os resultados das eleições: "Só Deus sabe", disse ele.
Inacreditável, da parte de um presidente do TSE.
O Brasil não é a Venezuela, e isso também vai estar refletido nos resultados.
Paulo Roberto de Almeida

OPÇÃO : Aécio
Dra. Karla Maia, Juíza Federal

"Essa não é uma eleição PT x PSDB. Não é uma eleição Lula x FHC. Não é uma eleição Bolsa Família x Passar Fome. Não é uma eleição Esquerda x Direita. Essas rivalidades são os argumentos fabricados para cada um justificar seu voto, sua torcida.
O PT não é o mesmo partido que era há mais de 12 anos atrás - muitos PTistas já reconheceram isso. O PT "se endireitou" onde precisava/queria e manteve programas sociais de esquerda.
Da mesma forma, O PSDB não é o mesmo partido de 12 anos atrás. Ele percebeu que a esquerda tem programas e pensamentos sociais bons e interessantes - e que precisam (e vão) ser mantidos. Eu não vou votar ou deixar de votar porque um ou outro candidato foi preso por roubar um banco ou se negou a fazer bafômetro.
Não vou votar ou deixar de votar porque o irmão da candidata recebe sem trabalhar ou porque falam que o tio do outro se benefício com desapropriação para um aeroporto. Essa definitivamente não é uma eleição das pessoas Dilma x Aécio. O BRASIL não é o mesmo país de 12 anos atrás. A vida da maioria de nós melhorou sim - mas não exclusivamente por causa do PT e nem exclusicamente porque o PSDB "preparou o terreno" pro governo Lula - hipocrisia dizer qualquer das duas bravatas. A vida melhorou muito, tanto por causa de um trabalho de base econômica necessária do PSDB quanto por ótimos programas trazidos pelo PT, mas principalmente pela conjectura econômica mundial. E é certo - como dois e dois são quatro - que a vida vai continuar melhorando, independente de quem vencer as eleições, não me venham com as bravatas de militantes/torcedores cegos. Os programas de bolsa família e outros vão continuar, assim como o Brasil vai continuar sendo um importante líder mundial. E essa não é a eleição do corrupto x santo. Essa é a eleição do CHEGA! Escolher o 45 no lugar do 13 é da um recado de que a corrupção já deu. E que se o PSDB roubar nós também vamos tirar ele de lá. Não se vota por idolatrar ou não um candidato, vota-se para dar um recado moral para ambos os partidos. Vou votar pra tirar o PT e dizer: eu não suporto mais! E se o PSDB for parte em tantos escândalos assim nos próximos quatro anos, eu vou pra rua de novo, vou exercer minha cidadania de novo.... e daqui quatro anos vou estar votando no PV, na Rede ou até mesmo no PT, mas de novo vou dar meu recado: chega! Dê seu recado você também, vote 45 e grite bem alto: EU QUERO UM PAÍS MELHOR!
A divergência e o debate são comuns e saudáveis em uma democracia. Podemos discordar em muitos pontos, mas tenho certeza que concordamos nos principais valores básicos, essenciais à sociedade que sonhamos para o futuro.
Podemos discordar das privatizações, mas não precisamos aceitar que a roubalheira, o aparelhamento político e a incompetência tomem conta das nossas estatais.
Podemos admirar os programas sociais do PT, mas não precisamos aceitar um governo que mente descaradamente que seus adversários acabariam com eles em um óbvio terrorismo eleitoral.
Podemos não gostar dos EUA, mas não precisamos apoiar um governo que se alia às piores ditaduras do mundo e defende países terroristas.
Podemos não gostar da Globo ou da Veja, mas não precisamos de um governo que tenta controlar a imprensa.
Podemos não gostar do PSDB, mas não podemos aceitar um governo, que se dizia guardião da ética, viver mergulhado em escândalos diários, e se aliar e defender a escória da política nacional como Maluf, Collor, Renan, Sarney, Jader Barbalho.
Podemos não gostar do Aécio, mas não podemos permitir que todas essas práticas sejam incentivadas, premiadas e perpetuadas.
Podemos querer outras alternativas, mas não podemos deixar no poder uma quadrilha cuja cúpula, mesmo presa na Papuda, é tratada como heróis e continua filiada ao partido!
Não podemos deixar que continuem a sambar na nossa cara, infiltrando membros no STF para livrar seus pares, comprando o legislativo com mesadas, sangrando nosso país em benefício próprio e de ditaduras e pseudodemocracias. Se fizermos isso será um atestado de que somos tão sem-vergonhas quanto eles, que NADA nos choca e tudo pode nessa terra porque não temos mais qualquer capacidade de indignação.
Se você não concorda com isso, é hora de mudar. Voto nulo, branco ou abstenção é o mesmo que endossar suas práticas.
É hora de união contra aqueles que tentam rachar o país, com um discurso irresponsável e preconceituoso de "nós" contra "eles", "pobres" contra "ricos", "negros" contra "brancos", "povo" contra "elite branca"...
O sentimento não é meu, é de todo brasileiro que cansou e quer um país melhor.
Eu votei no PT ao longo de toda a minha vida. Fui traída. PT nunca mais!"
 
Dra Karla Maia, juiza Federal

Eleicoes 2014: Aecio, candidato dos banqueiros? (como querem os petistas...)

Direto de Brasília:

LINK DO EDITOR

Protegido: COLUNA DE DOMINGO, 26


De: Coluna Esplanada <site@colunaesplanada.com.br>
Data: 26 de outubro de 2014 10:02:38 GMT+1
Para:  <xxxxxxxxxx@xxxxx.com>
Assunto: Boletim Coluna Esplanada - Domingo

Para bancos, Aécio está eleito
Três grandes bancos encomendaram pesquisas não registradas, e não divulgadas, cujos resultados saíram na sexta à noite. Ao contrário do que divulgam os grandes institutos, Aécio Neves (PSDB) será eleito hoje presidente do Brasil, com 5% de vantagem sobre a presidente Dilma. Por isso as bolsas e ações se valorizaram na sexta.


Pronto: os petistas vão retomar sua campanha viciada e viciosa...
Paulo Roberto de Almeida

Pausa para... crash course de estadismo...

Assim dizem:

https://www.facebook.com/video.php?v=10202726089054060&set=vb.1254339479&type=2&theater

Eleicoes 2014: um domingo inesquecivel - Gustavo Franco

Um artigo imperdível: leia antes de ir votar.
Paulo Roberto de Almeida 


Gustavo H. B. Franco - O Estado de S. Paulo
Há tempos não temos um dia tão importante como hoje, domingo de eleição, 26 de outubro, dia de São Evaristo, um dos primeiros papas, o quarto sucessor de Pedro. Ontem, todavia, pasmem, foi dia de São Crispim, padroeiro dos sapateiros, e sobretudo das batalhas heroicas e vitórias impossíveis contra forças numericamente superiores. Que extraordinária coincidência, ou presságio!
Hoje vai ser daqueles dias cujos pequenos detalhes vão fervilhar na sua memória pelo resto dos tempos. Terá a névoa dos dias históricos desde o seu amanhecer, e assim permanecerá por muitos anos a fio. Mas você lembrará das minúcias de seu café da manhã, dos sonhos confusos de ontem, noite mal dormida como costuma ocorrer com a véspera de grandes eventos. Ou não, pois, na vida real, geralmente não há sinais exteriores, coros e orquestras a lhe alertar sobre a presença dos deuses da História. A memória se encarrega dos agouros ex post facto.
Daqui para o final da vida, espero lembrar com serena alegria deste dia de São Evaristo, quando cumprimos com heroísmo uma importante obrigação com o bem-estar de nossos filhos e netos. A cada ano, nesta data, eles vão lhe perguntar sobre seus atos de bravura diante de patrulhas mal-humoradas e irascíveis e você responderá que, sim, eles pareciam em maior número, mais aguerridas e profissionais, e mais bem treinadas em táticas de guerra psicológica, confrontos de rua e nas redes sociais. Que falavam muito, quase sempre insistentes, a um passo da insolência, arrogantemente embrulhados numa falsa superioridade moral autoconferida. Que não ouviam suas palavras, que eram amiúde violentos e mal-educados e que contavam com as poderosas estruturas da máquina governamental, longamente azeitadas para este encontro naquele domingo.
Muitos de nós ficam intimidados pela selvageria dos combates, pois assim é a guerra, nunca foi diferente, não vamos idealizar. Mas é preciso lembrar que nessa guerra as maiorias silenciosas sempre vencem, e por isso mesmo saia de casa pensando que somos poucos (e ingênuos) apenas na aparência. São muitos como você, que não gostam de bravatas e imposições, que votam de forma discreta e independente. Sobretudo, e mais importante que tudo, lembre-se que somos maioria.
No futuro, você lembrará com satisfação que neste domingo, como em todos os outros em que há futebol, o jogo foi ganho dentro das quatro linhas. E que a partida só começou mesmo quando o escurinho da cabine lhe proporcionou a necessária proteção contra o festival de apoquentações e mentiras desabando sobre todos nós como flechas em quantidade para criar uma nuvem a encobrir a luz do sol.
Mas o dia de São Evaristo ainda está no presente, e será celebrado por muitos anos, com alívio ou com pesar, a depender do resultado da batalha. No futuro, quando o Brasil estiver entre os países desenvolvidos, será com orgulho que você exibirá as cicatrizes e mágoas desses últimos dias, perdoadas no momento em que você apertar a tecla verde, mas jamais esquecidas.
Alternativamente, se o Brasil estiver mais parecido com a Argentina e a Venezuela, como de fato se passou entre 2009 e 2014, seus amigos vão querer saber onde você estava nesse dia de São Evaristo.
A depender do desfecho desse domingo do tamanho de uma década, talvez se estabeleça uma Comissão da Verdade Fiscal, com o intuito de desbaratar a confusão contábil e administrativa com o dinheiro público feita nos últimos anos, uma barafunda sem tamanho da qual vimos muito pouco. É lamentável que esses assuntos definidos como “técnicos” ou “propositivos” tenham sido ardilosamente evitados quando, por obra deles, a batalha foi deslocada para o terreno baixo das acusações pessoais.
Por isso queria usar esta última oportunidade para lhe soprar, sobre a economia, nada mais que uma ideia e um número, coisa rápida.
A ideia: o desrespeito ao dinheiro público não é keynesianismo nem estruturalismo, mas improbidade, simples assim, e representa a forma mais direta de corromper a moeda. O descaso com as contas públicas é a mãe de todas as corrupções, e um péssimo exemplo para as condutas de todos à volta das autoridades econômicas, como estamos efetivamente assistindo.
Guarde apenas um número para pensar a caminho da urna: a dívida pública interna chegou a incríveis R$ 3 trilhões. Acostume-se com o trilhão! E pior: cerca de um terço dessa dívida “encalhou”, ou seja, não consegue ser rolada pelo Tesouro.
A Grécia quebrou por dificuldades de rolagem de dívida proporcionalmente menores, e por que não tinha um banco central como o nosso que pode absorver R$ 1 trilhão em dívida sem comprador (via operações compromissadas) tornando letra morta o Artigo 164 da Constituição que proíbe o Banco Central de financiar o Tesouro. Devíamos ter discutido isso durante a campanha, não é mesmo?
O desastre com as contas públicas trouxe de volta a inflação, lamento informar, mas que esperar quando os amigos da inflação estão no poder?
Lembre-se que nunca se encontra um defensor da poluição, mas sempre muitos críticos às estratégias mais substantivas de combate às emissões de carbono. Da mesmíssima forma, é rara, entre os economistas heterodoxos, a defesa aberta da inflação, embora seja muitíssimo frequente a crítica à estabilização “ortodoxa” ou à “austeridade”. Como a “estabilização heterodoxa” se parece com um unicórnio, não é tão difícil encontrar os ideólogos da inflação entre os críticos, por exemplo, do Plano Real. Quem são eles?
Sobre o real, o ministro Mantega disse que “essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa”. Segundo Mercadante, “o PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira”. Para Conceição Tavares, “o Plano Real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro”. Para o “diplomata” Marco Aurélio Garcia, o Plano Real era como um “relógio Rolex desses que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só”.
São esses os personagens que tocam a economia. Eles nunca entenderão a relação entre moeda e cidadania, e que a moeda é como a bandeira e o hino, uma parte da nossa identidade.
Na Alemanha de 1923, a inflação foi o veneno que terminou com a democracia, o berçário do fascismo. Aqui o impacto foi diferente, mais sutil: a inflação proporcionou enorme impulso à cultura da malandragem, dos canais privilegiados, da seletividade, do clientelismo e da corrupção. A leniência com a inflação transmite esses “valores” de forma muito ampla para a sociedade, e assim a corrupção se torna uma consequência natural da inflação, sua irmã mais recolhida e circunspecta, mas muito ativa.
Vista as cores da bandeira e tome o caminho da urna pensando em seu livre-arbítrio, e sobre o modo como você vai comemorar São Evaristo e São Crispim no restante de seus dias. Bons votos!

Brasil 2014: uma pesquisa restrita, uma amostra significativa

Um amigo e colega de carreira fezuma consulta particular, uma mini-pesquisa eleitoral entre amigos. Recebeu poucas respostas, mas ficou frustrado sobretudo pelos "resultados" tabulados. 
Ele escreveu o que segue, em itálico. Mais abaixo o que eu lhe respondi. 
Paulo Roberto de Almeida 

Date: 2014-10-26 10:13 GMT+06:30
Subject: Resultado
To: Xxxxx


Amigos,
Começo falido como pesquisador de opinião. Apenas 9 amigos responderam.
 
O resultado é difícil de aceitar. 
 
Aécio: 2
Dilma: 7

O curioso é que dos sete que acreditam que Dilma vai ganhar, quatro lamentam isso profundamente. Apenas um(a) d(a)os outr(a)os três deixou claro achar que é isso que quer.

Eu próprio acredito que o Aécio vá ganhar. E não é (apenas) wishful thinking.
Abraços
[Nome]

[Nome], meu caro. Sua consulta não falhou. Ela oferece provavelmente um retrato em micro da sociedade brasileira atual, o que não deixa de ser preocupante, pelos resultados obtidos. Estaríamos condenados ao mesmo tipo de decadência que já vitimou outras sociedades em outras épocas e que ainda atinge a Argentina, por exemplo? Provavelmente sim, ainda que por outras vias e com outras características. E ouso afirmar isto mesmo na hipótese, talvez duvidosa, de vitória do Aécio. Nossas tendências estruturais, infelizmente, são fascistas, em sua essência, e isso significa o recuo da inteligência, simplesmente. 
Estou fazendo uma constatação, não expressando meu sentimento. Este é de apenas tristeza e também de consternação. 
O abraco do 
------------------------
Sent from my iPhone
Paulo R. de Almeida

O Brasil em 20 anos: 8 FHC + 12 Lula-Dilma - Carlos Alberto Sardenberg

Brasil em 20 anos

O Brasil chegou até aqui da seguinte maneira:

1. Estabilização macroeconômica, a partir da introdução do Real (1994) e de uma série de reformas que se prolongaram por uns dez anos, nos dois governos FH e no primeiro mandato de Lula.

2. Entre as reformas, a mais importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelecendo regras para o gasto público e tornando obrigatória a geração de superávits primários para a redução do endividamento do governo. Essenciais as normas proibindo a União de financiar estados e proibindo bancos estaduais de emprestar para estatais.

Trajetória brasileira é igual à dos principais países emergentes. Com uma diferença: o Brasil em geral chegou atrasado

3. Essencial também a reestruturação das dívidas dos estados, com base em uma legislação que simplesmente obriga os governos estaduais a gerar superávits mensais, em vez de déficits e dívidas, como era até então. Acrescente-se aqui o fechamento (e privatização) de bancos estaduais, até então máquinas de buracos sem fundo.

4. A reestruturação de todo o sistema financeiro, privado e público. Não esquecer: Banco do Brasil e Caixa estavam literalmente quebrados; foram capitalizados (R$ 9,5 bilhões só para o BB), saneados e colocados sob gestão profissional, ainda no governo FH.

5. As privatizações dos setores de telecomunicações, siderurgia, mineração e energia, todos com grande expansão posterior. As concessões de rodovias. A quebra do monopólio da Petrobras e sua transferência para a União, que passou a leiloar a concessão de campos de petróleo. Vieram novos investimentos privados nacionais e estrangeiros, que levaram às descobertas, inclusive do pré-sal. A Petrobras foi saneada e profissionalizada.

6. Reformas da Previdência.

7. Flexibilização de leis trabalhistas, como a introdução do banco de horas e do sistema de suspensão temporária do contrato de trabalho, largamente em uso hoje, e que impedem o aumento do desemprego.

8. O câmbio flutuante e o regime de metas de inflação (1999).

9. Alguma abertura no comércio externo.

10. As bases dessa verdadeira revolução estavam prontas quando Lula assumiu em 2003. Mas seu primeiro mandato foi essencial para consagrar um tipo de consenso macroeconômico, que pode ser assim resumido: não pode ter inflação; o governo tem que gastar menos que arrecada; a dívida pública tem que cair.

11. Reajustes reais do salário mínimo e programas sociais, já em funcionamento, mas ampliados de modo substancial com Lula

12. As reformas microeconômicas no primeiro mandato Lula, facilitando a vida de empresas e, muito especialmente, modernizando e dando segurança ao crédito, que simplesmente explodiu (imobiliário, consignado e automóveis). Isso foi o consumo das famílias.

13. A China caiu do céu. No início deste século, o Brasil mal exportava US$ 1 bilhão/ano para a China. Já em 2008 ultrapassava os 40 bilhões. A China puxou os emergentes e o Brasil foi na onda. Tornou-se superavitário no comércio externo. Sobraram dólares no Brasil, que o Banco Central comprou e formou as reservas.

14. A mineração e, sobretudo, o agronegócio, privados, que aproveitaram a oportunidade e tornaram-se grandes exportadores.

Essa trajetória brasileira é igual à dos principais países emergentes. Com uma diferença: o Brasil em geral chegou atrasado. Quando se acabou a inflação por aqui, ela já não era problema no mundo.

Outra diferença foi no ritmo de crescimento. Houve incrível expansão mundial, coincidindo com o início do governo Lula e durando até 2008. Todo mundo tirou pessoas das pobreza, as novas classes médias se formaram por toda parte. Mas no período 2003/07, por exemplo, o Brasil cresceu 4% ao ano em média, contra 4,8% do mundo e 7,6% dos emergentes. Foi assim em todos os períodos seguintes.

Depois da crise de 2008/9, o governo Lula começou a desmontagem do modelo, acelerada na gestão de Dilma Rousseff. As leis básicas não foram alteradas, mas as práticas, sim. O regime de metas de inflação está aí, mas a meta não é cumprida faz tempo.

A Lei de Responsabilidade fiscal está aí, mas o governo manobra as contas de modo a ampliar gastos — e dívidas. O governo empurra os bancos públicos para operações duvidosas e que logo, logo, apresentarão problemas. Práticas pré-Real.

Resultado: inflação alta, rodando na casa dos 6,5% ao ano (e, mesmo assim, “martelada”), enquanto o mundo todo tem inflação muito baixa; crescimento zero, enquanto os emergentes crescem 4,5%; juros na casa dos 11% ao ano, muito acima do padrão mundial e dos emergentes.

O desemprego é baixo em consequência daquelas mudanças que foram se consolidando. E não é uma proeza brasileira. Neste momento, o Brasil não gera empregos, a população trabalhando é estável faz algum tempo, segundo dados do IBGE. E, se continuar sem crescimento econômico, vai gerar desemprego.

E a taxa de desemprego nos outros países? Na casa dos 6%, pouco mais (Índia, 8,8%; Colômbia, 8,9%), pouco menos (México, 4,9%; Indonésia, 5,7%).

Resumão: o Brasil tem inflação maior, juros maiores, crescimento menor e desemprego igual, mas com tendência de alta.

A receita é óbvia.

Fonte: O Globo, 23/10/2014.

Postagem em destaque

Uma nova Internacional Autoritária? - Paulo Roberto de Almeida

                       Uma nova Internacional Autoritária?   Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. Nota sobre a grande...