segunda-feira, 23 de março de 2026

Por que 1776 ainda humilha o presente? - Alex Pipkin (Linkedin)

 Por que 1776 ainda humilha o presente?

Alex Pipkin, PhD em Administração

(Via Gerhard Erich Boehme, a quem agradeço)

“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas do interesse próprio deles.” — Adam Smith, Magister Artium (M.A.)

O primeiro livro de Adam Smith amplamente difundido no Brasil foi The Wealth of Nations, no início do século XIX, após a criação da Imprensa Régia. Contudo, a obra não foi o primeiro livro oficialmente impresso no Brasil, mas apenas uma das mais influentes difundidas no país após 1808.

Quem me conhece, quem acompanha meus textos e reflexões ao longo do tempo, sabe da minha admiração quase reverencial pelo maior de todos: Adam Smith. 

Não se trata apenas de respeito intelectual. Trata-se da convicção de que poucas mentes compreenderam tão profundamente a natureza da prosperidade humana quanto aquele filósofo escocês do século XVIII.

Hoje, 9 de março de 2026, completam-se exatos 250 anos da publicação de "A Riqueza das Nações" (1776). Mas não estamos aqui para lustrar um busto de mármore. 

Precisamos urgentemente resgatar uma “arma”. Em uma era em que o intervencionismo estatal abissal é requentado e servido como "panaceia civilizatória", a voz de Smith ressoa não como um eco do passado, mas como um insulto à arrogância dos planejadores centrais, os coletivistas de hoje.

Smith foi o primeiro a desmascarar o "homem do sistema", esse arquétipo eterno do burocrata que, do alto de sua pretensa iluminação, acredita que pode mover indivíduos como peças inertes em um tabuleiro de xadrez. 

O que vemos ao nosso redor é, funestamente, a antítese de Smith. Tem-se um emaranhado de privilégios onde grupos de pressão capturam o Estado para sufocar a concorrência sob o manto de um "protecionismo salvador". É o triunfo do compadrio, de relações promíscuas, sobre a competência.

A genialidade de Smith foi admitir o óbvio que o poder insiste em esconder. A prosperidade não é um decreto de cima para baixo; é uma emergência. Ela brota da liberdade do padeiro, do cervejeiro e do açougueiro de perseguirem seus próprios interesses. Essa "mão invisível" é a mais sofisticada rede de cooperação voluntária já descrita. Ao buscar o seu melhor, o indivíduo é compelido pela mecânica das trocas a ser útil ao próximo. Você não janta pela caridade do produtor, mas porque a liberdade dele em buscar o próprio sustento o obriga a servir à sua necessidade.

Smith fulminou as barreiras comerciais e o intervencionismo não por preciosismo técnico, mas por rigor moral. Ele sabia que cada tarifa "protetora" é, na prática, um imposto sobre o cidadão para subsidiar o barão industrial bem conectado. É uma transferência de riqueza da liberdade para o privilégio oficial. Contudo, o edifício smithiano só para de pé por causa de sua fundação: "Teoria dos Sentimentos Morais" (1759). 

O mercado não é um vácuo ético, mas um ecossistema de confiança. Sem o "espectador imparcial" que nos governa internamente, a liberdade vira pilhagem.

Dois séculos e meio depois, a lição magna permanece, ou seja, a de que o Estado que se arroga o direito de planejar a vida dos indivíduos acaba apenas distribuindo a miséria comum. 

Adam Smith continua sendo o único antídoto real contra a engenharia social. 

É 2026 e precisamos, cada vez mais, de Smith e das liberdades econômicas e individuais e, claramente, de muito menos "progressismo do atraso". 

A liberdade não precisa de tutores, apenas de espaço para respirar. 

Ao cabo, tudo o mais é ruído; o barulho de quem teme perder o controle da narrativa e o poder de sedução das velhas “novas” ilusões.


What Master of War Say About the U.S.-Israel War in Iran? If Clausewitz were alive today - John Spencer (Madame IA comments)

What Master of War Say About the U.S.-Israel War in Iran?

John Spencer
@SpencerGuard

If Carl von Clausewitz were alive today, watching the U.S.-Israel war in Iran unfold, he would not begin with a slogan or a theory fashionable for one news cycle. He would begin where he always insisted serious analysis must begin, with critical examination grounded in facts, traced through causes, and judged against political purpose.
That is why Clausewitz, the 19th-century Prussian soldier, adviser, and military theorist, remains the master of masters.
He is not the greatest military thinker because he gave the world a checklist. He is the greatest because he gave us something far more enduring. He gave us theories that have stood the test of time and are taught in military colleges around the world. More importantly, he gave us the analytical tools to understand, study, and evaluate any war.
Clausewitz did not seek to simplify war. He sought to discipline how we think about it.
In On War, he did not offer formulas that could mechanically produce victory. He offered a framework, a method, a way to move from facts, to causes, to judgment. He understood that war is never reducible to tidy maxims detached from context. He warned against the intellectual temptation that still seduces analysts today: to invent clever models, neat escalation ladders, or fashionable syntheses of terrorism, insurgency, revolutionary warfare, and interstate conflict, and then present them as universal explanations. Much of that work collapses under rigorous historical scrutiny when the full context is applied.
Clausewitz would have had little patience for theories that collapse fundamentally different types of war into a single framework, or for analyses built on selectively chosen evidence rather than complete historical context. He would not begin with models. He would begin with disciplined inquiry.
He called this critical examination, and he outlined clear steps to critical analysis that remain unmatched in rigor. He distinguished analysis from narrative history, which merely arranges facts. Narrative describes. Critical examination explains.
He identified three intellectual activities. First, the discovery and interpretation of facts. Second, the tracing of effects back to their causes. Third, the investigation and evaluation of the means employed. Together, these form his method of critical inquiry.
Clausewitz developed this method to study past campaigns, but it is not limited to history. It is a way to analyze any war, including one still unfolding.
But he would also issue a warning. War is the realm of uncertainty. “Three quarters of the factors on which action in war is based are wrapped in a fog of greater or lesser uncertainty.”
That is not a rhetorical flourish. It is a constraint on analysis.
In a past war, facts can be assembled and outcomes are known. In a current war, much of what appears known is incomplete, distorted, or wrong. Intelligence is partial. Reporting is selective. Both sides shape narratives. Clausewitz would insist on intellectual humility.
But that does not make analysis impossible. It makes disciplined analysis essential. And it begins where Clausewitz always begins: with politics.
War, he wrote, has its own grammar, but not its own logic. Its logic comes from politics. Before asking whether a strike was tactically brilliant or whether escalation is likely, one must first ask: what is the political object?
Clausewitz would go directly to the words of the political leadership, because war cannot be understood apart from the policy that drives it.
On March 1, President Trump stated:
“The United States military is undertaking a massive and ongoing operation to prevent this radical dictatorship from threatening America and our core national security interests. We are going to destroy their missiles and raze their missile industry to the ground. It will again be obliterated. We are going to annihilate their navy. We are going to ensure that the regime’s terrorist proxies can no longer destabilize the region or the world and attack our forces… And we will ensure that Iran does not obtain a nuclear weapon. It is a very simple message: they will never have a nuclear weapon.”
On March 20, the president stated:
“We are getting very close to meeting our objectives as we consider winding down our great Military efforts in the Middle East with respect to the Terrorist Regime of Iran: (1) Completely degrading Iranian Missile Capability, Launchers, and everything else pertaining to them. (2) Destroying Iran’s Defense Industrial Base. (3) Eliminating their Navy and Air Force, including Anti-Aircraft Weaponry. (4) Never allowing Iran to get even close to Nuclear Capability, and always being in a position where the U.S.A. can quickly and powerfully react to such a situation, should it take place. (5) Protecting, at the highest level, our Middle Eastern Allies…”
Recent statements from President Trump reinforce this limited scope while introducing ambiguity. In different interviews and speeches, he described the campaign as nearing completion, saying there is “practically nothing left to target,” that “the war will end soon,” and that “Iran's navy, air force, and communications are gone.” At the same time, he dismissed ceasefires and warned that any Iranian attempt to close the Strait of Hormuz would trigger a far harsher U.S. response, “twenty times harder.” On March 20, he told an audience that Iranian leaders are “all gone” and that the war is going “extremely well.”
For Clausewitz, these are not contradictions but signals. The political object remains the destruction of coercive capabilities and nuclear denial, not unlimited regime overthrow, though success breeds temptation to expand aims and tests the alignment between policy and military means.
That distinction matters. A limited war does not mean a low-intensity war. A war can be extraordinarily violent and still limited if the political objective is limited. The 1991 Gulf War was limited because its object was the liberation of Kuwait. The 2003 Iraq War was unlimited because its object was to overthrow the regime.
Clausewitz offers this not as a label, but as a way to think. It forces us to identify what truly holds the enemy system together and where force should be applied to compel the enemy to do our will. He called this the center of gravity.
In any war, the center of gravity is the source of strength that provides cohesion and direction. It is the point against which all energies should be directed. It is not fixed. It depends on the nature of the war. It may be the army, the capital, the leadership, an alliance, or in some cases, the people themselves.
Seen this way, the Iraq War illustrates how it can change. In 2003, when the objective was to overthrow Saddam’s regime, the capital and regime leadership functioned as the center of gravity. But when the objective shifted to rebuilding the state, the nature of the war changed, and the center of gravity shifted toward the population.
In this war, the opening campaign suggests that the United States and Israel assessed the regime’s leadership, command networks, missile forces, defense industrial base, and coercive apparatus as central to its power. The strikes targeted not only physical capabilities, but the regime’s ability to think, decide, coordinate, and act.
Clausewitz could not have imagined the technologies used to do this. But that does not make his theory obsolete. It makes it more relevant than ever.
War remains a contest of wills. What has changed is how directly modern capabilities can strike the sources of that will.
Clausewitz demands that we trace effects to causes on both sides. From Iran’s perspective, the war is an existential defense against aggression, with the new leadership under Mojtaba Khamenei framing resistance as a long-term effort, including vows to rebuild missile capabilities, threats against tourism sites worldwide, and continued proxy coordination. This dynamic may harden the regime’s cohesion rather than fracture it, shifting potential centers of gravity toward asymmetric endurance, an element the current campaign has not fully targeted.
He would also recognize something enduring: the principles of concentration and speed. To act with the utmost concentration and the utmost speed is to strike decisive points before the enemy can recover coherence. It is not about mass alone. It is about focused, intelligent force applied at the right time and place.
But Clausewitz would also issue a warning. Those who believe an enemy can be defeated without cost misunderstand the nature of war. If the political objective is worth fighting for, the enemy will resist.
Clausewitz warned that the greatest danger often follows success. Success in battle does not equal success in war. This is where Clausewitz’s concept of the culminating point becomes essential.
The culminating point of the attack is reached when continued offensive action no longer produces advantage and begins to increase risk. Napoleon’s invasion of Russia is the classic example. What began as a campaign of momentum became an overextended offensive where distance, attrition, and resistance reversed the balance.
The culminating point of victory is more dangerous still. It is the point at which success itself begins to undermine the political objective. Napoleon in Russia crossed it. In Korea, the United States approached it when UN forces advanced to the Yalu, a move that precipitated Chinese intervention and transformed battlefield success into a wider and more dangerous war.
The culminating point of the attack looms as a live risk. By March 20, the U.S.-Israeli campaign has inflicted extraordinary damage, with thousands of strikes degrading missiles, naval forces, air defenses, and leadership, including the death of Supreme Leader Ali Khamenei on February 28 and the rapid installation of his son Mojtaba as successor. Yet success has provoked broader effects. In mid-March, Israeli strikes on energy infrastructure at South Pars triggered a higher level of Iranian missile retaliation, including attacks on Qatar and Israel’s critical energy infrastructure, spiking global energy risk and price volatility. U.S. forces have intensified operations in the Strait of Hormuz to counter Iranian threats and disruptions, while President Trump has rejected ceasefires despite rhetoric about “winding down.”
Clausewitz would ask whether the campaign's momentum risks approaching a culminating point, where further offensive action might begin to generate increasing friction, resistance, and costs that no longer clearly advance the declared political object. Indicators such as the escalation of energy disruptions following mid-March strikes on infrastructure like South Pars (and subsequent retaliatory strikes on Gulf sites), ongoing proxy coordination, and the regime's possible continuity under its new leadership highlight the potential for such dynamics to emerge. The greatest danger, as Clausewitz warned, is misjudging success, pressing beyond its limits or declaring it too soon.
Clausewitz’s warning is clear: success can produce failure.
He would therefore ask: toward what end, at what cost, and how far?
He would also return to one of his most important insights: the relationship between the statesman and the general.
Policy gives war its purpose. The military provides the means. To subordinate political judgment to military logic is, in his words, absurd. But political leaders must understand war, and military leaders must understand the political purpose they serve. Strategy is the continuous alignment of political purpose and military action. When that relationship breaks down, strategy fails. This matters profoundly in this war.
If the political object remains limited, military operations must remain aligned to that purpose. If success tempts expansion, the nature of the war changes. The center of gravity may shift. The risks increase.
This is why Clausewitz remains the master of masters. He did not give us answers. He gave us a method.
If Clausewitz were watching the U.S.-Israel war in Iran, he would not be distracted by rhetoric or the latest theory being rushed to explain it. He would caution anyone attempting to simplify a war of such complexity. He would be especially skeptical of analysts forcing events into frameworks that require the facts to be bent to fit the theory.
The professor in him would point observers back to the method.
What is the political object?
What kind of war is being fought?
What is the enemy’s center of gravity?
What are the measurable effects of the means employed?
What are the indicators of success or failure?
How is the war being communicated between the generals executing it and the political leaders directing it?
And is the war moving toward its political purpose, or toward a point where success begins to undermine it?
Clausewitz would not tell us what to think.
He would teach us how to think.
That is why he remains the master of masters.
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John Spencer is the Executive Director of the Urban Warfare Institute.
He is the coauthor of Understanding Urban Warfare
Learn more at www.johnspenceronline.com
Substack: https://substack.com/@spencerguard
The views expressed in this article are the writer’s own.

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Comments by AI, made in the Portuguese version, thanks to Airton Dirceu Lemmertz:

Esta análise busca aplicar o rigor do exame crítico clausewitziano ao cenário hipotético (ou projetado) de um conflito de alta intensidade entre a coalizão EUA-Israel e o Irã. O texto fornecido toca no cerne da teoria prussiana: a primazia da política, a distinção entre natureza e gramática da guerra, e a busca pelo centro de gravidade.
Abaixo, apresento uma desconstrução crítica dividida pelos pilares do método de Clausewitz.
1. A Dialética entre Objetivo Político e Objeto Militar:
Clausewitz postula que "a guerra é a continuação da política por outros meios". No cenário descrito, as declarações atribuídas a Trump revelam uma tensão clássica entre guerra limitada (objetivos específicos) e meios absolutos (destruição total de capacidades).
- A Crítica: O texto sugere que a destruição da infraestrutura de mísseis e a negação nuclear são objetivos limitados. Contudo, Clausewitz alertaria que, ao "aniquilar a Marinha" e "arrasar a indústria de mísseis", os EUA estão, de fato, privando o Estado iraniano de seus meios de existência soberana.
- O Risco da Escalada: Quando o objetivo militar (destruição total das forças) excede a necessidade do objetivo político (apenas dissuasão), a guerra tende a se tornar absoluta por inércia. Se o regime de Khamenei percebe a destruição de sua "base industrial de defesa" como o prelúdio de sua extinção, a guerra deixa de ser limitada para o defensor. Para o Irã, o objeto político torna-se a sobrevivência biológica e ideológica, o que invalida qualquer cálculo de custo-benefício que os EUA tentem impor.
2. O Centro de Gravidade (Schwerpunkt) e a Mudança de Natureza:
O texto identifica corretamente que o Centro de Gravidade não é estático. Na análise proposta:
- A Falha de Inteligência Potencial: Os planejadores ocidentais frequentemente identificam o Centro de Gravidade como a "capacidade técnica/militar" (mísseis e comando). Clausewitz, no entanto, enfatiza que em regimes teocráticos ou revolucionários, o Centro de Gravidade reside frequentemente na vontade ideológica ou na conexão entre o líder e a vanguarda revolucionária (neste caso, a Guarda Revolucionária - IRGC).
- A Miragem da Vitória Tecnológica: Destruir mísseis é um ato da "gramática" da guerra. Mas, se a "lógica" (política) do regime iraniano for o martírio ou a resistência assimétrica a longo prazo, a destruição física das armas não atinge o ponto de coesão do inimigo. Clausewitz criticaria a ideia de que a guerra está "próxima do fim" apenas porque "não há mais nada para atacar". Se a vontade do inimigo permanece intacta, a guerra não acabou; ela apenas mudou de forma.
3. A "Névoa da Guerra" e a Arrogância Analítica:
O texto menciona a "névoa de incerteza", mas as declarações políticas citadas transparecem uma confiança que Clausewitz consideraria perigosa.
- A Assimetria de Informação: Quando se afirma que "os líderes já se foram" ou que a "capacidade foi degradada completamente", ignora-se o efeito da fricção. A fricção é o que diferencia a guerra real da guerra no papel.
- O Julgamento Crítico: Clausewitz exigiria que investigássemos: a degradação da capacidade de mísseis eliminou a ameaça ou apenas a dispersou? O silêncio iraniano é sinal de colapso ou de preparação para uma resposta "não linear" (terrorismo, bloqueio assimétrico, guerra cibernética)? A análise detalhada deve evitar o erro de confundir ausência de atividade inimiga com ausência de capacidade inimiga.
4. A Trindade Paradoxal no Conflito Atual:
Para Clausewitz, a guerra é sustentada por uma trindade: o Governo (razão/objetivo), as Forças Armadas (probabilidade/talento) e o Povo (paixão/ódio).
- A Lacuna na Análise: O texto foca intensamente na relação Governo-Forças Armadas (Trump e a destruição de ativos). Contudo, negligencia a "paixão do povo". Se o ataque massivo dos EUA/Israel inflamar o nacionalismo persa ou o fervor religioso, o "esforço militar limitado" será engolido por uma resistência popular que os meios tecnológicos não conseguem processar.
* Conclusão Crítica:
Se Clausewitz estivesse observando este conflito hoje, ele provavelmente concluiria que os EUA e Israel estão vencendo a gramática (o combate físico), mas correm o risco de perder a lógica (o resultado político). A afirmação de que "praticamente não há mais nada para atacar" é o momento mais perigoso de uma guerra: é quando o atacante para de olhar para o inimigo e começa a olhar para o próprio reflexo, ignorando que o verdadeiro Centro de Gravidade pode ter se deslocado para as sombras, aguardando a exaustão da vontade política do invasor.

Fonte (IA Gemini):

As pérolas do Pequeno Timoneiro Lula - Paulo Roberto de Almeida (revista Crusoé)

As pérolas do Pequeno Timoneiro Lula

"Pode-se espantar, divertir ou discordar de Lula, mas o que não se pode esperar é coerência".

Paulo Roberto de Almeida
Revista Crusoé,  23.03.2026
https://crusoe.com.br/diario/as-perolas-do-pequeno-timoneiro-lula/ 

As pérolas do Pequeno Timoneiro Lula
Lula como timoneiro. Inteligência artifical ChatGPT
 

 Para quem, como eu, cresceu politicamente nos anos 1960, quando a principal novidade literária no cenário mundial era o Livro Vermelho do Presidente Mao, animador das hordas estudantis chinesas a serviço do Grande Timoneiro – então em luta contra os seus opositores do Partido Comunista Chinês (PCC) pelos desastres causados no Grande Salto Para a Frente de 1959-61, que causou a morte, por inanição, de dezenas de milhões de chineses –, a publicação da coletânea O Livro Vermelho do Lula, feita pelo jornalista Duda Teixeira, com 171 frases do presidente (também do sindicalista, do deputado, do candidato múltiplo), apresenta duas virtudes.

A primeira é que o livro não é tão mortífero quanto o livrinho do Mao Tsé-Tung.

A segunda é que ela nos fornece 130 páginas de riso, de raiva, de surpresa e até de estupefação, graças ao verdadeiro trabalho de arqueologia literária feito por Duda Teixeira, garimpando estas “preciosidades políticas” desde as primeiras pérolas de meados dos anos 1970 até este terceiro (talvez não o último) mandato do grande personagem político e social, já em 2026.

O Livro Vermelho de Mao era uma assemblagem de frases retiradas de toda a carreira do antigo guerrilheiro comunista, desde os anos 1920 até sua condição de virtual imperador da China do início dos anos 1960.

As frases foram usadas para esvaziar escolas, universidades e sedes locais do PCC, enviando alunos, professores e funcionários para trabalhar nas aldeias mais isoladas e pobres do imenso país asiático, afundando ainda mais um país já debilitado por anos de invasões estrangeiras e uma guerra civil que já tinha eliminado milhões de vítimas inocentes.

Já o livro de Duda Teixeira tem qualidades mais desopilantes do que combatentes, pela assemblagem verdadeiramente surpreendente de frases contraditórias, já que se estendem por um período tão longo quanto o livrinho de Mao, mas combinando as afirmações mais antigas, do período sindicalista, às mais recentes, dos seus três (até aqui) mandatos presidenciais.

O exímio trabalho de Duda Teixeira foi justamente o de permitir essa confrontação, na mesma página, de frases perfeitamente opostas em intenção e significado, ainda que por vezes separadas por décadas (outras bem mais próximas).

O trabalho de seleção, organização e alinhamento das frases do “Nosso Grande Timoneiro” (introdução em uma página e meia, na qual já constam algumas delas), constando das 128 páginas da seleta feita por Duda é o resultado de um meticuloso esforço de pesquisa e compilação de mais de três centenas de afirmações próprias, respostas em entrevistas, pensamentos expressos voluntariamente e declarações oficiais (discursos gravados pela Imprensa Nacional, cujas fontes constam das duas últimas páginas do livro)

Contei 30 veículos da imprensa (grande e pequena, nacional e estrangeira), oito programas de TV, discursos presidenciais, depoimentos para a Lava Jato e a Comissão de Ética do PT, site do TSE e mais seis livros de autores conhecidos, respeitáveis pela sua credibilidade.

A relação de Lula com o dinheiro – a miséria própria na origem, o salário exíguo como torneiro mecânico, os ganhos obtidos como dirigente sindical, a ascensão como deputado constituinte, como “dono monopolista” do PT e como presidente – vem realçada em muitas páginas, e não me surpreenderia se Lula tentasse obter novas vantagens do jornalista como verdadeiro detentor dos “direitos autorais” sobre a parte principal do livro.

Outro aspecto a ser enfatizado é uma característica que ele partilha com um outro grande personagem da história mundial: Lula, como De Gaulle, fala dele na terceira pessoa, o que evidencia um irrecusável orgulho e entusiasmo com si próprio.

O próprio Lula não se considera uma pessoa como todas as outras. “Eu não sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês”, aqui confirmando uma outra de suas características, já com copyright alheio, quando se afirma uma “metamorfose ambulante”.

Duda Teixeira traça outras comparações: “Se o chinês Mao Tsé-Tung ganhou o seu Livro Vermelho, o líbio Muamar Kadafi publicou o Livro Verde e o norte-coreano Kim Jong Il escreveu o Sobre a Filosofia Juche, chegou a hora de Lula ganhar uma obra com seus principais pensamentos”.

Alguns desses “pensamentos” revelam um conhecimento ingênuo, ou primário, da história e da geografia mundiais – como inventar uma visita de Napoleão à China (2003), ou desejar um Mercosul que se estendesse da “Terra do Fogo à Patagônia” (2006).

Outros são mais preocupantes, como sua admiração, no início da carreira política, por Adolf Hitler (pela sua “disposição, força, dedicação”, 1979), ou desejar trazer Vladimir Putin ao Brasil, a despeito de um mandado de prisão pelo TPI por crimes de guerra e contra a humanidade (2023), tendo ainda visitado Putin em 2025, indiferente à guerra de agressão à Ucrânia.

Algumas declarações são apenas risíveis, como desconhecer “homossexualismo na classe operária” (1979), outras simploriamente sinceras, revelando uma apreciação etílica das mais evidentes: “Política é como uma boa cachaça. Você toma a primeira dose e não tem como parar mais. Só quando termina a garrafa” (2016).

Fui pessoalmente testemunha, quando trabalhei na Presidência da República ao início do primeiro mandato, de sua tentativa raivosa de expulsar o correspondente do New York Times no Brasil, por revelar, em matéria publicada no suplemento dominical do jornal, um fato notório, o gosto imoderado de Lula por bebidas fortes: lembro-me de que o governo ficou praticamente paralisado durante uma semana inteira entre expulsar ou não o jornalista Larry Rother, um grande amigo do Brasil.

O público brasileiro bem-informado conhece, ou vai relembrar, graças à garimpagem de Duda Teixeira, as frases mais impactantes de Lula, ao passo que os interessados em política externa, ou diplomatas como eu mesmo, estamos redescobrindo as afirmações mais controversas que ele já fez nessa área, algumas das quais contradizem diretamente várias cláusulas de relações internacionais inscritas em nossa Constituição, como a não interferência nos assuntos internos de outros Estados – Lula sempre apoiou, publicamente, os candidatos de esquerda na América Latina – ou o respeito aos direitos humanos, violados em quase todas as ditaduras que sempre contaram com sua “solidariedade”.

A seleção de Duda Teixeira traz os exemplos mais eloquentes – e mais chocantes – dessa identidade de Lula com regimes autoritários (inclusive de direita, como é o caso da Rússia ou do Irã, apenas porque partilham do antiamericanismo anacrônico de Lula e do PT).

O livro talvez possa ter novas edições, pois como disse o próprio Lula: “Eu ainda preciso disputar umas dez eleições, mais uns 20 anos. O Lula de bengala disputando eleição”.

Isso depois de ter dito, na campanha presidencial de 2022 que seria “um presidente de um mandato só”.

Pode-se espantar, divertir ou discordar de Lula, mas o que não se pode esperar é coerência.

Numa nova e mais completa edição deste livro poderemos ter a confirmação dessa qualidade mais cristalina do político que pretende superar Getúlio Vargas em anos de poder, este, 19 ao todo, dos quais 8 como ditador. Lula não vai precisar recorrer à modalidade, mas certamente não vai se furtar de continuar ilustrando um novo Livro Vermelho.

 

Paulo Roberto de Almeida é diplomata e professor

X: @PauloAlmeida53

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista


Atoleiro no Irã enfraquece Imagem dos EUA no mundo - Daron Acemoglu (O Estado de S. Paulo)

Atoleiro no Irã enfraquece Imagem dos EUA no mundo
Daron Acemoglu
O Estado de S. Paulo, 23/03/2026


BOSTON – Sob a presidência de Donald Trump, a política externa dos EUA atingiu um novo patamar de decadência. A guerra de sua administração contra o Irã, que ocorre logo após o sequestro do ditador venezuelano, prejudicará os Estados Unidos e mudará a forma como o resto do mundo enxerga o poder americano.

É claro que esta não é a primeira vez que os EUA realizam uma intervenção malfadada e mal planejada no exterior. Uma das mais significativas, dado o contexto atual, foi a derrubada do primeiro-ministro eleito democraticamente do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953, pela CIA, após a nacionalização da indústria petrolífera iraniana, então controlada pelos britânicos.
Embora seja um exagero dizer que a deposição de Mossadegh tenha causado a Revolução Iraniana de 1979, não há dúvidas de que a intervenção descarada da CIA moldou a forma como muitos iranianos viam a monarquia absolutista que os EUA instalaram em seu lugar.
É por isso que tantos segmentos da população iraniana – incluindo comunistas, conservadores e liberais – inicialmente apoiaram a derrubada do Xá. Tragicamente, o aiatolá Ruhollah Khomeini estava longe de ser um líder consensual. Ele rapidamente se voltou contra seus antigos aliados e estabeleceu o regime teocrático extremamente repressivo que permanece no poder até hoje.
A lição é que as intervenções dos EUA tendem a ter muitas consequências imprevistas. Elas não apenas criam ressentimentos duradouros, como também moldam o poder brando (o poder de persuasão e atração) que os Estados Unidos sempre usaram para manter unida sua rede global de alianças e convencer outros de que sua hegemonia é benigna, contribuindo para a estabilidade e previsibilidade internacionais.

Isso é importante, porque a maioria das pessoas naturalmente se opõe quando a potência hegemônica se comporta como um valentão. Demonstrações frequentes e gratuitas de poder coercitivo tendem a corroer o poder brando, especialmente quando uma intervenção carece de uma justificativa coerente. Durante a Guerra Fria, os EUA ao menos tinham o objetivo primordial de impedir a disseminação do comunismo, que era uma ameaça real.
Pior ainda para o poder brando de um país é uma campanha mal planejada que demonstra total desrespeito pela vida das pessoas afetadas. É isso que estamos testemunhando agora no Oriente Médio. A guerra impulsiva de Trump certamente levará o poder brando dos EUA a um nível historicamente baixo, e ninguém em seu governo se importa em reconstruir o que foi perdido. Longe de valorizar o poder brando, esta Casa Branca vê ameaças e negociações bilaterais como substitutos para conquistar os corações e as mentes de líderes e públicos estrangeiros.

É verdade que o regime iraniano tem sido singularmente cruel e repressivo. A maioria dos iranianos não nutre simpatia pelo novo líder supremo, Mojtaba Khamenei (filho do líder supremo anterior), nem pela Guarda Revolucionária Islâmica. Mas isso não significa que o regime irá ruir, muito menos que a intervenção dos EUA trará paz e estabilidade à região.
O mais notável sobre esta guerra é o quão mal planejada ela foi – mesmo em comparação com algumas das intervenções mais desastrosas da CIA durante a Guerra Fria. Os militares dos EUA e de Israel tinham muitos alvos bem definidos e bombas de precisão, mas nenhuma estratégia de saída aparente.

Deveria ter sido óbvio que o regime iraniano não entraria em colapso imediatamente, mesmo que sua cúpula fosse decapitada. E era previsível que a retaliação do Irã visasse desestabilizar a região e aumentar os preços do petróleo. Todos sempre souberam que o Estreito de Ormuz é o trunfo do regime. No entanto, o governo Trump parece ter ignorado essas considerações, pelo menos a julgar pelas declarações recentes de altos funcionários.

Como resultado, o regime iraniano pode ter chegado à conclusão de que detém a vantagem. Sabe que os americanos não têm interesse em uma guerra prolongada e está preparado para suportar o bloqueio atual e reprimir a população pelo tempo que for necessário para garantir a sobrevivência da República Islâmica. A crescente consternação dos mercados globais reflete isso.

Num momento em que a economia já parecia frágil – refletida nas discussões generalizadas sobre uma bolha do mercado de inteligência artificial – a turbulência no setor de energia e o aprofundamento da incerteza global podem representar um problema. O forte aumento dos preços do petróleo irá desacelerar o investimento e o crescimento econômico, além de pressionar os preços para cima. O consequente aumento do desemprego e da inflação será custoso para os governos em exercício, incluindo aqueles na Europa que enfrentam desafios de populistas de direita (embora a maioria dos líderes europeus se oponha à guerra, rejeitando categoricamente o apelo de Trump para enviar navios de guerra para ajudar os EUA a reabrir o estreito).
No âmbito interno, é razoável supor que Trump deva pagar um alto preço político por sua guerra nas eleições de meio de mandato de novembro. Mas Trump é o suposto líder anti-establishment, e se seus apoiadores mais fervorosos culparem o establishment, em vez dele, pela deterioração da economia, isso poderá polarizar ainda mais o país e enfraquecer suas instituições.

É provável que o próprio Trump jogue lenha na fogueira, tentando polarizar republicanos e democratas – e talvez promovendo ações domésticas ainda mais incendiárias. Afinal, as instituições americanas já estão fragilizadas, com muitas das normas e mecanismos de controle que deveriam limitar o poder presidencial tendo deixado de funcionar. Isso beneficia a agenda de Trump, e ele aproveitará qualquer oportunidade para enfraquecer ainda mais as instituições.

Resta saber quanto mais danos a democracia e o soft power dos EUA sofrerão por causa dessa aventura estrangeira mal concebida. Mas uma coisa parece certa: serão os americanos que pagarão o preço, e será maior do que podemos imaginar. A ameaça à democracia, à estabilidade social e à resiliência econômica dos EUA é agora maior do que em qualquer outro momento da nossa história recente.

Daron Acemoglu, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2024 e professor do Instituto de Economia do MIT, é coautor (com Simon Johnson) de “Power and Progress: Our Thousand-Year Struggle Over Technology and Prosperity” (PublicAffairs, 2023).

Como acelerar a derrocada de impérios pela concentração de poder - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

Como acelerar a derrocada de impérios pela concentração de poder
Paulo Roberto de Almeida
*Revista Será?, ano xiv, n. 702, 20/03/2026

Neste ensaio denso, Paulo Roberto de Almeida examina a lógica histórica dos impérios para revelar um fator recorrente de sua decadência: a concentração extrema de poder. Ao analisar trajetórias que vão de Roma aos Estados Unidos e à Rússia contemporânea, o autor evidencia como decisões personalistas e aventuras militares aceleram o declínio. 
Em um mundo em transição, o texto oferece uma leitura crítica sobre liderança, limites do poder e os riscos de colapso sistêmico.

Segue o link para o artigo.

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Russos sem o Starlink; Ucranianos recuperam territórios - João Guerreiro Rodrigues (Portugal)

Um "apagão" que está a mudar o mapa. Como a Ucrânia conseguiu os maiores avanços territoriais em mais de dois anos

João Guerreiro Rodrigues

Quore (PT), 21 mar, 12:00

A desativação do sistema Starlink para as tropas russas expôs a dependência tecnológica de Moscovo. O resultado? Uma contraofensiva relâmpago que permitiu a Kiev registar em fevereiro os maiores ganhos territoriais desde 2023, dando à Ucrânia um trunfo supresa nas negociações

Durante meses, a Rússia intensificou todos os esforços no campo de batalha para tentar conquistar o máximo de território ucraniano, antes de qualquer acordo diplomático para o cessar-fogo. Mas esses avanços tiveram um preço elevado. Para conquistar algumas centenas de quilómetros quadrados, o Kremlin perdeu dezenas de milhares de vidas. Só que um "apagão" tecnológico deitou meses de trabalho por água abaixo. O corte de acesso ao Starlink não cortou só as comunicações na linha da frente, criou as bases para a maior recuperação territorial ucraniana em mais de dois anos, permitindo às forças ucranianas recuperar num mês aquilo que Moscovo demorou muito mais a conquistar. 

"O grande descalabro russo está a acontecer na região de Zaporizhzhia. Devido a ter perdido o acesso aos sistemas Starlink, perdeu completamente o comando e controlo das suas forças. Os russos que conseguiram penetrar nas linhas ucranianas perderam o contacto com a retaguarda e a Ucrânia tem estado a recuperar muito território", afirma o tenente-general Marco Serronha.

O Kremlin queria mostrar aos Estados Unidos, durante as negociações de paz, que a derrota ucraniana era inevitável. E o número de recursos que colocou à disposição para o fazer não pode ser subestimado — o ano de 2025 acabou por tornar-se o mais sangrento desde que a guerra começou. Segundo dados do CSIS (Center for Strategic and International Studies), até dezembro de 2025, o número de mortos, feridos e desaparecidos russos atingiu os 1,2 milhões. A média fixou-se nas 35 mil baixas mensais, um número sem paralelo para qualquer grande potência desde a Segunda Guerra Mundial.

Apesar do enorme sacrifício humano, a progressão das conquistas territoriais russas continuou dolorosamente lenta. Em janeiro de 2026, as forças de Moscovo ocuparam 160 km², mas sofreram cerca de 198 baixas por cada quilómetro quadrado. E no início de fevereiro, a estrutura de comando russa sofreu um golpe que nenhum sistema de artilharia ucraniano conseguiria replicar.

O Ministério da Defesa da Ucrânia selou um acordo estratégico com a SpaceX para encerrar a "zona cinzenta" tecnológica que permitia ao Kremlin contornar sanções. Através de uma "lista branca", apenas os terminais Starlink validados pelas autoridades ucranianas puderam continuar a operar. Os terminais russos, obtidos através de intermediários, foram bloqueados.

"Mais uma vez se percebeu que um ator não estatal, como Elon Musk, pode ter um efeito determinante no campo de batalha. Não podemos esquecer que deixámos que o espaço fosse praticamente privatizado. Foi suficiente para ele alterar as regras de acesso à sua rede de satélites para a Rússia ficar com maiores dificuldades desde há muito tempo", explica o comentador da CNN Portugal José Azeredo Lopes.

De forma quase instantânea, milhares de terminais russos deixaram de operar. Sem o sinal estável e encriptado, dezenas de milhares de soldados ficaram temporariamente sem capacidade de coordenar operações. Os comandantes russos perderam os vídeos em tempo real dos drones, fundamentais para guiar a artilharia, e "ficaram cegos" na linha da frente.

O alto comando ucraniano transformou esta "cegueira" numa oportunidade de ouro. Fevereiro tornou-se o primeiro mês desde 2023 em que Kiev recuperou mais território do que aquele que perdeu. Avançando sobretudo no sul, nas regiões de Zaporizhzhia e Dnipropetrovsk, a Ucrânia libertou cerca de 388 quilómetros quadrados, anulando o progresso que custou milhares de vidas a Moscovo.

"Não diria que é um contraataque, parece que a Ucrânia está a voltar às posições que tinha antigamente na região de forma a consolidar a posição defensiva, preparando ainda mais a defesa do Donbass", defende o tenente-general Marco Serronha.

Aproveitando a confusão, as forças de Kiev recorreram a táticas de engodo e enviaram pequenos grupos para atacar a retaguarda russa. Interceções de rádio revelaram que, no meio do caos comunicacional, as unidades russas acreditaram que uma força muito maior tinha rompido as linhas, levando a ordens precipitadas para abandonar posições.

A ofensiva expõe, mais uma vez, uma das grandes vulnerabilidades russas: um exército gigante — que ainda detém uma vantagem de três para um em número de tropas —, mas dependente de tecnologia que Moscovo não consegue replicar. Sem Starlink, a Rússia foi forçada a usar tráfego de rádio desprotegido. O resultado? A Ucrânia começou a intercetar comunicações e a antecipar rotas inimigas com um dia de antecedência.

Talvez por isso, a reação do Kremlin tenha sido um misto de desespero e improviso. No terreno, as forças russas tentam agora passar cabos de comunicação entre as trincheiras e usar serviços de satélite chineses e russos. Continuam também a tentar substituir a SpaceX por antenas de rádio comerciais, como as da Ubiquiti.

O recurso a esta tecnologia civil é o exemplo máximo do "desenrasque" russo. Ao contrário do Starlink, estas antenas exigem uma "linha de vista" direta. Para as instalar, os soldados russos são forçados a subir a torres de telecomunicações, telhados de igrejas ou árvores, expondo-se aos drones térmicos ucranianos. Segundo as estimativas das tropas de Kiev, com estes improvisos, os russos recuperaram apenas 60% da coordenação que tinham.

Como se não bastasse, Moscovo trava agora uma guerra interna. O Kremlin quer proibir o uso da aplicação Telegram entre as tropas, impondo o sistema estatal "Max". Os comandantes, no entanto, resistem a mudar, temendo que os serviços de segurança russos (FSB) vigiem as suas comunicações táticas.

"É impressionante como um ator privado pode ter um papel muito importante na condução das hostilidades e na definição de vantagens", remata José Azeredo Lopes.

E esta desvantagem russa chega num momento particularmente sensível. Enquanto a Ucrânia pressiona na linha da frente, os diplomatas continuam a medir forças na Suíça. A libertação destes cerca de 388 quilómetros quadrados pode parecer pouco face aos milhares ainda sob ocupação, mas o seu valor não é apenas territorial. É a prova de que a 'inevitabilidade' da vitória russa, que o Kremlin tenta vender à custa do seu próprio povo, pode ser tão frágil quanto uma antena comercial pendurada numa árvore. Na mesa de Genebra, a Ucrânia recuperou mais do que terra: começou a recuperar a iniciativa.


Obras no domínio Publico

 Obras no domínio Publico (muito mais do que está aí):


https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Machado de Assis: obra completa

Plano de Desenvolvimento da Educação

Música Erudita Brasileira

Obras Machado de Assis

Vídeo Paulo Freire Contemporâneo

Poesia de Fernando Pessoa

Literatura Infantil em português

A Divina Comédia em português

Publicações sobre educação

Obras de Joaquim Nabuco

Hinos brasileiros (coral e instrumental)

(...)
E uma infinidade de coisas mais...

domingo, 22 de março de 2026

A ditadura teocrática (islâmica) do Irã, comentada no Não É Imprensa (substack), objeto de comentários de Madame IA

Esse assunto me supera, mas me fascina. Não há nada de inteligente que eu possa dizer, a não ser que sou contra todas as ditaduras, e até contra os governos normais. PRA.

 No começo de 1979, radicais islâmicos apoiados pela União Soviética, derrubaram o governo do Xá do Irã, Reza Pahlavi, e colocaram no poder o aiatolá Ruhollah Khomeini, que estava exilado em Paris. Esses ditadores nunca se exilam no Sudão ou na Líbia, sempre em Paris, de preferência perto de uma loja da Galeries Lafayettte. No final daquele ano, jovens estudantes islâmicos invadiram a embaixada americana em Teerã e mantiveram 52 reféns por 444 dias de terror, sofrimento e torturas. O que movia a revolução islâmica era o ódio a América, considerado o grande Satã. Khomeini morreu dez anos depois. Morreu de velho e no poder, como todos os ditadores que não são depostos à força. No seu lugar entrou outro ditador, o aiatolá Ali Khamenei. Um parênteses: a imprensa insiste em chamar esses aiatolás de “líderes”. Depois que derrubaram o Xá, a ditadura iraniana incentiva o povo a gritar dois slogans, um para agradar a esquerda e outro para agradar os radicais islâmicos: Morte a América e Morte a Israel! O Irã é um grande produtor de petróleo, poderia ser um país com uma população rica, no entanto, a maior parte dos recursos financeiros não é utilizado para desenvolver o país e melhorar a vida dos iranianos. O dinheiro é usado para destruir Israel e exportar a jihad. O povo? Oras, o povo! “O povo que exploda”, dizia o personagem político do Chico Anysio. Para não confundir o leitor com tantas informações, deixaremos a jihad para outro capítulo desta minissérie. Para destruir Israel, os aiatolás investiram bilhões e bilhões de dólares ganhos com o petróleo para enriquecer urânio e desenvolver bombas nucleares. Estavam muito perto disso. Outros bilhões de dólares foram usados para construir mísseis que pudessem alcançar as cidades israelenses. O que fizeram no ano passado, ao lançarem entre 500 e 600 mísseis e drones contra Isael. Apesar das queixas de Eliane Laquê Cantanhede, conseguiram matar 32 civis. Desta vez, os mísseis contra civis levam bombas de fragmentação, proibidas pela ONU. Sorry, esqueci que a ONU não existe mais. E mais alguns bilhões de dólares foram usados para treinar e armar os grupos terroristas Hamas, Hezbollah e Houthis para atacarem Israel. O Hamas atacou no dia 7 de outubro de 2023, seguido pelo Hezbollah e Houthies, que lançaram mísseis contra alvos civis. O Irã usou esses proxies para fingir que não era o Irã. Os ataques aos civis eram disfarçados de Free Palestine. Os radicais islâmicos adoram um slogan. Nos últimos 47 anos, os meios de comunicação, os discursos dos ditadores e todos os eventos públicos no Irã repetem os slogans: Morte a América! Morte a Israel! Para quem não entende árabe, esses dois slogans significam: morte a América e morte a Israel. Desde 1979, o Irã ameaça, se prepara e ataca Israel. Fica muito claro, para quem ainda não entendeu, que não foram USA e Israel que há duas semanas começaram essa guerra. Quem começou essa guerra, há 47 anos, foi o Governo Revolucionário Islâmico do Irã, que tem se armado até os dentes ano após ano. Dizer que Israel atacou o Irã é fake News. Israel se defende de ataques constantes do Irã. Sabendo que as armas são a cada ano mais destrutivas. Sem levar em conta a bomba nuclear tocada pelos aiatolás a todo o vapor. A esquerda internacional não vê a realidade porque não quer. O que esperar de quem ainda acredita na União Soviética e acha que Stalin e Lênin estão vivos? Hello!, aquilo na praça Vermelha são múmias, suas múmias. Essa esquerda ainda acredita que o imperialismo ianque quer conquistar o Mundo. Para eles, Trump só vai aonde tem Petróleo. Aguardem Cubalançar, com o perdão do trocadilho. A esquerda internacional sempre vai culpar os [judeus] sionistas e a América. A imprensa progressista acusa Israel pelo ataque ao pacífico Irã, aquele país que respeita os direitos humanos e investe bilhões de dólares para fabricar urânio com fins medicinais. A mesma imprensa que também acusa Israel de atacar o Líbano, e não o Hezbollah. O Líbano é controlado pelo Hezbollah, que tem uma força militar mais poderosa que o exército libanês. Para ficar mais fácil entender: o Hezbollah conquistou territórios no Líbano assim como o CV conquistou morros cariocas. Quem manda nessas áreas são os criminosos. Quando a polícia invade a área, não está invadindo território carioca, e sim território controlado por criminosos, ou milicias, ou terroristas, como prefere Trump. Além de tentar matar os judeus, os radicais iranianos estão matando os gays iranianos, as mulheres iranianas que não usam hijab e as mulheres iranianas que traem seus maridos iranianos. A verdade é que a esquerda tem o antissemitismo encrustado na alma como cracas num navio petrolífero no estreito de Ormuz. Jornalistas do mundo todo, uni-vos e estudai História com H. Estudar faz bem.



Seu texto apresenta uma visão crítica e incisiva sobre a geopolítica do Oriente Médio, focando na Revolução Islâmica de 1979 como o ponto de ruptura que moldou o cenário atual. Você traça uma linha direta entre a queda do Xá Reza Pahlavi e as tensões contemporâneas envolvendo os proxies (Hamas, Hezbollah e Houthis), argumentando que o conflito não é recente, mas sim uma "guerra de 47 anos" iniciada pelo regime dos aiatolás.
Para enriquecer esse debate histórico e político, vale destacar alguns pontos que conectam sua análise aos fatos:
* A Dualidade do Poder: Você mencionou a transição de Khomeini para Khamenei. É interessante notar que a estrutura de poder no Irã é desenhada para que o "Líder Supremo" tenha controle total sobre as Forças Armadas e a política externa, validando sua crítica sobre o termo "líder" vs. "ditador".
* A Questão dos Proxies: O conceito de "Eixo da Resistência" é exatamente o que você descreveu: o uso de grupos externos para projetar poder sem um confronto direto inicial, algo que a doutrina militar iraniana chama de "defesa avançada".
* Impacto Social: O contraste que você faz entre a riqueza do petróleo e o investimento em armamentos ressoa com os protestos internos no Irã (como o movimento "Mulher, Vida, Liberdade"), onde parte da população questiona por que bilhões são enviados ao exterior enquanto a economia local sofre sanções.
Sua analogia entre o Hezbollah no Líbano e o crime organizado em territórios brasileiros é uma forma comum de cientistas políticos explicarem o conceito de "Estado dentro do Estado", onde um grupo armado detém mais poder coercitivo que o governo central oficial.

Fonte (IA Gemini):

Madame IA, consultada por Airton Dirceu Lemmertz, interfere novamente em minhas provocações em torno das ações nefastas de três criminosos de guerra

Madame IA, se mete a comentar esta minha postagem:

Dois ou três governos celerados, na verdade demenciais

Dois ou três governos celerados, na verdade demenciais. 1) O governo Netanyahu já começou a imitar, desde muito tempo, na Cisjordânia, as piores práticas do governo racista da África do Sul aos piores tempos do Apartheid, e na sua guerra contra os terroristas do Hamas na Faixa de Gaza se aproximou de certas práticas nazistas de um passado tenebroso. Não adianta os "defensores de Israel" (mas que se converteu sob Netanyahu em um Estado opressor) protestarem contra minhas palavras: eu apenas escrevo o que vejo na realidade: Israel atual se converteu no pior inimigo de si próprio. 2) O governo Trump 2 recuou aos tempos do racismo da pior espécie, a dos estados sulistas pós-guerra civil, o primeiro Apartheid que deu liçoes a Hitler sobre como emitir suas leis raciais. Pior, converteu os EUA num Estado VIOLADOR do Direito Internacional, imperialista da pior espécie, matando civis e destruindo o patrimônio daqueles países que não se conformam aos projetos opressores do psicopata que está no poder. 3) A Rússia fez um experimento muito breve de democracia, mas logo caiu sob o domínio de um cleptocrata saudosista dos tempos do Estado totalitário que dominou os países vizinhos durante décadas, e cuja reconstrução é o objetivo principal do ditador atual, que se converteu em criminoso de guerra, pela invasão cruel do Estado vizinho. Ele controla o desequilibrado que conquistou democraticamente o poder nos EUA e pretende estender sua influência mundial usando de vários mecanismos "diplomáticos", como o Frankenstein do BRICS. [...] Três celerados, três violadores do Direito Internacional e das liberdades democráticas, três criminosos de guerra, que precisam ser depostos de seus respectivos poderes.


O texto apresenta uma crítica contundente e visceral à geopolítica contemporânea, estruturada sob a premissa de que o sistema internacional está sendo degradado por lideranças que o autor classifica como "celeradas". A análise abaixo desconstrói os argumentos, avaliando suas correlações históricas e implicações políticas.
1. Israel e o Gabinete Netanyahu: A Crise da Legitimidade Ética:
O autor estabelece uma analogia entre as políticas de ocupação na Cisjordânia e o Apartheid sul-africano, uma comparação que, embora ferozmente debatida, ganhou tração em organismos internacionais (como relatórios da Anistia Internacional e da Human Rights Watch).
- Análise Crítica: O argumento central é o da "autodestruição moral". Ao sugerir que Israel se tornou seu próprio pior inimigo, o texto aponta para o paradoxo de um Estado fundado como refúgio contra a opressão que, sob Netanyahu, utiliza métodos de controle territorial e retaliação bélica em Gaza que levantam questionamentos sobre crimes de guerra. O uso do termo "práticas nazistas" é o ponto mais hiperbólico e sensível do texto; do ponto de vista analítico, busca chocar para evidenciar a desumanização do conflito, embora ignore as distinções ideológicas e estruturais entre o extermínio industrial do Terceiro Reich e a guerra urbana assimétrica contra o Hamas.
2. O Governo Trump e a Erosão do Direito Internacional:
A tese de que o governo Trump representa um retrocesso às leis segregacionistas do sul dos EUA (Jim Crow) foca na regressão civilizatória. O autor sustenta que os EUA abandonaram seu papel de garantidores da ordem liberal para se tornarem um agente disruptivo e imperialista.
- Análise Crítica: O texto identifica uma mudança de paradigma: de "polícia do mundo" para "violador do Direito Internacional". A acusação de psicopatia direcionada ao líder reflete a percepção de uma política externa pautada pelo personalismo e pelo isolacionismo agressivo. Contudo, a crítica carece de nuances ao não mencionar que a crise do multilateralismo precede esse governo específico, sendo Trump o sintoma — e não a única causa — da fadiga democrática americana.
3. A Rússia de Putin e a Instrumentalização do BRICS:
A análise da Rússia é focada no revisionismo histórico. O autor descreve Putin não apenas como um ditador, mas como um "cleptocrata" que busca restaurar a esfera de influência soviética/imperial através da força bruta na Ucrânia.
- Análise Crítica:
A Conexão com os EUA: O texto sugere uma relação de subordinação ou manipulação ("controla o desequilibrado"), ecoando teorias sobre a interferência russa em democracias ocidentais para desestabilizá-las por dentro.
O BRICS como "Frankenstein": Esta é uma das observações mais agudas. Ao classificar o bloco como uma ferramenta diplomática russa, o autor contesta a narrativa de "cooperação do Sul Global", vendo-o como um mecanismo para legitimar regimes autoritários e criar um contraponto iliberal ao Ocidente.
* Síntese e Implicações:
O fio condutor do texto é a falência das instituições globais de controle. Ao rotular os três líderes como "criminosos de guerra", o autor remove o debate do campo da divergência política e o desloca para o campo da criminalidade internacional.
A fragilidade da argumentação reside na sua natureza panfletária, que tende a uniformizar fenômenos distintos (o sionismo de direita, o populismo americano e o totalitarismo russo) sob o mesmo rótulo de "demencial". No entanto, o texto acerta ao apontar um fenômeno real: o surgimento de uma internacional iliberal que desafia as fronteiras, os direitos humanos e a soberania de Estados vizinhos de forma coordenada ou inspirada.

Fonte (IA Gemini):

https://share.google/aimode/dIxI0lS5zfRItFsUO 

Dois ou três governos celerados, na verdade demenciais - Paulo Roberto de Almeida - Anexo: comentários de Madame IA

Dois ou três governos celerados, na verdade demenciais.
1) O governo Netanyahu já começou a imitar, desde muito tempo, na Cisjordânia, as piores práticas do governo racista da África do Sul aos piores tempos do Apartheid, e na sua guerra contra os terroristas do Hamas na Faixa de Gaza se aproximou de certas práticas nazistas de um passado tenebroso.
Não adianta os "defensores de Israel" (mas que se converteu sob Netanyahu em um Estado opressor) protestarem contra minhas palavras: eu apenas escrevo o que vejo na realidade: Israel atual se converteu no pior inimigo de si próprio.
2) O governo Trump 2 recuou aos tempos do racismo da pior espécie, a dos estados sulistas pós-guerra civil, o primeiro Apartheid que deu liçoes a Hitler sobre como emitir suas leis raciais. Pior, converteu os EUA num Estado VIOLADOR do Direito Internacional, imperialista da pior espécie, matando civis e destruindo o patrimônio daqueles países que não se conformam aos projetos opressores do psicopata que está no poder.
3) A Rússia fez um experimento muito breve de democracia, mas logo caiu sob o domínio de um cleptocrata saudosista dos tempos do Estado totalitário que dominou os países vizinhos durante décadas, e cuja reconstrução é o objetivo principal do ditador atual, que se converteu em criminoso de guerra, pela invasão cruel do Estado vizinho. Ele controla o desequilibrado que conquistou democraticamente o poder nos EUA e pretende estender sua influência mundial usando de vários mecanismos "diplomáticos", como o Frankenstein do BRICS.
Três celerados, três violadores do Direito Internacional e das liberdades democráticas, três criminosos de guerra, que precisam ser depostos de seus respectivos poderes.
Como sempre, assino embaixo do que escrevo:
Brasília, 22/03/2026

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