quarta-feira, 15 de julho de 2026

Do afastamento à integração: As relações do Brasil com a América Latina, do século XIX ao século XXI - Paulo Roberto de Almeida (Revista de História da Biblioteca Nacional)

   

 Do afastamento à integração: As relações do Brasil com a América Latina, do século XIX ao século XXI

Paulo Roberto de Almeida

Artigo publicado sob o título de “Laços Latinos”, na Revista de História da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, a. I, n. 8, fev./mar. 2006, p. 76-81; ISSN: 1808-4001). Relação de Publicados n.632; Relação de Originais n. 1342.

 

A massa imponente do Brasil, herdeira do expansionismo lusitano consagrado no tratado de Madrid (1750), sempre foi recebida com desconfiança pelos vizinhos hispano-americanos. Consciente disso, José Bonifácio, ministro dos negócios estrangeiros do regente D. Pedro, tomou a iniciativa de despachar a Buenos Aires, em maio de 1822, um emissário (credenciado como Cônsul) para servir às relações do Brasil no Rio da Prata. O mesmo cuidado teve seu sucessor, Visconde de Cachoeira, em 1824, instruindo seu representante no Prata a confirmar “que não só a política do gabinete brasileiro é americana e tem por objeto a sua independência de qualquer tutela européia, mas que este Governo não desaprova nem maquina contra as instituições políticas que esses governos adotarem”. De fato, a diferença de regime marcou as relações entre o Império, um Estado vinculado às dinastias européias, e as repúblicas vizinhas, que tentavam construir um sistema avesso aos princípios aristocráticos do Brasil. A política americanista do Império oscilou entre as intervenções (no Prata) e o isolamento (em relação à maior parte das demais repúblicas).

O Brasil expressou, em 1823, sua adesão à doutrina Monroe, buscando assim, não só o reconhecimento da emancipação, como também algum tipo de “relação especial” que habilitasse o Império a melhor contrapor-se à possível hostilidade dos países vizinhos. Essa animosidade não impediu Simon Bolívar de convidar o Império a participar do congresso de 1826. O Brasil julgou melhor abster-se de comparecer, pelo temor de que fossem discutidas as formas de governo no continente.

A aproximação às repúblicas da região tomou impulso sob as regências. O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmava, em 1831, seu desejo de “fazer economias nas missões européias, para melhor dotar as da América”, convencido de que, “conquanto nós tenhamos tido até agora, e talvez por muito tempo ainda devamos continuar a ter, as maiores relações com o antigo mundo, convém todavia principiar desde já a estabelecer e apertar com preferência os vínculos, que no porvir devem ligar muito estreitamente o sistema político das associações do hemisfério americano”.

A diplomacia imperial sempre velou pela diluição de qualquer poder hegemônico em ambas as margens do Prata, situação que não se reproduzia na região amazônica. Explica-se assim a aparente inconsistência doutrinal entre a defesa da liberdade de navegação na bacia do Prata, desde os primórdios da independência, e sua recusa deliberada no Amazonas, mesmo já avançado o Segundo Reinado.

Os registros do porto do Rio de Janeiro indicam, nesse período, a importância marginal do comércio com a região do Prata (apenas 3% do total, em 1838) e um volume já significativo de vendas para os Estados Unidos: para o mesmo ano, os EUA, ocupando o segundo lugar em ordem de importância no intercâmbio global, representavam 15% do comércio feito pelo Rio de Janeiro, ao passo que a Grã-Bretanha era dominante, com 35% do comércio total (41% das importações e 27% das exportações).

Na maior parte do período, o relacionamento do Brasil com os países vizinhos foi perturbado pela política de intervenções no Prata, sempre em busca de equilíbrio político nas duas margens do Prata. As marchas e contramarchas da diplomacia do Império na região eram justificadas pelos “desmandos” cometidos contra os interesses de brasileiros nesses países e também pelas reclamações contra algum caudilho ocupando o poder em nações insuficientemente dotadas de um verdadeiro aparato estatal. Quase não existiam motivos comerciais que pudessem justificar uma maior aproximação do Brasil às repúblicas hispânicas, sobretudo as da vertente amazônica e andina, a despeito do envio de representantes diplomáticos a essas repúblicas do Pacífico.

O Brasil raramente aderiu às iniciativas “americanistas” empreendidas por essas repúblicas. Havia pouca unidade de propósitos entre os vários Estados em que se tinha dividido a região andina, como também eram escassas as possibilidades de cooperação econômica entre regiões e países especializados em poucas matérias-primas de exportação. Depois do rompimento, em 1830, da federação da Grã-Colômbia, segue-se, em 1839, o das províncias unidas da América Central e, nessa mesma época, a primeira guerra do Pacífico opõe o Chile ao Peru e à Bolívia, então confederados. As reuniões “americanas” de Lima (1848), de Santiago (1856) e novamente em Lima (1864-1865) tinham objetivos vinculados a ameaças militares externas, não logrando dar impulso ao comércio recíproco.

Na segunda metade do século, o continente foi abalado pelas guerras platinas (1851-52), pela guerra do Paraguai (1865-1870) e pela guerra do Pacífico (1879-1883), opondo o Chile ao Peru e à Bolívia. Na vertente econômica, as elites estavam divididas entre o livre comércio, que seduzia os liberais, e a idéia protecionista, defendida por conservadores presos a uma ordem econômica tradicional. Outros encontros americanos realizaram-se no terço final do século XIX — em Lima (1877-1879), em Caracas (1883) e em Montevidéu (1888-1889) — mas tiveram caráter essencialmente jurídico. O isolamento brasileiro acentuou-se nessa época, em função do desastroso reconhecimento, em 1863, do regime de Maximiliano, no México, bem como da guerra do Paraguai, que suscitou tentativas (recusadas) de mediação por parte dos vizinhos.

A aventura mexicana da França, que se solda por um desastre completo, abre caminho para a idéia de uma “união latino-americana”, mas após a guerra civil os EUA dão início a um movimento de penetração econômica e comercial que desafiaria a hegemonia britânica mais para o final do século. Um projeto de canal transoceânico é negociado com a Nicarágua desde 1849, ao mesmo tempo em que se fazem propostas à Nova Granada (Colômbia) com o mesmo objetivo. A expansão industrial e a nova retórica expansionista dos EUA confirmam para os países da região que a política de poder norte-americana não seria muito diferente da praticada pelas demais potências européias, tornando-os reticentes a qualquer projeto de integração econômica com o gigante do Norte.

A diplomacia brasileira, bastante voltada para o velho continente, a despeito da crescente importância das repúblicas americanas nas relações externas, teria de equacionar os interesses reais do país com o seu projeto de projeção internacional: se é certo que o fornecimento de produtos de consumo e de bens de produção e os capitais para a cobertura dos déficits provinham essencialmente da Grã-Bretanha, o grande mercado consumidor do principal produto de exportação, o café, situava-se nos EUA.

As reuniões e congressos continentais se fariam, doravante, na capital do país mais importante do hemisfério. Enquanto as conferências hispânicas reuniam, se tanto, meia dúzia de representantes, os encontros de Washington passaram a juntar delegados de mais de duas dezenas de países da região. A mudança de latitude era vista com simpatia no Brasil: os EUA tinham sido a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil, gozavam, ao não ostentar a arrogância imperial da velha Inglaterra, de um indiscutível crédito político junto às elites brasileiras — que admiravam seu progresso industrial — e se tinham convertido, na segunda metade do século, num dos mais importantes parceiros comerciais.

Na penúltima década do século XIX, os países americanos começaram um movimento de aproximação política, do qual resultaria um Escritório Comercial das Américas, embrião da futura Organização dos Estados Americanos. Relevante nesse sentido, a despeito da grande distância entre as pretensões iniciais dos Estados Unidos e seus parcos resultados práticos, foi a Primeira Conferência Internacional Americana, realizada em Washington, de outubro de 1889 a abril de 1890, tendo o Brasil nela ingressado como monarquia e terminado como república. Os EUA pretendiam criar uma “união aduaneira”, para promover o comércio hemisférico, dispondo inclusive de uma moeda comum, à base de prata. O Governo imperial manteve, desde o início, reticências em relação a vários dos temas da conferência de Washington, em especial no que se refere à possibilidade de abertura comercial e ao tratamento da propriedade intelectual.

Algumas das razões para a oposição latino-americana aos projetos dos EUA se situavam no terreno econômico: além da superioridade industrial, havia o forte protecionismo agrícola, o que tornava ilusória qualquer zona de livre comércio. Outras eram de natureza política, como o recurso à intervenção por parte dos EUA, para “proteger cidadãos e propriedades”, em contraponto à doutrina Calvo (de imunidade dos Estados em casos de dívida externa), defendida pela Argentina. Esta tinha fortes motivos de opor-se aos EUA por causa da competição nos mercados internacionais de produtos agrícolas, mostrando-se ainda contrária ao pan-americanismo, em virtude de sentir-se européia e não americana. O projeto de um espaço econômico hemisférico começou, em todo caso, sua marcha secular.

Em contrapartida, a república, no Brasil, contribuiu para reconciliá-lo politicamente com os seus vizinhos hispano-americanos, introduzindo ainda princípios alternativos de política externa, como o pan-americanismo. Nas demais regiões crescem as apreensões em relação à política expansionista e intervencionista dos EUA, reforçada a partir da guerra hispano-americana de 1898 e confirmada pela série de ocupações e intervenções armadas no Caribe e na América Central nos anos que seguem. No Brasil, entretanto, o barão do Rio Branco, movido por uma concepção diplomática baseada no equilíbrio de poderes com a Argentina (de fato um disputa pela hegemonia regional), opera, a partir de 1902, uma política de aproximação com os EUA.

O presidente Theodore Roosevelt proclama, logo em seguida, o seu corolário à doutrina Monroe, com o objetivo de justificar o papel de polícia que os EUA pretendiam impor a seu entorno geográfico imediato. Nas próximas décadas, o Brasil e a Argentina passam a competir entre si para estabelecer com os EUA uma “relação especial” que sempre se revelou ilusória, esperando igualmente ostentar, na América do Sul, um “padrão de civilização” que os EUA e as potências européias pretendiam exibir com exclusividade.

Nova York emerge como o grande centro financeiro para a região e, em breve, para o mundo, movimento reforçado pela Primeira Guerra Mundial e no decorrer dos anos 1920, quando volumes importantes de investimento direto são carreados para o setor primário e para a indústria de transformação de quase todos os países da América Latina. Depois de inúmeras tentativas de se consagrar o princípio da não-intervenção no direito americano, os EUA finalmente concedem mudar de política a partir de Franklin Delano Roosevelt, que proclama a política da boa vizinhança e rejeita os aspectos mais rudes e coercitivos da política anterior.

Na primeira metade do século XX, conflitos militares ocorreram na região, a exemplo da Guerra do Chaco (1932-1936), envolvendo o Paraguai e a Bolívia, e do conflito fronteiriço entre o Peru e Equador, em 1942, ambos motivando esforços de mediação por parte do Brasil. A emergência dos regimes mussoliniano e hitlerista como ameaças aos equilíbrios regionais e à própria paz mundial, assim como a ofensiva comercial e financeira da Itália e da Alemanha em direção dos países latino-americanos provocarão novos esforços diplomáticos dos EUA em prol da “solidariedade hemisférica”. O movimento só seria consagrado na conferência interamericana do Rio de Janeiro (janeiro de 1942), no seguimento de Pearl Harbor, ainda assim com importantes defecções, como a da Argentina, que se manteve simpática ao regime nazista até quase o momento de sua derrocada (o que determinou seu não comparecimento à conferência de Chapultepec, em janeiro de 1945).

Após a Segunda Guerra, as relações internacionais desses países continuam a ser dominadas pelo gigante norte-americano, tanto porque o início da Guerra Fria determina uma nova ofensiva diplomática – acoplada a programas de cooperação militar – por parte dos EUA. Washington não atende, porém, aos reclamos desses países em favor de um “Plano Marshall” para a região, a exemplo do que se fazia então na Europa: os EUA já recomendavam que eles se abrissem aos capitais e investimentos estrangeiros.

O Brasil e a Argentina continuam a se opor em quase todos os terrenos, pelo menos até meados da década seguinte, quando estimulados pelo processo europeu de integração, decidem impulsionar um projeto similar na região. Resulta desse esforço o primeiro tratado de Montevidéu (1960), que cria a Associação Latino-Americana de Livre-Comércio, com sede na capital uruguaia. A Revolução Cubana passa a condicionar ainda mais a política americana para a região, pois ela vem introduzir um aspecto novo no relacionamento hemisférico: o da possibilidade de rompimento com o campo ocidental e a adoção de uma via não capitalista de desenvolvimento econômico e social. O cenário estava dado para a sucessão de golpes militares nos anos 60, em grande medida apoiados ou inspirados pelos EUA, o que reduz as possibilidades de avanços no processo de integração regional.

O Brasil e a Argentina se enfrentam a respeito do aproveitamento dos recursos hídricos da bacia do Prata, assim como perseguem custosos programas de capacitação nuclear. A redemocratização política, nos anos 1980, e as pressões hegemônicas contrárias à proliferação contribuem para “desarmar” os dois gigantes da América do Sul, dando início, assim, ao renascimento do projeto integracionista, desta vez em escala sub-regional. O Mercosul surge em 1991 – a partir da adesão do Paraguai e do Uruguai ao processo em curso de integração entre o Brasil e a Argentina –, passando a ser visto, pela diplomacia brasileira, como a possível base de uma integração mais ampla da América do Sul. A despeito de uma grande expansão do comércio intrarregional ao longo dessa década, e de dois acordos de associação com outros países da região (Chile e Bolívia, em 1996), o Mercosul não logra, contudo, firmar-se como união aduaneira plena ou como o centro de um espaço econômico integrado no continente meridional.

A força de atração do gigante hemisférico – primeiro pela possível extensão dos acordos do Nafta (EUA, Canadá e México) aos demais países latino-americanos, depois pela proposta de uma área de livre comércio hemisférica, a Alca, a partir de 1994 – desvia mais uma vez os países de uma possível aproximação política, em troca de promessas de acesso ao grande mercado norte-americano. Como já tinha ocorrido um século antes, o Brasil e a Argentina continuam a manifestar relutância em relação à integração hemisférica, em virtude dos mesmos problemas antes detectados: a economia dominante pretende acesso irrestrito aos mercados latino-americanos, ao mesmo tempo em que não cogita desfazer-se do seu próprio protecionismo agrícola.

O Brasil tampouco parece perto de concretizar seu projeto de união sul-americana. A falta de “excedentes de poder” – basicamente, a capacidade de projetar forças estratégicas e disponibilidade de recursos para cooperação – e a desconfiança dos países da região em relação a uma “liderança” não de todo consensual – evidenciada, por exemplo, na oposição dos dois outros grandes, Argentina e México, à pretensão de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU – mantinham teimosamente o status quo dentro da região. Quanto à política dos EUA para a região, tudo indica que eles continuarão a ostentar sua tradicional “negligência benigna”.

 

Indicações de Leitura:

Tulio Halperin Donghi: História da América Latina (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975; existem edições mais recentes, em espanhol e em inglês)

Luis Cláudio Villafañe G. Santos: O Império e as repúblicas do Pacífico: as relações do Brasil com Chile, Bolívia, Equador e Colômbia – 1822-1889 (Curitiba: Editora da UFPR, 2002)

––––– : O Brasil entre a Europa e a América: o Império e o interamericanismo (do Congresso do Panamá à Conferência de Washington) (São Paulo: Editora da UNESP, 2004)

Luiz Alberto Moniz Bandeira: Brasil, Argentina e Estados Unidos: conflito e integração na América do Sul, da Tríplice Aliança ao Mercosul (Rio de Janeiro: Revan, 2003)

 

Nota sobre o autor:

Paulo Roberto de Almeida é doutor em ciências sociais, mestre em planejamento econômico e diplomata de carreira. Professor orientador do curso de mestrado em diplomacia do Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores, é autor de numerosos trabalhos de relações internacionais e de política externa do Brasil, tendo publicado, entre outras pesquisas de história diplomática, o livro Formação da Diplomacia Econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (São Paulo: Senac, 2001).

 

[Brasília, 25 de outubro de 2003]

 

 

A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos? (2006) - Paulo Roberto de Almeida

 Em 2006, ou seja, vinte anos atrás, eu publicava um pequeno artigo em forma de interrogação. Ainda não o reli, mas talvez seja interessante uma nova visita a meus argumentos de duas décadas atrás:

621. “A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?”, site do Instituto Millenium (08 mar. 2006). Reproduzido no site do Instituto Internacional de Planejamento Educacional). Desparecidos nestes links nos dois sites. Postado no blog Diplomatizzando (28/05/2011; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/05/decadencia-economica-brasileira-um.html . Relação de Trabalhos n. 1558.

Um trecho desse trabalho: 

"...sem ser preciso nenhuma revolução ou mudança dramática na situação corrente, deve ser melhor viver numa sociedade que conhece progressos incrementais nas condições de vida do que numa outra que, por hipótese, afunde progressivamente na delinqüência, no desemprego, na inflação, na deterioração dos equipamentos sociais, na compressão do poder de compra, na desesperança trazida pela sensação de aumento na corrupção política, enfim, que se debata com vários males de que padecem hoje muitos países ao redor do mundo." 

 
A decadencia economica brasileira: um trabalho perdido (2011)
Já que estamos falando de problemas brasileiros para crescer, vamos dramatizar o quadro.
Não que eu queira ser pessimista, mas por puro acaso.
Eu estava compondo uma lista de livros sobre relações internacionais e de política externa do Brasil, e dentro dela os livros escritos por diplomatas (em qualquer gênero, aliás), quando deparei com este registro, de um trabalho que já não me lembrava mais ter escrito:

1557. “A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?”
Brasília, 7 de março de 2006, 5 p.
Publicado no blog do Instituto Millenium em 8.03.06 (link). Reproduzido no site do Instituto Internacional de Planejamento Educacional (link).
Desparecidos nestes links nos dois sites.
Relação de publicados nº 630.

Procurei nos links, e eles obviamente já não funcionavam mais. Por isso vai aqui postado gentilmente.
Não, não sou pessimista, apenas realista...
Paulo Roberto de Almeida

A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?

Paulo Roberto de Almeida


Peço desculpas aos meus leitores pelo tom passavelmente pessimista, quando não francamente niilista, do título deste artigo, mas é que não pude evitar certa sensação de desalento (e talvez também de inveja) ao ler sobre o recente e espetacular recorde na captação de investimentos estrangeiros diretos pela Grã-Bretanha no decorrer de 2005. Nada menos do que US$ 209 bilhões, ultrapassando em muito o segundo colocado, os EUA, que figuram há muitos anos no primeiro lugar, tanto como receptor quanto como principal investidor, seguido, nos últimos dez anos, pela China, como segundo colocado do lado da captação (com cerca de US$ 60 bilhões) e primeiro dos países emergentes. Comparados aos pouco mais de US$ 15 bilhões obtidos pelo Brasil em 2005, a cifra é realmente impressionante para qualquer país engajado no processo de globalização. Mesmo descontando-se, da cifra britânica, US$ 100 bilhões relativos a operações da Shell, que concentrou suas operações a partir da Holanda, remetendo então recursos aos sócios ingleses, ainda assim a Grã-Bretanha ultrapassa os EUA, que “só” atraíram 106 bilhões de dólares em 2005.
Trata-se de um notável feito da economia britânica, hoje, inquestionavelmente, o melhor lugar europeu – e provavelmente mundial, pelo lado financeiro – para se fazer negócios e desenvolver novos projetos, nas diversas áreas da nova e da velha economia, quer seja a indústria manufatureira, quer sejam os “novos serviços”, um conglomerado de atividades que junta tecnologias da informação e pesquisa de ponta em nano ou em biotecnologia. Ele é tanto mais notável em vista do fato de que, duas décadas atrás, a Grã-Bretanha era um dos piores lugares do mundo para se começar novos negócios ou mesmo para manter os existentes. Como isso foi possível?
Lembro-me de que quando eu estava terminando minha tese de doutoramento, em 1984, uma digressão aborrecidamente sociológica sobre os desempenhos capitalistas em escala comparada, a Grã-Bretanha era o protótipo mesmo da decadência econômica, o exemplo acabado de declínio industrial, um modelo notório do atraso tecnológico, da desesperança científica – com sua exportação contínua de cérebros para os EUA – e do desalento político, de que eram testemunhos os freqüentes movimentos grevistas, que conseguiam paralisar até mesmo o enterro dos mortos (um serviço obviamente estatal). Em escala e em estilo talvez diferentes de um outro notável exemplo de decadência, o da Argentina, mas numa dimensão provavelmente comparável à da nação “peronista”, pela amplitude e profundidade do declínio econômico auto-infligido, a Grã-Bretanha, promotora e pioneira da primeira revolução industrial e centro indisputável das finanças internacionais nos 150 anos que seguem aos conflitos napoleônicos, tinha sido vítima, durante todo o século XX, mas mais especialmente no decorrer dos anos 60 e 70 desse século, de um dos mais acabados processos de decadência econômica a que nos foi dado assistir na história econômica mundial.
Lembro-me também que minha bibliografia sobre o “caso” inglês vinha marcada pelos conceitos de “decline”, “fall”, “end” e vários outros do gênero. Naqueles tempos – final dos anos 1970 e início da década seguinte – não parecia haver nenhum limite para a extensão da decadência britânica. Ela era feita de baixo crescimento, inflação, déficits orçamentários e de transações correntes, desvalorização da libra, “sucateamento” da indústria e dos transportes, deterioração dos serviços públicos – notadamente nas áreas da saúde e da educação –, aumento da violência nas metrópoles, enrijecimento dos conflitos sociais, empobrecimento dos equipamentos urbanos, desemprego mais do que residual ou setorial e desesperança geral na sociedade, em especial na juventude. O cenário estava mais para “Laranja Mecânica” do que para “A Wonderful World”, mais para George Orwell do que para Winston Churchill e seu otimismo inveterado quanto ao futuro do império, que aliás já não existia mais, tendo sido irremediavelmente deixado num passado distante de glórias irrecuperáveis.
E, no entanto, vinte anos depois, o que ocorreu? Um notável “renascimento” da indústria e dos negócios na Grã-Bretanha – mais notavelmente ainda na Irlanda vizinha, não esquecer –, um surto de progresso e de modernização que não deixa nada a invejar nos melhores centros da tecnologia mundial, uma recuperação econômica segura, que fez do país o mais dinâmico membro – com a Irlanda – da União Européia, exibindo, ao mesmo tempo, as maiores taxas de crescimento e as menores de desemprego e inflação. Trata-se, como já dito, do melhor lugar para se fazer negócios no continente – mas a Grã-Bretanha sempre brincou com a idéia de que o continente é que vivia “isolado” –, o que vem apoiado no fato de que os investimentos estrangeiros, inclusive dos emergentes da Ásia, têm-se concentrado na ilha. Como foi isso possível, volto a perguntar?
Não pretendo retomar aqui a história da “batalha ideológica” do século XX, já enfaticamente tratada no livro – e vídeo – conjunto de Daniel Yergin e Joseph Stanislaw sobre a luta pelo controle e administração dos commanding heights da economia. Essa batalha política entre os modelos de comando centralizado e de administração pelo mercado se encerrou e não é preciso dizer quem venceu. A Inglaterra lutou o bom combate e conseguiu reverter sua terrível decadência econômica e política. Antes disso, porém, a batalha foi dura: ela teve, primeiro, de ser levada nos “corações e mentes” dos cidadãos britânicos, nos súditos da rainha, para convencê-los de que a decadência não era inevitável ou uma fatalidade do destino, de que era possível, sim, colocar um ponto final na descida para o declínio social e começar lentamente a obra de recuperação. Depois foi preciso se desfazer de velhos mitos – e não apenas mitos, já que respondendo a construções históricas de seu passado mais ou menos “fabiano” – ligados aos papéis respectivos do Estado e do mercado no provimento de emprego e bem-estar social, de modo geral. Foi uma tremenda “reversão de expectativas”, como diria, em relação ao Brasil, o economista Roberto Campos:
Margareth Tatcher teve de sustentar lutas políticas e batalhas literais contra os interesses corporativos consolidados no antigo modelo de “welfare state”, que de “welfare” já não tinha nada e cujo “estado” era um corpo disforme, esgarçado entre as tendências protecionistas da velha indústria, os protestos enraivecidos (mas puramente de retaguarda) dos sindicatos dos setores estatizados e o desalento geral da maioria da população. Foi uma luta terrível para livrar a Grã-Bretanha do “pacto perverso” entre o Labour e a TUC – Trade Union Congress, a confederação sindical – que, durante a maior parte do pós-Segunda Guerra, tinha conduzido o país direto para a decadência, ao garantir aumentos reais de salários para os setores assim protegidos e ao repassar os custos para o conjunto da sociedade. Foi como se, no Brasil, a CUT e a FIESP, por hipótese no exercício do poder central, tivessem “complotado”, durante anos a fio, para se concederem e assim garantirem, reciprocamente, aumentos generosos de preços e de salários, repassando em seguida a conta para os contribuintes e consumidores, o que aliás não deixou de existir, de certo modo, durante as fases de alta inflação no Brasil. Trata-se da mais segura receita para inviabilizar qualquer processo de crescimento com estabilidade que se possa conhecer e ela foi seguida, conscientemente ou não, por vários governos britânicos durante boa parte da segunda metade do século XX na Inglaterra.
Pois bem, isso agora acabou, e a Grã-Bretanha renasce de sua antiga decadência, renovação tanto mais segura de continuar que o “novo Labour” aderiu ao processo e ao modelo iniciados por Lady Tatcher e deles não pretende se desvencilhar. Um pouco, aliás, como vêm fazendo os socialistas e democratas chilenos, que herdaram do período militar uma gestão mais ou menos em ordem e uma economia em franco crescimento nos quadros da globalização e da liberalização comercial. Alguma lição a tirar?
Claro que sim, e a primeira lição a tirar seria, além da inveja, desejar sorte e sucesso continuado a britânicos e chilenos, que podem desfrutar de baixo desemprego, estabilidade de preços, aumento razoável das expectativas de bem-estar, diminuição das “deseconomias” e das externalidades negativas associadas à má gestão da economia, melhora, ainda que gradual, nos padrões gerais dos serviços públicos – ou privados, não importa muito a forma de provimento – relativos à saúde, educação, facilidades urbanas em transporte, segurança etc. Enfim, sem ser preciso nenhuma revolução ou mudança dramática na situação corrente, deve ser melhor viver numa sociedade que conhece progressos incrementais nas condições de vida do que numa outra que, por hipótese, afunde progressivamente na delinqüência, no desemprego, na inflação, na deterioração dos equipamentos sociais, na compressão do poder de compra, na desesperança trazida pela sensação de aumento na corrupção política, enfim, que se debata com vários males de que padecem hoje muitos países ao redor do mundo.
E o que tem nosso país a ver com isso tudo? O Brasil conhece alguns desses males e, felizmente, está ao abrigo de outros, como poderia ser a inflação galopante que ameaça, mais uma vez, a vizinha Argentina, ou a instabilidade política, que já arrastou mais de um presidente para fora dos palácios presidenciais em outros países da região. Mas, nós acabamos de nos converter, junto com o infeliz Haiti, em campeões do baixo crescimento e da carga fiscal, aqui exclusivamente. Mais ainda, conhecendo a trajetória das contas públicas nos próximos anos, não hesito em dizer que teremos anos negros pela frente e, conhecendo também as atuais condições para a atividade empresarial e o ambiente geral dos negócios, tampouco hesito em dizer que o Brasil reúne, sem sombra de dúvida, todos os requisitos para NÃO CRESCER no futuro previsível.
Se essa trajetória não for revertida, a conclusão inevitável me parece ser apenas esta: caminhamos inevitavelmente para a decadência econômica, o baixo crescimento continuado, o desemprego mantido em altas taxas, a desesperança social convertida em humor nacional e o desalento generalizado quanto à capacidade dos nossos políticos em mudar esse quadro de declínio. O Brasil, por certo, não é um país decadente, em espírito ou disposição para a luta, mas ele parece hoje paralisado por um modelo de organização “estatal” da economia que nos garante, apenas e tão somente, isso que vemos: baixo crescimento, incapacidade de investimentos, “despoupança” líquida dos recursos do setor privado por uma máquina estatal prebendalística e perdulária, comportamentos rentistas das corporações que “assaltaram”, literalmente, o Estado, enfim, um quadro negativo de “deseconomias” de escala que nos garante apenas o que já foi mencionado, ou seja, baixo crescimento e perspectivas sombrias para o futuro.
A julgar pela história exemplar de decadência continuada – em certas épocas, mais do que agravada – dos dois casos mais notórios de baixo desempenho econômico no século XX, a Grã-Bretanha e a Argentina, estamos ainda longe de termos atingido o “auge” do declínio. Em outros termos, ainda teremos muitos problemas pela frente, com um espaço ainda aberto para um desempenho ainda mais medíocre da economia e uma deterioração ainda mais sensível dos costumes políticos. Talvez tenhamos de passar, realmente, por vinte anos de decadência, como no exemplo britânico, antes de sequer pensar no caminho da recuperação. Pelo menos é isso que eu concluo, ao constatar, em pesquisas de opinião, que o brasileiro médio ainda confia no Estado como um provedor de “soluções” a seus problemas cotidianos. Pode até ser, mas certamente não será esse Estado que aí se encontra. Reverter esse quadro vai ser difícil, mas não impossível, uma vez que já começamos a reconhecer o problema.
O próprio fato de se poder apontar para a decadência econômica inevitável do Brasil, como acabo de fazer, talvez já seja o primeiro passo para a necessária tomada de consciência e de posição, num sentido contrário à tendência declinista hoje detectada. Esperemos que não tenhamos de esperar por vinte anos, ou mais, de decadência, antes de conhecer uma reversão de tendência. Estou sendo muito pessimista? Talvez, mas não vejo motivos para muito otimismo no momento e nas condições presentes...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7 de março de 2006.

 

Cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, inicia “interiorização” da presença da diplomacia brasileira na Região Centro de Portugal (Agência Incomparáveis)

 Cônsul-geral do Brasil em Lisboa inicia “interiorização” da presença da diplomacia brasileira na Região Centro de Portugal

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, Alessandro Candeas abordou a criação do Consulado Honorário do Brasil em Belmonte, o potencial económico e académico do Interior de Portugal e a estratégia de aproximação às comunidades brasileiras residentes fora dos grandes centros urbanos neste país europeu
Agência Incomparáveis, 02/07/2026
https://www.agenciaincomparaveis.com/consul-geral-do-brasil-em-lisboa-inicia-interiorizacao-da-presenca-da-diplomacia-brasileira-na-regiao-centro-de-portugal/

[Foto] Alessandro Candeas, cônsul-geral do Brasil em Lisboa.

O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, defendeu a necessidade de reforçar a presença institucional brasileira no Interior de Portugal, apontando Belmonte, no distrito de Castelo Branco, como um novo polo estratégico para o desenvolvimento das relações entre os dois países.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, realizada durante deslocação à Beira Interior no âmbito da entrega de um prémio aos alunos do Agrupamento de Escolas Pedro Álvares Cabral, tendo em conta a iniciativa “Amigos e Amigas do Brasil”, este diplomata abordou a recente inauguração do Consulado Honorário do Brasil em Belmonte, o concurso escolar “Amigos e Amigas do Brasil”, o potencial económico e académico da região e o papel do consulado junto da comunidade brasileira residente em Portugal.

Segundo Alessandro Candeas, a criação da estrutura consular em Belmonte representa um passo importante na estratégia de descentralização da presença brasileira em território português.

“Com a inauguração de um consulado honorário na cidade de Belmonte, sendo o doutor António Dias Rocha cônsul honorário desde novembro do ano passado, o nosso objetivo é, justamente, interiorizar a presença do Brasil em Portugal, a partir de Belmonte, a presença consular de serviços consulares de atendimento à comunidade brasileira, mas também empresarial, académica, cultural”, frisou, sublinhando que “Belmonte, a partir de agora, é o nosso ponto de apoio nesse exercício de diversificar a agenda e, como eu disse, de interiorizar geograficamente a ação e a presença do Brasil”.

Concurso escolar promoveu interculturalidade nas escolas portuguesas

Durante a visita a Belmonte, Alessandro Candeas participou, no dia 16 de junho, na cerimónia de entrega do prémio do concurso “Amigos e Amigas do Brasil”, iniciativa lançada pelo Consulado-Geral do Brasil em Lisboa em março deste ano, com o objetivo de “promover a convivência intercultural entre alunos de diferentes nacionalidades presentes nas escolas portuguesas”.

“O concurso ‘Amigos e Amigas do Brasil’ foi um concurso escolar que nós lançamos em março e vim entregar a premiação dos vencedores da escola Pedro Álvares Cabral em Belmonte. Venceram o terceiro lugar na categoria “Vídeo”. Os alunos fizeram um vídeo muito interessante que mostrava a interação, por exemplo, no recreio, entre alunos brasileiros e portugueses. Se divertiam com algumas palavras diferentes que temos no português do Brasil e no português de Portugal. Foi algo muito criativo, muito simbólico e muito bem feito”, salientou.

Ao explicar os objetivos da iniciativa, este responsável sublinhou a importância da diversidade cultural no ambiente escolar.

“O objetivo desse concurso foi divulgar e valorizar a interculturalidade no ambiente escolar português. Ou seja, em várias escolas de Portugal há muitas nacionalidades, há escolas com 20, 40 nacionalidades diferentes e a maioria, normalmente, é de brasileiros. Então, o objetivo foi estimular essa diversidade e a convivência entre nacionalidades diferentes de uma forma muito lúdica, divertida, em três categorias: “Vídeo”, como mereceu destaque entre os alunos em Belmonte, mas também “Redação” e “Pintura””, referiu o cônsul-geral, que considerou que os resultados obtidos “superaram as expetativas iniciais”.

“Tivemos um resultado muito satisfatório e vimos, realmente, o entusiasmo de alunos, mas também de diretores e professores. O engajamento dos professores e professoras foi muito importante nesse concurso e estamos muito satisfeitos com o resultado”, declarou.

Interior de Portugal como “oportunidade ainda por descobrir”

Questionado sobre o papel da Região Centro de Portugal nas relações entre Brasil e Portugal, Alessandro Candeas realçou que existe um potencial significativo pouco explorado por investidores, instituições e agentes económicos brasileiros.

“O Interior de Portugal é uma grande oportunidade ainda a ser descoberta. Ou seja, o foco, tanto político como empresarial, comercial, de investimentos, tem sido, tradicionalmente, o litoral. Cidades como Lisboa, Porto, Coimbra, Torres Vedras e a região do Algarve também, mas há pouco conhecimento do grande potencial de desenvolvimento, de atração de investimentos no Interior de Portugal”, observou.
Cônsul Honorário do Brasil em Belmonte, António Dias Rocha (esq.), e cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas. Foto: Agência Incomparáveis

Este embaixador de carreira identificou particularmente a Beira Interior e o Alentejo como regiões prioritárias na estratégia do Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa.

“A região das Beiras e o Alentejo são a nossa jurisdição do Consulado-Geral em Lisboa, e, claro, nós trabalhamos com a Beira Interior e com o Alentejo. Mas também, evidentemente, o Consulado-Geral do Brasil no Porto terá muito interesse em interiorizar para as regiões da Beira Alta, Beira Litoral, Trás-os-Montes, e, da mesma maneira, nós temos um consulado em Faro, com jurisdição, sobretudo, no Algarve”, explicou, comentando ainda sobre a intenção de promover novas oportunidades de cooperação.

“No que nos concerne, o Consulado-Geral em Lisboa, a nossa área de atuação e de interesse é justamente aqui as Beiras e o Alentejo. Nós queremos atrair, em cooperação, evidentemente, com a Embaixada do Brasil em Portugal, porque essa agenda é mais da competência da Embaixada, investimentos, missões empresariais, todo o interesse académico também. Há muitos brasileiros que estudam e lecionam aqui”, disse.

De acordo com este responsável, Belmonte deverá desempenhar um papel relevante neste processo.

“Da parte do consulado-geral, o nosso objetivo é dar aos brasileiros, à comunidade brasileira residente no Interior de Portugal uma ponte de apoio em Belmonte, mas que também seja aberta para outras oportunidades de comércio, investimentos e academia”, acrescentou.

Covilhã poderá integrar estratégia de expansão da presença brasileira

Durante essa mesma deslocação à região, Alessandro Candeas destacou a importância crescente da Covilhã no contexto da comunidade brasileira instalada no Interior português.

“Covilhã é uma sede muito importante de interesse. Há muitos brasileiros que estudam já e trabalham ou que têm interesse em investir aqui em Covilhã”, afirmou.

O diplomata recordou que o Consulado Honorário do Brasil em Belmonte poderá contar com apoio logístico e instalações na cidade neve.

“O consulado honorário do Brasil em Belmonte poderá vir a ter a oportunidade de contar com um espaço físico, inclusive, de apoio logístico, para atuar desde a Covilhã. Isso vai ser de muito interesse e muito importância para nós”, salientou Alessandro Candeas acredita que este esforço poderá beneficiar ambas as partes.

“Eu tenho certeza de que há um interesse recíproco também por parte dos portugueses dessas regiões em conhecer as oportunidades de intercâmbio com o Brasil”, observou.

Consulado reforça apoio à comunidade brasileira

Na parte final da entrevista, o cônsul-geral deixou uma mensagem dirigida à comunidade brasileira residente na região, reafirmando a missão de proximidade do consulado.

“O consulado está aqui para servir a comunidade brasileira. O objetivo do consulado é atender aos interesses da comunidade expatriada brasileira”, enfatizou, destacando a integração dos brasileiros na sociedade portuguesa.

“Temos uma comunidade crescente aqui em Portugal, muito bem integrada, com trabalho, com estudo, ou seja, uma comunidade que paga os seus impostos, que veio aqui não para disputar nenhum espaço com nenhum trabalhador português, muito pelo contrário”, sustentou, referindo que os brasileiros têm contribuído positivamente para a economia portuguesa.

“A inserção laboral dos brasileiros se dá, sobretudo, em lugares onde há espaço, ou seja, onde, por exemplo, os jovens portugueses não ocupam esse espaço, estão muitas vezes no exterior. Então, há espaços disponíveis a serem ocupados no mercado de trabalho e é aí justamente onde a comunidade brasileira, que é uma comunidade trabalhadora, dinâmica, integrada culturalmente, se manifesta, se localiza, se estabelece e sempre com uma performance muito boa”, afirmou.

Alessandro Candeas concluiu sublinhando o contributo da comunidade brasileira para Portugal e recordando os serviços prestados pelo consulado.

“A comunidade brasileira contribui para o desenvolvimento de Portugal. E qual é o papel do consulado nisto tudo? Estamos aqui para ouvir a comunidade brasileira, atender os seus interesses, prover documentos, como passaportes, atos notariais. Nós também damos assistência jurídica e psicológica em alguns casos extremos, chama-se assistência consular”, explicou.

Por fim, apelou ao contacto permanente com os canais digitais do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa.

“Contem com o consulado-geral do Brasil em Lisboa. Sigam a nossa página no Instagram ou no Facebook. Nós temos também um chatbot. É possível fazer qualquer consulta sobre qualquer documentação de interesse da comunidade, é possível ter, ao fazer a consulta ao assistente virtual, imediatamente no celular (telemóvel) a resposta que precisa. E, qualquer coisa, estamos aqui totalmente à disposição de vocês e cada vez mais dispostos a atender a comunidade no Interior de Portugal”, finalizou.

O Atendente Virtual do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, referido na entrevista por Candeas, pode ser encontrado em: https://www.chatbase.co/chatbot-iframe/-1p92FwRN1VpNmxoN12jN

terça-feira, 14 de julho de 2026

Madame IA se debruça sobre o caso (terminal?) de DJT, que precisa ser examinado urgentemente por uma junta psiquiátrica (ADL)

 Madame IA se debruça sobre o caso clínico (podendo ser um perigo para toda a humanidade) de DJT (e seu amigo VP), pelo menos um saindo da ala dos Napoleões de hospício (como diria Nelson Rodrigues, capturado pelo saudoso Aldir Blanc).

Conforme declarações públicas dadas por pessoas ligadas à área da saúde (como psicólogos, psiquiatras, médicos, etc.), quais são, teoricamente, as debilidades mentais e comportamentais de Donald Trump? Dê uma resposta detalhada, factual, exemplificativa, cronológica e crítica.

* A seguir, a resposta dada pela Gemini AI (a IA do Google) ao comando acima (inserido em 14/07/2026 às 22h45min, na linha de interações):

As declarações públicas de profissionais de saúde mental sobre o perfil psicológico e cognitivo de Donald Trump compõem um dos debates mais intensos e controversos da história política moderna. Embora ele tenha retornado à presidência dos Estados Unidos em 2025, as discussões clínicas e comportamentais sobre suas atitudes públicas continuam ativas. [1, 2, 3, 4]

 
Abaixo, detalha-se de forma factual, cronológica e crítica o que dizem os especialistas, as debilidades apontadas e os contra-argumentos da própria comunidade médica. [1]

 
1. As Principais Debilidades Apontadas (Teóricas)
Os profissionais de saúde mental que decidiram se manifestar publicamente dividem suas observações em dois grandes eixos: desvios de personalidade (comportamentais) e declínio de capacidades intelectuais (cognitivas). [1, 2]
Eixo Comportamental: Narcisismo Maligno e Transtorno Antissocial
Muitos analistas de comportamento, incluindo psicólogos e psiquiatras focados em perfis de liderança, afirmam que as atitudes de Trump sugerem um quadro de Narcisismo Maligno. Este conceito (não listado oficialmente no DSM, mas amplamente utilizado na psicologia clínica) combina elementos de: [1, 2, 3]
Transtorno de Personalidade Narcisista: Grandiosidade, crença de infalibilidade, necessidade extrema de admiração e ausência crônica de empatia. [1, 2]
Transtorno de Personalidade Antissocial (Sociopatia): Padrão de mentiras repetidas, desprezo pelas regras e leis, impulsividade e falta de remorso ao prejudicar terceiros. [1, 2]
Paranoia e Sadismo: Tendência a se ver constantemente como vítima de conspirações, agressividade vingativa contra opositores e aparente prazer na humilhação de rivais. [1, 2]
Eixo Cognitivo: Sinais de Deterioração Progressiva
Especialistas em geriatria e neurologia têm analisado os discursos públicos de Trump para rastrear sintomas que ultrapassam os traços de personalidade, sugerindo um 

Declínio Cognitivo ou mesmo estágios iniciais de Demência Frontotemporal. Os indícios teóricos apontados incluem: [1, 3] 

Discurso Tangencial: Perda do fio da meada, digressões confusas e a chamada "fuga de ideias" (quando uma palavra engatilha um assunto completamente aleatório). [1, 2]
Confusão Factual e Espacial: Confundir nomes de líderes mundiais, datas e fatos históricos repetidamente. [1, 2]
Perda de Inibição: Aprofundamento de posturas agressivas ou vulgares na internet que, segundo neurologistas, podem refletir a perda de controle de impulsos no córtex frontal conforme o envelhecimento avança. [1, 2]

 
2. Linha do Tempo das Manifestações Médicas (Cronologia)
 

2016–2017: O Alarme Inicial e a Quebra de Paradigmas
Durante sua primeira campanha e vitória eleitoral, milhares de psicólogos assinaram petições organizadas pelo psicólogo John Gartner manifestando preocupação com a estabilidade mental de Trump. Em outubro de 2017, foi lançado o livro de grande repercussão The Dangerous Case of Donald Trump ("O Perigoso Caso de Donald Trump"), onde 27 psiquiatras e psicólogos detalharam o risco que o comportamento do presidente apresentava devido à sua impulsividade e acesso a códigos nucleares. [1, 2, 3, 4]
 

2018: O Teste de Montreal (MoCA)
Pressionado pelas críticas, Trump realizou o Exame Cognitivo de Montreal (MoCA) em 2018. O médico da Casa Branca na época declarou que ele obteve uma pontuação perfeita de 30/30. Médicos independentes reagiram publicamente explicando que o MoCA é uma triagem básica para demência severa (como identificar o desenho de um elefante ou repetir palavras simples), e não um atestado de alta inteligência ou maturidade emocional. [1, 2, 3]

 
2024: O Alerta do Narcisismo no Ano Eleitoral
Em outubro de 2024, uma carta aberta assinada por mais de 200 profissionais de saúde norte-americanos voltou aos holofotes da mídia, afirmando categoricamente que Trump exibia sintomas clássicos de narcisismo maligno e que sua irresponsabilidade comportamental era um perigo para o cargo executivo. [1]

 
2026: Entrada no Registro do Congresso dos EUA
Em maio de 2026, um grupo de mais de 30 médicos seniores (incluindo neurologistas e psiquiatras forenses) enviou uma declaração formal que foi inserida no Registro do Congresso dos EUA. Eles citaram "sinais objetivamente observáveis de preocupação médica séria", como deterioração do funcionamento cognitivo, episódios de aparente sonolência em eventos públicos formais, crenças delirantes de missão divina e severo comprometimento do julgamento. [1, 2, 3]

 
3. Análise Crítica e Controvérsia Científica
O debate sobre a mente de Donald Trump traz profundas implicações éticas e científicas para a medicina, dividindo a própria categoria médica em duas correntes:
A Regra de Goldwater (A Defesa da Ética Tradicional)
A maior parte da comunidade médica institucionalizada, incluindo a American Psychiatric Association (APA), condena rigidamente essas análises públicas. Isso se deve à Regra de Goldwater (criada em 1973), uma norma ética que proíbe psiquiatras de emitirem diagnósticos ou opiniões médicas profissionais sobre figuras públicas que não foram avaliadas pessoalmente em consultório. [1, 2]
O argumento técnico: Diagnosticar à distância com base em aparições na televisão ou postagens em redes sociais é considerado antiético, impreciso e prejudicial à reputação da própria psiquiatria. O renomado psiquiatra Allen Frances, autor dos critérios de Transtorno de Narcisismo no manual DSM-IV, declarou publicamente que Trump não atende aos critérios da doença porque seu comportamento egoísta não lhe causa sofrimento clínico pessoal ou disfunção interna — pelo contrário, suas atitudes lhe renderam dinheiro, fama e poder. [1, 2, 3, 4]

 
O "Dever de Alertar" (A Justificativa dos Dissidentes)
Por outro lado, os médicos que decidiram falar publicamente argumentam que existe um princípio ético maior decorrente da Declaração de Genebra: o dever de alertar o público (duty to warn) quando o comportamento de um líder com poder militar maciço demonstra instabilidade evidente. Eles defendem que não estão fazendo um diagnóstico clínico fechado de gabinete, mas sim uma avaliação de "periculosidade" baseada em um histórico público de dados comportamentais. [1, 2, 3, 4]
Por fim, analistas políticos e médicos apontam que rotular comportamentos puramente ideológicos, estratégias populistas ou falhas de caráter moral como "doença mental" pode blindar o político de sua responsabilidade civil, além de estigmatizar pacientes psiquiátricos reais que não apresentam nenhuma tendência à violência ou ao autoritarismo. [1]

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Grato a Airton Dirceu Lemmertz pela invocação de especialistas, no consultório de Madame IA.

O Sul Global existe, pelo menos é o que parecem acreditar os acadêmicos: Association of Global South Studies Annual Conference

 

Greetings Paulo Roberto Almeida,
A new Announcement has been posted in H-LatAm.

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