sexta-feira, 14 de novembro de 2025

O Retrocesso Invisível: Como o Governo Ignora o Saneamento Enquanto Discursa Sobre Saúde e Clima na COP30 - André Medici

 O Retrocesso Invisível: Como o Governo Ignora o Saneamento Enquanto Discursa Sobre Saúde e Clima na COP30

MEDICI ANDRE 

International Senior Consultant in Health Economics and Health Development Strategy - Author @ Monitor de Saude Blog | PhD in Economic History



November 13, 2025

André Medici


As reuniões do Ministério da Saúde na COP30, em Belém, foram marcadas por discursos grandiosos, painéis inspiradores e um entusiasmo diplomático raro. O governo apresentou-se como líder global na integração entre saúde e meio ambiente, lançou o Plano de Belém e defendeu a importância da resiliência climática para proteger populações vulneráveis.


Mas havia um silêncio ensurdecedor no centro de tudo. O Ministério da Saúde evitou qualquer menção ao maior fracasso ambiental e sanitário do próprio governo — o retrocesso na política de saneamento básico.


Ao exaltar compromissos internacionais, o governo Lula deixou de reconhecer que a reversão do Marco Legal do Saneamento, promovida desde 2023, enfraquece exatamente os pilares que seu discurso internacional pretende defender: proteção da saúde pública, prevenção de doenças ambientais e adaptação aos eventos climáticos extremos.


É difícil liderar o mundo quando se ignora o que acontece no quintal. O Brasil segue paralisado na área de saneamento básico e o governo finge que não vê. O saneamento básico é a infraestrutura mais essencial para a saúde humana. Água potável e esgoto tratado salvam mais vidas do que qualquer nova tecnologia, política climática ou programa emergencial. Ainda assim, o país convive com indicadores que beiram o inaceitável:


quase 35 milhões de brasileiros sem água potável,

mais de 100 milhões sem coleta de esgoto,

em vários estados, menos de 15% do esgoto é tratado,

e boa parte das perdas de água ultrapassa 40%, puro desperdício.

Em vez de acelerar as reformas estruturais aprovadas em 2020, o governo Lula decidiu desmontá-las. Dois decretos — 11.466 e 11.467 — reabriram contratos diretos com estatais sem licitação, enfraqueceram requisitos de solvência e reabilitaram um modelo de saneamento que, por décadas, deixou o país parado no século XIX.


Enquanto isso, na COP30, falava-se em inovação, justiça climática e prevenção de doenças. Faltou apenas mencionar o óbvio: não há política climática possível sem saneamento. Quando não se investe em saneamento, a conta aparece na saúde.


O Ministério da Saúde parece não perceber — ou prefere não admitir — que a falta de saneamento é hoje a principal fragilidade ambiental e sanitária do Brasil. A diarreia infantil, as parasitoses, as hepatites e a leptospirose continuam atormentando famílias pobres. Os surtos pós-enchentes se repetem.


Somado às mudanças climáticas, o problema se agrava: mais calor, mais chuva, mais água parada, mais esgoto exposto, mais vetores. A proliferação de dengue, chikungunya e zika não é um desastre natural — é o resultado direto desta infraestrutura deficiente.


A OMS estima que cada R$ 1 investido em saneamento gera até R$ 4 de economia na saúde. Mas o governo escolheu o caminho oposto: preservar estatais ineficientes, travar privatizações e deixar municípios sem alternativa competitiva. Enquanto a COP30 celebrava “resiliência ambiental”, o SUS se preparava para mais surtos de epidemias evitáveis.


Em Belém, o Brasil se apresentou ao mundo como potência moral e diplomática em saúde e clima. Mas o país que discursava sobre resiliência climática é o mesmo que:


mantém córregos de esgoto a céu aberto nas grandes cidades,

não consegue expandir redes na Amazônia e no Nordeste,

permite que enchentes espalhem doenças,

e tolera indicadores sanitários comparáveis aos países mais pobres do mundo.

O contraste é gritante. O Ministério da Saúde falou longamente sobre adaptação climática, mas não dedicou um minuto àquilo que mais impacta a adaptação no Brasil: saneamento urbano, drenagem, esgoto, abastecimento seguro. Sem isso, tudo o resto vira marketing climático.


Quem mais sofre com a política atual? São as crianças periféricas, indígenas e ribeirinhos, moradores do semiárido, favelas sem drenagem e populações expostas a enchentes e contaminação.


Ao restaurar monopólios estatais e travar investimentos privados, o governo ampliou o hiato entre ricos e pobres. Os indicadores não mentem. Onde houve concessões privadas (Alagoas, Rio de Janeiro, Pará e São Paulo[i]), a cobertura de saneamento cresceu mais em três anos do que as estatais haviam conseguido em trinta. Mas esse fato inconveniente não foi lembrado nas reuniões  sobre saúde e meio ambiente em Belém.


O saneamento é a obra invisível. Ninguém tira foto inaugurando, mas ele salva mais vidas do que hospitais. É a base para saúde, para educação, para produtividade, para clima, para dignidade. Negligenciar saneamento é perpetuar doenças, desigualdade e atraso. O governo Lula poderia ter usado a COP30 para reconhecer erros, ajustar rota e colocar saneamento no centro da agenda climática.


Mas, como sempre, preferiu a omissão. O resultado é um Brasil que, na vitrine internacional, promete resiliência mas, nos bastidores, continua permitindo que milhões vivam entre esgoto, mosquito e descaso. Se o país realmente quer liderar a agenda de saúde e clima, precisa começar dizendo a verdade: não há adaptação climática sem saneamento, e não haverá universalização e equidade na saúde se o país continuar insistindo em modelos de gestão no saneamento que fracassaram por cinquenta anos.


[i] No caso de São Paulo, a SABESP foi privatizada em 2024, mas os resultados na melhoria do saneamento já são visíveis. O contrato prevê 99% de abastecimento de água para a população e 90% de esgoto tratado até 2029.

Lowering Tariffs (?!?!) - Continuidade da guerra de agressão tarifária por Trump (Foreign Policy)

Foreign Policy (Nov. 14) relata as mais recentes medidas impositivas de Trump, o homem que acha que aumentando tarifas vai elevar o bem-estar dos consumidores americanos, e persiste em sua insana guerra tarifária. Apenas um relato das loucuras que deixam a situação pior dos dois lados em cada um desses casos de "acordos comerciais" (unilateralmente impostos aos parceiros dos EUA da forma mais burra possível):


Lowering Tariffs

U.S. President Donald Trump this week secured five new trade deal frameworks to reduce U.S. costs of living, foster greater foreign investment, and address Washington’s trade deficits with other nations. Whether these deals will be enough to reduce high U.S. grocery prices and counter Chinese competition on critical minerals, though, is still to be seen.

On Friday, the United States reached a dual trade deal with Switzerland and Liechtenstein that will lower tariffs from 39 and 37 percent, respectively, to 15 percent. The new rate, set to take effect within the next few weeks, is expected to offer much-needed relief to Bern, which received one of the highest U.S. duties in the world; Switzerland’s initial 39 percent levy was more than double the rate that Washington imposed on the European Union.

Trump justified his particularly high tariffs on Switzerland by pointing to the nation’s nearly $40 billion goods trade surplus with the United States in 2024. To address this, Bern committed on Friday to invest $200 billion during Trump’s second term in key U.S. industries such as pharmaceuticals and gold smelting. Of that, $70 billion is set to be invested next year. Switzerland also vowed to reduce import duties on U.S. industrial products, seafood, and agricultural goods “that Switzerland considers non-sensitive,” and it pledged to buy more Boeing commercial aircrafts.

That deal came one day after Washington struck similar frameworks with four Latin American nations: Argentina, Ecuador, Guatemala, and El Salvador. These deals will keep overall U.S. tariffs of 10 percent on Argentina, Guatemala, and El Salvador and 15 percent on Ecuador, but they will remove U.S. duties on some select goods.

“You will see, for Ecuador for example, bananas is something they want to ship to us, so we expect tariffs will come off bananas,” a senior Trump administration official told the Financial Times, adding that levies could also be reduced on Latin American-exported coffee. Tariffs on textile and apparel products from Guatemala and El Salvador will also be lowered.

U.S. imports of Argentine beef, which originally faced a 10 percent tariff, are expected to now be exempted, though the United States likely won’t change its quota to expand the amount of Argentine beef entering the country. The beef exception highlights Trump’s friendly relationship with far-right Argentine President Javier Milei, whose country Trump gave a $40 billion bailout to despite anger from his fellow Republicans.

As part of the U.S. deals, all four Latin American countries also promised to refrain from imposing digital service taxes, which seek to regulate tech competition in a manner similar to the EU’s Digital Markets Act. They also committed to addressing intellectual property disputes and raising food, health, and safety standards. According to one administration official, the frameworks also included provisions related to critical minerals, which Trump is hoping to secure U.S. dominance over in an effort to curb China’s influence in the region.

Camões e Os Lusíadas - José Paulo Cavalcanti Filho (Chumbo Gordo)

 

Camões e Os Lusíadas. Por José Paulo Cavalcanti Filho

… Há uma razão para falar em Camões agora, amigo leitor, É que, nesta quarta, o Gabinete Português de Literatura me distinguiu com o “Colar do Mérito Luiz Vaz de Camões”. Como complemento, “Em reconhecimento à sua destacada contribuição à cultura e à língua portuguesa”…

Camões

Luís Vaz de Camões veio da pequena nobreza – assim se dizia, na época, dos nobres sem casas nem títulos em Portugal. Desde jovem, passava dias e noites pelas ruas entre pedintes, arruaceiros, prostitutas, desvalidos. Ou nas tabernas. E escrevendo versos por puro prazer, quando possível e, às vezes, em troca de gorjeta. Ou comida.

Era conhecido, pelas incontáveis rixas em que se metia, como Trinca-Fortes. Em uma delas, na noite da procissão de Corpus-Christi, golpeou com espada o pescoço de Gonçalo Borges, cárrego (responsável) dos arreios do rei. Acabou preso no tronco. Libertado por Carta Régia de Perdão, em 7 de março de 1553, teve que pagar quatro mil réis para caridade e foi obrigado a ir servir na Índia. Seria mudança definitiva, em sua vida. Um destino jamais sonhado por seus pais – Simão Vaz de Camões, capitão de nau; e Ana de Sá, dos Macedo de Santarém, doméstica.

Em torno dele, quase tudo é incerto. Sabe-se, dos serviços que prestou na armada portuguesa, que nasceu em Lisboa – ou Coimbra, ou Santarém, ou Alenquer. Talvez em 1523 ou, mais provavelmente, em 1524 (havendo ainda quem sugira começos de 1525). Tendo a lei portuguesa 1540, de 02/02/1924, definido que teria sido em 05.02.1524. Estudou em Coimbra, entre 1542 e 1545, com o tio dom Bento de Camões, prior do Convento de Santa Cruz. Até que voltou para Lisboa. Mas a carreira das armas, logo percebeu, era mesmo das poucas opções que lhe restavam.

Para cumprir aquela sentença de perdão embarcou pouco dias depois, em 24 de março, na poderosa armada do capitão-mor Fernão Álvares Cabral, filho de um Pedro que conhecemos bem. Para Goa (Índia). Ali, naquele mundo para ele novo, sofreu todas as agruras. Numa expedição a Ceuta, perdeu o olho direito em batalha. Mais tarde, em 1558, naufragou na foz do rio Mekong – costa do Sião (hoje, Tailândia). Salvou-se despido, como todos os demais sobreviventes, tendo em uma das mãos os primeiros versos de seu Os Lusíadas.

Nesse episódio teria morrido uma chinesa, a quem Camões deu o nome poético de Dinamene, para quem depois escreveria uma série de poemas. Entre eles o famoso Soneto 48, que todos conhecem, começando assim:

“Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida, descontente,

Repousa lá no Céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste”.

Foi Provedor dos defuntos nas partes da China. Desempenhando suas funções com não muita lisura, é de justiça reconhecer. E, vez por outra, frequentaria prisões. Por dívidas. Ou rixas.  Como dizia o próprio Camões, “Erros meus, má fortuna, amor ardente/ Em minha perdição se conjuraram”. Mas, sobretudo, nunca parou de escrever.

Poesia à Mesa : Primeira edição de "Os Lusíadas"Em 1570, afinal, estava novamente de volta a Lisboa. Com as carências financeiras de sempre. Segundo se conta, sobreviveu durante algum tempo graças ao fiel Jau, trazido das Molucas. Esse escravo esmolava, de noite, pedindo pão para seu mestre. Importante é que Os Lusíadas avançava. Sob o patrocínio de dom Manuel de Portugal, devotou-se então à sagração de seu país – naquela que é considerada, consensualmente, a mais bela epopéia do século XVI.

edição princeps – assim se diz das primeiras edições de um livro – foi impressa na tipografia de António Gonçalves, em Lisboa, no ano de 1572. Com privilégio real de impressão por 10 anos e publicada com um benévolo (e corajoso) parecer censório de frei Bartolomeu Ferreira, sem data. Terá tido também licença da Mesa Inquisitorial – que, todavia, não consta da impressão.

Tem aparato paratextual simples, 8.816 versos e 1.102 estrofes divididas em 10 cantos. Utilizando a divisão da divina Comédia, de Dante – que assim tem, como cantos, seus 100 livros. Há, hoje, cerca de 25 exemplares ainda existentes, em bibliotecas ou nas mãos de colecionadores, talvez menos que 10 completos.

Até fins do século XIX, se acreditava ter havido duas edições princeps, um mito devido a Manuel Faria e Souza – que (em 1639), ao comentar Os Lusíadas, confrontou dois volumes daquele mesmo ano em que o livro foi lançado, 1572; e verificou haver, neles, pequenas diferenças. Depois se comprovando terem sido bem mais que duas. Restando hoje assente que assim ocorreu pelo desejo de Camões, ou seu editor, em corrigir pequenas incorreções das impressões anteriores.

Dando-se que, em alguns casos, foram sendo aproveitados conjuntos de páginas já impressas, antes, e não utilizadas. Fazendo-se, as correções, nas novas páginas impressas. Uma explicação que só se pode compreender pelos rudimentares sistemas de impressão daquela época.

Apesar de numerosos indicativos dessa edição princeps na comparação com as demais, e curiosamente, o que a identifica é um pelicano, à primeira página, com o bico virado para a esquerda do leitor. Além do pelicano, também um detalhe no terceiro verso da primeira estrofe, que começa por “E entre”; enquanto nas versões posteriores, já corrigidas, começa por “Entre” apenas. Essas edições de 1572 tornaram-se conhecidas, por isso, como “Ee” e “E”.

Camões tinha com ele, ao morrer, aquela que acabou tida como a primeira edição autêntica, deixada ao frei Joseph Índio, que o acompanhou num hospital de Lisboa. Esse volume é conhecido como Holland House – por ter estado em casa do general Lord Holland, em Londres, a partir de 1812 e por mais de cem anos.

Outra edição famosa, em Portugal, é a segunda ‒ conhecida como dos piscos. Surgida, em 1584, dois anos após o fim do prazo do alvará que protegia a primeira (de 1572). Impressa pela tipografia Manuel de Lira (em Lisboa), e com licença do mesmo frei Bartolomeu Ferreira, responsável pela autorização da edição princeps. O nome jocoso dado à edição vem de uma citação, nos Lusíadas (Canto III, 65), sobre a “piscosa Cizimbra”.

Sezimbra é uma vila portuguesa no distrito de Setúbal. Abundante em peixes, bom lembrar. Trata-se da primeira edição comentada de Os Lusíadas. Explicando a citação, o comentador, como referência aos pássaros que ali se juntam em passagem para a África, provavelmente se referindo ao Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus Rubecula).

Camões segue a trilha de outras epopéias do passado.  Sobretudo a Eneida, de Virgílio; o que se vê até na comparação dos versos iniciais dos poemas: Canto as armas e o varão, Virgílio; e As armas e os Barões assinalados, Camões. Também a Ilíada e a Odisseia, de Homero. Bem como a divina Comédia, de Dante.

Além de numerosas epopéias surgidas em Portugal, no mesmo século XVI de Os Lusíadas, mas antes dele – como as de André de Resende, Manuel da Costa ou José de Anchieta; e manuscritos que circularam, também antes de 1572, como os de António Ferreira e Jerónimo Corte-Real.

Nele temos o passado, com a exaltação das conquistas em que o povo português foi muito além do Mar Tenebroso. O presente, com o lamento pelo abandono das terras africanas por Portugal – de Safim a Azanos, de Azila a Alcácer Cequer. Sem contar a ameaça turca, conjurada só na batalha naval de Lepanto, em 7 de outubro de 1571.

Mas é, sobretudo, a antevisão de um futuro grandioso, na linha da Utopia do Quinto Império. E ninguém cantou Portugal como Camões. Ver  Canto X, 155,

“Pera servir-vos, braço às armas feito,

Pera cantar-vos, mente às Musas dada;

Só me falece ser a vós aceito,

De quem virtude deve ser prezada.

Se me insto o Céu concede, e o vosso peito

Dima empresa tomar de ser cantada,

Como a pressaga mente vaticina

Olhando a vossa inclinação divina”.

 Pouco antes, em Desenganos, escreveu “Nascemos para morrer/ Morremos para ter vida/ Em ti morrendo”. Assim foi. Luís Vaz de Camões morreria só em 10 de junho de 1580, pouco depois do desastre de Alcácer Quibir – em que desapareceu dom Sebastião, o Desejado, e Portugal passou a ter um rei espanhol.

Foi enterrado na igreja de Santa Ana e seus restos acabaram transferidos, em 1894, ao mosteiro dos Jerônimos, onde repousam num túmulo esculpido em mármore bem na entrada. Consta que disse, ao morrer, “Ao menos morro com a pátria”.

                                                                                                                                    ***********************************************

Há uma razão para falar em Camões agora, amigo leitor, É que, nesta quarta, o Gabinete Português de Literatura me distinguiu com o “Colar do Mérito Luiz Vaz de Camões”. Como complemento, “Em reconhecimento à sua destacada contribuição à cultura e à língua portuguesa”. Homenagem enorme, da qual nem me sinto merecedor. Deve ser por conta da idade…
O Gabinete (com 80 mil livros) está celebrando, agora, seus 175 anos. Um marco importante na história literária e intelectual de nosso estado. Por tudo, pois, grato a seu presidente, o eminente Celso Stamford; e a seu vice-presidente, o caro Alexandre Reis de Melo.
Agradeço, também, ao conselheiro da Embaixada de Portugal no Brasil, o Excelentíssimo senhor doutor Francisco Duarte de Azevedo. E logo encareço permitam uma observação pessoal. Para dizer que se trata de alguém que cultua a exatidão. Por exemplo lembro que foi ao Shopping Center Recife para comprar meias. A balconista desejou ter informações complementares, para melhor atender seu pedido. Reconhecendo aquele cliente como português, e forçando um sotaque lusitano,
‒ Diga mais.
E ele, preciso em tudo,
‒ Mais.
Muito grato a todos. E viva pelos seus méritos, por todos reconhecidos, o Gabinete Português de Leitura.
  • ________________________________________________JOSÉ PAULO CAVALCANTI FILHO

    José Paulo Cavalcanti Filho – É advogado, escritor,  e um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Ex-Ministro da Justiça. Integrou a Comissão da Verdade. Vive no Recife. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, cadeira 39.


Uma mensagem de um general democrata a um dos seres mais abjetos que jamais exerceram um cargo público: de Mark Milley a D.J. Trump

Uma mensagem de um general democrata a um dos seres mais abjetos que jamais exerceram um cargo público: de Mark Milley a D.J. Trump

O general Mark Milley expressou exatamente tudo o que se pode expressar sobre a conduta monstruosamente amoral e nociva do atual presidente americano, com respeito aos altos valores que milhões de soldados americanos e milhares de oficiais como ele souberam defender em nome da democracia, das liberdades, da simples decência humana, coisa que o abjeto personagem guindado ao poder não possui de nenhuma forma. PRA



Livro: Les Dérives d’un continent. L’Amérique latine et l’Occident - Alain Rouquié (L'Histoire)


« Continent hybride »
Les Dérives d’un continent. L’Amérique latine et l’Occident
Alain Rouquié
Métailié, 2025, 204 p., 18 €.

« Sud global » ou « Occident collectif » ? C’est la question centrale que se pose Alain Rouquié sur la place de l’Amérique latine aujourd’hui. Sa réponse est claire : « Qu’on le veuille ou non, l’Amérique latine appartient aux deux ensembles. »

L’auteur revisite la position latino- américaine face aux « deux Occidents » : entre son longtemps hégémonique voisin les États-Unis, qui ne s’y intéresse plus guère et ne voit les choses que sous l’angle des migrations et des affaires ; et l’Europe, qui fut si durablement un modèle (la démocratie libérale, les valeurs judéo-chrétiennes, le capitalisme) mais avec laquelle il est difficile de nouer une relation structurante. Pour autant, il conclut en faveur d’une spécificité créatrice latina plutôt qu’à une désoccidentalisation. Même « l’émancipation indienne » en cours n’a pas le caractère d’une « refondation anti-occidentale ». De l’autre côté, on trouve la Chine, devenue en quelques décennies un acteur clé sur le continent, avec des techniques éprouvées au xixe siècle : achat de matières premières non transformées (minerais, terres rares, soja), construction d’infrastructures pour les acheminer (ports, chemins de fer).

Dans les circonstances actuelles, sans leadership continental, extrêmement divisée face aux nouvelles donnes des relations internationales, l’Amérique latine risque d’être un enjeu majeur pour ceux qui veulent « rattraper, dépasser », voire « anéantir » l’Occident. Et les Européens seraient bien avisés de la considérer vraiment dans la gouvernance du monde. C’est ce que cette admirable synthèse nous suggère fortement.

https://www.lhistoire.fr/livres/%C2%AB-continent-hybride%C2%A0%C2%BB?utm_source=brevo&utm_campaign=251113ELHLivres48_brevo&utm_medium=email  

Livro: Et le monde créa l’Occident. Une nouvelle histoire des mondes anciens, Josephine Quinn (L'Histoire)

Voyage dans le temps

Et le monde créa l’Occident. Une nouvelle histoire des mondes anciens, Josephine Quinn, trad. de l’anglais par Souad Degachi et Maxime Shelledy, Seuil, 2025, 576 p., 29,90 €.

La traduction de ce livre important, paru en anglais en 2024, est une chaleureuse invitation à visiter les mondes anciens dans toute leur incroyable diversité.

Josephine Quinn y défend deux thèses : la première est que le monde tel que nous le connaissons est le fruit de brassages incessants ; la seconde questionne la pertinence de la notion de civilisation, telle qu’elle a été élaborée au XVIIIe siècle.

Voyage dans le temps

Et le monde créa l’Occident. Une nouvelle histoire des mondes anciens, Josephine Quinn, trad. de l’anglais par Souad Degachi et Maxime Shelledy, Seuil, 2025, 576 p., 29,90 €.

Formidable kaléidoscope, la traduction de ce livre important, paru en anglais en 2024, fait découvrir de nombreuses facettes des mondes anciens. Josephine Quinn y défend deux thèses : la première est que le monde tel que nous le connaissons est le fruit de brassages incessants, que l’auteure se plaît à retracer depuis Byblos en 2000 avant notre ère jusqu’aux voyages d’Ibn Battuta au XIVe siècle ; la seconde questionne la pertinence de la notion de civilisation, telle qu’elle a été élaborée au XVIIIe siècle. Celle-ci a non seulement rétréci le monde, en réduisant la matrice de l’Europe à la Grèce et Rome, mais a aussi favorisé une lecture en termes de « blocs de civilisation » distincts, hiérarchisés et destinés à se remplacer. Le point de vue n’est pas inutile, notamment dans une France où la théorie du « grand remplacement » gagne du terrain.

Mais il faut, surtout, lire cet ouvrage pour le plaisir que procurent l’art du récit de l’auteure, les passages fréquents d’une échelle à l’autre, de l’anecdote aux grandes évolutions de l’histoire. L’auteure traite avec la même envie communicative les sujets les moins connus, comme le royaume des Garamantes, à ceux qu’on croit les mieux connaître, comme la Rome augustéenne. Elle rend un hommage réussi à tous ceux qui contribuent à renouveler notre connaissance des périodes reculées, archéologues, anthropologues, épigraphistes, papyrologues ou climatologues. Une chaleureuse invitation à visiter les mondes anciens dans toute leur incroyable diversité.  

https://www.lhistoire.fr/livres/voyage-dans-le-temps?utm_source=brevo&utm_campaign=251113ELHLivres48_brevo&utm_medium=email 


Livre: Tocqueville, de Françoise Mélonio - Laurent Theis (L’Histoire)

Tocqueville, un pessimiste actif

Tocqueville, Françoise Mélonio, Gallimard, 2025, 624 p., 27 €.

Françoise Mélonio livre une magistrale biographie de l’auteur de De la démocratie en Amériquepartagé entre une forte ambition intellectuelle et politique et une lucidité résignée devant une société où il n’est pas chez lui.


Tocqueville, un pessimiste actif

Tocqueville, Françoise Mélonio, Gallimard, 2025, 624 p., 27 €.

Reçu à l'Académie française en 1842, à 37 ans, Tocqueville déclarait : « La génération qui voit finir une grande Révolution est toujours inquiète, mécontente et triste. » Une sorte d'autoportrait ? Françoise Mélonio, dans sa superbe biographie, dépeint en effet un tempérament mélancolique, partagé entre une forte ambition intellectuelle et politique et une lucidité résignée devant une société où il n'est pas chez lui. Ce partage est aussi celui qu'il étudie : entre la liberté et l'égalité, et si l'irrésistible démocratie peut les concilier pour éviter la révolution ; entre l'esclavage, qu'il s'emploie à abolir, et la colonisation en Algérie, qu'il soutient, même de vive force. Son ami Rémusat le décrit exactement : « Le grand mérite de Tocqueville est d'avoir fait ses opinions lui-même. C'est uniquement en observant son temps qu'il a secoué le joug de son milieu d'origine », la vieille aristocratie normande.

Sa volonté de comprendre, y compris en pensant contre lui-même, le conduisit à travers l'Europe, et bien sûr en Amérique, d'où il rapporta le grand livre qui installa sa réputation. De 1839 à 1849, il explora la politique, comme député inclassable puis comme ministre des Affaires étrangères du princeprésident, où il ne réussit guère. Il s'immergea alors dans l'histoire de la fin de l'Ancien Régime et de la Révolution, dont il fut l'interprète de génie. Méprisant les politiciens bourgeois, de Louis-Philippe sous son parapluie à Guizot ou Thiers et en fait un peu tout le monde, il se réservait pour ses amis de toujours, Beaumont, Lanjuinais, Corcelle, pour Marie, son épouse anglaise, et pour son château de Tocqueville où il se ressourçait. Voici comment ce pessimiste actif, traversé d'éclaircies de joie, luttant aussi contre la maladie qui l'emporta précocement, est devenu et demeure, écrit Mme Mélonio, un « héros occidental » 

Laurent Theis est membre du comité de L’Histoire.

https://www.lhistoire.fr/livres/tocqueville-un-pessimiste-actif?utm_source=brevo&utm_campaign=251113ELHLivres48_brevo&utm_medium=email 

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