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domingo, 6 de abril de 2014

IZOT e ALEKS: diplomatas brasileiros agentes da KGB (ainda nao identificados...)

Provavelmente nunca o serão, a menos que Putin -- o novo czar de todas as Rússias, e de mais algumas que ainda não foram devidamente reincorporadas ao ex-império soviético -- tenha um súbito ataque de transparência mórbida, que o faça revelar todos os segredos da antiga KGB, o que é totalmente improvável e impossível que ocorra. Mesmo que ele quisesse, desejasse, pretendesse fazer esse gesto tresloucado, seria devidamente "neutralizado" pelos mesmos serviços, como é lógico e esperado que se faça assim.
O mesmo ocorre e ocorreria na maior democracia do mundo: mesmo que o presidente -- digamos um bocó animado pelo gosto imoderado da transparência -- desejasse terminar com todos os programas de monitoramento da CIA, da NSA e de todos os demais serviços que pululam como champignons nesse grande continente democrático -- e não perverso, como querem fazer acreditar os esquerdistas mais bocós ainda -- ele nunca conseguiria: a lógica burocrática e kafkiana dos serviços de inteligência o impediria.
Assim, nunca saberemos quem foram os diplomatas brasileiros que serviram -- voluntariamente ou não -- como agentes soviéticos durante boa parte da Guerra Fria.
Provavelmente existem ainda alguns, não exatamente remanescentes da Guerra Fria, pois já estariam aposentados e mesmo mortos, mas alguns companheiros que ainda acham que vale a pena morrer por Cuba. Não exatamente isso, claro, mas como no caso dos agentes Izot e Aleks, o quadro é sempre o mesmo: seja por convicções ideológicas -- e portanto, por desejo pessoal de servir uma causa perdida -- seja por chantagem -- mulheres, dinheiro, trapaça, antigamente denúncia de homossexualismo (mas isso já não pega mais, embora tenha sido um motivo poderoso nos velhos tempos da moralidade hipócrita) -- ou por qualquer outro motivo, existem sempre indivíduos dispostos a trair o seu país para servir algum outro, nesse tipo de atividade, que parece ser a segunda mais antiga do mundo, assim dizem.
Pois é, os serviços cubanos, a pedido dos soviéticos, e estes mesmos, diretamente, penetraram nossos códigos em Luanda e em Brasília, e assim leram todas as nossas mensagens confidenciais, as mesmas que o NSA lê regularmente graças ao poderio de sua tecnologia (algo que os soviéticos nunca puderam igualar, por isso tendo de se apoiar nas velhas regras da espionagem, de chantagem ou afiliação ideológica), e isso muito tempo antes que os companheiros estivessem no poder.
Como todos sabem, uma das primeiras providências do Richelieu do Planalto, do grão-vizir do cerrado central -- sim, ele mesmo, o Stalin sem Gulag -- ao tomar posse do que ele julgava ser o Politburo do Comitê Central do aparelho do partido neobolchevique travestido em governo -- enfim, era tudo o mesma coisa para ele, mas como seus mestres cubanos ensinaram, ele precisava antes de montar um aparelho secreto, dentro do aparelho clandestino, dentro do aparelho obscuro do partido totalitário --, retomo, sua primeira providência foi tratar de fazer um acordo internacional (me pergunto se passou pelo Congresso) de cooperação (sic três ou quatro vezes) entre a ABIN, nossos pobres arapongas, e a Inteligência Cubana. Sim, nada menos do que isso, no que ele devia atender a uma ordem dos seus ex-chefes cubanos.
Bem, a pedido de alguns, ou de um, transcrevo o que já tinha postado aqui em outros tempos, mas parece que ninguém prestou atenção.
Os arapongas é que me forneceram a dica, e eu fui conferir no livro: está tudo lá.
Me surpreende que os congressistas, que possuem uma comissão especial para supervisionar o trabalho da ABIN, não tenham nunca se posicionado sobre esse acordo entre brasileiros e cubanos companheiros na mesma espionagem comunista, entre eles ao que parece.
Deixo com vocês, as dicas da publicação.
Cada um faça o que quiser...
Paulo Roberto de Almeida
PS.: Para ler sem os problemas desta transcrição, basta ir neste link:
http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1743-soviet-penetration-of-brazil-e-o.html

quarta-feira, 3 de março de 2010 

1743) Soviet penetration of Brazil (é o caso de se dizer...)

Na verdade, se trata do trabalho de inteligência dos serviços de espionagem soviéticos envolvendo o Brasil, tal como pode ser lido neste livro, que revela apenas uma parte, pequena provavelmente, desse mundo obscuro.
Limito-me a transcrever a informação pertinente ao Brasil contida no livro, sem comentários no momento.

ANDREW, CHRISTOPHER & MITROKHIN, VASILI:
The World Was Going Our Way: The KGB and the Battle for the Third World 
New York: Basic Books, 2005.

Brazil: 89, 96, 104-107; 477
Brasilia KGB Residence: 105-106

p. 96: (1976):
“Among the DGI operations in Angola carried out to assist the KGB was a penetration of the Brazilian Embassy to obtain intelligence on its cipher system. A technical specialist from the Sixteenth (SIGINT, intelligence derived from interception and analysis of signals) Directorate flew out from Moscow with equipment which enabled a DGI agent to photograph the wiring of the embassy’s Swiss-made TS-803 cipher machine.”(33)
(Note 33, p. 519: “k-22, 150. The DGI carried out a similar operation , at the request of the KGB, against the Venezuelan Embassy in Havana.”)
[k stands for “k series: handwritten notebooks containing notes on individual KGB files”, p. 595, on Bibliography, 1. Mitrokhin Archive]

p. 105:
“For most of its existence, the military regime which held power from 1964 to 1985 made Brazil a relatively hostile environment for KGB operations. There was little prospect during the 1970s either of acquiring confidential contacts within government, as in Argentina and Peru, or of finding contacts with direct access to the President, as in Mexico. The KGB’s best intelligence on Brazil probably came from its increasing ability to intercept Brazil’s diplomatic traffic. By 1979 the radio-intercept post (codenamed KLEN) in the Brasilia residency was able to intercept 19,000 coded cables sent and received by the Foreign Ministry as well as approximately 2,000 other classified official communications”(67)
(Note 67, p. 520: “k-22, 128. “Since Mitrokhin had no access to the KGB Sixteenth (SIGINT) Directorate, he was unable to note the contents of any decrypts.”)

SIGINT enabled the Center to monitor some of the activities of probably its most important Brazilian agent, codenamed IZOT, who was recruited while serving as Brazilian ambassador in the Soviet bloc.(68)
(Note 68, p. 521: “IZOT is the highest-ranking Brazilian agent identified in the files noted by Mitrokhin. He provided recruitment leads on three fellow diplomats, including the ambassador of a NATO country in Prague. IZOT had himself been talent-spotted for the KGB by another Brazilian ambassador, an agent codenamed ALEKS; k-22, 235-7”)

“As well as providing intelligence and recruitment leads to three other diplomats, IZOT also on occasion included in his reports information (probably disinformation) provided by the KGB. Assessed by the KGB as ‘adhering to na Anti-American line and liberal views concerning the development of a bourgeois society’, IZOT was a paid agent. His remuneration, however, took a variety of forms, including in 1976 a silver service valued by the Centre at 513 rubles. The Centre has increasing doubts about IZOT’s reliability. On one occasion it believed that he was guilty of ‘outright deception’, claiming to have passed on information provided by the KGB to his Foreign Ministry when his decrypted cables showed that he had not done so.” (69)”
(Note 69, p. 521: “k-22, 235-7; k-8, 551.)
(...)

p. 106:
“Despite hard-line opposition, Figueiredo issued an amnesty for most of Brazil’s remaining political exiles, including Prestes and other leading Communists.”(72)
(Note 72, p. 521: "In May 1980 Prestes was succeeded as a leader of the Brazilian Communist Party by Giocondo Dias. In December Dias sent his thanks to Moscow, via the Brasilia residency, for allowing him, like his predecessor, to nominate Party members for free visits to Soviet sanatoria and holiday homes; k-26, 339”)

p. 106:
“In the spring of 1980 a Soviet parliamentary delegation headed by Edward Shevardnadze, then a candidate (non-voting) member of the Politburo, visited Brasilia. Unknown to their hosts, the plane (Special Flight L-62) carried new radio interception equipment to improve the performance of the residency’s SIGINT station, and took the old equipment with it when it left. (...) (74)
(Note 74, p. 521: “k-22, 1, 3”)

[End of transcriptions related to Brazil]

ANDREW, CHRISTOPHER & MITROKHIN, VASILI. The World Was Going Our Way: The KGB and the Battle for the Third World (New York: Basic Books, 2005).

See also, by the same authors: The Sword and the Shield: The Mitrokhin Archive and the Secret History of the KGB


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