Enviado por Jonathan Yuri:
Quando se trata em descrever tamanha figura que existiu no Brasil, não me contento a dizer meras palavras feitas ou um simplório bibliográfico.
José Guilherme Merquior nos deixou há anos, em plena atividade intelectual, porém sua obra e pensamento se tornou eterno e hoje, é impossivel tratar sobre liberalismo social no Brasil sem mencioná lo.
Ao procurar uma definição do que foi e é a pessoa de José Guilherme, me remeto as palavras de Eduardo Portella: 'A mais fascinante máquina de pensar do Brasil pós-modernista — irreverente, agudo, sábio", cito a Revista Veja 'José Guilherme Merquior foi um filósofo pop, uma espécie de metaleiro do pensamento, que adorava duelos públicos', tanto que, comprou briga com Caetano Veloso e dona Marilena Chaui.
Nascido em 1941, no Rio de Janeiro, foi diplomata, escritor, filósofo, sociólogo e bacharel em Direito, tendo uma das formações universitárias mais destacadas e completas, em 1962 tira a licenciatura em Filosofia, Bacharel em Direito, no ano de 1963, e no mesmo ano recebe o diploma do curso de preparação à carreira diplomática, aluno titular do Seminário de Antropologia do College de France (1966 a 1970); Doutor em Letras pela Universidade de Paris (1972); PhD em sociologia pela London School of Economics and Political Science (1978) e Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco (1979).
Como professor, ministrou aulas nos seguintes cursos:
Instituto de Belas-Artes - Rio de Janeiro (1963); curso de História da Literatura Brasileira, na Universidade do Ar; curso de pós-graduação sobre o modernismo brasileiro (Universidade Nova de Lisboa, 1976); curso de Estética Contemporânea, (Montevidéu - julho de 1981).
Ministrou conferências sobre Arte, Literatura, Filosofia, Sociologia, Semiologia e História da Civilização em várias Universidades brasileiras. Participou de vários eventos de natureza cultural em nosso país e no exterior.
A 07 de setembro de 1963, data em que recebeu diploma como terceiro secretário, exerceu funções nos seguintes gabinetes:
Ministério das Relações Exteriores; Divisão de Cooperação Intelectual; Oficial de Gabinete do Ministro de Estado; Secretário da Delegação brasileira à II Conferência Interamericana Extraordinária; Terceiro Secretário na Embaixada do Brasil em Paris, 1966, e Segundo Secretário no ano seguinte; Primeiro Secretário em Bonn (1973); Primeiro Secretário em Londres (1975/1979); Conselheiro, em Montevidéu (1980/1981); Ministro de segunda classe em Montevidéu (1982) e Ministro-conselheiro na Embaxada do Brasil em Londres (1983).
Em 1982, se elege membro da Academia Brasileira de Letras, sendo empossado no ano seguinte.
Ao lado de Roberto Campos, trabalhou no governo Collor, tendo colaborado com o discurso de posse do então presidente. Foi convidado a ser Secretário da Cultura neste governo, convite este recusado.
Faleceu em Nova York, aos 49 anos, de um terrível câncer, deixou, porém para nós uma imensidão de escritos, tanto como prolífico escritor e polímata humanista.
Obras mais importantes:
O Estruturalismo dos Pobres e outras Questões (1975)
Verso e Universo em Drummond (1976)
De Anchieta a Euclides (1977)
Rousseau and Weber (1980)
O Fantasma Romântico e outros Ensaios (1980)
As Idéias e as Formas (1981)
A Natureza do Processo (1982)
O Elixir do Apocalipse (1983)
O Argumento Liberal (1983)
Michel Foucault, ou o Niilismo de Cátedra (1985)
Crítica (1990)
O Véu e a Máscara (1997)
De Praga a Paris: uma Crítica do Estruturalismo e do Pensamento Pós-Estruturalista (1991).
Completa hoje 19 anos de sua partida, mesmo sem conhecê-lo (pois nasci em 1990), me surpreendo cada dia mais ao ver tamanha astúcia e genialidade, de uma alma que se eternizou pela 'arte de metabolizar idéias', num país tão em falta delas.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 23 de abril de 2010
2058) Jose Guilherme Merquior: 19 anos de sua partida
Labels:
Jose Guilherme Merquior,
obras
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Qual Carney, Davos ou Nova York? - Gunther Rudzit Interesse Nacional
Qual Carney – Davos ou Nova York? Gunther Rudzit Interesse Nacional https://interessenacional.com.br/portal/qual-carney-davos-ou-nova-y...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
O Equador, talvez "mal acostumado" com a prática de asilo diplomático em países tão instáveis e conturbados quanto os latino-ameri...
-
Brasil dá as costas ao futuro Editorial da The Economist (25/09/2026) Nota preliminar PRA: Não concordo inteiramente com este editorial ...
-
O livro está pronto; só falta imprimir: HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO BRASIL: DOS DESCOBRIMENTOS AO FINAL D...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
Institute for the Study of War on Russia’s behavior towards Ukrsine, Europe and NATO Introduction Russia is operating within a war framewor...
-
PORQUE NÃO VOTAR EM FLÁVIO Artigo da revista Fórum, copiado por Walmyr Buzatto . ************************** Em 2007, Flávio Bolsonaro subi...
-
O Google me ofereceu carregar o Gemini na lista de programas favoritos. Preciso primeiro testar para detectar algum erro clamoroso. Acho qu...
-
H-Diplo: New posted content Hume on Ludwig, 'Unwelcome Shores: Black Refugees in America' [Review] H-Net Reviews Ludwig, Bernadett...
Nenhum comentário:
Postar um comentário