Interessante a matéria abaixo, de uma agência de imprensa também detentora de afinidades eletivas, como diria Goethe.
Mas algumas precisões devem ser feitas:
O Brasil está financiando a fundo perdido, ou seja, esses empréstimos nunca serão pagos, embora se possa dizer que o financiamento é feito em causa própria (mas sempre fica uma parte de fornecimento local, e o fato é que o dinheiro nunca vai retornar ao Brasil). Fornecimento alimentar, por princípio, é gasto corrente, ou seja, vai apenas permitir que os cubanos comam um pouco melhor do que a magra ração da sua penúria habitual das "libretas de racionamento", uma realidade dos últimos 50 anos, sem que haja, portanto, qualquer investimento produtivo. Não é certo, portanto, que o financiamento gere recursos para ser pago mais adiante. Aliás, o certo é que ele NUNCA vai gerar recursos novos para que ele seja pago, e talvez a intenção, das duas partes, seja essa mesma. Ou seja, é um "empréstimo de desespero", apenas isso.
Não é certo, por outro lado, que esse porto de Mariel venha a ser um hub local, uma vez que as relações comerciais entre o Caribe, a América central e o império estão muito bem assentadas em portos e centros comerciais muito bem estabelecidas. Cuba perdeu o bonde da história, e ficou totalmente isolada dos vínculos comerciais, como resultado do auto-isolamento das últimas décadas. Só o Brasil acredita que Mariel será um centro de comércio regional.
Podem me cobrar dentro de poucos meses, mas já antevejo o que vai ocorrer...
Paulo Roberto de Almeida
O presidente cubano, Raúl Castro, e o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, acertaram nesta quinta-feira um crédito de 200 milhões de dólares de Brasília ao programa alimentar de Cuba, informou a TV estatal em Havana.
Raúl Castro e Fernando Pimentel conversaram "sobre o desenvolvimento ascendente das relações bilaterais e reafirmaram o propósito de trabalhar por seu contínuo fortalecimento", destacou a TV cubana.
Pimentel firmou com o ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, o crédito de 200 milhões de dólares para importações do programa alimentar da Ilha.
"Estes recursos serão liberados em três partes - a primeira durante 2012 - e as demais em 2013, para financiar a exportação de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiros".
Pimentel também visitou as obras de ampliação do porto de Mariel, 50 km a oeste de Havana, e ofereceu a Malmierca "assistência jurídica para construir o marco regulatório desta zona especial".
A ampliação do porto de Mariel é a maior obra de infraestrutura empreendida por Raúl Castro. O terminal de contentores não atenderá apenas o comércio cubano, mas a outras nações da bacia do Caribe.
"Temos todo o interesse em colaborar na definição deste modelo para trazer o máximo possível de empresas brasileiras", destacou Pimentel Malmierca declarou que a experiência jurídica brasileira é importante para uma maior integração das empresas do Brasil em Cuba.
"Oferecemos transferência tecnológica em troca de investimentos em fábricas e (a zona especial de) Mariel poderá servir para isto", disse o ministro cubano.
As operações portuárias devem começar em Abril de 2013, antes da conclusão das obras, fixada para Outubro do mesmo ano.
O Brasil financia 85% as obras - que totalizam 800 milhões de dólares - por meio do Banco de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Brasil-Cuba: afinidades afetivas? - Financiando o calote futuro...
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Um comentário:
Como disse o ministro Ayres Brito no post acima, me permita a coloquialidade, mas o investimento vai virar "trampa"!
Vale!
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