Não sou homem de tribos, de grupinhos ou grupelhos, de movimentos, de clãs, de corporações, enfim, de qualquer coletividade que pretenda assumir um determinado conjunto de ideias e defendê-las em quaisquer circunstâncias.
Por isso mesmo não me defino em função dos conceitos normalmente esgrimidos por polemistas, debatedores, intelectuais, tribunos, enfim, quaisquer personalidades que pretendem intervir no debate público (quando existe, o que infelizmente não é quase o caso no Brasil). Muitos se dizem, ou são acusados de, progressistas, esquerdistas, marxistas, avançados, liberais, conservadores, direitistas, livre-cambistas, radicais ou até reacionários. Que seja!
De minha parte, não sou nada disso, pois seria simplesmente redutor. Acredito que a realidade impõe determinadas escolhas, em circunstâncias dadas (e não transformáveis pelos indivíduos), que nos obrigam a definir a melhor utilidade possível, ou o menor custo de todas as demais opções, e isso é feito na prática, ainda que valores possam inspirar nossas ações. Sacrificar a liberdade individual em favor de um hipotético bem coletivo não faz parte de minhas opções, e portanto a única coisa que eu poderia ser seria a de ser um contrarianista ou um libertário radical, sempre disposta a escolher o melhor caminho, indepedentemente da afiliação ideológica de certas soluções. Algumas serão estatais, por certo, outras privadas e de mercado. Assim sou, ponto.
Por que digo isto?
Por ter recebido esta manha um comentário que de certa forma censura minha postura em relação a determinados "intelectuais" (não gosto do conceito, sendo mais um adepto de Paul Johnson, para quem os "intelectuais" são um perigo público), já que eu me distancio, de certa forma, de polemistas como Olavo de Carvalho ou Reinaldo Azevedo.
Vou explicar minha posição e postar o que recebi (e que exclui da zona dos comentários para postar aqui, com distinção), para facilitar o debate futuro. Não defendo pessoas, ou posturas de outrém: defendo ideias e debato ideias. Daí a preservação de minha independência mesmo em relação a pessoas que poderiam comungar do mesmo universo mental que o meu, que defendem mais ou menos os mesmos princípios e valores. Mas nunca abdico de minha independência para julgar eu mesmo o que é melhor do ponto de vista individual e social.
Dito isto, vou postar aqui o que recebi, e preparar o terreno para um debate futuro. Agora preciso trabalhar.
Voltarei ao assunto.
Paulo Roberto de Almeida
Eduardo Leite deixou um novo comentário sobre a sua postagem ""Debate" de ideias: miseria da academia, e do jorn...":
Não entendo porque um homem como o senhor, de reconhecida erudição e inteligência, também demonstra esta necessidade juvenil de se justificar por ler este ou aquele autor.
A fraqueza perante a opinião é sem dúvida um dos grandes causadores da decadência cultural, intelectual e educacional que hoje enfrentamos. E se ela atinge até mesmo homens de coragem e brilhantismo como o senhor, que esperança podemos ter em algo que um dia mereceu a alcunha de cultura brasileira?
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Postado por Eduardo Leite no blog Diplomatizzando em 09/04/13 03:28
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 9 de abril de 2013
Um debate de ideias: sem justificativas, mas preservando a independencia intelectual, e individual
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