Passeando pelos Estados Unidos sob pretextos culturais -- congresso da Latin American Studies Association, em Chicago -- encontramos vários amigos e colocamos a conversa em dia.
Dizer que viajamos por motivos acadêmicos seria uma inverdade, pois nada de muito interessante me atraía nas dezenas, centenas de painéis da LASA, realizados num grande hotel do South Loop de Chicago, a dois passos do Art Institute, onde passamos o primeiro dia, vendo muita coisa, sobretudo uma exposição especial sobre o Egito depois de Alexandre (vejam mais abaixo), e comendo no Terzo Piano.
No segundo dia, fomos ao Navy Pier, para o Smith Museum of Stained Glass, provavelmente o maior, mais famoso, mais completo e mais bonito dos EUA em vitrais, inclusive muitos do Louis Comfort Tiffany.
No terceiro, fomos jantar fora...
Bem, na verdade, só assistimos dois painéis, sendo um o meu próprio, sobre lideranças políticas e protestos no Brasil. O outro foi sobre as eleições no Brasil, com a participação de Paulo Sotero (Brazil Institute do Wilson Center de Washington), David Fleischer (da UnB e conhecido especialista na política brasileira) e Thomas Trebat, da Columbia University (atualmente no Rio de Janeiro).
Faltei a um ou dois que me interessavam, mas não lamento ter perdido a maior parte.
Havia um no qual se falou de "sexo depois do neoliberalismo", o que me deixou boquiaberto. Não imaginava que o sexo pudesse mudar (a sua prática, quero dizer) em função de regimes políticos ou econômicos. Será que o neoliberalismo inibe a libido? Ou seja, seria ele broxante? Sinto muito mas não sei dizer, pois faltei ao painel.
Em todo caso, de todas as conversas que tivemos, muitas deles sobre viagens, consegui reter duas observações brilhantes contadas entre risos em rodas de conversa:
Ouvido por acaso no Coliseu de Roma, um marido brasileiro dizendo para sua distinta esposa:
"Fotografa, fotografa, era aqui que o faraó atirava os cristãos para serem comidos pelos leões..."
Fecha o pano rápido, como se dizia antigamente...
Um outro amigo confessa que, cada vez que encontra um bando com sacolinhas da CVC, ele sai correndo de perto...
Má estratégia, pois ele deixa de ouvir pérolas como a transcrita acima.
Ou esta outra, a propósito do famoso Obelisco que está na praça de la Concorde, no começo do Champs Elysées, em Paris:
"Quando o faraó deu o obelisco para o Napoleão..."
Bem, o resto fica para a imaginação de vocês.
Retomo a pergunta do título: viagens ilustram?
Depende...
Em alguns casos, fortalece a ignorância...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 27 de maio de 2014
As viagens ilustram? Depende de qual estagio cultural se parte...
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