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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Brasil: a caminho do despenhadeiro? - Paulo Roberto de Almeida

Mini-reflexão sobre a confusa conjuntura política brasileira a 120 dias de uma governança desgovernada
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 9 de maio de 2019 

O Brasil encontra-se no limiar de um desarranjo institucional da governança: o PR não consegue pensar ou agir sem as muletas mentais de um destrambelhado guru à distância e sem a indução próxima de assessores familiares transtornados por uma ambição descontrolada pelo poder, sem qualquer critério de racionalidade ou de funcionalidade normalmente associados ao exercício da PR. O país vai sendo levado por uma estrada cheia de curvas por um motorista míope, sem GPS ou mapa, e sem qualquer noção da direção que pretende tomar, tendo como passageiros apreensivos 200 milhões de contribuintes compulsórios de um itinerário desconhecido.
A correta rejeição dos eleitores do projeto mafioso que nos levou à Grande Destruição lulopetista da economia (ainda longe de ser superada) nos legou uma mera inversão de mensagens e símbolos, sem qualquer projeto racional de reconstrução da governança econômica e política, entregues que fomos a uma pequena tropa de despreparados, armados de uma ideologia salvacionista sem qualquer conexão com a realidade. 
Resumindo: um Simão Bacamarte sem qualquer diploma ou formação adequada pretende nos enfiar a todos num Sanatório Geral já dilapidado pela horda de corruptos ineptos que nos governou até pouco tempo atrás.
Como sou irreligioso, não vou terminar por um “Deus salve o Brasil”, pois isso não serve para absolutamente nada. 
Seria preciso que um pequeno grupo de candidatos a “estadistas” conseguisse conquistar a confiança de um número maior de responsáveis políticos com vistas a elaborar um projeto racional de “controle emergencial de danos”, antes de sequer pensar num projeto mais ambicioso de reconstrução nacional, que provavelmente vai demorar uma geração inteira para ser executado. 
Isso vai ocorrer, tem chance de acontecer?
Sou cético a esse respeito, inclusive pela inexistência atual de travas institucionais ou políticas ao motorista míope e desmiolado a que já me referi.
Ou seja, o Brasil continua caminhando “to the brink”, sem qualquer indução externa que o tenha levado ao borde do despenhadeiro. A “marcha dos insensatos” é inteiramente “made in Brazil”, por nossa própria irresponsabilidade eleitoral e deseducadação política da maior parte dos eleitores. 
Lamento pelo pessimismo desta nota, mas é o que consigo diagnosticar numa fase especialmente sombria de nossa trajetória nacional. 
O “coletivo” continua sendo dirigido por um despreparado.
Paulo Roberto de Almeida 
Brasília, 9 de maio de 2019.

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