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quarta-feira, 8 de maio de 2019

O que Bolsonaro poderia ter aprendido com Aisin Gioro Pu Yi? - Fabio de Oliveira Ribeiro

O que Bolsonaro poderia ter aprendido com Aisin Gioro Pu Yi?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Humilhado pelo prefeito de New York apesar de fazer tudo o que seus patrões norte-americanos desejam, ele não sabe como reagir.

O que Bolsonaro poderia ter aprendido com Aisin Gioro Pu Yi?

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Aqui mesmo no GGN teci uma série de considerações sobre o Reich bananeiro. Antes, de falar sobre o assunto que me chamou a atenção retomo algumas delas:
A derrubada de Dilma Rousseff criou o vácuo político utilizado por Jair Bolsonaro para ganhar a eleição. Assim que tomar posse ele pretende expandir esse vácuo de duas maneiras: esvaziando a presidência de suas prerrogativas governamentais e inventando para si mesmo o papel de censor supremo da moralidade e dos bons costumes do Reich bananeiro.
Bolsonaro não é tolerante como Dilma Rousseff. A presidenta petista caiu porque preservou a liberdade de imprensa. Desde que foi eleito o Sieg Heil Führer tupiniquim deixou bem claro que não irá tolerar críticas. Ele prometeu punir financeiramente as empresas de comunicação que façam oposição ao seu governo. Isso foi o suficiente para convencer* algumas delas a demitir jornalistas que criticaram Bolsonaro.
O Führer disse que o dinheiro público investido nas universidades públicas é jogado na lata do lixo. Revogados estão, portanto, o disposto nos arts. 207 e 208, inciso V, da CF/88. A obrigação estatal de custear a educação pública (art. 212, da CF/88) deixará de existir.
Lula é refém da agenda neoliberal que se recusou a endossar. Separado de seu líder, o povo brasileiro não consegue resistir à exclusão social e à opressão político que pretende transformar o Brasil num apêndice do capitalismo financeiro dos EUA. Os juízes deixaram de ser agentes da legalidade. Eles se transformaram em terroristas políticos a serviço de uma ordem econômica que contradiz os fundamentos da constituição cidadã que eles deveriam cumprir e fazer cumprir.
As condições de possibilidade para o presidente Jair Bolsonaro se autoproclamar ditador em 2019 são infinitamente menores do que aquelas que existiam antes do Marechal Castelo Branco derrubar João Goulart em 1964. Além disso, uma rocha imensa está se levantando entre o ambicioso capitão e o poder absoluto que ele deseja exercer. Se continuar trocando a política pelo Twitter, prejudicando o Brasil a apostando no tudo ou nada, Bolsonaro pode acabar sendo deposto pela articulação político-industrial-jornalístico-militarque já começou a se formar em torno do General Mourão.
De maneira geral, quase todas essas afirmações foram confirmadas nos últimos dias. Bolsonaro decidiu estrangular mortalmente o sistema educacional brasileiro sob a dupla alegação: preservação da moralidade e contenção do desperdício de dinheiro. A decisão da Folha de censurar o pronunciamento inicial de Lula e a da Rede TV de não transmitir a entrevista feita com o ex-presidente pelo jornalista Kennedy Alencar são sinais claros de autocensura provavelmente motivadas por chantagens financeiras.
Num dia os advogados de Lula anunciaram que o ex-presidente pedirá seu direito à prisão domiciliar. No outro o Desembargador Gebran Neto, que atua na Câmara Lavajateira do TRF-4, anunciou que o regime semi-aberto deveria ser extinto. Gebran é amigo de Sérgio Moro. Portanto, a interferência inoportuna dele numa questão que diz respeito exclusivamente ao Poder Legislativo – se um desembargador quiser mudar a Lei Penal ele terá que abandonar a toga e disputar o cargo de Deputado Federal – confirma a existência de uma verdadeira conspiração entre membros do Judiciário e do Executivo para manter Lula na condição de refém político do Ministro da Justiça e/ou de Bolsonaro.
A economia real brasileira continua derretendo. O desemprego aumentou e os eleitores de Jair Bolsonaro começaram a abandonar o barco dele. A política externa confusa – e aparentemente orientada por uma mistura explosiva de ideologia anticomunista dos anos 1950 e fanatismo religioso do século dos anos 2000 – está provocando uma contração das exportações. Com consumo interno em queda por causa do empobrecimento da população brasileira, ninguém conseguirá salvar as finanças dos produtores rurais que deixaram e/ou deixarão de exportar seus produtos para o Oriente Médio, para a Venezuela e a China.
O conflito internacional entre Jair Bolsonaro e o prefeito de New York, que resultou numa derrota humilhante para o presidente brasileiro definiram os limites do poder de censor supremo da moralidade e dos bons que Bolsonaro pretendia exercer. Rejeitado pelos gays norte-americanos, ele não pode nem mesmo apelar para o nacionalismo dos gays brasileiros. Isso explica porque coube ao vice-presidente o encargo de confrontar o prefeito de New York.
No momento em que escrevo estas linhas, o presidente do Brasil deve estar se sentindo tão isolado e impotente quanto o último imperador chinês no período em que ele foi governante de Manchukuo. Ao rebaixar nosso país à condição de Estado vassalo dos EUA, Jair Bolsonaro imaginou que teria alguma liberdade para agir dentro e fora do país. Ao ser humilhado pelo prefeito de New York e colocar o rabo entre as pernas, Bolsonaro deve ter percebido que estava enganado. Nenhuma novidade, Aisin Gioro Pu Yi também não demorou muito para descobrir que era apenas um fantoche nas mãos do comandante militar japonês da Manchúria.
Nos anos 1980 Bolsonaro revelou seu desejo de ser ditador. Ao se submeter ao governo dos filhos, dos generais da reserva, de um pastor fanático e do astrólogo que se diz filósofo, ele conseguiu transformar seu sonho em pesadelo.
O isolamento político do presidente é evidente. Ele não comanda a economia, não pode comandar as Forças Armadas, perdeu o controle sobre a imagem internacional do seu governo e luta contra a rebeldia de sua própria base parlamentar. Bolsonaro chegou ao poder surfando na onda de anti-petismo criada e amplificada pela imprensa para derrubar Dilma Rousseff. Ele se tornou o herói dos pobres de direita. Com a economia desmanchando, isso não será bastante para mantê-lo no poder.
Nenhum analista precisa ser muito perspicaz para perceber que o presidente do Brasil será incapaz de ampliar sua base de apoio popular. Para que isso ocorresse seria necessário, por exemplo, que o Pastor Malafia começasse a reconhecer os “gays de Jesus” e a organizá-los em torno do presidente. Os únicos que não abandonarão Bolsonaro serão os robôs que povoam o Twitter e o Facebook tentando espalhar a mensagem do Messias tupiniquim que foi reconhecido publicamente como tal pelo Chanceler caipira.
Com a derrota para o prefeito de NY, o Itamaraty chega ao fundo do poço. Ernesto Araújo envergonha a diplomacia brasileira. Se tivesse um mínimo de patriotismo ele renunciaria ao cargo e pedia asilo político no Burundi, onde poderia viver em paz até ser esquecido.
Um dos aspectos mais interessantes desta fase que estamos vivendo é a oscilação do vice-presidente. De vez em quanto o general Mourão se esforça para aparecer como uma alternativa viável às loucuras bolsonarianas. Entretanto, sempre que Jair Bolsonaro fica vulnerável por causa de seus erros o general-vice corre para defender o presidente e/ou para atuar como se fosse seu fiel cão de ataque. A lealdade desleal de Hamilton Mourão à Bolsonaro já está custando caro ao Brasil. O vice tem que decidir se vai afundar nosso país junto com o presidente maluco ou se afundará o barco dele antes disso para salvar o pouco que restou aos brasileiros.
Hitler acreditava que o III Reich duraria 1.000 anos. Ele somente existiu entre 1933 e 1945. Tudo indica que o Reich bananeiro não vai durar 1.000 dias. Mas se Bolsonaro não for imediatamente deposto o estrago que ele provocará ao sistema educacional do país será sentido por mais de um século.
Aisin Gioro Pu Yi foi coroado imperador da China, mas passou boa parte da vida tentando recuperar o império que havia perdido. Ele também foi coroado imperador de Manchukuo e se tornou um marionete nas mãos dos militares japoneses. Hitler sonhou ser artista. Rejeitado pelo meio artístico vienense ele se tornou soldado e, depois, se voltou para a política. Bolsonaro foi expulso do Exército e sonhou se tornar Hitler. O máximo que ele conseguiu foi virar um exemplo típico de manchurian president latino-americano.
Humilhado pelo prefeito de New York apesar de fazer tudo o que seus patrões norte-americanos desejam, ele não sabe como reagir. Se tivesse prestado atenção à biografia de Pu Yi, Bolsonaro teria aprendido algo útil.

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