Visita do candidato da extrema-direita a Mister DJT: minhas respostas a questões colocadas por um órgão da imprensa
Paulo Roberto de Almeida
Um órgão da imprensa brasileira mais próximo da direita do que do centro (jamais da esquerda) interrogou-me sobre a visita do candidato da extrema-direita bolsonarista ao ocupante esquizofrênico da Casa Branca, quem eu considero um rei Midas ao contrário, ou seja, tudo o que ele toca vira pó, ou outra coisa; isto é: geralmente os candidatos apoiados por ele acabam perdendo as eleições vergonhosamente. Neste caso, nem sabemos ainda se o candidato, abatido antes de lançar voo por um míssel do banqueiro mais corrupto da história econômico-financeira do Brasil, talvez nem seja candidato, não por culpa do megalomaníaco presidente, mas por sua própria sede de $$$.
Em todo caso, como desconfio que esse órgão da imprensa não vai publicar minha opinião, eu já a posto neste espaço, à disposição de todos os meus amigos e inimigos (pelo teor das respostas, evidentemente). Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22/05/2026
Visita do candidato Flavio Bolsonaro a Donald Trump:
questões de órgão da imprensa brasileira
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Respostas PRA:
1. Qual o peso político de uma reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump neste momento de crise para o pré-candidato do PL?
PRA: Nenhum peso político, ou se houver algum, ele será totalmente negativo. O candidato acaba de ser desmentido duas vezes por matérias do Intercept justamente por ter mentido a respeito de suas relações promíscuas com um ex-banqueiro corrupto, a quem foi pedir dinheiro que deveria já ter desconfiado, antes de o fazer pelas informações que já circulavam a respeito da situação pré-falimentar de Vorcaro, em decorrência de suas falcatruas no mercado financeiro. Ele o faz em tom de súplica, não exatamente para financiar um filme que ele sabia que já estava quase pronto, e amplamente financiado por outras fontes altamente suspeitas, mas provavelmente para alimentar sua campanha extra-oficialmente (ou seja, à margem dos financiamentos partidários e eleitorais autorizados legalmente) ou então para sustentar a vida de seu irmão “refugiado” nos EUA (para escapar da Justiça brasileira).
A visita a Trump se apresenta até como prejudicial, na medida em que se trata do presidente – ao qual o pai prestou uma submissão abjeta anteriormente – que mais prejudicou o Brasil no terreno comercial e nos ataques indevidos ao sistema de Justiça do Brasil, ou seja, ademais da própria ilegalidade do tarifaço político, em julho de 2025, outra medida ilegal, ao aplicar a Lei Magnitsky num caso absolutamente alheio ao escopo da lei americana, que visa sancionar criminosos políticos, dirigentes corruptos ou criminosos comuns, e não agentes oficiais de uma instutuição de Estado do Brasil.
O fato é que a família Bolsonaro, numa extraordinária iniciativa de traíção à pátria, e em detrimento de milhões de agentes econômicos do Brasil, se esforçou politicamente para sabotar os interesses nacionais e a própria economia nacional unicamente visando objetivos familiares, mediante a mobilização das mais altas autoridades de um país com o qual o Brasil mantinha relações normais por dois séculos, sendo aliás o mais importante parceiro econômico do país, com a único finalidade de causar prejuízos a milhões de brasileiros, em sua sanha egoísta de vingança contra o governo em vigor. Trata-se de algo inaceitável sob qualquer critério, e a imagem de Trump no Brasil é a mais negativa possível, com exceção, possivelmente, de bolsonatistas fanáticos, mal informados, ou traidores como a família em questão. Uma visita que ocorre no bojo de outras graves denúncias contra o candidato tem toda a chance de ser ainda mais prejudicial do que o imaginado, pois confirma a submissão política de um pretenso candidato ao mais alto cargo na nação a um dirigente estrangeiro, um dirigente que perturbou todo o comércio internacional e desmantelou o multilateralismo político e as alianças consagradas.
2. Até que ponto a imagem de Trump ainda mobiliza o eleitorado conservador brasileiro?
PRA: Apenas pessoas desinformadas, muito ingênuas, ou totalmente fanatizadas pela família Bolsonaro podem ter qualquer respeito por um dirigente desequilibrado, que ameaça continuamente outros países de tarifaços ilegais do ponto de vista do sistema multilateral de comércio, ou que pretende tutelar outros países – como já ameçou fazer com toda uma série de nações: Panamá, Canadá, Dinamarca, México, Colômbia, concretamente no caso da Venezuela, Irã, agora em relação a Cuba – para torná-los submissos ao alegado poder de um império declinante que pretende ainda ser respeitado por outros Estados soberanos. Acredito que a imagem de Trump é a mais desgastada de toda a história dos presidentes americanos, e os brasileiros bem informados, não dependentes dessa afeição de uma família de políticos medíocres por um dirigente sem escrúpulos, não podem apreciar o megalomaníaco político.
3. O fato de Trump ter recebido recentemente Lula reduz ou aumenta a necessidade política de Flávio demonstrar proximidade com o republicano?
PRA: Ele espera obter essa proximidade ilusória, esquecendo porém que Trump tem unicamente como foco seus interesses pessoais, os familiares e os dos EUA, nessa ordem, não tendo qualquer consideração por personagens políticos de outros países, a menos que eles lhe emprestem submissão, façam bajulação indevida e prometam ganhos financeiros. Trump não se importa minimamente com ideologia ou com o que pensem dirigentes estrangeiros, tanto que busca boas relações pessoais com aqueles que permitam aos EUA, e a ele e a sua familia mais especialmente, obter ganhos materiais concretos. O que pode ganhar Flavio Bolsonaro com um dirigente desprezado no Brasil? Aparentemente muito pouco. O possível efeito de propaganda em campanha – para demonstrar prestigio junto a um dirigente de uma grande potência – já fica diminuído pelo fato de que o presidente Lula já obteve esse contato em três oportunidades anteriores, recebebendo inclusive elogios do megalomaníaco.
4. Qual o efeito interno dentro da direita brasileira de uma eventual sinalização pública de apoio ou simpatia de Trump a Flávio Bolsonaro?
PRA: Não acrescentará praticamente nada fora da bolha já conquistada de aderentes fanáticos ao bolsonarismo e ao estilo truculento (e ridículo) do desequilibrado dirigente. Apenas pessoas totalmente desligadas dos interesses concretos da economia e da sociedade brasileira podem encontrar qualquer efeito simpatia ou de apoio a um candidato que já sofre um enorme desgaste por ser mentiroso e aliado a um banqueiro corrupto.
5. Como o senhor avalia o timing da viagem em meio às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”?
PRA: Estimo o pior efeito possível num momento de incertezas, de falta total de informação fiável sobre essas relações espúrias, envolvendo dinheiro roubado de clientes brasileiros de um banqueiro corrupto. Pelo trailer já divulgado do filme em questão, verifico tratar-se de uma produção de baixíssima qualidade visual e de roteiro, com cenas que fariam rir qualquer conhecedor da realidade política brasileira na campanha de 2018 e depois durante o mandato do pior presidente que já tivemos na história do Brasil, responsável pelo volume excedentário de mortos durante a pandemia, pelo negacionismo vacinal, pela oposição a medidas profiláticas, pela altíssima corrupção envolvida nas operações em torno da aquisição de equipamentos e medicamentos para contrarrestar os efeitos da pandemia. Bolsonaro pessoalmente, e seu criminoso ministro da saúde, um general de baixíssima qualidade intelectual, podem ser creditados pela morte de muitas pessoas, a maioria bolsonarista, pois que seguiram as recomendações uso de medicamentos inadequados, como a cloroquina. O filme poderá reduzir ainda mais o número de aderentes à candidatura.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5324, 21 maio 2026, 3 p.
Nenhum comentário:
Postar um comentário