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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Madame IA analisa o primeiro debate entre Lula e Flavio Bolsonaro, na TV BandNews

Madame IA analisa o primeiro debate entre Lula e Flavio Bolsonaro, na Band, 18/10/2026, de maneira quase asséptica:

"No link https://www.youtube.com/watch?v=Gqc1rQtzWUk ("Flávio Bolsonaro x Lula: debate presidencial do 2º turno na Band - 18/10/2026"), a partir de 4:16:30 (4 horas e 16 minutos e 30 segundos), começa efetivamente o debate entre Flávio e Lula. E o debate encerra realmente em 6:10:38 (6 horas e 10 minutos e 38 segundos). Nesse intervalo (entre 4:16:30 e 6:10:38), ocorreram a inserção de propaganda e publicidade televisiva (que não têm relação com o debate e, desse modo, devem ser desconsideradas na análise). Agora, apresente as perguntas e as respostas (ainda que resumidamente) dos dois candidatos. A apresentação será redigida em um texto discursivo (somente frases e parágrafos). Debate eleitoral ocorrido hoje (domingo, 18/outubro/2026), na Band TV.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. O encontro foi estruturado em três blocos que alternaram perguntas dos mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oinegue com o confronto direto de tempos livres em estúdio. A dinâmica geral do debate foi marcada por embates intensos em torno de segurança pública, economia, corrupção e investigações envolvendo membros de suas respectivas famílias.
O primeiro bloco começou com os jornalistas apresentando questionamentos sobre áreas vitais de governo. Em relação à segurança pública, Flávio Bolsonaro iniciou sua resposta afirmando o compromisso de declarar "guerra ao narcoterrorismo" caso eleito. O senador prometeu tipificar formalmente as milícias, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. Flávio afirmou que seu objetivo seria recuperar os territórios controlados pelo crime nas comunidades periféricas e adotar leis mais rígidas no sistema penitenciário para manter chefes de facções detidos por períodos prolongados. Por sua vez, Lula defendeu a proposta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como instrumento de coordenação nacional e argumentou pela necessidade de uma atuação estratégica e conjunta da União com os governos estaduais para combater a criminalidade de forma eficiente.
Na seara econômica e de desenvolvimento industrial, os mediadores interrogaram os candidatos sobre quais seriam os mecanismos para impulsionar a produtividade do país. Lula destacou as realizações de sua própria gestão à frente da Presidência, citando formalmente o programa Nova Indústria Brasil voltado ao fomento e inovação do parque industrial nacional. O presidente também apontou como meta governamental investimentos contínuos na chamada economia digital e na economia criativa, visando à capacitação técnica e à formação massiva de jovens em áreas tecnológicas, matemáticas e de engenharia para gerar um salto qualitativo no crescimento econômico nacional. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro concentrou sua argumentação em pesadas críticas aos gastos orçamentários da administração pública federal. O candidato de oposição propôs a execução de cortes nos gastos governamentais e a redução do endividamento público para restabelecer a estabilidade financeira nacional, sem detalhar minuciosamente as fontes orçamentárias que sofreriam tais contingenciamentos.
À medida que os tempos livres foram abertos nos blocos subsequentes, as discussões sobre propostas de governo deram lugar a sucessivas interpelações sobre integridade pública e escândalos corporativos ou governamentais. Lula adotou uma postura incisiva de cobrança e direcionou repetidas perguntas sobre o chamado caso Master. O petista exigiu esclarecimentos do senador acerca do destino financeiro de R$ 134 milhões supostamente negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar e financiar a produção cinematográfica de "Dark Horse", obra dedicada à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro optou por uma estratégia evasiva e evitou responder ao cerne do questionamento sobre o paradeiro dos fundos, limitando-se a declarar que o adversário iria gostar de assistir ao filme e exaltando a memória do pai.
O embate prosseguiu na arena dos direitos dos trabalhadores e do bem-estar social. Lula confrontou o senador do PL a respeito de posicionamentos controversos, questionando o motivo de Flávio ter votado contra a extensão da licença-maternidade para servidoras públicas em 2009, época em que atuava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O senador declarou publicamente que não guardava qualquer restrição ao público feminino, mas não apresentou justificativas fundamentadas sobre a natureza técnica daquele voto legislativo específico. Adicionalmente, Lula cobrou o oponente sobre o avanço da tramitação de propostas ligadas ao término da jornada de trabalho na escala 6x1. Flávio respondeu que reviu sua visão inicial sobre o tema após percorrer diversas regiões do território brasileiro e escutar apelos diretos de trabalhadores que eram favoráveis à expansão do repouso semanal obrigatório.
O tema da estabilidade monetária e o impacto do custo de vida na subsistência das classes de menor renda também geraram tensões diretas. Flávio Bolsonaro culpou a condução econômica da atual gestão pelo avanço da inflação e pela depreciação do poder aquisitivo da população carente, asseverando que o benefício de R$ 600 pago pelo programa Bolsa Família já não permitia a aquisição da mesma quantidade de mantimentos em comparação ao período da gestão de Jair Bolsonaro. Em sua defesa, Lula apresentou métricas estatísticas alegando que o índice inflacionário setorial de alimentos sob seu governo registrava 13%, patamar inferior ao computado na administração bolsonarista. O mandatário ressaltou a adoção de sua política de reajustes reais do salário mínimo acima da taxa geral de inflação, afirmando que a renda básica atual possibilitava a compra de mais de duas cestas básicas regulamentares.
Na discussão internacional e programática, Lula inseriu perguntas formais para saber se as diretrizes governamentais de Flávio contemplariam a reprodução do programa de ajuste econômico severo executado na Argentina pelo presidente Javier Milei. Flávio Bolsonaro silenciou sobre o modelo do país vizinho, preferindo concentrar suas falas em ataques conceituais às administrações de correntes ideológicas de esquerda e reiterando que governos de espectro direitista possuíam o dever cívico de recompor as contas públicas depreciadas pelos antecessores. O candidato oposicionista também buscou constranger o oponente com o escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), questionando Lula sobre se possuía conhecimento das revelações trazidas pela empresária Roberta Luchsinger envolvendo familiares. Lula refutou envolvimentos escusos, argumentando que sua própria gestão identificou as irregularidades e acionou a Polícia Federal. Ele declarou que todos os cidadãos, independentemente de laços familiares, devem submeter-se às devidas apurações legais institucionais.
O ápice do enfrentamento pessoal ocorreu quando questionamentos sobre as condutas internacionais da família Bolsonaro vieram à tona. Lula criticou severamente as idas do deputado federal Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos para articular apoios externos com aliados políticos locais. O presidente qualificou tais atos como tentativas de instigar ações lesivas aos interesses institucionais do Brasil e propôs um desafio em rede nacional: que ambos os candidatos assinassem no dia seguinte a quebra de seus sigilos fiscais, telemáticos e bancários familiares, repassando os relatórios diretamente às chefias do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio Bolsonaro reagiu mencionando o fato de um dos filhos de Lula morar em território europeu, mas esquivou-se de dar uma anuência clara ao desafio proposto pelo rival.
Ao final da transmissão, durante os minutos finais regulamentares, Lula focou sua mensagem na defesa da soberania das empresas estatais produtivas e manifestou-se contrariamente aos projetos de privatização de companhias como a Petrobras, a BR Distribuidora e a Eletrobras. Flávio Bolsonaro encerrou suas considerações prometendo a instituição do Ministério da Prosperidade caso vença o pleito. Dirigindo-se especialmente aos cidadãos das periferias brasileiras sob influência de pressões políticas, o senador reforçou a segurança garantida pelo sigilo do voto para que pudessem exercer a escolha eleitoral livre de temores ou intimidações no dia da votação oficial.

*Fonte: Gemini (https://share.google/aimode/9OOMR6n2wwtdb36dX)

domingo, 18 de outubro de 2026

Trump: bombardeie o Brasil nuclearmente! É o pedido dos bolsonaristas ao imperador hemisférico

Dos bolsonaristas eu esperava quase tudo, inclusive traição do dever elementar de defesa da pátria, entregando-a, por exemplo, ao novo imperador hemisférico, o desequilibrado dirigente americano, a quem eles devotam inacreditável submissão.
Mas eu. não esperava, e nunca imaginei que seria possível, a DESTRUIÇÃO DO BRASIL pelo próprio dirigente celerado, uma destruição que seria feito por nada menos que armas nucleares.
Vejam a foto!
Reproduzo comentário de um observador.
"Sim, apoiadores do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro levaram um míssil inflável com a frase em inglês “Trump nuke Brazil” (traduzida como um pedido para que o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bombardeie o Brasil com armas nucleares) durante um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo". [ Open AI; 15:58 Today]

 

Produção intelectual de Paulo Roberto de Almeida segundo o Perplexity IA

Apenas curiosidade:   

Produção intelectual de Paulo Roberto de Almeida segundo o Perplexity IA


Pesquisa efetuada e 18 outubro 2026.

Resultado:

Nota preventiva PRA: O site pessoal pralmeida.org foi descontinuado, por deficiência do provedor original. Um site provisório foi instituído no domínio pralmeida.net, mas ainda não se encontra plenamente operacional, ou seja, com todos os arquivos disponíveis anteriormente.

 

Para pesquisar a produção intelectual de Paulo Roberto de Almeida — diplomata de carreira (1977–2021), professor do Instituto Rio Branco e da UnB e ex-diretor do IPRI/MRE — os melhores pontos de partida são o site pessoal dele, o currículo Lattes, o Google Scholar e o perfil na Academia.edu.

Fontes prioritárias

Fonte

O que encontrar

Site pessoal: pralmeida.org

Seleção de livros publicados, com títulos, editoras, anos e informações sobre acesso a obras.

Currículo Lattes

Registro institucional e abrangente da produção acadêmica, incluindo livros, artigos, capítulos, orientações e atividades profissionais. O próprio autor indica o link do Lattes em seu perfil.

Google Scholar

Artigos científicos, citações, métricas e obras mais influentes; inclui trabalhos como Uma política externa engajada: a diplomacia do governo Lula e Relações internacionais e política externa do Brasil.

Academia.edu

Textos, ensaios, listagens de livros e materiais disponibilizados pelo autor; há perfis vinculados à UnB e ao Itamaraty.

Blog Diplomatizzando*

Produção mais recente, ensaios, resenhas, artigos de opinião e links para textos gratuitos.

SciELO, Google Scholar e bibliotecas universitárias

Artigos em periódicos como a Revista Brasileira de Política Internacional e livros acadêmicos sobre diplomacia econômica, política externa e relações internacionais do Brasil.

Como organizar a pesquisa

  1. Comece pelo Lattes para obter o inventário mais completo e atualizado da produção.
  2. Use o site pessoal para localizar livros e identificar quais obras estão disponíveis gratuitamente.
  3. Cruze com o Google Scholar para mapear artigos, citações e a recepção acadêmica de cada trabalho.
  4. Procure em catálogos institucionais — como Biblioteca Nacional, bibliotecas de universidades e da Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) — para localizar edições impressas e digitais. Uma de suas obras, Formação da diplomacia econômica no Brasil, foi publicada pela Editora Senac-FUNAG.
  5. Consulte a Academia.edu e o blog para textos de circulação mais direta, versões preliminares, ensaios e materiais que podem não constar em bases acadêmicas convencionais.

Principais eixos temáticos

A produção dele concentra-se especialmente em:

  • História e sociologia da diplomacia brasileira.
  • Política externa brasileira, inclusive a diplomacia do governo Lula.
  • Diplomacia econômica e relações econômicas internacionais do Brasil.
  • Mercosul, integração regional e multilateralismo econômico.
  • Crítica e análise da política externa brasileira contemporânea.

Uma busca eficiente seria combinar, em bases acadêmicas, os termos: "Paulo Roberto de Almeida", "política externa brasileira", "diplomacia econômica", "Mercosul" e "Itamaraty".

Quais são os livros mais importantes do autor

Os livros mais importantes de Paulo Roberto de Almeida são, sobretudo, os que consolidaram sua interpretação da história diplomática, da política externa brasileira e da diplomacia econômica. Os títulos abaixo são os mais representativos para quem quer entender sua obra.

Obras centrais

Livro

Ano / edição relevante

Por que é importante

Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império

2001; 3ª ed., FUNAG, 2017

Obra de referência sobre as origens históricas da diplomacia econômica brasileira, com duas edições ampliadas e forte circulação acadêmica.

Relações internacionais e política externa do Brasil: história e sociologia da diplomacia brasileira

2004

Um dos livros mais citados do autor e uma síntese abrangente de sua visão sobre a construção histórica e institucional da diplomacia brasileira.

O Brasil e o multilateralismo econômico

1999

Trabalho fundamental para compreender sua análise do Brasil nos regimes econômicos internacionais, comércio, desenvolvimento e negociação multilateral.

Mercosul: fundamentos e perspectivas

1998

Referência inicial e influente sobre o Mercosul, regionalismo e integração latino-americana.

Os primeiros anos do século XXI: o Brasil e as relações internacionais contemporâneas

2002

Exame amplo do posicionamento externo do Brasil no início do século XXI.

A ordem econômica mundial e a América Latina: ensaios sobre dois séculos de história econômica

2020

Reúne sua leitura de longo prazo sobre economia política internacional e a inserção latino-americana.

O Mercosul e o regionalismo latino-americano: ensaios selecionados, 1989–2020

2020

Coletânea que reúne três décadas de análise do autor sobre integração regional.

Obras políticas e polêmicas

A partir da década de 2010, Almeida passou a publicar também livros de intervenção crítica sobre a diplomacia brasileira contemporânea, com forte tom polêmico. Eles são importantes para acompanhar sua trajetória intelectual, embora sejam mais ensaísticos e menos neutros do que seus estudos históricos.

  • Nunca antes na diplomacia…: a política externa brasileira em tempos não convencionais (2016) — crítica da política externa dos governos petistas.
  • Contra a corrente: ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais do Brasil, 2014–2018 (2019) — continuação dessa crítica, cobrindo o fim do período e a transição governamental.
  • Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (2019) — obra de diagnóstico institucional e crítica da gestão diplomática.
  • Uma certa ideia do Itamaraty: a reconstrução da política externa e a restauração da diplomacia brasileira (2020) — análise do período posterior, com defesa de uma reconstrução institucional do Itamaraty.
  • O Itamaraty sequestrado: a destruição da diplomacia pelo Bolsolavismo, 2018–2021 (2021) — crítica contundente à política externa do governo Bolsonaro.
  • Apogeu e demolição da política externa brasileira: itinerários da diplomacia brasileira (2021) — síntese tardia e abrangente de sua avaliação da trajetória da política externa do país.

Por onde começar

Para uma leitura acadêmica e mais equilibrada, comece por Formação da diplomacia econômica no Brasil e Relações internacionais e política externa do Brasil.
Para entender sua posição crítica sobre a política externa recente, leia Nunca antes na diplomacia…, Miséria da diplomacia e Apogeu e demolição da política externa brasileira, nesta ordem aproximada.

Se o interesse for especificamente em Mercosul e integração regional, os títulos essenciais são Mercosul: fundamentos e perspectivas e O Mercosul e o regionalismo latino-americano.

 

 

Paulo Roberto de Almeida – PerplexityAI

Brasília, 18/10/2026, 4 p.

Disponível em Academia,edu, link:

Divulgado no blo Diplomatizzando, link:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/producao-intelectual-de-paulo-roberto.html 

 

 

Com Ricupero e Reale, intelectuais e ex-ministros entregam manifesto de apoio a Lula (Estadão)

Com Ricupero e Reale, intelectuais e ex-ministros entregam manifesto de apoio a Lula

Os signatários também afirmam que a candidatura de Flávio ameaça conquistas sociais consolidadas e a atuação diplomática brasileira

Estadão, 17/10/2026 

Um grupo de 16 intelectuais, economistas, acadêmicos e ex-integrantes de governos divulgou neste sábado, 17, uma declaração de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com críticas ao projeto representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O documento foi entregue durante encontro no Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo, na região de Santa Cecília, na capital paulista. Participaram da agenda o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad (PT), do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e do Planejamento Simone Tebet (PSB).

Intitulado “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, o manifesto afirma que a reeleição de Lula oferece melhores condições para preservar o equilíbrio institucional, os direitos e as liberdades democráticas. Em contraponto, diz que o projeto de Flávio representa riscos de retrocessos sociais e institucionais.

O manifesto é assinado por 15 nomes: Aloysio Nunes Ferreira, Beatriz Bracher, Beatriz Cardoso, Carlos Nobre, Claudia Costin, Eduardo Giannetti, Fabio Feldman, Floriano Pesaro, José Carlos Carvalho, José Carlos Dias, Izabella Teixeira, Miguel Reale Jr., Rosiska Darcy de Oliveira, Oscar Vilhena e Rubens Ricupero.

“Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao País melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades”, diz o texto.

Os signatários também afirmam que a candidatura de Flávio ameaça conquistas sociais consolidadas e a atuação diplomática brasileira. O documento cita riscos à interlocução internacional multilateral e defende a manutenção de canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade.

A declaração ressalta, porém, que o apoio não significa concordância irrestrita com o atual governo. “Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las”, afirma o manifesto. “Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.”

Entre as prioridades defendidas pelo grupo estão o crescimento econômico, a geração de empregos, a recuperação da capacidade industrial, o estímulo à inovação e o avanço da agricultura de baixo carbono. O documento também menciona educação, ciência, tecnologia e responsabilidade ambiental, além da preservação de florestas, recursos hídricos, biodiversidade e minerais estratégicos.

Na área institucional, os signatários defendem o respeito à diversidade e aos direitos fundamentais e afirmam que adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa e organizações da sociedade civil não devem ser tratados como inimigos.

O texto também defende que o desenvolvimento econômico esteja associado à estabilidade, à preservação ambiental e ao uso responsável dos recursos naturais, com compromisso com as futuras gerações.

A ética da responsabilidade e o dilúvio fiscal - Rosalvo S. Sales

A ética da responsabilidade e o dilúvio fiscal

Reflexões às vésperas do segundo turno — outubro de 2026

Rosalvo S. Sales * 

        O primeiro turno de 4 de outubro confirmou o que as pesquisas vinham sinalizando ao longo do ano: o país chega dividido ao segundo turno, marcado para o dia 25. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% do presidente Lula (PT), e as sondagens mais recentes da Quaest e do Datafolha apontam 51% a 49% para o candidato da oposição — empate técnico, dentro da margem de erro. Seja qual for o resultado, o momento exige uma análise criteriosa das decisões tomadas neste ano e da conta que elas deixam para o próximo mandato.

        Diante da perspectiva concreta de derrota, o governo intensificou ao longo de 2026 a adoção de medidas de forte apelo popular. Levantamento da CNN Brasil publicado em julho somou ao menos R$ 256,9 bilhões em ações lançadas ou com efeitos no ano eleitoral, entre elas a ampliação da isenção do Imposto de Renda (R$ 31 bilhões), o Gás do Povo, a Luz do Povo, o Desenrola 2.0, novas linhas de crédito subsidiado via BNDES, o saque complementar do FGTS e subsídios a combustíveis. Boa parte desse volume tem natureza financeira ou extraorçamentária e, por isso, não aparece no limite de gastos do arcabouço fiscal nem no resultado primário — o que não a torna menos onerosa, apenas menos visível. A essas medidas somou-se, a 17 dias do primeiro turno, o reajuste de 15% do Bolsa Família — benefício que estava congelado desde 2023 —, com custo de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões a partir de 2027. Embora a reposição inflacionária seja defensável, a decisão obrigou o governo a refazer o projeto de Orçamento de 2027, enviado ao Congresso apenas duas semanas antes, no qual a própria equipe econômica não previa reajuste.

        Na reta final da campanha, a doze dias do segundo turno, o governo anunciou ainda um pacote para os microempreendedores individuais (MEIs): o perdão integral — principal, juros, multas e encargos — de cerca de R$ 12,9 bilhões em dívidas de 3,7 milhões de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União; a compra, com desconto mínimo de 90%, de aproximadamente R$ 6 bilhões em dívidas bancárias, por meio de uma nova etapa do Desenrola; a elevação do teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil até 2028; e o “Pix MEI”, repasse a fundo perdido de até R$ 5 mil por empreendedor, em um programa de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2030. O próprio Ministério da Fazenda estima renúncia de cerca de R$ 3 bilhões com o perdão das dívidas e de até R$ 3,4 bilhões por ano com a ampliação do teto, e o projeto dispensa a compensação exigida para novas renúncias de receita. É verdade que boa parte desses débitos já era considerada irrecuperável; ainda assim, o perdão de multas — mesmo condicionado a seis meses de pagamentos em dia — sinaliza a quem cumpre suas obrigações que a adimplência não compensa. O dado mais revelador, porém, é o calendário: anunciadas agora, as medidas dependem do Congresso e só produzirão efeitos a partir de 2027. O bônus eleitoral é colhido hoje; a conta fica para o próximo governo.

        Na mesma linha, o Congresso promulgou, em 16 de outubro, a emenda constitucional que extingue a escala 6x1 e institui a escala 5x2, com redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais em 60 dias e para 40 horas um ano depois, sem redução salarial. A medida, defendida pelo governo e aprovada por ampla maioria — 75 votos a 1 no Senado —, tem evidente apelo popular e méritos sociais, mas foi votada às vésperas da eleição sem que o debate produzisse uma estimativa oficial e consensual de seus custos. Entidades e institutos apontam aumento de 7% a 8% no custo médio do trabalho (CNI e Ipea), e a CNI projeta queda de 0,7% no PIB do setor produtivo, além de pressão inflacionária. O efeito sobre a dívida pública é indireto, mas real: menor crescimento reduz a arrecadação, mais inflação adia a queda dos juros, e os contratos de serviços terceirizados mantidos pelo próprio poder público — limpeza, vigilância, saúde — tendem a ficar mais caros.

        Em “A política como vocação” (1919), Max Weber distinguiu a ética da convicção, que se satisfaz com a pureza das intenções, da ética da responsabilidade, que obriga o governante a responder pelas consequências previsíveis de seus atos. É por esse segundo critério que as medidas devem ser julgadas: mais do que especular sobre a intenção por trás delas, importa avaliar seus efeitos. A dívida bruta do governo geral, que era de 71,7% do PIB ao fim de 2022, alcançou 82,5% em julho de 2026, segundo o Banco Central. O mercado projeta 83,4% ao fim deste ano e 87% em 2027, e o Boletim Focus já fala em 90% em 2027 — patamar que, em janeiro, só era esperado para 2029. O próprio governo admite, em seus cenários oficiais, uma dívida próxima de 90% do PIB entre 2029 e 2030. Enquanto a meta oficial para 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, os economistas esperam déficit de cerca de R$ 53 bilhões. Com a Selic ainda em 13,75% ao ano e quase metade da dívida federal (46,4%) atrelada a ela, cada ponto de juros pesa diretamente sobre as contas públicas.

        O quadro evoca a célebre frase “Après moi, le déluge” (Depois de mim, o dilúvio), atribuída a Luís XV ou à Madame de Pompadour por volta de 1757, que sintetiza o descaso com o futuro institucional e financeiro de uma nação após a transição de poder. A advertência, porém, vale nos dois sentidos: se o presidente for reeleito, será ele próprio o herdeiro do dilúvio. A questão central, portanto, não é apenas quem vencerá, mas quem pagará a conta — e a resposta, em qualquer cenário, é a sociedade brasileira, por meio de juros mais altos, crédito mais caro e menor espaço para o investimento público.

        Caso se confirme a vitória da oposição, a perspectiva de estabilização dependerá menos do nome do presidente do que da equipe que o cercar. O candidato, com trajetória parlamentar como deputado estadual e senador, não tem experiência prévia de gestão no Poder Executivo. Isso torna decisiva a capacidade de montar um corpo de ministros e assessores de reconhecida competência técnica, com credibilidade junto aos agentes econômicos e trânsito no Congresso, e de anunciar cedo, ainda na transição, os compromissos fiscais que pretende assumir.

        Qualquer que seja o vencedor, o próximo ciclo exigirá reformas estruturais e um ajuste fiscal substancial: revisão das despesas obrigatórias e de suas regras de indexação, reavaliação dos benefícios tributários, reforma administrativa e uma âncora crível para a trajetória da dívida. São medidas impopulares no curto prazo, mas indispensáveis para a recuperação econômica. O novo governo deverá enfrentar forte oposição política, escrutínio severo da imprensa e um Congresso que controla parcela relevante do Orçamento por meio de emendas — fatores que podem gerar focos de instabilidade.

        A experiência argentina, frequentemente citada como referência, oferece lições nos dois sentidos. O choque implementado por Javier Milei desde dezembro de 2023 produziu superávit fiscal, derrubou uma inflação que superava 200% ao ano e reduziu a pobreza de cerca de 53%, no primeiro semestre de 2024, para 28,2% no fim de 2025. Os dados mais recentes, contudo, mostram a fragilidade do caminho: a pobreza voltou a subir, para 32,3% no primeiro semestre de 2026, o emprego formal privado caiu por 13 meses seguidos e a atividade recuou 2,9% em julho. Além disso, o Brasil parte de outra realidade — não enfrenta hiperinflação, dispõe de reservas internacionais elevadas e tem um Orçamento engessado por vinculações constitucionais —, o que recomenda um ajuste firme, porém negociado e sustentável, e não a simples importação de um modelo de choque.

        O caminho para o êxito passa, portanto, por uma condução econômica firme, centrada no equilíbrio fiscal, na desregulamentação e na melhoria do ambiente de negócios, acompanhada de proteção focalizada aos mais vulneráveis e de diálogo permanente com o Congresso. O Brasil não precisa de um dilúvio para recomeçar; precisa de um governo — este ou o próximo — que pratique a ética da responsabilidade e esteja disposto a pagar o custo político de colocar a casa em ordem.

 

* Rosalvo S. Sales Jr. é engenheiro e empresário do setor naval e offshore. Contato: rosalvo.salesjr@gmail.com. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

 

Fontes dos dados:

• Agência Senado, “Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno”, 04/10/2026.

• O Povo, pesquisas Quaest (14/10/2026) e Datafolha (15/10/2026) para o segundo turno.

• CNN Brasil, “Ações do governo Lula somam ao menos R$ 256,9 bilhões no ano eleitoral”, 24/07/2026.

• Gazeta do Povo, “Governo admite deixar ‘herança’ de dívida pública em 90% do PIB”, 21/09/2026 (dados do Banco Central, PLOA 2027, IFI e Focus).

• Poder360, “Lula diz que não sabia que Bolsa Família ficou 3 anos sem reajuste”, 15/10/2026 (reajuste e custos informados pelo Ministério do Planejamento).

• Agência Brasil, “Perdão de dívidas de MEIs terá impacto de R$ 3 bilhões”, 13/10/2026; Brasil de Fato e SBT News, pacote para MEIs e Pix MEI, 13/10/2026.

• Portal O Dia, promulgação da PEC do fim da escala 6x1, 16/10/2026; Agência Senado, “Descanso ou recessão? Entenda a disputa sobre o fim da escala 6x1”, maio/2026.

• Forbes Brasil, relatório Prisma Fiscal de outubro, 15/10/2026 (projeções de déficit, dívida e Selic).

• La Nación / INDEC, pobreza na Argentina no 1º semestre de 2026, 24/09/2026.

 

sábado, 17 de outubro de 2026

Relações Brasil-Estados Unidos: desalinhamentos desde o regime militar - Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

Introdução Paulo Roberto de Almeida 

 Trabalho excepcional de "arqueologia político-diplomática" sobre as relações entre o Brasil dos militares (e dos diplomatas) com o império americano, sobretudo no tocante aos "desalinhamentos" – um conceito não exatamente adequado para expressar posturas diferentes nas relações bilaterais e nos temas da agenda internacional – entre os dois países, numa época em que a historiografia de esquerda achava que o Brasil dos generais da ditadura, assim como os diplomatas do Itamaraty, eram convergentes com os interesses americanos, o que não foi absolutamente verdade.

Devo este documento primoroso, pela coleta do material factual ao amigo Airton  Dirceu Lemmertz, que mobilizou os serviços sempre atentos de Madame IA (Chat GPT)

Paulo Roberto de Almeida (17/10/2026)

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É notória a relação umbilical dos bolsonaristas com os trumpistas. Aliás, Flávio Bolsonaro já declarou, inúmeras vezes, que irá alinhar-se (ou seria submissão canina?) com o governo de Trump em variadas áreas. Jair Messias e outros são exaltadores do período da ditadura militar no Brasil. Porém, os governos militares brasileiros, em alguns casos, estavam desalinhados com os interesses do governo dos EUA àquela época. Então, apresente um texto discursivo sobre o assunto: "As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos EUA à época.". Texto somente com frases e parágrafos; com, no mínimo, 5500 caracteres; usando linguagem acessível e didática. Informações amparadas apenas em fontes confiáveis. Se não souber ou ficar em dúvida, não invente (não tenha 'alucinações'). [ADL]

As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos Estados Unidos à época:
 
A relação entre o Brasil e os Estados Unidos durante a ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964 e encerrada com a transição para o governo civil em 1985, foi marcada por uma combinação de convergências políticas, interesses econômicos comuns e divergências estratégicas. Embora o regime militar brasileiro tenha chegado ao poder com o apoio do governo estadunidense e tenha compartilhado com Washington o anticomunismo característico da Guerra Fria, isso não significou que os dois países mantivessem interesses idênticos durante todo o período. Na realidade, principalmente a partir da década de 1970, os governantes brasileiros adotaram decisões que contrariavam interesses importantes dos Estados Unidos, demonstrando que a ditadura não se limitou a seguir automaticamente as orientações de seu poderoso aliado.
Essa distinção é fundamental para compreender o período histórico sem cair em simplificações. O apoio dos Estados Unidos ao golpe de 1964 e a convergência entre os dois governos em matéria de combate à esquerda não significavam que o Brasil tivesse renunciado a todos os seus próprios interesses nacionais. Ao mesmo tempo, a existência de divergências diplomáticas não transforma a ditadura em um regime democrático, soberano em todas as suas decisões ou comprometido necessariamente com os interesses da população brasileira. O governo militar perseguiu opositores, restringiu liberdades políticas, censurou a imprensa e praticou graves violações de direitos humanos. Sua política externa, por sua vez, procurou combinar a aproximação com as potências ocidentais com a busca de maior autonomia econômica, tecnológica e diplomática.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em seu estudo sobre as relações entre os dois países durante a ditadura, observa justamente essa combinação: o anticomunismo aproximou Washington e Brasília, mas divergências sobre direitos humanos, descolonização, energia nuclear e relações com outros países contribuíram para o desgaste das relações bilaterais, sobretudo durante os anos 1970. Para compreender esse processo, é necessário examinar decisões concretas dos governos brasileiros e explicar por que elas entravam em conflito com as prioridades dos diferentes governos estadunidenses da época.

1. A busca por autonomia na política externa e o distanciamento em relação a Washington:
Uma das principais características da política externa brasileira durante a presidência do general Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, foi a tentativa de ampliar a margem de decisão do país nas relações internacionais. O governo adotou uma orientação frequentemente descrita como pragmatismo responsável e ecumênico. Em termos simples, isso significava procurar relações comerciais e diplomáticas com países de diferentes orientações políticas, sem aceitar que o anticomunismo determinasse automaticamente todas as decisões brasileiras.
Essa orientação não representava uma ruptura completa com o Ocidente, muito menos uma adesão do Brasil ao bloco soviético. O objetivo era aumentar as possibilidades de desenvolvimento econômico e tecnológico do país, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de uma única potência. Na prática, entretanto, essa estratégia produziu conflitos com os Estados Unidos, que procuravam limitar a disseminação de tecnologias consideradas sensíveis e preservar sua influência internacional.
É importante lembrar que a política externa brasileira não foi igualmente independente durante todos os governos militares. O marechal Humberto Castelo Branco, que governou entre 1964 e 1967, promoveu uma aproximação particularmente estreita com Washington, enquanto outros governos passaram a enfatizar mais intensamente a autonomia nacional. Portanto, seria incorreto afirmar que a ditadura militar brasileira sempre enfrentou os interesses estadunidenses. O que se observa é uma mudança de prioridades ao longo do tempo, condicionada pelas necessidades econômicas brasileiras e pelas transformações da política internacional.
 
2. O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental em 1975:
Um dos exemplos mais expressivos de divergência entre Brasília e Washington foi o acordo de cooperação nuclear firmado entre o Brasil e a Alemanha Ocidental em 27 de junho de 1975, durante o governo Geisel. Naquele momento, o Brasil procurava ampliar sua capacidade de produzir energia, desenvolver tecnologia própria e diminuir sua dependência externa em um setor considerado estratégico.
A questão energética era especialmente importante porque o país dependia significativamente da importação de petróleo, cuja cotação havia aumentado fortemente após a crise internacional de 1973. A elevação dos preços do combustível pressionou as contas externas brasileiras e tornou mais urgente a procura por fontes alternativas de energia. Nesse contexto, a energia nuclear passou a ocupar posição importante nos planos de desenvolvimento do governo militar.
O acordo com os alemães previa uma ampla cooperação nuclear, incluindo a transferência de tecnologia, o fornecimento de equipamentos e a construção de instalações relacionadas ao ciclo do combustível nuclear. O ciclo do combustível compreende etapas como a transformação do urânio, seu enriquecimento e o tratamento do material utilizado nos reatores. O domínio dessas tecnologias poderia ampliar consideravelmente a capacidade científica e industrial brasileira.
O problema para os Estados Unidos era que determinadas etapas desse processo também poderiam facilitar, em circunstâncias específicas, a produção de materiais utilizáveis em armas nucleares. Washington defendia controles internacionais mais rigorosos sobre a transferência de tecnologias de enriquecimento de urânio e reprocessamento de combustível nuclear usado. Por isso, o governo estadunidense procurou impedir ou limitar aspectos do acordo entre brasileiros e alemães.
Os documentos diplomáticos publicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos registram que autoridades americanas estavam preocupadas com as implicações do acordo para a política de não proliferação nuclear. Um telegrama da embaixada estadunidense no Brasil, de junho de 1975, avaliava que a iniciativa refletia a ambição brasileira de conquistar maior projeção internacional e poderia afastar o país de Washington. Outro documento, de julho daquele ano, recomendava esclarecer às autoridades alemãs e brasileiras a oposição americana à transferência de tecnologias sensíveis. 
A divergência era relevante porque o Brasil não aceitou simplesmente abandonar seus planos diante da pressão dos Estados Unidos. O governo Geisel sustentou a validade do acordo e defendeu a possibilidade de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos. A posição brasileira estava associada tanto à busca por autonomia tecnológica quanto à percepção de que as potências mais desenvolvidas procuravam preservar vantagens industriais e científicas sobre países em desenvolvimento.
É necessário fazer uma ressalva importante: o acordo de 1975 não comprova, por si só, que o governo brasileiro tenha decidido fabricar uma bomba atômica. O desenvolvimento de tecnologia nuclear, a possibilidade técnica de produzir materiais utilizáveis em armas e a decisão política de construir armamentos são questões distintas. Os documentos históricos citados permitem afirmar que existiam preocupações estadunidenses com os riscos de proliferação e que o governo brasileiro resistiu às pressões para modificar sua estratégia. Não autorizam, porém, tratar como fato comprovado que o acordo tivesse como objetivo declarado a fabricação de armas nucleares.
O episódio demonstra que o governo militar brasileiro podia entrar em confronto com um importante aliado quando considerava que estavam em jogo seus interesses estratégicos. Também evidencia que a relação entre os dois países não era uma relação de obediência automática: Washington tinha capacidade de exercer pressão, mas Brasília procurava preservar sua liberdade de decisão em determinados assuntos. 
 
3. A recusa brasileira em aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear:
A controvérsia nuclear não se limitou ao acordo com a Alemanha Ocidental. Outro ponto de divergência foi a posição brasileira diante do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, conhecido pela sigla TNP.
O tratado foi aberto para assinatura em 1968 e entrou em vigor em 1970. Seu objetivo era dificultar a disseminação de armas nucleares, estabelecer compromissos de desarmamento e promover a cooperação para usos pacíficos da energia nuclear. Entretanto, a estrutura do acordo reconhecia uma distinção entre os países considerados Estados com armas nucleares para os fins do tratado e aqueles que não possuíam esse status.
O Brasil militar questionava aspectos dessa estrutura porque a considerava desigual. Na perspectiva brasileira, o sistema internacional não deveria permitir que determinadas potências preservassem seus arsenais nucleares enquanto exigiam que outros países aceitassem restrições duradouras às próprias possibilidades tecnológicas. Assim, os governos militares procuraram manter aberta a possibilidade de desenvolver capacidades nucleares sem aderir ao tratado nas condições estabelecidas.
Essa postura contrariava uma prioridade importante dos Estados Unidos, que buscavam ampliar a adesão internacional ao regime de não proliferação. A divergência ficou particularmente evidente durante o governo Geisel, quando as autoridades brasileiras resistiram às pressões americanas tanto em relação ao TNP quanto ao acordo nuclear com os alemães.
Em conversas diplomáticas de junho de 1977, durante a presidência de Jimmy Carter, o governo brasileiro manteve sua posição contrária à adesão ao TNP e insistiu que o país não pretendia adquirir armas nucleares. O registro da conversa também mostra que a questão da soberania nacional ocupava lugar central nas justificativas brasileiras. 
Para entender a controvérsia, é importante não confundir a recusa em assinar um tratado com a comprovação de uma intenção de produzir armamentos proibidos. O governo brasileiro defendia a liberdade de desenvolver tecnologia nuclear, enquanto os Estados Unidos procuravam reduzir os riscos de que essa capacidade pudesse ser utilizada para fins militares. Havia, portanto, um conflito entre duas prioridades: de um lado, a autonomia tecnológica reivindicada pelo Brasil; de outro, a tentativa estadunidense de estabelecer limites internacionais mais rígidos à proliferação nuclear.
Essa divergência revela uma contradição interessante do período. O regime brasileiro era autoritário e reprimia a oposição política internamente, mas, na esfera internacional, reivindicava maior independência diante de uma potência ocidental. A defesa da autonomia externa, contudo, não significava que o governo militar respeitasse de maneira equivalente os direitos e as liberdades dos cidadãos brasileiros.
 
4. A denúncia do acordo de assistência militar com os Estados Unidos em 1977:
Um dos episódios mais claros de distanciamento entre os dois países ocorreu em 1977, quando o governo Geisel denunciou o acordo de assistência militar firmado entre Brasil e Estados Unidos em 15 de março de 1952. A decisão foi formalizada pelo Decreto sob número 79.376, de 11 de março de 1977, publicado no ordenamento jurídico brasileiro.
Esse acordo havia constituído um instrumento importante de cooperação militar entre os dois países. Sua denúncia representou, portanto, uma decisão política de peso, pois atingia um dos mecanismos institucionais que sustentavam a relação bilateral no campo da defesa.
A justificativa apresentada pelo governo brasileiro estava relacionada às mudanças introduzidas na legislação estadunidense sobre a prestação de assistência militar. Brasília considerou inaceitáveis as novas condições que vinculavam esse tipo de assistência à avaliação da situação interna dos países beneficiários. Em outras palavras, o governo brasileiro rejeitava que Washington condicionasse a cooperação militar a critérios que pudessem envolver o exame de suas práticas políticas e de direitos humanos.
O episódio ocorreu durante a presidência de Jimmy Carter, iniciada em janeiro de 1977. Carter procurava dar maior destaque aos direitos humanos na política externa dos Estados Unidos, inclusive nas relações com governos autoritários que anteriormente haviam recebido apoio americano. Essa orientação provocou reações negativas de diferentes regimes latino-americanos, entre eles o brasileiro.
A documentação oficial do Congresso brasileiro registra a denúncia do acordo e reproduz a justificativa diplomática apresentada pelo governo Geisel. Os documentos diplomáticos estadunidenses também registram o desconforto brasileiro com as condições associadas à assistência militar e a decisão de rejeitar determinadas formas de cooperação. 
A decisão é especialmente significativa porque demonstra que a divergência não se limitava a assuntos comerciais ou tecnológicos. Ela atingia diretamente a relação entre as forças armadas dos dois países. O governo brasileiro preferiu abrir mão de um instrumento tradicional de assistência a aceitar determinadas condições impostas por Washington.
Entretanto, não se deve interpretar essa decisão como prova de que os Estados Unidos haviam abandonado toda a relação com os militares brasileiros ou de que o Brasil havia rompido suas relações diplomáticas com o país. A medida dizia respeito a um acordo específico e se inseria em um processo mais amplo de revisão dos vínculos militares. As relações diplomáticas continuaram existindo, embora atravessassem um período de atrito.
O caso também expõe uma contradição importante do discurso oficial brasileiro. O governo Geisel invocava a soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras sobre a situação interna do país, mas mantinha um regime que restringia direitos políticos, censurava a imprensa e perseguia opositores. A defesa da não intervenção servia, nesse contexto, tanto como princípio diplomático quanto como argumento para resistir a críticas internacionais sobre o autoritarismo doméstico.
 
5. A aproximação com a China comunista em 1974:
Outra decisão importante foi o estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a República Popular da China, em 15 de agosto de 1974, também durante o governo Geisel.
Desde a vitória dos comunistas na guerra civil chinesa, em 1949, existiam duas autoridades rivais que reivindicavam representar a China. A República Popular da China, liderada pelo Partido Comunista, controlava a China continental, enquanto a República da China, sediada em Taiwan, mantinha relações diplomáticas com diversos países, inclusive com os Estados Unidos durante boa parte do período.
A aproximação brasileira com Pequim ocorreu em um momento de mudanças na política internacional. Embora a China fosse governada por um partido comunista, sua relação com os Estados Unidos e com a União Soviética era complexa. As divergências entre chineses e soviéticos haviam se aprofundado, e o governo de Richard Nixon iniciara um processo de aproximação com Pequim no começo da década de 1970.
Portanto, a decisão brasileira não deve ser apresentada como uma atitude tomada contra toda a política externa estadunidense. Os próprios Estados Unidos já haviam iniciado a reaproximação com a China, inclusive por meio da visita de Nixon em 1972 e da abertura de escritórios de ligação em 1973. A diferença é que, em 1974, Washington ainda não havia estabelecido relações diplomáticas formais com Pequim, o que só ocorreria em janeiro de 1979.
O Brasil, por sua vez, reconheceu o governo da República Popular da China como o único governo legal chinês e estabeleceu relações diplomáticas em nível de embaixadas. O comunicado conjunto assinado em Brasília em 15 de agosto de 1974 registrou formalmente essa decisão. 
A iniciativa contrariava a posição diplomática tradicional de Taiwan, que perdeu mais um parceiro internacional, e ampliava as relações brasileiras com um país comunista. Para os dirigentes militares brasileiros, porém, a ideologia não deveria impedir automaticamente o estabelecimento de relações comerciais e diplomáticas consideradas úteis ao desenvolvimento nacional.
A aproximação também se enquadrava na estratégia de diversificação de parceiros. Ao buscar relações com Pequim, o Brasil ampliava suas possibilidades diplomáticas e econômicas, em vez de limitar suas relações internacionais ao grupo de países tradicionalmente alinhados com Washington.
Esse exemplo exige cuidado para evitar uma conclusão equivocada. A aproximação com a China não significou que a ditadura brasileira tivesse abandonado o anticomunismo na política interna. O regime continuou perseguindo organizações de esquerda e reprimindo opositores. O que ocorreu foi uma separação pragmática entre a repressão ao comunismo dentro do país e a conveniência de manter relações com um governo comunista no exterior.
O episódio demonstra que a política externa dos militares podia ser menos rigidamente ideológica do que sua política doméstica. Ao reconhecer a China, o governo brasileiro colocou interesses diplomáticos e econômicos acima de uma interpretação absoluta do anticomunismo, embora isso não tenha alterado a natureza autoritária do regime.
 
6. O reconhecimento da independência de Angola e a relação com os movimentos de libertação africanos:
A política brasileira para a África também oferece um exemplo importante de decisões que nem sempre coincidiam com as preferências de Washington ou com as posições dos aliados ocidentais.
Durante o século XX, vários territórios africanos conquistaram sua independência após longas lutas contra as potências coloniais europeias. Portugal, entretanto, procurou manter seu domínio sobre Angola, Moçambique e outras colônias até a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, que derrubou a ditadura portuguesa e abriu caminho para a descolonização.
O governo brasileiro precisava decidir como se posicionar diante desse processo. Portugal possuía vínculos históricos, culturais e diplomáticos com o Brasil, mas o país africano também representava uma oportunidade de ampliar as relações comerciais brasileiras com novos Estados independentes. Essa combinação de interesses levou Brasília a desenvolver uma política mais pragmática para o continente africano.
O caso de Angola foi particularmente expressivo. Quando a independência foi proclamada, em 11 de novembro de 1975, três movimentos disputavam o poder: o Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido como MPLA; a Frente Nacional de Libertação de Angola, ou FNLA; e a União Nacional para a Independência Total de Angola, a UNITA.
O MPLA tinha orientação marxista e recebia apoio da União Soviética e de Cuba. Os Estados Unidos, por sua vez, apoiaram adversários do movimento no contexto da Guerra Fria. A disputa angolana, portanto, tornou-se parte de uma competição internacional que envolvia interesses africanos, europeus, soviéticos, cubanos e estadunidenses.
Nesse cenário, o Brasil reconheceu o governo do MPLA como representante de Angola independente. Um telegrama do Departamento de Estado dos Estados Unidos, datado de 13 de novembro de 1975, registra o reconhecimento brasileiro entre as decisões tomadas por países que aceitaram o governo do movimento. 
A decisão brasileira foi significativa porque contrariou a preferência dos setores estadunidenses que se opunham ao MPLA. Também demonstrou que Brasília estava disposta a estabelecer relações com um governo de orientação marxista quando considerava que isso correspondia aos seus interesses diplomáticos.
Não se deve, contudo, afirmar que o Brasil se tornou aliado militar do MPLA ou que aderiu ao bloco soviético. O reconhecimento diplomático de um governo não equivale automaticamente à adoção de sua ideologia, à participação em suas operações militares ou à submissão a seus aliados internacionais. A política brasileira procurava, sobretudo, ampliar a presença do país na África, desenvolver relações com os Estados recém-independentes e criar oportunidades comerciais.
A escolha também estava ligada a interesses econômicos concretos. O acesso a mercados africanos, as possibilidades de exportação de produtos industrializados e a procura por fornecedores de matérias-primas e fontes de energia contribuíam para tornar a região relevante para a diplomacia brasileira. Pesquisas acadêmicas sobre o reconhecimento de Angola destacam justamente o pragmatismo do governo Geisel e a relação entre autonomia diplomática e interesses econômicos. 
Assim, o reconhecimento de Angola representa uma das demonstrações mais claras de que a política externa brasileira da década de 1970 não obedecia integralmente à divisão ideológica entre capitalismo e comunismo. Mesmo sob uma ditadura profundamente anticomunista no plano interno, o governo brasileiro reconheceu um governo revolucionário africano quando avaliou que essa decisão favoreceria sua posição internacional.
 
7. A reivindicação brasileira de soberania sobre o mar territorial de 200 milhas:
Outro episódio relevante envolveu a ampliação da área marítima reivindicada pelo Brasil. Em 1970, o governo brasileiro adotou a posição de que seu mar territorial se estendia até 200 milhas náuticas a partir da costa, buscando ampliar o controle sobre os recursos marítimos e as atividades pesqueiras nessa área.
Para compreender a importância dessa medida, é necessário lembrar que o direito do mar era objeto de intensas negociações internacionais. Muitos países costeiros procuravam ampliar sua autoridade sobre os recursos existentes nas águas próximas a seus territórios, enquanto potências marítimas defendiam regras que preservassem a liberdade de navegação e os direitos de pesca em determinadas áreas.
Os Estados Unidos estavam entre os países que rejeitavam reivindicações unilaterais de mar territorial superiores ao limite tradicional de três milhas náuticas e contestavam pretensões de jurisdição pesqueira além de doze milhas. A posição brasileira, portanto, entrava em conflito com interesses econômicos e estratégicos estadunidenses.
A documentação oficial do Departamento de Estado registra que Washington procurou persuadir o governo brasileiro a adiar a aplicação de medidas que afetariam embarcações estrangeiras de pesca em águas reivindicadas pelo Brasil. A resposta brasileira foi a de que as novas regras já constituíam uma decisão legal do governo e não poderiam ser simplesmente suspensas a pedido dos Estados Unidos. 
A controvérsia tinha consequências econômicas concretas. Embarcações estadunidenses, especialmente as envolvidas na pesca de camarão, utilizavam áreas próximas à costa brasileira. A ampliação da jurisdição pretendida por Brasília ameaçava limitar essas atividades, criando atritos entre os dois países.
Um acordo bilateral sobre a pesca de camarão, promulgado pelo Brasil em 1973, documentou expressamente a divergência: o governo brasileiro sustentava sua reivindicação de 200 milhas, enquanto os Estados Unidos mantinham sua posição contrária ao reconhecimento de reivindicações tão amplas. O texto estabeleceu uma solução provisória para a atividade pesqueira sem eliminar a discordância jurídica entre as partes. 
É importante observar que a reivindicação brasileira da época não deve ser confundida com o regime jurídico da zona econômica exclusiva atualmente previsto no direito internacional. Mar territorial e zona econômica exclusiva são conceitos diferentes, com alcances e direitos distintos. A posição brasileira de 1970 era uma reivindicação de soberania territorial marítima muito mais ampla do que o limite tradicional defendido pelos Estados Unidos.
O episódio mostra que a divergência entre os dois países não dependia exclusivamente da ideologia política. Mesmo governos que compartilhavam valores anticomunistas podiam entrar em conflito por causa de recursos naturais, direitos de exploração econômica e liberdade de navegação. O Brasil procurava aumentar seu controle sobre áreas marítimas e proteger interesses nacionais, enquanto Washington defendia uma interpretação do direito do mar mais favorável à mobilidade naval e às atividades de suas embarcações.
 
8. A reação à política de direitos humanos do governo Jimmy Carter:
A chegada de Jimmy Carter à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1977, introduziu um elemento adicional de tensão nas relações bilaterais. Carter defendia que os direitos humanos recebessem maior importância na política externa americana. Essa orientação afetava as relações com governos autoritários que, durante a Guerra Fria, haviam sido considerados parceiros estratégicos na luta contra o comunismo.
O Brasil estava entre esses países. A ditadura militar brasileira havia restringido direitos políticos, mantido a censura, perseguido adversários e utilizado a repressão estatal contra opositores. Por isso, a preocupação estadunidense com os direitos humanos passou a criar dificuldades diplomáticas para o governo Geisel.
A reação brasileira foi de resistência à possibilidade de que Washington condicionasse a assistência militar ou outros instrumentos de cooperação à avaliação da situação interna do país. O governo brasileiro interpretava essas exigências como uma forma de interferência externa em assuntos que considerava de sua competência exclusiva.
Documentos do Departamento de Estado publicados em 1977 mostram que diversos governos latino-americanos rejeitaram, total ou parcialmente, programas de assistência militar vinculados às novas exigências americanas sobre direitos humanos. O Brasil foi um dos países envolvidos nessa reação. 
Essa divergência ajuda a explicar a denúncia do acordo de assistência militar de 1952 e o posterior cancelamento de outros instrumentos de cooperação militar entre os dois países. A ruptura de determinados acordos, portanto, não pode ser entendida isoladamente, como se tivesse ocorrido apenas por uma questão técnica. Ela estava inserida em uma disputa sobre soberania, assistência externa e legitimidade internacional do regime brasileiro.
Entretanto, seria incorreto apresentar a política de direitos humanos de Carter como uma defesa perfeita ou universalmente coerente das liberdades democráticas. A política externa estadunidense continuava condicionada por interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos. Além disso, as relações entre os Estados Unidos e regimes autoritários não desapareceram simplesmente porque Carter conferiu maior destaque aos direitos humanos.
Do mesmo modo, a resistência brasileira às pressões americanas não deve ser confundida com uma defesa dos direitos humanos. O governo militar utilizava o argumento da soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras, mas isso não eliminava a responsabilidade do Estado brasileiro pelas violações cometidas contra seus próprios cidadãos.
O episódio revela, portanto, uma divergência real, mas de natureza específica. Washington passou a pressionar o governo brasileiro em nome de uma política externa que atribuía maior relevância aos direitos humanos, enquanto Brasília rejeitava a vinculação entre assistência militar e avaliação internacional de sua situação política. Essa disputa contribuiu para o enfraquecimento de mecanismos tradicionais de cooperação entre os dois países.
 
9. O significado dessas divergências para a compreensão da ditadura brasileira:
Os exemplos examinados permitem compreender que a política externa da ditadura militar brasileira não pode ser resumida à ideia de submissão permanente aos Estados Unidos. Houve momentos de forte alinhamento, sobretudo nos primeiros anos após o golpe de 1964, mas também existiram decisões que contrariaram interesses importantes de Washington.
O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental demonstrou que o governo Geisel estava disposto a enfrentar pressões americanas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira. A resistência à adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear expressou a contestação brasileira a uma ordem internacional considerada desigual. A denúncia do acordo de assistência militar de 1952 evidenciou o grau de desgaste alcançado pelas relações bilaterais. O reconhecimento da China e de Angola demonstrou que a diplomacia brasileira podia privilegiar interesses econômicos e estratégicos em detrimento de critérios ideológicos rígidos. Por fim, a reivindicação de 200 milhas marítimas mostrou que disputas por recursos naturais e jurisdição também podiam colocar os dois países em lados opostos.
Essas decisões não ocorreram todas pelo mesmo motivo, nem tiveram o mesmo peso. Algumas foram motivadas pela busca de autonomia tecnológica, outras pela diversificação comercial, pela defesa de interesses marítimos ou pela reação a pressões diplomáticas. Em conjunto, contudo, revelam uma característica importante da política externa brasileira durante parte da ditadura: a tentativa de aumentar o poder de negociação do país diante das grandes potências.
Isso não significa que o Brasil tenha se tornado independente de todas as pressões externas. A economia brasileira continuava vinculada aos mercados internacionais, dependia de tecnologia estrangeira em diversos setores e enfrentava limitações financeiras e industriais. A capacidade de contrariar Washington era real, mas tinha limites. Além disso, os governos militares continuaram mantendo relações próximas com os Estados Unidos em diversos campos.
Também é essencial distinguir autonomia internacional de legitimidade política interna. Um governo pode tomar decisões independentes no cenário internacional e, ao mesmo tempo, ser autoritário dentro de suas fronteiras. A defesa dos interesses nacionais no exterior não justifica a supressão de direitos políticos, a censura, a perseguição de opositores ou a violência estatal. No caso brasileiro, a existência de divergências com Washington não apaga o caráter ditatorial do regime nem transforma suas decisões diplomáticas em prova de compromisso com a democracia.
Essa distinção é particularmente importante quando o período é lembrado em debates políticos contemporâneos. A relação entre a direita brasileira e movimentos políticos estrangeiros, assim como a aproximação entre governos de países diferentes, deve ser analisada a partir de decisões concretas, interesses materiais e contextos históricos. Não basta identificar afinidades ideológicas para concluir que dois governos necessariamente compartilham todas as suas prioridades.
A experiência da ditadura brasileira mostra justamente que a política externa pode combinar afinidade ideológica, cooperação estratégica e divergências importantes. Os militares brasileiros compartilhavam com os Estados Unidos o anticomunismo e mantiveram relações próximas com Washington, mas, quando consideraram que determinados interesses nacionais estavam em jogo, adotaram decisões contrárias às preferências americanas.
 
Em conclusão, as divergências entre o Brasil militar e os Estados Unidos demonstram que a relação bilateral foi mais complexa do que uma simples relação de obediência. O Brasil procurou, em determinados momentos, ampliar sua autonomia diplomática, tecnológica e econômica, mesmo sob um regime autoritário e fortemente anticomunista. Essa constatação histórica não deve servir para idealizar a ditadura, mas para compreendê-la de maneira rigorosa, reconhecendo simultaneamente suas contradições internas, seus vínculos internacionais e os limites de sua política de independência. A lição central é que alinhamento ideológico não equivale necessariamente a identidade de interesses, assim como autonomia diplomática não equivale a democracia ou respeito aos direitos humanos. 


**Resposta da IA foi gerada em 16/10/2026 às 13h23min. 

 

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