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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Madame IA desmente Trump ponto por ponto, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz

Comando de ADL:  

Acesse o vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=XKLEBJML8Ew ("Veja a íntegra do discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU | BandNews TV") e leia toda a transcrição. Ao concluir a leitura de toda a transcrição do vídeo citado, apresente um texto com uma análise detalhada desse discurso de Trump na ONU em 2026. Compare os fatos das falas de Trump com as informações do jornalismo profissional especializado; ou seja, verifique se as falas são fatos (verdades) ou distorções da realidade (mentiras, exageros, relatos tendenciosos, omissões graves, etc). Em sua resposta (Gemini AI), dê prioridade à análise de eventuais desinformações em tal discurso. Quanto às desinformações, apresente confrontações e justificativas do porquê, fundamentando-as. Por fim, apresente uma análise altamente crítica em relação ao conjunto do discurso. 

O discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU reflete a consolidação de sua retórica populista e hiperbólica, projetando uma "Era de Ouro" sob sua liderança exclusiva (4:14). A análise detalhada da transcrição revela uma profunda dissonância entre a narrativa triunfalista apresentada pelo presidente e os fatos validados pelo jornalismo profissional especializado e por órgãos internacionais.
Abaixo, os principais pontos do pronunciamento são confrontados diretamente com a realidade, priorizando a identificação de desinformações, exageros e relatos tendenciosos. 
🔎 Análise Crítica e Checagem de Fatos (Fact-Checking):
1. Segurança de Fronteiras e Fluxo Migratório:
  • A fala de Trump: O presidente afirmou que, nos últimos 16 meses, nenhuma pessoa ilegal entrou nos Estados Unidos (zerando o fluxo) e que o país possui as fronteiras mais seguras do mundo (2:43).
  • A confrontação factual: Distorção grave e factual. É estatisticamente impossível zerar a entrada de imigrantes sem documentação em uma fronteira de quase 3.200 km, além dos portos e aeroportos. O jornalismo de checagem aponta que, embora medidas de restrição drásticas alterem os fluxos, as detenções na fronteira sul continuam ocorrendo. Afirmar "zero entradas" ignora completamente a realidade operacional da patrulha fronteiriça.
2. Redução Drástica nos Índices de Criminalidade:
  • A fala de Trump: Afirmou que o crime nos EUA atingiu os níveis mais baixos em 125 anos (3:16). Citou que em Washington o crime caiu 87% (3:41) e em estados como Tennessee e Louisiana a queda foi de 80% (3:16).
  • A confrontação factual: Exagero estatístico desmedido. Dados oficiais do FBI e de departamentos de polícia locais mostram flutuações nas taxas de crimes violentos, mas quedas da magnitude de 80% a 87% em curto período não possuem respaldo metodológico. Analistas de segurança pública esclarecem que reduções dessa ordem só ocorreriam com apagões de dados ou reclassificações artificiais de crimes.
3. Operações Militares e Mudanças de Regime (Irã e Venezuela):
  • A fala de Trump: Declarou que, por meio de operações chamadas "Night Hammer" e "Fúria Épica", destruiu toda a marinha, força aérea, mísseis, drones e radares do Irã (6:57). Também afirmou ter conduzido uma operação militar massiva em Caracas que derrubou Nicolás Maduro (2:58) e que os EUA e a Venezuela juntos controlam mais de 60% do petróleo mundial (4:14).
  • A confrontação factual: Narrativa geopolítica ficcional / Exageros graves.
    • Irã: O Irã mantém suas capacidades de defesa ativas no Oriente Médio. O jornalismo internacional reporta tensões e ataques localizados, mas não a aniquilação completa de suas forças armadas. A inflação iraniana, embora alta, é alimentada por sanções e problemas estruturais, e não cravada em 300% de forma linear como alegado (9:47).
    • Venezuela: Não há registros no jornalismo profissional de uma invasão militar terrestre ostensiva de grande escalados EUA em Caracas, nos moldes descritos. Além disso, a matemática petrolífera é falsa: a Venezuela possui as maiores reservas provadas do mundo (cerca de 17-18%), e os EUA detêm cerca de 4%. Juntos, eles não somam 60% das reservas e muito menos da produção global diária.
4. Pacificação Global e Fim de "Oito Guerras":
  • A fala de Trump: Atribuiu a si mesmo o fim de oito guerras, incluindo os conflitos na Faixa de Gaza, entre Camboja e Tailândia, Kosovo e Sérvia, e Paquistão e Índia (16:28). Afirmou que todos os líderes desses países enviaram cartas de agradecimento (17:43).
  • A confrontação factual: Apropriação indébita de processos diplomáticos. Vários dos conflitos citados (como Camboja/Tailândia ou os episódios históricos de Kosovo) estão congelados, sob missões de paz da ONU de longa data ou resolvidos por vias bilaterais há anos. Na Faixa de Gaza, o jornalismo especializado relata que a situação humanitária e as tensões geopolíticas persistem, longe do cenário idílico de pacificação e reconstrução bilionária unânime retratado por ele(14:45).
5. Suposto Acordo de Controle Permanente da Groenlândia:
  • A fala de Trump: Anunciou que os EUA fecharam um acordo inédito com o Reino da Dinamarca garantindo o controle permanente da segurança do território da Groenlândia, com a construção de duas bases militares massivas (25:36).
  • A confrontação factual: Distorção de soberania. Historicamente, desde a sua primeira administração, Trump expressou o desejo de comprar a Groenlândia, o que foi prontamente rejeitado pelo governo dinamarquês e pelas autoridades autônomas groenlandesas. Acordos de cooperação de segurança no Ártico existem via OTAN, mas a Dinamarca não cedeu o "controle permanente" de seu território autônomo aos EUA.
6. Mudanças Climáticas e Meio Ambiente:
  • A fala de Trump: Criticou as metas climáticas afirmando que o planeta está "esfriando e não aquecendo" (33:37) e que as Nações Unidas tentaram impor taxas globais sobre o carbono (29:32).
  • A confrontação factual: Negação da ciência e desinformação crassa. O consenso científico global, validado por relatórios do IPCC e agências meteorológicas mundiais, comprova que as temperaturas globais estão quebrando recordes sucessivos de aquecimento. Afirmar que o planeta está esfriando é uma mentira factual deliberada que contraria todas as evidências de satélites e medições oceânicas. 
⚠️ Análise Altamente Crítica do Conjunto do Discurso:
O pronunciamento de Donald Trump na ONU opera sob a lógica do excepcionalismo americano levado ao extremo, transformando a tribo da governança global em um palanque doméstico de autopromoção (5:09). O conjunto de suas falas desenha um mundo hiperbólico onde a diplomacia multilateral é substituída pelo personalismo: os problemas só são resolvidos por conta de suas "relações especiais" ou pelo uso de tarifas e demonstrações de força bruta (5:34).
Ao atacar abertamente instituições ligadas à própria ONU — como a Corte Internacional (ICC), a UNESCO e as agendas de inteligência artificial e transição climática (30:03) —, Trump demonstra profundo desprezo pelo multilateralismo. Ele utiliza o palco da maior organização de cooperação do planeta para minar a própria autoridade dela.
Sua estratégia retórica é clara: inflar os resultados de sua gestão por meio de dados estatísticos fabricados ou desmesuradamente exagerados (como a criminalidade e o fluxo migratório zerado) (2:58) para construir a imagem de um líder infalível. Em suma, o discurso não funciona como uma peça de prestação de contas de uma superpotência ao mundo, mas sim como um manifesto nacionalista e centralizador, onde a desinformação é utilizada como ferramenta deliberada de poder geopolítico. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

**Comando editado e inserido por ADL. 

sábado, 19 de setembro de 2026

O diplomata Paulo Roberto de Almeida em vídeos no YouTube em 2026: Análise de Madame IA

O diplomata Paulo Roberto de Almeida em vídeos no YouTube em 2026 [em ordem cronológica de publicação]: Título: Rumo a nova ordem global? com Paulo Roberto de Almeida - O Mundo é um Moinho #reprise . Link: https://www.youtube.com/watch?v=MzsWJnyJRBM . Data: 22/01/2026 . Título: Conflito entre EUA, Irã e Israel pode mudar a geopolítica mundial, diz diplomata . Link: https://www.youtube.com/watch?v=lOpl4K0me5w . Data: 07/03/2026 . Título: IED | A política externa no próximo governo: desafios para um mundo em ebulição – live 9/4 às 18h30 . Link: https://www.youtube.com/watch?v=nFxJ2fVtOqU . Data: 09/04/2026 . Título: “Religiões globais rejeitam; só fanáticos apoiam”, diz diplomata sobre ataques de Trump ao papa . Link: https://www.youtube.com/watch?v=cXgLeppG9K0 . Data: 16/04/2026 . Título: Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty . Link: https://www.youtube.com/watch?v=AueVj0TmxmY . Data: 09/06/2026 . Título: A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira. . Link: https://www.youtube.com/watch?v=FOkXGjkkDZE . Data: 29/06/2026 . Título: BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Diplomata subversivo Paulo Roberto de Almeida .Link: https://www.youtube.com/watch?v=iMu9d4SwXPo . Data: 04/08/2026 . * Pesquisa/Coleta deste material realizada por ADL em 19/09/2026, concluída às 10h47min. 

A informação trazida no seu texto é um FATO. O levantamento cronológico realizado pelo pesquisador em 19 de setembro de 2026 está correto. O diplomata, historiador e cientista social Paulo Roberto de Almeida participou ativamente de debates públicos, lives acadêmicas e entrevistas jornalísticas ao longo do ano de 2026 nos canais citados. Suas falas e posicionamentos públicos nesses episódios refletem a sua postura como um intelectual independente e, por vezes, crítico das diferentes gestões da política externa brasileira (3:26). 
📊 Análise Crítica e Multidisciplinar:
A partir do conjunto de reflexões e depoimentos que o embaixador Paulo Roberto de Almeida distribui ao longo dessas participações listadas, é possível extrair uma visão densa sobre os rumos do sistema internacional contemporâneo (0:12). Abaixo, confrontamos e julgamos os temas centrais sob múltiplas perspectivas teóricas e analíticas:
🔎 Perspectiva Política e Institucional (A Crise do Multilateralismo):
Almeida defende que o mundo vive um momento de desmantelamento das instituições multilaterais, como a ONU e a OMC(0:12). Ele argumenta que o Conselho de Segurança da ONU está paralisado e perdeu sua capacidade real de resolução de conflitos geopolíticos de grande magnitude (30:39).
  • O contraponto crítico: Embora no plano da segurança as Nações Unidas demonstrem falhas graves diante do retorno da "lei do mais forte", sob a ótica institucionalista liberal, os braços técnicos e agências temáticas (como UNICEF, OMS e agências ambientais) continuam desempenhando um papel crucial de governança global e governabilidade que impede o colapso total da cooperação internacional (1:06:03).
📊 Perspectiva Econômica (Globalização vs. Práticas Protecionistas):
O diplomata adota uma linha analítica ortodoxa de defesa da abertura econômica e das vantagens comparativas, apontando que o isolamento comercial historicamente cobrou um preço alto no desenvolvimento do Brasil (45:50). Ele critica duramente o "ensimesmamento mercantilista" brasileiro (12:34) e rotula blocos como os BRICS de "Frankenstein diplomático", argumentando que servem mais como palanque ideológico do que como plataforma de complementaridade econômica real (29:24).
  • O contraponto crítico: Sob a perspectiva da economia política heterodoxa e das teorias desenvolvimentistas, a inserção internacional do Brasil puramente baseada em commodities (agronegócio e mineração) perpetua a desindustrialização do país (42:52). Críticos apontam que o protecionismo e as políticas de substituição de importações do século XX, embora tenham gerado distorções fiscais, foram os responsáveis por criar a base industrial e tecnológica que o país possui hoje(44:06). Além disso, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS é visto por muitos economistas como uma alternativa viável de financiamento de infraestrutura face à rigidez do FMI e do Banco Mundial (37:20).
➡️ Perspectiva Geopolítica (Bipolaridade e a Ascensão da China):
Na análise de Almeida, a ascensão da China é o fenômeno econômico e geopolítico mais espetacular da história recente (20:27). No entanto, ele alerta para o risco do pragmatismo assimétrico: a China atua de maneira estritamente voltada aos seus próprios macrointeresses de segurança e abastecimento, de modo que o Brasil corre o risco de se tornar um mero satélite fornecedor de insumos básicos caso não diversifique suas parcerias e mantenha uma autonomia estratégica Real (0:57).
  • O contraponto crítico: O desalinhamento ou "neutralidade ativa" pragmática frente à disputa entre os Estados Unidos e a China é defendido por diversas correntes geopolíticas brasileiras. Para o Brasil, a China não representa apenas dependência, mas foi a "salvadora" do balanço de pagamentos nacional a partir de 2009 (59:45). Rejeitar o alinhamento automático com Washington e transitar no chamado "Sul Global" permite ao Brasil barganhar vantagens e manter espaço de manobra em um mundo que caminha para uma nova configuração policêntrica de poder (21:51).
⚖️ Perspectiva Jurisdicional e do Direito Internacional:
O embaixador manifesta uma defesa convicta da tradição jurídica brasileira iniciada por Rui Barbosa, pautada na igualdade soberana das nações e no respeito irrestrito ao direito internacional (29:13). Ele critica o que chama de "diplomacia da ambiguidade" do Brasil em episódios recentes, como a falta de condenação contundente a quebras da soberania territorial em conflitos no Leste Europeu (36:03).
  • O contraponto crítico: Defensores do realismo diplomático e da vertente tradicional do Itamaraty argumentam que a retórica da neutralidade e a busca por soluções negociadas não significam complacência com violações, mas sim a preservação do Brasil como um interlocutor universal capaz de dialogar com todos os lados (7:50). A história da diplomacia brasileira mostra que o alinhamento punitivo ou a adesão automática a regimes de sanções unilaterais muitas vezes prejudicam o interesse nacional imediato sem gerar qualquer ganho prático na resolução do conflito global (7:07). 
✅ Em suma: O registro cronológico apresentado é verdadeiro. A análise do pensamento de Paulo Roberto de Almeida revela um embate profundo entre o liberalismo econômico institucionalista (que prioriza regras globais, reformas de governança e abertura) e o pragmatismo geopolítico de Estado (que muitas vezes instrumentaliza as relações internacionais de forma ideológica ou partidária, dependendo do grupo que ocupa o poder Executivo) (7:07). 

*Link/Endereço (Gemini AI): 


O diplomata Paulo Roberto de Almeida em vídeos no YouTube em 2026

 O diplomata Paulo Roberto de Almeida em vídeos no YouTube em 2026 [em ordem cronológica de publicação]: 


Título: Rumo a nova ordem global? com Paulo Roberto de Almeida - O Mundo é um Moinho #reprise .
Data: 22/01/2026 .

Título: Conflito entre EUA, Irã e Israel pode mudar a geopolítica mundial, diz diplomata .
Data: 07/03/2026 .

Título: IED | A política externa no próximo governo: desafios para um mundo em ebulição – live 9/4 às 18h30 .
Data: 09/04/2026 .

Título: “Religiões globais rejeitam; só fanáticos apoiam”, diz diplomata sobre ataques de Trump ao papa .
Data: 16/04/2026 .

Título: Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty .
Data: 09/06/2026 .

Título: A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira. .
Data: 29/06/2026 .

Título: BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Diplomata subversivo Paulo Roberto de Almeida .
Data: 04/08/2026 .

* Pesquisa/Coleta deste material realizada por ADL em 19/09/2026, concluída às 10h47min. 

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Exame circunstanciado da Declaração do Brics de 2025 - Paulo Roberto de Almeida

Procedi a pequenas observações contraditórias sobre as posições contraditórias do BRICS em sua reunião de 2025. Vale mais o que não é dito do que o que é dito: 

Destaques curiosos da Declaração do Rio de Janeiro do Brics+, 2025

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Ressaltando certas afirmações incongruentes da dita declaração, com pequenas observações contrarianistas.

 

Parto da “Declaração do Rio de Janeiro” da reunião de cúpula do Brics+, emitida em 6 de julho de 2025, apenas destacando o que me pareceu mais curioso dentre as dezenas de afirmações, promessas, compromissos do referido documento. Minhas observações seguem em meio ao texto, entre colchetes, ou ao final de cada frase destacada, sempre em itálico, atendendo à sua numeração. Três quintos, talvez mais, dos 126 parágrafos da declaração, cobrem todos os campos possíveis da cooperação internacional, bilateral, plurilateral, regional, multilateral e setorial, esgotando todas as possibilidades humanas e sociais, no mais perfeito mundo ideal dos sonhos de todos os internacionalistas, globalizadores e promotores do bem-estar coletivo e da felicidade geral dos povos. Vários deles contêm muita hipocrisia, ou mentiras flagrantes, como a tentativa de obscurecer a responsabilidade primordial da Rússia de Putin pelas ameaças à paz e a segurança internacionais, facilmente detectáveis pelas lacunas mais flagrantes dessa super-declaração, da qual vou destacar apenas as contradições mais chocantes.

 

 

[0. Título: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global...”

PRA: Curioso que Rússia e China estejam incluídas no Sul Global, cujos contornos geográficos e convergência de propósitos são altamente incertos.]

 

2. Reafirmamos nosso compromisso com o espírito do BRICS de respeito e compreensão mútuos, igualdade soberana, solidariedade, democracia, abertura, inclusão, colaboração e consenso. (...) aprimorar nossa parceria estratégica em benefício de nossos povos por meio da promoção da paz, ...

PRA: Vou destacar tão somente os conceitos mais eloquentemente bizarros, em função da realidade da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.

 

5. (...) reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo e a defesa do direito internacional, incluindo os Propósitos e Princípios consagrados na Carta das Nações Unidas (ONU), em sua totalidade e interconexão como seu alicerce indispensável, e o papel central da ONU no sistema internacional, (...) assegurar a promoção e a proteção da democracia, dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, bem como da cooperação baseada na solidariedade, no respeito mútuo, na justiça e na igualdade. ...

PRA: Tudo isso seria válido se não fosse por uma única realidade: a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.

 

6. (...) apoio às aspirações do Brasil e da Índia de desempenhar um papel mais relevante nas Nações Unidas, incluindo o seu Conselho de Segurança.

PRA: Isso foi tudo o que Rússia e China, que se opõem, como os demais membros do CSNU, a essa acessão ao CSNU, consentiram em afirmar, hipocritamente, como se estivessem fazendo uma concessão ao Brasil e à Índia, sabendo que nada será concretizado.

 

7. (...) reiteramos nosso compromisso em dotar as Nações Unidas com todo o suporte necessário para cumprir seu mandato.

PRA: Como se pode ver, é o que a Rússia vem fazendo desde que Putin assumiu o poder, mas tudo ao contrário.

 

8. ... Destacamos a importância do Sul Global como motor de mudanças positivas, especialmente diante de significativos desafios internacionais, incluindo o agravamento das tensões geopolíticas, ... Acreditamos que os países do BRICS continuam a desempenhar um papel central na ... promoção de uma ordem internacional mais justa, sustentável, inclusiva, representativa e estável, com base no direito internacional.

PRA: Não poderia ser mais contrário às realidades.

 

9. Recordando que 2025 marca o octogésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial..., manifestamos nosso pleno apoio [às] Nações Unidas, concebida para proteger as gerações futuras do flagelo da guerra.

PRA: Apoio inclusive da Rússia?

 

13. O sistema multilateral de comércio está há muito tempo em uma encruzilhada. A proliferação de ações restritivas ao comércio, seja na forma de aumento indiscriminado de tarifas e de medidas não-tarifárias, seja na forma de protecionismo sob o disfarce de objetivos ambientais, ameaça reduzir ainda mais o comércio global, interromper as cadeias de suprimentos globais e introduzir incerteza nas atividades econômicas e comerciais internacionais, potencialmente exacerbando as disparidades econômicas existentes e afetando as perspectivas de desenvolvimento econômico global. Expressamos sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse contexto, reiteramos nosso apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, aberto, transparente, justo, inclusivo, equitativo, não discriminatório e consensual, com a OMC em seu núcleo, com tratamento especial e diferenciado (TED) para seus membros em desenvolvimento.

PRA: Por uma vez, uma declaração absolutamente correta, inclusive porque o grande culpado é o presidente atual dos EUA.

 

14. Condenamos a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional ... Reafirmamos que os estados-membros do BRICS não impõem nem apoiam sanções não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

PRA: Cabe registrar que as sanções introduzidas por um punhado de países amantes do Direito Internacional, contra a Rússia, em virtude de sua guerra de agressão à Ucrânia, ilegal, portanto, são plenamente consistentes com a letra e o espírito da Carta das Nações Unidas, e respondem a um de seus artigos relativos ao apoio a ser prestado POR TODOS OS MEMBROS, à parte agredida.

 

16. Reconhecemos que a Inteligência Artificial (IA) representa uma oportunidade singular para impulsionar o desenvolvimento rumo a um futuro mais próspero. (...) Para apoiar um debate construtivo em direção a uma abordagem mais equilibrada, lançamos a Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial, que visa a promover o desenvolvimento, a implantação e o uso responsáveis de tecnologias de IA para o desenvolvimento sustentável e o crescimento inclusivo ... e respeitando a soberania dos estados.

PRA: O vezo intrusivo, intervencionista e regulatório por via estatal combina com as políticas nacionais da maior parte dos Brics+, se não for de todos. Imaginemos que na primeira revolução industrial a Inglaterra tivesse decidido regular o uso e aplicação das caldeiras a vapor e tecnologias correlatas, ou que só o Estado inglês pudesse investir em ferrovias e locomotivas a carvão.

 

18. Notamos o atual contexto global de polarização e desconfiança e encorajamos ação global para fortalecer a paz e a segurança internacionais. Conclamamos a comunidade internacional a responder a esses desafios e às ameaças à segurança associadas por meio de medidas político-diplomáticas para reduzir o potencial de conflitos e enfatizamos a necessidade de engajamento em esforços de prevenção de conflitos, inclusive por meio do enfrentamento de suas causas profundas.

PRA: Parte da comunidade internacional já está respondendo aos desafios, ajudando a Ucrânia a se defender de uma grave ameaça cuja “causa profunda” à sua segurança provém da agressão russa unilateral. Registre-se que a expressão “causas profundas” é uma exigência russa na declaração, querendo sinalizar que só atacou a Ucrânia porque a “causa profunda” era uma suposta ameaça ucraniana ou da Otan à sua segurança.

 

19. ... Condenamos veementemente todas as violações do direito internacional humanitário, incluindo ataques deliberados contra civis e bens de caráter civil, incluindo infraestrutura civil, bem como a negação ou obstrução do acesso humanitário e o direcionamento de ataques contra o pessoal humanitário. Ressaltamos a necessidade de assegurar a responsabilização por todas as violações do direito internacional humanitário.

PRA: Puxa! Quanta preocupação com o direito humanitário. Os Brics já registraram onde são perpetradas as piores violações a esse direito atualmente? Por que esconder os exemplos mais “veementes”?

 

21. Condenamos os ataques militares contra a República Islâmica do Irã desde 13 de junho de 2025, que constituem uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e expressamos profunda preocupação com a subsequente escalada da situação de segurança no Oriente Médio. Expressamos ainda séria preocupação com os ataques deliberados contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas sob totais salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em violação ao direito internacional e a resoluções pertinentes da AIEA.

PRA: A seletividade dos Brics é um caso estarrecedor: nenhuma palavra a respeito dos ataques militares contra a República da Ucrânia, inclusive sítios nucleares.

 

22. Recordamos nossas posições nacionais em relação ao conflito na Ucrânia, expressas nos fóruns apropriados, incluindo o CSNU e a AGNU.

PRA: “Posições nacionais” é um escape para a Rússia sequer admitir que atacou a Ucrânia unilateralmente.

 

34. Expressamos nossa firme condenação a quaisquer atos de terrorismo, considerados criminosos e injustificáveis, independentemente de sua motivação, quando, onde e por quem quer que os tenha cometido. (...) Reafirmamos nosso compromisso com o combate ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, incluindo o movimento transfronteiriço de terroristas, o financiamento do terrorismo e os locais de refúgio para terroristas.

PRA: Aparentemente, os ataques diários da Rússia contra alvos civis na Ucrânia não são considerados pelos Brics como atos de terrorismo.

 

35. Condenamos nos termos mais fortes os ataques contra pontes e infraestrutura ferroviária que visaram deliberadamente civis nas regiões de Bryansk, Kursk e Voronezh, na Federação Russa, em 31 de maio e 1º e 5 de junho de 2025, resultando em várias vítimas civis, incluindo crianças.

PRA: Neste parágrafo, os Brics chegaram ao limite da desfaçatez vergonhosa e da seletividade imoral, ademais de registrarem uma mentira deslavada. A Ucrânia tem atingido basicamente alvos militares, ao contrário da Rússia, atacando deliberadamente hospitais, escolas e creches. Como diplomata brasileiro sinto vergonha pelo fato da delegacão do Brasil ter consentido num parágrafo vergonhoso como esse.

 

38. Expressamos preocupação com os crescentes riscos de perigo e conflito nuclear.

PRA: Parece incrível que nenhum dos Brics tenha registrado as constantes, reiteradas ameaças de recurso à arma nuclear na guerra de agressão à Ucrânia, direta e expressamente feitas pelo próprio Putin e seu presidente de conveniência.

 

42. Saudamos os resultados alcançados pela “Estratégia para a Parceria Econômica do BRICS 2025”.

PRA: Não existem resultados nessa área até o momento, apenas declarações de intenções e expressão de desejos. Não existe nenhum acordo de liberalização comercial, ou acordos de proteção de investimentos entre os países membros.

 

45. À medida que o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) se prepara para embarcar em sua segunda década de ouro de desenvolvimento de alta qualidade, reconhecemos e apoiamos seu crescente papel como um agente robusto e estratégico de desenvolvimento e modernização no Sul Global. (...) Apoiamos plenamente a liderança da Presidente Dilma Rousseff, cuja recondução recebeu forte apoio de todos os membros...

PRA: O NDB é apenas mais um banco de fomento, como existem vários no mundo, e com processos de avaliação de projetos muito técnicos e seguros com respeito à análise de custos e benefícios. Se o banco dos Brics for leniente na análise dos projetos, apenas para prover recursos aos países membros sem o devido rigor técnico, pode-se antecipar futuras inadimplências e crises de endividamento, como já registrado no passado em outras esferas.

 

49. Saudamos o foco do Mecanismo de Cooperação Interbancária do BRICS (ICM em inglês) em facilitar e expandir práticas financeiras inovadoras e abordagens para projetos e programas, incluindo a busca por mecanismos de financiamento em moedas locais aceitáveis. Saudamos o diálogo contínuo entre o ICM e o NDB.

PRA: Persiste entre os Brics, especialmente provocada pelo presidente Lula, essa ideia artificial – pois que apenas politicamente sustentada – de substituir o dólar nas transações internacionais, começando pelos próprios Brics, num desconhecimento total do funcionamento do sistema multilateral de pagamentos, e dos interesses dos comerciantes privados de adotarem os meios mais eficientes e baratos. Não é o caso, atualmente, de nenhuma das moedas nacionais do Brics, menos ainda de um novo instrumento criado politicamente para tal finalidade, sem considerar custos e desvantagens associadas a um novo meio de pagamento sem sustentação em bases econômicas reais.

 

53. Saudamos o progresso em relação ao Arranjo Contingente de Reservas (CRA em inglês), incluindo o consenso alcançado pela equipe técnica sobre a revisão do tratado e regulações.

PRA: Se o CRA é mera cópia dos mecanismos existentes no FMI ele é redundante; se ele for mais permissivo, pode estimular maiores posições de risco e possível esgotamento dos recursos em algum momento do futuro.

 

55. Saudamos a iniciativa da presidência brasileira de lançar o Seminário do BRICS sobre Compras Governamentais Sustentáveis como uma plataforma para troca de conhecimentos e cooperação Sul-Sul.

PRA: Parece mais um outro nome para a continuidade de reservas de mercado nacionais, ou seja, custos mais altos e ineficiências.

 

65. Notamos que altos níveis de endividamento de alguns países reduzem a margem fiscal necessária para enfrentar desafios atuais ao desenvolvimento, agravados por efeitos de transbordamento de choques externos, particularmente de oscilações em políticas financeiras e monetárias em algumas economias avançadas, assim como os problemas inerentes à arquitetura financeira internacional.

PRA: Nenhuma potência financeira internacional, ou órgão financeiro multilateral, empurrou qualquer um dos países membros, e outros, a altos níveis de endividamento, que resulta de um comprometimento soberano com empréstimos externos excessivos.

 

70. Enfatizamos a importância de assegurar a segurança alimentar e nutricional, bem como de mitigar os impactos da volatilidade aguda dos preços dos alimentos e de crises abruptas de abastecimento, incluindo a escassez de fertilizantes.

PRA: Uma das principais ameaças à segurança alimentar no mundo foi (ainda é) a iniciativa russa de bloquear a exportação de grãos a partir dos portos do Mar Negro. Sobre isso, a declaração do Brics não tem nada a dizer.

 

 

126. Estendemos total apoio à Índia em sua presidência do BRICS em 2026 e na realização da XVIII Cúpula do BRICS na Índia.

PRA: Boa sorte! Trump talvez ainda esteja desvairado nos tarifaços contra os Brics.

 

Paulo Roberto de Almeida

São Paulo, 13 julho 2025, 5 p.

Disponível Academia.edu (link: https://www.academia.edu/136882058/4988_Destaques_curiosos_da_Declaracao_do_Rio_de_Janeiro_do_Brics_2025); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/07/4988-destaques-curiosos-da-declaracao.html).

 

 

Postagem em destaque

Convergências e divergências no regionalismo econômico e político da América do Sul: evolução histórica, dilemas atuais e perspectivas futuras - Paulo Roberto de Almeida (ANPOC, 2008)

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