Tendo já postado uma entrevista recente nas Páginas Amarelas, creio ser útil repostar (ugh, que palavra horrível!) a entrevista anterior do mesmo diplomata nas mesmas páginas, que continuam amarelas. Não sei se a política externa melhorou, desde então, e se foi para melhor...
Para a mais recente, veja no índice, ou faça um search aqui ao lado...
Paulo Roberto de Almeida
Entrevista: Roberto Abdenur
Nem na ditadura
Páginas Amarelas, Revista Veja, edição n. 1994 de 7 de fevereiro de 2007
O diplomata diz que a política externa do governo Lula é contaminada pelo antiamericanismo e pela orientação ideológica
"Há um sentimento generalizado de que hoje os diplomatas são promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência"
Roberto Abdenur, 64 anos, era um dos mais experientes diplomatas do quadro do Itamaraty até a semana passada, quando se aposentou depois de 44 anos de carreira. Seu último posto foi o de embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Amigo do chanceler Celso Amorim há décadas, nos últimos meses desencantou-se com ele e com sua política. As divergências começaram depois que Abdenur disse publicamente que era uma ilusão o fato de o Brasil considerar a China como parceiro comercial, isso depois da decisão do governo brasileiro de reconhecer aquele país como uma economia de mercado. Amorim exigiu uma retratação de Abdenur. Ela nunca veio. Em entrevista a VEJA, o ex-embaixador preferiu não falar sobre o embate entre ele e o chanceler, mas não economiza palavras para criticar a política externa e a doutrinação ideológica em curso no Itamaraty. As decisões hoje, segundo ele, são pautadas pela miopia de um grupo de esquerdistas. As promoções internas têm como critério a afinidade de pensamento, e não a competência. Os acordos de cooperação privilegiam países menos desenvolvidos. Diz ele: "Um processo de doutrinação assim no Itamaraty não aconteceu nem na ditadura".
Veja – O senhor está se aposentando depois de 44 anos de trabalho no Itamaraty e parece muito incomodado com a situação da diplomacia brasileira.
Abdenur – Existe um elemento ideológico muito forte presente na política externa brasileira. A idéia do Sul–Sul como eixo preponderante revela um antiamericanismo atrasado. Isso tem se manifestado dentro do Itamaraty de diversas maneiras. Está havendo uma doutrinação. Diplomatas de categoria, não apenas jovens, são forçados a fazer certas leituras quando entram ou saem de Brasília. Livros que têm viés dessa postura ideológica. É uma coisa vexatória. O Itamaraty não é lugar para bedel.
Veja – De que outras maneiras a doutrinação ideológica se manifesta no Itamaraty?
Abdenur – Há um sentimento generalizado de que os diplomatas hoje são promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência. Eu vi funcionários de competência indiscutível ser passados para trás porque não são alinhados. Há intolerância à pluralidade de opinião. O Itamaraty sempre teve um prestígio singular na diplomacia internacional pela continuidade da política externa, pelo equilíbrio, pela excelência de seus quadros e pelo apartidarismo. O Itamaraty precisa resgatar o profissionalismo a salvo de posturas ideológicas, de atitudes intolerantes e de identificação partidária com a força política dominante no momento.
Veja – Essa situação que o senhor descreve já aconteceu antes?
Abdenur – Nunca, nem na ditadura militar. De 1964 até o início do governo Ernesto Geisel, na primeira década do regime militar, adotou-se uma política externa simplória, baseada na ideologia anticomunista. Isso foi imposto à força pelos militares. Mas nunca houve tentativa de convencer os diplomatas dessa ideologia. O rumo foi imposto e se exigia o seu cumprimento, mas não se cobrava dos profissionais nenhuma afinidade com a ideologia que definia aquele rumo. Do governo Geisel até o fim do governo FHC, a pressão ideológica desapareceu. Agora, infelizmente, as decisões são permeadas por elementos ideológicos.
Veja – A difusão dessa política externa ideologizada é responsabilidade do ministro Celso Amorim ou do secretário-geral Samuel Pinheiro Guimarães?
Abdenur – Samuel, Celso e eu fomos grandes amigos, e eu tenho recordações muito gratas do tempo em que fomos amigos.
Veja – O senhor disse que foi amigo de Celso Amorim e de Samuel Guimarães. Com o verbo no passado.
Abdenur – Fica no passado. Fomos grandes amigos.
Veja – O senhor ficou magoado com a maneira como saiu da embaixada de Washington?
Abdenur – Acho que já falei demais.
Veja – Substantivamente, houve pontos positivos na política externa brasileira no primeiro mandato do presidente Lula?
Abdenur – Sim, sem dúvida. O Brasil engatou uma parceria com Índia, Japão e Alemanha para obter uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU. É luta válida, que vai trazer resultados. Acho muito bom o que o governo tem feito para abrir novas frentes de comércio com países árabes, com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a África. Acho muito positiva também a forma inovadora de trabalho com o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul). É a primeira vez que três países grandes, de três continentes diferentes, se unem para buscar iniciativas conjuntas. Acho que o Brasil tem conduzido com amplo equilíbrio e proficiência as negociações da Rodada de Doha. O Brasil é um jogador decisivo, tem uma atuação de liderança no G20 muito importante. Há ainda a questão do Haiti, onde lideramos pela primeira vez uma ação de países latino-americanos em favor da paz. Enfim, houve acertos...
Veja – E os erros substantivos?
Abdenur – A minha maior crítica à atuação do Itamaraty está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Com a queda do Muro de Berlim, desapareceu completamente o paralelo que dividia o mundo em Ocidente e Oriente. O meridiano Norte-Sul não desapareceu de todo, mas se desvaneceu. O diálogo Norte-Sul é uma realidade. A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado. A nossa relação com a China e com a Índia também apresenta equívocos. É preciso ter parceria com os dois países, mas eles não podem ser considerados nossos aliados.
Veja – Há uma tendência no Itamaraty de priorizar as relações com os países da América do Sul em detrimento dos Estados Unidos?
Abdenur – Não é positivo superestimar o valor das afinidades ideológicas. Tem prosperado no Itamaraty uma idéia de que uma maior afinidade ideológica entre os governos da América do Sul tornaria nossa vida mais fácil. Estamos vendo que não. Apesar das afinidades que existem entre o Brasil e outros países da região, estamos enfrentando problemas para consolidar o Mercosul.
Veja – É crescente a influência de Hugo Chávez em países como Bolívia e Equador. Como o senhor avalia essa mudança de poder na América Latina?
Abdenur – Fui embaixador no Equador de 1985 a 1988 e, durante aqueles anos, a população mais pobre, de origem indígena, não tinha poder nem influência na vida política. A ascensão dessas camadas indígenas da população, como ocorre no Equador, na Bolívia e no Peru, é positiva. Mas há uma diferença básica entre Evo Morales e Hugo Chávez. O Morales vem de baixo, é um líder camponês que virou presidente da República. Mal comparando, uma trajetória semelhante à do presidente Lula. Já Chávez caiu de pára-quedas, tentou um golpe, depois chegou ao poder pela via democrática. Infelizmente, ele está acabando com a democracia na Venezuela.
Veja – O que o senhor acha da defesa feita pelo governo brasileiro a favor da entrada da Venezuela no Mercosul?
Abdenur – Foi um erro ter incorporado de chofre a Venezuela ao Mercosul. Devíamos ter privilegiado o aperfeiçoamento do Mercosul sobre a expansão a qualquer custo. Foi vexatório ver Chávez na última reunião dizendo que o Mercosul era um corpo que precisava ser enterrado. Chávez tem idéias sobre economia que não se coadunam com os pressupostos do Mercosul. Ele tem idéia de regresso ao escambo, de troca de mercadorias. Isso obviamente é um passo para trás. O Mercosul tem um compromisso democrático. Democracia, é bom lembrar, não é só realização de eleições. Acho que o Brasil tem a responsabilidade de soltar a voz para tornar menos cômoda a vida de governos autoritários e ditatoriais na região. Não se pode ignorar o que está acontecendo na Venezuela. O Brasil deve expressar claramente seu compromisso democrático amplo, profundo e irrestrito e denunciar situações como a que Chávez criou na Venezuela.
Veja – Como o senhor avalia a relação do Brasil com os Estados Unidos nos três anos em que serviu como embaixador em Washington?
Abdenur – Pode parecer paradoxal, mas a relação do Brasil com os Estados Unidos prosperou significativamente nos últimos anos. Graças a uma pessoa que manda muito no governo brasileiro, uma pessoa de extremo pragmatismo e lucidez, que é o presidente Lula. Ele não esconde seu desagrado com algumas coisas que o governo Bush tem feito, particularmente no Iraque. Mas Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil. Quando fui assumir a embaixada, ele me disse: "Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países". Como embaixador, tive algumas dificuldades, mas nada que fosse impeditivo.
Veja – O senhor não deixou o cargo de embaixador espontaneamente, correto?
Abdenur – Há no Brasil setores, embora minoritários, que têm aversão aos Estados Unidos, inclusive dentro do governo e do Itamaraty. Há esse ranço, mas isso não atrapalhou meu trabalho. A relação Brasil-Estados Unidos nunca esteve tão bem. Lula inclusive deve visitar o presidente Bush nos próximos meses.
Veja – Apesar dessa relação forte com os Estados Unidos, a Alca está em compasso de espera.
Abdenur – O Brasil está, na melhor das hipóteses, deixando de ganhar dinheiro. O mercado americano está se aproximando dos 2 trilhões de dólares. Seria vital para o Brasil ter vantagens preferenciais, de parceria, com os Estados Unidos. Não estou dizendo que deveríamos ter assinado a Alca de qualquer jeito, mas deveríamos ter seguido com a negociação. Os Estados Unidos têm assinado vários acordos de comércio bilaterais, e nós temos perdido competitividade no mercado americano. Nós estamos estacionados há dez anos em 1,4% do mercado americano. Há vinte anos, nossa participação era de 2,2%. Eu lamento que o único aspecto da relação Brasil-Estados Unidos em que não houve progresso tenha sido o comércio. Foram mínimos os recursos alocados para promoção comercial nos Estados Unidos pelo governo brasileiro.
Veja – Qual é a imagem do presidente Lula nos Estados Unidos? Ele ainda é um político respeitado ou sua imagem foi deteriorada pelos escândalos de corrupção?
Abdenur – É uma imagem positiva, os escândalos de corrupção não repercutiram muito por lá. Ele é o líder de uma democracia estável, um governante que tem uma biografia louvável. O governo Lula tem merecido respeito mundo afora por conciliar uma política econômica pragmática com políticas sociais efetivas e uma política externa séria. Isso começou com Fernando Henrique, mas o governo Lula avançou.
Veja – O senhor disse em um evento no ano passado em São Paulo que a China é nossa concorrente, não nossa parceira. O senhor mantém essa avaliação?
Abdenur – Fui nomeado embaixador na China no governo Sarney, trabalhei quatro anos e meio lá, tenho autoridade para falar desse país. Nós não podemos ter uma visão romântica daquela China do passado, pobre, atrasada, camponesa, isolada do mundo. A China deu um salto extraordinário e hoje é uma potência. Tem um comércio exterior de 1,8 trilhão de dólares, oito vezes o do Brasil. Nós temos de atualizar a visão da China e ver que, sem deixar de ser parceira valiosa, é cada vez mais nossa concorrente dentro do mercado brasileiro e no exterior. Isso não quer dizer que devamos construir uma muralha e nos fechar aos chineses. Pelo contrário. É preciso manter uma parceria estratégica com a China em novos termos e não ter ilusões. Quando criamos mitos e queremos dar a impressão de que a China é nossa aliada, que nós a lideramos, é uma bobagem. A China hoje busca o capitalismo, a globalização, o mercado.
Veja – O senhor acha que o Brasil errou ao reconhecer a China como economia de mercado?
Abdenur – Acho que foi precipitado. Embora o Estado chinês como produtor e empreendedor esteja diminuindo de tamanho, ele ainda interfere muitíssimo na economia, usa instrumentos arbitrários. Ao reconhecermos a economia de mercado, nós abrimos mão de usar mecanismos de defesa contra os produtos chineses. Isso tornou inevitável uma entrada cada vez maior de produtos chineses no Brasil. O prejuízo é inevitável.
Veja – A divulgação dessa posição do senhor sobre a China causou problemas dentro do Itamaraty?
Abdenur – Causou, sim.
Veja – É verdade que seu amigo antigo, o ministro Amorim, exigiu que o senhor se retratasse publicamente?
Abdenur – Não quero fulanizar essa discussão.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Como tornar-se um grande escritor...
...comece asfaltando estradas...
No, I was kidding...
Bem, também é uma forma de adquirir experiência.
Um escritor de best sellers, dos mais famosos, conta como começou. Justamente, asfaltando estradas...
Mas, você pode começar just writing...
Paulo Roberto de Almeida
Op-Ed Contributor
Boxers, Briefs and Books
By JOHN GRISHAM
The New York Times, September 6, 2010, page A19
I WASN’T always a lawyer or a novelist, and I’ve had my share of hard, dead-end jobs. I earned my first steady paycheck watering rose bushes at a nursery for a dollar an hour. I was in my early teens, but the man who owned the nursery saw potential, and he promoted me to his fence crew. For $1.50 an hour, I labored like a grown man as we laid mile after mile of chain-link fence. There was no future in this, and I shall never mention it again in writing.
Then, during the summer of my 16th year, I found a job with a plumbing contractor. I crawled under houses, into the cramped darkness, with a shovel, to somehow find the buried pipes, to dig until I found the problem, then crawl back out and report what I had found. I vowed to get a desk job. I’ve never drawn inspiration from that miserable work, and I shall never mention it again in writing, either.
But a desk wasn’t in my immediate future. My father worked with heavy construction equipment, and through a friend of a friend of his, I got a job the next summer on a highway asphalt crew. This was July, when Mississippi is like a sauna. Add another 100 degrees for the fresh asphalt. I got a break when the operator of a Caterpillar bulldozer was fired; shown the finer points of handling this rather large machine, I contemplated a future in the cab, tons of growling machinery at my command, with the power to plow over anything. Then the operator was back, sober, repentant. I returned to the asphalt crew.
I was 17 years old that summer, and I learned a lot, most of which cannot be repeated in polite company. One Friday night I accompanied my new friends on the asphalt crew to a honky-tonk to celebrate the end of a hard week. When a fight broke out and I heard gunfire, I ran to the restroom, locked the door and crawled out a window. I stayed in the woods for an hour while the police hauled away rednecks. As I hitchhiked home, I realized I was not cut out for construction and got serious about college.
My career sputtered along until retail caught my attention; it was indoors, clean and air-conditioned. I applied for a job at a Sears store in a mall. The only opening was in men’s underwear. It was humiliating. I tried to quit, but I was given a raise. Evidently, the position was difficult to fill. I asked to be transferred to toys, then to appliances. My bosses said no and gave me another raise.
I became abrupt with customers. Sears has the nicest customers in the world, but I didn’t care. I was rude and surly and I was occasionally watched by spies hired by the company to pose as shoppers. One asked to try on a pair of boxers. I said no, that it was obvious they were much too small for his rather ample rear end. I handed him an extra-large pair. I got written up. I asked for lawn care. They said no, but this time they didn’t offer me a raise. I finally quit.
Halfway through college, and still drifting, I decided to become a high-powered tax lawyer. The plan was sailing along until I took my first course in tax law. I was stunned by its complexity and lunacy, and I barely passed the course.
Around the same time, I was involved in mock-trial classes. I enjoyed the courtroom. A new plan was hatched. I would return to my hometown, hang out my shingle and become a hotshot trial lawyer. Tax law was discarded overnight.
This was 1981; at the time there was no public-defender system in my county. I volunteered for all the indigent work I could get. It was the fastest way to trial, and I learned quickly.
When my law office started to struggle for lack of well-paying work — indigent cases are far from lucrative — I decided to go into yet another low-paying career: in 1983, I was elected to a House seat in the Mississippi State Legislature. The salary was $8,000, which was more than I made during my first year as a lawyer. Each year from January through March I was at the State Capitol in Jackson, wasting serious time, but also listening to great storytellers. I took a lot of notes, not knowing why but feeling that, someday, those tales would come in handy.
Like most small-town lawyers, I dreamed of the big case, and in 1984 it finally arrived. But this time, the case wasn’t mine. As usual, I was loitering around the courtroom, pretending to be busy. But what I was really doing was watching a trial involving a young girl who had been beaten and raped. Her testimony was gut-wrenching, graphic, heartbreaking and riveting. Every juror was crying. I remember staring at the defendant and wishing I had a gun. And like that, a story was born.
Writing was not a childhood dream of mine. I do not recall longing to write as a student. I wasn’t sure how to start. Over the following weeks I refined my plot outline and fleshed out my characters. One night I wrote “Chapter One” at the top of the first page of a legal pad; the novel, “A Time to Kill,” was finished three years later.
The book didn’t sell, and I stuck with my day job, defending criminals, preparing wills and deeds and contracts. Still, something about writing made me spend large hours of my free time at my desk.
I had never worked so hard in my life, nor imagined that writing could be such an effort. It was more difficult than laying asphalt, and at times more frustrating than selling underwear. But it paid off. Eventually, I was able to leave the law and quit politics. Writing’s still the most difficult job I’ve ever had — but it’s worth it.
John Grisham is the author of the forthcoming novel “The Confession” and a contributor to the forthcoming collection “Don’t Quit Your Day Job: Acclaimed Authors and the Day Jobs They Quit.”
No, I was kidding...
Bem, também é uma forma de adquirir experiência.
Um escritor de best sellers, dos mais famosos, conta como começou. Justamente, asfaltando estradas...
Mas, você pode começar just writing...
Paulo Roberto de Almeida
Op-Ed Contributor
Boxers, Briefs and Books
By JOHN GRISHAM
The New York Times, September 6, 2010, page A19
I WASN’T always a lawyer or a novelist, and I’ve had my share of hard, dead-end jobs. I earned my first steady paycheck watering rose bushes at a nursery for a dollar an hour. I was in my early teens, but the man who owned the nursery saw potential, and he promoted me to his fence crew. For $1.50 an hour, I labored like a grown man as we laid mile after mile of chain-link fence. There was no future in this, and I shall never mention it again in writing.
Then, during the summer of my 16th year, I found a job with a plumbing contractor. I crawled under houses, into the cramped darkness, with a shovel, to somehow find the buried pipes, to dig until I found the problem, then crawl back out and report what I had found. I vowed to get a desk job. I’ve never drawn inspiration from that miserable work, and I shall never mention it again in writing, either.
But a desk wasn’t in my immediate future. My father worked with heavy construction equipment, and through a friend of a friend of his, I got a job the next summer on a highway asphalt crew. This was July, when Mississippi is like a sauna. Add another 100 degrees for the fresh asphalt. I got a break when the operator of a Caterpillar bulldozer was fired; shown the finer points of handling this rather large machine, I contemplated a future in the cab, tons of growling machinery at my command, with the power to plow over anything. Then the operator was back, sober, repentant. I returned to the asphalt crew.
I was 17 years old that summer, and I learned a lot, most of which cannot be repeated in polite company. One Friday night I accompanied my new friends on the asphalt crew to a honky-tonk to celebrate the end of a hard week. When a fight broke out and I heard gunfire, I ran to the restroom, locked the door and crawled out a window. I stayed in the woods for an hour while the police hauled away rednecks. As I hitchhiked home, I realized I was not cut out for construction and got serious about college.
My career sputtered along until retail caught my attention; it was indoors, clean and air-conditioned. I applied for a job at a Sears store in a mall. The only opening was in men’s underwear. It was humiliating. I tried to quit, but I was given a raise. Evidently, the position was difficult to fill. I asked to be transferred to toys, then to appliances. My bosses said no and gave me another raise.
I became abrupt with customers. Sears has the nicest customers in the world, but I didn’t care. I was rude and surly and I was occasionally watched by spies hired by the company to pose as shoppers. One asked to try on a pair of boxers. I said no, that it was obvious they were much too small for his rather ample rear end. I handed him an extra-large pair. I got written up. I asked for lawn care. They said no, but this time they didn’t offer me a raise. I finally quit.
Halfway through college, and still drifting, I decided to become a high-powered tax lawyer. The plan was sailing along until I took my first course in tax law. I was stunned by its complexity and lunacy, and I barely passed the course.
Around the same time, I was involved in mock-trial classes. I enjoyed the courtroom. A new plan was hatched. I would return to my hometown, hang out my shingle and become a hotshot trial lawyer. Tax law was discarded overnight.
This was 1981; at the time there was no public-defender system in my county. I volunteered for all the indigent work I could get. It was the fastest way to trial, and I learned quickly.
When my law office started to struggle for lack of well-paying work — indigent cases are far from lucrative — I decided to go into yet another low-paying career: in 1983, I was elected to a House seat in the Mississippi State Legislature. The salary was $8,000, which was more than I made during my first year as a lawyer. Each year from January through March I was at the State Capitol in Jackson, wasting serious time, but also listening to great storytellers. I took a lot of notes, not knowing why but feeling that, someday, those tales would come in handy.
Like most small-town lawyers, I dreamed of the big case, and in 1984 it finally arrived. But this time, the case wasn’t mine. As usual, I was loitering around the courtroom, pretending to be busy. But what I was really doing was watching a trial involving a young girl who had been beaten and raped. Her testimony was gut-wrenching, graphic, heartbreaking and riveting. Every juror was crying. I remember staring at the defendant and wishing I had a gun. And like that, a story was born.
Writing was not a childhood dream of mine. I do not recall longing to write as a student. I wasn’t sure how to start. Over the following weeks I refined my plot outline and fleshed out my characters. One night I wrote “Chapter One” at the top of the first page of a legal pad; the novel, “A Time to Kill,” was finished three years later.
The book didn’t sell, and I stuck with my day job, defending criminals, preparing wills and deeds and contracts. Still, something about writing made me spend large hours of my free time at my desk.
I had never worked so hard in my life, nor imagined that writing could be such an effort. It was more difficult than laying asphalt, and at times more frustrating than selling underwear. But it paid off. Eventually, I was able to leave the law and quit politics. Writing’s still the most difficult job I’ve ever had — but it’s worth it.
John Grisham is the author of the forthcoming novel “The Confession” and a contributor to the forthcoming collection “Don’t Quit Your Day Job: Acclaimed Authors and the Day Jobs They Quit.”
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Grande Depressao: tudo o que voce sempre quis saber sobre ela...
...e nunca teve a quem perguntar.
Agora já tem, no site da Library of Congress, dos EUA, como abaixo.
Pois é, cada vez que eu preciso saber alguma coisa, qualquer coisa, sobre algum livro, ou algum autor, quando tenho dúvidas sobre quando foi a primeira edição de algum livro, que eu sei, mas ficou naquele neurônio meio fraquinho lá no canto do cérebro, não tenho dúvidas, vou direto para a:
Library of Congress: www.loc.gov
simplesmente o maior site de referências do mundo para qualquer coisas, talvez até para receitas de bolo (mas eu nunca tentei essa linha de pesquisas).
Quando eu morava em Washington, eu era um usuário compulsivo da LoC, lá encontrando livros brasileiros ou sobre o Brasil que eu não achava em nenhuma biblioteca de Brasília. Fui muito feliz, eu e a LOC, durante os quatro anos que morei em Washington, tanto que doei alguns livros meus para sua coleção.
Pois bem, eu estava tranquilo no meu canto quando foi a LoC que me contatou, não o contrário. Fui consultado por uma equipe da LoC que se ocupa de "memória virtual", em cooperação com a Biblioteca Nacional, para guardar alguma coisa sobre as eleições brasileiras. Eles me contataram nestes termos:
A Fundação Biblioteca Nacional e a Biblioteca do Congresso Americano selecionou o seu website para inclusão no acervo histórico das matérias relacionadas com a Internet para a eleição presidencial do Brasil em 2010. Em um projeto conjunto das duas bibliotecas nacionais, esta iniciativa permitirá que os estudiosos atuais e do futuro estudem o processo eleitoral em detalhe.
Trata-se de um blog meu sobre as eleições presidenciais de 2010 (eu já tinha feito um sobre as eleições de 2006). Enfim, isso não importa.
Aproveitando a deixa de autorizá-los a reproduzir material do meu blog, fui consultar novamente o site da LoC (o que quase nunca faço, pois sempre vou para o sistema de obras do catálogo).
Encontrei muita coisa boa e selecionei apenas uma, pois acho que pode interessar muitos dos leitores deste blog, ou de minhas listas, que se interessam pela atual crise financeira e seus fundamentos históricos.
Pois a LoC tem uma assemblagem enorme de materiais sobre a Grande Depressão, simplesmente a maior crise, e depressão, já conhecida na história do capitalismo.
Aproveitem (pelo menos alguns dos 371 itens):
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* America From the Great Depression to World War II: Photographs from the FSA-OWI, 1935-1945
* New Deal Programs: Selected Library of Congress Resources
* Great Depression: Teacher Resources
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1. The great depression
( p2005 ) ( Audio )
Source: Library of Congress Online Catalog
2. The great depression & the new deal
( 1996 ) ( Film, Video )
Source: Library of Congress Online Catalog
3. The Great Depression. Arsenal of democracy
( 1993 ) ( Film, Video )
Source: Library of Congress Online Catalog
4. The Great depression
( 1969] ) ( Book, Periodical, Manuscript )
Source: Library of Congress Online Catalog
5. The Great Depression. To be somebody
( 1993 ) ( Film, Video )
Source: Library of Congress Online Catalog
6. The Great Depression and the 1990s-Student Resources
( web page )
7. The Great Depression and the 1990s-Bibliography
( web page )
8. Introduction: The Great Depression and the New Deal
( web page )
"The Great Depression and the New Deal Page 1 of 16 Next Page [Tuskeegee, Alabama.] Photographer unknown. Photograph, 1936. Courtesy of the National Archives.
9. The Great Depression
( c2001 ) ( Book, Periodical, Manuscript )
10. Americans React to the Great Depression
( web page )
"The Library of Congress home Overview Documents "Hooverville,"Central Ohio, 1938. America from the Great Depression to World War II, 1935-1945 The Great Depression began in 1929 when, in a period of ten weeks, …"
11. Figuring Somepin 'Bout the Great Depression: Lesson One
( web page )
12. The great depression
Humphries, Charles ( [c1968] ) ( Book, Periodical, Manuscript )
13. Exhibitions and Presentations - The Great Depression - Themed Resources - For Teachers
( web page )
14. The great depression
Singer, Barnett ( [1974] ) ( Book, Periodical, Manuscript )
15. The great depression
D M X ( p2001 ) ( Audio )
16. Search Terms - The Great Depression - For Teachers (Library of Congress)
( web page )
17. The Great Depression and the 1990s-Lesson Two
( web page )
18. The Great Depression
Yass, Marion ( 1970 ) ( Book, Periodical, Manuscript )
Source: Library of Congress Online Catalog
19. For Students - The Great Depression - Themed Resources - For Teachers (Library of Congress)
( web page )
20. Lesson Plans - The Great Depression - Themed Resources - For Teachers (Library of Congress)
( web page )
"A compilation of Great Depression related lesson plans from across the Library's Web site"
Source: Library of Congress Web site
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Bem, acho que vocês já têm divertimento pelo resto do dia (e toda a noite)...
Paulo Roberto de Almeida
Agora já tem, no site da Library of Congress, dos EUA, como abaixo.
Pois é, cada vez que eu preciso saber alguma coisa, qualquer coisa, sobre algum livro, ou algum autor, quando tenho dúvidas sobre quando foi a primeira edição de algum livro, que eu sei, mas ficou naquele neurônio meio fraquinho lá no canto do cérebro, não tenho dúvidas, vou direto para a:
Library of Congress: www.loc.gov
simplesmente o maior site de referências do mundo para qualquer coisas, talvez até para receitas de bolo (mas eu nunca tentei essa linha de pesquisas).
Quando eu morava em Washington, eu era um usuário compulsivo da LoC, lá encontrando livros brasileiros ou sobre o Brasil que eu não achava em nenhuma biblioteca de Brasília. Fui muito feliz, eu e a LOC, durante os quatro anos que morei em Washington, tanto que doei alguns livros meus para sua coleção.
Pois bem, eu estava tranquilo no meu canto quando foi a LoC que me contatou, não o contrário. Fui consultado por uma equipe da LoC que se ocupa de "memória virtual", em cooperação com a Biblioteca Nacional, para guardar alguma coisa sobre as eleições brasileiras. Eles me contataram nestes termos:
A Fundação Biblioteca Nacional e a Biblioteca do Congresso Americano selecionou o seu website para inclusão no acervo histórico das matérias relacionadas com a Internet para a eleição presidencial do Brasil em 2010. Em um projeto conjunto das duas bibliotecas nacionais, esta iniciativa permitirá que os estudiosos atuais e do futuro estudem o processo eleitoral em detalhe.
Trata-se de um blog meu sobre as eleições presidenciais de 2010 (eu já tinha feito um sobre as eleições de 2006). Enfim, isso não importa.
Aproveitando a deixa de autorizá-los a reproduzir material do meu blog, fui consultar novamente o site da LoC (o que quase nunca faço, pois sempre vou para o sistema de obras do catálogo).
Encontrei muita coisa boa e selecionei apenas uma, pois acho que pode interessar muitos dos leitores deste blog, ou de minhas listas, que se interessam pela atual crise financeira e seus fundamentos históricos.
Pois a LoC tem uma assemblagem enorme de materiais sobre a Grande Depressão, simplesmente a maior crise, e depressão, já conhecida na história do capitalismo.
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* Great Depression: Teacher Resources
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1. The great depression
( p2005 ) ( Audio )
Source: Library of Congress Online Catalog
2. The great depression & the new deal
( 1996 ) ( Film, Video )
Source: Library of Congress Online Catalog
3. The Great Depression. Arsenal of democracy
( 1993 ) ( Film, Video )
Source: Library of Congress Online Catalog
4. The Great depression
( 1969] ) ( Book, Periodical, Manuscript )
Source: Library of Congress Online Catalog
5. The Great Depression. To be somebody
( 1993 ) ( Film, Video )
Source: Library of Congress Online Catalog
6. The Great Depression and the 1990s-Student Resources
( web page )
7. The Great Depression and the 1990s-Bibliography
( web page )
8. Introduction: The Great Depression and the New Deal
( web page )
"The Great Depression and the New Deal Page 1 of 16 Next Page [Tuskeegee, Alabama.] Photographer unknown. Photograph, 1936. Courtesy of the National Archives.
9. The Great Depression
( c2001 ) ( Book, Periodical, Manuscript )
10. Americans React to the Great Depression
( web page )
"The Library of Congress home Overview Documents "Hooverville,"Central Ohio, 1938. America from the Great Depression to World War II, 1935-1945 The Great Depression began in 1929 when, in a period of ten weeks, …"
11. Figuring Somepin 'Bout the Great Depression: Lesson One
( web page )
12. The great depression
Humphries, Charles ( [c1968] ) ( Book, Periodical, Manuscript )
13. Exhibitions and Presentations - The Great Depression - Themed Resources - For Teachers
( web page )
14. The great depression
Singer, Barnett ( [1974] ) ( Book, Periodical, Manuscript )
15. The great depression
D M X ( p2001 ) ( Audio )
16. Search Terms - The Great Depression - For Teachers (Library of Congress)
( web page )
17. The Great Depression and the 1990s-Lesson Two
( web page )
18. The Great Depression
Yass, Marion ( 1970 ) ( Book, Periodical, Manuscript )
Source: Library of Congress Online Catalog
19. For Students - The Great Depression - Themed Resources - For Teachers (Library of Congress)
( web page )
20. Lesson Plans - The Great Depression - Themed Resources - For Teachers (Library of Congress)
( web page )
"A compilation of Great Depression related lesson plans from across the Library's Web site"
Source: Library of Congress Web site
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Bem, acho que vocês já têm divertimento pelo resto do dia (e toda a noite)...
Paulo Roberto de Almeida
Ascensao e declinio do novo (agora quase velho) sindicalismo no Brasil: um livro a conferir
Não conheço o livro e não conheço o autor, mas considerando-se que o Brasil já virou, apenas ainda não formalmente (mas não deve tardar), uma "república sindical", caberia conhecer as origens do "fenômeno".
Mesmo sem conhecer o conteúdo exato, e os argumentos do autor, não sei se concordo com o título, pois NÃO acredito que o "novo sindicalismo" -- que já ficou velho desde os anos 1990 -- está em declínio, ao contrário.
Ele parece mais vitorioso do que nunca, tendo alcançado o poder, se instalado gostosamente e solidamente nele, e não parece querer dele sair, numa reprodução não semelhante, mas talvez similar, ao fenômeno peronista na Argentina.
Em todo caso, se as "mensagens" do "novo sindicalismo" já foram abandonadas -- e elas não são velhas, se julgarmos que se pedia liberdade sindical, fim do imposto e da subordinação dos sindicatos ao Estado, etc. -- esse sindicalismo que se deturpou, de prostituiu e virou praticamente um sindicalismo mafioso, ou quase isso, não se encontra perto do declínio, ao contrário; ele tem cada vez mais sucesso, a julgar pela "indústria dos sindicatos", uma das que mais proliferam no Brasil.
Eu até diria que temos ainda muito peronismo de araque pela frente, com um poder sindical cada vez mais disseminado, e talvez cada vez mais mafioso, como na Argentina.
Essa é a origem de um "pacto perverso" sobre o qual falarei em próxima oportunidade.
Paulo Roberto de Almeida
New Book: Rise and Decline of Brazil’s New Unionism
Jeffrey Sluyter- Beltrão
********************************
PETER LANG - International Academic Publishers
are pleased to announce a new book by Jeffrey Sluyter-Beltrão:
RISE AND DECLINE OF BRAZIL’S NEW UNIONISM: The Politics of the Central Única dos Trabalhadores
(Oxford, Bern, Berlin, Bruxelles, Frankfurt am Main, New York,
Wien, 2010; XVI, 465 pp., num. tables and graphs; Trade Unions Past, Present and Future. Vol. 6; Edited by Craig Phelan; ISBN 978-3-0343-0114-5 pb.; sFr. 85.00 / EUR* 58.20 / EUR** 59.80 / EUR 54.40 / £ 49.00 / US-$ 84.95)
This book explores the political trajectory of Latin America’s most important contemporary labor movement. The New Unionism played a central role in Brazil’s struggle for democracy in the 1980s and recast the country’s subsequent party politics through its creation of the innovative Workers’ Party (PT). The author breaks new ground by analyzing this celebrated prototype of «social movement unionism» as a heterogeneous alliance of component factions that evolves in relation to shifting economic, political, and ideological contexts. Through the prism of internal politics, he shows how Brazil’s transitions – from military–authoritarian to liberal–democratic rule, from statist to free-market economic policies, and from a Leninist to a post-Leninist left – undermined the independent labor movement’s commitments to internal democracy, political autonomy, and societal transformation. The book concludes with a comparative assessment of Brazilian, South African, and South Korean social movement unionisms’ shared dilemmas, arguing that an adequate understanding of their relative declines demands more rigorous attention to the dynamic nexus between internal movement politics and shifting external environments.
Contents:
Brazil’s New Unionism: Late Twentieth-Century Movement and Early
Twenty-First-Century Vestige
Movement Actors, Labor
Institutions, and the Dynamics of Distinction
Convergence
(1978-1984): Organizing Civil Society against the State
Turbulence (1985-1989): Between Civil and Political Society
Divergence (1990-1995): The Bid for Constructive Integration into Political Society
Dilemmas of Decline: The Politics of Brazil’s
Social Movement Unionism in Comparative Perspective.
Jeffrey Sluyter-Beltrão is an Assistant Professor of Political Science at Alfred University in New York State.
Mesmo sem conhecer o conteúdo exato, e os argumentos do autor, não sei se concordo com o título, pois NÃO acredito que o "novo sindicalismo" -- que já ficou velho desde os anos 1990 -- está em declínio, ao contrário.
Ele parece mais vitorioso do que nunca, tendo alcançado o poder, se instalado gostosamente e solidamente nele, e não parece querer dele sair, numa reprodução não semelhante, mas talvez similar, ao fenômeno peronista na Argentina.
Em todo caso, se as "mensagens" do "novo sindicalismo" já foram abandonadas -- e elas não são velhas, se julgarmos que se pedia liberdade sindical, fim do imposto e da subordinação dos sindicatos ao Estado, etc. -- esse sindicalismo que se deturpou, de prostituiu e virou praticamente um sindicalismo mafioso, ou quase isso, não se encontra perto do declínio, ao contrário; ele tem cada vez mais sucesso, a julgar pela "indústria dos sindicatos", uma das que mais proliferam no Brasil.
Eu até diria que temos ainda muito peronismo de araque pela frente, com um poder sindical cada vez mais disseminado, e talvez cada vez mais mafioso, como na Argentina.
Essa é a origem de um "pacto perverso" sobre o qual falarei em próxima oportunidade.
Paulo Roberto de Almeida
New Book: Rise and Decline of Brazil’s New Unionism
Jeffrey Sluyter- Beltrão
********************************
PETER LANG - International Academic Publishers
are pleased to announce a new book by Jeffrey Sluyter-Beltrão:
RISE AND DECLINE OF BRAZIL’S NEW UNIONISM: The Politics of the Central Única dos Trabalhadores
(Oxford, Bern, Berlin, Bruxelles, Frankfurt am Main, New York,
Wien, 2010; XVI, 465 pp., num. tables and graphs; Trade Unions Past, Present and Future. Vol. 6; Edited by Craig Phelan; ISBN 978-3-0343-0114-5 pb.; sFr. 85.00 / EUR* 58.20 / EUR** 59.80 / EUR 54.40 / £ 49.00 / US-$ 84.95)
This book explores the political trajectory of Latin America’s most important contemporary labor movement. The New Unionism played a central role in Brazil’s struggle for democracy in the 1980s and recast the country’s subsequent party politics through its creation of the innovative Workers’ Party (PT). The author breaks new ground by analyzing this celebrated prototype of «social movement unionism» as a heterogeneous alliance of component factions that evolves in relation to shifting economic, political, and ideological contexts. Through the prism of internal politics, he shows how Brazil’s transitions – from military–authoritarian to liberal–democratic rule, from statist to free-market economic policies, and from a Leninist to a post-Leninist left – undermined the independent labor movement’s commitments to internal democracy, political autonomy, and societal transformation. The book concludes with a comparative assessment of Brazilian, South African, and South Korean social movement unionisms’ shared dilemmas, arguing that an adequate understanding of their relative declines demands more rigorous attention to the dynamic nexus between internal movement politics and shifting external environments.
Contents:
Brazil’s New Unionism: Late Twentieth-Century Movement and Early
Twenty-First-Century Vestige
Movement Actors, Labor
Institutions, and the Dynamics of Distinction
Convergence
(1978-1984): Organizing Civil Society against the State
Turbulence (1985-1989): Between Civil and Political Society
Divergence (1990-1995): The Bid for Constructive Integration into Political Society
Dilemmas of Decline: The Politics of Brazil’s
Social Movement Unionism in Comparative Perspective.
Jeffrey Sluyter-Beltrão is an Assistant Professor of Political Science at Alfred University in New York State.
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livro,
sindicalismo
República Mafiosa do Brasil (18): a colaboracao da imprensa (ainda que involuntaria)
Muitos podem achar que, ao postar todo o material que vem sendo aqui transcrito sob a rubrica geral de "republica mafiososa do brasil" (tudo em minúsculas, comme il faut), eu apenas tenho implicância, ou horror, a certo partido que está aí, ou seus representantes no poder.
Longe disso: acredito que vitórias eleitorais, desde que legítimas -- ou seja, não manchadas por manipulações e fraudes, como se vê ainda muito perto do Brasil -- devem ser amplamente respeitadas. Ainda que eu possa não concordar com determinadas políticas -- e todos sabem que eu expresso claramente minhas opiniões quando não concordo com algo, até em tom veemente -- eu acredito que elas tenham legitimidade.
Por exemplo: esse horror todo que estão fazendo com a educação brasileira -- aulas obrigatórias de estudos afrobrasileiros e de espanhol, no fundamental, e disciplinas obrigatórias de sociologia e filosofia no médio --, esse racismo oficial que estão criando com as cotas do novo Apartheid, tudo isso eu acho um estupro indecente do ponto de vista da qualidade do ensino e de um Brasil democrático, mas não deixo de reconhecer que existe demanda, vinda de certos setores sociais, para esse tipo de besteirol. Os representantes políticos dos novos racistas, dos sindicalistas "professorais" e as pedagogas freireanas se apressam em satisfazer essas demandas, para atender sua clientela. Isso é legítimo, e compreendo. No dia em que eu for responsável por alguma área desse tipo, vou tentar desmantelar esse tipo de empreendimento que considero nefasto para o futuro do Brasil.
Mas, estamos assistindo, desde algum tempo no Brasil, a uma exacerbação de atos ilegais, eu até diria criminosos, que deixam qualquer um que tenha brios democráticos com os cabelos em pé.
Nunca antes neste país se assistiu a tamanha desfaçatez nos crimes políticos como agora, alguns até crimes comuns.
Essa é a única razão pela qual decidi registrar -- é a minha única forma de participação cidadã -- o que me parece relevante no cenário político-eleitoral do Brasil.
Como a nossa imprensa é muito ruim, mas muito ruim mesmo -- com raríssimas exceções entre os grandes jornais -- e como os jornalistas -- novamente com raríssima exceções -- são piores ainda, eu sou obrigado a me apoiar nos poucos exemplos que ainda possuem uma perspectiva crítica, como o conhecido jornalista que vai reproduzido abaixo.
Apenas para dar um exemplo de como eu considero a imprensa ruim.
Eu frequentemente me deparo com manchetes, de primeira página, ou nas páginas de política nacional, que levam mais ou menos um título similar a este:
"PRESIDENTE DISSE QUE FEZ ISSO E MAIS AQUILO"
"PRESIDENTE ACUSOU FULANO DISSO E MAIS AQUILO"
Isso e mais aquilo é obviamente algo que chamou a atenção e que vai além da conta de fatos normais, do contrário não receberia o destaque que se dá. Muitas vezes as afirmações não correspondem à verdade, ou são amplamente exageradas, quando não distorcidas, obviamente sempre em favor de quem as fez.
Pois bem, agora pergunto: o que impediria a uma imprensa correta, aquela que quer educar o cidadão, ou apenas que pretende informar corretamente, de agregar, imediatamente após, no mesmo padrão, algo do gênero?:
"AFIRMAÇÕES DO PRESIDENTE NÃO CONFEREM COM OS DADOS"
"FULANO NEGA DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE"
O que impede uma imprensa de conferir imediatamente determinadas afirmações para verificar se elas correspondem à verdade, para logo em seguida confirmar ou desmentir quem as fez, independente de quem seja?
Deve ser estilo de trabalho, talvez, ou então sentido ético.
Esta é a única razão de porque eu transcrevo esse jornalista aqui.
Como sou amigo da verdade, procuro sempre uma explicação para as coisas. Raramente eu a encontro na "imprensa normal".
Paulo Roberto de Almeida
Chegou a hora de botar os pingos nos “is”. A máquina criminosa remonta à década de 80!
Reinaldo Azevedo, 6.09.2010
Não há um só jornalista trabalhando no Brasil — e isto que vou escrever e especialmente válido para os que têm a minha idade ou mais — que ignore que o PT sempre foi uma máquina de vazar dados sigilosos sobre a vida dos adversários. E isso faz muito, muito tempo! É raro, e os coleguinhas sabem que falo a verdade, haver um jornalista “investigativo” em Brasília que não tenha passado no gabinete de algum deputado petista para pegar dados protegidos por sigilo — e pouco importa a sua natureza: bancário, fiscal, de justiça, de investigação da PF… Escolham!
E, infelizmente, a imprensa tem feito uso da ilegalidade também. E não! Não estou defendendo que ela seja submetida, por isso, a censura de qualquer natureza. Mas não dá para ignorar que pau que bate em Chico também bate em Francisco, como se diz por aí. E, agora, cumpre caracterizar dois tempos: a da ingenuidade romântica e a do realismo cínico.
O PT passa dados sigilosos de adversários a jornalistas desde que existe como partido e desde que seus representantes começaram a ocupar a máquina do estado. Ah, houve um tempo em que as boas almas da “catchiguria” acreditavam mesmo no valor patriótico dessa gente. José Dirceu, por exemplo, era uma “fonte preciosa” desde quando era deputado estadual em São Paulo. Fez um milhão de amigos na imprensa. Outros tantos foram se sucedendo no trabalho sistemático de tentar destruir a reputação dos “inimigos”.
Alguns larápios se deram mal? Claro que sim! Mas muita gente boa — E INOCENTE — comeu o pão que o diabo amassou simplesmente porque “estava do lado de lá”. Eduardo Jorge Caldas Pereira, que teve agora o sigilo de novo invadido, é um caso emblemático da máquina de moer biografias. Ele se recuperou porque é uma pessoa determinada. Mas o PT, em associação com certos setores do Ministério Público, tentaram destruí-lo.
Na fase ingênuo-romântica, muitos acreditavam — e alguns bocós acreditam ainda hoje — que os crimes cometidos pelo partido ao vazar dados sigilosos para a imprensa eram compensados pelo bem que faziam: tirar de circulação algumas figuras detestáveis da política. Nem parecia que o PT o fazia como uma estratégia de poder. Não! Eram os patriotas, as pessoas que estavam do lado benigno da força. No arquivo, vocês encontram textos sobre o alinhamento imprensa-Ministério Público.
Acontece que…
Acontece que aquele “partidinho” de supostos guerreiros do bem se tornou essa máquina que aí está. E a prática criminosa de usar o acesso ao Estado para atingir adversários segue inalterada. Só que o PT é que é o partido da ordem, do continuísmo, do poder. E alguns só se dão conta agora — ao menos espero — de que não é a nossa avaliação do padrão moral de uma vítima que faz o crime. A invasão de dados protegidos pelo estado e seu vazamento são ações criminosas. Ponto.
Notem uma coisa curiosa. Até chegar ao poder, os petistas tinham no que agora chamam “mídia” uma aliada — era um partido “amigo” dos jornalistas e fazia uma crítica ou outra aos “patrões da comunicação”. Lula nunca foi besta. Sabia que a admiração que lhe devotava (e devota ainda, o que é fabuloso!) boa parte da “catchiguria” era importante para a sua causa. A animosidade com a imprensa começa com a chegada de Lula ao poder e atinge o ponto extremo na crise do mensalão.
Por quê? Porque uma parte do jornalismo considerou que os petistas passavam da condição de “investigadores” à de “investigados” — afinal, eram o novo poder. E isso lhes soou como coisa inaceitável. Com acesso pleno à máquina do Estado, queriam continuar na posição de atiradores, jamais de alvos. Começam, então, a chamar a imprensa — ao menos a que rejeita o servilismo — de “golpista”.
Quando o partido tentou, por exemplo, COM AMPLA COBERTURA DA IMPRENSA — BASTA PESQUISAR —, emplacar uma CPI com 45 (olhem que sutil!) denúncias de corrupção contra o governo FHC, tratava-se apenas de patriotismo e senso de justiça. Quando se tentou investigar o mensalão, aí já era golpe…
Volto ao ponto
Mas me desviei um pouco para explicar por que o partido mudou a sua relação com a “mídia”. Retomo o fio. Essa máquina de produzir dossiês e de escarafunchar ilegalmente a vida alheia remonta à década de 80 e vive seu apogeu na década de 90, especialmente durante a gestão FHC. Infelizmente, sucessivas ilegalidades tiveram como parceira a imprensa, sim, senhores! Se parecia moralizante — e até divertido — que o aguerrido partido de oposição denunciasse as “falcatruas” alheias (muitas não era; trava-se apenas de política), o expediente criminoso se mostra agora uma temeridade.
Quem, ilegalmente, quebra o sigilo bancário, fiscal ou de justiça par pegar A, B, ou C pode fazê-lo, se quiser, com o alfabeto inteiro. Vejamos o caso de Verônica Serra. Não é que ela devesse ter proteção especial, não! Não deve. O seu direito ao sigilo tem de ser tão assegurado como o de qualquer um de nós. Mas é evidente que, se até o dela, filha do candidato de oposição à Presidência, está na praça, quem está seguro?
Pois é… Alguns poderiam se sentir confortáveis pensando algo mais ou menos assim: “Já sei! Vou achar correta apenas a invasão do sigilo de algumas pessoas que considero suspeitas”. Bem, desnecessário dizer que isso é impossível. Quem atua ao arrepio da lei pratica bandidagem. E ela será sempre deletéria para as pessoas de bem.
Está posta a questão: “É possível condescender com o crime para ‘fazer o bem’? Sem hesitação, a minha resposta é esta: NÃO! Aqueles que antes se colocavam como os monopolistas da virtude contra os adversários da hora se colocam agora como donos das leis. E preparam uma investida contra a imprensa que ajudou a lhes dar o poder que têm. Antes, diziam proteger o bem público. Hoje, só pensam em se proteger, ainda que isso custe direitos fundamentais assegurados pela Constituição.
Longe disso: acredito que vitórias eleitorais, desde que legítimas -- ou seja, não manchadas por manipulações e fraudes, como se vê ainda muito perto do Brasil -- devem ser amplamente respeitadas. Ainda que eu possa não concordar com determinadas políticas -- e todos sabem que eu expresso claramente minhas opiniões quando não concordo com algo, até em tom veemente -- eu acredito que elas tenham legitimidade.
Por exemplo: esse horror todo que estão fazendo com a educação brasileira -- aulas obrigatórias de estudos afrobrasileiros e de espanhol, no fundamental, e disciplinas obrigatórias de sociologia e filosofia no médio --, esse racismo oficial que estão criando com as cotas do novo Apartheid, tudo isso eu acho um estupro indecente do ponto de vista da qualidade do ensino e de um Brasil democrático, mas não deixo de reconhecer que existe demanda, vinda de certos setores sociais, para esse tipo de besteirol. Os representantes políticos dos novos racistas, dos sindicalistas "professorais" e as pedagogas freireanas se apressam em satisfazer essas demandas, para atender sua clientela. Isso é legítimo, e compreendo. No dia em que eu for responsável por alguma área desse tipo, vou tentar desmantelar esse tipo de empreendimento que considero nefasto para o futuro do Brasil.
Mas, estamos assistindo, desde algum tempo no Brasil, a uma exacerbação de atos ilegais, eu até diria criminosos, que deixam qualquer um que tenha brios democráticos com os cabelos em pé.
Nunca antes neste país se assistiu a tamanha desfaçatez nos crimes políticos como agora, alguns até crimes comuns.
Essa é a única razão pela qual decidi registrar -- é a minha única forma de participação cidadã -- o que me parece relevante no cenário político-eleitoral do Brasil.
Como a nossa imprensa é muito ruim, mas muito ruim mesmo -- com raríssimas exceções entre os grandes jornais -- e como os jornalistas -- novamente com raríssima exceções -- são piores ainda, eu sou obrigado a me apoiar nos poucos exemplos que ainda possuem uma perspectiva crítica, como o conhecido jornalista que vai reproduzido abaixo.
Apenas para dar um exemplo de como eu considero a imprensa ruim.
Eu frequentemente me deparo com manchetes, de primeira página, ou nas páginas de política nacional, que levam mais ou menos um título similar a este:
"PRESIDENTE DISSE QUE FEZ ISSO E MAIS AQUILO"
"PRESIDENTE ACUSOU FULANO DISSO E MAIS AQUILO"
Isso e mais aquilo é obviamente algo que chamou a atenção e que vai além da conta de fatos normais, do contrário não receberia o destaque que se dá. Muitas vezes as afirmações não correspondem à verdade, ou são amplamente exageradas, quando não distorcidas, obviamente sempre em favor de quem as fez.
Pois bem, agora pergunto: o que impediria a uma imprensa correta, aquela que quer educar o cidadão, ou apenas que pretende informar corretamente, de agregar, imediatamente após, no mesmo padrão, algo do gênero?:
"AFIRMAÇÕES DO PRESIDENTE NÃO CONFEREM COM OS DADOS"
"FULANO NEGA DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE"
O que impede uma imprensa de conferir imediatamente determinadas afirmações para verificar se elas correspondem à verdade, para logo em seguida confirmar ou desmentir quem as fez, independente de quem seja?
Deve ser estilo de trabalho, talvez, ou então sentido ético.
Esta é a única razão de porque eu transcrevo esse jornalista aqui.
Como sou amigo da verdade, procuro sempre uma explicação para as coisas. Raramente eu a encontro na "imprensa normal".
Paulo Roberto de Almeida
Chegou a hora de botar os pingos nos “is”. A máquina criminosa remonta à década de 80!
Reinaldo Azevedo, 6.09.2010
Não há um só jornalista trabalhando no Brasil — e isto que vou escrever e especialmente válido para os que têm a minha idade ou mais — que ignore que o PT sempre foi uma máquina de vazar dados sigilosos sobre a vida dos adversários. E isso faz muito, muito tempo! É raro, e os coleguinhas sabem que falo a verdade, haver um jornalista “investigativo” em Brasília que não tenha passado no gabinete de algum deputado petista para pegar dados protegidos por sigilo — e pouco importa a sua natureza: bancário, fiscal, de justiça, de investigação da PF… Escolham!
E, infelizmente, a imprensa tem feito uso da ilegalidade também. E não! Não estou defendendo que ela seja submetida, por isso, a censura de qualquer natureza. Mas não dá para ignorar que pau que bate em Chico também bate em Francisco, como se diz por aí. E, agora, cumpre caracterizar dois tempos: a da ingenuidade romântica e a do realismo cínico.
O PT passa dados sigilosos de adversários a jornalistas desde que existe como partido e desde que seus representantes começaram a ocupar a máquina do estado. Ah, houve um tempo em que as boas almas da “catchiguria” acreditavam mesmo no valor patriótico dessa gente. José Dirceu, por exemplo, era uma “fonte preciosa” desde quando era deputado estadual em São Paulo. Fez um milhão de amigos na imprensa. Outros tantos foram se sucedendo no trabalho sistemático de tentar destruir a reputação dos “inimigos”.
Alguns larápios se deram mal? Claro que sim! Mas muita gente boa — E INOCENTE — comeu o pão que o diabo amassou simplesmente porque “estava do lado de lá”. Eduardo Jorge Caldas Pereira, que teve agora o sigilo de novo invadido, é um caso emblemático da máquina de moer biografias. Ele se recuperou porque é uma pessoa determinada. Mas o PT, em associação com certos setores do Ministério Público, tentaram destruí-lo.
Na fase ingênuo-romântica, muitos acreditavam — e alguns bocós acreditam ainda hoje — que os crimes cometidos pelo partido ao vazar dados sigilosos para a imprensa eram compensados pelo bem que faziam: tirar de circulação algumas figuras detestáveis da política. Nem parecia que o PT o fazia como uma estratégia de poder. Não! Eram os patriotas, as pessoas que estavam do lado benigno da força. No arquivo, vocês encontram textos sobre o alinhamento imprensa-Ministério Público.
Acontece que…
Acontece que aquele “partidinho” de supostos guerreiros do bem se tornou essa máquina que aí está. E a prática criminosa de usar o acesso ao Estado para atingir adversários segue inalterada. Só que o PT é que é o partido da ordem, do continuísmo, do poder. E alguns só se dão conta agora — ao menos espero — de que não é a nossa avaliação do padrão moral de uma vítima que faz o crime. A invasão de dados protegidos pelo estado e seu vazamento são ações criminosas. Ponto.
Notem uma coisa curiosa. Até chegar ao poder, os petistas tinham no que agora chamam “mídia” uma aliada — era um partido “amigo” dos jornalistas e fazia uma crítica ou outra aos “patrões da comunicação”. Lula nunca foi besta. Sabia que a admiração que lhe devotava (e devota ainda, o que é fabuloso!) boa parte da “catchiguria” era importante para a sua causa. A animosidade com a imprensa começa com a chegada de Lula ao poder e atinge o ponto extremo na crise do mensalão.
Por quê? Porque uma parte do jornalismo considerou que os petistas passavam da condição de “investigadores” à de “investigados” — afinal, eram o novo poder. E isso lhes soou como coisa inaceitável. Com acesso pleno à máquina do Estado, queriam continuar na posição de atiradores, jamais de alvos. Começam, então, a chamar a imprensa — ao menos a que rejeita o servilismo — de “golpista”.
Quando o partido tentou, por exemplo, COM AMPLA COBERTURA DA IMPRENSA — BASTA PESQUISAR —, emplacar uma CPI com 45 (olhem que sutil!) denúncias de corrupção contra o governo FHC, tratava-se apenas de patriotismo e senso de justiça. Quando se tentou investigar o mensalão, aí já era golpe…
Volto ao ponto
Mas me desviei um pouco para explicar por que o partido mudou a sua relação com a “mídia”. Retomo o fio. Essa máquina de produzir dossiês e de escarafunchar ilegalmente a vida alheia remonta à década de 80 e vive seu apogeu na década de 90, especialmente durante a gestão FHC. Infelizmente, sucessivas ilegalidades tiveram como parceira a imprensa, sim, senhores! Se parecia moralizante — e até divertido — que o aguerrido partido de oposição denunciasse as “falcatruas” alheias (muitas não era; trava-se apenas de política), o expediente criminoso se mostra agora uma temeridade.
Quem, ilegalmente, quebra o sigilo bancário, fiscal ou de justiça par pegar A, B, ou C pode fazê-lo, se quiser, com o alfabeto inteiro. Vejamos o caso de Verônica Serra. Não é que ela devesse ter proteção especial, não! Não deve. O seu direito ao sigilo tem de ser tão assegurado como o de qualquer um de nós. Mas é evidente que, se até o dela, filha do candidato de oposição à Presidência, está na praça, quem está seguro?
Pois é… Alguns poderiam se sentir confortáveis pensando algo mais ou menos assim: “Já sei! Vou achar correta apenas a invasão do sigilo de algumas pessoas que considero suspeitas”. Bem, desnecessário dizer que isso é impossível. Quem atua ao arrepio da lei pratica bandidagem. E ela será sempre deletéria para as pessoas de bem.
Está posta a questão: “É possível condescender com o crime para ‘fazer o bem’? Sem hesitação, a minha resposta é esta: NÃO! Aqueles que antes se colocavam como os monopolistas da virtude contra os adversários da hora se colocam agora como donos das leis. E preparam uma investida contra a imprensa que ajudou a lhes dar o poder que têm. Antes, diziam proteger o bem público. Hoje, só pensam em se proteger, ainda que isso custe direitos fundamentais assegurados pela Constituição.
Pausa para o besteirol religioso-sincrético; nao apenas no Brasil...
Cada coisa que a gente recebe...
Eu ainda não me conformo com a existência de curso de Astrologia na Universidade de Brasília, para mim um sinal a mais da decadência da universidade pública em plena capital da república (com r minúsculo).
Agora recebo a oferta de um curso de magia e ocultismo do que parece ser a maior escola do Brasil nessa área esotérica.
A propaganda é feita em torno de supostas "Caixinhas Mágickas!" [sic três vezes; mágicas, com c e k, para que não restem dúvidas sobre seus poderes...]
Mas o que prometem essas caixinhas?
Deixo a palavra com seus promotores, ou propagandistas:
Atendendo pedidos esta semana as atuas voltaram para a promoção!
As Atuas são caixinhas mágickas para não dizer milagrosas! Elas trabalham com a ajuda dos LOAS do Vodu. Quando se fala em Vodu sempre nos vêm à mente bonequinhos espetados, magia negra e maldição. Mas, as coisas não são bem assim, o Vodu é uma religião muito bem fundamentada com seu panteão e hierarquias organizadas. Os Loas são os Deuses ou Santos do Vodu, como os Orixás na Umbanda, os Santos Católicos, os Deuses Pagãos, etc. Cada Loa têm sua função, tanto para o bem quanto para o mal. Estes Loas possuem um poder muito forte, pois trata-se de uma religião primitiva e quanto mais primitiva, mais pura a energia com a qual se trabalha. Acredita-se que estas entidades já eram reverenciadas pelos povos Atlantes. O curso Tradição da Serpente Negra explica este tema detalhadamente.
Além da poderosa força dos LOAS, outro ponto importante de se trabalhar com as Atuas é o elo energético magnético que se cria. A atua não é um feitiço que você tem uma única oportunidade de executá-lo e se der errado tem que fazer tudo de novo. Com a atua você vai trabalhando diariamente criando um centro de energia incrível. Não existe receita pronta para o uso das Atuas, com elas você cria um feitiço totalmente seu, colocando dentro delas testemunhos e objetos que simbolizam o seu desejo.
Quando introduzimos as atuas em nosso site, disponibilizamos com apenas 4 funções que acreditamos ser as principais na vida de uma pessoa: Amor, Saúde, Prosperidade e Proteção. Com o passar do tempo, as pessoas que usaram se surpreenderam com os resultados e começaram a nos pedir Atuas específicas, para se vingar de um inimigo, fechar um contrato, passar em um concurso, ir bem nos estudos, etc... Aprofundamo-nos cada vez mais em nossos estudos, viajamos até a África, em Ouidah nos iniciamos na tradição Rada e Petro, não foi fácil, além das provações impostas pelo Sacerdote Houn'gan e da Sacerdotisa Mambo, ainda encontramos a barreira do idioma e estilo de vida totalmente diferente do nosso. Mas, valeu a pena! Hoje, orgulhosamente ostentamos o título de Sacerdote Houn'gan e Sacerdotisa Mambo e também apresentamos as 16 atuas que desenvolvemos baseados em nossos estudos e experiências e que tem apresentado resultados positivos ajudando à todos aqueles que fazem uso desta caixinha poderosa com sabedoria e respeito.
Durma-se com um barulho desses.
Mas, eu não tinha acabado as surpresas do dia.
Eis que recebo, na lista da Brazilian Studies Association, que eu julgava uma entidade séria -- tanto que faço parte de seu Comitê Executivo -- o seguinte anúncio de uma palestra na prestigiosa Georgetown University:
Lecture: "Afro-Brazilian Spirituality in our Contemporary World," Carlos Buby, Georgetown University, Washington, DC, September 8
************************
The Department of Spanish and Portuguese & The Brazilian Studies Program at Georgetown University invite you to a lecture by
Carlos Buby - Babalorixá of Templo Guaracy do Brasil (Umbanda)
"Afro-Brazilian Spirituality in our Contemporary World"
BABALORIXÁ CARLOS BUBY: After a successful start as a singer and composer of Brazilian popular music, Carlos Buby turned to the Tradition of Umbanda in search for existential and spiritual answers. Deep researcher of natural phenomena, Carlos Buby founded Templo Guaracy in 1973, an Umbanda Temple that quickly became a reference in the Tradition. Today Templo Guaracy is present not only in Brazil, but in 7 other countries of Europe and North America (Portugal,France, Austria, Switzerland, Belgium and California, New York, Washington and Canada.) Throughout those years, Carlos Buby developed a cosmogonical model based on the Afro-Brazilian roots, which brings light in understanding the dynamics of life on Earth. Recently he also consolidated the principles that gave rise to the Guaracyan Philosophy, using a humanist, universal, apolitical and non-religious approach.
Wednesday, September 8th, 2010
12:00-1:30pm
ICC 450
Confesso a vocês que por esta eu não esperava, nem da BRASA, nem da Georgetown.
Acho que estou cada vez mais deslocado neste mundo.
Apenas eu acho tudo isso um besteirol completo?
Paulo Roberto de Almeida
Eu ainda não me conformo com a existência de curso de Astrologia na Universidade de Brasília, para mim um sinal a mais da decadência da universidade pública em plena capital da república (com r minúsculo).
Agora recebo a oferta de um curso de magia e ocultismo do que parece ser a maior escola do Brasil nessa área esotérica.
A propaganda é feita em torno de supostas "Caixinhas Mágickas!" [sic três vezes; mágicas, com c e k, para que não restem dúvidas sobre seus poderes...]
Mas o que prometem essas caixinhas?
Deixo a palavra com seus promotores, ou propagandistas:
Atendendo pedidos esta semana as atuas voltaram para a promoção!
As Atuas são caixinhas mágickas para não dizer milagrosas! Elas trabalham com a ajuda dos LOAS do Vodu. Quando se fala em Vodu sempre nos vêm à mente bonequinhos espetados, magia negra e maldição. Mas, as coisas não são bem assim, o Vodu é uma religião muito bem fundamentada com seu panteão e hierarquias organizadas. Os Loas são os Deuses ou Santos do Vodu, como os Orixás na Umbanda, os Santos Católicos, os Deuses Pagãos, etc. Cada Loa têm sua função, tanto para o bem quanto para o mal. Estes Loas possuem um poder muito forte, pois trata-se de uma religião primitiva e quanto mais primitiva, mais pura a energia com a qual se trabalha. Acredita-se que estas entidades já eram reverenciadas pelos povos Atlantes. O curso Tradição da Serpente Negra explica este tema detalhadamente.
Além da poderosa força dos LOAS, outro ponto importante de se trabalhar com as Atuas é o elo energético magnético que se cria. A atua não é um feitiço que você tem uma única oportunidade de executá-lo e se der errado tem que fazer tudo de novo. Com a atua você vai trabalhando diariamente criando um centro de energia incrível. Não existe receita pronta para o uso das Atuas, com elas você cria um feitiço totalmente seu, colocando dentro delas testemunhos e objetos que simbolizam o seu desejo.
Quando introduzimos as atuas em nosso site, disponibilizamos com apenas 4 funções que acreditamos ser as principais na vida de uma pessoa: Amor, Saúde, Prosperidade e Proteção. Com o passar do tempo, as pessoas que usaram se surpreenderam com os resultados e começaram a nos pedir Atuas específicas, para se vingar de um inimigo, fechar um contrato, passar em um concurso, ir bem nos estudos, etc... Aprofundamo-nos cada vez mais em nossos estudos, viajamos até a África, em Ouidah nos iniciamos na tradição Rada e Petro, não foi fácil, além das provações impostas pelo Sacerdote Houn'gan e da Sacerdotisa Mambo, ainda encontramos a barreira do idioma e estilo de vida totalmente diferente do nosso. Mas, valeu a pena! Hoje, orgulhosamente ostentamos o título de Sacerdote Houn'gan e Sacerdotisa Mambo e também apresentamos as 16 atuas que desenvolvemos baseados em nossos estudos e experiências e que tem apresentado resultados positivos ajudando à todos aqueles que fazem uso desta caixinha poderosa com sabedoria e respeito.
Durma-se com um barulho desses.
Mas, eu não tinha acabado as surpresas do dia.
Eis que recebo, na lista da Brazilian Studies Association, que eu julgava uma entidade séria -- tanto que faço parte de seu Comitê Executivo -- o seguinte anúncio de uma palestra na prestigiosa Georgetown University:
Lecture: "Afro-Brazilian Spirituality in our Contemporary World," Carlos Buby, Georgetown University, Washington, DC, September 8
************************
The Department of Spanish and Portuguese & The Brazilian Studies Program at Georgetown University invite you to a lecture by
Carlos Buby - Babalorixá of Templo Guaracy do Brasil (Umbanda)
"Afro-Brazilian Spirituality in our Contemporary World"
BABALORIXÁ CARLOS BUBY: After a successful start as a singer and composer of Brazilian popular music, Carlos Buby turned to the Tradition of Umbanda in search for existential and spiritual answers. Deep researcher of natural phenomena, Carlos Buby founded Templo Guaracy in 1973, an Umbanda Temple that quickly became a reference in the Tradition. Today Templo Guaracy is present not only in Brazil, but in 7 other countries of Europe and North America (Portugal,France, Austria, Switzerland, Belgium and California, New York, Washington and Canada.) Throughout those years, Carlos Buby developed a cosmogonical model based on the Afro-Brazilian roots, which brings light in understanding the dynamics of life on Earth. Recently he also consolidated the principles that gave rise to the Guaracyan Philosophy, using a humanist, universal, apolitical and non-religious approach.
Wednesday, September 8th, 2010
12:00-1:30pm
ICC 450
Confesso a vocês que por esta eu não esperava, nem da BRASA, nem da Georgetown.
Acho que estou cada vez mais deslocado neste mundo.
Apenas eu acho tudo isso um besteirol completo?
Paulo Roberto de Almeida
Protecionismo: mitos e realidades; desmantelando interpretacoes erroneas da Historia
Um leitor habitual deste blog, escreveu-me a propósito deste meu post (que aliás não é de minha autoria, sendo simplesmente uma transcrição de jornal, precedida de um breve comentario meu):
Protecionismo aumenta no mundo; relatório da OMC
Seu longo comentário, que reproduz algumas das mais comuns interpretações enviesadas da História, e que retiro do "rodapé" para comentar, é o seguinte:
"Equiano Santos deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Protecionismo aumenta no mundo; relatorio da OMC":
Mais uma vez presenciamos que as resoluções das crises financeiras dos países desenvolvidos estão diretamente ligadas às velhas práticas “mercantilistas”. Liberdade de comércio sempre soou como retórica defendida no momento que estes estiveram suficientemente preparados para uma possível livre-concorrência (que nunca existiu em sua forma plena). Protecionismo no momento de fragilidade, livre-concorrência no momento de força.
Lembremos da Inglaterra e suas Leis de Navegação em 1651, cujo protecionismo marítimo levou a uma guerra contra a Holanda, principal conrrente naval. Cabe aqui lembrar que as revoluções inglesas nada tiveram de liberais e que Adam Smith foi melhor recepcionado, à sua época e décadas após, no Brasil, por meio de pensadores como o José da Silva Lisboa do que na própria Grã-Bretanha, cuja política econômica continuara protecionista.
França, Alemanha, Japão, Estado Unidos, representam apenas “um museu de grandes novidades”. Este último, devemos lembrar, teve o seu desenvolvimento econômico fomentado pela ação direta do Estado até a segunda metade do século XIX, momento em que se tornou a 2º potência industrial do mundo. Sua política externa era altamente intervencionista e caracterizada por um isolacionismo profundo nas relações com a Europa.
Professor, a real sensação que tenho é que quanto mais pesquiso, mais chego a conclusão que a ação do Estado na economia, resguardando mercados, fomentando a indústria, redistribuindo renda é fundamental para um país, ao menos até o momento em que possuir setores competitivos o suficiente para enfrentar uma livre-concorrência. Aliás, mais uma vez me questiono: Falar em livre-comércio, ao menos em sua forma plena tal qual concebido por Smith, não é uma bonita utopia tal qual um futuro comunista da sociedade¿ Aliás, caro professor, lembro-me de um de seus artigos sobre globalização em que, na tentativa de defendê-la em sua forma plena, o que seria uma absoluta abertura de mercados entre os países, o senhor se mostrou reticente quanto à tão discutida questão das patentes. Talvez se o senhor estivesse em um debate, podeira naquele momento ter vislumbrado um intelectual que tiraria os óculos para limpar, baixaria a cabeça e diria: “ – Infelizmente isso é um mal necessário...!”. Patente em linguagem econômica, no meu entendimento, é reserva de mercado, nada mais nada menos que uma prática mercantilista disfarçada. Se é necessária como uma espécie de incentivo ao trabalho científico , deveria ser utilizada apenas pelo tempo suficiente para que empresas ou cientistas pudessem recuperar os gastos envolvidos no achamento ou desenvolvimento de algo, o que para alguns produtos não passariam de cinco anos.
Acredito na livre-concorrência, mas esta tal qual foi e é praticada pelos países desenvolvidos. Nestes países, percebemos que ela possui limites bem definidos. Assim, o desenvolvimento do Brasil estaria ligado a uma primeira fase protecionista, ao menos em setores estratégicos da economia. Não falo em estatização, nem em um retorno a Getúlio, longe disso! Devo recordá-lo, professor, que, passados quase vinte anos de abertura de mercados, embora o desenvolvimento econômico e social seja inegável, ainda somos uma república exportadora de” bananas”."
===========
Retomo para comentar e rebater, mas antes quero remeter a este outro post meu:
Protecionismo brasileiro: recrudescendo, cada vez mais...
que evidencia o protecionismo brasileiro, muito mais extensivo, regular, constante, crescente, do que os casos evidenciados acima.
Venho agora ao comentário de meu leitor, destacando apenas os pontos dos quais discordo absolutamente. Devo dizer que também acho que os países ricos praticam protecionismo seletivo, ou mercantilismo novo estilo, bem menos, entretanto, do que os países em desenvolvimento, que são contumazes utilizadores dos mecanismos mais nefastos do ponto de vista de seus próprios interesses de desenvolvimento.
Faço as transcrições seletivas e respondo em seguida:
1)"Protecionismo no momento de fragilidade, livre-concorrência no momento de força."
PRA: Se a história fosse simples assim, o mundo só teria duas cores: preto e branco, ou oposições do mesmo gênero. Essa visão maniqueista da História é muito disseminada em certa literatura, sobretudo a classista, mas ela não descreve a realidade muita mais complexa e mais matizada que ocorre de fato dentro dos países e nas suas relações com os demais.
2) "Estados Unidos (...) devemos lembrar, teve [sic; tiveram] o seu desenvolvimento econômico fomentado pela ação direta do Estado até a segunda metade do século XIX, momento em que se tornou [sic] a 2º potência industrial do mundo. Sua política externa era altamente intervencionista e caracterizada por um isolacionismo profundo nas relações com a Europa."
PRA: Aqui é o samba do historiador doido, sem dúvida nenhuma com a ajuda de historiadores suspeitos como Eric Hobsbawm (que faz muito sucesso no Brasil, mas que nos demais países não é considerado um grande historiador, por sua visão, justamente, enviesada do mundo) e daquela versão vulgar do marxismo pasteurizado pela finada Academia de Ciências da URSS, que fazia uma história vagabunda do mundo, sempre ao estilo simplista do Manifesto.
Sinto decepcionar nosso aprendiz de historiador, mas os EUA não tiveram seu desenvolvimento fomentado pelo Estado, como ele escreve. Este era extremamente fraco, pelo menos até o final da Guerra de Secessão, quando os EUA já tinham consolidado seu processo de desenvolvimento. Este, devemos lembrar, começou prtaicamente ao mesmo tempo que a revolução industrial britânica, com desenvolvimentos comparáveis na Nova Inglaterra, ainda que o Sul tenha permanecido agrário e tradicional.
Os EUA se tornam a primeira potência industrial no mundo já ao final do século 19, mas isso se deve menos à política protecionista, como muitos acreditam, e mais às condições favoráveis no plano da capacitação tecnológica e produtividade do trabalho no país. Os EUA tinham um enorme mercado interno e eram grandes exportadores agrícolas (o que eles continuaram a ser mesmo depois de se converterem na primeira potência industrial. O comércio exterior era uma parte pequena da economia americana, como ainda continua. Não se pode ter o rabo comercial abanando o cachorro do desenvolvimento. Os historiadores lidos por esse comentarista não conhecem a história econômica dos EUA.
Nada a acrescentar sobre essa tremenda contradição entre ter uma política externa intervencionista e ao mesmo tempo isolacionista. Sei do que ele pretende falar: intervenção no Caribe e América Central (até nas Filipinas), isolacionismo em relação à Europa. Mas isso continua no simplismo. Recomendo que ele leia mais livros de qualidade, como Neill Ferguson, Paul Johnson, em lugar do seu Hobsbawm habitual.
3) "...quanto mais pesquiso, mais chego a conclusão que a ação do Estado na economia, resguardando mercados, fomentando a indústria, redistribuindo renda é fundamental para um país, ao menos até o momento em que possuir setores competitivos o suficiente para enfrentar uma livre-concorrência."
PRA: Esta visão da história e do desenvolvimento econômico é construída para provar exatamente o que pretende provar. Ha-Joon Chang é o seu usuário mais recente e mais conhecido. Trata-se de uma leitura seletiva da história. Já tratei desse tipo de deformação neste meu artigo de uma série:
Falácias acadêmicas, 5: o mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres, Brasília, 21 janeiro 2009, 11 p. Continuação da série, tratando desta vez das teses do economista Ha-Joon Chang. Espaço Acadêmico (n. 93, fevereiro 2009; arquivo em pdf). Reproduzido, sob o título de Sobre o complô dos ricos contra os pobres, no site Dom Total (16.04.2009). Originais n. 1976.
4) "Patente em linguagem econômica, no meu entendimento, é reserva de mercado, nada mais nada menos que uma prática mercantilista disfarçada. Se é necessária como uma espécie de incentivo ao trabalho científico , deveria ser utilizada apenas pelo tempo suficiente para que empresas ou cientistas pudessem recuperar os gastos envolvidos no achamento ou desenvolvimento de algo, o que para alguns produtos não passariam de cinco anos."
PRA: De fato, é o que ocorre na prática. Dificilmente uma patente industrial é utilizada por toda a sua vida útil de 20 anos. As patentes de medicamentos sim, na medida em que sua proteção efetiva é menor, já que os procedimentos para venda ao público costumam ser demorados. Como desconfia nosso comentarista, se trata de um mal necessário. Como disse Churchill da democracia, se trata do pior sistema existente, ou possível, à exceção de todos os demais...
5) "...o desenvolvimento do Brasil estaria ligado a uma primeira fase protecionista, ao menos em setores estratégicos da economia. Não falo em estatização, nem em um retorno a Getúlio, longe disso! Devo recordá-lo, professor, que, passados quase vinte anos de abertura de mercados, embora o desenvolvimento econômico e social seja inegável, ainda somos uma república exportadora de” bananas”."
PRA: As pessoas acreditam que sem Getúlio, sem protecionismo, sem estatização, o Brasil nunca teria se desenvolvido, ou pelo menos se industrializado. É o tal princípio que diz que foi assim, então, só poderia ser assim, ou não poderia ter sido de outra forma. Trata-se de outra leitura enviesada da história. O Brasil poderia ter se desenvolvido talvez mais, e melhor, nos quadros de um sistema internacional aberto. Não foi fácil desenvolver o Brasil num mundo sem mercados, sem créditos, com todos os tipos de restrições. A leitura que se faz é simplesmente deformada pelo que ocorreu efetivamente, como se só pudesse ter ocorrido daquela forma e não de outras, sempre abertas.
Por outro lado, NÃO É VERDADE que continuamos exportador de bananas. A soja tem anos e anos de pesquisa e desenvolvimento e concentra o que de melhor o Brasil tem de INDÚSTRIA e de SERVIÇOS, ademais da melhor agricultura em zona tropical do mundo.
Já escrevi sobre nossa exportação de commodities também, para voltar ao mesmo assunto. Quem estiver interessado, pode buscar sob essa rubrica neste blog.
Paulo Roberto de Almeida
Protecionismo aumenta no mundo; relatório da OMC
Seu longo comentário, que reproduz algumas das mais comuns interpretações enviesadas da História, e que retiro do "rodapé" para comentar, é o seguinte:
"Equiano Santos deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Protecionismo aumenta no mundo; relatorio da OMC":
Mais uma vez presenciamos que as resoluções das crises financeiras dos países desenvolvidos estão diretamente ligadas às velhas práticas “mercantilistas”. Liberdade de comércio sempre soou como retórica defendida no momento que estes estiveram suficientemente preparados para uma possível livre-concorrência (que nunca existiu em sua forma plena). Protecionismo no momento de fragilidade, livre-concorrência no momento de força.
Lembremos da Inglaterra e suas Leis de Navegação em 1651, cujo protecionismo marítimo levou a uma guerra contra a Holanda, principal conrrente naval. Cabe aqui lembrar que as revoluções inglesas nada tiveram de liberais e que Adam Smith foi melhor recepcionado, à sua época e décadas após, no Brasil, por meio de pensadores como o José da Silva Lisboa do que na própria Grã-Bretanha, cuja política econômica continuara protecionista.
França, Alemanha, Japão, Estado Unidos, representam apenas “um museu de grandes novidades”. Este último, devemos lembrar, teve o seu desenvolvimento econômico fomentado pela ação direta do Estado até a segunda metade do século XIX, momento em que se tornou a 2º potência industrial do mundo. Sua política externa era altamente intervencionista e caracterizada por um isolacionismo profundo nas relações com a Europa.
Professor, a real sensação que tenho é que quanto mais pesquiso, mais chego a conclusão que a ação do Estado na economia, resguardando mercados, fomentando a indústria, redistribuindo renda é fundamental para um país, ao menos até o momento em que possuir setores competitivos o suficiente para enfrentar uma livre-concorrência. Aliás, mais uma vez me questiono: Falar em livre-comércio, ao menos em sua forma plena tal qual concebido por Smith, não é uma bonita utopia tal qual um futuro comunista da sociedade¿ Aliás, caro professor, lembro-me de um de seus artigos sobre globalização em que, na tentativa de defendê-la em sua forma plena, o que seria uma absoluta abertura de mercados entre os países, o senhor se mostrou reticente quanto à tão discutida questão das patentes. Talvez se o senhor estivesse em um debate, podeira naquele momento ter vislumbrado um intelectual que tiraria os óculos para limpar, baixaria a cabeça e diria: “ – Infelizmente isso é um mal necessário...!”. Patente em linguagem econômica, no meu entendimento, é reserva de mercado, nada mais nada menos que uma prática mercantilista disfarçada. Se é necessária como uma espécie de incentivo ao trabalho científico , deveria ser utilizada apenas pelo tempo suficiente para que empresas ou cientistas pudessem recuperar os gastos envolvidos no achamento ou desenvolvimento de algo, o que para alguns produtos não passariam de cinco anos.
Acredito na livre-concorrência, mas esta tal qual foi e é praticada pelos países desenvolvidos. Nestes países, percebemos que ela possui limites bem definidos. Assim, o desenvolvimento do Brasil estaria ligado a uma primeira fase protecionista, ao menos em setores estratégicos da economia. Não falo em estatização, nem em um retorno a Getúlio, longe disso! Devo recordá-lo, professor, que, passados quase vinte anos de abertura de mercados, embora o desenvolvimento econômico e social seja inegável, ainda somos uma república exportadora de” bananas”."
===========
Retomo para comentar e rebater, mas antes quero remeter a este outro post meu:
Protecionismo brasileiro: recrudescendo, cada vez mais...
que evidencia o protecionismo brasileiro, muito mais extensivo, regular, constante, crescente, do que os casos evidenciados acima.
Venho agora ao comentário de meu leitor, destacando apenas os pontos dos quais discordo absolutamente. Devo dizer que também acho que os países ricos praticam protecionismo seletivo, ou mercantilismo novo estilo, bem menos, entretanto, do que os países em desenvolvimento, que são contumazes utilizadores dos mecanismos mais nefastos do ponto de vista de seus próprios interesses de desenvolvimento.
Faço as transcrições seletivas e respondo em seguida:
1)"Protecionismo no momento de fragilidade, livre-concorrência no momento de força."
PRA: Se a história fosse simples assim, o mundo só teria duas cores: preto e branco, ou oposições do mesmo gênero. Essa visão maniqueista da História é muito disseminada em certa literatura, sobretudo a classista, mas ela não descreve a realidade muita mais complexa e mais matizada que ocorre de fato dentro dos países e nas suas relações com os demais.
2) "Estados Unidos (...) devemos lembrar, teve [sic; tiveram] o seu desenvolvimento econômico fomentado pela ação direta do Estado até a segunda metade do século XIX, momento em que se tornou [sic] a 2º potência industrial do mundo. Sua política externa era altamente intervencionista e caracterizada por um isolacionismo profundo nas relações com a Europa."
PRA: Aqui é o samba do historiador doido, sem dúvida nenhuma com a ajuda de historiadores suspeitos como Eric Hobsbawm (que faz muito sucesso no Brasil, mas que nos demais países não é considerado um grande historiador, por sua visão, justamente, enviesada do mundo) e daquela versão vulgar do marxismo pasteurizado pela finada Academia de Ciências da URSS, que fazia uma história vagabunda do mundo, sempre ao estilo simplista do Manifesto.
Sinto decepcionar nosso aprendiz de historiador, mas os EUA não tiveram seu desenvolvimento fomentado pelo Estado, como ele escreve. Este era extremamente fraco, pelo menos até o final da Guerra de Secessão, quando os EUA já tinham consolidado seu processo de desenvolvimento. Este, devemos lembrar, começou prtaicamente ao mesmo tempo que a revolução industrial britânica, com desenvolvimentos comparáveis na Nova Inglaterra, ainda que o Sul tenha permanecido agrário e tradicional.
Os EUA se tornam a primeira potência industrial no mundo já ao final do século 19, mas isso se deve menos à política protecionista, como muitos acreditam, e mais às condições favoráveis no plano da capacitação tecnológica e produtividade do trabalho no país. Os EUA tinham um enorme mercado interno e eram grandes exportadores agrícolas (o que eles continuaram a ser mesmo depois de se converterem na primeira potência industrial. O comércio exterior era uma parte pequena da economia americana, como ainda continua. Não se pode ter o rabo comercial abanando o cachorro do desenvolvimento. Os historiadores lidos por esse comentarista não conhecem a história econômica dos EUA.
Nada a acrescentar sobre essa tremenda contradição entre ter uma política externa intervencionista e ao mesmo tempo isolacionista. Sei do que ele pretende falar: intervenção no Caribe e América Central (até nas Filipinas), isolacionismo em relação à Europa. Mas isso continua no simplismo. Recomendo que ele leia mais livros de qualidade, como Neill Ferguson, Paul Johnson, em lugar do seu Hobsbawm habitual.
3) "...quanto mais pesquiso, mais chego a conclusão que a ação do Estado na economia, resguardando mercados, fomentando a indústria, redistribuindo renda é fundamental para um país, ao menos até o momento em que possuir setores competitivos o suficiente para enfrentar uma livre-concorrência."
PRA: Esta visão da história e do desenvolvimento econômico é construída para provar exatamente o que pretende provar. Ha-Joon Chang é o seu usuário mais recente e mais conhecido. Trata-se de uma leitura seletiva da história. Já tratei desse tipo de deformação neste meu artigo de uma série:
Falácias acadêmicas, 5: o mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres, Brasília, 21 janeiro 2009, 11 p. Continuação da série, tratando desta vez das teses do economista Ha-Joon Chang. Espaço Acadêmico (n. 93, fevereiro 2009; arquivo em pdf). Reproduzido, sob o título de Sobre o complô dos ricos contra os pobres, no site Dom Total (16.04.2009). Originais n. 1976.
4) "Patente em linguagem econômica, no meu entendimento, é reserva de mercado, nada mais nada menos que uma prática mercantilista disfarçada. Se é necessária como uma espécie de incentivo ao trabalho científico , deveria ser utilizada apenas pelo tempo suficiente para que empresas ou cientistas pudessem recuperar os gastos envolvidos no achamento ou desenvolvimento de algo, o que para alguns produtos não passariam de cinco anos."
PRA: De fato, é o que ocorre na prática. Dificilmente uma patente industrial é utilizada por toda a sua vida útil de 20 anos. As patentes de medicamentos sim, na medida em que sua proteção efetiva é menor, já que os procedimentos para venda ao público costumam ser demorados. Como desconfia nosso comentarista, se trata de um mal necessário. Como disse Churchill da democracia, se trata do pior sistema existente, ou possível, à exceção de todos os demais...
5) "...o desenvolvimento do Brasil estaria ligado a uma primeira fase protecionista, ao menos em setores estratégicos da economia. Não falo em estatização, nem em um retorno a Getúlio, longe disso! Devo recordá-lo, professor, que, passados quase vinte anos de abertura de mercados, embora o desenvolvimento econômico e social seja inegável, ainda somos uma república exportadora de” bananas”."
PRA: As pessoas acreditam que sem Getúlio, sem protecionismo, sem estatização, o Brasil nunca teria se desenvolvido, ou pelo menos se industrializado. É o tal princípio que diz que foi assim, então, só poderia ser assim, ou não poderia ter sido de outra forma. Trata-se de outra leitura enviesada da história. O Brasil poderia ter se desenvolvido talvez mais, e melhor, nos quadros de um sistema internacional aberto. Não foi fácil desenvolver o Brasil num mundo sem mercados, sem créditos, com todos os tipos de restrições. A leitura que se faz é simplesmente deformada pelo que ocorreu efetivamente, como se só pudesse ter ocorrido daquela forma e não de outras, sempre abertas.
Por outro lado, NÃO É VERDADE que continuamos exportador de bananas. A soja tem anos e anos de pesquisa e desenvolvimento e concentra o que de melhor o Brasil tem de INDÚSTRIA e de SERVIÇOS, ademais da melhor agricultura em zona tropical do mundo.
Já escrevi sobre nossa exportação de commodities também, para voltar ao mesmo assunto. Quem estiver interessado, pode buscar sob essa rubrica neste blog.
Paulo Roberto de Almeida
domingo, 5 de setembro de 2010
Quilombo de resistência intelectual
Quilombo de resistência intelectual
Paulo Roberto de Almeida
Em situações de quase completa unanimidade, torna-se difícil, praticamente impossível, manter uma posição dissidente, discordante da maioria. Somos olhados como pessoas estranhas, suspeitos de alguma arrogância intelectual ou de elitismo social, o que aos olhos da maioria aparece como um pecado capital.
No entanto, esparsos na comunidade, existem muitos outros indivíduos que também mantêm as mesmas reservas e restrições à ordem dominante, pessoas que se ressentem dos consensos impostos e que gostariam de contribuir para um ambiente de pluralidade e, sobretudo, de respeito à livre expressão de suas discordâncias e propostas alternativas.
É o momento, talvez, de se congregarem esforços na resistência intelectual, de agrupar as forças contrárias atualmente existentes naquele conjunto que foi chamado, em conformidade ao título desta nota, de quilombo, um espaço de racionalidade, de defesa da razão, de não conformismo ou de não conformidade com a aparente unanimidade (que pode ter sido construída por meios de instrumentos espúrios). Trata-se, como alertado, de um foco de resistência, de preservação da racionalidade em meio ao oceano de aprovação, de aparente contentamento com a situação existente, de falsas utopias e de soluções enganosas.
Um quilombo é isso: uma fuga da ditadura dominante, uma pequena ilha de liberdade nas trevas das paixões desatadas, uma centelha de esperança na libertação futura, a preservação da autonomia em momentos de opressão, mesmo virtual ou potencial. Todos os fascismos – e os socialismos não deixam de ser modalidades dessa grande espécie – requerem a unanimidade. O quilombo da razão recusa a unanimidade. Por enquanto é apenas isso...
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 6.09.2010)
PS.: Devo a ideia do quilombo da razão a meu amigo Vinicius Portella.
Paulo Roberto de Almeida
Em situações de quase completa unanimidade, torna-se difícil, praticamente impossível, manter uma posição dissidente, discordante da maioria. Somos olhados como pessoas estranhas, suspeitos de alguma arrogância intelectual ou de elitismo social, o que aos olhos da maioria aparece como um pecado capital.
No entanto, esparsos na comunidade, existem muitos outros indivíduos que também mantêm as mesmas reservas e restrições à ordem dominante, pessoas que se ressentem dos consensos impostos e que gostariam de contribuir para um ambiente de pluralidade e, sobretudo, de respeito à livre expressão de suas discordâncias e propostas alternativas.
É o momento, talvez, de se congregarem esforços na resistência intelectual, de agrupar as forças contrárias atualmente existentes naquele conjunto que foi chamado, em conformidade ao título desta nota, de quilombo, um espaço de racionalidade, de defesa da razão, de não conformismo ou de não conformidade com a aparente unanimidade (que pode ter sido construída por meios de instrumentos espúrios). Trata-se, como alertado, de um foco de resistência, de preservação da racionalidade em meio ao oceano de aprovação, de aparente contentamento com a situação existente, de falsas utopias e de soluções enganosas.
Um quilombo é isso: uma fuga da ditadura dominante, uma pequena ilha de liberdade nas trevas das paixões desatadas, uma centelha de esperança na libertação futura, a preservação da autonomia em momentos de opressão, mesmo virtual ou potencial. Todos os fascismos – e os socialismos não deixam de ser modalidades dessa grande espécie – requerem a unanimidade. O quilombo da razão recusa a unanimidade. Por enquanto é apenas isso...
Paulo Roberto de Almeida
(Shanghai, 6.09.2010)
PS.: Devo a ideia do quilombo da razão a meu amigo Vinicius Portella.
Protecionismo aumenta no mundo; relatorio da OMC
Países criam uma barreira por dia
Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA
O Estado de S.Paulo, 5.09.2010
Medidas protecionistas tomadas em meio à crise já afetaram um fluxo de bens equivalente a US$ 1,6 trilhão no mercado internacional
Uma nova barreira comercial foi criada por dia no mundo desde que o G-20 prometeu que não recorreria ao protecionismo para lidar com a crise econômica, dois meses depois da quebra do Lehman Brothers, em 2008. Esse é, por enquanto, o legado da crise econômica internacional no comércio. Especialistas alertam que poderá levar anos para que essas barreiras sejam desmanteladas.
A proliferação de medidas ocorre à medida que setores continuam a patinar, acumulam dívidas e pressionam governos a tomar medidas para se proteger. De olho em votos e em manter as contas nacionais em dia, alguns governos vêm sucumbindo à pressão.
A análise é da organização Global Trade Alert, formada por alguns dos principais economistas da Europa e dos EUA e financiada pelo Banco Mundial. Segundo os especialistas, as medidas protecionistas estabelecidas por governos em meio à crise econômica já afetaram um fluxo de bens equivalente a US$ 1,6 trilhão no mercado internacional e as barreiras criadas em menos de dois anos já atingiram 10% do comércio mundial.
A avaliação obtida pelo Estado seria, segundo o grupo de especialistas, a principal prova que o G-20 não cumpriu sua promessa, feita de forma solene pelos presidentes, de que evitaria medidas protecionistas.
650 medidas. Desde novembro de 2008, quando a cúpula do grupo se reuniu pela primeira vez e declarou que não recorreria a barreiras comerciais, cerca de 650 novas medidas protecionistas foram adotadas em todo o mundo para frear importações ou incentivar a produção local para garantir maior competitividade contra bens importados.
Os dados contradizem a avaliação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que monitorou o surgimento de novas medidas. Críticos alertam que, por ser formada pelos mesmos estados que aplicam as barreiras, a organização evitou entrar em choque com os governos.
Em um relatório publicado em junho, a organização afirmou que os governos não aderiram às medidas protecionistas como resposta à crise. Segundo a OMC, as medidas protecionistas, quando existiram, afetaram apenas uma fração do comércio mundial e estão em queda. Em outubro de 2008 e outubro de 2009, apenas 1% das importações mundiais haviam sido atingidas pelas barreiras. Neste ano, o volume seria de apenas 0,4%.
Mas dados obtidos pelo Estado mostram que o impacto das medidas é maior que se imaginava. Segundo o levantamento, 22 medidas atingiram um comércio de US$ 10 bilhões cada, incluindo os pacotes de estímulo nos EUA privilegiando a compra de produtos nacionais - o programa "Buy American".
Europa e Brasil. Segundo o levantamento, o maior número de medidas protecionistas foi adotado pela União Europeia. Entre as medidas está a distribuição de novos subsídios aos produtores de açúcar, o que provocou a irritação do Brasil diante da perspectiva de prejuízos para os exportadores nacionais.
Outros países que adotaram as medidas em grande número são Rússia, Argentina e Nigéria.
A discrepância entre os números da OMC e do grupo de especialistas é explicada pela decisão da organização multilateral de não avaliar o impacto dos incentivos internos criados pelos países e de lidar apenas com barreiras nas fronteiras.
"A contribuição da OMC está sendo superestimada. As medidas adotadas driblaram as regras da entidade", afirmou Simon Evenett, coordenador do grupo e professor da Universidade de St. Gallen na Suíça. "Os custos das promessas não cumpridas do G-20 aumentam a cada trimestre."
Crise de 29. Olivier Cadot, professor da Universidade de Lausanne, alerta que o comércio mundial apresentou a mesma taxa de contração que foi identificada em 1929, após a quebra da Bolsa de Nova York. Segundo ele, o comércio mundial sofreu uma queda acima de 10% no terceiro trimestre de 1929, seguido por uma queda de 7% no fim daquele ano. "O que ocorreu em 2009 foi muito similar. É algo para se preocupar", disse Cadot.
O que preocupa os especialistas é que o discurso protecionista não desapareceu e novas legislações estão sendo aplicadas. O país mais atingido é a China. Nesta semana mais uma polêmica foi aberta, desta vez com os Estados Unidos.
De olho nas eleições legislativas, a Casa Branca anunciou que vai desenvolver 14 medidas para lidar com a importação de bens que receberiam incentivos ilegais em seus países de origem, principalmente China e Vietnã.
A proposta é parte do esforço dos EUA de dobrar as exportações nos próximos cinco anos para gerar empregos. A meta havia sido estabelecida no discurso anual de Barack Obama no Congresso, em janeiro. A China reagiu imediatamente à medida e alertou que poderia ter "implicações muito graves" para o comércio internacional.
=============
O relatório da OMC, de 2010, sobre o comércio mundial pode ser visto aqui, em sua versão francesa: http://www.wto.org/french/res_f/publications_f/wtr10_f.htm
(versões em inglês e em espanhol também estão disponíveis)
Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA
O Estado de S.Paulo, 5.09.2010
Medidas protecionistas tomadas em meio à crise já afetaram um fluxo de bens equivalente a US$ 1,6 trilhão no mercado internacional
Uma nova barreira comercial foi criada por dia no mundo desde que o G-20 prometeu que não recorreria ao protecionismo para lidar com a crise econômica, dois meses depois da quebra do Lehman Brothers, em 2008. Esse é, por enquanto, o legado da crise econômica internacional no comércio. Especialistas alertam que poderá levar anos para que essas barreiras sejam desmanteladas.
A proliferação de medidas ocorre à medida que setores continuam a patinar, acumulam dívidas e pressionam governos a tomar medidas para se proteger. De olho em votos e em manter as contas nacionais em dia, alguns governos vêm sucumbindo à pressão.
A análise é da organização Global Trade Alert, formada por alguns dos principais economistas da Europa e dos EUA e financiada pelo Banco Mundial. Segundo os especialistas, as medidas protecionistas estabelecidas por governos em meio à crise econômica já afetaram um fluxo de bens equivalente a US$ 1,6 trilhão no mercado internacional e as barreiras criadas em menos de dois anos já atingiram 10% do comércio mundial.
A avaliação obtida pelo Estado seria, segundo o grupo de especialistas, a principal prova que o G-20 não cumpriu sua promessa, feita de forma solene pelos presidentes, de que evitaria medidas protecionistas.
650 medidas. Desde novembro de 2008, quando a cúpula do grupo se reuniu pela primeira vez e declarou que não recorreria a barreiras comerciais, cerca de 650 novas medidas protecionistas foram adotadas em todo o mundo para frear importações ou incentivar a produção local para garantir maior competitividade contra bens importados.
Os dados contradizem a avaliação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que monitorou o surgimento de novas medidas. Críticos alertam que, por ser formada pelos mesmos estados que aplicam as barreiras, a organização evitou entrar em choque com os governos.
Em um relatório publicado em junho, a organização afirmou que os governos não aderiram às medidas protecionistas como resposta à crise. Segundo a OMC, as medidas protecionistas, quando existiram, afetaram apenas uma fração do comércio mundial e estão em queda. Em outubro de 2008 e outubro de 2009, apenas 1% das importações mundiais haviam sido atingidas pelas barreiras. Neste ano, o volume seria de apenas 0,4%.
Mas dados obtidos pelo Estado mostram que o impacto das medidas é maior que se imaginava. Segundo o levantamento, 22 medidas atingiram um comércio de US$ 10 bilhões cada, incluindo os pacotes de estímulo nos EUA privilegiando a compra de produtos nacionais - o programa "Buy American".
Europa e Brasil. Segundo o levantamento, o maior número de medidas protecionistas foi adotado pela União Europeia. Entre as medidas está a distribuição de novos subsídios aos produtores de açúcar, o que provocou a irritação do Brasil diante da perspectiva de prejuízos para os exportadores nacionais.
Outros países que adotaram as medidas em grande número são Rússia, Argentina e Nigéria.
A discrepância entre os números da OMC e do grupo de especialistas é explicada pela decisão da organização multilateral de não avaliar o impacto dos incentivos internos criados pelos países e de lidar apenas com barreiras nas fronteiras.
"A contribuição da OMC está sendo superestimada. As medidas adotadas driblaram as regras da entidade", afirmou Simon Evenett, coordenador do grupo e professor da Universidade de St. Gallen na Suíça. "Os custos das promessas não cumpridas do G-20 aumentam a cada trimestre."
Crise de 29. Olivier Cadot, professor da Universidade de Lausanne, alerta que o comércio mundial apresentou a mesma taxa de contração que foi identificada em 1929, após a quebra da Bolsa de Nova York. Segundo ele, o comércio mundial sofreu uma queda acima de 10% no terceiro trimestre de 1929, seguido por uma queda de 7% no fim daquele ano. "O que ocorreu em 2009 foi muito similar. É algo para se preocupar", disse Cadot.
O que preocupa os especialistas é que o discurso protecionista não desapareceu e novas legislações estão sendo aplicadas. O país mais atingido é a China. Nesta semana mais uma polêmica foi aberta, desta vez com os Estados Unidos.
De olho nas eleições legislativas, a Casa Branca anunciou que vai desenvolver 14 medidas para lidar com a importação de bens que receberiam incentivos ilegais em seus países de origem, principalmente China e Vietnã.
A proposta é parte do esforço dos EUA de dobrar as exportações nos próximos cinco anos para gerar empregos. A meta havia sido estabelecida no discurso anual de Barack Obama no Congresso, em janeiro. A China reagiu imediatamente à medida e alertou que poderia ter "implicações muito graves" para o comércio internacional.
=============
O relatório da OMC, de 2010, sobre o comércio mundial pode ser visto aqui, em sua versão francesa: http://www.wto.org/french/res_f/publications_f/wtr10_f.htm
(versões em inglês e em espanhol também estão disponíveis)
E tem gente que reclama do MST: poderia ser pior...
Claro, tudo pode ser pior.
Os proprietários de terras no Brasil vivem, de certa forma, acossados pelos neobolcheviques do MST, que realmente praticam seu esporte favorito na total indiferença do governo (que aliás fornece, indiretamente, os meios).
Mas o Brasil até que é um país "moderado" na prática da expropriação revolucionária.
Poderia ser pior. Como na Venezuela, por exemplo...
Paulo Roberto de Almeida
Inseguridad afecta economía venezolana
Emilia C. de Paula
El Nuevo Herald, 05/09/2010
Acosado por el constante riesgo de que lo secuestren, el ganadero venezolano Gustavo Martínez vive como si fuera un fugitivo; nunca avisa cuando se dirige a su finca, siempre altera las horas en que viaja, frecuentemente cambia las rutas y mantiene un ojo puesto en el espejo retrovisor para ver si lo están siguiendo.
Y es que la inseguridad personal –en un país considerado como uno de los más peligrosos de América Latina– es un tema de gran preocupación entre los ganaderos, especialmente en el sur de El Lago de Maracaibo, donde vive Martínez, y donde la industria del secuestro se encuentra en pleno apogeo.
Pero es el temor a que le expropien sus tierras, bajo posesión de la familia de Martínez por más de tres generaciones, lo que más le quita el sueño a este productor agrícola y agropecuario de 56 años.
“No hay quien te garantice la propiedad”, dijo Martínez a El Nuevo Herald en una entrevista telefónica. “El gobierno dice que la tierra es del Estado, que no tiene dueño [. . .]. Es muy duro ver que lo que fue parte de tu tradición familiar pase a manos de unos fascinerosos porque están bien con el gobierno”.
Como Martínez son miles los productores agropecuarios y empresarios de otros sectores los que sienten estar viviendo perennemente bajo la Espada de Damocles en Venezuela y que tratan de sobrevivir en un ambiente que es cada vez más hostil, marcado por una alta volatilidad económica, la inseguridad personal, políticas gubernamentales que desestimulan la inversión privada y una constante amenaza de que sus activos sean expropiados.
Expertos advierten que los riesgos para el empresariado podrían ser aún mayores con una victoria del oficialismo en las elecciones parlamentarias del 26 de septiembre, ante la promesa del presidente Hugo Chávez de que radicalizará más su revolución socialista de salir airoso en los comicios.
Economistas consultados por El Nuevo Herald dijeron que hay muy pocas dudas en Venezuela de que eso es precisamente lo que el mandatario se propone hacer.
“Todo el mundo se lo espera”, afirmó Asdrúbal Oliveros, director de la firma de asesores Ecoanalítica. “Eso es lo que ya ha venido haciendo, con toda una aprobación de leyes que ha venido tomando esta Asamblea Nacional, algunas que ya han sido aprobadas y otras que están en discusión”.
El grueso de estas nueva leyes buscan reemplazar los espacios actualmente ocupados por el sector privado por empresas comunales operadas bajo una estrecha vinculación con el Estado, bajo un esquema denominado por el gobierno como propiedad social o propiedad comunal.
Una vez que ese esquema ya esté creado, Oliveros dijo que Venezuela podría ver una mayor ola de expropiaciones, acentuando aún más la incertidumbre del empresariado.
“El empresario venezolano se levanta hoy en día con dos cosas en la cabeza. La primera de ellas es: ‘¿Seré yo la próxima víctima de una expropiación, de una nacionalización?’ Y la segunda: ‘¿Podré obtener las divisas para los trámites de importación o de compras de insumo?’. Porque al problema ideológico hay que sumarle el problema de una profunda escasez de divisas que está viviendo Venezuela en los últimos meses”, indicó Oliveros.
Pedro Palma, presidente de la Academia de Ciencias Económicas de Venezuela, dijo que el empresariado está encontrando espacios cada vez más reducidos para operar.
“Ha habido una política de hostigamiento, en la que las expropiaciones ya se han vuelto muy comunes, que ya no sólo afectan a las grandes empresas o a los grandes fundos de producción agrícola, sino que ahora afectan también a los pequeños productores, que se les expropian sus empresas”, aseguró Palma.
Todo esto crea un ambiente muy poco propicio para la inversión y son muy pocos los empresarios en el país que están pensando en ampliar sus negocios, limitándose a gastarsólo lo suficiente para mantener sus operaciones funcionando a un mínimo.
Martínez es un vivo ejemplo de esto.
La producción de leche de su finca que una vez alcanzaba 1,500 litros diarios actualmente ronda por niveles de 300 litros, y el productor agropecuario se ha volcado cada vez más a la producción de plátanos, rubro que no requiere de gran atención ni de inversiones.
Palma aseguró que el empresariado es consciente de que la Revolución Socialista del Siglo XXI que lleva a cabo Chávez es una réplica del modelo comunista autoritario aplicado en Cuba.
Añadió que al gobierno le irritan comentarios como estos porque las encuestas demuestran que el venezolano mayoritariamente rechaza el comunismo.
“Pero es lo que se está haciendo”, enfatizó Palma. “No hay dudas de que el Socialismo del Siglo XXI cada vez se parece más al socialismo totalitario cubano”.
Al riesgo de la expropiación se le añaden las tremendas dificultades que enfrentan los empresarios venezolanos para conseguir dólares.
La divisa estadounidense ha cobrado una importancia cada vez mayor debido a que el gradual achicamiento del aparato productivo ha llevado a depender cada vez más de las importaciones para los insumos que las empresas necesitan y para la compra de productos que han dejado de ser elaborados en el país.
Martín Herrera, economista del Grupo Soluciones Gerenciales S.A., dijo que la dependencia del dólar se ha disparado a lo largo de los últimos 10 años.
“Nosotros tenemos una escalada cada vez mayor de dependencia de las importaciones”, afirmó Herrera, cuya empresa hace un minucioso seguimiento de los volúmenes de importaciones que realiza el país.
Añadió que esto puede verse fácilmente en los números de la balanza comercial que muestran que para 1999 eran $19,400 millones los requeridos por la economía, monto que para el 2009 se ubicaba en unos $55,000 millones. Para el 2010, se presupuestaron $60,000 millones.
“Esto es una clara prueba de que cada vez más dependemos de las importaciones y el aparato productivo se ve cada vez más afectado porque muchos rubros están desapareciendo y muchas empresas están cerrando, agudizando la dependencia de las importaciones”.
El problema que tienen actualmente las empresas que mantienen sus puertas abiertas es que el gobierno no está suministrando todo los dólares que necesitan, lo que según Herrera también se está viendo reflejado en el pobre desempeño del crecimiento económico.
“El gobierno no lo quiere reconocer, pero lo que dicen las cifras del Banco Central es que nuestra crisis es de presupuesto de divisas, no hay la cantidad de divisas para atender la demanda”, dijo Herrera.
Martínez está entre los empresarios que enfrentan serias dificultades para encontrar dólares.
Pero el ganadero considera que este es sólo uno de una larga lista de problemas que tiene al empresariado de rodillas.
“Los problemas están por todos los lados. Hay problemas para salir del país; hay problemas para conseguir dólares de CADIVI [el organismo oficial que los entrega]; hay problemas de inseguridad; se corre el riesgo de que te expropien lo que tienes. No hay forma de trabajar así”, subrayó Martínez. “Con un gobierno como este, el futuro es incierto”.
Os proprietários de terras no Brasil vivem, de certa forma, acossados pelos neobolcheviques do MST, que realmente praticam seu esporte favorito na total indiferença do governo (que aliás fornece, indiretamente, os meios).
Mas o Brasil até que é um país "moderado" na prática da expropriação revolucionária.
Poderia ser pior. Como na Venezuela, por exemplo...
Paulo Roberto de Almeida
Inseguridad afecta economía venezolana
Emilia C. de Paula
El Nuevo Herald, 05/09/2010
Acosado por el constante riesgo de que lo secuestren, el ganadero venezolano Gustavo Martínez vive como si fuera un fugitivo; nunca avisa cuando se dirige a su finca, siempre altera las horas en que viaja, frecuentemente cambia las rutas y mantiene un ojo puesto en el espejo retrovisor para ver si lo están siguiendo.
Y es que la inseguridad personal –en un país considerado como uno de los más peligrosos de América Latina– es un tema de gran preocupación entre los ganaderos, especialmente en el sur de El Lago de Maracaibo, donde vive Martínez, y donde la industria del secuestro se encuentra en pleno apogeo.
Pero es el temor a que le expropien sus tierras, bajo posesión de la familia de Martínez por más de tres generaciones, lo que más le quita el sueño a este productor agrícola y agropecuario de 56 años.
“No hay quien te garantice la propiedad”, dijo Martínez a El Nuevo Herald en una entrevista telefónica. “El gobierno dice que la tierra es del Estado, que no tiene dueño [. . .]. Es muy duro ver que lo que fue parte de tu tradición familiar pase a manos de unos fascinerosos porque están bien con el gobierno”.
Como Martínez son miles los productores agropecuarios y empresarios de otros sectores los que sienten estar viviendo perennemente bajo la Espada de Damocles en Venezuela y que tratan de sobrevivir en un ambiente que es cada vez más hostil, marcado por una alta volatilidad económica, la inseguridad personal, políticas gubernamentales que desestimulan la inversión privada y una constante amenaza de que sus activos sean expropiados.
Expertos advierten que los riesgos para el empresariado podrían ser aún mayores con una victoria del oficialismo en las elecciones parlamentarias del 26 de septiembre, ante la promesa del presidente Hugo Chávez de que radicalizará más su revolución socialista de salir airoso en los comicios.
Economistas consultados por El Nuevo Herald dijeron que hay muy pocas dudas en Venezuela de que eso es precisamente lo que el mandatario se propone hacer.
“Todo el mundo se lo espera”, afirmó Asdrúbal Oliveros, director de la firma de asesores Ecoanalítica. “Eso es lo que ya ha venido haciendo, con toda una aprobación de leyes que ha venido tomando esta Asamblea Nacional, algunas que ya han sido aprobadas y otras que están en discusión”.
El grueso de estas nueva leyes buscan reemplazar los espacios actualmente ocupados por el sector privado por empresas comunales operadas bajo una estrecha vinculación con el Estado, bajo un esquema denominado por el gobierno como propiedad social o propiedad comunal.
Una vez que ese esquema ya esté creado, Oliveros dijo que Venezuela podría ver una mayor ola de expropiaciones, acentuando aún más la incertidumbre del empresariado.
“El empresario venezolano se levanta hoy en día con dos cosas en la cabeza. La primera de ellas es: ‘¿Seré yo la próxima víctima de una expropiación, de una nacionalización?’ Y la segunda: ‘¿Podré obtener las divisas para los trámites de importación o de compras de insumo?’. Porque al problema ideológico hay que sumarle el problema de una profunda escasez de divisas que está viviendo Venezuela en los últimos meses”, indicó Oliveros.
Pedro Palma, presidente de la Academia de Ciencias Económicas de Venezuela, dijo que el empresariado está encontrando espacios cada vez más reducidos para operar.
“Ha habido una política de hostigamiento, en la que las expropiaciones ya se han vuelto muy comunes, que ya no sólo afectan a las grandes empresas o a los grandes fundos de producción agrícola, sino que ahora afectan también a los pequeños productores, que se les expropian sus empresas”, aseguró Palma.
Todo esto crea un ambiente muy poco propicio para la inversión y son muy pocos los empresarios en el país que están pensando en ampliar sus negocios, limitándose a gastarsólo lo suficiente para mantener sus operaciones funcionando a un mínimo.
Martínez es un vivo ejemplo de esto.
La producción de leche de su finca que una vez alcanzaba 1,500 litros diarios actualmente ronda por niveles de 300 litros, y el productor agropecuario se ha volcado cada vez más a la producción de plátanos, rubro que no requiere de gran atención ni de inversiones.
Palma aseguró que el empresariado es consciente de que la Revolución Socialista del Siglo XXI que lleva a cabo Chávez es una réplica del modelo comunista autoritario aplicado en Cuba.
Añadió que al gobierno le irritan comentarios como estos porque las encuestas demuestran que el venezolano mayoritariamente rechaza el comunismo.
“Pero es lo que se está haciendo”, enfatizó Palma. “No hay dudas de que el Socialismo del Siglo XXI cada vez se parece más al socialismo totalitario cubano”.
Al riesgo de la expropiación se le añaden las tremendas dificultades que enfrentan los empresarios venezolanos para conseguir dólares.
La divisa estadounidense ha cobrado una importancia cada vez mayor debido a que el gradual achicamiento del aparato productivo ha llevado a depender cada vez más de las importaciones para los insumos que las empresas necesitan y para la compra de productos que han dejado de ser elaborados en el país.
Martín Herrera, economista del Grupo Soluciones Gerenciales S.A., dijo que la dependencia del dólar se ha disparado a lo largo de los últimos 10 años.
“Nosotros tenemos una escalada cada vez mayor de dependencia de las importaciones”, afirmó Herrera, cuya empresa hace un minucioso seguimiento de los volúmenes de importaciones que realiza el país.
Añadió que esto puede verse fácilmente en los números de la balanza comercial que muestran que para 1999 eran $19,400 millones los requeridos por la economía, monto que para el 2009 se ubicaba en unos $55,000 millones. Para el 2010, se presupuestaron $60,000 millones.
“Esto es una clara prueba de que cada vez más dependemos de las importaciones y el aparato productivo se ve cada vez más afectado porque muchos rubros están desapareciendo y muchas empresas están cerrando, agudizando la dependencia de las importaciones”.
El problema que tienen actualmente las empresas que mantienen sus puertas abiertas es que el gobierno no está suministrando todo los dólares que necesitan, lo que según Herrera también se está viendo reflejado en el pobre desempeño del crecimiento económico.
“El gobierno no lo quiere reconocer, pero lo que dicen las cifras del Banco Central es que nuestra crisis es de presupuesto de divisas, no hay la cantidad de divisas para atender la demanda”, dijo Herrera.
Martínez está entre los empresarios que enfrentan serias dificultades para encontrar dólares.
Pero el ganadero considera que este es sólo uno de una larga lista de problemas que tiene al empresariado de rodillas.
“Los problemas están por todos los lados. Hay problemas para salir del país; hay problemas para conseguir dólares de CADIVI [el organismo oficial que los entrega]; hay problemas de inseguridad; se corre el riesgo de que te expropien lo que tienes. No hay forma de trabajar así”, subrayó Martínez. “Con un gobierno como este, el futuro es incierto”.
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