segunda-feira, 30 de março de 2026

A Previdência, rumo ao colapso - Celso Ming (O Estado de S. Paulo)

 A Previdência, rumo ao colapso

Celso Ming
O Estado de S. Paulo, domingo, 29 de março de 2026

É como rompimento de barragem. O rombo da Previdência Social vai crescendo inexoravelmente. Se nada se fizer para estancar o vazamento, até mesmo antes de 2030 faltarão recursos para pagamento das aposentadorias.

Em uma década, o déficit anual, que era de R$ 272 bi em 2015, passou a R$ 442 bi em 2025, crescimento de 62,5%.

Um punhado de fatores explica essa esticada. O aposentado está vivendo cada vez mais, o que empurra por mais tempo as despesas com aposentadoria. O brasileiro optou por ter menos filhos, o que vem produzindo encolhimento da oferta de trabalho e das contribuições para a Previdência. De quebra, as empresas também aumentaram o uso de robôs e de outras tecnologias, o que as dispensa de contribuições da parcela do empregador. As grandes transformações do mercado de trabalho levaram o pessoal da ativa a preferir cada vez mais o trabalho autônomo ou a criação de MEIs (Microempreendedores Individuais), cuja contribuição ao INSS, quando é cumprida à risca, é apenas uma fração da contribuição comum.

Em consequência de políticas populistas, o salário mínimo, que corrige as aposentadorias, vem aumentando acima da inflação e, assim, multiplica as despesas da Previdência. Este e governos anteriores vêm sendo mais complacentes na concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que paga salário mínimo para pessoas com deficiência que comprove renda baixa. Essas pressões mostram que a reforma de 2019 não passou de gambiarra destinada a empurrar com a barriga um problema enorme.

Sempre que a situação da Previdência fica insustentável, aparecem sugestões para que se substitua o atual regime de repartição simples – em que o trabalhador da ativa paga as aposentadorias em curso – pelo regime de capitalização – em que a aposentadoria corresponderá tão somente às contribuições feitas pelo trabalhador somadas ao rendimento obtido por sua aplicação no mercado financeiro. Mas esse é um sistema complicado, que exige boa administração financeira e que deixa a descoberto a remuneração dos já aposentados e dos que já contam prazo no sistema de repartição. Não deu muito certo no Chile e foi abandonado pela Argentina.

Outra ideia é adotar regime misto, com a capitalização apenas para camadas mais altas. É mais ou menos o que já acontece hoje: as famílias de renda mais alta adotam esquemas de aposentadoria complementar (PGBL e VGBL) à aposentadoria convencional. Mas esse arranjo não traz solução para o problema principal.

A próxima administração do País terá de escolher entre adotar nova reforma da Previdência e continuar adiando a solução. Independentemente disso, quem já recebe aposentadoria ou quem a espera para os próximos anos tem de saber que essa renda, em pelo menos parte dela, corre alto risco de ser caloteada.

Fraudes em Academia.edu? Carta de prof. da Universidade de Sevilla, por acessos não identificados - Rogelio Altez, Paulo Roberto de Almeida

 Tenho muitos trabalhos livremente disponíveis na plataforma Academia.edu, como aliás dezenas, centenas, milhares de outros acadêmicos ao redor do mundo. Esperamos, todos os acadêmicos, que as pessoas que acessam nossos trabalhos, façam um uso leal, adequado, desses trabalhos, segundo as normas habituais de citação e sobretudo ÉTICA no tratameno de propriedade alheia, isto é, copyright, ou obrigação de citação responsável.

Deparo-me agora com esta declaração pública de um acadêmico da Universidade de Sevilla, por acesso indiscriminado a seus trabalhos por identidades desconhecidas.
Registrei o mesmo fenômeno em minhas postagens em Academia.edu. Creio que é uma FALHA da plataforma ao permitir que pessoas não identificadas continuem a descarregar trabalhos na plataforma.
Paulo Roberto de Almeida

Aqui a transcrição da carta do prof. Rogelio Altez:

"Sobre prácticas indeseables y carentes de ética en Academia.edu
Recientemente he detectado que un anónimo está descargando mis trabajos uno a uno utilizando identidades falsas e ilegibles, además de un VPN. La razón por la que hace esto no la sabremos hasta que algún día se conozcan sus intenciones. Me he comunicado con Academia Support (support@academiaedu.zendesk.com), planteando el problema, ante lo cual me han respondido que “Ofrecemos opciones de privacidad que permiten a los miembros navegar de forma más anónima en la plataforma. Academia es una plataforma abierta, y cualquier documento que subas puede ser visto por cualquier persona (registrada o no) y descargado por cualquier miembro de Academia. También pueden hacerlo de forma anónima. Si no te interesa que los lectores descarguen tu documento, debes eliminarlo del sitio.”
Si observan la lista de “nombres” que han descargado mis trabajos, podrán notar que se trata de una estrategia que persigue ocultar sus intenciones:
awkdxh uel; ndc diyzqowvws; giihjfgl psttrrcch; tjtzycpm tn; ypuy nfacepypb; lhfzsekc jxzmpsfrs; xoqhvi xrvk; yairufhqr srinysx; ophrcolido lsic; rrqezydbz ytkhmjgt; loorlvqlqq hjupnz; jtb vhzeqyn; wjyru xejapqhnw; wnrl chwvopjsfy; sdlmjepglq kyqjrlfa; twbym isfo; idcbbetd hfosf; gqpzvt tbndgm; lhlab farto; zc adsws; rqbwdsp eiovvafksl; xwgdouhwmh jrgquubm; tmitsu pjcsggviba; mxvld peaxmsmjhc; awkdxh uel; ndc diyzqowvws; giihjfgl psttrrcch
Cada uno de estos “nombres” ha descargado una publicación, de manera que van descargando uno a uno mis trabajos… Si esto le ha sucedido a algún colega, creo que podríamos sumar esfuerzos para solicitar a Academia.edu la protección de nuestras publicaciones aplicando una simple estrategia que conduzca a que los usuarios soliciten la descarga, de manera que puedan identificarse sin ocultarse detrás de identidades falsas.
Saludos,
Rogelio Altez

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Comentários adicionais:
María Inés Tato
CONICET
Me viene ocurriendo lo mismo. La respuesta de Academia fue la siguiente:
Thanks for bringing this to our attention! We are aware of those readers, our team is working hard to try to remove them from site and other areas of your experience where they may be visible. When we become aware of these kinds of accounts, we try to react as quickly as possible.
We want to assure you that your account is secure and there is no threat of unauthorized access from these profiles if all you do is see them downloading your papers. Please be completely assured that paper downloading or analytics activity from these profiles does not indicate or have any connection with hacking or other kinds of unauthorized access.
That being said, Academia is a very open platform, and anyone can join to read and download papers. While we of course would prefer for everyone to complete their profiles with their proper names, we do not force them to at this time.
Reconocen el problema, pero no parecen inclinados a darle solución.
Quedo atenta a alguna iniciativa colectiva para demandar protección para los usuarios legítimos.
Saludos
==========
Rogelio Altez
Universidad de Sevilla:
Pues al parecer somos unos cuantos los que hemos notados esto... No obstante, desde que lo hemos hecho visible no ha vuelto a ocurrir (al menos hasta ahora). Creo que deberíamos hallar la manera de vincularnos para plantear algo a Academia.edu. Tiene que haber alguna solución, pues la plataforma debe asumir su responsabilidad con relación al cuidado de nuestros trabajos.
A ver si se nos va ocurriendo la forma de sumarnos en un planteamiento unido, el punto es ante quién, más allá del Acadmie Support.
Saludos!

Um novo Oriente Médio Denis Lerrer Rosenfield O Estado de S. Paulo

Um novo Oriente Médio 

Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo, 

segunda-feira, 23 de março de 2026

O projeto teocrático de uma grande potência regional dominando o Oriente Médio foi por água abaixo

O Oriente Médio mudou após o ataque americano-israelense e a reação da teocracia iraniana. Nada voltará a ser como antes, goste-se ou não desta nova realidade. O Irã se apresentava com uma grande potência regional, caminhando para deter a produção de bombas nucleares, almejando a destruição pura e simples do Estado de Israel. Utilizava-se, para isso, de seus satélites: Hamas, Jihad Islâmica, Hezbollah e Houthis. Com exceção dos últimos, enfraquecidos, os outros já foram derrotados militarmente. Graças à guerra atual, o Irã já está militarmente vencido, contentando-se com atacar as nações árabes, inclusive xiitas como o Catar, procurando criar o caos no Estreito de Ormuz e forçar um aumento do preço do petróleo e do gás em escala mundial. Só os simpatizantes do Irã e do terror islâmico resistem a reconhecer a nova correlação geopolítica de forças, a esquerda mundial satisfazendo-se com a areia do ódio que a teocracia lança nos seus olhos.

Torna-se, aqui, necessário fazer a distinção entre os objetivos militares e políticos da guerra, pois a confusão entre essas duas perspectivas pode distorcer a análise dos fatos.

Os objetivos militares de israelenses e americanos são praticamente os mesmos, apesar de algumas nuances. Israel tem no Irã um inimigo existencial, voltado para a sua aniquilação, algo declarado pela teocracia e seus satélites. Sob a ótica militar, os objetivos estão praticamente consumados: destruição da defesa antiaérea do Irã, com todo o seu sistema de radares e armamentos; aniquilação de seus instrumentos e condições de produção de uma bomba nuclear e erradicação dos depósitos, estoques, fabricação e lançamento de mísseis balísticos.

Os americanos, em particular, acrescentaram a destruição da Marinha e Israel, a morte das lideranças políticas e militares. Segundo cada um desses itens, todos alcançando praticamente acima de 80%, pode-se dizer que em poucas semanas essa proporção aumentará, dando a guerra como finalizada. Ocorre, porém, que o presidente Trump falou de uma mudança de regime, enquanto os israelenses mais prudentes declararam que buscariam criar apenas as condições para isso, cabendo ao povo iraniano, violentamente oprimido pela teocracia, levar a cabo essa missão. Esse seria um objetivo propriamente político, que não poderia ser realizado militarmente, salvo com o emprego maciço de forças terrestres, algo fora de questão. Politicamente, a tarefa cabe aos iranianos.

Os líderes iranianos, cientes disso, apesar de seu discurso belicoso, segundo o qual irão destruir a coligação americano-israelense, mostram por suas ações que já perderam. Atacam os países árabes, inclusive bombardeando-os mais do que a Israel. A guerra deslocou-se de Israel e das bases americanas para esses países, almejando assim algum ganho propriamente político, uma espécie de porta de saída, com a vitória militar já completamente afastada. Sobra somente a narrativa voltada para os incautos, que ainda acreditam no que a liderança teocrática vocifera. O fato maior, todavia, é o seguinte: o projeto teocrático de uma grande potência regional dominando o Oriente Médio foi por água abaixo.

O Irã, se não houver uma sublevação de seu próprio povo, continuará a ser brutalmente oprimido pelo que restará da Guarda Revolucionária e dos paramilitares da polícia política Basij – diga-se de passagem, que são objetos de ataques israelenses sistemáticos. Pode perfeitamente acontecer que preservem o seu poder, embora não tenham doravante nenhuma importância geopolítica. Tal situação pode ser perfeitamente acomodada tanto pelos israelenses quanto pelos americanos, apesar de ser desejável o estabelecimento de uma democracia nesse país.

Os EUA, por sua vez, mostram que são uma potência mundial incontrastável. A esquerda mundial que tanto fala do declínio americano deve estar mordendo a língua. Os russos não conseguem nem vencer a Ucrânia, quanto mais a Europa em seu conjunto, contra forças alemãs, francesas, inglesas, polonesas e italianas. Os chineses contentaram-se com contestações diplomáticas, nada arriscando. Como é de seu feitio, resguardam com afinco os seus interesses, os seus businesses. Os países árabes, por causa da retórica do ódio da teocracia iraniana, atacando inclusive suas instalações de infraestrutura e civis, irão se alinhar diretamente ou indiretamente aos EUA e Israel. São sua proteção e sua existência que estão agora em questão.

Os israelenses surgem vencedores como grande potência regional. Nenhum Estado da região lhe é comparável em superioridade científica, tecnológica e de indústria de defesa, com uso intensivo de inteligência artificial e guerra cibernética. Ademais, o uso sincronizado de todos esses instrumentos entre Marinha, Exército e Força Aérea faz de seu poderio um poder incontornável.

Saliente-se, ainda, que esse tipo de coordenação com as forças americanas mostra como a guerra do século 21 perfila-se no horizonte, mostrando desde já a sua presença.

Augusto de Franco desmonta os argumentos da esquerda na guerra de agressão dos EUA contra o Irã (Revista ID)

 

Narrativas iliberais sobre a guerra do Irã

Há uma guerra: é a guerra do Irã


Masih Alinejad's American Enemies | National Review

A narrativa dos jornalistas simpáticos a Lula e ao PT que se apresentam como analistas internacionais chega a ser uma ofensa ao bom-senso e um insulto à inteligência. Mas é pior do que isso: é desonesta. Ela é repetida diariamente nos meios de comunicação, sobretudo nas TVs alinhadas ao governo Lula. Nem todos que replicam tais narrativas iliberais endossam os dez pontos abaixo, mas com certeza concordam com a maioria deles. É mais ou menos assim:

1 - As violações dos direitos humanos e a perseguição às mulheres no Irã é uma característica cultural de um país milenar. Não podem ser condenadas a partir da cultura ocidental. Ou, se condenáveis do nosso ponto de vista, não justificam os ataques bárbaros que os iranianos vêm sofrendo.

2 - O regime teocrático do Irã é também a expressão de sua cultura milenar. Querer que o Irã copie o modelo ocidental de democracia é não entender a complexidade da sociedade iraniana e seu direito soberano de construir seu próprio tipo de regime político.

3 - O Irã é um país pacífico. Só está em guerra porque foi atacado por Israel e pelos Estados Unidos, de modo covarde, pois isso aconteceu enquanto estava empenhado de boa vontade em negociações com esses países. Ah! Mas e a repressão sangrenta aos manifestantes iranianos, que assassinou a sangue frio, no início deste ano, dezenas de milhares de pessoas nas ruas e nas prisões do regime? Ninguém sabe ao certo o número de vítimas. Isso é mais propaganda judaica colonialista e americana imperialista.

4 - O Irã era uma democracia plena. Mas o governo de Mossadegh foi derrubado em 1953 por um golpe militar promovido pela CIA (EUA) e pelo M16 (Reino Unido). Foi aí que começaram os ataques ocidentais ao Irã. Ah! Mas instituições que monitoram os regimes políticos no mundo (como o V-Dem) atestam que nessa época o Irã era uma autocracia (e que nunca houve democracia por lá). Não importa: essas instituições devem estar mentindo (ou são expressões da visão parcial do Ocidente). Mossadegh era socialista e nacionalista, logo era um democrata, pois defendia a soberania do Irã contra o imperialismo e o colonialismo.

5 - O Hezbollah, o Hamas, a Jihad Islâmica, os Houthis, as milícias xiitas no Iraque, na Síria e em outros países do Oriente Médio - grupos jihadistas coordenados pelo Corpo da Guarda da Revolução Islâmica - não são entidades terroristas, mas apenas integrantes do "eixo da resistência" ao colonialismo de Israel e ao imperialismo dos EUA. Ah! Mas os ataques terroristas sangrentos que esses grupos cometeram em Israel e em outros países? Não importa. Se eles não resistissem aos ataques do Ocidente seriam liquidados ou violados em seus legítimos direitos de expressão e organização.

6 - O Irã só quer explorar recursos nucleares para fins pacíficos, de geração de energia e de construção de artefatos médicos. É mentira que seu programa nuclear visava a construção de armas. Ah! Mas e a quase meia tonelada de urânio enriquecido a 60%? Isso é mentira, assim como era mentira que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Ou, se não é mentira, 60% não permitem a construção de uma bomba atômica.

7 - Israel ataca o Líbano e não o Hezbollah. Aliás, sempre atacou o país para colonizá-lo, inclusive quando o Hezbollah não existia. Ah! Mas e a OLP no Líbano não era um grupo terrorista? Não era e sim legítima resistência aos ataques ocidentais. O Hezbollah está apenas se defendendo dos ataques colonialistas e imperialistas.

8 - Israel ataca os palestinos para genocidá-los (na base da limpeza étnica) e não o Hamas. A prova é que o Hamas continua organizado e armado, controlando cerca de 40% da Faixa de Gaza. Israel está mantendo um apartheid dos palestinos para impedir que construam seu próprio Estado. A prova disso é a ocupação crescente da Cisjordânia por colonos judeus supremacistas que cometem crimes diários contra as populações tradicionais da Judeia e da Samaria.

9 - O Irã está vencendo a guerra porque está resistindo bravamente aos ataques criminosos de Israel e dos Estados Unidos. Já era hora de alguém dar um basta nesses agressores.

10 - É admirável o que o Irã está fazendo, enfrentando Trump e Netanyahu. Ah! Mas ele já fazia isso quando o governo dos EUA estava nas mãos dos democratas Clinton, Obama e Biden. Não importa, é tudo a mesma coisa: imperialismo. Ah! Mas ele já fazia isso quando o governo de Israel estava nas mãos dos trabalhistas Rabin, Peres e Barak. Não importa, é tudo a mesma coisa: colonialismo. 

Essa é mais ou menos a narrativa do PT. Essa é mais ou menos a narrativa dos governos Lula, que sempre apoiaram a ditadura do Irã, cuja entrada no BRICS foi comemorada pelo PT. E tanto é assim que Lula se aproximou de Ahmadinejad - um notório fraudador de eleições, como aquele seu outro amigo Maduro.

O que esses propagandistas iliberais nos meios de comunicação não enxergam é que o fato de Trump e Netanyahu serem populistas-autoritários muito ruins não torna aceitável (ou justificável) a teocracia assassina e terrorista dos aiatolás iranianos. Como escreveu Masih Alinejad (na foto: jornalista iranana e presidente do WL Congress):

“A República Islâmica é um regime terrorista. Deixou uma coisa brutalmente clara: a vida do seu próprio povo não lhe vale nada. Ela os mata. Depois exige dinheiro de suas famílias para devolver os corpos. E se essas famílias ousarem expressar seu luto, ousarem exigir justiça, são ameaçadas de estupro coletivo e depois presas. Há anos venho dizendo claramente: a República Islâmica não é um governo normal. É uma força de ocupação terrorista que só responderá à força e à pressão decisiva”. 

Mesmo assim, parece óbvio que Trump, aliado a Netanyahu, não tinha razões fortes para desfechar a atual contra-ofensiva ao Irã. Errou na forma e no conteúdo. Desvairou. Já quer voltar atrás e não sabe como. 

Mas o fato é que - independentemente do presidente americano ser o Belzebu em pessoa e de Bibi ser a encarnação de Asmodai - o Irã não pode continuar financiando e coordenando uma dezena de organizações terroristas ativas (capazes de cometer atentados em qualquer lugar do mundo). O Irã não pode continuar com seu programa de mísseis (com cada vez maior alcance e capacidade de destruição). O Irã não pode retomar seu programa nuclear. E o Irã não pode manter controle completo sobre o Estreito de Ormuz. Finalmente, o Irã não pode se estabelecer como o valentão e o manda-chuva do Oriente Médio (daqui a pouco vai passar cobrar proteção dos países da região, com o IRGC atuando como máfia estatal). 

Todavia, não foram os erros crassos de Trump e Bibi que levaram o Irã a fazer tudo isso. Era o plano. Trump e Bibi só deram a chance do Pásdárán(o Corpo da Guarda da Revolução Islâmica) começar a executá-lo. 

Há uma guerra em curso. Não só no Oriente Médio, mas no mundo. É a guerra do Irã, que não começou em 2026, mas já dura quase meio século.


Uma nota sobre o programa Globo News Internacional

A crítica é própria da democracia. Então vamos lá. O Globo News Internacional do último domingo (22/03/2026) ultrapassou todos os limites. Pareceu um Pravda, ou melhor, um Granma. Chamou uma pessoa para comentar a guerra no Líbano que parecia (não estou afirmando que é) uma militante do "eixo da resistência" (a retórica é a mesma) ou uma funcionária de relações públicas do Hezbollah. Depois, entre tantas e descabidas parcialidades, tratou de Cuba, chamando o embargo de bloqueio (no passado, não agora, replicando exatamente a mesma narrativa surrada - e falsa - do regime). Chamou uma historiadora pró-cubana para dizer que está havendo, há muito tempo, uma transição em Cuba, conduzida pelo partido único (mas isso é só um detalhe pouco importante), confundindo solertemente medidas econômicas com abertura política. Nem vou falar da narrativa da guerra do Irã. É como se um país pacífico, enquanto estava negociando com a melhor das boas intenções, tivesse sido covardemente atacado pelos imperialistas e colonialistas. Ou seja, a guerra que a teocracia do Irã trava há décadas, por meios de seus braços terroristas (Hezbollah, Houthis, milícias xiitas no Iraque e na Síria, Jihad Islâmica, Hamas), seria somente uma demonstração de… paz! Sinceramente, isso não é jornalismo. Depois se assustam quando as pessoas, em sua maioria, não confiam mais nos meios de comunicação profissionais.

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As finanças do Brasil estão dominadas por gangues? - Vinicius Torres Freire Folha de S. Paulo

As finanças do Brasil estão dominadas por gangues? (PRA)

Reag, Master, BRB, Fictor: tem mais máfia no mercado? Como isso foi possível?
Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo, quinta-feira, 26 de março de 2026

Com nova operação da PF, é razoável suspeitar que possa existir mais gangues na finança

Regulação e fiscalização fracas e corruptos fortes facilitaram a ramificação do crime

Reag, Master, BRB, Fictor. Gente do comando do grupo Fictor é investigada por ter contatos com um Thiago de Azevedo, vulgo "Ralado", que tinha negócios com o "Bonde do Magrelo", braço do Comando Vermelho no interior de São Paulo. "Ralado" corrompia gente de bancos, conseguia empréstimos para empresas de fachada e, então, quebrava ou fechava as fachadas e sumia com o dinheiro. Um pequeno Master.

Há mais bancos, fundos e operadores financeiros de outra espécie que estejam prestando serviços para o crime ou que sejam eles mesmos máfias, como o Master?

Falamos muito de política podre, com razão, mas há podre na finança, do descalabro na regulação e na fiscalização ao puro crime. Essas gangues prosperaram durante os anos de expansão daquilo que se chama vagamente de "fintechs", as muitas empresas que prestam serviços variados na finança. "Durante" não quer dizer necessariamente "por causa de".

A expansão das fintechs foi uma desregulamentação, na prática. Isto é, regulação muito mais leve, digamos, permitiu a expansão desse setor da finança. Serviu para aumentar a concorrência, parece. Nesse ônibus, entraram também bandidos. Como não se multavam ônibus desgovernados ou dirigidos por gente suspeita, a audácia derivou em parte para o crime. Além de Master e de BRB, haveria outro banco de verdade no rolo? A relação desse ambiente de regulação e fiscalização ruim com o crime é questão nacional.

A esquerda quer pegar Roberto Campos Neto, "RCN", presidente do Banco Central de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024, eleitor de Jair Bolsonaro e tarcisista. O nascimento e a expansão de fintechs relevantes começam em 2012, 2013. A digitalização dos tempos da epidemia deu mais impulso ao negócio. A regulação seria arranjada, digamos, a partir de 2020. Durante o tempo em que RCN comandou o BC, o Master floresceu e barbarizou. Logo, RCN seria de algum modo responsável pelo escândalo, no mínimo por omissão, segue o argumento da esquerda.

De objetivo, o que se sabe de RCN até agora é isso: nos seus anos de BC, Master e aparentados espalharam imundície. Mas RCN e outros responsáveis devem ser chamados a explicar como isso foi possível, para começar uma conversa séria de investigação e reforma. E onde estava a Comissão de Valores Mobiliários? Aliás, onde está? Continua sem meios e à beira de ser dirigida por criatura controversa. A Receita Federal teria tido meios e direito de pescar alguma coisa? E a fiscalização da Previdência Complementar? Cupinchas de políticos no comando de fundos de previdência de servidores eram amigos do Master. Parte do TCU dedicava-se a pleitos do Master.

A Reag era a maior administradora independente de fundos de investimento. É acusada de prestar serviços para a gangue do Master, para empresas dos crimes com combustíveis, talvez ligadas ao PCC. O BRB estava à beira de aceitar a desova do cadáver do Master.

A atual direção do BC impediu que o BRB ficasse com a carcaça falida e fraudulenta; pegou executivos do próprio BC corrompidos por Daniel Vorcaro. Polícia Federal e Receita tomam atitudes. Mas é muito pouco, mesmo que o problema se restringisse a crimes financeiros. É necessária reforma de alto a baixo e cadeia para todos os lados. Pior, pode ser que o mercado do crime ainda esteja operante. Enquanto isso, parte da cúpula da República tenta fugir da polícia ou acordões (no caso Master, no caso das emendas, no caso do INSS etc.).

Eleições 2026: Eduardo Leite? - Rafael Ferreira (Revista Inteligência Democrática)

 

Qual seria a aposta numa candidatura Eduardo Leite?


Rafael Ferreira, Inteligência Democrática (26/03/2026)

Qual seria a aposta numa candidatura de Eduardo Leite? Uma candidatura com pouca articulação encaminhada, sem coalizões amplas ou sinal claro de viabilidade teria algum ganho para o eleitor? Ou seria só mais um nome a ser queimado como tantos outros na história recente das eleições no Brasil?

Antes de mais nada é preciso dizer, qualquer eleição é uma aposta. Não existe resultado prévio mesmo que o candidato seja um Garrincha e que ele não esteja nenhum pouco preocupado ‘com os russos do outro lado’. Qualquer análise de gabinete mesmo que amparada por pesquisas as mais bem elaboradas possíveis não elimina o fator acaso, que é desconhecido.

Mas dito isso, do ponto de vista de alguém que possa aconselhar os agentes incumbidos da decisão de escolher entre Leite e Caiado mesmo sem nenhuma autoridade para isso, apenas com o sentimento e o compromisso com o aprimoramento da democracia, por que recomendaria essa aposta? Além dos próprios responsáveis por decidirem essa escolha, obviamente também tem o componente humano presente na figura representativa do candidato. Ou seja, se é uma aposta, é bom que fique claro para o homem comum que está ali quais perdas e ganhos podem advir de uma possível derrota na eleição presidencial.

Para o comandante do processo de escolha dentro do PSD, o presidente do partido Gilberto Kassab, a aposta pode ser aquela mais conservadora, de usar uma candidatura apenas como elemento agregador do partido nos diversos estados. A viabilidade eleitoral nessa linha de raciocínio nem faria tanta diferença contanto que o candidato servisse de articulador para possíveis ganhos em eleições de bancada e posições estratégicas no próximo governo.

É bom que se diga aqui que esse comportamento conservador como player importante no xadrez das decisões que servirão de base nas eleições deste ano não tem relação direta com uma possível postura conservadora em termos de políticas públicas. O conservadorismo aqui, no jogo pesado da polarização, é apenas covardia. E a covardia tem nome nesse caso, é o nome de Ronaldo Caiado.

Aqui já ficou claro que a razão de uma aposta num candidato como Eduardo Leite tem a ver com coragem. Coragem de enfrentar os esquemas que se nutrem dessa polarização para manter as estruturas intocadas. Estruturas essas que são cada vez mais questionadas pelo eleitor e que estão bastante evidentes nas últimas pesquisas publicadas sobre grau de confiança nas instituições.

De qual aposta estamos falando então? De simplesmente correr o risco de perder as eleições ou de vedar o debate sobre o aprimoramento real da nossa democracia, incluindo aí o papel dos partidos políticos que muitas vezes se assemelham a organizações piramidais onde só o chefe pode determinar o que pode ou não acontecer?

Entendo que Kassab tem a oportunidade de demonstrar sua capacidade de visão de futuro e demonstrar que está acima do papel que exerce no momento, de ultrapassar a função de um simples chefe de partido e se tornar realmente em uma liderança para novos tempos sem a polarização estiolante que vivemos no país. É a grandeza que se espera.

A candidatura Leite não é uma aposta apenas na vitória, apesar dela ser o norte que baliza a decisão do partido. Ela é uma aposta na liderança que precisamos para poder reconectar a política profissional com as pessoas comuns. Cabe ao partido e seu chefe reconhecerem que isso deve ser o papel fundamental de uma instituição política.

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Eleições 2026: Manifesto do movimento Livres da Polarização - Revista Inteligência Democrática

É hora de Eduardo Leite

Manifesto do movimento Livres da Polarização

O Brasil precisa sair do impasse político que aprisiona o país há anos. A polarização entre populismos - não importa que se digam de esquerda ou de direita - empobrece o debate público, tribaliza e sectariza a sociedade e impede que o país enfrente seus verdadeiros desafios.

Essa lógica do “nós contra eles”, alimentada pelos populismos, substitui ideias por identidades políticas rígidas, transforma adversários em inimigos e bloqueia soluções modernas para problemas reais: desenvolvimento econômico sustentável, redução das desigualdades, qualidade da educação, segurança pública e fortalecimento das instituições democráticas.

O movimento Livres da Polarização nasce da convicção de que o Brasil é maior do que essa disputa estéril. Queremos construir uma alternativa democrática, reformista e responsável — comprometida com a liberdade, a justiça social, a economia moderna e o respeito às instituições. Uma alternativa que tenha coragem de enfrentar os erros dos populismos, sejam ditos de esquerda e de direita.

Para isso, o país precisa de uma liderança nova, que não esteja vinculada politicamente a nenhuma dessas duas forças que dominam e atrasam o debate nacional, mas que seja capaz de dialogar com diferentes correntes democráticas e reunir brasileiros cansados da guerra ideológica permanente.

Nesse contexto, ganha força o nome de Eduardo Leite. Político liberal de formação democrática, ele representa uma síntese moderna entre responsabilidade fiscal, compromisso social e respeito às liberdades democráticas. Sua trajetória demonstra capacidade de diálogo, construção de consensos e liderança reformista.

Sua candidatura tem potencial para reunir setores de várias orientações políticas, que não pensam da mesma maneira, mas que podem se aglutinar em torno de um mesmo propósito, formando uma maioria política que represente o Brasil real: trabalhadores, empreendedores, jovens, profissionais e cidadãos que desejam caminhar para frente e não para os lados em eterno confronto.

Eduardo Leite expressa a possibilidade de superar a polarização e construir um novo ciclo político no país, baseado em reformas, responsabilidade democrática e reconciliação nacional. Desperdiçar essa oportunidade de ouro neste momento frustrará as melhores expectativas da sociedade brasileira.

O Brasil precisa virar essa página. E milhões de brasileiros que rejeitam a política tóxica da polarização começam a se reconhecer nessa alternativa.

Livres da Polarização, 24 de março de 2026...

El «corolario Trump» quiere controlar los recursos y la política de América Latina. No hay garantías de que tenga éxito - Mariano Aguirre Ernst CIDOB

El «corolario Trump» quiere controlar los recursos y la política de América Latina. No hay garantías de que tenga éxito
Mariano Aguirre Ernst
CIDOB, 3/2026
https://www.cidob.org/ca/publicacions/corolario-trump-quiere-controlar-recursos-politica-america-latina-no-hay-garantias

La relación entre Estados Unidos y América Latina ha cambiado radicalmente en los 90 días que van desde el 5 de diciembre pasado, cuando se publicó la nueva Estrategia de Seguridad Nacional (NSS), y la reunión celebrada el 7 de marzo en Florida entre el presidente Donald Trump con 10 presidentes latinoamericanos, una primera ministra y el futuro primer mandatario chileno.

En enero, tras un despliegue militar en el Caribe, Washington secuestró a Nicolás Maduro, presidente de Venezuela e impuso al gobierno de Caracas condiciones favorables a los intereses de Estados Unidos. A continuación, estrechó el bloqueo a Cuba, prohibiendo la llegada de barcos petroleros a la isla, mientras explora un «cambio de orientación del régimen» como hizo en Venezuela.

En marzo lanzó una operación conjunta de fuerzas ecuatorianas y estadounidenses contra el narcotráfico, sin olvidar las regulares amenazas a México de intervenir con fuerzas especiales contra el crimen. Esto provocaría una crisis de legitimidad a la presidenta Claudia Sheinbaum.

Regreso de los soberanistas

Durante varias décadas América Latina ocupó un lugar secundario, por detrás de Oriente Medio, Europa y Asia, en las prioridades de la política exterior de Washington. Sin embargo, en su segunda presidencia Trump la ha situado en primera línea. Su Administración ha revivido la idea de que Estados Unidos debe controlar «el hemisferio».

A principios del siglo XX, mientras se producía la expansión imperial estadounidense, una serie de ideólogos denominados «soberanistas» plantearon que el país debía tener plena libertad frente a los acuerdos e instituciones internacionales que amenazaban con limitar la jurisdicción soberana y la gobernanza de Estados Unidos, especialmente en el denominado hemisferio occidental.

La nueva Estrategia de Seguridad Nacional de Estados Unidos, al igual que su Estrategia de Defensa Nacional (publicadas en noviembre de 2025 y enero de 2026) proyectan controlar el hemisferio política, económica, comercial y militarmente. Se trata del «corolario Trump» a la Doctrina Monroe, una política de 1823 que establecía que las potencias europeas no debían intervenir en América Latina. Esta doctrina allanó el camino para la preeminencia de Estados Unidos en la región hasta el siglo XX.

Según el “corolario Trump”, Estados Unidos tiene derecho a resucitar la Doctrina Monroe. Para ello, reajustará su presencia militar en la región, aumentará las fuerzas navales para controlar rutas migratorias y tráficos ilícitos, y llevará a cabo despliegues en las fronteras. Además, utilizará su «sistema militar superior al de cualquier otra nación del mundo» para obtener acceso a los recursos energéticos y minerales.

La NSS quiere un hemisferio «libre de incursiones o propiedad de activos clave por parte de potencias extranjeras hostiles» (en referencia a China), controlar «las cadenas de suministro críticas», y garantizar «el acceso continuo a ubicaciones estratégicas».

Estados Unidos debe ser «preeminente en el hemisferio occidental como condición para [su] seguridad y prosperidad [...] permitiéndo[le] imponer[se] con confianza donde y cuando sea necesario». Con este fin, se llevarán a cabo «despliegues específicos para asegurar la frontera y derrotar a los cárteles».

En la estrategia y las políticas de la Administración Trump, la migración está relacionada con los delitos asociados al tráfico de drogas y con el control fronterizo. La NSS advierte de que los flujos migratorios conducirán a la «desaparición de la civilización» en Europa, y que esto debe evitarse en el hemisferio. Los inmigrantes latinos son un objetivo central. Estos son los puntos de vista de ideólogos del movimiento Make America Great Again (MAGA), como el subjefe de gabinete para políticas, Stephen Miller, y el vicepresidente JD Vance.

La NSS afirma que se «ampliarán» las alianzas con gobiernos afines para cooperar en la lucha contra «los narcoterroristas, los cárteles y otros criminales transnacionales» y para «que nos ayuden a detener la migración ilegal y desestabilizadora».

La reunión de Trump con una decena de presidentes, a la que no fueron invitados los de Brasil, Colombia y la presidenta de México, reafirmó la necesidad de cooperar militarmente frente a estas «amenazas». En el encuentro que Trump tuvo con el presidente colombiano Gustavo Petro en febrero pasado le habría urgido a que las fuerzas armadas colombianas cooperen con las venezolanas (del gobierno de Delcy Rodríguez), ecuatorianas y peruanas en la guerra contra el crimen.

Extrañas prioridades

La NSS presta mucha más atención a la migración y al crimen organizado en el hemisferio que a otras cuestiones de seguridad global como los retos que plantea China, la guerra en Ucrania, los arsenales nucleares, las estrategias militares de Beijing y Moscú, y las relaciones con Europa, Japón y Australia.

En sus pasajes sobre el hemisferio occidental, la NSS es confusa y presenta omisiones sorprendentes. En las referencias (en 5 de las 31 páginas) al «hemisferio occidental», el documento solo se ocupa de América Latina, sin mencionar a Canadá (que, según Trump, debería aceptar ser anexionado por Estados Unidos). Asimismo, no aborda las relaciones con México o Brasil, ni el colapso de Haití.

Pero, reafirmando la visión hemisférica, en enero Trump lanzó una ofensiva discursiva para apoderarse de Groenlandia, territorio autónomo de soberanía danesa. Este paso, unido a sus intenciones de volver a controlar el Canal de Panamá, indica una interpretación ampliada de lo «hemisférico», desde el Polo Norte al Polo Sur.

Juan Gabriel Tokatlian (Universidad Torcuato di Tella, Argentina), recuerda que «Los países latinoamericanos y caribeños miembros del Tratado Interamericano de Asistencia Recíproca (TIAR) de 1947 tienen la posibilidad», y sería diplomáticamente concebible, «de apelar a ese acuerdo para tratar las amenazas de Estados Unidos de apoderarse de Groenlandia».

Pero Trump quiere acceder a los recursos sin respeto por tratados ni compensaciones, coaccionando en lugar de negociar con las élites locales (mediante guerras arancelarias y recortes en la ayuda al desarrollo), proporcionando fondos a gobiernos afines (como ha hecho con Argentina), y realizando intervenciones militares limitadas.

Este enfoque contrasta con el de China, que lleva más de dos décadas proporcionando inversiones y créditos a cambio de acceso a los recursos, sin imponer condiciones.

La reacción de América Latina

En la visión de Trump, América Latina tiene que elegir entre Estados Unidos y China. Sin embargo, la región tiene otras opciones, como son incrementar sus relaciones con Europa y potencias emergentes del Sur. La respuesta de los gobiernos, especialmente los países más fuertes, como Brasil y México, será no romper con Washington sino diversificar sus relaciones y fomentar la desdolarización de los intercambios comerciales.

La unidad regional es muy débil, y el impacto político del Corolario Trump será negativo, entre otras cuestiones, porque promoverá la autonomía de los militares respecto del poder civil. Pero, en la medida que ni las políticas ultraconservadoras locales ni la Doctrina Monroe 2.0 tienen interés en cuestiones como la desigualdad, la exclusión, el impacto de la crisis climática, y la participación democrática es dudoso que el proyecto MAGA aplicado a la región pueda imponerse. Aunque eso requerirá, como le ocurre a Europa, que los actores democráticos de la región refuercen y establezcan nuevas políticas de alianzas en otras partes del sistema internacional.

Palabras clave: Trump, corolario, América Latina, Estrategia de Seguridad Nacional, Estados Unidos, recursos, Venezuela, Doctrina Monroe, Groenlandia, Argentina

E-ISSN 2014-0843

Mariano Aguirre Ernst, investigador sénior no residente, CIDOB; investigador asociado del Programa de Seguridad Internacional, Chatham House; y asesor del Centro Regional de Paz y Seguridad de la Fundación Friedrich Ebert
Este artículo es una actualización de una versión previa publicada en Chatham House.

Como se faz um presidente - Bernardo Mello Franco (O Globo)

 Mais uma biografia de Lula:


Como se faz um presidente
Bernardo Mello Franco
O Globo
, domingo, 29 de março de 2026

Chega nesta semana às livrarias a segunda parte da biografia de Lula escrita por Fernando Morais. O novo volume narra o período entre a campanha das Diretas e a conquista do Planalto. É uma história de persistência. O ex-metalúrgico perdeu três disputas presidenciais até vencer a quarta, em 2002.

A escalada começou em 1989, na primeira eleição direta pós-ditadura. Forjado na luta sindical, o candidato do PT assustou as elites com ideias tachadas de radicais. Falava em reforma agrária, tabelamento de lucros, suspensão do pagamento da dívida externa.

Depois de superar Leonel Brizola por menos de 500 mil votos, Lula passou ao segundo turno contra Fernando Collor. Na reta final, deixou-se abater por golpes abaixo da cintura. Os mais duros foram desferidos por Miriam Cordeiro, mãe de sua filha Lurian, na propaganda de TV do adversário.

Derrotado, Lula assistiu de camarote ao escândalo que derrubou Collor. Depois recusou-se a participar do governo de Itamar Franco e começou a costurar uma chapa com Tasso Jereissati, do PSDB. O petista entrou em 1994 como franco favorito. “Durante os primeiros meses da campanha, Lula era o virtual presidente da República, sem nada no horizonte que pudesse ameaçar a vitória que parecia ao alcance da mão”, escreve Morais.

Tudo mudou com o lançamento de uma nova moeda, que catapultaria a popularidade do ministro Fernando Henrique Cardoso. “O Plano Real passou por cima da candidatura de Lula como um trem descontrolado”, resume o biógrafo. Atordoados, os petistas tentaram desacreditar o plano como “cruzado dos ricos” e “estelionato eleitoral”. A aposta se mostrou desastrada, e o tucano venceu no primeiro turno.

O novo fiasco quase levou o ex-metalúrgico a desistir do sonho presidencial. “Eu é que sei o sofrimento que foi”, desabafa Lula a Morais. “Perdi e falei para mim mesmo: porra, não dá mais, vou desistir disso”. Frustrado, ele se afastou da direção do partido e disse que não seria mais candidato. Mudou de ideia para montar uma chapa com Brizola, seu antigo rival na disputa pelos votos da esquerda.

A campanha de 1998 começou com o PT em ebulição. Com a aliança em risco, Lula ordenou uma intervenção no diretório do Rio para barrar a candidatura de Vladimir Palmeira e impor o apoio a Anthony Garotinho, do PDT. “Não posso ser candidato pela terceira vez apenas para marcar posição”, justificou. A economia patinava, mas FH manteve o real sobrevalorizado e venceu de novo no primeiro tuno.

Em 2002, Lula abraçou o pragmatismo e conduziu uma guinada do PT ao centro. Exigiu a contratação do marqueteiro Duda Mendonça, uniu-se ao empresário José Alencar e beijou a cruz do mercado com a “Carta ao povo brasileiro”. Morais reconstitui a reunião com Valdemar Costa Neto que formalizou a aliança PT-PL, impensável nos dias de hoje. Mais tarde, o acerto financeiro entre os dois partidos ficaria conhecido como a origem do mensalão.

Na quarta tentativa, Lula finalmente chegou lá. Sem disfarçar a admiração pelo biografado, o biógrafo conclui o livro em tom épico: “Em mais de cem anos de República, pela primeira vez um operário iria ocupar a Presidência do Brasil”.

Kant, uma revolução no pensamento, de Marcus Willaschek - Hélio Schwartsman (Folha de S. Paulo)

Kant, uma revolução no pensamento

Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo, 29/03/2026

Livro que transita entre comentário e biografia consegue tornar claras ideias do filósofo

Embora seja um autor do século 18, Kant segue sendo referência em temas como ética e direitos humanos

É difícil dizer se Kant: a Revolution in Thinking, de Marcus Willaschek, deve ser classificado como um comentário da obra do filósofo ou como uma biografia. Qualquer que seja o veredicto, Willaschek faz as duas coisas muito bem.

É impressionante como o livro consegue tornar claras as ideias de Kant, uma tarefa em que muitas vezes o próprio filósofo prussiano fracassava. E não porque Willaschek fuja dos pontos mais desafiadores. "Kant..." cobre praticamente toda a obra, sem nos poupar das passagens mais abstratas e difíceis da "Crítica da Razão Pura". É claro que especialistas poderão apontar lacunas, mas o livro resolve bem os problemas de leitores comuns, movidos só pelo "sapere aude!" (ouse saber) e sem pretensão de escrever uma monografia sobre o filósofo de Königsberg.

Mais do que apenas explicar, Willaschek também procura mostrar em que medida o pensamento de Kant, um autor do século 18, mudou a filosofia europeia e por que, em certos temas, como ética, direitos humanos e relações internacionais, conserva relevância até hoje.

Se o item mais valioso em "Kant..." são as explicações, a parte mais divertida está nos apontamentos biográficos. A passagem dos séculos legou a Kant a imagem de um filósofo impenetrável, sisudo e metódico, que morreu virgem. Metódico ele era. Willaschek conta como surgiu a lenda segundo a qual a população de Königsberg acertava seus relógios pela hora em que Kant saia para seu passeio. Mas ele também era, contra as expectativas, uma figura sociável, que chegou a ser perseguido pelas mulheres. Também era um bom contador de piadas. O livro reproduz algumas, mas já alerto que o humor do século 18 não envelheceu muito bem.

Willaschek resiste à tentação de endeusar seu objeto de estudo. Ele não se furta a levantar pontos fracos de Kant, que aparecem em declarações antissemitas, racistas e misóginas. Não cai nos anacronismos típicos de nossa época, mas observa que são um problema para quem defendia uma noção radical de igualdade.

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