segunda-feira, 11 de maio de 2026

White House Blues - Jorio Dauster (Relatório Reservado)

 White House Blues

Jorio Dauster
Relatório Reservado, 11/05/2026
Sobre o encontro Lula-Trump

Para desespero da extrema direita brasileira – em especial daqueles reles antipatriotas que já sonharam em ter acesso indiscriminado à Casa Branca – a visita de Lula a Washington superou as melhores expectativas do Planalto e de muita gente que simplesmente temia algum desastre nacional do tipo 7 x 1. Isso ficou visível desde o cumprimento afável na chegada (sem aquele “abraço de urso” que esconde um gesto de supremacia pessoal), até os elogios posteriores do presidente norte-americano (caracterizando o nosso como “bom”, “dinâmico” e “inteligente”). Com a duração inesperadamente longa de três horas, o encontro inquestionavelmente positivo permitiu um exame superficial de temas geopolíticos, mas se concentrou, como era correto, nas questões relativas aos minerais críticos, luta contra as facções criminosas e comércio bilateral.

No entanto, como certamente Donald Trump não estava interessado apenas em proporcionar um santinho eleitoral para Lula em que os dois aparecem sorrindo, cabe analisar de início por que foi feita a “convocação” numa sexta-feira para um encontro realizado seis dias depois, o que lhe conferiu certo caráter de urgência. A menos que as pessoas acreditem em coincidências que beiram as raias do absurdo, a única explicação plausível que me ocorre tem a ver com a ausência na reunião do Secretário Marco Rubio, que não poderia deixar de participar da visita do principal mandatário da América Latina. No entanto, como ele se encontrava em visita ao Papa (!) e não foi substituído na comitiva de Trump por nenhum funcionário do Departamento de Estado (hoje comandado por radicais da direita), deixaram de constar da pauta as espinhosas questões da Venezuela e de Cuba, aparentemente suscitadas por Lula num oferecimento de mediação que também não parece ter encontrado eco.

Como também não estiveram presentes as queixas dos grandes bancos e das big techs sobretudo com respeito ao Pix, antes vistas como assuntos de fundamental interesse para o vizinho do Norte, cumpre reconhecer que, após ano e meio de turbulências causadas por Trump, ele agora desejava “normalizar” as relações com o Brasil dando ênfase às matérias econômicas. Sinal claro disso foi o fato de se fazer ladear pelo vice. J.D. Vance e pela Chefe de Gabinete. Susie Wiles, mas operacionalmente apenas por Scott Bessent (Secretário do Tesouro), Howard Lutnick (Secretário de Comércio) e Jamieson Greer (USTR – Representante de Comércio dos Estados Unidos).

Até aí tudo bem, tudo normal… Mas será só isso mesmo? Tendo que lidar com graves problemas bélicos no exterior e crescentes dificuldades políticas no cenário interno, o que levaria Trump nesse exato momento a fazer acontecer uma reunião anunciada desde março e que parecia dormitar nas gavetas dos dois países sem nada que exigisse solução a curto prazo? Num raciocínio diabólico, será que Trump desejava aproveitar o momento de fraqueza de Lula, com a derrota da indicação de Messias e a rejeição de seu veto à lei da dosimetria? Será que queria dar um boost fenomenal a seu adversário bolsonarista, interferindo na eleição presidencial como muitos desejavam na direita e outros tantos temiam na esquerda? Ah, mas se fosse assim por que razão, como dono da casa, Trump teria aceitado gostosamente o pedido brasileiro para abrir mão daquele famoso encontro prévio no Salão Oval onde já humilhou mais de um visitante internacional? E só existe uma resposta válida para isso: simplesmente porque não tinha tal intenção, porque seu objetivo era, pelo contrário, mostrar ao mundo (aos europeus?) que é possível manter um relacionamento produtivo e respeitoso até com governantes que defendem ostensivamente posturas contrárias à sua visão imperialista do mundo.

Ótima explicação, não é mesmo? Dessas que fazem a alegria das chancelarias em seus comunicados de imprensa, dos comentaristas na mídia, dos inocentes de plantão. Mas será mesmo só isso? A montanha pariu o rato de um grupo de trabalho que tem 30 dias para afinar os instrumentos na orquestra da seção 301? O tempo provavelmente deve fornecer uma explicação mais satisfatória, porém até lá vale a pena contemplar duas hipóteses que atendem basicamente aos interesses de Trump.

A primeira tem a ver com sua acelerada perda de popularidade, até mesmo nas hostes republicanas, à medida que se aproximam as cruciais eleições de meio de mandato. Reconhecendo que, com exceção da Venezuela, suas aventuras no exterior fracassaram e têm crescente impacto inflacionário, Trump estaria disposto a adotar um postura internacional menos agressiva, de que são exemplos seus ansiosos esforços para cessar as hostilidades no Irã, na Ucrânia e no Líbano. Com relação ao Brasil, além de saber que os ataques a Lula saem pela culatra, Trump conhece bem o que significa para seus compatriotas o preço do café e da carne para hambúrguer, não havendo de fato justificativa alguma para punir um parceiro que tem déficit tradicional nas trocas comerciais e financeiras com os Estados Unidos. Nesse cenário mais benigno, a invasão de Cuba seria vista como mais uma de suas típicas bazófias, talvez cedendo lugar aos entendimentos informais que vêm sendo conduzidos na ilha inclusive por portadores do sobrenome Castro.

A segunda hipótese, que não conflita com a primeira, tem a ver com as famosas terras raras ou minerais críticos em geral. Pautado pela recente decisão da Câmara de Deputados em favor da multilateralidade internacional na exploração desses produtos, Lula já chegou a Washington sem precisar combater eventualmente a esdrúxula ideia de exclusividade norte-americana que circulava como balão de ensaio. Por outro lado, como mera coincidência ou não, tem se falado que a LHG Mining, braço de mineração dos irmãos Batista, vem discutindo com a Vale um investimento conjunto nessa área, o qual poderia – quem sabe? – vir a incluir algum grande parceiro norte-americano sócio de Jared Kushner. E, por fim, Trump visitará Xi nos dias 14 e 15 do corrente mês, curiosamente tornando realidade um encontro também anunciado em março, mas no qual, além de Ormuz, as terras raras serão objeto de intenso debate. Como China, Brasil e Estados Unidos detêm as maiores reservas mundiais dessas matérias estratégicas, somos parte essencial desse comboio que ditará o futuro da humanidade.

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Meu comentário direto a Jorio Dauster:

Excelente descrição de uma discussão que de fato não ocorreu, apenas figuração de uma parte e outra. Os perdedores foram os bolsonaristas e a turma da direita de modo geral, que esperavam nova ofensiva contra Lula e o Brasil, agora elevados à condição de interlocutores quase de par a par.
Mas, ainda não temos informações sobre o que de fato ocorreu, todos os jornalistas frustrados, e apenas o relato de Lula na embaixada. O que temos, portanto, são narrativas, e já ouvi o porta-voz da extrema direita, Paulo Figueiredo, querendo afirmar que a visita foi um fracasso completo.
Não foi, apenas permanece um impasse, mas amplamente favorável ao Brasil, pois que se desarmou o tacape trumpista. Mas, provavelmente haverá alguma maldade na 301, que terá de ser absorvida por nós, pelo Alckmin.
Se assegurou que não haverá intervenção trumpista nas nossas eleições, o que é um zero a zero. Repare que em 1964 (e até antes) eles interviram para favorecer os golpistas. Em 2022, Biden fez a sua pequena intervenção (Sullivan e Burns vieram ao Brasil) para evitar um golpe em preparação. Já é um progresso. Com Trump, havia anúncios de borrasca. Agora acho que não virá mais, mesmo que a dupla Bananinha-Figueiredo atue junto ao Departamento de Estado para acirrar os ânimos.
Stalemate por enquanto, vamos ver quanto tempo dura…
O abraço do
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11/05/2026

PREFÁCIO DE WILSON GOMES AO LIVRO DE ANTONIO RISÉRIO: "ADEUS, IDENTITARISMO"...

 PREFÁCIO DE WILSON GOMES AO LIVRO  DE ANTONIO RISÉRIO: "ADEUS, IDENTITARISMO"...


Recebi com verdadeira lisonja o convite para prefaciar este livro. Não apenas pela honra formal do gesto, mas sobretudo pelo que ele implica: apresentar ao leitor uma obra de Antonio Risério, autor que admiro há muito tempo pela vastidão incomum de sua cultura, por uma erudição que não se deixa aprisionar por especializações estreitas nem pela compartimentação acadêmica e que se estende, com a mesma familiaridade, da tradição intelectual erudita à cultura popular brasileira. Há, em Risério, algo cada vez mais raro: uma curiosidade intelectual sem cercas, uma inteligência que transita com igual desenvoltura pela antropologia, pela história, pela crítica cultural, pela música, pela literatura e pela política, sem jamais converter essa circulação em exibicionismo ou capital simbólico de ocasião. Some-se a isso uma coerência intelectual que é pouco frequente em tempos de oportunismo moral, uma honestidade que não se ajusta às conveniências do momento e um brilho de escrita que combina precisão conceitual, ritmo, ironia e coragem. Prefaciar este livro, portanto, não é um gesto protocolar nem uma deferência amistosa, mas um exercício de responsabilidade intelectual diante de uma obra que não pede cumplicidade confortável nem adesão automática e que tampouco oferece ao leitor a tranquilidade enganosa das posições consensuais.

Adeus, Identitarismo é, antes de tudo, um gesto. Um gesto intelectual e político no sentido mais forte do termo: uma intervenção deliberada no debate público, feita sem cálculo de recepção, sem anestesia retórica e sem concessões ao clima moral dominante. Não se trata de um texto concebido para agradar, seduzir ou pacificar, tampouco de um livro que aspire a reconciliar posições inconciliáveis. Ao contrário, é uma obra que assume desde a primeira página o risco do confronto e da impopularidade e que faz disso não um efeito colateral indesejado, mas parte constitutiva de sua estratégia discursiva. O livro não pede licença para existir nem se justifica preventivamente diante de seus possíveis acusadores; escreve como quem já não reconhece a legitimidade do tribunal moral que se pretendeu instalar como instância suprema de julgamento intelectual.

Sob esse aspecto, trata-se de um último gesto de insubordinação diante da hegemonia identitária, que considera declinante: uma recusa a que a lida intelectual com o identitarismo continue a merecer seu tempo e esforço; uma rejeição à ideia de que a oposição ao autoritarismo identitário deva definir sua identidade. Nesse sentido, o livro parece dizer, da primeira à última seção: “encerramos aqui; basta disso”.

No plano explícito, a obra se propõe a uma crítica frontal do identitarismo contemporâneo, especialmente em sua versão universitária, moralizante e punitiva, frequentemente designada pelo rótulo woke. Risério interpreta esse fenômeno como uma forma específica de autoritarismo político-cultural, importada do ambiente acadêmico norte-americano e transplantada para o Brasil de modo acrítico, como se experiências históricas, sociais, culturais e políticas profundamente distintas pudessem ser substituídas por esquemas conceituais prontos, slogans morais e categorias simplificadoras. O próprio autor define o texto como um réquiem, ainda que “abrindo-se ao final à esperança”: uma tentativa de registrar o esgotamento histórico de um movimento que, depois de duas décadas de hegemonia simbólica em universidades, redações, setores culturais, fundações, empresas e parte do aparato estatal, começa a dar sinais claros de fadiga, erosão e perda de legitimidade social.

Mas o livro entrega mais do que anuncia. Para além da crítica ideológica, Adeus, Identitarismo funciona como documento de época, como dossiê comentado e como testemunho intelectual. Ao reunir fragmentos de textos, citações extensas, episódios públicos, polêmicas, nomes próprios, campanhas de difamação, perseguições e cancelamentos, Risério constrói um arquivo crítico de um ciclo histórico específico do debate público brasileiro. O livro registra práticas e discursos que dificilmente sobreviveriam ao apagamento seletivo da memória pública ou à reescrita moralizante da história recente, sempre pronta a absolver os vencedores simbólicos do momento. Nesse sentido, ele não apenas argumenta contra o identitarismo, mas preserva evidências do modo como esse fenômeno operou concretamente, com seus dispositivos de intimidação, silenciamento, chantagem moral, coerção simbólica e corrosão deliberada das condições mínimas do pluralismo democrático.

Há também, de maneira indissociável, uma dimensão autobiográfica e testemunhal. O autor não se esconde atrás de abstrações nem fala de um lugar neutro ou asséptico. Ao contrário, assume explicitamente o lugar de quem foi alvo de ataques, ameaças, exclusões e tentativas sistemáticas de silenciamento. Quando escreve sobre cancelamento, por exemplo, não o faz como categoria sociológica distante, mas como experiência vivida, observando que “cancelar” é tentar “sepultar uma pessoa ainda em vida”. Essa dimensão confere ao livro uma densidade existencial particular: não estamos diante de ressentimento, mas de estupefação e desalento — o espanto legítimo de qualquer liberal-democrata ao constatar o grau de brutalidade, intolerância e toxicidade moral que passou a caracterizar práticas identitárias apresentadas como progressistas, emancipadoras ou humanistas.

É justamente nesse ponto que se revela, de modo exemplar, o método ensaístico e imaginativo de Risério, baseado na bricolage de citações e na montagem de vozes diversas para iluminar um mesmo fenômeno. Um dos trechos mais expressivos do livro surge quando o autor discute o cancelamento. Partindo de um artigo de Laura Greenhalgh, no Valor Econômico, Risério destaca a observação de que “nessa máquina de triturar reputações, quem é cancelado, de fato, é o indivíduo, não uma ideia, uma tese, uma visão de mundo”. Em seguida, incorpora uma advertência de Barack Obama, dirigida a jovens norte-americanos, segundo a qual “cancelamentos não são uma forma de ativismo. Nem um chamado para a mudança. […] Apontar falhas alheias, apenas para se sentir bem, não faz sentido”. A montagem se completa com o raciocínio de Utpal Dholakia, para quem o cancelamento não se baseia em critérios equilibrados de transgressão, nasce enviesado ao admitir apenas um ângulo moral, restringe a liberdade de expressão por coerção ou censura, gera punições desproporcionais e alimenta a intolerância, constituindo “uma grave ameaça para as sociedades democráticas”. O fechamento interpretativo é todo de Risério: o cancelamento como gozo perverso de destruir o outro, prazer em humilhar, sadismo social, reação patológica à frustração e à humilhação. Nesse pequeno mosaico, vê-se condensado não apenas o argumento, mas o próprio estilo do livro: pensar por montagem, iluminar por contraste, fechar com uma interpretação desassombrada.

Outro eixo decisivo da obra — e talvez um dos mais importantes politicamente — é a crítica à renúncia progressiva, por parte da esquerda identitária, à ideia mesma de país. Risério insiste, em vários momentos, na defesa de soluções tipicamente nossas para a convivência das diferenças, historicamente construídas no Brasil, em contraste com modelos importados que tratam a sociedade como campo de guerra moral permanente. É nesse contexto que surge uma frase lapidar, quase um aforismo civilizacional: “É tarde demais, muito tarde, para abrir mão de nosso país”. A frase concentra uma posição intelectual e política clara: não se trata de negar conflitos, desigualdades ou injustiças históricas, mas de recusar a tentação destrutiva de abandonar o país real em nome de abstrações morais importadas. Abrir mão do país — de sua história, de suas ambiguidades, de suas formas imperfeitas, porém efetivas, de convivência — é, para Risério, um gesto de desistência política e cultural.

Essa crítica se articula de maneira particularmente feliz com uma citação de César Benjamin, incorporada pelo autor, que ajuda a compreender o mecanismo pelo qual parte da esquerda construiu identidades reativas, definidas menos por projetos afirmativos do que pela negação sistemática de tudo o que soa como comum, nacional ou compartilhado. Benjamin observa que, para nos diferenciarmos do mito do brasileiro pacífico e cordial, inventamos frequentemente o contramito do brasileiro violento e sanguinário; que, em reação ao mito do Brasil Grande, caro ao regime militar, jogamos fora o próprio conceito de nação; que ao mito da democracia racial respondemos com o contramito de uma sociedade essencial e visceralmente racista. Constitui-se, assim, um olhar carregado de negatividade — pois as identidades reativas são, por definição, negativas — e essa negatividade passa a se apresentar como radicalidade. O resultado, conclui Benjamin, é um “círculo de ferro” que interdita qualquer aproximação amorosa com o Brasil.

Essa passagem é central para compreender o alcance do livro. O que Risério denuncia não é apenas um conjunto de excessos discursivos, mas um verdadeiro empobrecimento da imaginação política, incapaz de pensar o país fora do registro da culpa, da denúncia e da acusação permanente. Ao romper com esse circuito negativo, Adeus, Identitarismo reafirma a possibilidade — e a necessidade — de uma relação crítica, mas não hostil, com o Brasil real, com sua história concreta e com suas formas próprias de administrar conflitos e diferenças.

Do ponto de vista formal, tudo isso se inscreve num livro deliberadamente difícil de classificar segundo os gêneros tradicionais. Não é um tratado, não é um ensaio acadêmico clássico, tampouco uma monografia organizada por hipóteses e demonstrações lineares. O próprio Risério descreve o texto como um “ensaio-colagem”, quase um mosaico, em que fragmentos se justapõem segundo um princípio não linear. O leitor encontrará uma bricolagem de reflexões, citações, comentários, memórias pessoais, ataques frontais e diagnósticos culturais, articulados menos pela progressão lógica do argumento do que pela acumulação insistente de exemplos e retornos temáticos.

Há algo de ensaio, algo de panfleto culto, algo de libelo — no sentido clássico do termo, como escrito de acusação pública — e algo de escrita de maturidade radical, própria de um autor que já não escreve para preservar capital simbólico, agradar pares ou negociar posições institucionais. A linearidade cede lugar à recorrência; a diplomacia, à franqueza; a mediação, ao enfrentamento. O efeito buscado não é o da persuasão gradual, mas o da interpelação direta.

Não se trata, contudo, de um livro escrito para qualquer leitor. O leitor implícito da obra não é o militante identitarista, mas aquele que ainda acredita na democracia liberal, no pluralismo, no dissenso legítimo e na possibilidade de convivência entre diferenças sem recorrer à coerção moral. Um leitor simpático às premissas encontrará prazer intelectual na leitura; um leitor adversário tenderá a rejeitá-la. Ainda assim, o livro cumpre sua função maior: dizer com clareza onde estamos e com quem já não podemos contar.

Não há dúvida de que se trata de uma obra de maturidade. Mas não no sentido de um livro que fecha portas. As portas já foram fechadas, as pontes demolidas, os navios queimados. O livro apenas registra, com lucidez e sem autoengano, essa clausura já consumada — e afirma algo ainda mais importante: que é possível manter autonomia intelectual e moral mesmo quando já não se pode contar com os identitarismos de esquerda, definitivamente perdidos para o autoritarismo e a intolerância, na reconstrução de um debate público baseado em pluralismo, dissenso e tolerância ou na elaboração de um projeto comum para o futuro.

Trata-se, por fim, de um livro honesto, franco e desassombrado. Um livro que não disfarça suas teses, não recua diante das consequências e não aceita o enquadramento moral imposto pelo próprio objeto que critica. Ao recusar a linguagem, os pressupostos e as chantagens simbólicas do identitarismo, Risério preserva algo cada vez mais raro: a independência intelectual. Concorde-se ou não com suas conclusões, é difícil negar que estamos diante de uma obra que diz claramente o que pensa, assume o preço disso e se recusa a pedir desculpas por pensar. Em tempos de prudência excessiva e medo de desagradar, essa clareza talvez seja, ela própria, uma das razões mais fortes para ler este livro.

Putin’s regime will 'end suddenly' - Why Russian victory is now impossible - Major General Chip Chapman (The Sun)

Putin’s regime will 'end suddenly' - Why Russian victory is now impossible
The Sun, May 10, 2026

Is Vladimir Putin’s grip on power slipping?

In this exclusive interview, Major General Chip Chapman, former Senior British Advisor to US Central Command, reveals why the Kremlin is more fragile than it appears.

As Russia faces staggering losses of over 1,400 men per day and a 'transparent battlefield' that has rendered traditional military manoeuvres impossible, Chapman argues that the regime is entering a 'death spiral'

We dive deep into the 'mafia state' dynamics of the FSB, the likelihood of an elite-led coup, and the terrifying prospect of a 'Bosnia with nukes' should the Russian Federation fracture. Chapman breaks down the three conditions that lead to a regime’s sudden collapse and explains why the person who replaces Putin might be even more dangerous for the West.
https://www.youtube.com/watch?v=KBXGlfe9PW8

Palestra de Edmar Bacha sobre reformas na economia brasileira - Projeto Brasil (Instituto Ética e Democracia)

 Nesta segunda-feira, dia 11 de maio, o economista Edmar Bacha deve participar de um debate sobre a economia do Brasil e o futuro da nação. Não tenho certeza de, estando em viagem, poder seguir esse debate – cujo texto-base, preparado por Edmar Bacha, e os dados do evento seguem abaixo – mas gostaria de oferecer minhas observações sobre suas propostas.

Elas são basicamente três: o acordo Mercosul-UE como ponto de partida para acordos comercias mais amplos com outros países; a abertura econômica e a liberalização comercial, no Brasil e no Mercosul, e uma reforma tributária para reduzir a carga fiscal sobre as atividades produtivas. Tenho dúvidas de que essa tripla reforma seja conduzida no próximo governo, qualquer que seja ele, de esquerda ou de direita.
Mas, vou elaborar mais a respeito. PRA

*Edmar Bacha – palestrante*

Debatedores:

• *Sérgio C. Buarque*

• *Jorge Jatobá*

Segue o link da live:

https://www.youtube.com/live/cace95aw9Gk

Segue o link, para a leitura do texto-guia do debate:

https://bit.ly/3RoaA7a



Os Coordenadores

*IED | Instituto Ética e Democracia*

Conhecimento para o Fortalecimento da Democracia

www.eticademocracia.org

*Movimento Roda Democrática*

https://web.facebook.com/groups/1699905363358128

*Ateliê de Humanidades*

https://ateliedehumanidades.com/

O relatório secreto de Nikita Khrushchev sobre os crimes de Stalin - Fevereiro 1956

O relatório secreto de Nikita Khrushchev

Fevereiro 1956

 

- The absolute most devastating weapon deployed during the early Cold War was not a thermonuclear warhead, but a stolen stack of papers casually left on a secretary's desk. In the freezing midnight hours of February 25, 1956, the heavy oak doors of the Grand Kremlin Palace were slammed shut and locked from the inside. Nikita Khrushchev, the First Secretary of the Soviet Union, stood alone at the wooden podium. He had explicitly ordered all foreign journalists and visiting diplomats to be aggressively removed from the grand hall. Exactly 1,436 elite Soviet delegates remained trapped in the suffocating silence, completely unaware that their entire reality was about to shatter.

- The speech he delivered that night lasted for four agonizing hours and shattered all diplomatic protocol. Khrushchev began methodically dismantling the sacred, god-like mythology of Joseph Stalin, the dictator they had blindly worshipped for three decades. He read directly from classified state archives, clinically detailing the horrific, paranoid madness of the Great Purge, the fabricated treason trials, and the midnight executions of completely innocent party loyalists. He explicitly exposed how the supreme leader had casually signed the death warrants of their closest friends and colleagues, driven by sheer, unchecked sociopathy. The absolute truth was finally spoken aloud in the dark.

 

- The psychological reaction of the captive audience was unprecedented in Soviet history. The massive auditorium descended into an absolute, terrifying silence so profound that a dropped pin could be heard. As Khrushchev systematically read the names of innocent men tortured into confessing absurd crimes, the heavy atmospheric tension became physically unbearable. Loyal, battle-hardened military generals openly wept into their hands, while several deeply devoted communist officials suffered sudden, violent heart attacks right in their velvet seats. They were listening to a terrifying autopsy of their own complicity, realizing their utopian empire was built entirely on a mountain of innocent corpses.

 

- Khrushchev explicitly designed this monumental address to be an absolute state secret. It was a calculated surgical strike meant exclusively for the highest echelons of the ruling party, an attempt to cleanse the deeply stained Soviet leadership without destroying the global communist movement. Physical copies of the explosive transcript were numbered, stamped with heavy security classifications, and distributed under armed guard to trusted satellite states. The Soviet intelligence apparatus was highly confident the dark confession would never breach the heavily fortified Iron Curtain. They were catastrophically wrong.

 

- The American intelligence community was desperate to acquire the highly classified text, offering massive financial bounties to anyone who could smuggle a copy to the West. Yet, the greatest espionage coup of the entire twentieth century did not require a sophisticated network of undercover operatives. It happened simply because a Polish-Jewish journalist named Viktor Grajewski decided to visit his girlfriend at her government office in Warsaw. While she casually stepped out to make tea, he noticed a thick, red-bound booklet resting unguarded on her desk. He quietly slipped the explosive state secret into his coat pocket, borrowed it for two hours, and walked directly to the Israeli embassy.

 

- The Shin Bet rapidly photographed every single page and immediately forwarded the undeveloped film to an ecstatic CIA in Washington. When the New York Times boldly published the fully translated speech on its front page a few weeks later, the geopolitical shockwave was absolutely catastrophic for Moscow. The sudden public revelation that the Soviet paradise was actually a murderous slaughterhouse instantly triggered massive anti-communist uprisings across the Eastern Bloc, permanently igniting the Hungarian Revolution and the Polish October. The guarded secret fractured the global communist illusion, proving that empires built on terror are fragile.

 

- Yet, the most shocking historical hypocrisy of that legendary midnight speech was hidden in the very hands of the man delivering it. While Nikita Khrushchev stood at the grand podium shedding genuine tears for the millions of innocent citizens slaughtered by Stalin's psychotic paranoia, he was aggressively rewriting his own dark history. The new Soviet leader conveniently forgot to mention to the weeping audience that during the height of the horrific terror in the 1930s, he himself had enthusiastically signed the execution lists for tens of thousands of innocent Ukrainians just to impress Stalin. The man who bravely exposed the monster to the world was actually his most obedient, blood-soaked apprentice, desperately burning the historical evidence before the flames could reach him.

 

The Iran War Is Bleeding India’s Economy Anisha Dutta (World Politics Review)

 The Iran War Is Bleeding India’s Economy

Anisha Dutta
World Politics Review, May 6, 2026

The main industry group representing India’s aviation sector, once among the fastest-growing in the world, issued an extraordinary warning last week: It may be forced to shut down operations due to higher fuel costs stemming from the Iran war.
The Federation of Indian Airlines has warned the government that recent price increases could lead to “insurmountable losses,” resulting in grounded aircraft and flight cancellations. The Air India group, the country’s flagship carrier, has revised its fuel surcharge on both domestic and international routes following a sharp rise in
global jet fuel prices.
The war in the Middle East has disrupted global energy flows, driven up oil prices and triggered cascading effects across South Asia’s largest economy, from airlines and pharmaceuticals to household cooking gas and food costs.
The shock has begun to drive inflation, causing the rupee to weaken and weighing on India’s growth outlook, while also heightening political tensions around energy security and foreign policy.

A Multisector Crisis
The most immediate pressure point is jet fuel, the price of which has nearly doubled since the start of the war in late February and now accounts for between 40 percent and 45 percent of operating costs for Indian carriers.
Airlines are also grappling with airspace restrictions across the Middle East, a critical corridor connecting India to Europe and North America. Flights are being rerouted along longer, more costly paths to avoid Iranian airspace, resulting in increased fuel consumption and operational strain.
That pressure on the sector adds to earlier disruptions from Pakistan’s airspace closures for Indian airlines since last May, following the brief war between the two countries.
The aviation sector is not the only one that has been hit as a result of the Iran war; India’s pharmaceutical industry, often described as the backbone of the global generic drug supply, is also under mounting stress due to the disruption in energy markets and critical supply routes.
India produces roughly 20 percent of the world’s generic medicines, including nearly half of all prescriptions filled in the United States. Yet its manufacturing base is heavily dependent on imported inputs, with between 60 percent and 70 percent of active pharmaceutical ingredients coming from China. Rising oil prices are now pushing up the cost of chemical solvents, freight and packaging needed for these inputs, while logistics disruptions and higher insurance costs due to the war in the Middle East have doubled freight costs and delayed the delivery of crucial raw materials needed for drug production. While companies still have some inventory buffers, executives warn that sustained disruptions could begin to affect supply chains within months.

The Dependence Trap
At the center of this crisis lies a familiar vulnerability: India’s heavy reliance on imported energy, which means any disruption in the Middle East can have immediate consequences.
The de facto closure of the Strait of Hormuz, through which one-fifth of the world’s oil and natural gas normally flows, has exposed how deeply India relies on Middle Eastern energy. The region accounts for roughly 40 percent of India’s oil imports and up to 80 percent of its gas supply.
When it comes to crude oil, there are alternative suppliers to tap, including Russia and the United States. But gas presents a deeper structural concern. India imports roughly half its liquefied natural gas (LNG), with much of it coming from Qatar, where war-related damage has caused supply disruptions.
At the center of this crisis lies a familiar vulnerability: India’s heavy reliance on imported energy.
The situation is even more dire for liquefied petroleum gas (LPG), which is a basic necessity for millions of Indian households that rely on it for cooking. Nearly two-thirds of India’s LPG supply is imported, 90 percent of which has historically been sourced from the Gulf. In March, India faced its worst LPG shortage in decades, forcing the government to divert supplies to households and leaving commercial users scrambling.
Debashish Mishra, of Deloitte South Asia, said India’s primary vulnerability amid the ongoing conflict is not price volatility, but supply disruption, especially of cooking gas. While domestic refineries have ramped up output by as much as 40 percent, they cannot fully offset a prolonged disruption.
In the short term, Mishra said, “the system is holding, panic buying has eased and incoming LPG shipments, combined with higher refinery output, have stabilized supply,” he said. “But the margins are thin.”
Even with immediate supply concerns mitigated, the margin for error is thin: A single tanker meets barely half a day’s demand. Any sustained disruption could quickly tip the balance back into shortage.

A Combustible Situation
The economic impact is also being felt on the ground. Rising fuel costs are feeding into inflation, pushing up transport and food prices. In industrial hubs like Noida, one of Asia’s largest industrial townships just outside New Delhi, protests erupted earlier this month, with workers demanding higher wages to cope with surging living costs. Police responded with tear gas, highlighting the growing social tensions tied to the crisis.
Remittances are also at risk. Indians form the largest expatriate community in the Middle East, sending home over $50 billion annually. Since the outbreak of the war, nearly 1 million Indian nationals have returned, including workers, students and other vulnerable groups, raising concerns about income losses and domestic unemployment pressures. The government has done little in response, save for arranging repatriation flights for foreign workers.
Beyond the headline numbers, the microeconomic consequences will be dire, especially for the poor. A recent report by the United Nations Development Program warns that up to 8.8 million people across 14 countries could fall into poverty under current conflict scenarios, including more than 2.5 million in India alone. The report
describes a widening “human development crisis” across Asia and the Pacific, driven by energy shocks and rising living costs.
The political fallout is already being felt at the highest levels. India’s opposition leaders have framed the situation as a foreign policy failure by Prime Minister Narendra Modi, pointing to his visit to Israel just days before the war, as evidence of a drift away from India’s long-standing strategic balance in the region, particularly its ties with Iran.
New Delhi has since moved to recalibrate, quietly rebuilding channels of communication with Tehran through diplomatic outreach and sustained engagement with Iranian officials. An outpouring of solidarity with Iran among the Indian public, particularly in Muslim-majority Kashmir, has helped those efforts. At the same time, the emergence of Pakistan as a key intermediary between the United States and Iran has sharpened opposition attacks and exposed the limits of the Modi government’s influence to resolve a crisis unfolding in its neighborhood.
Even as its foreign policy choices become increasingly entangled with economic strain, the domestic political fallout seems contained for now, as evidenced by the BJP’s strong showing in recently concluded state elections in West Bengal and Assam. However, if the war continues, Modi’s government could come under further economic and political pressures.

Anisha Dutta is an award-winning journalist based in New York with over a decade of experience reporting on politics and foreign policy. She holds a master’s degree in political journalism from Columbia University and was a 2024 Chevening
fellow.
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Revista Será?; número de 8 de maio de 2026

 Revista Será?

Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº709

 Recife, 8 de maio de 2026.

Caro leitor,

Nesta edição da Revista Será?, convidamos nossos leitores a atravessar algumas das inquietações centrais do nosso tempo: a violência organizada que desafia os Estados nacionais, os impasses da geopolítica contemporânea, as fissuras das democracias, o poder invisível do dinheiro, os labirintos culturais que moldam sociedades e as perguntas filosóficas que continuam nos assombrando. Em um mundo acelerado, polarizado e muitas vezes superficial, reunimos textos que recusam o simplismo e apostam na inteligência crítica, na reflexão e na complexidade.

Abrimos esta edição com o editorial “Crime organizado (ou terrorismo?) na pauta”, no qual refletimos sobre os limites entre soberania nacional, cooperação internacional e o avanço do crime organizado transnacional. Em um cenário em que as grandes potências tentam redefinir conceitos e ampliar zonas de influência, discutimos os riscos e os dilemas que cercam o Brasil diante desse novo tabuleiro global.

Em “O duplo isolamento de Trump”, Hubert Alquéres analisa o desgaste político e estratégico de Donald Trump em meio à guerra com o Irã. O artigo mostra como o conflito aprofunda tanto as divisões internas nos Estados Unidos quanto o enfraquecimento da liderança americana no cenário internacional.

Ainda sobre os efeitos globais do trumpismo, Helga Hoffmann, em “Guerras de Trump chegam ao Federal Reserve”, examina as tensões entre a Casa Branca e o banco central americano. Seu texto revela como pressões políticas sobre o Federal Reserve expõem os riscos institucionais e econômicos de uma época marcada pela instabilidade geopolítica e energética.

Com a elegância intelectual que lhe é característica, José Paulo Cavalcanti Filho escreve “É a Cultura!, Estúpido”, uma reflexão sobre os valores profundos que estruturam as nações. Comparando o Brasil a países como Suíça e Japão, o autor nos provoca a pensar sobre cultura política, estabilidade institucional e os desafios civilizatórios brasileiros.

Em “Master vai acabar em pizza como Boi Gordo?”, Rui Martins revisita grandes escândalos financeiros brasileiros para discutir a recorrente sensação de impunidade diante de fraudes bilionárias. O texto atravessa memória, Justiça e poder econômico com o olhar crítico de um jornalista experiente.

Já Elimar Pinheiro do Nascimento, em “O Camuflado Mundo dos Ricos”, conduz uma sofisticada análise sociológica sobre os códigos simbólicos das elites brasileiras. A partir da obra de Michel Alcoforado, o autor investiga hábitos, rituais de distinção e as transformações culturais do universo dos muito ricos no Brasil contemporâneo.

Na filosofia, Paulo Gustavo nos presenteia com “O Genial e Singular Wittgenstein”, um mergulho na vida e no pensamento de Ludwig Wittgenstein. Entre linguagem, silêncio e verdade, o texto ilumina a radicalidade de um filósofo que transformou profundamente o pensamento do século XX.

E, fechando a edição, a já tradicional Última Página traz a charge de Elson, cuja ironia gráfica continua sendo uma poderosa síntese crítica do nosso tempo.

Boa leitura.
Os Editores

Índice

  1. Cooperação contra o crime organizado – Editorial
  2. O duplo isolamento de Trump - Hubert Alquéres
  3. Guerras de Trump chegam ao Federal Reserve - Helga Hoffmann
  4. É a Cultura!, Estúpido - José Paulo Cavalcanti Filho
  5. Master vai acabar em pizza como Boi Gordo? - Rui Martins
  6. O Camuflado Mundo dos Ricos - Elimar Pinheiro do Nascimento
  7. O Genial e Singular Wittgenstein - Paulo Gustavo  
  8. Última Página, a charge de Elson.

 

 

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domingo, 10 de maio de 2026

O lado humano de Zelensky: interview

 O lado humano de Zelensky: ator, empresário de espetáculos, com muito bom humor:


Is Trump on Putin’s Side? | The President Zelenskyy Interview

https://www.youtube.com/watch?v=-uCjUbVu5aY

O mundo segundo as regras do PT: editorial do Estadão (19 de fevereiro de 2026) sobre o chanceler de facto do Brasil ; comentários de Madame IA

Um editorial do Estadão de 19 de fevereiro de 2026, ainda válido em suas grandes linhas. 



"O chanceler de fato CA é objeto de um editorial do Estadão, neste domingo 01/02/2026. Ele costuma ser conhecido pelo slogan que cunhou para a diplomacia lulopetista: “ativa e altiva”. Cabe também recordar outros feitos do ex-chanceler que não são mencionados frequentemente pelos canais de comunicação; vou apenas lembrar dois dos casos mais sórdidos. Em 2005, durante jogos esportivos panamericanos no RJ, dois boxeadores cubanos pediram asilo no Brasil, pois não pretendiam mais voltar à ilha-prisão. CA providenciou com Chávez o envio de um jatinho venezuelano, para levar os boxeadores cubanos de volta a Cuba. Um deles depois se refugiou na Alemanha. Em 2022, as tropas invasoras russas cometeram crimes de guerra na cidade ucraniana de Bucha, assassinando a sangue frio dezenas de residentes. As provas eram irrefutáveis, com ampla documentação comprobatória. Na única vez que visitou a Ucrânia, meses depois, CA foi levado a uma exposição de fotos sobre os crimes de guerra cometidos em Bucha. Ainda assim, negando as aplastantes evidências sobre os crimes contra a humanidade e os crimes de guerra perpetrados pelas forças invasoras, CA continuou protegendo os criminosos, com a seguinte frase: “Não se pode saber: são apenas fotos”. Creio que basta.", escreveu o diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida, em 01/fevereiro/2026, ao comentar um editorial do Estadão; hoje (10/maio/2026), ele relembrou em seu blog Diplomatizzando.



Nesta releitura crítica de 10 de maio de 2026, o diplomata Paulo Roberto de Almeida utiliza o blog Diplomatizzando para consolidar um veredito ético sobre a atuação de Celso Amorim (CA), o "chanceler de fato" do governo Lula. A análise foca no que o autor chama de "sórdido": a distância abissal entre a retórica da diplomacia "ativa e altiva" e a prática de conivência com regimes autoritários.
Abaixo, a decodificação dos fatos e a análise detalhada das implicações políticas:
1. Decodificação dos "Casos Sórdidos":
O texto resgata dois episódios de conveniência ideológica que, na visão do autor, mancham a tradição humanitária do Itamaraty:
- O Caso dos Boxeadores Cubanos (2007 - Errata de data): Almeida refere-se a Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux. Durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, eles tentaram desertar. A crítica recai sobre a logística da devolução: o uso de um avião venezuelano (articulação entre Brasília, Caracas e Havana) para enviá-los de volta à "ilha-prisão" sem o devido processo de asilo, o que é visto pelo autor como uma entrega de refugiados a seus perseguidores.
- O Negacionismo de Bucha (2022/2023): Esta é a crítica mais atual e grave. Refere-se à reação de Celso Amorim diante das evidências de massacres em Bucha, na Ucrânia. Ao dizer “Não se pode saber: são apenas fotos”, Amorim é acusado de aplicar um ceticismo seletivo para proteger os interesses da Rússia (parceira no BRICS), ignorando relatórios da ONU e perícias internacionais que confirmaram os crimes de guerra.
2. Análise Crítica: A Ética do "Não Saber":
A análise de Almeida em 2026 sugere que a política externa brasileira sob a influência de Amorim não é orientada pelo Direito Internacional, mas por um pragmatismo ideológico de viés antiamericano:
- A "Ativa e Altiva" como Eufemismo: O autor sugere que o slogan é uma máscara para uma diplomacia que é "ativa" na proteção de ditadores e "altiva" apenas contra democracias ocidentais.
- A Desumanização da Geopolítica: Ao reduzir provas de crimes contra a humanidade a "apenas fotos", Amorim estaria, segundo a crítica, desumanizando as vítimas em favor de um equilíbrio de poder geopolítico. Isso coloca o Brasil em uma posição de isolamento moral frente às democracias liberais.
- O Papel de "Chanceler de Fato": Almeida reforça a percepção de que as decisões estratégicas não passam pelo chanceler oficial (Mauro Vieira), mas pelo gabinete pessoal de Lula no Planalto, onde Amorim opera sem o escrutínio das estruturas tradicionais do Itamaraty.
3. Síntese do Impasse Diplomático em 2026:
O resgate desses fatos em maio de 2026, num momento em que a Rússia enfrenta o cenário de "Dia da Derrota" (como analisado anteriormente), serve para expor o erro de cálculo da diplomacia lulopetista. Ao apostar na longevidade e na "razão" de Putin, o governo brasileiro, através de Amorim, teria se vinculado a um lado da história que agora, em 2026, colapsa sob o peso de crimes de guerra e fracassos militares.
Para o autor, "basta" como conclusão de que a diplomacia atual não é um instrumento de Estado, mas um instrumento de partido que ignora a realidade factual em favor de narrativas de conveniência.

Fonte (IA Gemini):

Putin says he thinks Ukraine conflict 'coming to an end' - BBC + Madame IA

Senhor juiz, pare agora!
Putin pede água: já não aguenta mais, nem a sociedade russa e, sobretudo, seus amigos oligarcas, que se tornaram bilionários e já expatriaram seu capital, certamente.
Vai pedir a um juiz suspeito (por ter afinidades pouco eletivas com o tirano de Moscou) que arrume um final, qualquer final, para uma luta que já dura cinco anos e não tem prazo para acabar (ou sim, pode term quando refinarias, oleodutos e fábricas de armas do criminoso de guerra forem arrasadas pelos drones de um povo valente e inventivo, coisa que nem se vê do lado agressor).

Putin says he thinks Ukraine conflict 'coming to an end' 

BBC, 9/05/2026
Russian President Vladimir Putin has said he thinks Russia's conflict with Ukraine is coming to an end...
https://www.bbc.com/news/articles/cn8p4j2jzwwo

Russian President Vladimir Putin has suggested Russia's conflict with Ukraine could be drawing to a close.

Speaking after Saturday's scaled-back Victory Day military parade in Moscow, he said: "I think that the matter is coming to an end" - referring to the "special military operation" in Ukraine - while condemning Western support for Kyiv.

The parade - marking the Soviet victory in World War Two - lacked the usual display of tanks and missiles, as authorities feared Ukraine might target Red Square.

A US-brokered ceasefire reduced the danger of attacks and the parade passed off without incident. However Ukraine and Russia later accused each other of violating the three-day truce.
Putin's comments came just hours after he used his annual Victory Day speech to justify the war.

In that speech he said Russia was fighting a "just" war and called Ukraine an "aggressive force" that was being "armed and supported by the whole bloc of Nato".

Later, when asked at a news conference about the West helping Ukraine, Putin said: "They (West) promised assistance and then began fuelling a confrontation with Russia that continues to this day. I think that the matter is coming to an end, but it is a serious matter."
Russian forces seized Crimea and parts of eastern Ukraine in 2014, then launched a full-scale invasion of Ukraine in February 2022.

Putin said he would only meet Ukraine's President Volodymyr Zelensky once a lasting peace deal was agreed to.

"A meeting in a third country is also possible, but only once final agreements have been reached on a peace treaty for a long‑term historical perspective, to take part in this event and sign (treaty), but it must be a final step," he continued.

Putin said he had heard that Zelensky was ready to hold a personal meeting but added "this is not the first time we have heard such statements".

Putin said he would be willing to negotiate new security arrangements for Europe, and that his preferred negotiating partner would be Germany's former Chancellor Gerhard Schröder.

The ex-chancellor is a longstanding friend of Putin, and controversial because of his work for Russian state-owned energy firms.

Last week European Council President António Costa said he believed there was "potential" for the EU to negotiate with Russia, and that Zelensky favoured such a move. Quoted by the Financial Times, Costa said he was consulting EU leaders on "what we need effectively to discuss with Russia when it comes to the right moment to do this".

As part of the US-led ceasefire deal over the weekend, Kyiv and Moscow agreed to a swap of 1,000 prisoners from each country. But Putin said on Saturday that Russia had not yet heard from Ukraine about any exchanges.
On Sunday Russia accused Ukraine of repeated violations of the ceasefire - including more than 6,000 drone strikes and hundreds of artillery attacks. Ukraine reported several people injured from Russian drone attacks in the Kharkiv, Dnipropetrovsk and Zaporizhzhia regions.

For the first time in nearly two decades there was no military hardware at the Red Square parade, which the Kremlin normally showcases to project Russian military power on the international stage.

There were also far fewer journalists at the event, with many international media organisations not being granted access.

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Madame IA comenta:


Este trecho finaliza a série de reflexões de Paulo Roberto de Almeida com uma análise impiedosa da exaustão do regime de Putin em 10 de maio de 2026, utilizando metáforas jurídicas e bélicas para descrever o que ele considera o "fim de linha" para o Kremlin.
Abaixo, a decodificação e análise detalhada dos pontos centrais:
1. Decodificação de Expressões e Subtextos:
- "Senhor juiz, pare agora!": O diplomata utiliza uma metáfora esportiva/jurídica. O "juiz" aqui representa a comunidade internacional ou as instâncias diplomáticas às quais Putin, agora em posição de fraqueza, apelaria para interromper o conflito ("parar o cronômetro") antes que a derrota total se consume.
- "Afinidades pouco eletivas": Referência irônica ao livro As Afinidades Eletivas, de Goethe. Sugere que qualquer mediador que Putin aceite será alguém com conexões obscuras, interesses compartilhados ou dependência ideológica/financeira do regime russo, levantando suspeitas sobre a imparcialidade do processo de paz.
- "O povo valente e inventivo": Refere-se à Ucrânia e ao uso extensivo de tecnologia de baixo custo (drones FPV e navais) que, em 2026, conseguiram paralisar a infraestrutura energética russa (refinarias e oleodutos), transferindo o custo da guerra para o solo do agressor.
2. Análise Crítica: O Colapso dos Pilares do Poder:
O texto disseca a erosão dos três pilares que sustentam a autocracia de Putin:
- A Elite Econômica (Os Oligarcas): O autor aponta que o capital desses bilionários já foi expatriado ou está sendo consumido pelas sanções e pelo esforço de guerra. A "paciência" dessa classe, que aceitava a falta de liberdade em troca de lucros globais, esgotou-se agora que o lucro desapareceu e o patrimônio está sob risco de confisco total.
- A Sociedade Russa: A menção de que ela "não aguenta mais" remete ao custo humano acumulado em cinco anos (2022-2026). A "Grande Guerra Nacional Patriótica" do passado era defensiva; a atual é vista como uma aventura de conquista que não trouxe a glória prometida, mas sim luto e isolamento.
- A Assimetria Tecnológica: O autor destaca que, enquanto a Rússia depende de uma "máquina de guerra" pesada e muitas vezes obsoleta, o adversário utiliza a inventividade e a descentralização (drones). Isso inverte a lógica da superpotência: o Golias russo está sendo sangrado por mil cortes digitais.
3. Síntese do Impasse em Maio de 2026:
A crítica conclui que a guerra atingiu um estágio de retornos decrescentes. Putin "pede água" (gíria para rendição ou trégua) não por arrependimento moral, mas por insolvência logística e política. O perigo, como alertado anteriormente, reside na natureza do "final": um cessar-fogo intermediado por um "juiz suspeito" poderia ser apenas uma pausa para o regime se reorganizar, mantendo viva a semente do despotismo que o autor tanto critica.
O desenlace sugerido é o de uma derrota por atrito infraestrutural: a Rússia para de lutar quando não houver mais combustível para os tanques ou dinheiro para pagar os soldados, independentemente da vontade do ditador.

Fonte (IA Gemini):


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