terça-feira, 16 de setembro de 2014

Economia: economistas realistas, sonhaticos e aloprados - Mansueto Almeida

O título do post é meu, obviamente, exagerando nos estereótipos, mas é meu direito, para chamar a atenção do distinto público para este importante comentário do economista Mansueto Almeida (não é meu parente...).
Paulo Roberto de Almeida

Os economistas da campanha eleitoral

Há três tipos de economistas por trás dos candidatos. Por trás do senador Aécio Neves, eu definiria nosso grupo como um grupo bastante eclético, alguns mais liberais do que outros, mas todos nós com uma característica em comum. Temos todos alguma experiência em órgãos diferentes do setor público, sabemos fazer contas, olhamos a evidência empírica, temos forte inserção em debates na academia e setor privado e, dentro ou fora do governo, continuaremos bastantes ativos. Somos um grupo unido, sem preconceitos, acreditamos nas forças de mercado e do papel do estado em promover igualdade de oportunidades e reduzir pobreza.
No nosso caso, acreditamos na importância de o Brasil participar ativamente das cadeias globais de produção e sabemos que será impossível o país ser competitivo em todos os setores da economia, ou seja, não adianta querer se integrar ao resto do mundo e ser competitivo em tudo como parece acreditar alguns economistas do governo. Queremos viabilizar os meios para que o Estado possa investir mais em educação e saúde. Infelizmente, e aqui confesso uma falha nossa, não sabemos como o governo pode aumentar a oferta de serviços públicos para o padrão de primeiro mundo sem crescimento. Na nossa visão, política social e crescimento andam juntas e mente quem diz que a “população não come PIB”. Sem crescimento da economia, o resgate da nossa dívida social será mais lento.
O grupo de economistas por trás da candidata Marina Silva é um grupo brilhante com dois grandes problemas. Primeiro, às vezes usam metáforas  -empresários serão desmamados, Dilma trata empresários como prostitutas, etc.- que aumenta a “zona de vulnerabilidade” deles à ataques do governo.
Ontem em seminário na FGV-SP foi justamente isso que aconteceu quando o Ministro da Fazenda, Guido Mantega,  perguntou em tom de brincadeira  ao presidente da FIESP se ele estava pronto para ser “desmamado”. Meus colegas do PSB precisam compreender que o Ministro da Fazenda Guido Mantega está em plena campanha eleitoral, usa e abusa de sua condição como Ministro para fazer propaganda eleitoral no melhor estilo terrorista (o terrorismo é tão grande que acho que não poderá mais entrar nos EUA). Assim, meus colegas do PSB precisam tomar mais cuidado com as metáforas porque o adversário gosta de dar caneladas.
O outro problema dos meus colegas do PSB é a visão ingênua do setor público e da estrutura do gasto público. Não há como o Governo Central produzir um superávit primário de 2% do PIB em um ano pelo corte da despesa. Vou escrever sobre isso depois. Mas o que eles falam centenas de outros economistas mais velhos e com experiência de governo continuam falando. No caso dos meus colegas do PSB, como são inteligentes, em um ou dois meses aprenderiam rapidamente. O mesmo não se pode falar de economistas que ainda acham que não houve evolução na teoria econômica depois de 1936, quando Keynes publicou a Teoria Geral.
Agora chegamos ao terceiro grupo, o de economistas por trás do partido do governo. Esse grupo de economistas tem a seu favor a crise mundial.  Eles usam e abusam da crise mundial para esconder os seus erros no governo, erros que decorrem de uma visão ingênua e arrogante de micro gerenciamento da economia. Isso não vai mudar e há grande chances de piorar, pois eles continuam achando que conhecem a indústria mais do que os próprios empresários e esses economistas não aprendem. Passam anos no governo e continuam falando a mesma coisa antes e depois. Não há “learning by doing” e nem “learning by studiyng”.
Há ainda algo muito pior neste grupo de economistas que é o processo de autodestruição a que estão submetidos. Eles vivem sempre em conflito interno. Alguns deles condenam as praticas heterodoxas da gestão fiscal, outros acreditam que essas práticas são normais; quase todos gostariam de uma taxa de câmbio mais desvalorizada e acham que taxa de câmbio de equilíbrio decorre da boa ou má vontade do Banco Central; todos aceitam normal uma inflação de 6% ao ano, criticam o Banco Central seja independente ou não como o grande mal da economia, querem resolver todos os nossos problemas de orçamento com o aumento da dívida, e, por fim, fogem da paternidade  da Nova Matriz Econômica como o diabo foge da cruz. Hoje vivemos a situação sui generis de uma política econômica órfã.
Alguns desses economistas fazem uma mea culpa capenga, reconhecem a necessidade de ajustes e dizem que haviam alertado antes para a necessidade de correção de rumo para o seu colega de sala ou de ministério. Mas talvez o mais desonesto é quando promovem a visão que o que está em jogo nesta eleição é o debate entre o bem e o mal, entre os economistas que se preocupam com a redução da desigualdade e com a indústria versus outros economistas que representam o mercado financeiro.
Um grupo grande de economistas do governo ainda está preso na luta de classes do pós-guerra e tem uma visão ingênua dos capitalistas. Os da indústria têm que ser estimulados e controlados e, os do setor financeiro, precisam ser eliminados. Falam de uma tal “grande capital” como se esse ente abstrato fosse o responsável pelo atraso na definição dos marcos regulatórios, excesso de intervenção na economia, etc.
Em resumo, eu me preocupo muito com os “economistas do governo” e tenho zero de preocupação com os economistas que assessoram os candidatos de oposição. O ex-presidente Lula falou ontem que a candidata Marina deveria proibir os seus economista de falarem bobagens. O correto deveria ser o ex-presidenrte “proibir” o governo federal de fazer bobagens, em especial, as bobagens que tiverem início no segundo mandato do ex-presidente Lula e se intensificaram no governo Dilma.

Economia: o retrato da situacao depressiva na analise do Itau Macroeconomica - Ilan Goldfajn

Depressão, deprimido, desesperado?
Não fique assim.
Pode ficar, e vai ficar, pior...
Esta é a herança maldita dos companheiros...
Paulo Roberto de Almeida

Orange Book Brasil: Atividade fraca com poucos sinais de retomada

Informações até 12 de Setembro de 2014

Este relatório, publicado seis vezes por ano, resume relatos sobre o ambiente de negócios que ouvimos de contatos no setor real, especialistas e outras fontes fora do Itaú. Exceto pela seção ‘Nossa visão’, este relatório não reflete necessariamente a visão da área de pesquisa econômica do Itaú.

Seções:
Consumo e produção de bens e serviços                                                             
O enfraquecimento do consumo observado no fim do primeiro semestre se acentuou entre junho e agosto.        

Investimento                                                                                                   
Incertezas globais, baixo crescimento e dúvidas quanto ao tempo que levará para a retomada da demanda têm levado ao adiamento de decisões de investimento.

Mercado imobiliário                                                                                           
Nos últimos meses, a desaceleração do setor imobiliário ficou mais intensa.

Commodities                                                                                                    
Produtores agrícolas vêm se deparando com uma combinação desfavorável de volumes mais baixos e preços, na maioria dos produtos, em queda. No setor de siderurgia há sinais de melhora na demanda externa.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços  
A desaceleração no mercado de trabalho está cada vez mais clara. Não há sinais de pressão inflacionária significativa para os próximos meses.

Nossa visão
A confiança de empresários e consumidores em patamares historicamente baixos assim como os altos estoques na indústria devem limitar o crescimento no curto prazo.

Resumo:

O enfraquecimento do consumo observado no fim do primeiro semestre se acentuou entre junho e agosto. Parte do movimento foi causada pelos feriados e pela Copa do Mundo (que manteve os consumidores mais longe das lojas), e parte pelos fundamentos da economia. Desde meados de agosto, há estabilização da atividade, mas poucos setores reportam retomada. Os segmentos de bens duráveis - automóveis, linha branca, eletrônicos - continuam sendo os mais afetados pelo recuo da demanda. As vendas são consideradas fracas, e produtores reportam varejistas ainda estocados.

A confiança do empresário não se recuperou da retração observada ao longo do segundo trimestre, o que mantém o investimento retraído. Incertezas globais, baixo crescimento e dúvidas quanto ao tempo que levará para a retomada da demanda têm levado ao adiamento de decisões de investimento. Custos ainda são mencionados com preocupação, mas não parecem ser a causa da confiança menor. De fato, alguns setores já observam moderação nos mercados de fatores de produção, especialmente os de mão de obra e transporte.

Nos últimos meses, a desaceleração do setor imobiliário ficou mais intensa. No segmento residencial, as vendas caíram fortemente durante a Copa do Mundo e se recuperaram apenas parcialmente desde então. Os estoques permanecem relativamente elevados, e os preços vêm caindo. No segmento comercial, a queda da atividade continua mais pronunciada. O desaquecimento da economia e o volume acelerado de lançamentos nos últimos anos em algumas capitais levaram a um desbalanceamento do setor.

No lado das commodities, a safra de grãos 2013-2014 pode ser caracterizada como boa, mas o clima prejudicou algumas culturas. Produtores vêm se deparando com uma combinação desfavorável de volumes mais baixos e preços em queda. O mesmo se observa no setor sucroalcooleiro. Já no cafeeiro, a quebra de safra vem sendo significativa, mas os preços internacionais em alta compensam.

No setor de siderurgia, o câmbio estável em patamar considerado pelo setor como apreciado continua limitando as exportações, ainda que haja sinais de melhora na demanda global - especialmente nos EUA.

A desaceleração no mercado de trabalho está cada vez mais clara. Reajustes reais de salário vêm recuando. Em alguns casos, os reajustes realizados nos últimos meses já estão próximos de zero. Com a economia mais fraca, há competição forte em muitos setores ligados ao consumo e naqueles afetados pelo câmbio mais estável. Não há sinais de pressão inflacionária significativa para os próximos meses.

Nossa visão: Reduzimos recentemente nossa projeção para o crescimento do PIB em 2014 (para 0,1%), em decorrência do resultado mais fraco do que esperávamos no segundo trimestre e também do ritmo ainda lento da recuperação da economia no pós-Copa. Em termos de fundamentos, a confiança de empresários e consumidores em patamares historicamente baixos assim como os altos estoques na indústria devem limitar o crescimento no curto prazo. O mercado de trabalho sente o enfraquecimento da economia e dá sinais de perda de dinamismo.

Consumo e produção de bens e serviços

O enfraquecimento do consumo observado no fim do primeiro semestre se acentuou entre junho e agosto. Parte do movimento foi causada pela Copa do Mundo (que manteve os consumidores mais longe das lojas), e parte pelos fundamentos da economia.

Os segmentos de bens duráveis, como automóveis, linha branca e eletrônicos, continuam sendo os mais afetados pelo recuo da demanda. As vendas são consideradas fracas, e produtores reportam varejistas ainda estocados. No entanto, segmentos de semi e não duráveis, como vestuário, alimentos e cosméticos, também passaram a observar vendas mais fracas e encomendas em baixa. No setor de serviços, muitos segmentos também vêm crescendo abaixo do esperado, entre eles entretenimento, terceirização de mão de obra, segurança patrimonial e alimentação fora do domicílio.

Desde meados de agosto há uma estabilização da desaceleração, mas poucos setores reportam retomada aos níveis pré-Copa. Entre os setores em recuperação, destacam-se materiais de construção, transporte de passageiros (aéreo e terrestre) e hotelaria de negócios. Ainda assim, a postura é cautelosa.

Para a frente, os diferentes setores ligados ao consumo mantêm a confiança com relação ao potencial do mercado interno brasileiro. Mas a percepção é de que, no curto prazo, o ajuste cíclico da demanda vá continuar. O consumidor está mais criterioso, procurando comprar apenas o essencial. Tanto produtores de bens de consumo finais como produtores de insumos intermediários vêm adotando medidas como lay-off, férias coletivas e descontinuidade da contratação de serviços não essenciais para atravessar o período de baixa atividade.

Investimento

A confiança do empresário não se recuperou da retração observada ao longo do segundo trimestre. Nosso indicador, feito a partir de uma base ampla de clientes, mostrou estabilidade em julho e agosto, mas o patamar atual está 14% abaixo do início do ano e 18% abaixo de agosto de 2013.

Incertezas globais, baixo crescimento e dúvidas quanto ao tempo que levará para a retomada da demanda têm levado ao adiamento de decisões de investimento. Fatores do lado da oferta, como altos custos de produção e complexidade tributária, ainda são mencionados como fatores de preocupação, mas não parecem ser a causa  da confiança menor. De fato, alguns setores já observam moderação nos mercados de fatores de produção, especialmente os de mão de obra e transporte.

No setor de veículos pesados - caminhões e máquinas agrícolas - o nível de produção e vendas segue deprimido. A atividade não mostrou reação desde a piora em junho. Além da baixa propensão ao investimento, a antecipação de vendas dos últimos anos e a falta de mão de obra (motoristas) continuam entre os fatores que limitam a demanda por caminhões.

Do lado da produção de bens de capital, além da desaceleração gerada pelo adiamento das decisões de investimento em geral, há um enfraquecimento relacionado ao fim do programa de encomendas governamentais para prefeituras.  Para a frente, a expectativa é mais positiva, impulsionada pela carência de infraestrutura do País e pelo programa de concessões do governo. Nessa área, nota-se alguma ansiedade com relação aos próximos anos, dependendo dos desdobramentos do cenário doméstico. O setor reporta ainda alguma preocupação com relação à capacidade do BNDES de financiar projetos e compras de equipamentos.

Como mencionado nas últimas edições do Orange Book, apesar do clima cauteloso, o interesse por investir no País ainda se mantém. O tamanho e a diversidade do mercado consumidor e o potencial de geração de renda e investimentos a partir da produção de commodities mantêm o Brasil estruturalmente atraente.

Mercado imobiliário

A desaceleração do setor imobiliário tornou-se mais intensa nos últimos meses. No segmento residencial, as vendas caíram fortemente durante a Copa do Mundo e se recuperaram apenas parcialmente desde então. Mas o ritmo atual de vendas ainda é substancialmente abaixo do projetado pelo setor no início do ano. O enfraquecimento da demanda se verifica principalmente em imóveis tradicionalmente destinados a investimento, como estúdios e apartamentos compactos. Os estoques permanecem relativamente elevados e os preços vêm caindo, com exceção de imóveis em áreas nobres das grandes cidades, segmento cuja demanda é mais sólida, e a oferta bastante restrita.

No segmento comercial, a queda da atividade continua mais pronunciada. O desaquecimento da economia e o volume acelerado de lançamentos nos últimos anos levaram a um desbalanceamento do setor. O nível de vacância é elevado, especialmente nas grandes capitais.

No segmento de shopping centers, a indicação é de que o investimento será baixo nos próximos dois a três anos. Com a desaceleração do varejo, o movimento recuou, e a disposição de lojistas em investir diminuiu. Shoppings novos estão com vacância elevada e oferta de descontos para atrair lojistas. Apenas os shoppings mais tradicionais (e bem estabelecidos) vêm sustentando demanda elevada.

Commodities

A safra de grãos 2013-2014 pode ser caracterizada como boa, mas o clima prejudicou algumas culturas. Ao mesmo tempo, a safra está bastante forte nos Estados Unidos. Dessa forma, o produtor local vem se deparando com uma combinação de volumes mais baixos e preços em queda.

No caso do café, o efeito do clima desfavorável ainda vem provocando revisões para baixo das expectativas de safra. A quebra deve ficar entre 10% e 15%. Diferente dos demais grãos, no entanto, o preço internacional está em alta, compensando boa parte dos produtores locais.

No setor sucroalcooleiro, a produção de cana até agora foi boa, mas a colheita da parte menos afetada pela seca do início do ano já aconteceu. Para a frente, a colheita tende a cair em volume e qualidade. Sendo assim, a safra deste ano como um todo deve ser menor do que a projetada inicialmente. A redução na produtividade pressiona o custo médio, fato que, combinado ao baixo nível de preço, gera uma situação difícil para o setor.

No setor de siderurgia, o câmbio estável em patamar considerado apreciado pelo setor segue limitando as exportações, ainda que haja sinais de melhora na demanda global - especialmente nos EUA. Do lado da demanda interna, a perspectiva de aceleração das concessões de infraestrutura ajuda, mas a queda na produção de bens de consumo duráveis, especialmente carros e linha branca, mantém o setor cauteloso.

Mercado de trabalho, custos de produção e preços

A desaceleração no mercado de trabalho está cada vez mais clara. Reajustes reais de salário vêm recuando. Em alguns casos, os reajustes realizados nos últimos meses já estão próximos de zero. A negociação ainda é intensa, mas está ficando claro que as empresas não conseguem acomodar um aumento salarial significativo, especialmente em meio ao quadro de demanda fraca. Muitos setores vêm praticando férias coletivas e lay-offs. Há demissões, embora os movimentos sejam localizados e, em geral, pequenos.

Além de moderar o mercado de trabalho, a desaceleração econômica traz também a acomodação de outros custos de produção, como aluguéis, frete rodoviário e serviços terceirizados. Em contrapartida, a possibilidade de aumentos de energia elétrica, combustíveis e carga tributária adiante preocupa.

Com a economia mais fraca, a competição em muitos setores ligados ao consumo e o câmbio mais estável, não há sinais de pressão inflacionária significativa para os próximos meses. No entanto,   a carne bovina vem experimentando uma tendência global a aumento de preços. Os consumidores, por sua vez, vêm reagindo, substituindo seu consumo por frangos e suínos - cujos preços vêm caindo em consequência da redução dos preços internacionais de grãos.

Nossa visão

Os resultados do PIB do segundo trimestre e os indicadores dos últimos meses revelaram uma desaceleração importante da demanda interna ao longo do ano. Reduzimos recentemente nossa projeção para o crescimento do PIB em 2014 para 0,1% (de 0,6%, anteriormente), em razão do resultado mais fraco do que esperávamos no segundo trimestre e também do ritmo ainda lento da recuperação da economia no pós-Copa. Em termos de fundamentos, a confiança de empresários e consumidores em patamares historicamente baixos assim como os altos estoques na indústria devem limitar o crescimento no curto prazo. Dessa forma, ainda que haja variação positiva em alguns indicadores de julho e agosto, como os de produção industrial e vendas no varejo, entendemos que a atividade seguirá fraca nos próximos meses. O mercado de trabalho sente o enfraquecimento da economia e dá sinais de perda de dinamismo, especialmente no ritmo de criação de postos de trabalho, embora a taxa de desemprego permaneça em patamares historicamente baixos.

Pesquisa macroeconômica - Itaú

Ilan Goldfajn - Economista-Chefe

Across the Empire (18): de South Dakota a Minnesota, terras de cowboys, gado e milharais



Paulo Roberto de Almeida

Hoje a viagem foi tremendamente aborrecida: de Rapid City, onde tínhamos dormido, no extremo oeste de South Dakota, 25 milhas acima do Mount Rushmore, até Minnesota, onde viemos descansar depois de um dia em estradas aborrecidas, a paisagem é pouco variada. Estamos nas grandes planícies do Mid-West, e nestas paragens do norte, só tem uma coisa: gado, e milho, milho e gado, vacas esparsas ou fazendo assembleia, e milho em todas as partes, como naquele estado que é só um milharal de uma ponta a outra, e que dizem ter uma importância crucial no processo eleitoral americano, Iowa, que fica um pouco mais abaixo de nós, na I-80. Nós viemos pela I-90 o tempo todo, e a paisagem é uma só: amarela de milho, amarela de grama seca, com alguns verdes aqui e ali, o gado preto, e rolos de feno por todos os lados.
Nada, a não ser essa desolação dos espaços rurais dominados pela monocultura. Aqui e ali o apelo às tradições da fronteira, totalmente fetichizadas atualmente, mas que ainda atraem os americanos de todas as categorias, alguns acreditando sinceramente naquilo tudo, outros provavelmente considerando tudo aquilo muito brega, muito kitsch, mas entrando no jogo de qualquer forma.
Bem, não tínhamos muito a fazer. South Dakota é bastante larga, assim que a maior parte do trajeto foi feita nesse estado: paramos em Wall, onde em 1931 uma família, para estimular o seu trading post, começou a oferecer água gelada gratuitamente aos viajantes dessa desolação. Pegou! Hoje o Wall Drugs é um imenso complexo de mais de um quarteirão, todo ao estilo velho oeste, mas com milhares, milhões, zilhões de bugigangas de todos os tipos, para todos os gostos. Tem muito made in America, inclusive muito artesanato tipicamente indígena, legítimo, mas tem muito mais coisas made in China, como é inevitável nos tempos que correm. Compramos algumas pequenas peças e nada mais. Esquecemos de pedir água gelada, como era nosso direito, e o menu do restaurante, tipicamente americano, não nos atraiu.
Preferi tomar um bourbon com este cowboy, que me ofereceu gentilmente o seu copo, mas muito pequeno, como vocês podem ver (mas, como ele tinha cara de poucos amigos, e estava armado, resolvi não reclamar).

Continuamos na desolação da I-90, atravessamos o rio Missouri um pouco mais adiante, em Chamberlain -- onde paramos para comer numa franquia do maior indicador das taxas de câmbio universais, imortalizado no índice BigMac da Economist --, e fomos adiante, já entrando no estado do Minnesota, até decidirmos parar em Worthington, o último pedaço de civilização antes de envergar por nova desolação, numa estrada nacional a caminho de Minneapolis (onde vamos chegar amanhã, ou melhor hoje, terça-feira 16).
Esse Mid-West americano sabe ser aborrecido: Carmen Lícia disse que sabe agora porque esses jovens americanos, que vão aos 17 ou 18 anos para uma universidade qualquer em outro estado, passam metade do tempo em esbórnias etílicas. Deve ser para descontar os anos que passaram nessas paragens aborrecidíssimas, onde todos sabem a vida de todos, e onde o sheriff controla o comportamento de todos (inclusive e principalmente dos jovens, que não podem nem chegar perto de bebida; eles se vingam depois...).
            Finalmente, tomei leite com aveia antes de dormir, o que vou fazer agora, não sem passar toda a noite revisando um livro que meu amigo sociólogo da Rutgers Ted Goertzel pretende que eu publique com ele sobre a política brasileira. Depois eu informo o conteúdo. Estamos tentando fazer uma edição Kindle antes das eleições. Ao trabalho, enfants de la patrie...

Paulo Roberto de Almeida
Worthington, Minnesota, 16 de setembro de 2014

Inversao de valores no Brasil: pseudo-artistas e subinteliquituais acham que roubar e corromper nao tem nada demais...

Vejam quão baixo o Brasil desceu: pessoas que se acreditam artistas e outros designados intelectuais pela imprensa, mas que devem ser subintelectuais, enfim, seres que assinam qualquer coisa que lhes tenham apresentado, desde que venha com alguma compensação, esse indivíduos e indivíduas acham que não tem nenhuma importância roubar, saquear recursos públicos, corromper, mentir, fraudar, erodir as instituições, atrapalhar as atividades empresariais, sabotar o crescimento do país, nada disso conta para seres dessa espécie.
Paulo Roberto de Almeida

Dilma divulga apoio de 70 artistas e intelectuais
Chico Buarque, Beth Carvalho, Osmar Prado, Luis Fernando Veríssimo e Fernando Morais, entre outros, assinam manifesto a favor da reeleição da petista.
Veja a lista completa Leia mais

A frase da semana: Marina Silva, sobre o chefe da mafia...

Marina rebate Lula: "Nao vou debater com auxiliares de Dilma"

Em um de seus discursos mais longos e inflamados nesta campanha, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, falou grosso contra a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e seu padrinho político, o ex-presidente Lula, nesta segunda-feira em São Paulo.

 Questionada sobre nova crítica do ex-presidente Lula, que disse que a neo-socialista pode perder seu programa de governo em razão de sua suposta instabilidade, Marina respondeu provocando: “Estou fazendo debate com Dilma e Aécio. Não vou fazer embate nem com eles, nem com seus auxiliares”, disparou num encontro com artistas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A gramatica do pensamento e o pensamento sem gramatica: manual para quem precisa...

Eu sei de uma pessoa que precisa, urgentemente, melhorar sua gramática, mas segundo o manual abaixo, que fui buscar no Huffington Post Books, quem não se expressa bem é porque não sabe pensar, e quem não sabe pensar, dificilmente conseguirá falar bem. Batata!
Eu sei de uma pessoa assim, e confesso que nunca consegui encontrar alguém tão, mas tão desajeitado para falar, e tão incapaz de pensar (estou sendo generoso, claro).
Em todo caso, quem não sabe falar, NUNCA terá o meu voto...
Paulo Roberto de Almeida

A Step-By-Step Proof That Happiness Depends Partly On Grammar

Huffington Post Books,
NOTEBOOK

The following is an excerpt from Gwynne's Grammar by N. M Gwynne, in which the author makes a case for the importance of proper grammar:
Here is a step-by-step proof (yes, a proof that really is valid!) that happiness depends partly on grammar.
Step one. For genuine thinking, we need words. (By “genuine thinking” I mean as opposed to merely being conscious of feeling hungry, tired, angry and so on and wanting to do something about it; in other words, anything that animals cannot do.) Thinking cannot be done without words.
Step two. If we do not use words rightly, we shall not think rightly.
Step three. If we do not think rightly, we cannot reliably decide rightly, because good decisions depend on accurate thinking.
Step four. If we do not decide rightly, we shall make a mess of our lives and also of other people’s lives to the extent that we have an influence on other people.
Step five. If we make a mess of our lives, we shall make ourselves and other people unhappy.
In summary of the proof: grammar is the science of using words rightly, leading to thinking rightly, leading to deciding rightly, without which -- as both common sense and experience show -- happiness is impossible. Therefore, happiness depends at least partly on good grammar.
Nor does the importance of grammar stop there. Let us expand on some of the elements of the proof just given and also take the proof a little further.
Step one. Words are what we think with as well as communicate with. Without words, we can feel (tired, hungry, angry and so on), but we cannot think. We cannot reason things out, not even the simplest things.
Step two. From Step one it then follows that if we are to think correctly and usefully, words need to be used correctly, obviously.
Step three. Using words correctly involves two sciences. One of them is vocabulary, the science of what words mean. The other is grammar, the science of how words are used in order to have thoughts and to convey thoughts -- in the form of either statements, questions, wishes or commands. Although vocabulary is in one sense the primary science of all sciences, because we cannot have grammar without words to be grammatical with, it is also the case that vocabulary depends, practically speaking, on grammar. We even need grammar in order to understand vocabulary -- to understand the definitions in a dictionary.
Step four. Vocabulary and grammar -- words and the correct use of words -- are therefore the sciences that are the necessary prelude to the science of thinking. The science of thinking is technically known as logic.
Step five. Logic, in turn, is the necessary prelude to the science of communicating, which includes arguing and debating (which in turn include how to spot and see through attempts to bamboozle us with bogus arguments), and is technically known as the science of rhetoric.
Step six. On these four sciences -- vocabulary, grammar, logic, and rhetoric -- all other sciences, without exception, depend.
Step seven. We turn now to the taking of decisions. Even at the simplest level, that of taking decisions big or small, the quality of our decisions is going to depend on the accuracy and clarity of the thinking we put into them, and bad decisions adversely affect our well-being, our happiness and the happiness of people who are affected by us.
Step eight. It does not stop there. If enough people in any society are incompetent in their thinking and in consequence take bad decisions, their bad decisions inevitably affect the whole of that society. The very well-being of society therefore depends in part on good grammar.
Step nine. Would that the harmful effects of bad grammar stopped there. They do not. Civilization itself exists only in the various societies that make it up. If enough societies in the world crumble as a result of bad decisions taken because of bad thinking, yes, the whole of world civilization faces collapse, with consequences for each individual that are literally incalculable.
As an argument for the usefulness of this little book, all of that is dramatic and far-reaching indeed. And the logic supporting the case is sufficiently clear-cut to be its own authority. After all, what is demonstrably true is true even if no one believes it. Truth is not decided by majority vote, nor even by unanimous vote, nor even by the majority or unanimous vote of experts.


Even so, given that those most influential in education during the last few decades have been completely dismissive of grammar, some readers may at least be comforted to know that far from my being in isolation in stressing the unique importance of grammar, others clearly well placed to make a judgement have recently seen fit to air the same view in even stronger language than I have been using.
Libby Purves, experienced broadcaster, journalist and author, OBE for services to journalism, and 1999 Columnist of the Year, in an article in The Times of London on 27 August 2012 wrote:
Of all school disciplines English language matters most. Clarity, confidence, communication are the bed- rock of every other endeavour in education and in life: from physics to marketing, from engineering to law. Neglecting, downgrading and generally dumbing standards is a greater cruelty to children than anything visited on them by a clumsy exam board... It is wicked not to emphasize the difference between chatty street slang and formal, universally understood, clarity and correctness.
Dot Wordsworth, long-serving columnist for the weekly Spectator, also used the word “cruel” in an article in the Daily Telegraph of 6 July 2012:
It’s cruel not to teach children grammar... Pupils (or students as they are mysteriously called) are not taught such rules of spelling as may exist and certainly are not tested on them. As for adverbs, subjects, objects or clauses, let alone such fabulous monsters as subjunctives, children are left in sublime ignorance of them... At its worst, educational theory that rejects grammar does so because of a mad idea that children are noble savages better left to authenticity and the composition of rap lyrics. That way lies the scrap-heap and jail. Grammar sets them free. No one would think it a kindness to give a teenager a car without teaching her to drive, and that includes the rules of the road.
The word “cruel” is perhaps especially appropriate and telling, given that it is quite commonly used against those who hold that grammar should be imposed on children for their lasting benefit.
Cruel? Every worthwhile skill needs effort to acquire it, and even some of the purely enjoyable ones need very considerable effort. Does anyone ever look back and regret the effort made? On the contrary, no one who reaches a level of skill in any field ever wishes that he had a lower degree of skill in that field. In whatever you undertake, you want to reach, within reason, as high a standard in that field as your inborn capabilities make possible. All the more is this so with grammar, when everything depends on it.
Ergo: whether with reference to saving civilisation, at one extreme, or to protecting from appalling cruelty a single little child over whom you have some influence, at the other extreme, the importance of grammar as the primary step in any education is actually beyond the possibility of exaggeration.

Excerpted from Gwynne's Grammar by N. M Gwynne. Copyright © 2014 by N. M. Gwynne. Excerpted by permission of Knopf, a division of Random House LLC. All rights reserved. No part of this excerpt may be reproduced or reprinted without permission in writing from the publisher.

Petrobras: escandalo sobre escandalo por parte dos companheiros

Os companheiros devem ter algum problema psicológico com os tucanos, uma obsessão doentia -- o que já é uma redundância, pois toda obsessão é doentia, embora no caso dos companheiros essas obsessões sejam perversamente doentias -- pois a todo momento eles querem jogar a culpa pelos seus "malfeitos" -- segundo o conceito leve que eles introduziram, para mim são crimes e patifarias mesmo -- nos pobres dos tucanos, que não tem sequer capacidade para responder à altura.
Qualquer coisa que acontece no Brasil, a culpa está sempre no governo FHC, ou nos 500 anos anteriores, já repararam.
Deve ser um tique nervoso, que vai exigir muito psicanalista para curar...
Paulo Roberto de Almeida


Petrobrás identifica autor da mudança do perfil de Costa

MARIANA SALLOWICZ
Texto sobre ex-diretor da estatal na Wikipédia foi alterado para incluir relação com governo FHC



Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...