domingo, 9 de janeiro de 2022

Dez anos atrás, dois livros sobre os 90 anos da Semana de Arte Moderna - Sergio Leo

 A Semana de 22, e além

Livros de Raul Bopp e do jornalista Marcos Augusto Gonçalves revivem a Semana de Arte Moderna

"Movimentos modernistas no Brasil (1922-1928)", de Raul Bopp

"1922: A semana que não terminou", de Marcos Augusto Gonçalves

Entre favores de poderosos, viagens instrutivas à Europa e saraus elegantes, pariu-se o modernismo brasileiro. Uma de suas erupções, a Antropofagia de Oswald de Andrade, foi concebida por amigos em torno de um prato de pernas de rã deglutidas com goles de Chablis gelado, num jantar ciceroneado pelo gordo provocador e sua mulher de então, Tarsila do Amaral. Das rãs a Hans Staden, Oswald começou falando delirantemente da evolução das espécies e terminou liderando um movimento de poucos desdobramentos práticos e muitas ideias fascinantes.

A importância dos batráquios na concepção do Movimento Antropofágico é contada em tons ligeiros por Raul Bopp, em um dos livros que, como rojões no Réveillon, pipocaram no começo deste ano, em comemoração aos noventa anos da Semana de Arte Moderna de 22, evento singular em que intelectuais se revoltaram contra os antigos modelos estéticos trazidos da Europa e defenderam, para o Brasil, novos modelos fortemente influenciados… pela Europa vanguardista — como nota Marcos Augusto Gonçalves em outro livro lançado neste ano, 1922: A semana que não terminou.

O livro de Gonçalves é um bom contraponto ao simpático livrinho de Bopp, editado pela José Olympio, Movimentos modernistas no Brasil (1922-1928)A semana… é jornalístico, mas detalhado, documentado e profundo o suficiente para contentar a qualquer acadêmico; Movimentos… é descosido, impreciso, impressionista, mas repleto de detalhes divertidos capazes de prender até quem nem tenha tanto interesse assim no modernismo brasileiro. É um exaustivo inventário de uma parte importante da intelligentsia brasileira, num momento chave de nossa formação cultural.

Bopp, participante do movimento, é um caso nada incomum de escritor que marcou lugar na literatura brasileira com apenas uma de suas obras. O épico Cobra Norato, poema mergulhado no sincretismo das lendas amazônicas e no projeto modernista de levar aos livros a fala brasileira, é sua contribuição à “luta para desafogar o ambiente dos canastrões, que ditavam as regras do bom gosto”. Seu livro sobre a Semana, publicado inicialmente em 1966, começa com o percurso dos movimentos de arte contemporâneos (dele), em um resumo fortemente influenciado pelas ideias do futurismo italiano (“a visão que o homem moderno forma … funde-se em valores dinâmicos”, “a arte moderna veio … seguindo os caminhos da máquina”). Futurismo seria, aliás, a palavra usada — e depois renegada — por Oswald de Andrade e colegas. Razoavelmente honesto, o resumo de Bopp derrapa ao falar do dadaísmo, “composto, em parte, de subartistas apátridas”, na visão míope do escritor. Mas cumpre a função de mostrar que, enquanto fervia a cena artística europeia, concentrada em Paris, o “velho conformismo” amarrava a expressão artística em formas que nada tinham a ver com a crescente metrópole industrial.

Os “futuristas” brasileiros vão recorrer, porém, não à incipiente burguesia industrial, mas ao velho baronato do café, na figura de Paulo Prado, de linhagem aristocrática (para padrões locais) e esclarecida. Um mecenas como até hoje faz falta no cenário da riqueza nacional. Marcos Augusto Gonçalves, um dos melhores jornalistas da Folha, relata em detalhes os saraus da turma quatrocentona paulista, que reuniram e alimentaram a rebeldia de 22, e documenta como o “terremoto” modernista foi uma “rumorosa acomodação de atritos e fissuras nos limites de um mesmo grande campo”.

O projeto modernista, vitorioso, afinal, teve como trilho o esforço da nova elite paulista para assegurar a própria valorização histórica e cimentar a hegemonia intelectual na República nascente, onde a política já mudava de mãos. O discurso hiperbólico dos “futuristas” corria sem atritos pelas estradas de uma São Paulo que, no centenário da Independência, promovia também o revisionismo histórico capaz de fazer dos bandeirantes o modelo de herói nacional.

Em Raul Bopp, a memória afetiva torna leves os detalhes pitorescos do agrupamento de intelectuais e porraloucas bem instruídos transformados pela Semana em pioneiros da verdadeira Virada Cultural paulista. Em Marcos Augusto Gonçalves, o que dá leveza ao pantagruélico esforço de digestão bibliográfica é o texto jornalístico, amoroso nas descrições e carinhoso com os personagens (cada figura de importância no movimento ganha pelo menos um capítulo, todos com poucas páginas).

Pelo texto colorido de detalhes, Gonçalves põe o leitor no Teatro Municipal, nos dias nervosos da Semana. O livro traz uma reprodução do catálogo da mostra e Gonçalves se desdobra em minudências nada cansativas sobre as cerca de cem obras de arte expostas para as distintas famílias e a patuleia que participou do ao evento. O esforço do pesquisador traz, para a história, personagens esquecidos, como Ferrignac, que teria sido autor de misteriosa obra dadaísta (Gonçalvez se pergunta se havia dadaísmo de fato, ou se o termo entrou na descrição para inglês ou paulista ver). O livro desencava depoimentos como o de Menotti Del Picchia revelando que algumas obras foram “besuntadas” às pressas para dar volume à mostra e protestar, assim, contra um “meloso e decrépito academicismo”. Com outros exemplos, como o de Yan de Almeida Prado, nota-se que nem todo modernista era militante da causa; alguns, como esquerdistas dos anos 80 em convescotes da Libelu, se achegaram ao grupo por causa das festas.

Nesse debruçar-se sobre os personagens está um dos segredos do encanto no livro de Gonçalves. Mário de Andrade é descrito com riqueza, após surgir, a princípio, como figurante na polêmica exposição de Anita Malfati desancada de maneira boçal por Monteiro Lobato, num momento infeliz do escritor iconoclasta — de credenciais irrepreensíveis quando se tratava de combater o academicismo bolorento na literatura. (Sempre lamento que as preferências de Lobato em pintura não sejam mencionadas nem por Gonçalves, nem pela maioria dos que citam o famosos artigo “Paranoia ou Mistificação”, com que o escritor avacalhou a semente expressionista trazida pela pintora ao cenário brasileiro. No artigo em que apedreja as “cubices” de Anita, Lobato, revelando sua falta de olho em matéria de arte, cita como artistas exemplares pintores hoje relegados à periferia da história, como o “mimoso poeta das manhãs” Paul Chabas e o “gênio rembrandtesco” Frank Brangwin, pintores chegados ao rococó e popularíssimos na época).

No livro de Gonçalves, aos poucos, com Mário, com Oswald de Andrade e outros responsáveis pelo movimento, as histórias pessoais se desenrolam e se misturam aos eventos que passam pela Semana de Arte Moderna e vão além. Gonçalves leva ao leitor as dúvidas do pesquisador, no emaranhado de versões que contam essa história. O autor fala das dúvidas sobre o folclórico chinelo com que Villa-Lobos teria regido a execução de suas obras (provavelmente um pé enfaixado, por ataque de gota); compartilha as indicações de que pode ter sido armação teatral o começo da brutal vaia lançada na segunda noite como saudação contra Oswald e Mário (a primeira noite do evento, até com aplausos, teria frustrado os modernistas que esperavam choque e espanto da burguesia local); corrige os que atribuem a Mário, como resposta aos apupos, a leitura da “Ode ao Burguês”.

Gonçalves conta como Mário, o tímido intelectual atemorizado pela plateia agressiva, resistiu, como descreveria depois, “enceguecido pelo entusiasmo dos outros”; e descreve polifonicamente a vaia a Oswald, de acordo com as diferentes visões do próprio Oswald e de testemunhas do embate. O gosto pelo detalhe e pela documentação nunca tem, em 1922: A semana que não terminou, o sabor rançoso que deixa a leitura de pesquisas burocráticas: são cenas vivas e personagens divertidos que compõem uma história difícil de largar. O autor consegue uma unidade no relato que falta ao livrinho de Bopp, também com histórias que conseguem ser pitorescas e exemplares, mas a meio caminho entre o depoimento e o ensaio. Há uma tentativa, em Bopp, de resumir e classificar as correntes “modernistas”, que tem o mérito de traçar movimentos em todo o país, não só em Sampa. Cecília Meireles e Murilo Mendes, por exemplo, são etiquetados como “espiritualistas”. Há trechos, felizmente curtos, com cheiro de relatório de mestre-escola.

Por Bopp e Gonçalves, fica claro que Menotti Del Pichia e Di Cavalcantitiveram atuação fundamental na Semana. Di foi quem deu partida à ideia, atestam os autores. Historinhas paralelas pontuam e recompensam a leitura. Fica-se sabendo, por Bopp, que o futurista Marinetti passou por São Paulo e mal foi notado; lemos justificativas para sua tese de que Brasília não vingaria porque tem o “mau olhado dos deuses”; e conhecemos as experiências jornalísticas do autor, como a interessante Agência Nacional, primeiro esforço de uma agência de notícias brasileira, que reuniu simpatizantes da Coluna Prestes e recebia livros até do integralista Plínio Salgado.

O mais interessante entre os relatos pessoais de Bopp, porém, é a narrativa sobre a criação e desenvolvimento do Movimento Antropofágico, que ele acompanhou sem engajar-se inteiramente, como cronista atento. O Clube da Antropofagia, na casa de Tarsila do Amaral, então mulher de Oswald, tinha “feição britânica”, com “criados de luva branca”. Lamentavelmente, para Bopp, a antropofagia não desenvolveu seus achados e teses, como a revisão da história do Brasil a partir de constatações como a de que o país é fruto de imensa grilagem; sem invasão de terras, o Tratado de Tordesilhas teria feito do Brasil um Chile oriental mais gordinho.

São os dois livros uma leitura sem arrependimentos e fonte de consulta permanente. O filão não é esgotado, mas especialmente o leitor do livro de Marcos Augusto Gonçalves descobrirá, se não estava interessado na Semana de Arte Moderna de 22, por que deveria se interessar. Quem sabe, a partir dos achados e recolhidos de Gonçalves, outros autores encontrem ganchos para explicar o ambiente literário nacional contemporâneo, que às vezes repete como farsa o gosto pelos saraus exclusivos da burguesia que se imagina ousada e aprecia chocar-se com o mau comportamento de seus escribas indisciplinados. Quem sabe, o detalhamento da Semana, com obras como essas duas, dê novas luzes para iluminar o percurso criativo do que chamamos cultura brasileira.

::: Movimentos modernistas no Brasil (1922-1928) ::: Raul Bopp :::
::: José Olympio2012182 páginas:::
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::: 1922: A semana que não terminou::: Marcos Augusto Gonçalves :::
::: Companhia das Letras2012368 páginas :::
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Sergio Leo

Repórter especial e colunista do Valor Econômico. Em 2009, seu livro de contos Mentiras do Rio ganhou o Prêmio Sesc de Literatura.

O pior ministro da Saúde - Alberto Hideki Kanamura ( FSP)

 Alberto Hideki Kanamura disse tudo o que era preciso dizer sobre o desgraçado “médico” que atualmente envergonha o Ministério da Saúde:

Paulo Roberto de Almeida 

O pior ministro da Saúde

Ele protelou medida urgente de saúde pública, ato irresponsável e nefasto

Folha de São Paulo, 6.jan.2022

Alberto Hideki Kanamura

(Médico há 45 anos, trabalhou por 30 anos na gestão de serviços públicos e privados de saúde)

Em março do ano passado, acreditei que não poderia haver pior ministro da Saúde do que o que estava sendo exonerado. Hoje descubro que o viés profissional tinha me enganado. Se aquele, por convicção e formação, era subserviente ao seu comandante em chefe, o atual é asquerosamente servil.

Quando declarou ser "preferível perder a vida do que perder a liberdade", papagueando o chefe, abdicou da sua autoridade médica ao não prescrever o passaporte vacinal. Depois, questionou a imunização em crianças. Disse que não abria mão, como maior autoridade sanitária, para decidir se a vacina deveria ou não ser aplicada. Consulta pública? A Anvisa não é confiável? 

Ele protelou medida urgente de saúde pública, contrariando a ciência e as entidades de especialistas. Ato irresponsável e nefasto. Adiar tal medida possibilita que suscetíveis adoeçam e até evoluam para a morte. Está prevaricando.

Sua obrigação legal é garantir, por ações, a redução de riscos das doenças e de agravos. Ainda que seja "antivacina" (parece não ser o caso), não deve fazer prevalecer sua opinião quando a Anvisa já se pronunciou, orientando-o à decisão mais acertada, com base técnica e científica. Textos hipocráticos já ensinavam: "depois de termos adquirido o completo conhecimento da medicina, nas idas e vindas, sejamos considerados médicos, não somente de nome, mas de fato. A inexperiência, o mau tesouro e o mau espólio, em sono ou vigília, não compartilhar da alegria e da tranquilidade, alimenta a covardia e o atrevimento. Pois a covardia assinala a falta de capacidade, e o atrevimento, a falta de perícia. São duas coisas distintas, a ciência e a opinião: uma produz saber, e a outra, ignorância".

Errar, todos erramos; para isso, há perdão. Não é perdoável, entretanto, que, deliberadamente, atente contra a população, usando a autoridade de ministro. O médico, quando ministro, não deixa de ser médico e deve seguir os preceitos da profissão. O juramento diz que, se estes forem cumpridos, possa desfrutar a vida afamada junto aos homens, e se os transgredir, que o contrário aconteça.

Quem sou eu para julgar? Mas, como médico, obrigo-me a denunciar um colega que está a transgredir os postulados éticos. Dois fundamentos do Código de Ética Médica foram contrariados. "O médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho." Contra a sua formação, diz seguir o que manda o presidente.

"O médico terá, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem se eximir de denunciar atos que contrariem os postulados éticos." Calou-se e até apoiou o presidente da República, que, contrariado com a decisão da Anvisa, jogou seus técnicos às feras no Coliseu das mídias sociais.

Além disso, transgrediu ao menos três artigos do código: 1 - "Ao médico é vedado causar danos ao paciente por ação ou omissão". Retardando a vacinação infantil, está causando danos a esta população; 2 - "Ao médico é vedado acumpliciar-se com os que exercem ilegalmente a medicina", acobertando abertamente quem prescrevia medicamentos sem eficácia; e 3 - "Ao médico é vedado permitir que interesses pecuniários, políticos, religiosos ou de quaisquer outras ordens, do seu empregador ou superior hierárquico, ou do financiador público ou privado de assistência à saúde, interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, diagnóstico e tratamento disponíveis cientificamente reconhecidos no interesse da saúde do paciente e da sociedade".

Faço esta denúncia pública para escrutínio dos colegas por não acreditar que o Conselho Federal de Medicina, que hoje tem lado, vá tomar qualquer medida — a não ser contra mim, que me coloco do outro lado. Conclamo a todos que se dedicaram a ler este texto a refletir e a se perguntar: por que raios o médico quer ser ministro da Saúde?"


Acrescento (PRA): o CFM envergonha a corporação ao ser conivente e omisso com respeito aos atentados à saúde pública que vêm sendo perpetrados por autoridades políticas com a colaboração de profissionais da saúde que descumprem seu juramento de graduação.

Bolsonaro expõe a imundície de suas entranhas e de seu projeto eleitoral - Vinicius Torres Freire (FSP)

 O psicopata se degrada e degrada o país. O degenerado é uma escória ambulante que não consegue sequer ser um líder fascista, pois para  isso seria preciso ter um discurso organizado. O genocida é apenas o que restou do esterco da política, que só emergiu a parte da Grande Destruição lulopetista da economia e da moralidade pública.

O Brasil desgraçadamente caminha para mais um ano de mediocridade degradante com essa imundície no poder.

Paulo Roberto de Almeida 


Bolsonaro expõe a imundície de suas entranhas e de seu projeto eleitoral

Brutalidade, exibição de vergonhas e artes do espectro fascista são projeto eleitoral

Viniciu Torres Freire

Folha de S. Paulo, 9/01/2022

O espetáculo, a massificação da mentira e a propaganda da morte são atitudes típicas de políticos do espectro fascista. Jair Bolsonaro não é lá diferente. Foi assim a virada de ano da extrema direita brasileirinha, ainda mais repugnante na sua decomposição avançada, mas até por isso mesmo capaz de causar mais pestes.

O país se degrada, mais gente padece de fome, doença ou desgraças como as enchentes da Bahia. A administração pública se desorganiza mais, ora em revolta contra caprichos sectários desse tipo que ocupa a cadeira de presidente, que quer agradar polícias a fim de manter consigo falanges armadas.

Há operações-padrão de auditores da Receita, o que ameaça por exemplo a importação de combustíveis; há ameaça de greve geral de servidores. A produção da indústria encolheu pelo sexto mês seguido, o que não se via desde a recessão de 2015. Azares do tempo podem fazer com que a safra de grãos seja menor que a do ano passado —​se esperava recorde, um anteparo mínimo para a recessão que começa a aparecer no horizonte. Mas não há governo, tentativa de reação ou remédio. Ao contrário.

Bolsonaro vai a culto da Igreja Sara Nossa Terra, no Distrito Federal - @Bispo Robson Rodovalho no Facebook

O capitão da morte vadiava, indiferente a sofrimentos e desordens, rindo com sua catadura selvagem e sua boca espumante. Fazia o show do tiozão grosseiro desfilando com brinquedos caros e barulhentos. Era parte da palhaçada da autenticidade, show que em breve voltaria quase à indecência teratológica dos tempos das cirurgias, durante a internação indigesta do tapado. Uma parte do espetáculo de Bolsonaro é a exposição de suas entranhas morais e quase literalmente físicas: intimidades com a mulher com quem se casou, o corpo nu cheio de tubos, as cicatrizes e, agora, sua indigestão monstruosa.

"Foi domingo. Eu não almoço, eu engulo. Foi uma peixada, tinha uns camarõezinhos também. Eu mastiguei o peixe e engoli o camarão", disse, ao explicar sua mais recente internação.

A indecência, a brutalidade e a feiura são parte da estética política do bolsonarismo. Entender porque o despudor ainda comove suas falanges e um tanto mais do eleitorado é um problema, mas desde a irrupção de Bolsonaro tal exposição faz algum efeito. A exibição do desmazelo pessoal, corporal e social, sua boca-suja, seu linguajar iletrado e cafajeste, o chinelão, o leite condensado com migalhas espalhadas pela mesa, tudo faz parte da fantasmagoria da autenticidade.

O espetáculo vai além, claro. Há motociatas e comícios golpistas, assim como a nomeação de inimigos da pátria, do cardápio tradicional do espectro fascista. Há o heroísmo de fancaria de quem diz lutar contra o "sistema" e a difusão de mentiras conspiratórias que tempera esse brutesco. Há o farisaísmo, as blasfêmias e o uso do nome de Deus em vão, o que espantosamente não abala muita gente religiosa. Há a propaganda da morte, a crítica aos "tarados por vacina" e a indiferença quanto à morte de crianças. Tudo isso é tolerado, como se o salvador da pátria e da família tivesse de vir travestido de anticristão (o que também é o caso de Donald Trump).

E daí? Esse é o monstro que, daqui a outubro, tentará obter votos para a reeleição ou algum modo de sobreviver politicamente ou fora da cadeia. Esses são seus recursos. Bolsonaro não tem nada que qualquer governante no limite do universo da razão e da decência pudesse apresentar como realização. Seus instrumentos são a ameaça de morte, baderna armada, golpe e tirania, o grotesco nauseabundo e a apelação aos sentimentos mais baixos e desumanamente lunáticos _o tipo é indiferente à morte de crianças, ressalte-se.

Foi assim o Ano Novo de Bolsonaro. Por que acreditar que o ano eleitoral será diferente? O que mais lhe resta além da fuga? A desordem imunda.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Um exemplo do autismo americano - Richard Haass (Council on Foreign Relations)

 Ou, o mundo according to Washington. Mesmo os melhores acadêmicos americanos não conseguem escapar do americano-centrismo que caracteriza a maior parte de suas análises sobre os problemas mundiais.

Richard Haass, Presidente do Council on Foreign Relations, a mais prestigiosa instituição america de relações internacionais, acha que os problemas da descoordenação mundial da pandemia se devem ao “sistema internacional”, e não à política dos países, a começar pelos EUA, que tomaram pretexto da Covid-19 ter iniciado na China para desmantelar o trabalho que a ONU e a OMS poderiam ter feito nessa área, junto com outras entidades multilaterais (desprezadas e hostilizadas pelo Grande Mentecapto chamado Donald Trump). Todo o resto segue a mesma toada: os problemas estão com a China ou com a OMC, nunca com os EUA.

Paulo Roberto de Almeida 

 

Project Syndicate, Praga – 6.1.2022

A World of Mounting Disarray

From climate change to public health to geopolitical rivalry and the security of cyberspace, the gap between global challenges and responses is large and growing. And the resources needed to turn things around – especially collective will and skillful diplomacy – are in short supply.

Richard Haas

 

New York - My book, A World in Disarray, was published five years ago this month. The book’s thesis was that the Cold War’s end did not usher in an era of greater stability, security, and peace, as many expected. Instead, what emerged was a world in which conflict was much more prevalent than cooperation.

Some criticized the book at the time as being unduly negative and pessimistic. In retrospect, the book could have been criticized for its relative optimism. The world is a messier place than it was five years ago – and most trends are heading in the wrong direction.

At the global level, the gap between challenges and responses is large and growing. The COVID-19 pandemic exposed the inadequacies of international health machinery. We are entering the third year of the pandemic, but still do not know its origins, thanks to Chinese stonewalling.

What we do know is that more than five million people, and more likely 15 million, have died. We also know that some three billion people (many in Africa) have yet to receive a single dose of a COVID-19 vaccine. And we know that the ongoing pandemic has reduced global economic output by trillions of dollars.

Climate change has advanced. The world is already more than 1° Celsius warmer than it was at the start of the industrial revolution and is on course to get warmer. Extreme weather events are more frequent. Fossil fuel use is up.

Governments have pledged to do better. Their performance remains to be seen; in some cases, including China and India, the world’s two most populous countries, the pledges are noteworthy for their lack of ambition and urgency.

Cyberspace remains akin to the Wild West, with no sheriff willing or able to set boundaries on acceptable behavior. There is not even the pretense of global cooperation. Rather, we see technology outpacing diplomacy, with authoritarian governments going to considerable lengths to wall off their societies while violating the cyberspace of others to sow political discord or steal technology.

Nuclear proliferation continues. North Korea has increased the quantity and quality of its nuclear arsenal and the range and accuracy of its missiles. And, in the aftermath of the unilateral US decision in 2018 to exit the accord that placed temporary ceilings on Iran’s nuclear capabilities, the Islamic Republic has gone from being a year away from possessing a nuclear weapon to just a few months or even weeks.

Great power rivalry is more pronounced than at any time since the Cold War. US-China relations have deteriorated rapidly, mostly owing to increased Chinese repression at home, trade and economic frictions, and China’s growing military strength and increasingly assertive foreign policy. Against a backdrop of growing economic competition and possible conflict over Taiwan, it is unclear whether the two countries will be able to cooperate on global challenges like public health and climate change.

Russia is arguably even more disaffected with the world order. Three decades after the end of the Cold War, President Vladimir Putin, seemingly ensconced in power for the foreseeable future, is set on stopping or, if possible, reversing NATO’s reach. Putin has shown himself to be comfortable using military force, energy supplies, and cyberattacks to destabilize countries and governments he views as adversarial. The immediate target is Ukraine, but the strategic challenge posed by Putin’s Russia is much broader.

Other developments also offer reason for concern. More than 80 million – one in every hundred people – are displaced. Many times that number are enduring what can only be described as a humanitarian crisis. The Middle East is home to several ongoing wars that are simultaneously civil and regional.

Democracy is in retreat in much of the world, not just in dramatic cases such as Myanmar and Sudan, but also in parts of Latin America and even Europe. Haiti and Venezuela are essentially failed states, as are Libya, Syria, and Yemen. Afghanistan appears on its way to again becoming a world leader in terrorism, opium production, and misery.

There is one other critical factor: The United States is in greater disarray internally than it was five years ago. Political polarization is at an all-time high, and political violence has emerged as a serious threat. The peaceful transfer of political power following elections can no longer be taken for granted. This internal reality has in turn accelerated America’s pullback from global leadership after three-quarters of a century. No other country is able and willing to assume this role.

To be sure, some positive developments deserve mention: the rapid creation of vaccines that dramatically reduce vulnerability to COVID-19; new green technologies that reduce reliance on fossil fuels; growing cooperation between the US and several of its partners to push back against a more forceful China; and the simple fact that, so far, great power rivalry has not descended into war.

What would it take to avoid a future defined by disarray? A short list would include widespread vaccination against COVID-19 and new vaccines effective against future variants; a technological or diplomatic breakthrough that would dramatically reduce the use of fossil fuels and slow climate change; a political settlement in Ukraine that promotes European security and an outcome with Iran that prevents its becoming a nuclear or even near-nuclear power; a US-China relationship able to put in place guardrails to manage competition and avoid conflict; and a US that managed to repair its democracy sufficiently so that it had the capacity to focus on world events.

As always, little is inevitable, for better or for worse. What is clear, though, is that trends will not improve by themselves. Innovation, diplomacy, and collective will are needed to turn things around. Unfortunately, the last two are in short supply.

 

Richard Haass, President of the Council on Foreign Relations, previously served as Director of Policy Planning for the US State Department (2001-2003), and was President George W. Bush's special envoy to Northern Ireland and Coordinator for the Future of Afghanistan. He is the author, most recently, of The World: A Brief Introduction (Penguin Press, 2020).

 

Alertas sobre uma “guerra civil” nos EUA são exagerados - David Remnick, Peter Baker (The New Yorker e NYT)

 Mais dois inacreditáveis alertas sobre a possibilidade de “guerra civil” no cenário prospectivo da “democracia” americana. Não ocorrerá, é claro, mas esses alertas repetidos testemunham a fragilidade da atual “República democrática” estável e “farol” das liberdades mundiais:


The New Yorker -6.1.2022

Is a Civil War Ahead?

A year after the attack on the Capitol, America is suspended between democracy and autocracy.

David Remnick

The New Yorker – 6.1.2022


A Year Later, Jan. 6 Becomes Just Another Wedge in a Divided Nation

The nearly universal outrage after the assault on the Capitol has reverted to separate blue and red realities, and former President Donald J. Trump has remained the dominant force in his party.

Peter Baker


Grato a meu amigo Pedro Luiz Rodrigues pela transcrição sempre atenta e diversificada dos melhores artigos da imprensa mundial.


The New Yorker -6.1.2022

Is a Civil War Ahead?

A year after the attack on the Capitol, America is suspended between democracy and autocracy.

David Remnick

 

The edifice of American exceptionalism has always wobbled on a shoddy foundation of self-delusion, and yet most Americans have readily accepted the commonplace that the United States is the world’s oldest continuous democracy. That serene assertion has now collapsed.

On January 6, 2021, when white supremacists, militia members, and MAGA faithful took inspiration from the President and stormed the Capitol in order to overturn the results of the 2020 Presidential election, leaving legislators and the Vice-President essentially held hostage, we ceased to be a full democracy. Instead, we now inhabit a liminal status that scholars call “anocracy.” That is, for the first time in two hundred years, we are suspended between democracy and autocracy. And that sense of uncertainty radically heightens the likelihood of episodic bloodletting in America, and even the risk of civil war.

This is the compelling argument of “How Civil Wars Start,” a new book by Barbara F. Walter, a political scientist at the University of California San Diego. Walter served on an advisory committee to the C.I.A. called the Political Instability Task Force, which studies the roots of political violence in nations from Sri Lanka to the former Yugoslavia. Citing data compiled by the Center for Systemic Peace, which the task force uses to analyze political dynamics in foreign countries, Walter explains that the “honor” of being the oldest continuous democracy is now held by Switzerland, followed by New Zealand. In the U.S., encroaching instability and illiberal currents present a sad picture. As Walter writes, “We are no longer a peer to nations like Canada, Costa Rica, and Japan.”

In her book and in a conversation for this week’s New Yorker Radio Hour, Walter made it clear that she wanted to avoid “an exercise in fear-mongering”; she is wary of coming off as sensationalist. In fact, she takes pains to avoid overheated speculation and relays her warning about the potential for civil war in clinical terms. Yet, like those who spoke up clearly about the dangers of global warming decades ago, Walter delivers a grave message that we ignore at our peril. So much remains in flux. She is careful to say that a twenty-first-century American civil war would bear no resemblance to the consuming and symmetrical conflict that was played out on the battlefields of the eighteen-sixties. Instead she foresees, if the worst comes about, an era of scattered yet persistent acts of violence: bombings, political assassinations, destabilizing acts of asymmetric warfare carried out by extremist groups that have coalesced via social media. These are relatively small, loosely aligned collections of self-aggrandizing warriors who sometimes call themselves “accelerationists.” They have convinced themselves that the only way to hasten the toppling of an irredeemable, non-white, socialist republic is through violence and other extra-political means.

Walter makes the case that, as long as the country fails to fortify its democratic institutions, it will endure threats such as the one that opens her book: the attempt, in 2020, by a militia group in Michigan known as the Wolverine Watchmen to kidnap Governor Gretchen Whitmer. The Watchmen despised Whitmer for having instituted anti-COVID measures in the state—restrictions that they saw not as attempts to protect the public health but as intolerable violations of their liberty. Trump’s publicly stated disdain for Whitmer could not have discouraged these maniacs. The F.B.I., fortunately, foiled the Wolverines, but, inevitably, if there are enough such plots—enough shots fired—some will find their target.

America has always suffered acts of political violence—the terrorism of the Klan; the 1921 massacre of the Black community in Tulsa; the assassination of Martin Luther King, Jr. Democracy has never been a settled, fully stable condition for all Americans, and yet the Trump era is distinguished by the consuming resentment of many right-wing, rural whites who fear being “replaced” by immigrants and people of color, as well as a Republican Party leadership that bows to its most autocratic demagogue and no longer seems willing to defend democratic values and institutions. Like other scholars, Walter points out that there have been early signs of the current insurgency, including the bombing of the Alfred P. Murrah Federal Building in Oklahoma City, in 1995, which killed a hundred and sixty-eight people. But it was the election of Barack Obama that most vividly underlined the rise of a multiracial democracy and was taken as a threat by many white Americans who feared losing their majority status. Walter writes that there were roughly forty-three militia groups operating in the U.S. when Obama was elected, in 2008; three years later there were more than three hundred.

Walter has studied the preconditions of civil strife all over the world. And she says that, if we strip away our self-satisfaction and July 4th mythologies and review a realistic checklist, “assessing each of the conditions that make civil war likely,” we have to conclude that the United States “has entered very dangerous territory.” She is hardly alone in that conclusion. The International Institute for Democracy and Electoral Assistance in Stockholm recently listed the U.S. as a “backsliding” democracy.

The New York Times – 6.1.2022

A Year Later, Jan. 6 Becomes Just Another Wedge in a Divided Nation

The nearly universal outrage after the assault on the Capitol has reverted to separate blue and red realities, and former President Donald J. Trump has remained the dominant force in his party.

Peter Baker

 

Washington, DC -  For a day or two or maybe a week after the can-you-believe-this-is-happening-in-America events of a year ago, there were those who thought that the shock to the system might upend politics in a profound way.

That the country might speak as one against an attempt to overturn democracy. That the tribal divisions of the era might be overcome by a shared sense of revulsion. That a president who encouraged a mob that attacked Congress in a vain bid to hold onto power might be ostracized or at least fade into exile.

That was then. A year after the Jan. 6 assault on the Capitol in which supporters of President Donald J. Trump trying to stop final recognition of a certified free and fair election burst through barricades, pummeled police officers and forced lawmakers to flee for their lives, what is most striking is not what has changed, but what has not.

America has not come together to defend its democracy; it has only split further apart. Lies and disinformation spread by the former president have so permeated the political ecosphere that nearly universal outrage has reverted to separate blue and red realities. Far from shunned for what even his own vice president deemed an unconstitutional attempt to thwart the will of the voters, Mr. Trump remains the undisputed powerhouse of his party — and a viable candidate to reclaim the White House in three years.

“I just kept hoping that that was going to change after the election,” said Olivia Troye, a lifelong Republican who worked on the White House coronavirus task force before breaking with Mr. Trump in 2020 and joining efforts to defeat him. “And then with the events after the election and Jan. 6, it became clear this was something that was going to be even more dangerous and pervasive than one man sitting in the Oval Office.”

The first anniversary of the assault on the Capitol serves as a chance to take stock of a country still trying to make sense of it all. Rather than a wake-up call highlighting for all the fragility of the American experiment, the violence that besieged Washington turns out to have been one more chapter in the polarizing, partisan, ideological and cultural struggle over truth and consequences in the modern era.

The disparate approaches to Thursday’s anniversary reflect the fraught condition of the nation’s politics. Rather than join in unified commemoration, President Biden and congressional Democrats will hold events marking the moment while Republican leaders plan to absent themselves. Mr. Trump originally planned to hold his first post-presidential news conference on Thursday but abruptly changed his mind.

While Mr. Biden and the Democrats describe the dangers to the constitutional order from what amounted to an anti-democratic insurrection, Mr. Trump and his allies rail against a congressional investigating committee and seek to rewrite history by repeating wild and false claims about a supposedly stolen election and asserting that the riot was born out of justified anger.

“Why is the primary reason for the people coming to Washington D.C., which is the fraud of the 2020 Presidential Election, not the primary topic of the Unselect Committee’s investigation?” Mr. Trump said in a statement this week. “This was, indeed, the Crime of the Century.”

An extensive, monthslong review by The Associated Press of every fraud claim in six battleground states targeted by Mr. Trump found fewer than 475 suspicious votes or attempted votes. That was not nearly enough to swing the results in a single state, much less the three or more necessary to tip the Electoral College, even if all of them had been counted for Mr. Biden, which they were not.

But the extent to which Mr. Trump has shaped the narrative, at least within his own party, would have defied belief a year ago when leaders on both sides of the aisle were seething with indignation at what he had unleashed. At the time, even allies thought Mr. Trump had forever sullied his name in the history books, as indicated by the subsequent investigation.

While intruders marauded through the Capitol, Laura Ingraham, the Fox News host, texted the White House chief of staff imploring him to get the president to call off the mob, warning that “he is destroying his legacy.” Her colleague Brian Kilmeade likewise texted that Mr. Trump was “destroying everything you have accomplished.”

Today, it has become heresy among conservatives to question Mr. Trump’s legacy. The cabinet secretaries and White House aides who resigned in protest of his role in the violence now largely keep to themselves. Many corporations that vowed to halt donations to Republican lawmakers who voted to overturn the election have quietly reopened the contribution spigot. The congressional Republicans who angrily denounced the president after their headquarters was invaded have gone silent or even made the pilgrimage to Mar-a-Lago, all but pretending it never happened.

 “It’s a pretty sobering lesson about human nature,” said Representative Jamie Raskin of Maryland, a Democrat who led the House managers prosecuting Mr. Trump in a Senate impeachment trial and now serves on the House select committee investigating Jan. 6.

In an interview, Mr. Raskin said he had ordered books about cults and deprogramming to try to understand his Republican colleagues. “It’s amazing to me how many of these Republican leaders have just fallen into line like lemmings,” he said. “I tell them when it’s all over, they’re only going to be fit to sell flowers and incense at Dulles Airport. They have basically surrendered their critical thinking skills.”

Mr. Raskin, who this week published “Unthinkable: Trauma, Truth, and the Trials of American Democracy,” his own book on Jan. 6 and the subsequent Senate trial, at one point a year ago thought enough Republicans were fed up with Mr. Trump to convict him of high crimes and misdemeanors. In fact, just seven Republican senators voted to convict, short of the 17 required along with Democrats for a two-thirds majority, but it was the most bipartisan Senate vote in presidential impeachment history.

A year later, neither Mr. Raskin nor anyone else can say for sure that even those seven Republicans would still back conviction. “Rejecting the fact that Joe Biden won the 2020 election is now the organizing principle of the G.O.P.,” he said. “That is a terrifying and astonishing new reality that we have to contend with.”

For many Republicans, even those who privately despise Mr. Trump and agree that Mr. Biden was legitimately elected, Jan. 6 is a topic to avoid. They bristle at the focus on it, seeing it not as a good-faith effort to find out what happened but a partisan weapon to tear them down and distract from the Democrats’ own failed policies.

And then there are the Republicans still firmly in the former president’s camp and eager to take on the fight and amplify his claims, like his onetime chief strategist, Stephen K. Bannon, who is hosting a podcast with other Trump allies on the anniversary to counterprogram the Democratic-led events.

Newt Gingrich, the former House speaker, said that “Jan. 6 is going to be a disaster rather than an asset for Democrats” that will cost them seats in the November midterm elections. While he said those who broke into the Capitol should be brought to justice and the event investigated, he argued that Democrats were covering up their own complicity in not providing adequate security for the Capitol.

“The process of the select committee is only getting more corrupt and destructive,” Mr. Gingrich wrote in a newsletter this week. “Using an outrageous, painful and unacceptable event (which I fully condemn) to smear your opponents rather than find the truth will ultimately be repudiated by the American people.”


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