domingo, 16 de novembro de 2025

Ricupero, Lafer e as relações internacionais do Brasil: Livro Vidas Paralelas, de Paulo Roberto de Almeida - Marco Aurelio Nogueira

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Ricupero, Lafer e as relações internacionais do Brasil
Marco Aurelio Nogueira blog, 16//11/2025

Livro reconstroi trajetórias e ideias de duas figuras que fizeram, ao longo da vida, uma verdadeira ode à diplomacia, à busca da paz e da harmonia no mundo

Você lê o interessantíssimo livro do diplomata Paulo Roberto de Almeida como se estivesse acompanhando uma conversa entre amigos. Há um mestre de cerimônias, o autor, que se mistura com os amigos, menciona suas biografias, qualidades e trajetórias. São todos especialistas em diplomacia, Itamaraty e política externa.

O livro transpira afinidades eletivas, como Paulo Roberto menciona algumas vezes. As afinidades o auxiliam a captar o lado humano e profissional das duas grandes figuras públicas merecedoras de sua atenção, Rubens Ricupero ( e Celso Lafer (1941) Há convergências e confluências entre eles, mas também diferenças. Paralelismo. Ricupero e Lafer são personagens de destaque da política externa brasileira. São intelectuais refinados, escritores de livros seminais e de intensa atividade pública.

Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (RJ, Ateliê de Humanidades, 2025) tem seu mérito maior na exposição que nos faz de duas figuras que fizeram, ao longo da vida, uma verdadeira ode à diplomacia, à busca da paz e da harmonia no mundo. Viveram as guerras e atrocidades das últimas décadas, estudaram suas determinações, enveredaram pelas trilhas da pesquisa e da reflexão teórica, sempre à procura de novos conhecimentos. O foco de ambos foi localizar o lugar do Brasil no mundo e compreender sua história no terreno das relações internacionais.

Ricupero escreveu o imprescindível A diplomacia na construção do Brasil (1750 – 2022) (Versal Editores, 2024). Foi ministro da Fazenda e secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento-UNCTAD, entre 1995 e 2004, período durante o qual incentivou a pesquisa em economia criativa.

Lafer, por sua vez, foi um acadêmico atento às teorias do direito internacional, publicou importantes livros e atuou por duas vezes como Chanceler brasileiro (1992 e 2001-2002), além de ter trabalhado na área diplomática internacional. É autor de A Identidade Internacional do Brasil e a política externa brasileira (Perspectiva, 2020).

Diferentes, mas convergentes trajetórias. Interesses comuns, afinidades intelectuais (Norberto Bobbio, Hannah Arendt, Raymond Aron) e perspectivas políticas semelhantes, “um liberalismo com consciência social”. Continuam a formar uma dupla não projetada, mas que se afirmou no correr do tempo, alimentada por uma comunhão de ideais e atividades. “Diplomatas da inteligência”, como Ricupero afirmou certa vez, ao homenagear José Guilherme Merquior.

O projeto que Paulo Roberto materializou nesse livro é, no essencial, uma história intelectual. Os dois intelectuais de que ele se ocupa são figuras públicas proeminentes, que, no arco de sessenta anos, deram importante contribuição para um melhor conhecimento do Brasil pelo mundo e pelos próprios brasileiros. Com origens e trajetórias pessoais distintas, seus caminhos terminaram por se “cruzarem, se imbricarem e não mais se desligarem”. Ambos continuam a trabalhar, a manter relações de amizade e afinidade intelectual.

O livro não se propõe a ultrapassar os limites impostos pela concepção de história intelectual. Há uma recuperação pontual de traços biográficos, mas o texto sabe como incorporá-los. Do mesmo modo, Paulo Roberto estabelece com clareza que será dada “atenção apenas seletiva à ação de ambos no campo da diplomacia prática, ou da governança de maneira geral”. O foco estará sempre nas ideias, com o objetivo de “ressaltar os aspectos mais significativos de duas trajetórias intelectuais e de atuação pública”, de alcançar “uma síntese tentativa do imenso volume de conhecimento que eles colocaram à disposição do público brasileiro, e até estrangeiro”.

A ideia de traçar o paralelismo entre a vida de Ricupero e Lafer encontra apoio em pontos essenciais: “Uma mesma origem na imigração, ainda que diferente em suas raízes, uma trajetória similar de construção de vida pelo trabalho, o mesmo esforço nos estudos, uma absoluta identidade de propósitos quanto a objetivos maiores”. O que prevalece, da história narrada por Paulo Roberto de Almeida, é sua admiração pelos intelectuais estudados, unidos por dois elementos intangíveis: a cultura e a inteligência.

O livro, em resumo, nos ajuda a compreender melhor a contribuição que Rubens Ricupero e Celso Lafer deram e continuam a dar para tornar o Brasil mais conhecido e, quem sabe, mais preparado para lidar com o complexo mundo atual e enfrentar seu futuro. Uma ótima iniciativa.

Paulo Roberto de Almeida é diplomata, professor universitário e autor de diversos livros e artigos. Entre suas publicações mais recentes, incluem-se Apogeu e demolição da política externa. Itinerários da diplomacia brasileira (Curitiba, Appris, 2021) e, como organizador, Intelectuais na Diplomacia Brasileira: A cultura a serviço da nação (Rio de Janeiro: Francisco Alves; São Paulo: Unifesp, 2025).

Marco Aurélio Nogueira

Cientista político brasileiro, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e Professor Titular Aposentado da Universidade Estadual Paulista-UNESP. 

Uma pequena ONU nos textos acessados em Academia.edu: Origem das buscas nesta plataforma - Paulo Roberto de Almeida

 Os textos mais acessados em minha página na plataforma Academia.edu.


5117. “Uma pequena ONU nos textos acessados em Academia.edu”, Brasília, 16 novembro 2025, 9 p. Lista, feita a partir do Analytics, contendo a origem das buscas nesta plataforma (https://unb.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida), trabalhos meus e textos de terceiros. Postada em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/144991080/5117_Uma_pequena_ONU_nos_textos_acessados_em_Academia_edu ).

Uma pequena ONU nos textos acessados em Academia.edu
Origem das buscas nesta plataforma (trabalhos meus e textos de terceiros)

Paulo Roberto de Almeida

O Analytics da plataforma Academia.edu tem vários tipos de seleções para listagem setorial dos acessos. Uma das que mais aprecio é a que relaciona as cidades e os países de origem. Isso me permite ver, igualmente, quais textos estão sendo mais buscados em minha página; justamente, um dois mais buscados é o relatório Military Balance (2023 e 2024), um dos “externos”, mas que aparece repetidamente. Na relação abaixo, eu relacionei unicamente os acessos feitos do início do dia 15 de novembro e metade deste dia, mais exatamente até as 13:46hs do dia 16 de novembro.

13:46 Nov 16 Baghdad Iraq O Itamaraty na Cultura Brasileira...
13:38 Nov 16 Rio de Janeiro Brazil 22) Prata da Casa: os...
13:35 Nov 16 Ouricuri Brazil 2786) A globalização e o...
13:27 Nov 16 Phnom Penh Cambodia 1744) Lula’s Foreign Policy during...
(...)

Just a compilation of access and downloads established from the Academia.edu Analytics, showing the origin (city and country) and the text available in my page, either mine or third parties.

Lista completa (9 páginas) em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/144991080/5117_Uma_pequena_ONU_nos_textos_acessados_em_Academia_edu ).


A CHEGADA DE BOLSONARO NO INFERNO - Bastião da Curiboca


A CHEGADA DE BOLSONARO NO INFERNO
Por Bastião da Curiboca

Corria um dia tranquilo
Na portaria do inferno.
A fila estava pequena
Com três caboco de terno;
Um agiota, um banqueiro,
E um pastor potoqueiro
Invocando o Pai Eterno.

O capeta da guarita
Só conferia os malfeito
Numa lista bem comprida
Ia ticando, com jeito:
Ladroagem, carteirada,
Ódio, usura, mentirada,
Consciência com defeito.

Mais atrás vinha uma quenga
E um vendedor de seguro;
Pouco depois um pinguço
Ralando o chifre no muro;
Uma dupla sertaneja,
Uma barata-de-igreja,
E um tarado de pau duro.

Tudo estava nos conformes
Naquela burocracia,
Quando se ouviu ao longe
Uma estranha tropelia.
Fazendo muita poeira,
Promovendo quebradeira,
Xingando a democracia.

Na frente, boca espumando,
Tinha um tal de Capitão.
Com a mão fazia um gesto
Imitando um três-oitão;
Riso de psicopata,
Catinga de vira-lata,
E zóio de assombração.

Ele logo foi dizendo:
“Sou presidente, tá oquei?
Tenho apoio da milícia,
Da rede globo e da lei.
Vou trocar o delegado!
Eu quero um advogado,
Daqueles que eu já comprei”.

O diabo olhou o tipo
E pensou: “Lá vem encrenca!”
O cabra não vinha só,
Vinha com ele uma renca:
Tinha milico fardado,
Fazendeiro, deputado,
E jornalista em penca.

“Trezentos mil. E daí?”
Relinchava o genocida,
E era aplaudido com força
Pela claque ensandecida.
Os quatro filhos vibravam,
Enquanto compartilhavam
Da rachadinha bandida.

Puxando o coro dos males,
O general Pazuello;
Damares, Ricardo Salles,
Parecia um pesadelo!
O chanceler Araújo
Com QI de caramujo,
Paulo Guedes num camelo.

“Eu vim para destruir!”
Gritava o quase-demente.
E chegou na portaria
Querendo passar na frente.
“Não ligo pra pandemia!
Mi-mi-mi é covardia,
De quem não votou na gente!”

Capeta coçou o rosto,
E farejou confusão.
“Esse aí parece encosto,
Vou precisar de outra ação.”
E ligou prum mais chifrudo,
Mais graduado, pançudo,
Que chegou com a guarnição.

“O que está acontecendo
Nessa repartição?
Aqui é lugar decente,
Não pode haver confusão.
Não me importa a patente,
Tem de ser obediente
Em nossa jurisdição.”

O capitão gargalhou
De um jeito alucinado.
Virou-se pra sua plateia,
Soltou um berro, alterado:
“Vamos passar a boiada!
Isso aqui não é nada,
Comparado com meu gado.”

O tinhoso, experiente,
Percebeu a desvantagem.
Era muita gente bronca
Seguindo aquela visagem.
“Vou ligar pro meu Supremo.
Briga boa eu não temo,
Mas assim é sacanagem…”

Satanás estava na mesa
Comendo um leitão assado.
Quando recebeu o zap
Caiu no chão, alarmado.
“Como é que esse bandido
Que acompanho, escondido,
Veio parar desse lado?”

Vestiu a capa vermelha,
E procurou o tridente.
Passou um pente na telha
Deu um gole de aguardente.
Arriou uma jumenta
Que tinha fogo na venta,
E foi pra linha de frente.

Chegando na portaria
Viu aquela confusão.
O povo fazendo arminha,
Gritando “É o Capitão!”
Trinta pastores na grama,
Dez generais de pijama,
e o Bonner na narração.

Seguindo aquele fascista,
Tinha de tudo um pouquinho.
Acadêmico e artista,
Sílvio, Datena e Ratinho.
Racista, neonazista,
comboio de taxista
atravancando o caminho.

O Demônio encheu o peito
Com seu bafo venenoso,
E perguntou pro sujeito:
“Cê quer o que, malcheiroso?
Não pense que me engana,
A facada foi chicana,
Recurso bem vergonhoso.”

Bolsonaro então sorri,
Lembrando a maracutaia.
“Não foi ali que morri,
Bem sabe o Rodrigo Maia.
Cheguei com apoio do Moro,
Dos tucanos de alto foro,
E também do Malafaia.”

“Mas então você me explique”,
Interrogou Belzebu:
“Por que vem fazer chilique
Com esse bando de urubu?
Pra entrar tem que ter senha,
Espero que aqui não venha
Provocar um sururu.”

“É Deus acima de todos,
Brasil acima de tudo!”
Desta forma inconsequente
Blasfemou o linguarudo.
O Demo pegou a deixa,
E transmitiu sua queixa
Para o Senhor-Pai-de-Tudo.
“Mestre Supremo, desculpe,
Nessa hora incomodar.
Mas tem um cara suspeito,
Aqui a me atazanar.
É um tal de Bolsonaro,
Se não me falha o faro,
É cabra ruim pra danar.”

Deus pôs a mão na testa,
deu um suspiro profundo.
“Belzebu, tu estás comigo
Desde o início do mundo.
Sabes que não ajo errado:
Se alguém vai pro teu lado,
É porque é vagabundo!”

“Mas, Deus, será que mereço
Um castigo tão tacanho?
O cara é sociopata,
Quem segue é um povo estranho.
Aqui temos uma ordem,
Por mais que outros discordem,
É disso que eu tiro o ganho.”
“Penso que um cabra desses,
Tão seguido de pastores
De igrejas tão diversas,
Guiadas por malfeitores,
Devia ir para o limbo
E receber um carimbo
Por proclamar tais horrores!”

O Supremo, com um sorriso,
Respondeu ao Lucifer:
“É justamente por isso
Que a situação requer
um jeitinho mais profano:
Aceite o miliciano
E seja o que Deus quiser!”

O Maligno, abismado,
Achou a declaração hostil.
“Se Deus quiser, ora essa!
Onde é que já se viu?
Agora que a coisa aperta!
Se Deus quisesse, na certa,
Tinha salvado o Brasil!”

Belzebu ficou cabreiro
Com aquela situação.
Lá fora o Bozo rosnava
Incitando a multidão.
Foi quando um diabo-raso
Preocupado com o caso,
Disse: “eu tenho a solução!”

“Lá no Brasil tem um cabra
Que todo mundo respeita.
Correu cinquenta países,
E em nenhum fez desfeita.
Cabra bom de Garanhuns,
Adorado por alguns,
Temido pela direita.”

Satanás, bem curioso,
Viu uma chance bem clara.
O diabinho, orgulhoso,
Sentiu que a fala tocara.
“É Lula, meu comandante!
Sei também que o meliante
Morre de medo do cara.”

“Quero o telefone agora
Dum homem desse quilate!”
Lucifer se apresentou,
E contou qual o embate.
Lula soltou uma risada,
E falou: “Esse é barbada.
Desafia prum debate!”

O Demonho, agradecido,

Foi direto pro portão.
Com a capetada ao lado
Anunciou a intenção:
“Vamos expor nossos planos.
Se os teus não forem insanos,
Te entrego a chave e o bastão!”

Bolsonaro ouvindo aquilo
Na hora empalideceu.
O suor correu na testa
E a garganta emudeceu.
Pra escapar da desgraça
Numa nuvem de fumaça,
Depressa se escafedeu.

A multidão, sem comando,
Aos poucos se diluiu.
Os diabos festejaram
A vitória sem fuzil.
Se alguém pergunta o destino
Do capitão asinino,
Saiba que está no Brasil.

===========

Eu (PRA) acrescento:
Um cordel arretado, cadeia prá quem merece.
Falta um prá outro cabra da peste, lá da Trumplândia.

 [Grato a Olympio Pinheiro pela postagem]

Ah, essa “relíquia bárbara” (como diria Keynes) - Paulo Roberto de Almeida

Ah, essa “relíquia bárbara” (como diria Keynes):

Uma das propostas do Projeto 2025, dos apoiadores de Trump, no campo monetário, seria um retorno ao padrão ouro, algo virtualmente impossível, nas condições atuais. Os BCs ficariam administrando toneladas de lingotes (para supostamente garantir as emissões de moeda), sem que isso se refletisse necessariamente nas demais políticas macroeconômicas e setoriais.

O fato é que a China, já maior produtora do mundo de ouro (e de muitas outras coisas mais), está acumulando toneladas de ouro, talvez para enfrentar a outra obsessão de Trump, além das tarifas: a manutenção do dólar como o padrão incontestável dos pagamentos e das cotações nos intercâmbios globais.

O outro fato é que Trump está fazendo de tudo para afundar os EUA: a China assiste impassível ao besteirol econômico trumpista.

Lula já falou diversas vezes numa provável “desdolarização” (que irá ocorrer, mas a longo prazo), com isso atraindo inutilmente os raios jupiterianos de um Zeus de araque, aquele que se crê o imperador do mundo.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 16/11/2025

sábado, 15 de novembro de 2025

HOMENAGEM AO PROFESSOR AMADO LUIZ CERVO: IN MEMORIAM: dia 21/11/2025, 19hs

HOMENAGEM AO PROFESSOR AMADO LUIZ CERVO: IN MEMORIAM

dia 21/11/2025, 19hs

Carlos Domínguez recebe Tereza Cristina Nascimento França (UFS), Albene Miriam Menezes Klemi (UnB), Günther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina), Lídia de Oliveira Xavier (Unieuro), Delmo Arguelhes (UFF) Homenagem ao professor Amado Luiz Cervo: in memoriam.

https://www.youtube.com/live/JYKBcLA9DBQ?si=-lNNFqaq9wieR2v2


As origens da Grande Guerra: a Europa no final do século XIX; livro de Paul Schroeder: The Origins ofthe First World War Reconsidered; review by Thomas Parker

 

H-Diplo|Jervis Forum Review 148: Parker on Schroeder, _Stealing Horses to Great Applause_

christopher ball

The Jervis Forum

H-Diplo | Robert Jervis International Security Studies Forum

Review 148

Paul Schroeder. Stealing Horses to Great Applause: The Origins ofthe First World War Reconsidered Verso, 2025. ISBN: 9781804295793.

12 November 2025 | PDF: https://issforum.org/to/R-148 | Website:rjissf.org

X: @HDiplo | BlueSky: @h-diplo.bsky.social | Mastodon: @HDiplo

Editor: Diane Labrosse
Commissioning Editor: Daniel R. Hart
Production Editor: Christopher Ball
Pre-Production Copy Editor: Mia Tellmann

Thomas Parker, George Washington University


The late Paul Schroeder, who died in 2020, was perhaps his generation’s greatest historian of nineteenth century European diplomacy. His books, The Transformation of European Politics, 1763–1848, Metternich’s Diplomacy at its Zenith 1820–1823, and Austria, Great Britain, and the Crimean War: The Destruction of the European Concert, covered the period in great breadth and depth.[1] He also wrote numerous articles on the juncture of history and political science theory in such publications as International Security.[2] He could do it all and then some.[3] For the first time, his essays on the origins of the First World War have been brought together in a single volume. The result, Stealing Horses to Great Applause: The Origins of the First World War Reconsidered, is a gem that calls into question some of the standard interpretations of the war’s origins and its outbreak. 

Schroeder shares the historical consensus that the war was caused by some combination of “imperialism, mass politics, fervent nationalism, all-out arms races, and Social Darwinism” (89).[4] He stresses that the impact of all these forces gradually undercut the period of prudent diplomacy that followed the Napoleonic Wars, which is known as the “Concert of Europe”: 

Europe had remained generally peaceful throughout the nineteenth century not by the natural workings of the balance of power, but by restraints on it—a system of rules, norms, and practices enabling actors, especially the great powers, to act on the assumption that rivalry and competition, though inescapable, would not destroy them (89-90).

During the Concert, self-restraint paid off, even if the individual parties might have foregone unilateral advantage periodically. Thus, Concert members sometimes passed up the prospect of tempting gains. Russia did not go to war with the Ottoman Turks in 1821–1823, France restrained itself in 1830–1831 when Belgium declared its independence, and France chose not to go to war in 1840 during the crisis with Egyptian ruler Mehmet Ali. International conferences solved these confrontations in a peaceful manner (321). Schroeder’s emphasis on the importance of norms and practices, not just military power, is an important contribution to this period’s historiography.[5] 

Schroeder argues that the system was also characterized by a relatively benign hegemony. Britain was most powerful nation in Western Europe, as was Russia in Eastern Europe. Yet both were distant hegemons that allowed other powers their lesser spheres of influence (37-43). 

Schroeder writes regretfully about how the Concert began its decline when these distant hegemons fought against each other in the Crimean War (1853–1856). London wanted to push back the Russian short-term threat to the Ottoman Empire and the longer-term Russian challenge to the British empire in the Middle East and Asia. For its part, Russia aimed to force Turkey into acknowledging Russian preeminence at Constantinople. The Crimean War also inadvertently weakened Austria by alienating it from all the involved parties. The Concert suffered additional blows when Prussia defeated Denmark in 1864, Austria in 1866, and France in 1870–1871, thereby making France and a united Germany permanent adversaries and Austria a satellite of Berlin. Schroeder criticizes the major European powers for not having attempted to promote settlements in any of these conflicts that might have left the defeated powers with fewer grievances, the victors with less hubris, and the entire diplomatic system more fluid and less rigid (43-53).

With the effective end of the Concert, European leadership passed to German chancellor Otto Von Bismarck, about whom Schroeder writes admiringly. Bismarck created a complicated, yet fragile, web of alliances. Until Emperor Kaiser Wilhelm II removed him from power in 1890, he succeeded in his main aim of avoiding war, particularly among Berlin, Vienna, and Saint Petersburg. Schroeder wonders, however, if even Bismarck could have managed the increasingly vulnerable European system much longer. Bismarck was replaced not by bellicose men, but by ordinary ones. If one of the tests of a stable system is that it can function under mediocre leaders, then an increasingly unstable Europe needed gifted men to keep it together. These were in short supply (62-67).

Schroeder shares the consensus view that European imperialism contributed to European instability by sharpening the continent’s rivalries (xi).[6] Yet again, he goes a step further by arguing that while these imperialist rivalries abroad did not directly cause World War I, they were characterized by a ruthless, zero-sum diplomacy that seeped back into Europe. Their destructive impact was exacerbated by the growing belief that any genuine major power had to be a world power in order to control the resources necessary for a modern economy: “World policy (Weltpolitik), [which is] often discussed as if it only or especially concerned Germany, was in fact almost universal” (70). Countries became increasingly willing to take risks to advance their perceived high-stakes agendas at the risk of war. (67-80, 160-170, 208-211)

Schroeder breaks with the majority of historians who believe that Germany’s restless, aggressive policy was perhaps the most important cause of World War I. They argue that while all the European major powers bore some responsibility for the war’s outbreak, Germany, and to a lesser extent, Austro-Hungary, deserve most of the blame.[7] 

Schroeder argues that while the Kaiser liked to strut about on the world stage, for several reasons Germany carried out a relatively cautious foreign policy right until 1914. First, while Berlin sought world power as much as any of the other major powers, it was largely excluded from colonial competition by the empires of Russia, Britain, and France, and even the United States. It was left with only the scraps from the Imperialist race, a Pacific island here, an African colony there. Schroeder chose the Spanish proverb “some men steal horses to great applause, while others are hanged for looking over the fence” for the title of an article. It is an appropriate frame for this collection. That is, while the entente powers could “steal” territory pretty much at will throughout the world, Germany was bottled up inside Europe. The proverb implies that life can be unfair; Schroeder understood that international politics are no different (159-160). 

Schroeder notes that Germany also felt, for good reason, that it was surrounded by a stronger unfriendly alliance system in Europe itself: a large Russia, whose modernization kept moving forward, France, and probably Britain. In contrast, Germany was allied with the declining Austro-Hungarian and Ottoman empires. Schroeder writes that this induced a certain prudence in Germany: 

The contrast between Germany’s uncomfortable situation, its dangerous potential, and its actual moderation in conduct shows up strikingly in Germany’s military establishment…Repeatedly, in times of crisis Germany’s military leaders showed caution, advising the government against exploiting relatively favorable chances for war in 1904–1905, 1908–1909, and 1911 and actually neglecting a badly needed expansion for the army until 1912–1913 (79). 

Schroeder argues that the prudence ended when Berlin felt that its Austro-Hungarian ally had been pushed to the wall by Serbia in July 1914 and that waiting any longer would result in a Russian-French dominated Europe. But then again prudence eluded all the parties that summer (15-16, 20).

Schroeder also breaks with the majority of historians on how best to allot the responsibility for the outbreak of the war in the summer of 1914.[8] Instead of finding Germany to have been the main culprit, he finds that Serbia was the most reckless power at that critical time: “I consider Serbia the most reckless and irresponsible, the most defiant of elemental norms of international conduct, the most hostile to the very existence of the international system” (216).

Unlike other historians of the war, Schroeder argues that Russian leaders were more reckless than their German counterparts.[9] He notes that Russia goaded Serbia to challenge Austria, mobilized before Germany, and for decades had run rampant in the polarizing imperialist race. Schroeder readily acknowledges that Germany was also reckless in 1914, as was Austro-Hungary. But as Schroeder emphasizes forcefully, the question of which power started the war (Germany and Austria-Hungary declared war first) is not the same as who caused it (216-217). In fact, Schroeder also argues that France was reckless in backing Russia too forcefully in the showdown with Austria-Hungary in the Balkans (217).

Moreover, Schroeder defends Austro-Hungary’s willingness to confront Serbia as having been understandable since Vienna was the weakest of the continent’s five major powers. All the other major powers knew that the Austro-Hungarian empire’s days were likely numbered either because of its internal ethnic tensions or because of external attack from Russia and Serbia (22-23). Here Schroeder makes an original argument: “A real balance of power policy would have required from the Entente [Russia, France, and Britain] precisely such a policy of restraint for themselves and controlled support for Austria” (23). Schroeder suggests that Britain was the only major European power that could have helped Austria to avoid collapse from external threats by providing diplomatic—but not military—support. It had a freer hand, as Russia and Serbia were adversaries of Vienna, and France was dependent on Russian support against Germany (23).

Yet London remained indifferent, even though its Foreign Minister Edward Grey “feared rather what actually happened: a preventive war launched by Germany out of fear of Russia’s growing strength and Austria’s decline” (29). This is not to say there was a British anti-Austrian plot. As Schroeder writes: “The British did not think of Austria as their enemy: they tried not to think of her at all” (30). But they should have. Schroeder stressed that the Habsburg Monarchy played a key role in European peace. With the Monarchy holding down the Danube basin, it prevented Germany and Russia from establishing mastery over Europe. If the Austro-Hungarian Empire were broken up, Germany and Russia were bound to fight over the spoils, as happened in the 1940s (32-33). 

Schroeder emphasizes that during the entire second half of the nineteenth century, the entire European international system became increasingly competitive and polarized, even cut-throat. All parties looked after their own interests exclusively as the largely peaceful days of the Concert of Europe receded into a distant past. There was little commitment to—or even understanding of—a common good. Diplomatic institutions and practices could no longer contain raw military power. He believed firmly that the decay of diplomatic institutions and practices over the second half of the nineteenth century made the First World War “highly likely, if not absolutely inevitable” (210). For Schroeder, the war’s outbreak was the coup de grace to a tottering system. Its origins, therefore, were even more important than the events of the summer of 1914. 

 

Thomas Parker teaches security courses at the George Washington University. Over the course of thirty years, he worked in the Executive Office of the President, the Office of the Secretary of Defense, the State Department’s Policy Planning Staff, the intelligence community, and the US Congress. He is the author of American Presidents in Diplomacy and War (Notre Dame University Press, 2023).


[1] Paul Schroeder, The Transformation of European Politics, 1763–1848 (Clarendon Press, 1994); Schroeder, Metternich’s Diplomacy at its Zenith 1820–1823 (University of Texas Press, 1962); and Schroeder, Austria, Great Britain, and the Crimean War: The Destruction of the European Concert (Cornell University Press, 1972).

[2] For example, Schroeder, “Historical Reality vs. Neo-Realist Theory,” International Security 19:1 (Summer 1004): 108-148.

[3] For a discussion of Schroeder’s place in the historiography of European history, see H-Diplo/RJISFF Forum, “The Importance of Paul Schroeder’s Scholarship to the Fields of International Relations and Diplomatic History,” 10 September 2021, https://issforum.org/forums/28.

[4] See Henry Kissinger, Diplomacy, (Simon & Schuster, 1994) 194; Gordon Craig, Europe, 1815–1914, (The Dryden Press, 1972) 435-436.

[5] Jack Levy, “The Importance of Paul Schroeder’s Scholarship to the Fields of International Relations and Diplomatic History,” in H-Diplo|RJISFF Forum, “The Importance of Paul Schroeder’s Scholarship to the Fields of International Relations and Diplomatic History,” 10 September 2021, 27; https://issforum.org/forums/28. Levy, “The Theoretical Foundations of Paul W. Schroeder's International System,” The International History Review 16:4 (2010): 715-744, https://doi.org/10.1080/07075332.1994.9640693.

[6] Craig, Europe, 1815–1914, 407.

[7] A.J.P. Taylor, The Struggle for Mastery in Europe, 1848–1918 (Oxford University Press, 1971), 526-527; Marc Trachtenberg, History and Strategy (Princeton University Press, 1991), 55-56; Craig, Europe, 1815–1914, 444-448.

[8] Craig, Europe, 1815–1914; Taylor, The Struggle for Mastery in Europe, 1848–1918; Trachtenberg, History and Strategy

[9] Craig, Europe, 1815–1914; Taylor, The Struggle for Mastery in Europe, 1848–1918; Trachtenberg, History and Strategy


Confissões não agostinianas - Paulo Roberto de Almeida

Confissões não agostinianas

Paulo Roberto de Almeida 

        Confesso que sou intolerante: contra a maldade e a injustiça. Acredito que existam pessoas naturalmente boas, de uma bondade natural, espontânea, e também pessoas naturalmente más, de uma malvadeza quase inata.  Acho que dá para reconhecer uns e outros, mesmo que os primeiros possam se comportar de maneira irracional em certas ocasiões (faz parte), e que os segundos possam hesitar um momento antes de perpetrar sua próxima malvadeza.
        Confesso também que tenho certa alergia à burrice, não à ignorância dos ingênuos, daqueles que não tiveram a oportunidade de estudar, ou que simplesmente nunca tiveram qualquer vontade ou desejo de estudar, de se informar pela leitura, que é um dos traços mais formidáveis de nossa cultura civilizada: existem burros que se auto fabricaram, uma propensão também encontrada em certos seres que são quase amebas mentais (se isso por acaso existe).
        Confesso que sou intolerante com essas coisas, que são perdoáveis, acredito (mas não tenho certeza). Talvez eu devesse ser mais tolerante com a ignorância e a burrice alheias. Correto, mas continuo intolerante para com a maldade.

Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 15/11/2025

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