PESQUISA MOSTRA DANOS DAS COTAS RACIAIS
Editorial O Globo, 3 de junho de 2010
Blog Contra a Racialização do Brasil
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Quanto mais se usam dados objetivos e referências históricas em debates contaminados por emoção, partidarismo, política e ideologia, menor o risco de se cometer graves equívocos na hora de tomar decisões. No caso da proposta de instituição de cotas raciais visando à criação de uma reserva de vagas para negros no ensino superior, este cuidado é imprescindível, pois estão em jogo questões-chave: da qualificação de profissionais, imprescindível para o país poder competir no mundo globalizado, à preservação de características saudáveis na formação de uma sociedade miscigenada, como a brasileira, sem as tensões raciais verificadas, por exemplo, nos Estados Unidos.
Esta proposta, importada ainda na Era FH dentro das chamadas ações afirmativas, ganhou mais força na gestão Lula, porque, nela, a militância racialista aumentou a presença no Executivo em Brasília. Com articulações no Congresso, o lobby conseguiu fazer tramitar entre deputados e senadores uma lei específica de criação dessas cotas e um projeto de estatuto, o qual estende a reserva de mercado em função da cor da pele à publicidade, à concessão de emprego no setor público, entre outras aberrações.
Na discussão que se trava de maneira mais acesa desde o início do atual governo, já existe um rico acervo de argumentos fundamentados contra as cotas raciais, mecanismo, inclusive, já revisto pela Justiça dos Estados Unidos, onde elas surgiram e se firmaram.
Pesquisa feita pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), primeiro estabelecimento de ensino superior do país a aderir ao sistema de cotas raciais, contribui para este acervo. Realizado a partir dos dados do vestibular feito pela universidade em 2009, o levantamento comprova uma das mais cortantes críticas às cotas: criadas para supostamente corrigir injustiças, as cotas impedem a entrada no ensino superior de pessoas mais bem preparadas. É a confirmação do perigoso abandono do princípio do mérito.
Das 2.396 vagas abertas naquele vestibular para cotistas, apenas 1.384 foram preenchidas, pois os candidatos não conseguiram obter a nota mínima: 2. Mesmo que a relação entre candidatos cotistas e vagas fosse quase um para um, enquanto entre os não cotistas 11 disputaram cada vaga. Entenda-se: se não são exigidas maiores qualificações aos cotistas, muitos merecedores de entrar na universidade ficaram de fora. Ainda com base na mesma pesquisa, a Uerj tenta justificar as cotas afirmando que o índice de reprovação é maior entre os não cotistas. A constatação, no entanto, tem importância relativa, pois o dano maior, o de impedir o desenvolvimento de talentos apenas porque eles não são negros, já foi causado no vestibular.
Também não surpreende que, em várias disciplinas, cotistas tenham notas inferiores às dos demais estudantes. Até o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves de Castro, em entrevista ao “Jornal Nacional”, admitiu que ficam de fora estudantes mais bem preparados. Mas ele continua a defender as cotas, mesmo que haja tantas evidências de que, ao reduzir a importância do princípio do mérito em nome da “raça”, o Brasil não terá profissionais qualificados como a realidade requer e, como inadmissível subproduto, já começa a inocular o racismo no convívio cotidiano da juventude.
Que esta pesquisa ajude o Congresso e o STF, onde o tema tramita, a refletir.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sábado, 5 de junho de 2010
Cotas raciais: efeitos nefastos - Editorial O Globo
Labels:
Apartheid,
cotas racistas,
Politica de cotas
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Leandro Narloch (no X) escreve sobre um dos gigantes da psicologia contemporânea: Robert Trivers
Leandro Narloch (no X) escreve sobre um dos gigantes da psicologia contemporânea. Robert Trivers, um dos grandes gênios do século 20, acaba...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
Google translation: March 5, 2025 French Senate Mr President, Mr Prime Minister Ladies and Gentlemen Ministers, My dear colleagues, Europe ...
-
Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
-
Paulo Roberto de Almeida uploaded a paper: Em " Minha vida de blogueiro amador ", compartilhamos reflexões sobre nossa jornada c...
-
Prata da Casa - Boletim ADB: 1ro. trimestre 2013 Paulo Roberto de Almeida Boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ano 20, n. 80,...
-
O juiz lhe deu duas opções: viver com o marido com quem foi obrigada a se casar aos 11 anos… ou ir para a prisão. Ela escolheu a prisão — ...
-
O Senador Claude Malhuret denuncia novamente o bufão perigoso instalado em Washington (ouvir o discurso em francês, Paris, 26/03/2026) htt...
-
Eleitor liberal procura Giullia Chechia Meio , 28/03/2026 “Um centro mais radical.” Foi assim que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, defi...
Um comentário:
Quase não assisto televisão, mas assisti esta matéria do Jornal Nacional, da TV Globo, que além de entrevistar o reitor da UERJ, entrevistou Demétrio Magnoli. Este por sua vez afirmou que "o sistema criado pra corrigir 'injustiças' tornou-se totalmente injusto".
Sou contra qualquer preconceito, seja de raça, cultura, religião, opção sexual, etc. Mas o sistema de cotas nas universidades sempre me pareceu manifestação racista, como se não houvessem brancos de baixa escolaridade e portanto com dificuldade de ingressar no ensino superior ou ainda como se os negros tivessem capacidade inferior aos demais. Hipótese (nazista) que a música e a ciência já cansaram de nos provar o contrário.
O próprio IRBr comete um erro gravíssimo nesse sentido, restringindo ao critério "cor da pele" o acesso à bolsa de estudos.
Postar um comentário