Interessante o que acabo de ler no jornal de hoje: realizou-se no Rio de Janeiro o 4o. Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira.
Até aí, tudo normal: crentes da mesma igreja devem realmente se encontrar.
Mas o que poderia acontecer num encontro acadêmico?
Convidarem economistas de diversas correntes, para um saudável debate.
Como? Não fizeram isso?
Só keynesianos keynesianistas e keynesianófilos participaram do encontro???!!
Mas que bela oportunidade perdida...
Eles ficam se confortando mutuamente, entre keynesianos, e o mundo à volta pega fogo.
Voltam para casa felizes e contentes, tendo falado para si mesmos e ouvido exatamente aquilo que queriam ouvir.
Bonito, não é?
Teve até um keynesiano brasileiro que recomendou que o governo usasse a sua "mão forte" (mas de "maneira suave", esclareceu ele), para fazer uma "depreciação a frio" do câmbio, ou seja, um pouco como aqueles dentistas de antigamente que arrancavam dente no alicate, ou aqueles médicos do século 19 que mandavam o sujeito tomar uma garrafa de uisque (bourbon, seria o caso), e depois abriam a barriga "a frio", sem anestesia.
Bela recomendação.
Enfim, meus cumprimentos atrasados aos keynesianos avestruzes pelo seu congresso.
Por fim, leio, estarrecido que:
1) uma economista da UniCamp (só podia ser da Unicamp) disse que "O único meio de conter o déficit não é fazer contenção fiscal, é crescer"!!! (vocês entenderam?)
2) o coordenador do encontro disse que (transcrevo do jornal) "é preciso que se abandone a ideia de austeridade fiscal e se busque responsabilidade no investimento do setor público". (que gracinha!: o Estado investindo mais, ou seja, retirando um pouco mais de dinheiro da sociedade.)
Eu me pergunto em qual planeta vivem esses economistas ditos keynesianos??!!
Não deve ser neste meu planetinha aqui, neste meu Brasil com contas públicas em desequilíbrio, deve ser em outro lugar, cujas coordenadas desconheço.
Rápido, vamos fazer uma vaquinha para comprar um GPS para a Associação Keynesiana Brasileira...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Por que estou fazendo listas de trabalhos carregados em Academia.edu? - Paulo Roberto de Almeida
Por que estou fazendo listas de trabalhos carregados em Academia.edu? Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor Uma nota sobre as posta...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
A ética da responsabilidade e o dilúvio fiscal Reflexões às vésperas do segundo turno — outubro de 2026 Rosalvo S. Sales * ...
-
A História não se repete, mas… Paulo Roberto de Almeida Em janeiro de 1933, a Direita alemã— industriais, banqueiros, grandes agricultores...
-
Eleições de 2026 no Brasil: desaparecimento de partidos, de programas, de reguladores isentos Paulo Roberto de Almeida, d...
-
Com Ricupero e Reale, intelectuais e ex-ministros entregam manifesto de apoio a Lula Os signatários também afirmam que a candidatura de Fláv...
-
Carta de Zelensky a Trump (não sei se terá algum efeito, mas ele disse tudo o que precisava ser dito): “🇺🇦🇺🇦🇺🇦 00:30, October 16, 202...
-
Existem pequenas coisas que se tornam grandes, quando esclarecidas suas dimensões humanitárias, como esta mensagem de Drausio Varella, por...
-
Élections au Brésil : quoi de neuf, quoi de vieux ? Paulo Roberto de Almeida, diplomate, professeur Notes pour une visioconf...
-
Opinião do Estadão A orgia eleitoral de Lula O perdão às dívidas de microempreendedores individuais foi só a mais recente das medidas do p...
Um comentário:
Esse encontro me lembrou de um "debate" sobre as cotas raciais na minha instituição (UFSM), patrocinada pela TV Campus. De um lado da mesa havia a professora que idealizou o vestibular com cotas e, do outro, um representante do Ministério Público Federal de Santa Maria (seu ex-aluno, por sinal) que, simplesmente, apoiava a reserva de vagas.
Bom, perdi quase uma hora da minha vida ouvindo troca de elogios.
Postar um comentário