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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Se você votou por um governo trapalhão, está inteiramente contemplado - Carlos Brickmann, Paulo Roberto de Almeida

Aposto que ninguém previa esse tipo de confusão. Nenhum astrólogo, nenhum adivinho, nenhum analista político sério poderia sequer imaginar o que está acontecendo no Brasil.
Não que as coisas me tenham surpreendido absolutamente. Já no primeiro semestre de 2018, ao acompanhar a "irresistível ascensão de Arturo Ui" – desculpe Bertolt Brecht –, eu senti que teríamos gente medíocre no governo e, mesmo falando com a fração mais inteligente dos engajados na campanha (a equipe econômica), eu recusei absolutamente qualquer colaboração com o "exército de Brancaleone" que se estava formando – desculpe Mario Monicelli –, argumentando que já tinha candidato e que eu não era, nem pretendia ser eleitor do capitão.

Mas, desafio qualquer pessoa neste nosso planeta redondinho – os terraplanistas não contam, pois eles acreditam em qualquer estupidez – a provar que já estavam antecipando a ENORME CONFUSÃO que seria o governo do dito capitão.
Não estou falando de mediocridade, que isso eu, e dezenas de outros analistas, podíamos facilmente prever, antecipar, apostar, assegurar. Com um líder medíocre, era de se esperar um governo medíocre, com as exceções de praxe, como a dita equipe econômica (para a qual recusei minha colaboração) e mais dois ou três, no máximo.
Estou falando de CONFUSÃO, e da grossa. Essa ninguém estava esperando.
E 95% da confusão é causada pelo próprio capitão, o pior inimigo do seu governo.
Claro, existem vários outros paspalhos, que me eximo de mencionar, além do que já está explícito nesta saborosa crônica do exímio jornalista Carlos Brickmann.
Prometo escrever um ensaio, um panfleto, uma novela, um tijolão sobre as maravilhosas confusões da Bolsofamiglia e associados unidos. Claro, elas merecem um escritor do quilate de Mário Vargas Llosa, para reconstruir todo o sabor das cenas épicas a que já assistimos até aqui, qualidade de que careço para expressar em páginas imortais toda a epopeia dos Bolsonaros brancaleônicos. Mas, tenho o registro dos episódios mais memoráveis.
Carlos Brickmann oferece aqui uma síntese parcial, e preliminar, da novela das confusões.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20 de novembro de 2019

UM DIA, TALVEZ QUEM SABE

COLUNA CARLOS BRICKMANN


EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 20 DE NOVEMBRO DE 2019

A reforma da Previdência está aí, o megaleilão do pré-sal não foi lá essas coisas mas se realizou, discretamente há privatizações andando, a inflação está baixa, os juros (oficiais) nunca foram tão reduzidos. Há até um ou outro tímido indício de recuperação econômica – pequena, pequena, mas melhor do que zero. Cadê a avalanche de investimentos estrangeiros que, dizia o ministro Paulo Guedes, esperava ansiosa essas medidas para inundar o país?

Pelo jeito, faltou apenas uma coisinha: combinar com os investidores do Exterior. Pois, ao contrário do que se imaginava, de janeiro até agora o que houve foi desinvestimento: quase US$ 50 bilhões deixaram o Brasil. Parte pela situação internacional – para o cidadão americano de classe média baixa que aplica suas economias em fundos, Bolívia, Venezuela, Argentina, Chile e Brasil é tudo mais ou menos a mesma coisa, latinos – e crises nos países vizinhos os levam a desconfiar do Brasil. Fora isso, é mais fácil e seguro por dinheiro nos Estados Unidos, onde a economia vem crescendo.

Mas parte é culpa brasileira: essa coisa bolsonariana de crise permanente não anima os investidores, e eventos como o crescimento da área derrubada da Amazônia fazem surgir temores de represálias que podem prejudicar o agronegócio e a mineração, pontos fortes do Brasil. O investidor tem outras oportunidades. E, entre suas características, adora a tranquilidade. Como achá-la por aqui?

Pois é

A literatura econômica ensinou ao ministro Paulo Guedes que, preparado o terreno para recebê-los, os investimentos fluem. E ele acreditou.

Brigando com fatos

Diante do derrame de petróleo em costas brasileiras – a responsabilidade não é de Bolsonaro – nosso Governo correu para parecer culpado. Acusou o Greenpeace, acusou um navio grego, sem comprovar nada, exceto que não tem ideia do que houve. Aí surge um tal secretário da Pesca e diz que peixe é inteligente: foge do petróleo e não se contamina. Cresce o desmatamento na Amazônia, e o Governo põe a culpa até na Noruega. Mas, diante das palavras oficiais contra a os defesa do meio-ambiente, os delinquentes se animaram e ampliaram as atividades ilegais. Só agora o Governo promete reprimir ilegalidades. Teve de recuar. É duro brigar com fatos – eles vencem.

Escondendo o bom

Na briga com os fatos, o Governo ocultou uma boa notícia: com a redução das despesas públicas e o aumento da arrecadação, os recursos orçamentários que tinham sido bloqueados foram liberados. Ou seja, na gestão econômica, sem envolvimentos políticos, o Governo vai bem. Mas quem presta atenção em notícias como essa, quando Bolsonaro e antigos aliados trocam insultos?

Proibido para menores

O texto que se segue transcreve, sem modificações, um debate do ministro da Educação, Abraham Weintraub, pelo Twitter, com gente que o criticou. Sua Excelência lembrava favoravelmente a Monarquia, e um crítico disse: “Se voltarmos à Monarquia, certamente você será nomeado bobo da corte!”. Weintraub: “Uma pena, prefiro cuidar dos estábulos, ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe”. Em seguida, outra pessoa reagiu: “Andando na rua encontrei seu bom senso. Ele mandou lembranças e disse que está com saudades!” Weintraub: “Que bom, agora continue procurando pelo seu pai...”

Mais surpreendente do que ser ministro é cuidar da Educação.


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