A corrupção que vem de cima: nossas elites assaltantes
Paulo Roberto de Almeida
Praticamente de forma contemporânea à descoberta do Mensalão — que aliás foi precedido por um outro esquema fraudulento, de loterias, operado pelo mesmo grão-vizir da corrupção petista, José Dirceu, o Richelieu do Planalto —, eu detectei (pois trabalhei de 2003 a 2006 num órgão de planejamento estratégico da União) a transformação das velhas formas de corrupção política, em geral em bases individuais, em formas mais elaboradas de corrupção organizada burocraticamente, em bases partidárias, com o PT no comsndo. Em linguagem marxista, poder-se-ia dizer que o Brasil passou do “modo artesanal de produção de corrupção” para um “modo industrial de produção de corrupção”, com o PT se encarregando de organizar o saque de estatais e de montar a distribuição, aqui repetindo a Crítica do Programa de Gotha, de Marx: “de cada um segundo sua capacidade, a cada um segundo suas necessidades”. Parlamentares passaram a receber o mensalão, por vezes bancadas inteiras, como foi o caso do PTB de Roberto Jefferson (que depois foi reclamar a José Dirceu um quinhão mais elevado e acabou denunciando o esquema).
A origem de tudo foi o PT, mas o Eduardo Cunha, que sozinho valia por meio PT, tratou de socializar o roubo organizado, sob a forma de emendas compulsórias e não contingenciáveis, sob o reinado de Dona Dilma, uma grande idiota. Foi o início do estupro orçamentário das emendas parlamentares, que se tornaram gigantescas, superando até os dois fundos pornográficos, o partidário e o eleitoral, duas grandes aberrações.
A aristocracia do Judiciário completa a farra com o dinheiro público com a extorsão dos penduricalhos, um assalto à mão armada contra o povo.
Acho que completei o quadro sinistro da corrupção que vem de cima.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 12/03/2026
Brasilia, 12/03/2026